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Quarta-feira, 30 de Abril de 2014
MINHOTOS REALIZAM EM LOURES ENCONTRO DE CULTURAS

O Grupo Folclórico e Etnográfico Danças e Cantares “Verde Minho” vai realizar na cidade de Loures um autêntico arraial, tendo como cenário a réplica das ruínas de São Paulo e que constituiu a fachada do Pavilhão de Macau na Expo’98, atualmente exposto no Parque da Cidade. Trata-se do XXI Encontro de cultura Ibérico e terá lugar no próximo dia 31 de Maio, com início às 16 horas, com a abertura dos pavilhões onde o artesanato e a gastronomia minhota marcarão a sua presença, animado pelo toque de várias escolas e grupos de concertina e cantares ao desafio, bem ao jeito das romarias Alto Minhotas culminando o arraial com uma imponente sessão de fogo-de-artifício.

Fotos do Verde Minho 023-2

O Festival de Folclore conta com a participação do Grupo de Bombos Os Zés Pereiras Amarantinos, Escola de Concertina “Filipe Oliveira” e a Concertina de “Daniel Sousa”, o Rancho Etnográfico de São Miguel de Entre Ambos-os-Rios, Grupo Etnofolclórico Renascer de Areosa, Grupo de Folclore Terras da Nóbrega, além do organizador, Grupo Folclórico e Etnográfico Danças e Cantares “VERDE MINHO”. E, como novidade, participará também o Grupo de Danças e Cantares de Aldava, proveniente de Cáceres, na Comunidade Autónoma da Extremadura de Espanha.

Às 20 horas, realizar-se-á o desfile dos grupos folclóricos a partir dos Paços do Concelho com direção ao Parque da Cidade. Pelas 21 horas, terá início a atuação dos grupos folclóricos, com apresentação a cargo do Eng. José Brito, distinto apresentador das nossas tradições.

O Grupo Folclórico e Etnográfico “Verde Minho” encontra-se sediado na localidade de A-das-Lebres, no concelho de Loures, e é uma associação cultural constituída por minhotos e amigos que vivem na região de Lisboa que procuram manter as suas raízes culturais e as tradições da sua região de origem. Loures, terra de tradições saloias, vai pelo segundo ano viver a alegria e a exuberância de um arraial à moda do Minho, montado pelas gentes minhotas que ali vivem e trabalham.



publicado por Carlos Gomes às 09:35
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ALIANÇA PORTUGAL FAZ CAMPANHA EM LISBOA



publicado por Carlos Gomes às 08:34
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MUNICÍPIO DE LISBOA QUER LIGAR A BAIXA AO LARGO DO CARMO ATRAVÉS DE CAMINHO PEDONAL

A Baixa de Lisboa vai passar a ter acesso direto ao largo do Carmo através da Rua do Carmo. Trata-se da conclusão do plano do arquiteto Siza Vieira para a reabilitação do Chiado, na sequência do incêndio ocorrido em 1988, o qual obrigou a uma recuperação da área ardida.

As obras que estão a efetuar-se preveem, além dos terraços onde ficará uma espécie de “jardim suspenso” e esplanadas, a instalação de uma cafetaria num dos armazéns da antiga tipografia da GNR, um espaço integrado no Convento do Carmo. Do local disfruta-se uma excelente vista panorâmica para a colina do castelo de São Jorge, permitindo ainda a valorização do conjunto patrimonial constituído pela Igreja e Convento do Carmo.

Com a intervenção vence-se o desnível topográfico existente entre a plataforma do “Pátio B” e o portal Sul do Convento do Carmo, articulando os espaços de forma integrada, aliando a valorização patrimonial deste local à criação de um espaço público de lazer nos Terraços do Carmo como prolongamento natural do percurso pedonal.

Está igualmente previsto um acesso ao pátio correspondente ao recreio da antiga escola veiga Beirão. Vai também poder subir-se até ao patamar da porta sul da igreja através do elevador do edifício Leonel, desde a Rua do Carmo, e do passadiço que vem do elevador de Santa Justa.

O projeto, financiado por verbas de contrapartidas do Casino, foi consignada no dia 5 de julho de 2013 e integra a área de intervenção do Plano de Pormenor da Baixa Pombalina, que envolve um investimento superior a 700 milhões de euros para reabilitação e novos equipamentos. O prazo de execução é de 180 dias.

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publicado por Carlos Gomes às 00:00
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Terça-feira, 29 de Abril de 2014
GRUPO DE FOLCLORE DAS TERRAS DA NÓBREGA FAZ A SUA PRIMEIRA APARIÇÃO PÚBLICA NO PRÓXIMO DIA 24 DE MAIO EM QUEIJAS

É já no próximo dia 24 de Maio que o Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega vai levar a cabo a sua primeira apresentação pública com a realização de uma Mostra de Folclore na qual participarão mais três agrupamentos de Folclore que apadrinharão a sua estreia. A iniciativa terá lugar no Largo do Mercado Municipal de Queijas, nos arredores de Lisboa.

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Fundado há cerca de um ano, e após longos meses de trabalho e preparação, o Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega é o mais jovem agrupamento folclórico minhoto surgido em Lisboa. E, para quem conhece o trabalho anteriormente desenvolvido pelos seus responsáveis no domínio do folclore, sabe de antemão que estaremos perante um trabalho honesto e de rigor cujo sucesso está à partida garantido.

Conforme afirmou ao BLOGUE DO MINHO o Dr. José Artur Brito, Presidente da Direcção e Director-Técnico deste novo agrupamento, “O Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega, tal como o nome indica, representará o Folclore e a Etnografia das Terras da Nóbrega”, esclarecendo que “Etno-folcloricamente falando, as comunidades das Terras da Nóbrega, hoje em dia representadas por freguesias pertencentes ao Concelhos de Ponte da Barca, Arcos de Valdevez, Ponte de Lima e Vila Verde, viviam entre a Serra e o Rio e partilhavam um estilo de vida e vivência social comuns o que faz desta extensa área de território minhoto peculiar na sua forma de trajar, de cantar e de ser Povo”.

Ainda, segundo aquele responsável, as Terras da Nóbrega constituem “uma região povoada já desde tempos imemoriais, na sua maioria representadas geograficamente pelo atual Concelho de Ponte da Barca, no nordeste da Província do Minho. Originalmente chamada de “Annofrica”, uma das 30 paróquias em que a Arquidiocese de Braga foi dividida pelo Concílio de Lugo em 569 AD, as Terras da Nóbrega eram delimitadas, como a maioria dos Coutos e Circunscrições Territoriais em que Portugal se encontrava dividido na Idade Média, por acidentes geográficos. Tendo o Rio Lima a percorrer em toda a sua extensão, as Terras da Nóbrega eram assim delimitadas pelas Serras Amarela e do Soajo, a norte e nordeste, e pela Serra de Oural, a sul.”

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Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega

Mostra de Folclore para Apresentação Pública do Grupo

24 de Maio de 2014 – Largo do Mercado Municipal de Queijas

PROGRAMA

15.00h – Chegada dos Grupos participantes e Entidades convidadas a Queijas

16.00h – Recepção na Delegação da Junta de Freguesia da União de Freguesias de Carnaxide e Queijas – Apresentação de Cumprimentos e Troca de Lembranças 

Discursos: Doutor José Artur Brito – Presidente da Direcção do GFTN

Fernando Ferreira – Presidente da Federação do Folclore Português

Dr.ª Sofia Tomaz – Coordenadora do Núcleo de Etnografia da Fundação INATEL

Jorge de Vilhena – Presidente da Junta de Freguesia da União de Freguesias de Carnaxide e Queijas 

16.45h – Pequeno desfile etnográfico pelas Ruas da freguesia

17.00h – Atuação dos Grupos participantes:

- Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega (Alto Minho Interior)

- Associação Cultural e Etnográfica “Gentes de Almeirim” (Ribatejo)

- Grupo Folclórico de São Torcato (Baixo Minho Ave – Guimarães)

- Rancho Folclórico e Etnográfico de Ponte da Barca (Alto Minho Interior)

19.30h – Jantar-convívio com todos os Grupos e Convidados



publicado por Carlos Gomes às 20:24
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ALHOS VEDROS REALIZA FESTIVAL DE FOLCLORE



publicado por Carlos Gomes às 16:42
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JARDIM AFONSO DE ALBUQUERQUE EM BELÉM ESTÁ AO ABANDONO?

O Jardim Afonso de Albuquerque situa-se defronte do Palácio de Belém onde se encontra instalada a Presidência da República. Não obstante, aquele espaço parece encontrar-se ao abandono, a avaliar pelo estado em que se encontra o pavimento e as esculturas que constituem motivos de ornamentação.

Estátuas danificadas e sujas com pichagens e a degradação dos arruamentos são alguns dos aspetos que dão uma ideia de abandono do local. E, nem o monumento a Afonso de Albuquerque escapa uma vez que apresenta na base do pedestal alguns motivos escultóricos seriamente danificados.

Situado na Praça Afonso de Albuquerque, em Belém, o jardim, apresenta uma planta quadrangular e simétrica com cerca de 1,6 há, prolongando-se até à avenida da Índia, encontrando-se integrado numa área dedicada aos Descobrimentos Portugueses. Respeitando a simetria, apresenta diversos tabuleiros de relva e quatro lagos artificiais situados nos cantos do jardim, ornamentados com motivos escultóricos, erguendo-se ao centro a estátua de Afonso de Albuquerque.

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Segunda-feira, 28 de Abril de 2014
LACTÁRIO EM SANTA APOLÓNIA HÁ MAIS DE UM SÉCULO A DISTRIBUIR LEITE AOS BEBÉS DE LISBOA

O Lactário da Associação Protetora da Primeira Infância, em Santa Apolónia, existe desde 1901 e foi criado com o objetivo de promover o combate à mortalidade infantil na primeira infância, através do apoio alimentar e acompanhamento médico. Fundado pelo Coronel Rodrigo António Aboim Ascensão, esta instituição popularmente conhecida como “o Lactário” encontra-se instalada na zona de Santa Apolónia, num edifício projetado pelo Arquiteto Ventura Terra.

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Esta entidade tem como principal finalidade o apoio a crianças e jovens e respetivas famílias, o que pode ser feito nomeadamente através do fornecimento de leite e seus sucedâneos a crianças, a distribuição de dietas lácteas e alimentação adequada a grávidas e parturientes, a criação e manutenção de creches, jardins-de-infância e infantários e a distribuição de alimentos e roupas a crianças e sua famílias pobres e indigentes.

A atividade desta Associação reparte-se por três áreas, concretamente o Serviço de Lacticologia, o Serviço do Lactário, o Serviço Médico na área da pediatria e o Serviço Social.

Iniciado o seu funcionamento em 1903, o Serviço de Lacticologia é responsável pela produção do leite higiénico cru nos estábulos da Associação, sob rigoroso controlo higiénico e sanitário com supervisão de médicos veterinários, docentes na Escola Superior de Medicina Veterinária. Este serviço funcionou ininterruptamente até 2003, contando com a permanência de um vaqueiro residente.

Por sua vez, o Serviço do Lactário procedeu à distribuição diária gratuita de leite para bebés lactantes cujas mães não podiam amamentar, o que era feito duas vezes por dia, em doses recomendadas pelo pediatra, sendo transportado em garrafas-biberão esterilizados em autoclave.

O Serviço Médico garantia o acompanhamento pediátrico das crianças e o aconselhamento às mães dos procedimentos de higiene, enquanto o Serviço Social fazia o acompanhamento do agregado familiar, providenciando o seu apoio de acordo com as carências verificadas.

Rodrigo António Aboim Ascensão era natural de Faro e dedicou grande parte da sua vida a ações de beneficência, tendo fundado entre outras instituições a Associação Protectora da Primeira Infância, em 1901, e, seis anos mais tarde, a Associação de Beneficência e Instrução do Campo Grande. Por legado testamentário, determinou a fundação de um asilo para crianças na sua cidade natal, o qual recebeu o nome de Refúgio Aboim Ascensão.

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publicado por Carlos Gomes às 00:05
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CARREGADORES DE VEÍCULOS ELÉTRICOS ESTÃO ABANDONADOS EM LISBOA

Os carregadores de veículos elétricos existentes nas áreas de parqueamento de Lisboa encontram-se ao abandono, sem qualquer utilização e muitos deles vandalizados. A causa de tal situação residirá provavelmente no insucesso do projeto nomeadamente em virtude do tempo que é necessário para efetuar o carregamento e a reduzida autonomia deste género de veículos.

Os carregadores estão espalhados um pouco por toda a cidade mas não são utilizados. Em virtude da sua inutilidade, os locais reservados ao carregamento elétrico acabam por ser ocupados por outro género de viaturas. E, nalguns locais, os carregadores encontram-se vandalizados há vários meses sem que alguém proceda à sua reparação ou remoção.

Enquanto a aplicação deste modelo energético aos veículos de transporte urbano não corresponder às necessidades dos utilizadores a fim de que possa ser utilizado, o investimento na rede de carregadores de veículos elétricos parece configurar mais uma situação de desperdício.

Perante o estado de abandono em que os referidos postos de carregamento se encontram, seria talvez mais sensato proceder à sua remoção.


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Domingo, 27 de Abril de 2014
PATRIMÓNIO E MUSEUS NOS TEMPOS DA MUDANÇA EM DEBATE NO MUSEU NACIONAL DE ARQUEOLOGIA



publicado por Carlos Gomes às 20:02
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GOVERNO QUER CONTROLAR AS NOSSAS VIDAS!

O Ministério da Saúde quer aplicar taxas especiais a produtos alimentares com excesso de sal e de açúcar já a partir do próximo ano. O anúncio foi feito pela própria ministra das Finanças que anunciou a intenção de avançar com uma tributação ministra das Finanças especial sobre produtos nocivos para a saúde, além de uma taxa sobre os lucros das empresas farmacêuticas, à semelhança da que foi aplicada no sector energético.

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A pretexto de pretender melhorar os hábitos de consumo das pessoas, o governo prepara-se para interferir na vida privada dos cidadãos e condicionar a sua liberdade individual, estipulando aquilo que devem ou não consumir ou fazer, quais os hábitos que devem adotar e aqueles de que deverão abdicar. Tal procedimento pressupõe naturalmente a existência de alguém com autoridade para decidir neste domínio e, consequentemente, um instrumento de fiscalização, vulgo polícia de costumes.

Tais propósitos do governo que até há relativamente pouco tempo pareciam inimagináveis representam o princípio de uma grave limitação das liberdades individuais e remetem-nos para as sociedades mais conservadoras, porventura mesmo de outras culturas para quem o ser humano pouco ou nada representa perante a vontade de certos ayatollahas. Pelo caminho que as coisas levam, em breve nos obrigarão a beber exclusivamente sumo de laranja… amarga!



publicado por Carlos Gomes às 14:27
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AMADORA RECUPERA PONTE FILIPINA DE CARENQUE

Após décadas de degradação e abandono, a ponte filipina de Carenque já se encontra recuperada. Entretanto foi criada uma alternativa para o trânsito automóvel que circula entre a Amadora e Queluz, encontrando-se a ponte apenas aberta à circulação pedonal.

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Constituída por dois arcos desiguais e de volta perfeita, a ponte foi construída ao tempo de Filipe III, mais concretamente em 1631.

Com cerca de 12 metros de comprimento e 6 metros de largura, a ponte de Carenque encontra-se situada na estrada velha de Queluz que nos começos do século XX ligava Lisboa a Sintra, encontrando-se classificada pelo Município da Amadora como Imóvel de Interesse Municipal.

Possui um marco de pedra no qual existe uma inscrição com a data da sua construção, nele constando os seguintes dizeres: “ESTA PONTE FOI MANDADA FAZER PELO SENADO DE LISBOA À CUSTA DO REAL DO POVO, 1631”.

Sobre este marco existiu um cruzeiro entretanto desaparecido. Possui um talha-mar, semelhante aos que existem nas pontes romanas.

Até recentemente era utilizada para circulação de trânsito automóvel, incluindo veículos pesados, apresentando-se em mau estado de conservação. Acresce ainda o facto da Ribeira de Carenque apresentar ainda bastante poluição e acumulação de sujidades naquele local.

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publicado por Carlos Gomes às 00:00
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Sábado, 26 de Abril de 2014
MILITANTES DO PNR VAIAM DEPUTADOS À SAÍDA DO PARLAMENTO NO DIA 25 DE ABRIL

Cerca de meia centena de militantes do Partido Nacional Renovador (PNR), empunhando bandeiras portuguesas e do partido, concentrou-se ontem junto à Assembleia da República para realizar aquilo que consideram uma manifestação de protesto contra o regime político vigente.

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Afastados do local onde se procedeu à receção das entidades convidadas para uma parte lateral junto à calçada da Estrela a fim de não obterem visibilidade com a eventual perturbação das cerimónias, os militantes do PNR aguardaram o fim das celebrações para assobiar e vaiar os deputados e o próprio Presidente da República à medida que iam abandonando o local nas suas viaturas oficiais.

O presidente do PNR disse à agência Lusa que “este regime roubou a esperança de futuro aos portugueses. Este regime político está podre e só ainda não caiu por questões geoestratégicas e porque a União Europeia não permite”. José Pinto Coelho questionou ainda: “Com que autoridade é que estes senhores estão ali dentro [no interior da AR] a fazerem autoelogios quando 40 anos depois do 25 de Abril estamos cada vez piores com os cortes na educação, na área social e com a austeridade. Além disso, a corrupção e os lobbies estão instalados a todos os níveis políticos, dando um mau exemplo para a sociedade e demonstrando uma grande imoralidade”. E, em jeito de conclusão, defendeu que este regime “não serve Portugal”, preconizando um novo regime político e uma nova constituição.

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publicado por Carlos Gomes às 23:13
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LISBOA VÊ NASCER MAIS UM GRUPO FOLCLÓRICO MINHOTO: É O GRUPO DE FOLCLORE DAS TERRAS DA NÓBREGA E VAI TER A SUA PRIMEIRA APARIÇÃO PÚBLICA NO PRÓXIMO DIA 10 DE MAIO

É já no próximo dia 10 de Maio que o Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega vai levar a cabo uma Sessão Solene de apresentação organizando posteriormente no dia 24 de Maio uma Mostra de Folclore com mais três agrupamentos de Folclore que apadrinharão a sua estreia.

Fundado há cerca de um ano, e após longos meses de trabalho e preparação, o Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega é o mais jovem agrupamento folclórico minhoto surgido em Lisboa. E, para quem conhece o trabalho anteriormente desenvolvido pelos seus responsáveis no domínio do folclore, sabe de antemão que estaremos perante um trabalho honesto e de rigor cujo sucesso está à partida garantido.

Para nos contar tudo sobre este novo projeto minhoto em Lisboa, falámos com José Artur Brito, Presidente da Direcção e Director-Técnico deste novo agrupamento.

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Como surge este novo agrupamento folclórico na cidade de Lisboa?

Para ser sincero, devo dizer que a ideia da formação deste novo grupo apanhou-me completamente de surpresa. Como é sabido, durante 13 anos fui responsável técnico por um outro agrupamento de Folclore minhoto sediado em Lisboa. Quando saí desse grupo, o meu plano era descansar durante algum tempo, pôr alguma escrita em dia, compilar e catalogar alguma informação de recolhas recentes, e depois, passados alguns meses, começar à procura de um projecto que me agradasse e ao qual o meu contributo pudesse ser útil. Qual não foi o meu espanto quando passadas apenas algumas semanas recebi de um grupo considerável de pessoas o esboço do que viria a ser o Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega (GFTN), e o repto para encabeçar este novo projecto.

Foi fácil decidir? O que o fez aceitar tão rapidamente?

Foi fácil, muito fácil. Em primeiro lugar, a forma como me abordaram foi extraordinária. É sempre bom ver o nosso mérito reconhecido e o nosso trabalho valorizado, e as pessoas que me abordaram fizeram isso. Transmitiram-me o que pretendiam para este novo Grupo, qual o objetivo que tinham em mente e fizeram-me sentir que o meu contributo era importante. De facto, não precisavam de o ter feito pois fiquei imediatamente seduzido pela equipa que tinha reunido e pelo que queriam fazer, o que tinham em mente.

Qual é o círculo geográfico que agrega a representação tradicional da nova formação?

O GFTN, tal como o nome indica, representará o Folclore e a Etnografia das Terras da Nóbrega. Povoada já desde tempos imemoriais, as Terras da Nóbrega encontram-se na sua maioria representadas geograficamente pelo atual Concelho de Ponte da Barca no nordeste da Província do Minho. Originalmente chamada de "Annofrica", uma das 30 paróquias em que a Arquidiocese de Braga foi dividida pelo Concílio de Lugo em 569 AD, as Terras da Nóbrega eram delimitadas, como a maioria dos Coutos e Circunscrições Territoriais em que Portugal se encontrava dividido na Idade Média, por acidentes geográficos. Tendo o Rio Lima a percorrer em toda a sua extensão, as Terras da Nóbrega eram assim delimitadas pelas Serras Amarela e do Soajo, a norte e nordeste, e pela Serra de Oural, a sul.

Etno-folcloricamente falando, as comunidades das Terras da Nóbrega, hoje em dia representadas por freguesias pertencentes ao Concelhos de Ponte da Barca, Arcos de Valdevez, Ponte de Lima e Vila Verde, viviam entre a Serra e o Rio e partilhavam um estilo de vida e vivência social comuns o que faz desta extensa área de território minhoto peculiar na sua forma de trajar, de cantar e de ser Povo.

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O que fundamentou a escolha da região da Nóbrega?

Bom, essa escolha recaiu devido à conjugação de três fatores: em primeiro lugar, a presença de elementos oriundos dessa região na lista de fundadores do GFTN; em segundo lugar, por ser uma das sub-regiões etno-folclóricas minhotas onde tenho incidido a maior parte do meu estudo e recolha; e, por fim, a constatação da falta de agrupamentos folclóricos suficientemente representativos do Alto Minho Interior, em geral, e dessa região, em particular. Alguns Grupos da região têm feito um esforço considerável por alterar essa realidade, dois deles viram inclusivamente reconhecido o seu trabalho com a passagem a membros efetivos da Federação do Folclore Português, mas achamos que isso não suprime todas as lacunas existentes na região. Com toda a modéstia, ou falta dela, conforme quiserem interpretar, achamos que podemos dar um contributo válido para representação etno-folclórica das Terras da Nóbrega e do Alto Minho Interior.

Quais são as características distintivas da etnografia e do folclore da região representada?

O Povo das Terras da Nóbrega vivia essencialmente da agricultura mas dividido entre o Rio Lima e as Serra de Oural e Amarela. A vivência era dura, agreste, tal como o terreno da região, e isso torna as suas danças e cantares rústicas, quase “agressivas”. Encontramos a pastorícia como uma atividade muito marcada na região, tal como a cultura do linho e a pirotecnia. O facto de ser uma região de muitas Casas Brasonadas e a fazer fronteira com Espanha - as relações comerciais e sociais eram uma constante - fazem com que seja também uma região de contrastes e com notória similitude galega. Nos tecidos, encontramos muitos tecidos de casa (lãs, linhos, estopas e tumentos trabalhados em tear), mas também, na classe mais remediada, as fazendas finas e os veludos lavrados. Como trajes distintivos temos de salientar o traje de São Miguel – aliás, este é quase considerado como o traje embaixador de Ponte da Barca pelo Mundo – e nas danças a cana-verde e a chula são presença obrigatória. Viras quase nenhuns, Serrinhas e Espanhóis são reis no terreiro.

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O projeto alargar-se-á a outros motivos tradicionais da cultura popular da região?

O GFTN não pretende ser “mais um” agrupamento folclórico. Queremos primar pela diferença e queremos afirmar-nos no panorama folclórico nacional. Temos muitas ideias, não saberemos quando conseguiremos concretizar todas, mas uma coisa é certa: não queremos ser um grupo de “autocarro” em que o objetivo é correr o circuito dos Festivais nacionais. Achamos que esse é uma vertente importante da atividade de um grupo mas também a recriação de vivências, a formação contínua dos elementos, os mercados tradicionais e o folclore dito “religioso”, o são. Teremos de ir analisando as situações e os convites há medida que eles surjam pois, como deve imaginar, a questão financeira do grupo nesta fase é periclitante. Não querendo parecer ingrato ou dar azo a segundas interpretações, afirmo o que já digo há vários anos: desengane-se quem acha que ter dinheiro é a solução para todos os problemas e para ter um grupo de qualidade; não é. Ter um objetivo definido, um grupo coeso, boas ideias, bons líderes e excelentes elementos definem a qualidade de um Grupo.

Contam com o apoio de entidades locais?

Neste momento, contamos com o apoio inestimável do Centro Social e Paroquial de Queijas, da Câmara Municipal de Oeiras, da Junta de Freguesia da União de Freguesias de Carnaxide e Queijas, e da Câmara Municipal de Ponte da Barca. O Grupo é também filiado na Fundação INATEL e na Federação do Folclore Português. Apresentámos também o grupo a diversas outras entidades e agrupamentos folclóricos. Mais do que apresentar o grupo para pedir subsídios ou quaisquer outro tipo de apoio, temos contactado estas entidades para apresentar a ideia, o projeto. Sempre fui um pouco contra quem acorre a Câmaras Municipais, ou outras entidades, com a ideia simples de obter financiamento. Sempre achei que estas entidades não devem apoiar grupos, devem apoiar ideias, projetos. O GFTN tem apresentado a sua ideia, o seu projeto e o acolhimento tem sido o melhor.

Referiu serem filiados na Federação do Folclore Português; acredito não ter sido fácil abrir essa porta.

O Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega foi o primeiro Grupo de Folclore sediado em território nacional a representar o Minho fora da província minhota a ser aceite como sócio aderente na Federação do Folclore Português. Uma vez mais, tudo o que fizemos foi apresentar a ideia, apresentar o projeto, mostrar o trabalho feito e receber as melhores críticas pelo mesmo. Só assim se justifica a alteração de uma realidade de há muitos anos: as portas da Federação estavam fechadas aos grupos minhotos em Lisboa. Sabemos que, depois de nós, outros Grupos tentaram (ou ainda virão a tentar), este desiderato. Convençam-se, não será fácil. Terá de haver qualidade e representatividade no Folclore apresentado; terá de haver uma circunscrição geográfica perfeitamente definida e coerente; terá de haver a vontade de corrigir erros e “dogmas” que não passam de “verdades de pés de barro” O próprio GFTN está sujeito a este escrutínio, a passagem de Sócio Aderente a Sócio Efectivo não será um “mecanismo automático”! Da nossa parte, cá estaremos para apresentar e fundamentar o trabalho feito.

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Qual foi a recetividade da comunidade minhota em Lisboa ao novo projeto?

Não podemos, nem queremos, falar por todos mas achamos que de uma forma global o acolhimento tem sido bom. Para ser honesto, não contactámos de forma aberta a comunidade minhota na Cidade de Lisboa nem tão pouco todos os grupos de representação etno-folclórica minhota na cidade. Ainda antes do Grupo começar a participar em Encontros de Instrumentos Tradicionais (foi por aí que começamos a aparecer), já se sabia “nos bastidores” da fundação do grupo e sabíamos que colhia diversas críticas e opiniões. O facto de termos recebido convites de três desses agrupamentos para participar em eventos organizados por si, é também prova da boa recetividade que o GFTN tem tido. Além disso, estamos também em contacto com dois agrupamentos de representação minhota na Cidade de Lisboa para a co-organização de um evento que, achamos, terá muitíssimo impato na comunidade folclórica lisboeta. O desafio que lhes lançámos foi muito bem recebido e achamos que estão lançadas as sementes para uma excelente relação entre estes três Grupos. Tivemos uma primeira reunião para discutir a ideia e falar do modelo de organização, e iremos a breve trecho ter outra reunião de trabalho para concretizar a ideia. Acho que neste capítulo, a recetividade ao Grupo, tudo tem corrido muito bem.

E a Comunidade Folclórica nacional?

Nesse capítulo, a recetividade foi ainda melhor. Tivéssemos nós capacidade financeira para aceitar todos os convites que nos chegaram! Estamos muito felizes e orgulhosos com os votos de confiança que temos recebido de norte a sul do país da Comunidade Folclórica. Iremos participar em quatro Festivais de Folclore de Grupos de referência nacionais, e não participaremos em mais devido às questões financeiras que falei.

Quem é quem dentro do grupo?

O Grupo fez a sua fundação com cerca de 20 elementos mas conta neste momento com cerca de 40. Nesta fase inicial, eu tenho sido a cara mais visível do Grupo, não só devido ao meu papel de Diretor Técnico mas também porque me convidaram a assumir o papel de Presidente da Direção do GFTN. Contudo, existe na retaguarda uma equipa fantástica que tem feito um trabalho extraordinário. Temos uma direção de sete elementos que tem coordenado toda a atividade do grupo e na verdade todos os 40 elementos têm trabalhado, remando e puxando todos para o mesmo lado. A esmagadora maioria dos elementos já estiveram, de uma forma ou de outra, ligados ao movimento folclórico e associativo tendo o GFTN neste momento antigos elementos de oito agrupamentos folclóricos. Tal como disse, eu sou Presidente da Direção, o Dr. André Narciso é o Presidente da Mesa da Assembleia Geral e o Jorge Alves é o Presidente do Conselho Fiscal. A maioria dos elementos da Direção que me acompanham constituem uma equipa jovem, dinâmica, ansiosa de fazer bem e balançada com alguns elementos mais veteranos que com a sua dose de experiência e sabedoria fazem uma mistura muito interessante e profícua. Quero aqui deixar uma palavra de grande apreço ao meu Vice-Presidente António Varelas que tem sido um pilar forte e seguro nesta formação do Grupo, e ao meu Tesoureiro Rafael Patrício pela clarividência e “pés assentes na terra” quando toca a “contar os euros” do Grupo.

Os restantes elementos do Grupo, têm idade que oscilam entre os 2 e os 60 e poucos anos, e todos eles estão envolvidíssimos, comprometidíssimos e ansiosíssimos do sucesso deste projeto. A todos eles o meu muito obrigado por fazerem do GFTN o que é e o que virá certamente a ser!

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A apresentação pública do grupo está marcada para o próximo dia 10 de Maio. O que nos pode dizer sobre isso?

Bom, para ser rigoroso, a apresentação pública do Grupo já foi feita uma vez que temos participado em alguns mercados tradicionais, feiras rurais e encontros de instrumentos tradicionais já sob a chancela “Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega”. Porém, não consideramos esses pequenos apontamentos que temos feito como a presentação formal do grupo. Assim sendo, iremos realizar uma Sessão Solene no dia 10 de Maio no Auditório do Centro Social e Paroquial de Queijas para a Apresentação formal do Grupo, com os discursos da praxe e a primeira atuação do Grupo em palco. Depois, dia 24 de Maio, iremos realizar uma Mostra de Folclore no Jardim do Mercado Municipal de Queijas em que convidámos grupos de “primeira água” do nosso Folclore para vir apadrinhar o GFTN: o Grupo Folclórico de São Torcato (Baixo Minho Ave – Guimarães), o Rancho das Lavradeiras da Trofa (Entro Douro-e-Minho), e o Rancho Folclórico da Casa do Povo de Glória do Ribatejo (Salvaterra de Magos). Quisemos rodear-nos de Grupos que primassem pelo exemplo e rigor etno-folclórico para que o GFTN se reveja nesses projetos, e também receber Grupos que, com a sua presença, atestassem da vontade de fazer bem e verdade etno-folclórica do GFTN.

O Grupo está recetivo a aceitar novos elementos?

O Grupo não está ativamente à procura de novos elementos no sentido em que não está a fazer convites para que se juntem ao GFTN. Porém, estamos recetivos a receber novos elementos desde que não estejam vinculados a qualquer outro agrupamento folclórico. Quem quiser fazer parte deste projeto basta ter três requisitos: amor e respeito à causa folclórica, querer ajudar o GFTN a dar os seus primeiros passos, e compreender que antes do “eu” está o “nós” e que neste caso o “nós” é o bem comum de todos e os elementos do Grupo, e o fito bem presente da veracidade etno-folclórica e consciência dos valores singulares da Tradição da Cultura Popular Portuguesa e das Terras da Nóbrega. Neste momento estamos abertos a receber quem queira vir fazer parte deste projeto mas tem de ter estes três valores, para nós imprescindíveis. Se os tiver, esses elementos têm tudo o que é preciso para ser mais um excelente componente do Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega.

PlacaGFTN

Após esta entrevista com José Artur Brito, Presidente do Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega, deixamos os respetivos contatos:

Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega

Rua Amélia Rey Colaço 44, 10D

2790-017 Carnaxide

E-mail: gfterrasnobrega@gmail.com

Telefones: 962.452.179 (Doutor José Artur Brito), 919.667.334 (António Varelas), 969.765.382 (Drª Carla Raia)

ConviteSessaoSoleneApresentacaoGFTN

 Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega

Mostra de Folclore para Apresentação Pública do Grupo

24 de Maio de 2014 – Largo do Mercado Municipal de Queijas

Programa

15.00h – Chegada dos Grupos participantes e Entidades convidadas a Queijas

16.00h – Recepção na Delegação da Junta de Freguesia da União de Freguesias de Carnaxide e Queijas – Apresentação de Cumprimentos e Troca de Lembranças 

Discursos: Doutor José Artur Brito – Presidente da Direcção do GFTN

Fernando Ferreira – Presidente da Federação do Folclore Português

Dr.ª Sofia Tomaz – Coordenadora do Núcleo de Etnografia da Fundação INATEL

Jorge de Vilhena – Presidente da Junta de Freguesia da União de Freguesias de Carnaxide e Queijas 

16.45h – Pequeno desfile etnográfico pelas Ruas da freguesia

17.00h – Atuação dos Grupos participantes:

- Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega (Alto Minho Interior)

- Associação Cultural e Etnográfica “Gentes de Almeirim” (Ribatejo)

- Grupo Folclórico de São Torcato (Baixo Minho Ave – Guimarães)

- Rancho Folclórico e Etnográfico de Ponte da Barca (Alto Minho Interior)

19.30h – Jantar-convívio com todos os Grupos e Convidados

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publicado por Carlos Gomes às 20:19
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GUARDA NACIONAL REPUBLICANA ABRE AS PORTAS DO QUARTEL DO CARMO À POPULAÇÃO

GNR comemora 103.º Aniversário e abre as portas do Quartel do Carmo ao público

No âmbito das comemorações do seu 103.º aniversário, a Guarda Nacional Republicana tem patente no Quartel do Carmo uma exposição aberta ao público que pretende também assinalar os 40 anos do 25 de Abril e o centenário do início da I Grande Guerra Mundial.

A exposição está aberta das 10:00 às 18:00 horas, do dia 23 de abril a 11 de maio. Para além da exposição, encontra-se também aberto ao público o museu da Guarda Nacional Republicana, inaugurado recentemente no Quartel do Carmo.

Trata-se de uma oportunidade para serem revisitados alguns dos marcos históricos de Portugal, diretamente relacionados com este histórico edifício, designadamente: como antigo Convento do Carmo, fundado pelo Santo Condestável Nuno Álvares Pereira, herói da batalha de Aljubarrota, que garantiu a independência nacional na crise de 1383-1385. Ainda, como marco do terramoto de 1755, que levou à decadência do antigo Convento e sua posterior afetação, como quartel e comando das guardas militares da polícia, até à atualidade. E ainda como marco histórico dos acontecimentos ocorridos em 25 de abril de 1974.

A entrada na exposição é livre, efetuando-se a coordenação e o agendamento de visitas guiadas para grupos, através dos seguintes contactos: arquivomuseu@gnr.pt e telefone: 213 939 770.

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publicado por Carlos Gomes às 00:06
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OS “ALGARVES” DA JUNQUEIRA FORAM OS REMADORES DAS GALEOTAS REAIS

Nas proximidades de Belém, existem junto à rua da Junqueira um conjunto de becos e ruelas cuja toponímia recorda-nos os antigos remadores das faustosas galeotas reais que atualmente fazem o fausto do Museu de Marinha. Trata-se da travessa dos Algarves, a travessa dos Escaleres e a travessa das Galeotas.

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A travessa dos Algarves foi até 1880, um beco e, na segunda metade do século XVIII, aparece nos Livros de Óbitos da Ajuda referenciada como "Telheiro dos Algarves". Devem-se tais designações toponímicas ao fato de ali serem então guardados os bergantins e galeotas reais. Refira-se que, a partir do Terramoto de 1755, a Corte transferiu-se para a zona da Ajuda, tendo os escaleres da Casa Real acompanhado esta mudança.

Ali viviam os remadores e respetivas famílias, todos eles de origem algarvia, constituindo uma elite cujo ofício era transmitido aos filhos. Pelo menos desde o século XVIII, eram os algarvios recrutados para o serviço da Armada e do Arsenal em virtude das suas caraterísticas possantes e pela sua habilidade na arte de remar.

Convém lembrar que, à época, o rio Tejo chegava até ao local onde se encontravam armazenadas as galeotas e viviam os “algarves”, até à construção do aterro onde foi implantada a linha férrea e a avenida da Índia.

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Após a implantação da República, as galeotas ficaram guardadas num armazém da Marinha situado no Seixal até à sua transferência para o Museu de Marinha onde atualmente se encontram. Desde então, apenas em momentos excecionais voltaram à água, como sucedeu aquando da visita a Portugal da rainha de Inglaterra. A sua beleza, fausto e grandiosidade é apenas comparável aos coches reais, constituindo um património único que engrandece o país.

As fotos dos bergantins que aqui se publicam pertencem ao Arquivo Municipal de Lisboa.

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Sexta-feira, 25 de Abril de 2014
POVO DE LISBOA AFLUIU AO LARGO DO CARMO PARA CELEBRAR O 25 DE ABRIL

O Largo do Carmo e as ruas que lhe dão acesso encontravam-se hoje de manhã apinhadas de gente, porventura mais gente ainda do que aquela que há quarenta anos ali se concentrou para apoiar os militares no cerco ao Convento do Carmo onde então se havia refugiado o Presidente do Conselho de Ministros, Prof. Marcello Caetano. A explicação é simples e, parafraseando o próprio Capitão Salgueiro maia, encontra-se no estado a que o país chegou.

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Em nome da Associação 25 de abril, Vasco Lourenço usou da palavra para lembrar que “a situação atual é inaceitável”, acrescentando que “em nome da pátria, há que mudar urgentemente de caminho, ou este governo tem de ser apeado”. Bastante aplaudido pelo povo, disse ainda que “Chegou o momento de dizer Basta!” e que “é preciso repensar a nossa pertença ao euro e à União Europeia”.

A propósito da ausência dos capitães de abril nas cerimônias oficiais que tiveram lugar na Assembleia da Republica, Vasco Lourenço foi perentório ao referir que “os detentores do poder assumem-se cada vez mais como os herdeiros dos derrotados do 25 de Abril”.

A comemoração no largo do Carmo serviu ainda para homenagear o Capitão Salgueiro Maia e os demais militares já falecidos, tendo no local sido depositada uma coroa de flores.

As celebrações prosseguiram na rua António Maria Cardoso, junto à sede da extinta Direcção-Geral de Segurança, vulgo PIDE/DGS, com a homenagem às vítimas mortais que ali ocorreram no 25 de abril de 1974.

Durante a tarde, o habitual desfile comemorativo contou com a participação de um número maior de pessoas em relação ao que tem sido habitual nos últimos anos, caraterizado por um constante declínio da participação popular.

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publicado por Carlos Gomes às 22:17
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RUA DA MISERICÓRDIA: DO JORNAL “O MUNDO” À ASSOCIAÇÃO 25 DE ABRIL

O prédio em estilo “Arte Nova”, dos finais do século XIX, onde atualmente funciona a Associação 25 de Abril, tem a sua história intimamente ligada a grandes acontecimentos da nossa História contemporânea. Situado na rua da Misericórdia, esta artéria lisboeta designava-se inicialmente por rua de São Roque, tendo mais tarde passado a denominar-se por rua do Mundo, em homenagem ao jornal que naquele edifício se encontrava instalado.

Com efeito, o jornal “O Mundo” começou a editar-se em 16 de setembro de 1900 e tinha a redação na rua das Gáveas, 91, 1º. O edifício sofreu entretanto profundas obras de remodelação, custeadas pelo comerciante Luís Grandella, transferindo a partir de então a entrada para a rua de São Roque, beneficiando de uma imponente fachada na qual exibia um globo terrestre, em pedra, símbolo do próprio jornal.

Após o estabelecimento do Estado Novo, o edifício veio a ser adquirido pelo “Diário da Manhã”, órgão da União Nacional e aquela artéria veio a mudar de nome para a sua atual denominação ou seja, rua da Misericórdia. Entretanto, com as alterações verificadas no seio do próprio regime, nomeadamente a mudança da designação da União nacional para Acção Nacional Popular, também ao título do “Diário da Manhã” sucedeu o jornal “A Época” que ali teve as suas instalações, tanto a Redação como a tipografia, até ao 25 de abril de 1974. O equipamento deste jornal foi a leilão nos finais da década de setenta do século passado, tendo-se mais tarde ali instalado a Associação 25 de Abril.

Fotos: Arquivo Municipal de Lisboa; Carlos Gomes

A foto mostra a Redação do jornal “O Mundo”, nos começos do século XX. (Fotógrafo não identificado)

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A foto data de novembro de 1915 e mostra a fachada do jornal “O Mundo”, por ocasião do funeral do diretor do jornal França Borges. (Foto de Joshua Benoliel)



publicado por Carlos Gomes às 00:02
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25 DE ABRIL: HÁ 40 ANOS FOI ASSIM…

Passam precisamente quarenta anos desde o dia em que, um movimento militar constituído predominantemente por capitães do Exército Português, derrubou o regime do Estado Novo, abrindo caminho a um processo de transição política que só viria a ficar clarificado com a aprovação em 1976 da atual da Constituição da República Portuguesa. Com efeito, foi instaurado uma democracia representativa, semipresidencialista, conferindo aos partidos políticos a exclusividade da organização e da expressão da vontade popular.

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Quatro décadas decorridas, circunstâncias de vária ordem de âmbito interno e externo, alteraram profundamente a sociedade portuguesa, esgotando por completo o atual modelo político ao ponto de o colocar numa situação de fim de regime. As instituições políticas encontram-se descredibilizadas e os índices de abstenção chegam a ultrapassar metade do eleitorado. A própria integração do país na União Europeia e a participação na moeda única não reúne o consenso dos portugueses que, aliás, jamais foram chamados a manifestar a sua opinião.

As imagens remetem-nos para um tempo histórico que não corresponde mais à realidade em que vivemos. Os lisboetas viveram então momentos inesquecíveis que recordam com nostalgia. Mas, perante a encruzilhada em que vivemos, a roda da História não se detém!

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publicado por Carlos Gomes às 00:00
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Quinta-feira, 24 de Abril de 2014
VAGABUNDOS ABRIGAM-SE NAS ESTAÇÕES DO METRO

Lisboa apresenta um retrato de miséria social

Lisboa já não é mas uma cidade moderna e asseada ao nível das mais modernas capitais europeias para passar a oferecer a quem o visita a imagem degradante que a fotografia documenta. Debaixo das arcadas dos edifícios, nas estações de metro, nos jardins e nas praças, em qualquer espaço amontoam-se pessoas que a miséria transformou em farrapos humanos e retirou-lhes o mínimo de dignidade.

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À entrada dos monumentos nacionais, os desgraçados exibem aos turistas as suas mazelas físicas na ânsia de obterem uma esmola. E, ao final da tarde, em locais previamente determinados, apinham-se sofregamente em redor dos voluntários das associações humanitárias para conseguirem um prato de sopa e uma côdea de pão. Os refeitórios sociais enchem-se de novos miseráveis que até da sua pobreza já perderam a vergonha. É o retrato fiel de uma sociedade que um dia alimentou a ilusão de haveria de ser próspera sem trabalhar, apenas à custa de subsídios estrangeiros.

A foto que se publica foi produzida hoje, na estação do metro dos Restauradores, como poderia ter sido noutro local qualquer. O cartaz colado na parede comprova que, num mundo rodeado de imundície, o vagabundo é ainda capaz de sonhar…



publicado por Carlos Gomes às 21:15
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AS FORÇAS ARMADAS ESTÃO AO SERVIÇO DO POVO PORTUGUÊS!

- Artigo 275.º da Constituição da República Portuguesa

No âmbito das comemorações do 40º aniversário do 25 de abril de 1974, encontra-se patente ao público uma exposição de meios e equipamentos da Marinha, Exército e Força Aérea, no Terreiro do Paço e junto á Estação Fluvial Sul-Sueste, em Lisboa, entre os dias 24 e 26 e de abril.

Para além da exposição de Sistemas de armas e equipamentos militares, terá lugar amanhã, dia 25 de abril, um concerto da Banda da Armada, uma atuação de equipas cinotécnicas do Exército e um concerto da Orquestra Ligeira do Exército. Os chefes dos vários ramos militares e o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, Pina Monteiro, vão marcar presença na exposição.

Uma cozinha de campanha, uma piscina para “batismo de mergulho”, uma torre de escalada, uma tenda `airsoft´, uma viatura de combate a incêndios, um planador, um helicóptero e uma viatura blindada PANDUR são algumas das “atrações” da exposição que o Estado-Maior General das Forças Armadas decidiu organizar para comemorar os 40 anos do 25 de Abril.

A exposição pretende também trazer à memória coletiva alguns dos meios que estavam em operação em 1974 como um helicóptero Allouete III usado na Guerra Colonial para transporte de pessoal, uma lancha dos fuzileiros e uma `chaimite´.

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publicado por Carlos Gomes às 18:11
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BARREIRO REALIZA CONCERTO DA PÁSCOA



publicado por Carlos Gomes às 09:39
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MUNICÍPIO DE LISBOA GUARDA CARROS ANTIGOS DE RECOLHA DO LIXO

Os dois carros-de-mão que vemos na imagem serviram nos começos do século passado na recolha do lixo urbano da cidade de Lisboa. Atualmente constituem peças de museu que a Câmara Municipal de Lisboa preserva.


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publicado por Carlos Gomes às 00:45
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CAPITÃES DE ABRIL REGRESSAM AO CARMO

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publicado por Carlos Gomes às 00:00
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Quarta-feira, 23 de Abril de 2014
ESTÁTUA DO MARQUÊS DE POMBAL ALVO DE VANDALISMO

O monumento ao Marquês de Pombal apareceu coberto de pichagens produzidas na noite dos festejos da vitória do Sport Lisboa e Benfica. Trata-se de um ato de puro vandalismo que certamente deve merecer o repúdio da maior parte dos adeptos benfiquistas e da população em geral.

Estas atitudes nada têm a ver com o desporto nem a festa. Para além dos danos causados ao património, a remoção das inscrições feitas na pedra calcária do monumento será custeada através dos impostos dos cidadãos que, desse modo, poderão ficar imensamente gratos aos energúmenos que praticaram tais atos.



publicado por Carlos Gomes às 23:26
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STENCIL INVADE PAREDES DE LISBOA

A técnica do stencil tem nos últimos tempos vindo a ser bastante utilizada para difundir mensagens utilizando como suporte as paredes dos edifícios em Lisboa. Trata-se de uma forma de grafiti de aplicação rápida e simples, com recurso a uma prancha de cartão ou linóleo, através do qual é aplicada a tinta reproduzindo uma imagem ou texto.

Através do corte ou perfuração feito na prancha, a tinta é aplicada por meio de pincel ou spray, preenchendo o espaço vazio da prancha. Esta técnica, muito usual nas paredes de Lisboa, tem vindo a substituir as antigas pichagens caraterísticas dos métodos de propaganda ao tempo do anterior regime. Registamos, por meio desta técnica, a convocação de uma concentração no Largo do Carmo, a ter lugar amanhã, no âmbito das comemorações do 40º aniversário do 25 de abril.



publicado por Carlos Gomes às 19:53
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FOLCLORE INSPIROU MÚSICA DE INTERVENÇÃO

Há quarenta anos, ao golpe militar que derrubou o Estado Novo sucedeu um movimento revolucionário que foi acompanhado e estimulado por um novo género musical – a música de intervenção – assim designada por pretender, através da mensagem que continha, intervir politicamente na transformação da sociedade portuguesa.

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Assumida como canção de protesto, a música de intervenção teve o seu começo entre nós sobretudo no meio académico de Coimbra, interpretada por baladeiros ligados ao chamado fado coimbrão como José Afonso e Adriano Correia de Oliveira. Com o tempo, os seus autores foram-lhe introduzindo novas formas e sonoridades, sendo notórias as influências da música irlandesa e alguns ritmos africanos.

A partir da década de setenta, a nossa música tradicional teve particular influência na composição de novos temas, quer do ponto de vista musical como ainda na interpretação de temas bem conhecidos do cancioneiro popular das mais variadas regiões do país. São exemplo as interpretações feitas por José Afonso de cantares da Beira Baixa ao som do adufe, os ritmos alegres de Fausto e ainda as músicas melodiosas de Vitorino inspiradas no cancioneiro alentejano. Com diferentes arranjos e interpretações, também outros autores e intérpretes da chamada música de intervenção recorreram à música popular, como sucedeu com Francisco Fanhais, José Barata-Moura, Carlos Alberto Moniz, José Jorge Letria e Janita Salomé entre outros.

A partir dos finais da década de setenta, com o declínio do período revolucionário e a consolidação da democracia representativa, também a música de intervenção deixa de ser ouvida, canalizando-se o gosto musical do público para géneros mais comerciais, a maioria dos quais importados do estrangeiro. Numa altura em que se assinalam os quarenta anos do 25 de abril, eis que José Jorge Letria e Carlos Alberto Moniz procuram fazer ressurgir o canto de intervenção com o lançamento do disco “Resistir de novo”.

Entretanto, alguns músicos continuaram a dedicar-se a estudo da nossa música tradicional, incluindo a componente instrumental, como se tem verificado com Júlio Pereira relativamente ao cavaquinho.

Através de letras e melodias que fazem parte do nosso património cultural procuraram os compositores e intérpretes de música de intervenção transmitir uma mensagem política dirigida ao povo, na convicção de que a mesma fosse por ele recebida uma vez que com a música e os temas populares se identificava à partida. Desse modo, a par de outras sonoridades, o nosso folclore serviu de inspiração a muitos temas da música de intervenção.

Carlos Gomes / http://www.folclore-online.com/



publicado por Carlos Gomes às 09:25
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LISBOA NÃO SE CANDIDATA AO EURO-2020

A Federação Portuguesa de Futebol fez chegar aos órgãos de comunicação social uma nota de imprensa na qual transmite o seguinte:

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As Câmaras Municipais de Lisboa e Porto informaram a Federação Portuguesa de Futebol que não tencionam apresentar candidatura à organização de alguns jogos do Campeonato da Europa de 2020.

Esta decisão das autarquias – a quem competia manifestar interesse e assumir um conjunto de compromissos de vária índole junto da UEFA e da FPF – é inteiramente legítima já que compete aos executivos locais ponderar o interesse e a relação entre investimentos e potenciais retornos de uma candidatura àquela prova, que será disputada num formato inédito.

A Federação Portuguesa de Futebol continuará disponível para estudar eventuais candidaturas à organização de eventos internacionais de relevo, dentro das competências específicas que lhe são atribuídas, tendo sempre em conta a gestão racional dos recursos humanos, financeiros e infraestruturais que tem à disposição, tal como aconteceu na bem-sucedida candidatura à realização de duas finais de competições europeias de clubes, que se realizam no próximo mês de maio no Estádio do Sport Lisboa e Benfica e no Estádio do Restelo.



publicado por Carlos Gomes às 00:25
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DESCARGA DE CARVÃO NO PORTO DE LISBOA

A imagem regista a descarga de carvão no porto de Lisboa, durante a Segunda Guerra Mundial, um trabalho árduo executado por mulheres.

A foto foi produzida em março de 1942 e pertence ao Arquivo da Fundação Mário Soares.

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Terça-feira, 22 de Abril de 2014
SÃO GENS E A ERMIDA DA SENHORA DO MONTE

Reza a tradição que São Gens terá sido ainda ao tempo do domínio romano, um dos primeiros bispos de Lisboa, posteriormente martirizado no monte que tomou o seu nome e onde mais tarde foi erguida a ermida da Senhora do Monte. Ainda, segundo a crença, ao nascer sua mãe terá morrido do parto, encontrando-se esta lenda na origem de uma tradição segundo a qual, para assegurar o sucesso no parto, a mulher grávida deve sentar-se na cadeira de São Gens.

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A referida cadeira em mármore encontra-se guardada no interior da capela, ali tendo sido colocada pelos frades Agostinhos que tomaram conta da ermida. Quando se encontrava grávida daquele que veio a ser o herdeiro de trono, D. Maria Ana de Áustria, esposa do Rei D. João V, foi lá sentar-se na cadeira de São Gens. E, tal costume ainda perdura nos dias que correm, constituindo uma curiosidade de todos quantos visitam a Capela de Nossa Senhora do Monte.

Em 1147, imediatamente após a reconquista de Lisboa, foi no local erguida uma primitiva ermida dedicada a São Gens. O terramoto de 1755 arrasou a capela, tendo a atual sido construída em 1796 e, no seu interior sido de novo colocada a cadeira de São Gens. Em 1921, os frades Agostinhos foram dali transferidos para o Convento de Nossa Senhora da Graça que lhe fica próximo.

Do miradouro que fica junto à ermida da Senhora do Monte desfruta-se uma das mais soberbas vistas panorâmicas da cidade de Lisboa.

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Segunda-feira, 21 de Abril de 2014
LISBOA TEM FOME!

Portugal está à beira de uma catástrofe social e humanitária de grandes proporções. A miséria cresce assustadoramente em Lisboa e nos concelhos limítrofes. À medida que aumenta o desemprego, é maior o número de pessoas que mendigam junto dos estabelecimentos comerciais e vasculham os contentores do lixo. A pobreza já perdeu a vergonha!

As associações humanitárias e as entidades religiosas das mais diversas confissões procuram como podem minimizar os efeitos do desastre, acudindo às situações mais gritantes e redistribuindo os bens que a comunidade compartilha. Mas, este auxílio já se vai revelando cada vez mais insuficiente face ao crescimento da fome e da miséria. Lisboa está suja, miserável, triste e faminta.

Enquanto o povo pede trabalho e pão, os políticos anunciam ainda mais sacrifícios, traduzidos em desemprego, redução nos vencimentos e pensões de reforma, aumento de impostos, supressão das comparticipações na saúde e na educação, miséria e mais miséria… e, em troca, dão-lhe overdoses de futebol e política, esperando que mansamente voltem a depositar o seu voto nas urnas.

Lisboa não são apenas as colinas e o rio Tejo, as varandas floridas e o sol luminoso – são também as suas gentes e o fado triste do sofrimento a que estão condenadas!



publicado por Carlos Gomes às 17:35
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VIVA A MARIA DA FONTE COM A PISTOLA NA MÃO PARA MATAR OS CABRAIS QUE SÃO FALSOS À NAÇÃO!

No bairro lisboeta de Campo de Ourique ergue-se uma estátua que, constituindo uma homenagem à heroica mulher que no Minho dirigiu o levantamento popular contra a ditadura de Costa Cabral, constitui paradoxalmente uma alegoria à instauração do regime liberal.

A estátua é da autoria de Costa Motta (tio) e representa uma mulher jovem e robusta, descalça, no seu trajar minhoto, levando ao ombro o chuço e erguendo na mão direita um pistolão, incitando à revolta.

O monumento encontra-se no jardim Teófilo Braga e foi inaugurado em 15 de setembro de 1920, por ocasião das comemorações do primeiro centenário da proclamação do regime liberal.

Em 1846, as heroicas mulheres do Minho deram início a uma revolta popular contra a ditadura de Costa Cabral, tomaram de assalto as repartições de finanças onde destruíram as “papeletas da roubalheira” e expulsaram a soldadesca enviada para reprimir a revolta.

O levantamento popular começou na Póvoa de Lanhoso e depressa se alastrou a todo o Minho. A exumação de um cadáver que havia sido sepultado na igreja constituiu o rastilho que ateou a revolta. Os sinos tocaram a rebate e, de rebelião em rebelião, a revolta foi adquirindo um caráter de guerrilhas populares até que a Rainha D. Maria II se viu forçada a demitir o governo.

A opressão fiscal e a prepotência do governo cartista de Costa Cabral tiveram na revolta da Maria da Fonte uma resposta à altura que deveria constituir uma lição da História, sobretudo por parte daqueles que, recriando os modelos do passado sob a denominação ideológica do neoliberalismo, insistem em oprimir o povo com medidas semelhantes às do governo de Costa Cabral.



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Domingo, 20 de Abril de 2014
VEM AÍ O 25 DE ABRIL E O 28 DE MAIO!

Assinala-se dentro de dias o 40º aniversário do golpe militar que derrubou o Estado Novo e abriu caminho ao atual regime político. Um mês depois, mais precisamente a 28 de maio, passam 88 anos desde o levantamento militar que, partindo de Braga, colocou termo à Primeira República que ao longo de dezasseis anos mergulhara o paísnuma profunda crise económica, financeira e política.

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Tratou-se da chamada Revolução Nacional que, com enorme adesão popular, instaurou uma ditadura militar que veio abrir caminho ao estabelecimento do Estado Novo. Então, o General Gomes da Costa, considerado um dos mais prestigiados heróis da guerra, revoltou-se em Braga, sublevando o regimento de Infantaria n.º 8, onde se instalou sem qualquer resistência, iniciando a marcha sobre Lisboa.

Quatro décadas decorridas desde o derrube do Estado Novo, Portugal encontra-se numa encruzilhada política e corre o risco de não sobreviver como nação soberana pelo que, tais efemérides devem constituir sobretudo uma oportunidade de reflexão, extraindo da História os ensinamos que nos deverão guiar no futuro.

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publicado por Carlos Gomes às 21:10
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MOSTRA FOTOGRÁFICA SOBRE O CONVENTO DAS TRINAS DO MOCAMBO PATENTE AO PÚBLICO ATÉ AO FINAL DO MÊS

O Instituto Hidrográfico realiza uma Mostra Fotográfica subordinada ao tema “Um Lugar de Memória: Convento das Trinas do Mocambo”.

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Esta mostra insere-se nas comemorações do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios e pretende dar a conhecer diferentes fases do Convento das Trinas durante a primeira metade do século XX. A exposição é aberta ao público e pode ser visitada nos dias úteis, de 10 a 30 de abril, entre as 10 às 18 horas, até ao final do mês de abril.

O Instituto Hidrográfico localiza-se na rua das Trinas, 49, na zona da antiga freguesia de Santos-o-Velho.



publicado por Carlos Gomes às 18:54
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OS RITOS PASCAIS NA GASTRONOMIA PORTUGUESA

O cabrito assado no forno constitui uma das especialidades da nossa cozinha tradicional que marca invariavelmente presença nas mesas dos portugueses por ocasião do domingo de Páscoa. A origem de tal costume perde-se nos tempos e possui as suas raízes em ancestrais hábitos pagãos, trazidos até nós através das influências judaicas e muçulmana.

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Ultrapassado o período de abstinência alimentar e penitência da quaresma, eis que se celebra a chegada da Primavera e, com ela, o renascimento da vida e da natureza. Para os cristãos, a Ressurreição de Jesus Cristo, na senda do Pessach, a Páscoa judaica, instituída na noite em que ocorreu o Êxodo do Egito e celebrada na Lua Cheia, no final do dia 14 do mês de Abibe; aproximadamente no ano de 1445 a.C.

Segundo o relato bíblico (Êxodo 12.12.13), Yahweh terá transmitido a Moisés: “E eu passarei pela terra do Egito esta noite e ferirei todo primogênito na terra do Egito, desde os homens até os animais; e sobre todos os deuses do Egito farei juízos. Eu sou Yahweh. E aquele sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes: vendo eu sangue, passarei por cima de vós, e não haverá entre vós praga de mortandade, quando eu ferir a terra do Egito”. A partir de então, passaram os judeus a celebrar a Festa do Cordeiro Pascal em memória do ocorrido. Não obstante, a tradição possuía origens bem mais remotas, sendo praticada ao tempo em que a maioria dos judeus eram pastores nómadas do deserto e celebravam a chegada da Primavera com o sacrifício de um animal.

Desde tempos imemoriais, a noção de sacrifício encontra-se associada à de dádiva a um ou vários deuses, podendo esta assumir as formas mais variadas. O cumprimento de uma promessa a um santo da devoção vem dentro da mesma linha de adoração com que os povos ancestrais sacrificavam um animal a fim de obter os favores divinos. Entre tais graças que se desejam obter encontram-se naturalmente a cura de certos males do foro físico ou psíquico e a expiação das culpas ou pecados, no entendimento de que o elemento físico e o espiritual não se encontram dissociados e constituem uma única dimensão. Por conseguinte, o sacrifício do animal, para judeus e cristãos representado no cordeiro pascal, mais não representa do que um ritual de expiação e de renascimento a que não é alheia o reinício do ciclo da natureza.

Cumprindo as profecias bíblicas, Jesus terá celebrado juntamente com seus discípulos a Última Ceia no dia 14 de Nisã, precisamente o dia em que os judeus imolavam o cordeiro pascal. E, desse modo, qual “cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo”, se ofereceu para ser crucificado e, pelo seu sacrifício, redimir os pecados dos homens.

Também os muçulmanos sacrificam os animais naquela que é considerada uma das mais importantes festas do islão – o Eid al-Adha ou Festa do Sacrifício. Esta celebração marca o fim do Ramadão e pretende evocar a disposição do profeta Abraão em sacrificar o seu filho Ismail em obediência a Deus, tendo Allah providenciado um cordeiro em sua substituição.

Em Portugal e, de uma maneira geral em todo o ocidente cristão, a Páscoa celebra-se no primeiro domingo de lua cheia imediatamente após ao equinócio da Primavera, variando portanto entre os dias 22 de março e 25 de abril, tendo a data sido fixada aquando do Primeiro Concílio de Nicéia ocorrido no ano 325 da Era Cristã. Também entre nós, por ocasião da Páscoa, é costume no domingo – dies Dominicus que significa dia do Senhor – sacrificarmos o cabrito ou o borrego no altar da deusa Abundantia que, com sua cornucópia, espalha os alimentos que a terra fértil generosamente providencia. Trata-se de um costume ao qual não é certamente alheia também as influências judaicas e muçulmana que marcam simultaneamente a nossa identidade cultural.

O pão-de-ló e os tradicionais folares, os ovos e as amêndoas assemelhando-se a pequenos ovinhos constituem apenas algumas das iguarias consumidas durante o período pascal ligados a ritos de fertilidade associados ao início da Primavera.

Carlos Gomes / http://www.folclore-online.com/



publicado por Carlos Gomes às 16:20
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ONDE PÁRAM AS VARINAS DA RIBEIRA?

A azáfama de outros tempos na Ribeira deu lugar à monotonia e abandono da atualidade. Descalças, as varinas percorriam o cais com as suas canastras repletas de peixe. Os pescadores cuidavam das embarcações. No rio, os atletas do Club Naval de Lisboa praticavam o remo.

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Na Doca de Santos descarregava-se o peixe e, no frigorífico, faziam-se grandes barras de gelo para o conservar. Era aqui que os comerciantes das redondezas vinham comprar o gelo quando ainda não dispunham de frigoríficos.

Os antigos armazéns viraram bares, restaurantes ou foram simplesmente demolidos. Esta área de Lisboa está a necessitar de uma requalificação urgente que devolva aos habitantes, um dos seus locais mais aprazíveis e pitorescos.

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publicado por Carlos Gomes às 12:15
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VISCONDES DE VILA NOVA DE OURÉM REPOUSAM NO CEMITÉRIO DOS PRAZERES

Um dos jazigos que se ergue à entrada do cemitério dos Prazeres pertence aos Viscondes de Vila Nova de Ourém, uma família cujo título nobiliárquico remonta para o período da monarquia constitucional.

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O título de 1º Visconde de Vila Nova de Ourém foi criado por Decreto de 12 de Março de 1853 e atribuído José Joaquim Januário Lapa como recompensa pelos serviços prestados como governador de Goa que, aliás, o levaram a ser reconduzido no cargo. Esta família cujo título de nobreza se encontra associada ao nosso concelho possui descendência, encontrando-se muitos dos seu membros a viver em Lisboa.

Antes, porém, já detinha o título de 1º Barão de Vila Nova de Ourém, concedido por Decreto de 20 de Janeiro de 1847, numa altura em que, como governador militar de Santarém, se distinguiu na batalha de Torres Vedras que opôs os partidários do Marechal de Saldanha ao Duque de Palmela, após a queda do governo de Costa Cabral.

O 1º Visconde de Vila Nova de Ourém nasceu em Belém em 1796 e faleceu em Lisboa em 1859. Os seus restos mortais repousam em jazigo de família existente no cemitério dos Prazeres, naquela cidade. Refira-se que, à época, Belém constituía um município distinto, estendendo os seus limites desde Alcântara onde corria a ribeira da Damaia, até ao sítio de Algés. Foi par do Reino e membro do Conselho de Sua Majestade Fidelíssima, ministro de Estado e Governador-geral do Estado da Índia.

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Foi 2º Visconde de Vila Nova de Ourém, Elesbão José de Bettencourt Lapa, terceiro filho varão do 1º Visconde. Como o seu pai, também foi Governador-geral do Estado da Índia e seguiu a carreira das armas.

Elesbão Felner Bettencourt Lapa que foi General de Brigada, filho do 2º Visconde de Ourém, não recebeu o título.

O 3º Visconde de Vila Nova de Ourém foi José Joaquim de Melo Lapa que herdou o título de seu avô, o 2º Visconde. Este foi confirmado pelo rei D. Manuel II quando já se encontrava no exílio.

O título de Visconde de Vila Nova de Ourém foi transmitido a Maria Teresa Gorjão Henriques de Melo Lapa, filha do 3º Visconde, tornando-se assim 4ª Viscondessa de Vila Nova de Ourém. Nasceu em 30 de Dezembro de 1920 e possui descendência.

As armas do Visconde de Vila Nova de Ourém incluem, além da respetiva coroa de visconde, a águia que veio a ser adotada no brasão de armas de Vila Nova de Ourém, atual cidade de Ourém.

O brasão de armas de Ourém reúne a águia que integra os símbolos heráldicos do Visconde de Vila Nova de Ourém segurando o escudo de Portugal antigo, o qual inclui as armas do Conde de Ourém que estão na origem dos atuais símbolos nacionais.

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publicado por Carlos Gomes às 00:00
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Sábado, 19 de Abril de 2014
POETA OU POETISA?

A Câmara Municipal de Lisboa decidiu há algum tempo atribuir ao miradouro existente junto á Igreja da Graça o nome da poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen, conforme a lápide toponímica documenta. Porém, o seu autor não soube conjugar a palavra poeta no feminino…

Placa toponímica



publicado por Carlos Gomes às 22:53
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O CONVENTO DOS MARIANOS E A IGREJA LUSITANA CATÓLICA APOSTÓLICA EVANGÉLICA

A escassa distância da Igreja de Santos-o-Velho, na rua das Janelas Verdes, situa-se o antigo Convento dos Marianos onde, desde meados do século XIX, encontra-se instalada a Igreja Lusitana Católica Apostólica Evangélica, de comunhão anglicana. Ligeiramente retirada da face da rua, possui uma aparência discreta que a torna desconhecida à maioria dos lisboetas. A este respeito, descreve-nos o jornalista Norberto de Araújo nas suas “Peregrinações em Lisboa”.

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"O Convento dos Marianos, em cuja Igreja está desde há anos instalada a «Presbyterian Church».

O Convento dos Marianos, dos religiosos carmelitas descalços, foi fundado neste sítio em 1606, sobre chãos que aqui possuíam Vasco Fernandes César e Francisco Soares, foreiros das comendadeiras de Santos-o-Velho; começado a habitar em 1611, recebeu a invocação de N. Senhora dos Remédios. O Terramoto não o abalou muito. Em 1834, pela extinção das ordens, ficou na Igreja, apenas um capelão, a Cêrca foi alugada e depois vendida, e o Convento passou a servir de aquartelamento e depósito militar. Finalmente a própria Igreja foi posta em venda acabando por ser adquirida por ingleses protestantes.

A fachada tem, como vês, um interesse relativo, mas não é trivial: Pórtico com três colunas que dão para uma pequena galilé, velha torre sineira e ausência de cruz ao alto.

Nos claustros o chão é de túmulos, com lousas já de difícil identificação; numa delas se pode ler a data de 1610. Nas paredes das casas, hoje oficinas, abobadadas, e que há pouco receberam obras, agora vedadas do Pátio, podemos ver algumas lápides"

Em 1839 e 1868, alguns pastores anglicanos ingleses e americanos que passaram por Lisboa, juntamente com alguns padres e leigos da Igreja Católica Romana que contestavam os dogmas do Concílio Vaticano I, estabeleceram em Portugal a Igreja Lusitana. Fundada em 1880, a nova igreja foi desde os seus começos auxiliada pela Igreja Episcopal dos Estados Unidos da América. Apenas em 1958 viu consagrado o primeiro bispo português e, em 1980, transformou-se em diocese extra-provincial sob a autoridade do Arcebispo da Cantuária.

De acordo com a descrição histórica oficial feita pela própria Igreja Lusitana Católica Apostólica Evangélica, esta entidade “surgiu na segunda metade do séc. XIX, fruto do ambiente religioso e social que então se vivia em Portugal.

A instituição do regime liberal e as novas ideias culturais e políticas que agitavam o mundo levaram - em Portugal como noutros países - a um clima de constante tensão entre muitos sectores da sociedade e a hierarquia da Igreja Católica Romana, que continuava presa a valores de outras épocas e tardava a adaptar-se aos novos tempos.

Na realidade, a hierarquia católica mostrava-se intolerante na defesa do absolutismo papal, tanto no domínio espiritual como no secular, situação que se agravou em 1870 com a definição dos dogmas da jurisdição universal e da infalibilidade do papa. Por outro lado, a desconfiança em relação à leitura da Bíblia pelos crentes, o ritualismo distante e pomposo da liturgia romana em latim e os excessos do marianismo popular suscitavam o afastamento da Igreja por parte de muitos cristãos mais esclarecidos.

Entretanto, ia chegando a Portugal a influência de outras correntes do cristianismo, ligadas à espiritualidade anglicana, à tradição protestante ou ao movimento "velho-católico", que se constituíra em países como a Suíça ou a Holanda precisamente para tentar restaurar na Igreja Católica a simplicidade e a vivência élica dos primeiros séculos do cristianismo.

Foi neste contexto que alguns sacerdotes e leigos se desligaram da Igreja Romana e formaram pequenas comunidades, onde se encontravam para, em igreja, viver e partilhar a sua fé em Jesus Cristo.

Em 1880 reuniram em Lisboa um Sínodo, sob a presidência do Bispo anglicano Riley, do México, expressamente convidado para o efeito, e aí se constituiu e regulamentou a IGREJA LUSITANA CATÓLICA APOSTÓLICA EVANGÉLICA”



publicado por Carlos Gomes às 15:41
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O CANHÃO DA RUA DO CURA

 

Quem circula pela rua do Cura, perto do bairro típico da Madragoa, não é sem algum espanto que depara com um canhão de bronze incrustado na parede de um prédio, ajudando talvez o marco que se encontra junto a demarcar o limite da propriedade.

Não se sabe ao certo a sua origem e a razão pela qual foi ali colocado mas não deixa de constituir uma curiosidade para quem gosta de calcorrear as ruelas da cidade.


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publicado por Carlos Gomes às 14:48
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XUVENTUDE DE GALÍCIA É O ELO DE LIGAÇÃO DA COMUNIDADE GALEGA EM LISBOA

A Xuventude de Galícia – Centro Galego de Lisboa é uma das mais antigas associações existentes em Lisboa. Com mais de um século de existência, ela constitui a força aglutinadora dos galegos radicados em Lisboa, a maioria dos quais plenamente integrada na sociedade portuguesa, para tal contribuindo a identidade cultural e linguística que fazem de galegos e portugueses a mesma nação.

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A presença da comunidade galega entre nós remonta aos primórdios da fundação da própria nacionalidade. Porém, um tanto à semelhança do que se verificou no Minho e noutras regiões do interior do nosso país, também na Galiza a industrialização verificada sobretudo a partir de meados do século XIX provocou um verdadeiro êxodo de populações das zonas rurais para os grandes centros urbanos. E, muitos foram então os galegos que migraram para Lisboa, empregando-se nos mais variados ofícios e, no negrume das carvoarias, partilharam com os minhotos o pão que o diabo amassou.

O liberalismo e os republicanos dos começos do século XX incrementaram o associativismo popular como um meio de difundir os seus ideais e alargar a sua influência política. Surgiram então os centros escolares, sociedades recreativas, bandas filarmónicas e muitas outras sociedades de cultura, desporto e recreio perseguindo os mais diversos fins como as agremiações regionalistas a que o Estado Novo veio impor a denominação de “casas regionais”.

Também a comunidade galega radicada sobretudo em Lisboa adquiriu a consciência da sua identidade e expressão numérica, sentindo de igual modo a necessidade de se agrupar. E, desse modo, em 10 de novembro de 1908, fundaram em Lisboa a Xuventude de Galícia – Centro Galego de Lisboa, cuja primeira Xunta Diretiva foi constituída por José Lorenzo Covas, Manuel Alvarez Covas, Ramiro Vidal Carreira, Francisco Sanchez, Marcelino Outerelo Rocha, Casimiro Movilla e Ramiro Martin Y Mart.

Atualmente sediada na Rua Júlio de Andrade, n.º 3, num magnífico palacete dos finais do século XIX construído segundo a traça de um arquiteto italiano, com uma soberba vista sobre Lisboa, a Xuventude de Galícia é desde 1980 reconhecida como Pessoa Coletiva de Utilidade Pública. Na realidade, trata-se de uma autêntica embaixada dos interesses culturais da Galiza e o lídimo representante da comunidade galega radicada em Lisboa.

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publicado por Carlos Gomes às 14:18
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CALÇADA PORTUGUESA FAZ PARTE DA IDENTIDADE CULTURAL DE LISBOA

Não existe turista que, ao visitar o nosso país, não tenha experimentado uma sensação de deslumbramento ao contemplar os magníficos trabalhos artísticos produzidos pelos canteiros portugueses que decoram o pavimento das ruas e praças de muitas cidades e vilas de Portugal. Com efeito, a calçada portuguesa constitui uma marca do nosso talento artístico, apenas visível em Portugal ou nos países onde a cultura portuguesa marca a sua presença.

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Trata-se de uma arte decorativa surgida em Lisboa em meados do século XIX, idealizada por Eusébio Furtado, à altura Governador de Armas do Castelo de São Jorge, tendo a Praça do Rossio sido um dos primeiros locais a receber esse género de pavimento.

A pedra, branca e preta, que constitui a principal matéria-prima da calçada portuguesa, é arrancada das entranhas do maciço calcário estremenho da serra d’Aire, constituindo simultaneamente uma das fontes de rendimento e de ocupação de mão-de-obra daquela região.

Com o auxílio de um martelo, o calceteiro experimentado ajusta a pedra à forma pretendida para, com o recurso a um molde, produzir no pavimento da calçada as mais diversas formas geométricas e decorativas, alternando as pedras consoante a respetiva cor. Esta arte remete-nos para os magníficos mosaicos com que os romanos decoravam o pavimento das suas casas ou ainda pavimentavam as inúmeras estradas que construíram e chegaram até aos nossos dias, tal é a resistência e durabilidade dos materiais empregues. Por conseguinte, não será exagero afirmar que a calçada portuguesa constitui uma manifestação artística que possui raízes milenares.

Celebrizada por Almeida Garrett n’ “O Arco de Sant’Ana” e Cesário Verde em “Cristalizações”, a sua extraordinária beleza e os motivos decorativos passam-nos frequentemente despercebidos na medida em que nos habituámos a pisar o pavimento revestido com calçada portuguesa que nem damos conta do seu interesse artístico e do trabalho que o mesmo envolveu. De resto, esta arte exige uma especialização sem a qual é fácil de destrinçar a qualidade da obra, razão pela qual a própria Câmara Municipal de Lisboa criou uma Escola de Calceteiros que também dá formação a artistas oriundos dos mais variados pontos do país.

Como é compreensível, para além da forma com o trabalho de construção do pavimento é efetuado, também a sua manutenção não é compatível com a constante abertura de valas. Porém, as cidades têm vindo a implementar a construção gradual de valas técnicas onde são colocadas todas as infraestruturais de saneamento e comunicações para que a sua manutenção possa ser assegura de uma forma ordenada e sem os prejuízos e incómodos que as obras à superfície sempre acarretam.

Constituindo a calçada portuguesa uma marca da nossa identidade cultural e tendo a matéria-prima origem em pedreiras do nosso país, é compreensível que muitas vilas e cidades portuguesas exibam os mais magníficos pavimentos artísticos, embelezando-se e divulgando uma das nossas potencialidades.

Porém, existem em Lisboa artérias com pavimento de cimento, pouco apresentável e de aspeto degradado como sucede na área do Largo do Conde Barão. Mais ainda, discute-se a possibilidade de se proceder à substituição da calçada portuguesa nalguns locais por razões de segurança dos transeuntes sem considerar-se a possibilidade de soluções alternativas. Esperemos que prevaleça o bom senso e o bom gosto!


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publicado por Carlos Gomes às 13:32
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A PÁSCOA: DAS ORIGENS PAGÃS À ATUALIDADE

Na Páscoa, o Cristianismo celebra a morte e ressurreição de Jesus Cristo, o que faz desta festividade porventura a mais importante e de maior significado para os cristãos. Com efeito, é a crença na ressurreição de Jesus Cristo que distingue a fé cristã em relação a outras confissões religiosas. Foi apenas no século II que a Igreja Católica fixou a Páscoa no domingo, sem a menor referência à celebração judaica. Sucede que Jesus Cristo, segundo o calendário hebraico, terá morrido em 14 de Nissan, precisamente o início do Pessach ou seja, o mês religioso judaico que marca o início da Primavera.

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Com efeito, de acordo com a tradição judaica, a Páscoa provém de Pessach que significa passagem e evoca a fuga dos judeus do Egipto em busca da Terra Prometida. Na realidade, tal significação remonta a raízes ainda mais ancestrais, concretamente às celebrações pagãs que ritualizavam a passagem do Inverno para a Primavera ou seja, as festas equinociais associadas à fertilidade e ao renascimento dos vegetais.

Tais celebrações eram antecedidas pela Serração da Velha, o Entrudo e as saturnais que originaram as festividades de Natal. Mas, as novas religiões monoteístas alicerçaram-se sobre as ruínas das crenças antigas e, por cima dos antigos santuários pagãos ergueram-se as novas catedrais românicas e góticas. Da mesma forma que, sobre as ruínas dos velhos castros foram construídos os castelos medievais. E, assim, também as celebrações pagãs se revestiram de novas formas mais de acordo com novas conceções religiosas e se cristianizaram, adquirindo uma nova simbologia e significação.

Subsistem, no entanto, antigas usanças que denunciam as origens pagãs da festividade pascal associadas a costumes importados da cultura anglo-saxónica que, em contacto com as tradições judaico-cristãs originam um sincretismo que conferem à celebração pascal uma conceção religiosa bastante heterodoxa. É o que se verifica, nomeadamente, com toda a simbologia associada ao coelho e aos ovos da Páscoa, sejam eles apresentados sob a forma de chocolate, introduzidos nos folares ou escondidos no jardim, rituais estes ligados à veneração praticada pelos nórdicos a Ostera, considerada a deusa da fertilidade e do renascimento, por assim dizer a deusa da aurora”.

Tal como para os judeus, a Pessach alude à passagem do anjo exterminador antes da sua partida do Egipto e, ao assinalarem as suas casas com o sangue do cordeiro levaram a que fossem poupados da praga lançada por Javé, para os cristãos é o próprio Jesus Cristo que incarna a vítima sacrificial ou seja, o cordeiro pascal que expia os pecados dos homens. Também para os cristãos, a Páscoa representa a passagem da morte para a vida eterna e o reencontro com Deus.

Na Páscoa, o sol primaveril irrompe pelas veigas verdejantes enquanto as árvores se espreguiçam num novo amanhecer. As flores exalam um perfume inebriante que inundam os céus e a todos contagia. As casas dos lavradores engalanam-se para receber a visita pascal. Junca-se o caminho com um tapete colorido feito de funcho, cravo e rosmaninho. O pároco, de sobrepeliz e estola entra pelos quinteiros, logo seguido a curta distância pelo mordomo, vestindo a opa vermelha e levando consigo a cruz florida que a dá a beijar, e o sacristão com a sineta e a caldeirinha de água benta. Lá fora, o estalejar dos foguetes indica o local exato onde segue a cruz. Em redor, a natureza renasce e adquire especial fulgor.

Mais intensamente vivida nas alegres aldeias minhotas, os casais e lugares de Ourém há muito que têm vindo a perder a tradição da visita pascal. E, no entanto, a visita pascal constitui um quadro de inigualável beleza e colorido que bem merecia ser preservado.

Carlos Gomes / http://www.folclore-online.com/



publicado por Carlos Gomes às 11:05
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SALA THAI NOS JARDINS DA PRAÇA DO IMPÉRIO EVOCA 500 ANOS DA ALIANÇA ENTRE PORTUGAL E O REINO DO SIÃO

O pavilhão tailandês que se encontra nos jardins da Praça do Império, em Belém, foi inaugurada em 21 de fevereiro de 2012 pela princesa da Tailândia Maha Chakri Sirindhorn, herdeira do trono, no âmbito das comemorações dos 500 anos de relações diplomáticas entre o seu país e Portugal.

A Sala Thai, assim se designa o referido pavilhão, foi construído em Banguecoque e transportado de barco até ao Jardim Vasco da Gama em Belém, numa viagem de poucos dias, talvez seguindo o mesmo percurso que os marinheiros portugueses fizeram há cinco séculos, quando pela primeira vez chegaram àquele país asiático.

Dourado e com quatro aberturas remete para a cidade dos anjos, Banguecoque, e para o Mosteiro dos Jerónimos, obra que inspirou o arquiteto Athit Limmu e que acabou por representar o «símbolo da amizade» entre os dois países. O telhado foi coberto com placas que se assemelham à pele de um dragão ou às escamas de um peixe, enquanto os pináculos são anjos estilizados. Na parte de baixo existe um quase varandim inspirado nas ogivas dos Jerónimos em tons verdes. Porém, é o dourado a cor dominante, conseguida com mil finas folhas de ouro.

Foi em 1511 que o navegador português Duarte Fernandes chegou a Ayuthaya, capital do Reino do Sião. Recebido na corte do rei Ramatibhodi II, deu início a uma aliança entre os dois países que se mantém até hoje. Na capital Banguecoque, os portugueses chegaram a erguer dois bairros dos quais permanecem importantes vestígios da sua construção.



publicado por Carlos Gomes às 03:09
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LISBOA E TEJO NA PERSPETIVA DE ARTUR PASTOR

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publicado por Carlos Gomes às 02:43
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QUAL A ORIGEM DO QUEIJO FLAMENGO EM PORTUGAL?

Desde há muitos anos, o queijo flamengo entrou nos hábitos alimentares dos portugueses, não o dispensando sobretudo ao lanche ou ao pequeno-almoço, a intercalar duas metades de pão. Não se trata propriamente de um queijo tradicional ou seja, não teve a sua origem na prática e saber do povo português. De resto, a nossa região possui um queijo genuíno de apreciável qualidade que bem merecia uma promoção adequada. No entanto, a presença do queijo flamengo entre nós remonta há vários séculos e confunde-se com a nossa própria História.

O queijo flamengo apresenta em regra a forma arredondada e a pasta, de cor amarelada, semidura, contendo um teor de matéria gorda de 45 a 60%, é obtida após a coagulação de leite de vaca, depois da sua pasteurização. A sua maturação obtém-se após 3 semanas, a uma temperatura de 12 a 15º C e com uma humidade relativa variando entre 65 e 75%.

À semelhança do que sucede com a generalidade dos queijos do tipo flamengo, aliás como o seu próprio nome indica, também o queijo “Limiano” em nada tem a ver com a produção tradicional caraterística da região que, devido à implantação no mercado de modelos importados, jamais saiu do circuito doméstico.

Com efeito, o queijo flamengo tem a sua origem na cidade holandesa de Edam, outrora um condado pertencente à Flandres, situado a cerca de vinte quilómetros a nordeste de Amesterdão. Conhecido desde o século XIV, o queijo de Edam é produzido com leite de vaca, tendo-se tornado um dos queijos mundialmente mais afamados. A sua caraterística capa de cor avermelhada resulta de uma mistura com urucu, uma planta que os holandeses comercializavam com os índios do Brasil por altura das invasões holandesas no século XVI, da qual resulta um condimento entre nós conhecido por colorau.

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Quando a Corte de D. João VI se transferiu para o Brasil na sequência das invasões francesas, os nobres ali instalados passaram a importar da Holanda os queijos de Edam, fazendo-o através dos comerciantes estabelecidos em Portugal. Este queijo deu origem ao “queijo-do-reino” ou “queijo tipo reino”, fabricado na região da Mantiqueira, em Minas Gerais, sendo o primeiro queijo curado industrial produzido no Brasil.

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Na segunda metade do século XIX, o Conselheiro Miguel Dantas criou em mantelães, no concelho de Paredes de Coura, a Fábrica de Lacticínios de Coura na qual, de acordo com as palavras do conceituado médico veterinário Dr. Vieira de Sá, “foram feitas as primeiras tentativas para fabricar (ou imitar) o queijo holandês, que se importava em grandes quantidades da Holanda, chamando-lhe “queijo flamengo”.

Em 1959, por iniciativa do industrial Américo Tavares da Silva, um dos primeiros gerentes da firma Lacto-Lusa Ld.ª, surgiu em Ponte de Lima o queijo “Limiano”, o qual há alguns anos ficou associado a uma polémica em torno da aprovação no parlamento de um Orçamento de Estado viabilizado pelo deputado Daniel Campelo que foi Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima. Esta empresa possuía a fábrica em Vale de Cambra e dispunha de filial em Arcos de Valdevez, cabendo-lhe a produção do queijo “Pastor”, à época produzido no tipo flamengo, com aspeto idêntico ao do queijo “Limiano”. A Lacto-Lima foi criada em 1957, tendo a Lacto-Lusa como sócia maioritária. A ideia da criação do queijo “Limiano” resultou da procura crescente deste género de lacticínio associada à abundante produção de leite na nossa região.

Em 1987, a Lacto-Lusa transformou-se em sociedade anónima, passando a integrar a Lacto-Lima e, em 1994, como resultado da compra e fusão de 7 empresas de lacticínios, surge o Grupo Lacto Ibérica S.A. que, em 1999, encerrou a unidade fabril que mantinha em Ponte de Lima, passando o queijo “Limiano” a ser produzido em Vale de Cambra, dando origem a forte contestação que se estendeu inclusivamente aos tribunais devido à sua denominação. Em 2004, o Grupo Lacto Ibérica S.A foi adquirido pelo grupo francês Bel que passou a designar-se Bel Portugal.

Quanto ao queijo “Limiano”, apesar da sua denominação de origem ou seja, do gentílico com que se identifica, jamais voltou a Ponte de Lima, a terra onde nasceu. Mas o flamengo continua a ser apreciado pela generalidade dos consumidores portugueses!

Carlos Gomes



publicado por Carlos Gomes às 02:16
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POSTAL ILUSTRADO MOSTRA O LARGO DO MARTIM MONIZ EM MEADOS DO SÉCULO PASSADO

A imagem reproduz um postal ilustrado e mostra o Largo do Martim Moniz em meados do século XX

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publicado por Carlos Gomes às 01:31
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FAROL DO CABO DA ROCA É SENTINELA DO MAR!

Desde tempos imemoriais, a luta pela sobrevivência levou o Homem a trocar a terra firme pelo ambiente hostil do mar, aventurando-se na imensidão desconhecida – o mar é tão rico em alimento como é em perigos.

Farol do Cabo da Roca

Disse o sábio grego Platão que “há três espécies de homens: os mortos, os vivos e os que andam no mar”. Com efeito, em relação a estes nunca se sabe realmente o seu destino, tais são os perigos que enfrentam.

È costume frequente, nas povoas de pescadores, as mulheres vestirem-se permanentemente de luto pois existe quase sempre um familiar próximo que não regressou da campanha junto com os seus camaradas: quando não foi o pai, terá sido um irmão, o marido ou o próprio filho. Na praia, elas aguardam ansiosas pelo seu regresso. E, quando o mar se revolta e sobre ele um manto de nevoeiro cai, a sereia por eles chama e a vila se agita num alvoroço carregado de angústia. O pescador arrisca a vida para do mar trazer o parco sustento da família – o lucro vai direitinho para os intermediários e para os luxuosos estabelecimentos hoteleiros onde o servem a preços impraticáveis. E, no entanto, quanto custará a vida de um ser humano?

Farol do Cabo da Roca (31)

Por vezes, em dia de temporal, é à entrada da barra que a tragédia o aguarda, virando a embarcação ou espatifando-se contra o molhe. Que o digam os pescadores das Caxinas que acaba de se vestir de luto. Como disse o poeta:

                                         Ó mar salgado, quanto do teu sal

                                         São lágrimas de Portugal!

                                         Por te cruzarmos, quantas mães choraram,

                                         Quantos filhos em vão rezaram!

                                         Quantas noivas ficaram por casar

                                         Para que fosses nosso, ó mar!

Mas, quando regressavam de noite escura, avistavam geralmente ao longe uma sentinela vigilante que, protetora, os aguardava e conduzia até alcançar a costa. Era uma luz cintilante que baloiçava, transportado pelas mãos de alguém que surgia como um anjo a indicar o local onde podiam, enfim, ancorar. Essa luz era um farol que indicava a existência de terra firme e o navegante apenas tinha de seguir no seu enfiamento.

Os faróis cuja designação provêm do termo grego Faros, em alusão à ilha próxima de Alexandria, onde foi erguido o famoso farol de Alexandria, eram inicialmente constituídos por meras fogueiras ou luzes de azeite destinados a avisar os navegadores da aproximação de terra ou outros perigos para a navegação. Desde então, a sua evolução não mais se deteve, tendo dado origem a modernos equipamentos eletrónicos dotados de curiosos sistemas de ótica, instalados em edifícios que, regra geral, constituem interessantes obras de arquitetura e se erguem nos sítios mais surpreendentes.

Farol do Cabo da Roca (59)

Foram estes equipamentos sempre de grande utilidade para os pescadores e navegadores em geral. À entrada da barra, as luzes verde e vermelha indicam-lhes respetivamente o bombordo e o estibordo da embarcação, noções de orientação criadas pelos portugueses durante as navegações que fizeram ao longo da costa africana e que entretanto se universalizaram.

Desde 1924, o funcionamento e manutenção dos faróis é da responsabilidade da Direção de Faróis, um órgão da Marinha que se dedica nomeadamente à operação e manutenção das ajudas à navegação. Porém, o aparecimento de novas tecnologias tem levado a que os faróis se tornem espaços museológicos com grande interesse sobretudo para os mais jovens, uma vez que constituem magníficas peças de ótica e relojoaria. Para além de constituírem um espaço de memória de especial significado para as comunidades piscatórias e que deve ser preservado, pois os faróis foram desde sempre “sentinelas do mar” a vigiar pela segurança dos pescadores e dos navegantes em geral!

Farol do Cabo da Roca (14)

Farol do Cabo da Roca (22)

Farol do Cabo da Roca (23)

Farol do Cabo da Roca (38)

Farol do Cabo da Roca (2)

Farol do Cabo da Roca (26)



publicado por Carlos Gomes às 00:19
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BEATA JACINTA MARTO DEU ENTRADA NO HOSPITAL D. ESTEFÂNIA EM 2 DE FEVEREIRO DE 1920

A imagem mostra o registo de entrada da beata Jacinta Marto, em 2 de fevereiro de 1920, no Hospital D. Estefânia, em Lisboa. Conta da informação de que está registada no “livro 162, boletim 868, f. 87. Entrou no Hospital da Estefânia, enfermaria n.º 1. Indica a filiação Manuel Marques e Olímpia de Jesus. A idade 10 anos. A naturalidade Vila Nova de Ourém, Santarém. A residência rua da Estrela, n.º 25, 1º, freguesia de Santa Isabel. O documento que autoriza a admissão. A vermelho nesta página indica que faleceu.”.

Fonte: Arquivo Nacional da Torre do Tombo



publicado por Carlos Gomes às 00:00
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Sexta-feira, 18 de Abril de 2014
GRAFITI: DA ARTE SUBURBANA AO NEOEXPRESSIONISMO

Frequentemente associado a uma cultura suburbana onde pontificam os mais diversos grupos de transgressão das normas sociais, o grafiti, na forma como atualmente se apresenta, tem a sua origem no movimento de contracultura surgido um pouco por toda a Europa por ocasião do levantamento estudantil do maio de 1968, em Paris. Considerado frequentemente como um ato de vandalismo condenado por lei, o próprio ato de produção do grafiti é assumido como um ato de rebeldia em relação à ordem estabelecida.

Graffiti-Damaia 005

Convém, antes de mais, estabelecer uma clara distinção entre o mural de grafiti concebido com reconhecida qualidade artística e contendo uma mensagem da reles pichagem que apenas conspurca as paredes e não respeita o direito à propriedade e ao asseio urbano.

Existem grafitis que constituem autênticas obras de arte, transmitindo preocupações de natureza política, social ou ambientais através de representações críticas e emocionais. Com evidentes traços caraterísticos do expressionismo, surrealismo e simbolismo, alguns das pinturas destes murais podem muito bem serem consideradas verdadeiras manifestações estéticas do neoexpressionismo.

As fotos retratam alguns pormenores de murais produzidos na localidade da Damaia, nos arredores de Lisboa.

Damaia (2)

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publicado por Carlos Gomes às 23:18
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AOS SOLDADOS SEM NOME – UM POEMA DE DELFIM GUIMARÃES

“Aos Soldados Sem Nome” é o título de um poema de cariz patriótico da autoria do escritor e poeta Delfim Guimarães, publicado em 1921 pela Livraria Editora Guimarães & Cª, editora fundada em Lisboa pelo próprio autor.

Com vasta obra literária, o escritor Delfim Guimarães nasceu no Porto em 4 de agosto de 1872, encontrando-se também ligado a Ponte de Lima, terra à qual dedicou a maioria dos seus versos e ainda á cidade da Amadora onde viveu e veio a falecer em 6 de julho de 1933.

O livro cuja imagem reproduz foi pelo autor oferecido a Rocha Martins, famoso jornalista, historiador e ativista político, na dedicatória tratado como “ilustre camarada”.



publicado por Carlos Gomes às 21:13
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