Blogue de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes de Lisboa e arredores
Sábado, 31 de Maio de 2014
CHAFARIZES DE LISBOA NOS VERSOS DE SILVA NUNES

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                    CHAFARIZES DE LISBOA

 

                   Alerta Neptuno, deus do mar,

                   Velai pela cidade-mareante:

                   - Não deixeis que alguém pense em acabar

                   Com chafarizes de água sussurrante!...

 

                   Cidade do luar e das estrelas;

                   Dos bairros tão castiços e sem data;

                   Lisboa das escadinhas e vielas

                   Com uma rua d’Oiro outra de Prata;

 

                   - Conserva os chafarizes que são teus

                   E os painéis de azulejos nas paredes!...

                   Lisboa!... Maravilha!...

                                 Ai, olhos meus,

                   Será que ninguém vê o que vós vêdes…?

                                               Silva Nunes, in Reencontros. Poesia. 1990


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Sexta-feira, 30 de Maio de 2014
MOITA REALIZA QUINZENA GASTRONÓMICA



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FOLCLORE JUNTA MINHOTOS EM LISBOA



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Quinta-feira, 29 de Maio de 2014
ARQUIVO HISTÓRICO DA MARINHA REALIZA MOSTRA DOCUMENTAL

O seu acervo documental possui elevado interesse para os estudiosos e investigadores da nossa região

O Arquivo Histórico da Marinha leva a efeito durante o próximo mês de junho uma mostra documental subordinada ao tema “A Marinha e os Arquivos”. Com elevado interesse também no que à região de Lisboa diz respeito, mormente os concelhos do litoral e toda a atividade marítima e piscatória com ela relacionada, o Arquivo Histórico da Marinha constitui um importante lugar de memória cuja consulta se aconselha vivamente aos estudiosos e investigadores da nossa região.

Para melhor entendimento da sua importância, transcreve-se com a devida vénia a apresentação que é feita no site oficial da Marinha Portuguesa.

“O Arquivo Histórico conserva registada a memória da Marinha, nas suas múltiplas atividades ao longo dos últimos 250 anos.

Integrado na Biblioteca Central de Marinha, o Arquivo Histórico assegura a guarda, conservação e divulgação do património documental e arquivístico, de natureza histórica, da Marinha enquanto fundamento da memória coletiva e individual, e ainda como fonte de investigação.

O Arquivo Histórico conserva registada a memória da Marinha, nas suas múltiplas atividades ao longo dos últimos 250 anos.

A área presentemente ocupada pelo Arquivo é superior a 2000 m2. Os serviços, que incluem gabinetes, salas de avaliação, catalogação, restauro, conservação, e a sala de leitura ocupam cerca de 380 m2 sendo a restante área destinada ao acervo documental.

A documentação mais antiga existente remonta ao século XVII, no entanto a documentação relativa aos séculos XIX e XX é que forma o principal espólio.

A escassez ou mesmo, nalguns casos, a inexistência de documentos deve-se a vicissitudes várias, sendo as principais: o terramoto de 1755, incêndios, a saída da corte para o Brasil, as invasões francesas e as guerras liberais.

A tipologia documental é variada e altamente especializada, obviamente virada para a História Marítima, agrupando-se em documentação avulsa, códices, documentação encadernada, fotografias, cartografia e planos de navios.

O Arquivo Histórico da Marinha regista a memória da Marinha ao longo dos últimos 250 anos, ocupando uma área superior a 1600 m2, o que equivale a cerca de 13 quilómetros de prateleiras com documentação.”

Fonte: http://www.marinha.pt/pt-pt/servicos/cultura/Paginas/Arquivo-Historico.aspx



publicado por Carlos Gomes às 15:44
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HOJE É DIA DA ESPIGA!

Hoje é Quinta-feira da Ascensão. Assim se denomina este dia em virtude de no calendário litúrgico se comemorar a ascensão de Jesus Cristo ao Céu, encerrando um ciclo de quarenta dias que se seguem à Páscoa. Mas, este dia tem a particularidade de se celebrar também o "dia da espiga" ou "quinta-feira da espiga". Manhã cedo, rapazes e raparigas vão para o campo apanhar a espiga e flores campestres. Formam um ramo com espigas de trigo, rosmaninho, malmequeres e folhagem de oliveira que pode incluir centeio, cevada, aveia, margaridas, pampilhos e papoilas. Depois, o ramo é guardado ao longo de um ano, pendurado algures dentro de casa.

dia da espiga

Crê-se que este costume, com mais incidência nas regiões a sul de Portugal, tenha as suas raízes num antigo ritual cristão que consistia na bênção dos primeiros frutos, mas as suas características fazem-nos adivinhar origens bem mais remotas, muito provavelmente em antigas tradições pagãs naturalmente associadas às festas consagradas à deusa Flora que ocorriam por esta altura e a que a tradição dos maios e das maias também não é alheia.

É crença do povo que a espiga apanhada na quinta-feira da Ascensão proporciona felicidade e abundância no lar. Aliás, a espiga de trigo propriamente dita representa a abundância de pão, o ramo de oliveira simboliza a paz, as flores amarelas e brancas respetivamente o ouro e a prata que significam a fartura e a prosperidade.

Noutros tempos, era costume na cidade, as moças que estavam de criadas de servir, ainda arreigadas a antigas usanças das suas terras de origem, pedirem às patroas para que lhes concedessem licença nesse dia para irem apanhar a espiga... Não raras as vezes, um bom pretexto para irem ao encontro do namorico, pois quase sempre apenas tinham permissão de folga ao domingo. Aliás, devido em grande medida à liberdade que a festa proporcionava aos jovens nesse dia, a apanha da espiga adquiriu bem depressa um sentido mais malicioso sempre que as pessoas a ela se referem.

Atualmente, algumas ruas de Lisboa enchem-se de vendedeiras de ramos de espigas, as quais são cada vez mais solicitadas inclusivamente por pessoas cujas raízes culturais já nada tem a ver com tais costumes mais próprios do meio rural. Provavelmente, atraídas pela beleza com que se apresentam os ramos. Em todo o caso, procurando cumprir um ritual que ajuda a preservar uma tradição!

Carlos Gomes in http://www.folclore-online.com/



publicado por Carlos Gomes às 09:36
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FESTA JUNTA COLETIVIDADES E CASAS REGIONAIS EM LISBOA



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LOURES RECEBE ENCONTRO DE CULTURAS TRADICIONAIS

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Quarta-feira, 28 de Maio de 2014
NATURAIS DE CINFÃES REALIZAM EM LISBOA ENCONTRO DE TRADIÇÕES



publicado por Carlos Gomes às 23:34
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NAZARÉ ORGANIZA COLÓQUIO SOBRE “MEMÓRIAS, TURISMO E TRAJES TRADICIONAIS”

Dr. João Alpuim Botelho, diretor do Museu Bordalo Pinheiro, será um dos oradores

Memórias, Turismo e Trajes tradicionais

31 maio | 15 horas

Local: Auditório da Biblioteca Municipal da Nazaré

Oradores:

Paulo Ferreira da Costa | Direção Geral do Património Cultural

João Alpuim Botelho | Museu Bordalo Pinheiro – Câmara Municipal de Lisboa

Madalena Braz Teixeira | Investigadora sobre traje tradicional

José Maria Trindade | Instituto Politécnico de Leiria

Cristina Luz | Câmara Municipal da Nazaré – Turismo

Presença de costureiras do traje tradicional da Nazaré.

Organização: Museu Dr. Joaquim Manso – Nazaré

Colaboração: Câmara Municipal da Nazaré, CEPAE – Centro de Património da Estremadura

Encontro dedicado ao traje tradicional em Portugal, promovendo a reflexão sobre o seu papel identitário e de construção memorial, bem como os seus usos turísticos, o que se articula com as vivências comunitárias e as preocupações subjacentes ao inventário do património cultural imaterial.

Este colóquio insere-se na exposição “Como se veste a Nazaré? A tradição hoje”, organizada pelo Museu Dr. Joaquim Manso / Museu da Nazaré e patente ao público entre 18 de maio e 15 de junho, no Centro Cultural da Nazaré.



publicado por Carlos Gomes às 14:13
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CONVENTO DOS CARDAES RECEBE CONCERTO DE LES VOCALISTES ROMANDS


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Terça-feira, 27 de Maio de 2014
A FIGURA DE D. NUNO ÁLVARES PEREIRA FOI EM 1961 EXALTADA POR AIRES MARTINS, DEPUTADO À ASSEMBLEIA NACIONAL

Lisboa ainda não ergueu um monumento a D. Nuno Álvares Pereira

Em 1961, por ocasião da peregrinação das relíquias do Santo Condestável por terras de Portugal, o deputado Aires Martins proferiu na sessão de 1 de fevereiro da Assembleia Nacional um eloquente discurso no qual traçou o perfil de D. Nuno Álvares Pereira.

Aires Fernandes Martins era natural de Sever do Vouga. Foi militar e professor, tendo exercido as funções de Vice-presidente da Câmara Municipal de Nova Lisboa, atual Huambo, em Angola, além de deputado eleito pelo círculo do Porto.

1970-1972BRIGAIRESFERNANDESMARTINS

São do deputado Aires Martins as palavras que a seguir se transcrevem do referido discurso: 

Sr. Presidente: Portugal fora designado para as grandes realizações. Por cumprimento do imperativo geográfico, procurou e definiu as fronteiras do reino e, quando as circunstâncias o permitiram, ultrapassou os limites do território e exibiu significado de presença em todos os azimutes do globo t na maioria dos arranjos da humanidade, descobrindo terras e divulgando pormenores de civilizações ignoradas. Os Portugueses de outrora dilataram a fé e o império na prática, sublime do princípio de colaboração rigorosa, e perfeita do exercício de adoração da cruz e do manejo da espada. Toda a narrativa, mais ou menos longa, referida ao passado histórico e à epopeia gloriosa dos Portugueses utiliza o traço simbólico da verdadeira união entre a cruz e a espada.

O pensamento circunscreve a tarefa prodigiosa das viagens marítimas e das descobertas; explica, sobretudo, a obra colonizadora realizada nos espíritos, nos homens e nos bens, conseguida por esforços abnegados, sacrifícios admitidos, religiosidade praticada, conhecimentos ensinados, costumes exibidos, trabalhos realizados e progressos introduzidos, numa afirmação extraordinária do sentido com que os habitantes interpretaram, por vocação própria, a missão determinada para Portugal. Não admitiram receios, dúvidas ou desfalecimentos quando se lançaram na descoberta dos mares imensos, não respeitaram a ideia do sacrifício ou da descrença quando se orientaram para as terras distantes ou contactaram com os povos desconhecidos e atrasados do Mundo, não vacilaram nem desanimaram ao iniciarem a grande obra de aproximação dos homens que os ambientes, os costumes, a língua e o nível de cultura determinavam em condições de hostilidade; não desviaram o rumo por efeito de contemplação dos resultados alcançados e não hesitaram também no uso da força quando se tornara necessária para o benefício dos povos. Os Portugueses actuaram sempre com o coração perante os quadros necessitados e com energia em relação aos exaltados, numa prática reflectida e apropriada da bondade e da força.

Foi o princípio normal da actividade dos Portugueses.

Mal definidas ainda as fronteiras e não completadas as medidas de valorização e de estruturação da política, numa convergência difícil da história em que as circunstâncias comprometiam a condição de independência alcançada com sacrifícios em tempos anteriores, exactamente quando tudo parecia contribuir para a perda da liberdade e para o regresso à situação de povo subalterno, um mesmo homem, desdobrado em manifestações diferentes, por favor do destino e por influência de espírito superior, opera verdadeiros milagres, no jogo consciente da oração a da espada: Nuno Álvares Pereira foi fervoroso na oração, identificado no alcance da crença, valoroso na luta e herói no campo de batalha.

Muito novo demonstrou o poder das suas características de alma, precisamente quando D. Fernando decidiu entregar a responsabilidade do cargo de fronteiro de Lisboa ao prior do Crato, D. Pedro Álvares, que se fez acompanhar de seus valorosos irmãos, um dos quais seria o futuro condestável do reino. Na maneira como corresponderam às frequentes correrias tios Castelhanos os Portugueses criaram a situação de calma e de confiança, praticaram atitudes e decisões corajosas e demonstraram superior espírito do patriotismo: D. Nuno Álvares Pereira foi figura central da cena. lusitana aio período de constante agitação e de evolução incerta que D. Fernando dispusera em condição delicada para a tranquilidade do povo e altamente perniciosa para o tesouro nacional; sòmente as instituições militares puderam beneficiar, por efeito de reformas extensas que resultaram da experiência obtida em circunstâncias movimentadas anteriores que tinham evidenciado a necessidade de efectivos e aconselhado medidas que, então adoptadas, fizeram entrar no serviço militar todas as classes populares, incluindo a mais inferior, que, par princípio estabelecido, era dispensada de o prestar, instituindo-se pela primeira vez em Portugal uma forma, de serviço militar obrigatório, que hoje constitui sistema generalizado de responsabilidade dos homens relativo ao programa de defesa e de soberania dos estados constituídos.

Por princípio de conveniência, as providências militares adoptam uma linha de evolução paralela com o desenvolvimento da política; ou elas não devessem assegurar o apoio da política, e significar, até, o seu prolongamento quando o recurso à guerra é a decisão obrigatória.

Falecia D. Fernando, D. Leonor manifestava inclinação condenável, D. João de Castela mostrava interesse decidido pelo governo de Portugal e, entretanto, o mestre de Avis era nomeado defensor e regente do reino; simultaneamente, as instituições militares experimentaram as transformações para determinarem a organização das forças combatentes e o ensino da arte militar. Foi na conjuntura desenhada da política e da actividade militar que se desenvolveu a movimentação intensa do quadro político da Península, considerada possível pelo propósito definido e pela insistência demonstrada pelo rei de Castela, que pretendia, firmar a condição de dependência do povo português, patrocinada por parte da nobreza; mas firmemente repudiada pela alma nacional. Verdadeiramente, a interpretação mais ajustada foi realizada por D. Nuno quando o mestre de Avis, em hora de feliz inspiração, lhe confiou a responsabilidade de fronteiro-mor do Alentejo, em circunstâncias que faziam incidir sobre esta região as maiores preocupações, devidas ao movimento de invasão que os Castelhanos realizavam, com o objectivo determinado da conquista de Lisboa.

O cumprimento desta missão difícil e honrosa, caracterizada por riscos e dignidades, ofereceu oportunidade para consagração merecida do talento de N uno Alvares, plenamente evidenciado na, batalha dos Atoleiros, que, simultaneamente, foi uma demonstração de fé praticada no ambiente de emergência da batalha, do verdadeiro sentido das circunstâncias traduzido em medidas de ordem táctica, de espírito de confiança na ética dos Portugueses, de particular conceito de comando e de devotado sentimento patriótico. Quando o inimigo avançava sobre o dispositivo instalado dos Portugueses, definido em condição de manifesta, inferioridade em relação aos efectivos adversários, D. Nuno apeou-se, ajoelhou e rezou; adoptou providências reflectidas para melhoria do dispositivo, determinando inesperada atitude aos cavaleiros, que deveriam apear-se, apoiar as lanças no solo e incliná-las para a frente a fim de receberem, nesta posição, os cavalos inimigos. O desfecho significou a vitória dos Portugueses e as consequências confirmaram o prestígio do valoroso chefe, que ocupa, sem dúvida, a posição da figura mais evidente e grandiosa da Idade Média portuguesa e do mais notável capitão do seu tempo.

Elas asseguraram a condição de confiança pelo futuro, firmaram os alicerces da posição de independência e representaram também argumentos de valor real, sob o ponto de vista táctico, para ajustamento das instituições políticas mundiais, contribuindo para a decadência da cavalaria e para o alvorecer da infantaria, já ensaiada em Crécy e Poitiers e, depois, confirmada em Granson e Marat.

Não se satisfez com os louros alcançados o glorioso comandante. Por fecunda intuição do seu génio, reflectiu sobre as condições do momento e pôs em prática providências convenientes para acautelar o resultado futuro. Nomeado condestável e empenhado na adesão de algumas praças que se mantinham opostas à causa do mestre de Avis, que era a causa de Portugal, recebe com serenidade impressionante a notícia de nova invasão do reino, concretizada pelo avanço de numeroso exército, bem equipado e possuído de modernos engenhos de guerra, que constituíam surpresa para os exércitos mais modestos da época. Foi difícil o encontro de ideias do rei e do condestável e tardou o estabelecimento do plano de luta que se tornava aconselhado contra os Castelhanos.

Todavia, estabelecida, a concordância de ideias numa prática que constitui imagem distante do sistema actual da unidade do comando, o chefe glorioso recuperou o tempo perdido no desenvolvimento de um plano que assombra: marchou ao encontro do inimigo no sentido de aproveitar da iniciativa das operações, procedeu ao reconhecimento do terreno, decidiu pela escolha de um quadro geográfico que garantia a segurança dos flancos e impedia, a actuação simultânea de todo o efectivo adversário, decidiu pela utilização de dispositivo apropriado e, de forma superior, fortaleceu a coragem e exaltou a disposição moral dos combatentes, cuja estrutura tem o significado de constante, que é a principal razão do valor dos exércitos.

Estavam tomadas as disposições necessárias quando as hostes inimigas apareceram no horizonte geográfico dos Portugueses. O choque seria uma realidade. Entretanto, por uma manobra de movimento do inimigo, que procurava desta maneira atenuar as circunstâncias de vantagem derivadas das características de posição dos Lusitanos, os Castelhanos contornaram o dispositivo nacional e procuraram atacar a retaguarda do conjunto português. D. Nuno Álvares Pereira, porém, observou o inimigo, seguiu o desenvolvimento da sua manobra e pressentiu os seus propósitos; correspondeu com nova atitude que determinava a mudança da frente. As direcções de combate tinham sido alteradas e o esquema dos exércitos tinha mudado as frentes num estilo pouco corrente de batalha que adoptou a designação de frentes invertidas. Efectivamente, a batalha de Aljubarrota travou-se no choque violento dos dois exércitos, que combateram com redobrada energia e desmedidos esforços dirigidos em sentido oposto àquele que tinham seguido nos movimentos de aproximação.

É sobejamente conhecida a representação descritiva desta batalha, que consolidou a posição de independência nacional e que foi possível por razão do glorioso chefe que providenciou em pormenor, comandou com coragem e que exibiu o quadro significativo de comandante destemido e de exemplo perfeito. Poderia, sem favor, situar-se o acontecimento como expoente último da sua virtuosa carreira das armas, mas o condestável queria completar a sua tarefa e definir em realidade a posição de Portugal: não hesitou em medir forças com o inimigo de novo, indo procurá-lo no seu próprio território. Com igual sentido militar e o mesmo espírito patriótico derrotou os Castelhanos em Valverde.

D. Nuno Álvares Pereira conquistou, muito justamente, a consideração de herói, defendeu o prestígio adquirido projectou-se como figura de primeira grandeza nas dimensões dos conceitos militares do tempo; em paralelo com todas as virtudes militares que beneficiavam o verdadeiro cavaleiro medieval, abrigava na alma, os sentimentos generosos e cristãos que lhe alcançaram a consagração da Igreja. Soube manejar a espada no campe de batalha e dedicou à cruz o melhor sentido no ambiente de oração e no recolhimento do claustro.

No último domingo as relíquias do glorioso condestável iniciaram o movimento pelas terras de Portugal, numa manifestação de fé e de reconhecimento confiada ao patrocínio das autoridades eclesiásticas. Ficaria bem, certamente, no momento um apontamento de natureza militar.

Com o significado de indiscutível simbolismo, as relíquias vão percorrer as mesmas terras que, em épocas anteriores, constituíram cenário para as práticas maravilhosas do herói e do santo precisamente em circunstâncias delicadas da vida portuguesa. A ideia é grande. O argumento de presença destes símbolos impressionantes e a contemplação reflectida dos cenários maravilhosos da cena portuguesa oferecem o quadro indispensável para o exercício de raciocínio dedicado ao julgamento do passado, ao exame do futuro e à consagração dos valores supremos.

Outrora, os dados referiam sòmente as fronteiras do território nacional europeu, os valores populacionais eram modestos, os meios possuíam valores limitados; hoje. os perigos e as ameaças estão localizados na proximidade imediata das vastíssimas fronteiras dos territórios portugueses distribuídos por todos os ambientes da terra, a população adquiriu nível de dezenas de milhões de almas e a luta actual mobiliza variedade grande cê meios e pratica variados progressos. Portugal saiu victorioso nas contingências do passado e justificou plano de prestígio reconhecido no confronto com as outras unidades do esquema político mundial.

Os quadros são diferentes em proporções. Todavia, possuem as mesmas características determinadas pelas dificuldades, pelas preocupações e pelas ameaças. Portugal recebeu do passado a honrosa herança de uma actuação de nobreza e interpreta-a com o argumento seguro

A história exalta os factos e a alma guarda admiração pelos homens.

Ora, nenhum outro quadro poderia representar melhor argumento do que a passagem das relíquias do português glorioso que definiu posição de evidência no plano de valores dos tempos distantes medievais pelas terras do Portugal perante o sentido recolhido dos homens.

Certamente, símbolo tão maravilhoso constitui, por significado de presença, um convite à meditação dos Portugueses, exacta mente no momento em que perigos e ameaças de toda a ordem comprometem o estado de calma e o espírito de confiança lusitano e estabelecem coordenadas variadas para situações possíveis de cataclismo ou de epopeia. Tudo depende da maneira como os homens assimilarem a lição que vai ser ministrada em todos os quadros geográficos nacionais. Esperanças justificadas admitem resultados compensadores do pensamento posto em prática, se todos os portugueses dedicarem especial reflexão ao exame das virtudes e dos traços morais daquela figura gigantesca, procurando adoptá-la como padrão das suas atitudes e manifestações; se cada casa ponderar o alcance das práticas de família que distinguem um lar por manifestações de nobreza, e dignidade; sobretudo, se a geração dos novos, que muito tem a beneficiar, dedicar raciocínio interessado sobre os feitos do jovem português que foi I). Nuno e atentar na formação de uma consciência nacional elevada e nos efeitos de uma linha de procedimento bem definida, em rectidão e verticalidade, perfeitamente exemplificada na vida primorosa do vulto glorioso que se exalta, sem exagero, perante os acontecimentos tristes do momento que se condenam, sem, limitações. D. Nuno Álvares Pereira representa o significado perfeito do exemplo que importa seguir e que a Igreja oferece à meditação dos homens, para efeito de uma lição viva que realiza a identificação de todos os portugueses para o movimento de recuperação do sentido histórico e garantia da eternidade de Portugal grande, digno e prestigiado no Mundo.

Tenho dito.”



publicado por Carlos Gomes às 14:33
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‘ENCOSTA DO SOBRAL’ E ‘QUINTA DOS PENEGRAIS’ SÃO OS GRANDES VENCEDORES DA GALA VINHOS DO TEJO 2014

Pedro Sereno – Membro da Confraria Enófila Nossa Senhora do Tejo – é o enólogo do ano 2013

Os Produtores ‘Encosta do Sobral’ - Troféu Excelência Vinhos do Tejo 2013, e ‘Quinta dos Penegrais’ - Troféu Dinamismo Vinhos do Tejo 2013, foram os grandes vencedores da Gala Vinhos do Tejo.

O evento, que se realizou na passada sexta-feira, dia 23 de maio, no Convento de S. Francisco, em Santarém, deu assim a conhecer os vencedores dos Prémios Vinhos do Tejo 2013 e do ‘Concurso de Vinhos Engarrafados do Tejo 2014’.

Por sua vez, Pedro Sereno, da Encosta do Sobral foi eleito o Enólogo do Ano 2013, por ter sido o enólogo da região que alcançou o maior número de medalhas em concursos nacionais e internacionais no ano de 2013

“Foi com grande orgulho e satisfação que a Confraria viu nesta Gala 12 Confrades Produtores da Região do Tejo a serem premiados”, referiu a Confreira Teresa Batista.

No ‘Concurso de Vinhos Engarrafados do Tejo 2014’ foram 38 as medalhas entregues a um total de 18 produtores da região.

Destaque para a Enoport, Sociedade Agrícola Quinta da Ribeirinha e Adega Cooperativa de Almeirim que foram galardoadas com a Medalha de Excelência neste concurso.

O primeiro produtor recebeu esta medalha com o vinho Quinta de São João Batista Special Selection Touriga Nacional Tinto 2010, o segundo com o Vale de Lobos Branco 2013 e o último com o Portas do Tejo Branco 2013.

Além das Medalhas Excelência, foram ainda entregues 27 medalhas de ouro e 8 de prata, a 21 vinhos tintos e 14 brancos.



publicado por Carlos Gomes às 09:00
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CONFRARIAS DIVULGAM COZINHA PORTUGUESA

FEDERAÇÃO PORTUGUESA DAS CONFRARIAS GASTRONÓMICAS

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MAPA DE EVENTOS 2014

Eventos da FPCG

5 de Julho – “Caminhar com a Gastronomia.”

Capítulos das Confrarias Federadas – 2014:

7 de Junho - IX Capítulo da Confraria Gastronómica da Gândara.

7 de Junho - XV Capitulo da Confraria Gastronómica do Mar.

21 de Junho - VIII CAPÍTULO DA Confraria Gastronómica O Moliceiro.

28 de Junho - Confraria da Broa de Avintes.

12 de Julho – Confraria da Broa de Avanca.

12 de Julho - Confraria do Anho Assado com Arroz de Forno. Marco de Canaveses

27 de Setembro - VIII Capítulo da Confraria Papas de S. Miguel

4 de Outubro – Confraria Gastrónomos do Algarve

5 de Outubro – Confraria do Chícharo.

11 de Outubro - Real Confraria da Matança do Porco - Parque Biológico da Serra da Lousã.

22 de Novembro – IV Capítulo da Confraria da Marmelada de Odivelas.

29 de Novembro- Confraria da Raça Arouquesa.

29 de Novembro - Confraria Nabos e Companhia.

6 de Dezembro - Confraria Gastronómica do Cabrito e da Serra do Caramulo.

Capítulos Internos – 2014:

14 de Junho - Confraria Gastro. do Concelho de Ovar. (Capítulo Interno)

28 de junho - Confraria Gastronómica dos Velhotes - X Capítulo - II Interno

26 de Julho – IX Capítulo da Confraria do Bodo. (Capítulo Interno)

14 de Setembro – Confraria da Chanfana (Capítulo Interno)

18 de Outubro - Real Confraria do Maranho (Capitulo Interno)

11 de Dezembro – Confraria do Arroz e do Mar (Capítulo Interno).

Capítulos das Confrarias Não Federadas – 2014:

31 de Maio – Confraria do Arinto de Bucelas.

8 de Junho – Confraria Gastronómica de Arroz de Aba de Cinfães.

14 de Junho – Confraria Camoniana.

22 de Junho – Confraria do Granito - Alpendurada

4 de Outubro - Confraria Gastronómica dos Carolos e Papas de Milho.

25 de Outubro – Confraria da Pedra - na Madalena, em V. N. de Gaia.

8 de Novembro – Confraria Gastronómica do Frango do Campo

Capítulos das Confrarias Não Federadas – 2015:

15 de Abril – Confraria dos Amigos do Negalho e da freguesia de Almalaguês

Capítulos de Confrarias Estrangeiras – 2014:

31 de Maio – Confradia Dona Controdo – Oviedo.

7 de Junho - Confrérie du Biétrumé et de la Blanche de Namur. Bélgica

8 de Junho - Confrérie du Franc Thour Nostre-Damme de Chiney.

07 a 10 de Junho - SERRA COM SABORES - 8ª. Semana Gastronómica do Cabrito e da Serra do Caramulo – XV Feira de Artesanato e Produtos Locais.

15 de Junho - I Encontro da Associação de Confrarias da Rota de Cister em Arouca.

29 de Junho - Bênção e Venda dos Bolinhos de S.Pedro (repôr uma tradição), no lugar de S.Pedro, Águeda - Confraria Enogastronómica Sabores do Botaréu.

6 de Julho - Passeio gastronómico em barco moliceiro - Confraria Gastronómica “O MOLICEIRO”

2ª quinzena de Julho, dias 19 e 20 - “ Arroz a Gosto” – Confraria das Papas de S. Miguel.

2 de Agosto - Passeio gastronómico em barco moliceiro - Confraria Gastronómica “O MOLICEIRO”

23 e 24 de Agosto - Festival Romaria Nª Srª da Guia - Milagre da Urgueira (em colaboração com a Associação Etnográfica Os Serranos), nas aldeias caramulenhas de Urgueira e Macieira de Alcoba - Confraria Enogastronómica Sabores do Botaréu.

Setembro 4,5,6 e 7 - Festa do Leitão – Águeda - Confraria Enogastronómica Sabores do Botaréu.

6 de Setembro - A Confraria vai jantar à Festa do Leitão e convida as Confrarias - Confraria Enogastronómica Sabores do Botaréu.

20 de Setembro - CAMINHADA “o Campo e a Ria” - Confraria Gastronómica “O MOLICEIRO”.

11 de Outubro - VIII FESTIVAL GASTRONÓMICO DA ENGUIA - Confraria Gastronómica “O MOLICEIRO”

29 de Novembro - Ceia Serrana, numa aldeia da encosta ocidental da Serra do Caramulo a designar - Confraria Enogastronómica Sabores do Botaréu.

14 de Dezembro - Almoço de Natal - Confraria Enogastronómica Sabores do Botaréu.



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Segunda-feira, 26 de Maio de 2014
UNIVERSIDADE NOVA DEBATE OS DESAFIOS DO MAR

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HÁ 88 ANOS, MILITARES MARCHARAM SOBRE LISBOA E INSTAURARAM A DITADURA MILITAR

Passam precisamente 88 anos sobre a data da Revolução Nacional de 28 de maio de 1926. O General Gomes da Costa, considerado um dos mais prestigiados heróis da guerra, revoltou-se em Braga, sublevando o regimento de Infantaria n.º 8, onde se instalou sem qualquer resistência, iniciando a marcha sobre Lisboa. A Primeira República mergulhara o país numa profunda crise económica, financeira e política cujo desfecho apenas poderiam conduzir à ditadura militar.

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O movimento que deu origem à ditadura militar, então designado por Revolução Nacional, foi desencadeado por militares pertencentes a vários setores políticos, predominantemente republicanos, entre os quais se incluíram alguns que haviam participado na implantação da República, em 1910, como sucedeu com o Almirante Mendes Cabeçadas.

Existiam, no essencial, três correntes no seio do movimento: a fação do Almirante José Mendes Cabeçadas, ligada à União Liberal de Cunha Leal; a direita republicana que apostava no golpe militar para se substituir ao Partido Republicano (Democráticos) no poder e ainda a fação do General João José Sinel Cordes que pretendia manter o espírito inicial da Revolução. Este último grupo de que faz parte o General Óscar Fragoso Carmona representa o setor mais conservador, vê com desconfiança os partidos políticos, preconiza a “regeneração nacional” e a manutenção do regime republicano. É este setor que, após a implantação da ditadura militar acaba por prevalecer.

Sucede que, a necessidade do controlo dos gastos dos diversos ministérios impunha o seu controlo pelo próprio Ministério das Finanças sob pena de continuarem a esbanjar para além das verbas orçamentais que à partida lhes estavam atribuídas. Como é evidente, tal controlo apenas poderia ser exercido de forma autoritária, o que acabou por traçar o perfil do regime que veio a ser instituído com a constituição política de 1933 e que tomou a designação de Estado Novo. De resto, tratou-se de uma experiência histórica cujas causas que lhe estiveram na origem não parecem muito diferentes das que vivemos atualmente!

O Estado Novo (II República) caraterizou-se por uma forma autoritária de regime, de acordo com a constituição política de 1933, mantendo e consolidando as instituições da República, para desespero dos monárquicos que viam na mudança então verificada e nas alegadas simpatias monárquicas de António de Oliveira Salazar uma oportunidade para restaurarem a Monarquia. Apesar da competência legislativa que lhe está atribuída, a Assembleia Nacional poucas vezes a exerceu, poder que na prática era frequentemente exercido pelo governo, razão pela qual o regime é politicamente identificado como tratando-se de uma ditadura.

Há quarenta anos, os militares voltaram à rua e puseram fim ao regime político que sucedeu à ditadura militar que eles próprios instauraram há 88 anos!



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Domingo, 25 de Maio de 2014
AS FESTAS A NOSSA SENHORA DOS ALTOS CÉUS E AS DANÇAS TRADICIONAIS DA LOUSA, EM CASTELO BRANCO

Existem no concelho de Castelo Branco tradições bastante peculiares que permanecem desconhecidas da maioria do povo português. Tratam-se das Danças das Virgens, Danças dos Homens e Danças das Tesouras que se realizam no âmbito das Festas em Honra de Nossa Senhora dos Altos Céus que têm lugar na freguesia de Lousa, por ocasião do 3º domingo do mês de maio.

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Reza a tradição que as festas em honra de Nossa Senhora dos Altos Céus tiveram origem numa promessa feita pelos habitantes de Lousa para que os livrasse de uma praga de gafanhotos que assolou a região em 1640, curiosamente o ano em que ocorreu a Restauração da Independência.

Tendo os gafanhotos desaparecido e, por conseguinte, sido obtida a graça pedida, consta que em gesto de agradecimento, um casal de agricultores e as suas oito filhas dançaram no adro da igreja, tendo a partir de então, dado origem à “Dança das Virgens” que até há relativamente pouco tempo era executada por rapazes. Por sua vez, também os homens organizaram a sua própria dança, a qual ficou conhecida por “Dança dos Homens”.

No domingo, após a celebração da eucaristia e realizada a procissão solene, oito “madamas”, atualmente raparigas solteiras, trajando vestidos brancos, ornamentadas com flores e ouro, acompanhadas pelo respetivo guardião que, de espada à cintura zela pela virtude das dançarinas, tocam trinchos e levam na mão um lenço branco com o qual acenam à Nossa Senhora dos Altos Céus e dançam ao som da viola beiroa. Os homens, envergando calça e camisa branca com cinta azul, apresentam-se com uma curiosa tiara ornamentada florida da qual pendem fitas de várias cores. Tocam genebres e tangem a viola beiroa ou bandurra, propositadamente desafinadas, apenas produzindo sons metálicos.

Pese embora a origem de tais tradições se encontrarem identificadas com ocorrências que se terão verificado em meados do século XVII, elas terão certamente raízes bem mais remotas à semelhança do que se verifica noutras culturas, muito provavelmente associados a ritos de fertilidade e de adoração de divindades associadas à Mãe Natureza, cristianizadas sob a forma do culto mariano e celebradas precisamente durante o mês de maio, na Lousa sob a invocação de Nossa Senhora dos Altos Céus.

A Lousa é uma pequena localidade recentemente integrada na freguesia de Escalos de Cima, dista cerca de 20 quilómetros de Castelo Branco e pertenceu outrora à Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, vulgo Ordem dos Templários.

Fotos: https://sites.google.com/site/alousarte/home

Carlos Gomes / http://www.folclore-online.com/

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LIVRO “FAFE – HISTÓRIA, MEMÓRIA E PATRIMÓNIO” APRESENTADO EM LISBOA

O historiador Elísio Summavielle que foi Secretário de Estado da Cultura do anterior governo apresentou ontem em Lisboa o livro “Fafe – História, Memória e Património” da autoria do historiador Daniel Bastos e do fotógrafo José Pedro Fernandes, com tradução de Paulo Teixeira. O evento teve lugar na Livraria FNAC do Chiado e contou com a presença de muitos fafenses, muitos dos quais radicados na região de Lisboa e ainda uma expressiva representação da Universidade Sénior de Fafe.

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A obra, de excelente aspeto gráfico, em papel couché, com capa dura e impressão a verniz local, de 300 páginas com chancela da Editora CONVERSO, em edição trilingue (Português, Francês e Inglês), conta com prefácio do fotógrafo francês Gérald Bloncourt, reputado poeta, pintor e fotógrafo da emigração portuguesa.

Com raízes em Fafe, Elísio Summavielle fez uma descrição da obra atravessando diversos períodos da história local e entroncando-a com a sua historia familiar, realçando a importância da preservação do património, lembrando que se trata de um investimento invisível cuja realização não proporciona inaugurações oficiais, razão pela qual nem sempre merece a atenção que devia por parte dos organismos oficiais.

Segundo Gérald Bloncourt, que assina o prefácio do livro, e que em 2009 doou ao Museu das Migrações e das Comunidades - Município de Fafe uma coleção de 104 fotografias sobre a vida dos emigrantes portugueses em França nas décadas de 50 e 60, o livro propõe aos leitores um olhar do passado no presente redescobre “locais por onde circulei nos anos sessenta. Mas esta obra é tão rica (textos e fotos) que acabei por descobrir muitas outras coisas que ignorava. Passei ao lado de tantos edifícios e de tantas paisagens que nem fazia ideia! Os dados históricos permitiram-me apreender melhor esta grande civilização. Era pois necessário e urgente que este livro fosse publicado para gravar na memória tudo o que tinha acontecido”.

Esta obra conta com o patrocínio de uma dezena de empresas representativas do tecido socioeconómico do concelho de Fafe, o que torna o preço da obra bastante acessível ao público apesar dos custos inerentes a uma publicação com a qualidade que esta apresenta.

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Capa do Livro



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DELFIM GUIMARÃES: O POETA DA AMADORA

“Delfim Guimarães. O Poeta da Amadora” é o título da melhor biografia até ao momento produzida acerca da vida e obra do poeta e escritor Delfim Guimarães. Da autoria de Lopes Vieira, o livro é uma edição da Câmara Municipal da Amadora, publicado em 1989 e encontra-se atualmente esgotado. A passagem recente dos 140 anos sobre a data do seu nascimento justificaria seguramente uma segunda edição desta obra.

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Neste livro, o autor traça de forma admirável o perfil do escritor Delfim Guimarães, acrescentando à sua biografia a sua obra literária e a sua intervenção cívica, não apenas no domínio profissional como ainda como cidadão interventivo na sua época que deixou uma obra cujos frutos continuam a ser colhidos pelas atuais gerações. Referimo-nos principalmente à sua ação política e cívica naquela localidade que viria a ser o atual Concelho da Amadora, nomeadamente através da criação da Liga de Melhoramentos que, entre outras iniciativas, foi responsável pela fundação das Escolas Alexandre Herculano.

Lopes Vieira convida-nos a uma digressão através da obra literária do escritor Delfim Guimarães, apresentando-nos muitos dos seus poemas, grande parte dos quais dedicados ao Ponte de Lima, terra a que dedicou os seus versos.

Delfim Guimarães encontra-se também ligado a Lisboa, terra onde trabalhou e criou a Guimarães Editores.



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Sábado, 24 de Maio de 2014
FOLCLORE DO MINHO ANIMA FESTAS DE QUEIJAS

Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega organiza Mostra de Folclore

O Largo do Mercado Municipal de Queijas, nos arredores de Lisboa, encheu-se hoje de gente para assistir à primeira atuação pública do Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega. E, a apadrinhar o mais jovem agrupamento folclórico minhoto nascido em Lisboa, estiveram presentes e participaram na Mostra de Folclore o Grupo Folclórico de São Torcato, de Guimarães; o Rancho Folclórico e Etnográfico de Ponte da Barca e a Associação Cultural e Etnográfica “Gentes de Almeirim”.

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Tal como se previa, a brilhante atuação do Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega confirmou-o como um digno representante do folclore da região que representa e que abrange sobretudo os concelhos de Ponte da Barca e Vila Verde, estendendo a sua influência a algumas freguesias dos concelhos de Ponte de Lima e Arcos de Valdevez.

Em dia de festa na localidade de Queijas, no concelho de Oeiras, os minhotos emprestaram um colorido e uma alegria que mais parecia uma romaria minhota às portas da capital.

A receção aos grupos convidados teve lugar na Sede da Junta de Freguesia, com a presença do respetivo presidente, Arqº Jorge Vilhena e da Drª Sofia Tomaz, Coordenadora do Núcleo de Etnografia do INATEL, seguindo-se o desfile pelas ruas de Queijas em direção ao Largo do Mercado Municipal onde teve lugar o espetáculo.

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Fundado há cerca de um ano, e após longos meses de trabalho e preparação, o Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega é o mais jovem agrupamento folclórico minhoto surgido em Lisboa. E, para quem conhece o trabalho anteriormente desenvolvido pelos seus responsáveis no domínio do folclore, jamais poderia esperar outro resultado que não fosse o rigor na representação que seguramente augurará grandes sucessos no seu trabalho.

Conforme nos esclarece o seu diretor, Dr. José Artur Brito, as Terras da Nóbrega constituem “uma região povoada já desde tempos imemoriais, na sua maioria representadas geograficamente pelo atual Concelho de Ponte da Barca, no nordeste da Província do Minho. Originalmente chamada de “Annofrica”, uma das 30 paróquias em que a Arquidiocese de Braga foi dividida pelo Concílio de Lugo em 569 AD, as Terras da Nóbrega eram delimitadas, como a maioria dos Coutos e Circunscrições Territoriais em que Portugal se encontrava dividido na Idade Média, por acidentes geográficos. Tendo o Rio Lima a percorrer em toda a sua extensão, as Terras da Nóbrega eram assim delimitadas pelas Serras Amarela e do Soajo, a norte e nordeste, e pela Serra de Oural, a sul.

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CONFRATERNIZAÇÃO CAMPONESA TEM FESTA EM ALCOCHETE



publicado por Carlos Gomes às 09:45
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LISBOA NOS VERSOS DE SILVA NUNES

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                   NOITES DA CIDADE

 

                   Nas noites de inverno

                   Há fome de amor

                   E almas pedindo

                   A morte sem dor.

                   Há gente que gasta

                   Mostrando espavento

                   E pobres sem tecto

                   Dormindo ao relento.

                   Há falsos profectas

                   E loucos varridos

                   Que há muito perderam

                   Os cinco sentidos.

                   Há barcos sem velas,

                   Artistas sem fama

                   E corpos ardendo

                   Em fogos sem chama.

                   Há cenas eróticas

                   Sem apaixonados:

                   - Cabeças suspensas

                   Em corpos drogados.

                   Há jovens vendendo

                   Beijos sem calor

                   E há homens comprando

                   Mentiras de amor.

 

                   Bailam no céu as estrelas,

                   O Tejo corre p’rá barra…

                   E enquanto o poeta sonha

                   Chora baixinho a guitarra!

                                               Silva Nunes, in Horas de Luz. Poesia. 1998

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Sexta-feira, 23 de Maio de 2014
PORTUGUESES (NÃO) VOTAM PARA O PARLAMENTO EUROPEU

Eleições para o Parlamento Europeu podem transformar-se em plebiscito à União Europeia

No próximo dia 25 de maio, os portugueses vão ser chamados a votar para eleger deputados ao parlamento europeu. À semelhança de anteriores atos eleitorais, tudo leva a crer que a maioria dos eleitores se irá abster de participar na referida eleição, revelando um claro desinteresse e até rejeição relativamente a um projeto político em relação ao qual não foi consultado na altura em que foi decidida a adesão.

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Constituindo o Parlamento Europeu a única instituição da União Europeia que resulta da eleição por sufrágio universal direto dos cidadãos dos estados membros, não deixa de ser sintomática a falta de participação que a eleição dos seus membros regista. Nas últimas eleições ocorridas em 2009, a taxa de abstenção em Portugal cifrou-se em 63,22%.

O descontentamento em relação à atual situação económica do país e o descrédito em que caíram os políticos e os partidos, as consequências nefastas da adesão à moeda única, o desmantelamento das estruturas produtivas imposto ao longo das últimas décadas desde a adesão à CEE, nomeadamente nos setores da agricultura, indústria e pescas, o desgoverno na gestão de fundos comunitários canalizados para a construção de estádios de futebol e autoestradas desnecessárias constituem, entre outros aspetos, fatores que poderão conduzir a uma abstenção esmagadora nas próximas eleições para o parlamento europeu, transformando-as num verdadeiro plebiscito relativamente à permanência de Portugal na moeda única e na própria União Europeia.

Cresce na sociedade portuguesa a convicção de que, a saída para a atual situação de crise que o país atravessa apenas será possível através do regresso à soberania monetária e também à revisão de diversos tratados estabelecidos com a União Europeia, nomeadamente o artigo do Tratado de Lisboa celebrado em 2007 que transfere para Bruxelas a competência exclusiva relativamente à “conservação dos recursos biológicos do mar”. Mais ainda, torna-se a cada passo mais claro que toda a estratégia de desenvolvimento de Portugal deve assentar em dois pilares fundamentais – o Mar e a Lusofonia – o que pressupõe o reforço dos laços históricos que nos unem não apenas aos países lusófonos como também em relação a outras nações com que no passado estabelecemos contato privilegiado e que no presente possuem o maior interesse no seu aprofundamento, nomeadamente em África e na Ásia.

Por conseguinte, a próxima eleição de deputados ao parlamento europeu pode vir a tornar decisivo o futuro dos países membros na medida em que o nível de participação dos cidadãos pode ser indicador do caminho a seguir, transformando o ato eleitoral num verdadeiro referendo à própria União Europeia.



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OEIRAS TEM MACANITAS EM TERCENA

A escassa distância de Lisboa, a velha fábrica da pólvora de Barcarena viu surgir à sua volta, nos começos do século passado, uma população de gente jovem à procura de trabalho nos campos férteis que estendem desde a encosta de São Marcos até Barcarena e Porto Salvo. As moças eram conhecidas por “macanitas” que, em 1990, deram o nome a um agrupamento folclórico – o Rancho Folclórico “As Macanitas” de Tercena.

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Vieram sobretudo da região do Oeste e, como nos elucida Fernando Silva no seu livro “As Macanitas”, os “casais mais importantes eram os de Cabanas, S, Miguel da Serra, Álvaro da Pinta e Sobreiro, em Barcarena, Manuel Roque em Tercena, Casal do Cotão e do Chouriço em São Marcos, Vaz Meirinho, Barroca em Queluz de Baixo e tantos outros que recebiam pessoal em menor escala”.

Distantes vão os tempos em que, procurando dar os primeiros passos, os componentes do Rancho Folclórico “As Macanitas” de Tercena trajavam todos de forma idêntica. Mas, o estudo aturado das tradições locais aliado à modéstia de quem procura melhor o seu trabalho transformaram este grupo folclórico num digno representante dos usos e costumes das gentes que, vindas de outras paragens, um dia se fixaram nas áreas rurais do concelho de Oeiras transportando consigo modos de ser que eram até então estranhos à região – as macanitas!

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As Macanitas de Tercena desfilando em Lisboa há precisamente 20 anos



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Quinta-feira, 22 de Maio de 2014
OS MINHOTOS EM LISBOA E AS MARCHAS POPULARES DOS BAIRROS ALFACINHAS

BLOGUE DE LISBOA recupera entrevista concedida pelo poeta Silva Nunes ao jornal “O Povo do Lima”, em 1992.

O poeta Silva Nunes foi uma das figuras incontornáveis da cultura alfacinha e das marchas populares. Durante décadas a fio, escreveu as letras para a maior parte das marchas dos bairros lisboetas. Parafraseando outro poeta, Silva Nunes é o poeta que canta Lisboa sempre que Lisboa canta.

Em 1992, concedeu-nos uma entrevista que então publicámos no extinto jornal “O Povo do Lima”, na qual abordámos aspetos relacionados com a presença da comunidade minhota em Lisboa e as marchas populares dos bairros lisboetas. Cinco anos decorridos, graças á sua intervenção, a marcha de Campo de Ourique desfilava na avenida da Liberdade, envergando trajes do Minho e entoando as letras do poeta Silva Nunes, com composição musical de Mário dos Santos Gualdino.

O BLOGUE DE LISBOA recupera a entrevista então feita ao poeta Silva Nunes.

- A seu ver, qual o bairro de Lisboa onde se registam de forma mais acentuada os efeitos desta migração? Porquê?

- Tal como acontece com o algarvio, o beirão e o alentejano, o minhoto nunca formou, em lisboa, uma verdadeira comunidade bairrista, isto é, no estilo do podo ovarino que se radicou na Madragoa. No entanto, por experiência própria, sabemos que o minhoto nunca deixou adormecer em si o orgulho que o prende à beleza inesquecível do mais lindo recanto de Portugal, que é a sua província: os exemplos são muitos. Enumerá-los, para quê?... Basta conviver durante alguns dias, para ver como o seu sentimento se funde na alegria de um bairrismo salutar.

- Qual a marcha de Lisboa que mais representa os tipos característicos do carvoeiro, do taberneiro e outros que tenham a ver com as gentes do Minho?

- A marcha de Alcântara apresentou, por mais de uma vez, o tema de descarregadores de sal e carvão, pelo facto das “fragatas” e dos “varinos”, de Alcochete, procederem às suas descargas na “Doca do Pinho”, ali, a dois passos. Entre o pessoal descarregador viam-se mulheres naturais do Minho que, além da descarga do carvão, também vendiam peixe pela cidade, como as chamadas varinas da Madragoa ou de Alfama.

A propósito, apetece-nos dizer que os minhotos, tal como qualquer alfacinha, habituaram-se a gostar dos bairros típicos da Capital onde vivem, sem esquecer as suas origens. Por isso, em noite de Santo António, cantam nos bailaricos, queimam alcachofras e percorrem a cidade de cravo vermelho e vaso de manjerico.

Nos anos 60, encontrámos uma linda jovem, de Santa Cruz do Lima, que erguendo o arco da frente, cantava com alegria bairrista, a canção que fora êxito na voz de Beatriz Costa:

            “A Marcha da Mouraria

            Tem o seu quê de bairrista.

            Certos laivos de alegria,

            É a mais boémia,

            É a mais fadista.”

- Pensa que, à semelhança do que sucede com a Madragoa, em relação á comunidade ovarense que ali reside, existe a possibilidade de “influenciar” positivamente a marcha de um dos bairros de Lisboa com as figuras e os usos próprios da nossa comunidade, que aliás, já fazem parte da história da cidade?

- Rememorando os temas apresentados pelas marchas populares, verificamos que o Bairro Alto se reporta aos espadachins da estalagem do Leandro e aos de Sebastião José de Carvalho e Melo (marquês de Pombal); Carnide respira ar campestre do século XIX e revive a sua “Feira da Ladra”; Alfama, envolve-se nos mares das Descobertas com a marinhagem do Gama; São Vicente contínua aristocrata, legitimista e escolar, etc. etc. Só a Madragoa, como disse Norberto de Araújo, “é uma colónia ovarina que se transplantou à Capital e se aclimatou no único bairro que tem Lisboa por raiz da sua dinastia”.

Baseada nesta realidade, a sua marcha conserva as origens que transpira a Ovar, à Ria, à Murtosa e ao São paio da Torreira.

Através dos tempos, reconhecemos que o minhoto faz parte de um povo de características próprias e inconfundíveis. Talvez por isso é diferente na maneira de se sentir feliz e de estar na vida.

Nas suas alegres reuniões e festas de convívio, não deixa de transmitir, aos filhos, as tradições das suas origens que enriquecem bastante a cultura popular de uma cidade cosmopolita, como é Lisboa.

- Como autoridade que é pelo que de muito conhece da história, dos usos e costumes das gentes de Lisboa, quais a seu ver os vestígios mais importantes da presença minhota na capital quer ao nível social quer ainda cultural?

- Apraz-me concluir que o povo minhoto, quer seja originário de Ponte de Lima ou de qualquer das cinquenta freguesias do concelho, é, por índole, trabalhador, honesto e inteligente.

Os homens e as mulheres que, no desabrochar da vida, emigraram para Lisboa, exerceram sempre as mais diversificadas profissões desde a indústria hoteleira ao sector do ensino, integrando-se naturalmente no ambiente social e cultural da cidade das ete colinas, criando e fortalecendo, ao longo dos anos, relações de amizade e de respeito.

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Quarta-feira, 21 de Maio de 2014
INATEL REALIZA EM LISBOA CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE TURISMO SOCIAL



publicado por Carlos Gomes às 22:22
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AMADORA PROMOVE WORKSHOP SOBRE ZOOARQUEOLOGIA

Realiza-se no próximo dia 31 de maio (sábado), no Núcleo Museográfico do Casal da Falagueira, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 17h00, um workshop sobre Introdução aos estudos zooarqueológicos, cujo programa se anexa.

Este será orientado por Nelson Almeida, Investigador com inúmero trabalho desenvolvido nesta área.

Destina-se, sobretudo, a estudantes de arqueologia, mas igualmente a todos os interessados nesta temática.

A participação é gratuita, limitada a 20 vagas.

WORSHOP “INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS ZOOARQUEOLÓGICOS”

31 de maio

10h00/13h00 e 14h00/17h00

Museu Municipal de Arqueologia/ Núcleo Museográfico do Casal da Falagueira

Programa1

Conceitos introdutórios I

1.1. Taxonomia e Anatomia

1.2. Idade de abate

1.3. Odontometria e Osteometria

1.4. Índices quantitativos

13h00-14h00 – Pausa para almoço

14h00-15h00

Conceitos introdutórios II

2.1. Indicadores tafonómicos de processamento e consumo

2.1.1. Marcas de corte

2.1.2. Fracturação vs fragmentação

2.1.3. Marcas de dentes

2.1.4. Termoalteração

2.2. Outros indicadores tafonómicos

2.2.1. Meteorização

2.2.2. Pisoteamento

2.2.3. Vermiculações

2.2.4. Abrasão hídrica

2.2.5. Processos químicos

Nelson Almeida

Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

Grupo Quaternário e Pré-História do Centro de Geociências

Instituto Terra e Memória

1Os diferentes tópicos serão, sempre que possível, acompanhados por uma componente prática.



publicado por Carlos Gomes às 14:31
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HISTÓRIA SIMPLES DE UM MINHOTO EXEMPLAR

O poeta Silva Nunes foi uma das figuras incontornáveis da cultura alfacinha e das marchas populares. Durante décadas a fio, escreveu as letras para a maior parte das marchas dos bairros lisboetas. Parafraseando outro poeta, Silva Nunes é o poeta que canta Lisboa sempre que Lisboa canta.

Desaparecido do nosso convívio em 18 de março de 1999, Lisboa não prestou ainda a devida homenagem àquele que foi um dos seus maiores bardos. Entretanto, recuperamos um dos escritos que, em 1991, teve a amabilidade de nos oferecer.

Poeta Silva Nunes

Na década dos anos 40, ainda em plena Guerra Mundial entre Alemães e Aliados, Lisboa acordava pacificamente com os pregões da “fava-rica”, da “vivinha da Costa” e do “carapau do Alto”…

As tabernas, de então, eram casas de bons vinhos, petiscos e locais de cavaqueira.

Foi num destes estabelecimentos incrustado no topo da rua do Socorro, ali para as bandas do Teatro Apolo, que encontrámos um minhoto de meia idade, residente na Capital desde os 14 anos.

Depois de trabalho penoso em carvoarias e casas de pasto, tomara, por trespasse, a taberna onde a sua esposa trabalhava na cozinha.

Todos tratavam-nos por Ti-Zé. Era flexível nas palavras, lhano no trato e tinha como principio respeitar para ser respeitado.

A clientela era diversificada: lembra-nos ter visto por lá o jornalista Sanze Vieira; os poetas da antologia do fado Carlos Conde e Francisco Radamanto; guitarristas; cultivadores do fado; pessoal do Hospital de S. José; ciganos e mulheres da noite.

Na azáfama do balcão, o Ti-Zé tinha sempre na boca um vocabulário acolhedor, e por vezes, doseado de filosofia.

Numa tarde, abeirou-se dele uma infeliz mulher da noite que, em surdina, lhe pediu um “papo-seco” com presunto e meio copo de vinho branco com um pirolito, dizendo ainda que, no momento, não tinha dinheiro…

Como se tratasse de qualquer outro cliente, serviu o “papo-seco” num pires e a bebida.

Depois de comer retirou-se, dizendo: obrigado, até logo.

Um freguês atento ao diálogo, interrogou o proprietário:

- O senhor não aponta a despesa?... olhe que ela nunca mais cá põe os pés.

E o Ti-Zé respondeu, de pronto:

- Não faz mal. Pagam os que podem para os que precisam.

Era assim o minhoto com quem contactámos há meio século atrás.

A dominante tónica das suas palavras lembrava-nos um pensamento de Robert Raynolds – “amar não é ganhar, nem perder mas ajudar e ser ajudado”.

Por vezes falava do poeta Gabriel Marujo que imortalizara, numa cantiga, a Rosa maria da rua do Capelão…

Para competir com o “bacalhau assado” do “Quebra-Bilhas” com as “tripas à moda do porto”, do “Palmeiras” e com outras casas com cardápios de especialidades, tinha sempre bom presunto, rojões conservados na banha, pataniscas e caracóis.

No Dia de S. Martinho engalanava a porta da sua “taberna” com uma palma aberta em arco e oferecia aos clientes habituais um copinho de “água-pé” com duas castanhas cozidas.

Pelo Natal, brindava os fregueses com um copinho de “abafado” e uma fatia de “Bolo-Rei”.

…….

Estavamos em 1945, a II Guerra Mundial havia terminado com a derrota incondicional da Alemanha…

A Humanidade chorava os seus mortos…

Num passeio pela Baixa Pombalina, pensámos ir beber um refresco à taberna do Ti-Zé: três homens, encostados ao balcão, profectizavam o futuro do Mundo após a guerra…

Ao balcão, de barba crescida, olhar triste e camisa negra, atendeu-nos, como se fossemos um estranho.

Já não tinha os mesmos petiscos, as suas palavras eram soletradas com amargura. Tinha falecido a mulher que o ajudara nas horas boas e más na grande batalha da vida…

Meses depois, alguém nos disse que “A Taberna do Ti-Zé” tinha encerrado as portas para sempre…

Meditando nos caminhos e descaminhos da vida, o poeta retratou, à sua maneira, a última noite de Natal na “Taberna do Ti-Zé:

              NATAL DOS FALA-SÓS

              Naquela tasca velhinha

              É tudo tão natural

              Que há consoada de vinho

              P’rós que não têm Natal!...

 

              Entram ali marginais,

              Mulher’s nocturnas, profectas,

              Contrabandistas, malandros,

              Alguns doutor’s e poetas…

 

              Ao lado do escaparate,

              Num calendário velhinho

              Está uma mulher nua

              P’ra abrir apetite… ao vinho.

              E por dentro do balcão,

              Um taberneiro, sem par,

              Mostra um sorriso nos lábios

              Com vontade de chorar…

 

              Entram ali marginais,

              Mulher’s nocturnas, profectas,

              Contrabandistas, malandros,

              Alguns doutor’s e poetas…

 

              Bebem todos p’ra esquecer;

              - Tipo rasca, tipo fino…

              São os fala-sós da vida

              Na lixeira do destino!

              Vencidos pelo Deus baco,

              Na hora da consoada,

              Partem os copos no chão,

              Falam de tudo e de nada…

 

              Entram ali marginais,

              Mulher’s nocturnas, profectas,

              Contrabandistas, malandros,

              Alguns doutor’s e poetas…

 

              Quando a noite já vai longa,

              Os fregueses vão p’rá rua

              E agarrados uns aos outros

              Atiram pedras à Lua!...

Silva Nunes

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Terça-feira, 20 de Maio de 2014
FEIRA DE MAIO NA MOITA FAZ 100 ANOS



publicado por Carlos Gomes às 22:09
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O TERRAÇO DAS TERCENAS DO MARQUÊS

A imagem data de 1858 e mostra uma vista panorâmica do terraço das tercenas do Marquês, em Lisboa, junto à avenida 24 de Julho, perto da Rocha Conde d’Óbidos, cujo tema já foi aqui abordado e pode ser lido em http://bloguedelisboa.blogs.sapo.pt/as-tercenas-do-marques-e-o-palacio-28306

A foto pertence ao Centro Português de Fotografia que a adquiriu a Francisco José de Brito Belchior.

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publicado por Carlos Gomes às 00:24
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LOURES RECEBE ENCONTRO DE CULTURAS TRADICIONAIS

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publicado por Carlos Gomes às 00:11
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GRUPO DE FOLCLORE DAS TERRAS DA NÓBREGA FAZ A SUA PRIMEIRA APARIÇÃO PÚBLICA NO PRÓXIMO DIA 24 DE MAIO EM QUEIJAS

É já no próximo dia 24 de Maio que o Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega vai levar a cabo a sua primeira apresentação pública com a realização de uma Mostra de Folclore na qual participarão mais três agrupamentos de Folclore que apadrinharão a sua estreia. A iniciativa terá lugar no Largo do Mercado Municipal de Queijas, nos arredores de Lisboa.

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Fundado há cerca de um ano, e após longos meses de trabalho e preparação, o Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega é o mais jovem agrupamento folclórico minhoto surgido em Lisboa. E, para quem conhece o trabalho anteriormente desenvolvido pelos seus responsáveis no domínio do folclore, sabe de antemão que estaremos perante um trabalho honesto e de rigor cujo sucesso está à partida garantido.

Conforme afirmou ao BLOGUE DO MINHO o Dr. José Artur Brito, Presidente da Direcção e Director-Técnico deste novo agrupamento, “O Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega, tal como o nome indica, representará o Folclore e a Etnografia das Terras da Nóbrega”, esclarecendo que “Etno-folcloricamente falando, as comunidades das Terras da Nóbrega, hoje em dia representadas por freguesias pertencentes ao Concelhos de Ponte da Barca, Arcos de Valdevez, Ponte de Lima e Vila Verde, viviam entre a Serra e o Rio e partilhavam um estilo de vida e vivência social comuns o que faz desta extensa área de território minhoto peculiar na sua forma de trajar, de cantar e de ser Povo”.

Ainda, segundo aquele responsável, as Terras da Nóbrega constituem “uma região povoada já desde tempos imemoriais, na sua maioria representadas geograficamente pelo atual Concelho de Ponte da Barca, no nordeste da Província do Minho. Originalmente chamada de “Annofrica”, uma das 30 paróquias em que a Arquidiocese de Braga foi dividida pelo Concílio de Lugo em 569 AD, as Terras da Nóbrega eram delimitadas, como a maioria dos Coutos e Circunscrições Territoriais em que Portugal se encontrava dividido na Idade Média, por acidentes geográficos. Tendo o Rio Lima a percorrer em toda a sua extensão, as Terras da Nóbrega eram assim delimitadas pelas Serras Amarela e do Soajo, a norte e nordeste, e pela Serra de Oural, a sul.”

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Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega

Mostra de Folclore para Apresentação Pública do Grupo

24 de Maio de 2014 – Largo do Mercado Municipal de Queijas

PROGRAMA

15.00h – Chegada dos Grupos participantes e Entidades convidadas a Queijas

16.00h – Recepção na Delegação da Junta de Freguesia da União de Freguesias de Carnaxide e Queijas – Apresentação de Cumprimentos e Troca de Lembranças 

Discursos: Doutor José Artur Brito – Presidente da Direcção do GFTN

Fernando Ferreira – Presidente da Federação do Folclore Português

Dr.ª Sofia Tomaz – Coordenadora do Núcleo de Etnografia da Fundação INATEL

Jorge de Vilhena – Presidente da Junta de Freguesia da União de Freguesias de Carnaxide e Queijas 

16.45h – Pequeno desfile etnográfico pelas Ruas da freguesia

17.00h – Atuação dos Grupos participantes:

- Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega (Alto Minho Interior)

- Associação Cultural e Etnográfica “Gentes de Almeirim” (Ribatejo)

- Grupo Folclórico de São Torcato (Baixo Minho Ave – Guimarães)

- Rancho Folclórico e Etnográfico de Ponte da Barca (Alto Minho Interior)

19.30h – Jantar-convívio com todos os Grupos e Convidados



publicado por Carlos Gomes às 00:00
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Segunda-feira, 19 de Maio de 2014
PARTIDA SIMBÓLICA DA CIDADE-BERÇO: CICLOTURISTA LISBOETA INICIA ESTA TERÇA-FEIRA EM GUIMARÃES VOLTA AO MUNDO EM BICICLETA

Viagem deve demorar oito anos. Partida está marcada para as 10 horas, junto à estátua do Rei D. Afonso Henriques.

Hernâni Cardoso, de 53 anos, residente em Lisboa, vai iniciar esta terça-feira, 20 de maio, uma volta ao Mundo em bicicleta, partindo de Guimarães com o objetivo de homenagear os navegadores portugueses, visitando e documentando legados materiais e imateriais deixados pelos portugueses no Mundo.

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O início da viagem está marcado para as 10 horas, junto à estátua do Rei D. Afonso Henriques, na Colina Sagrada. A sua primeira etapa tem por objetivo devolver a bicicleta a Eric Feng, um cicloturista de nacionalidade chinesa que veio a Portugal, desde Kunming ao Cabo da Roca, para homenagear o Infante D. Henrique e o navegador chinês Zheng He. A viagem foi interrompida em Sines, pelo facto de ter ficado sem a bicicleta, entretanto encontrada pela GNR algarvia.

Hernâni Cardoso e Eric Feng combinaram que o primeiro iria iniciar a volta ao Mundo com a bicicleta dele até à China e daí em diante com a sua própria bicicleta. Por Guimarães ser o Berço da Nacionalidade, o cicloturista português, num ato simbólico, irá principiar a viagem junto à estátua do Rei fundador.

Hernâni Cardoso percorrerá, depois, algumas cidades e vilas onde nasceram influentes navegadores como Cuba (Cristóvão Colombo), Belmonte (Pedro Álvares Cabral - Brasil), Freixo de Espada a Cinta (Jorge Álvares - China), Sabrosa (Fernão Magalhães), Porto (Infante D. Henrique), Angra do Heroísmo (João Corte Real - Terra Nova), Porto Santo (casa onde viveu Colombo) e Canárias, numa visita à casa de José de Saramago. O cicloturista português prevê que a volta ao Mundo em bicicleta demore oito anos.


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publicado por Carlos Gomes às 22:45
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CERVEIRENSES EM LISBOA PARTICIPAM NA FESTA DAS REGIÕES

A Casa Cerveirense em Lisboa vai marcar presença na festa das coletividades e das regiões, a decorrer nos dias 31 de maio e 01 de junho, na Alameda D Afonso Henriques, em Lisboa. Dar a conhecer a riqueza de Cerveira e os cerveirenses é o objetivo.

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Durante os dois dias do evento, a Casa Cerveirense vai dispor de uma tasquinha representativa de Vila Nova de Cerveira e, no sábado à tarde, 31 de maio, está prevista a atuação de um rancho folclórico.

Á semelhança de outros certames e iniciativas, a Casa Cerveirense em Lisboa pretende representar Cerveira e os cerveirenses em geral, através da promoção do património cultural e natural existente no concelho.

O presidente do executivo cerveirense mostra-se particularmente satisfeito com o contributo inestimável que esta Casa tem dado ao concelho, através da mobilização e promoção do que de melhor tem Cerveira. Fernando Nogueira enaltece ainda o desempenho da direção e associados ao longo destes anos.

Atualmente dirigida por Beatriz Gameiro, a Casa Cerveirense foi fundada por cerveirenses residentes em Lisboa e no concelho, com o intuito de fomentar o associativismo e o convívio, inclusive entre as gerações mais novas, preservando a cultura e os valores da comunidade cerveirense.

O evento conta com o apoio do Município de Lisboa e das juntas de freguesia dos Anjos, Arieiro, Arroios e Penha de França. A autarquia cerveirense também colaborará na promoção do concelho durante esta festa.


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publicado por Carlos Gomes às 22:04
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FOLCLORE JUNTA MINHOTOS EM LISBOA



publicado por Carlos Gomes às 14:18
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QUANDO VAI LISBOA PRESTAR A DEVIDA HOMENAGEM A D. NUNO ÁLVARES PEREIRA?

O pedestal que, em Lisboa, estava destinado à estátua do Santo Condestável, foi destruído e transformado num amontoado de calhaus. Trata-se agora de uma alegada obra escultórica que dizem em homenagem ao 25 de abril, existente ao cimo do Parque Eduardo VII e em relação à qual os lisboetas batizaram de “pirilau”. Entretanto, D. Nuno Álvares Pereira continua sem que a capital do país se lembre de prestar-lhe a devida homenagem, erguendo-lhe uma estátua numa das suas praças apesar da sua canonização recente e ainda de, ao que tudo indica, a referida estátua se encontrar construída desde 1946.

A este propósito, em 17 de dezembro de 1946, o deputado Salvador Teixeira proferiu na Assembleia Nacional a seguinte intervenção:

“Sr. Presidente: li, com sincero júbilo, no Diário da Manhã que estavam em execução as estátuas dos navegadores portugueses Gonçalves/arco, Gil Enes, Nuno Tristão, Pedro da Sintra, João de Santarém, Diogo Cio, Pêro de Alenquer. Nicolau Coelho, Gaspar Corte-Real, António de Abreu e Pedro Escobar, destinadas ao futuro plano urbanístico da zona da Torre de Belém, e outras estátuas, como as de D. Dinis e D. João III para a cidade de Coimbra e de D. Nuno Alvares Pereira, D. João I e D. João II para a cidade de Lisboa, estas em locais a estudar com a Câmara Municipal.

Confesso o meu contentamento por esta iniciativa, que é expressão da política de espírito, e que vem dar-nos unia grande lição, lição que é o reconhecimento da dívida que temos para com todos os construtores do Império; e digo simplesmente reconhecimento porque o pagamento dessa dívida impende sobre a nossa geração o sobre as futuras, que têm sobre si o imperativo dever de trabalhar afincadamente pelo engrandecimento espiritual da Nação e assegurar a sua eternidade.

E porque é assim, e porque tive a honra, de já nesta sala por duas vezes me dirigir ao Governo solicitando que a estátua a Nuno Alvares Pereira fosse erigida na capital do Império, deixo aqui o testemunho do meu reconhecimento a S. Exª. o Ministro das Obras Públicas e Comunicações, engenheiro Cancela de Abreu, que foi ilustre membro desta Câmara e, de uma maneira geral, ao Governo, reconhecimento que é muito vivo como manifestação de aplauso à política de espírito.

Porém, à semelhança do que sucedeu com o próprio Parque Eduardo VII cujos planos nunca chegaram a ficar concluídos, também o monumento a erigir ao foi envolvido em polémica, a saber se o Santo Condestável deveria ser representado a pé ou a cavalo... e assim permaneceu o pedestal durante muitos anosa aguardar a colocação da estátua!

Decorrida meia dúzia de anos, o deputado Salvador Teixeira volta a intervir na Assembleia Nacional, proferindo na sessão de 18 de abril de 1952 as seguintes palavras:

“Sr. Presidente: terminado há muito o fragor da rija peleja travada nesta lídima representação nacional, na imprensa e na opinião pública, entre os partidários da representação equestre e da pedestre, para a estátua a erigir na capital do Império ao Santo Condestável, esbateram-se já mesmo os ecos desse vivíssimo prélio, de que não perdura mais do que o sentido alto da divida - ou, melhor, do seu reconhecimento- que permanece aberta para com aquele que, à parte raros topónimos em muito raros agregados populacionais, apenas, possui, do meu conhecimento, um modesto, mas notável, monumento, cuja fotografia tenho aqui presente e à disposição dos Srs. Deputados, lá para as bandas do planalto geresiano, em Salto, e um pequenino obelisco, a sul do Reboludo, na cerca do Colégio das Missões Ultramarinas em Cernache do Bonjardim, com a seguinte legenda:

«Local em que existiam os Paços do Bomjardim Solar da Família de Nuno Alvares Pereira que aqui nasceu em 24 de Junho de 1360»

Em Lisboa há muito tempo que, no alto do Parque de Eduardo VII, em frente ao local destinado ao Palácio da Cidade, se encontra, triste e esquecido, guardado à vista por duas altas colunas, o pedestal destinado à estátua do Herói.

Dar-se-á o caso de ir repetir-se a demora havida para a conclusão dos monumentos que foram acabados de erigir pelo Estado Novo nos topos das Avenidas da Liberdade e da República?

Ou, como dizia há bastantes meses ao microfone da Rádio Renascença, o intemerato lutador Zusarte de Mendonça: «foi abandonada a ideia dessa homenagem, que todos os bons e sinceros nacionalistas reclamam como imperioso dever da Pátria a uma das suas mais gloriosas figuras»?

Não quero acreditar que possa ser afirmativa a resposta a qualquer destas perguntas.

Porque assim é, e porque várias vezes e desde há bastantes anos, venho tratando deste assunto nesta Assembleia, apelo para o Governo, mais uma vez e sempre confiante, no sentido de que este, por si ou pela Câmara Municipal de Lisboa, rapidamente efetive a conclusão e a inauguração do monumento e que nessa ocasião se faça uma romagem patriótica ao local onde nasceu o Herói e Santo, local que deve ficar assinalado por forma adequada.”

- É altura de Portugal prestar a homenagem que é devida a São Nuno Álvares Pereira erguendo-lhe um monumento condigno numa das praças mais emblemáticas da capital, porventura no local que lhe estava originalmente destinado ao cimo do Parque Eduardo VII, virado para o rio Tejo e o Convento do Carmo onde passou os seus últimos dias e foi sepultado!



publicado por Carlos Gomes às 00:00
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Domingo, 18 de Maio de 2014
MINHOTOS REALIZAM EM LISBOA FESTIVAL INTERNACIONAL DE FOLCLORE

Festival de Folclore Cidade de Lisboa já é um festival internacional

Ao fim de 34 anos de atividade, o Grupo Etnográfico Danças e Cantares do Minho acaba de internacionalizar o seu festival de folclore que, com 33 edições consecutivas, constitui um espetáculo já consagrado na capital do país – o Festival de Folclore Cidade de Lisboa. A participação estrangeira era oriunda de Euskadi, vulgo País Basco. Desse modo, este tornou-se o primeiro festival de folclore organizado pelos minhotos em Lisboa a adquirir caráter internacional.

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Perto de um milhar de pessoas afluiu hoje à Escola José Gomes Ferreira, em Benfica, para assistir ao 33º Festival de Folclore Cidade de Lisboa. Do Douro Litoral veio o Rancho Regional de S. Salvador de Folgosa, da Maia. Da Beira Baixa o Rancho Regional de Silvares, do Fundão. Da Alta Estremadura, o Grupo Etnográfico Danças e Cantares da Nazaré e, de Euskadi, o Grupo Korosti, proveniente de Legazpi, da vascongada de Guipúzkoa.

Todos os grupos participantes proporcionaram ao público um magnífico e digno espetáculo de folclore, revelando elevada qualidade na sua representatividade, na forma de trajar, na atitude em plena atuação e fora dela. E, de outra forma não seria de esperar, porquanto a entidade organizadora do festival – o Grupo Etnográfico Danças e Cantares do Minho – já nos habituou a uma seleção rigorosa dos grupos que habitualmente convida para o seu festival. E, qual cereja a encimar o bolo de aniversário do grupo anfitrião, o Grupo Korosti brindou a assistência com as danças tradicionais vascas, o zortziko e o aurresku ao som do txistulai (tocador de flauta), atuações que surpreenderam e arrancaram o aplauso entusiástico do público.

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A Guipúzkoa cuja capital é Donostia (San Sebastian) constitui uma das três províncias bascas (vascongadas) sob administração de Espanha, sem considerar a Comunidade de Navarra (Nafarroa, em euskera). Embora a sua origem ainda permaneça desconhecida, os estudiosos do idioma basco, o euskera, vêm defendendo que o mesmo deriva da antiga língua ibera.

Constituído em 16 de maio de 1980, o Grupo Etnográfico Danças e Cantares do Minho é porventura o mais antigo agrupamento folclórico minhoto existente na região de Lisboa. Este grupo é formado predominantemente por minhotos radicados na capital e tem como objetivos recolher, preservar e divulgar a cultura tradicional minhota.

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Ao longo da sua existência, o Grupo Etnográfico Danças e Cantares do Minho tem levado o folclore minhoto a todo o país e ainda a números países como Espanha, França, Alemanha, Polónia, Hungria, Holanda, Marrocos, Brasil, Eslováquia, Lituânia, Turquia, Malta e Japão onde, aliás, participou nas comemorações dos 450 anos da chegada dos Portugueses àquele país.

Este Grupo tem o apoio técnico da Federação do Folclore Português, está também inscrito no INATEL, na Federação Portuguesa das Coletividades de Cultura e Recreio e preside atualmente à “Associação do Distrito de Lisboa para Defesa da Cultura Tradicional Portuguesa”. Encontra-se sediado na Junta de Freguesia de Benfica em Lisboa, cidade onde todos os anos organiza o festival de folclore “Cidade de Lisboa”.

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publicado por Carlos Gomes às 22:08
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PORTUGUESES CELEBRAM PORTUGAL NA ALEMANHA

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publicado por Carlos Gomes às 00:28
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CONVENTO DOS CARDAES RECEBE CONCERTO DE LES VOCALISTES ROMANDS


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Sábado, 17 de Maio de 2014
QUEIJAS REALIZA FEIRA DO BRINQUEDO



publicado por Carlos Gomes às 21:03
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RÁDIO SIM DÁ BAILE NO JARDIM DA ESTRELA

O Jardim da Estrela, em Lisboa, será novamente o palco do “Sim, Bailo”, evento destinado ao público sénior e não só. “Sim, Bailo regressa ao Jardim da Estrela este domingo, dia 18 de Maio, das 15h às 19h, proporcionando uma tarde com música e dança ao som da banda “Carapaus, Azeite e Alho”. E você vai lá estar? Aceita o convite? Espero por si domingo no Jardim da Estrela. Carlos Lopes

O evento, cuja entrada é gratuita, resulta de uma organização conjunta da Rádio Sim, Corega e Câmara Municipal de Lisboa.

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publicado por Carlos Gomes às 13:38
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MERCADO DA PRAÇA DA FIGUEIRA NOS FINAIS DO SÉCULO XIX

A imagem mostra o mercado da Praça da Figueira, no lado da rua da Betesga, em Lisboa, nos finais do século XIX. A foto pertence ao Centro Português de Fotografia.



publicado por Carlos Gomes às 12:11
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ARGANILENSES FORAM LEITEIROS EM LISBOA

Pela sua localização geográfica e a importância histórica que teve no contacto com diferentes povos e culturas, nomeadamente na época dos Descobrimentos, Lisboa constituiu desde sempre uma cidade cosmopolita, talvez mesmo aquela que algum dia logrou colocar em contacto maior número de gentes das mais diversas origens e promover a sua convivência pacífica.

Muitos dos seus hábitos e formas de comunicação foram progressivamente assimilados pela nossa própria cultura e dela fazem atualmente parte como se jamais tivessem deixado de lhe pertencer. O mesmo sucede com as gentes que das mais diversas regiões do país afluíram um dia à grande cidade na esperança de alcançarem melhores condições de vida.

O crescimento da indústria nos finais do século dezanove atraiu grandes levas de pessoas que desse modo fugiam à miséria e ao empobrecimento dos campos, transformando-se rudes agricultores em operários disciplinados que passaram a engrossar o numeroso exército de mão-de-obra que as fábricas então exigiam. Durante algum tempo, muitos deles ainda conservaram alguns hábitos que consigo traziam dos trabalhos da lavoura como o costume de cantar enquanto produziam. Porém, depressa o ruído infernal das máquinas os amordaçou, submetendo-os a uma escravatura que não apenas lhes sugava o suor como embrutecia a alma.

Mas, em conformidade com as suas origens, muitos dos novos lisboetas passaram a exercer outros ofícios e atividades que, pese embora a dureza da vida a que se sujeitavam, não se sentiam esmagados sob a força impiedosa das máquinas. Era o que se verificava com as gentes da região de Arganil e concelhos vizinhos da zona serrana da Beira Litoral.

Os arganilenses sentiram desde sempre uma particular propensão para as atividades ligadas à produção do leite. Eram eles quem percorria a cidade com as suas vasilhas leiteiras e, ao assomar à entrada dos prédios, atirava o pregão.

- Leiteiro !!!

Com efeito, o leite foi durante muito tempo distribuído avulso, de porta em porta, medido à frente das donas-de-casa ou das criadas de servir. Por vezes, também vendiam manteiga cuja produção lhe está associada. Mas, o leite passou a ser engarrafado e a figura do leiteiro foi desaparecendo

Antes, porém, a distribuição de leite ao domicílio era feita na verdadeira aceção do termo. O leiteiro percorria a cidade levando consigo o animal e, a pedido, procedia à recolha do leite no mesmo instante em que servia o cliente, sem necessidade de pasteurizar ou introduzir quaisquer ingredientes que os modernos processos de produção exigem. Como é evidente, apesar do seu carácter pitoresco, o passeio de animais pela cidade nunca foi muito recomendável para a conservação da higiene pública

A esse tempo existiam também os lactários que eram escolas e jardins-de-infância especialmente destinados às crianças mais desfavorecidas. E, tal como o nome indica, dispunham de estábulos onde eram criadas vacas leiteiras que asseguravam o fornecimento de tão precioso alimento considerado indispensável ao crescimento saudável das crianças.

Com o decorrer do tempo, muitas profissões foram desaparecendo. Mas os arganilenses ficaram. Deixaram de percorrer as ruas da cidade com os seus animais e as vasilhas leiteiras fazendo distribuição ao domicílio. Fizeram aquilo que agora é usual designar-se por “reconversão profissional”: tornaram-se nos conceituados pasteleiros e confeiteiros de Lisboa!

Calos Gomes / http://www.folclore-online.com/

Fotos: Arqvo Municipal de Lisboa

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O leiteiro passando na Praça da Estrela, em Lisboa, às primeiras horas da manhã. A foto é de 1918.

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O leite era recolhido no momento em que o cliente era servido.

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Venda de leite ao domicílio, no início do século XX, em Lisboa


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publicado por Carlos Gomes às 00:00
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Sexta-feira, 16 de Maio de 2014
MUSEU BORDALO PINHEIRO COMEMORA DIA INTERNACIONAL DOS MUSEUS

Museu Bordalo - programa dia dos Museus

No fim-de-semana em que comemoramos o Dia Internacional dos Museus, aceite as nossas propostas Bordalianas:

- A exposição temática Bordalo à Mesa, com as visitas guiadas Comes com Bordalo e Bebes com Bordalo, várias vezes no sábado e domingo, com serviços educativos, para deixar as crianças;

- A nova exposição temporária Fata Morgana - Uma miragem bordaliana de Andreia Tocha, no sábado a partir das 9 da noite, e fique depois no espaço lounge;

- Já que o tema é Bordalo à Mesa, no domingo temos um show cooking (com o Radisson Blu Hotel).

- Havia também o workshop de papel marmoreado, mas já esgotou...

Confira tudo no programa


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publicado por Carlos Gomes às 17:40
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O RIO TEJO, A LENDA DE SANTA IRIA E NÁBIA, DEUSA DOS RIOS E DA ÁGUA

Qual reminiscência do período visigótico, a crença pagã em Nábia – ou Nabanus – viria a dar origem na famosa lenda de Santa Iria – ou Santa Irene – cujo corpo, após o seu martírio, ficou depositado nas areias do rio Tejo junto às quais se ergueram vários locais de culto, tendo inclusive dado origem a alguns topónimos como a Póvoa de Santa Iria e, com a introdução do Cristianismo, a atribuição do seu nome à antiga Scallabis, a atual cidade de Santarém. É, pois, no rio Tejo que desaguam as águas do rio Zêzere após as ter recebido do rio Nabão cujo nome advém da deusa Nábia, deusa dos rios e da água.

Quando ocuparam a Península Ibérica à qual deram o nome de Hispânia, os romanos que à época ainda não se haviam convertido ao Cristianismo, adotaram as divindades indígenas e ampliaram o seu panteão, apenas convertendo o nome de Nábia para Nabanus, tal como antes haviam feito com os deuses da antiga Grécia.

Conta a lenda que Iria – ou Irene – nascera em Nabância, uma villae romana próxima de Sellium, a atual cidade de Tomar. Oriunda de uma família abastada, Iria veio a receber educação esmerada num mosteiro de monjas beneditinas, o qual era governado pelo seu tio, o Abade Sélio.

Dotada de beleza e inteligência, a jovem Iria atraía as atenções sobretudo dos fidalgos que disputavam entre si as suas atenções. Contava-se entre eles o jovem Britaldo que por ela alimentou uma enorme paixão. Contudo, Iria entregava-se a Deus e recusava as suas investidas amorosas.

Roído de ciúmes pela paixão de Britaldo, o monge Remígio que era o diretor espiritual de Iria, deu a beber a Iria uma mistela que lhe provocou no corpo a aparência de gravidez, provocando desse modo a sua expulsão do convento, levando-a a procurar refúgio junto do rio Nabão. Britaldo, a que entretanto chegara os rumores do ocorrido, movido por despeito, ordenou a um servo o seu assassínio.

Atirado ao rio Nabão cujas águas correm para o rio Zêzere, o corpo da mártir Iria ficou depositado nas areias do rio Tejo, aí permanecendo incorruptível para a eternidade, tendo o seu culto sido muito popular sobretudo no período do domínio visigótico.

Do nome de Irene – Santa Iria – tomou a antiga Scallabis romana o nome passando a denominar-se de Sancta Irene, daí derivando a atual designação de Santarém. Da mesma maneira que, para além de assinalar um acidente orográfico, a designação toponímica Cova da Iria deverá ter a sua origem no referido culto a Santa Iria, porventura já sob o rito moçárabe ou seja, cristão sob o domínio muçulmano embora adotando aspetos da cultura árabe.

A lenda de Santa Iria e o relacionamento com o local onde nascera ou seja, a villae romana de Nabância, remete-nos ainda para o culto de Nabia, a deusa dos rios e da água, uma das divindades mais veneradas na antiguidade na faixa ocidental da Península Ibérica ou seja, a área que atualmente corresponde a Portugal e à Galiza.

Com efeito, durante o período que antecedeu à ocupação romana, a deusa Nábia era celebrada pelos povos autóctones, tendo o seu nome sido atribuído a diversos rios como sucede com o Navia, na Galiza e o Neiva e o Nabão em Portugal. Inscrições epigráficas como as da Fonte do Ídolo, em Braga e a de Marecos, em Penafiel, atestam-nos a antiga devoção dos nossos ancestrais à deusa Nábia.

Quando ocuparam a Península Ibérica à qual deram o nome de Hispânia, os romanos que à época não se haviam convertido ainda ao Cristianismo, adotaram as divindades indígenas e ampliaram o seu panteão, apenas convertendo o nome de Nábia para Nabanus, tal como antes haviam feito com os deuses da antiga Grécia.

Qual reminiscência de antigas crenças, o culto pagão à deusa Nábia – ou Nabanus – veio a dar origem à famosa lenda de Santa Iria – ou Santa Irene – cuja invocação é particularmente celebrada em Tomar, cidade banhada pelo rio Nabão.



publicado por Carlos Gomes às 00:01
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Quinta-feira, 15 de Maio de 2014
TRAFARIA: UMA TERRA PISCATÓRIA EM DECLÍNIO

O estudo da geologia revela-nos que o rio Tejo corria mais a sul indo desaguar aproximadamente no local que atualmente se designa por Lagoa de Albufeira, perto de Sesimbra. Lentamente, foi alterando o seu percurso até formar um delta e, finalmente, formar a sua foz junto ao Bugio, a pouca distância de Lisboa. Deveu-se naturalmente tal alteração à falha sísmica aí existente e que, nos começos do século XX, levou à destruição da povoação de Benavente.

Trafaria (11)

Na margem esquerda a que os lisboetas se acostumaram a designar por “outra banda”, entre o Bico da Calha e o Portinho da Costa, surgiu um pequeno núcleo piscatório que desde sempre viveu dos recursos que o mar proporcionava e, sobretudo, da apanha da amêijoa com gadanha e gingarelho. Com vista para a zona de Belém, é aqui que, no sítio designado por Cova do Vapor, o rio Tejo se junta ao oceano Atlântico.

Com o objetivo de fixar as dunas e enxugar as terras pantanosas, o Estado promoveu há décadas a plantação de um pinhal entre a Trafaria e a Costa da Caparica, levando quase ao fecho da golada do Bugio. Porém, o prolongamento da zona urbana e a construção de edifícios e equipamentos fizeram desaparecer aquela área florestal, com resultados que foram conhecidos e bastante divulgados através dos órgãos de comunicação social, concretamente o avanço do mar para terra firme, situação que foi remediada com o despejo de toneladas de inertes. De resto, já na década de cinquenta do século passado se verificaram grandes alterações da linha de costa, tendo os habitantes da Cova do Vapor sido forçados a desmontar as suas habitações em madeira e transferirem-nas para locais mais seguros.

Apesar da situação privilegiada em que se encontra, a sua população nunca foi além de 7 mil habitantes. Como é tradição nas povoações piscatórias e à semelhança da generalidade dos pescadores, os trafarienses têm S. Pedro como padroeiro da sua terra. Porém, tem vindo a entrar em franco declínio, bem patente no acentuado estado de degradação da sua construção, cifrando-se atualmente a sua população em pouco mais de 5 mil habitantes. Alguns lisboetas conservam ainda o velho hábito de atravessarem o rio de barco para irem almoçar à Trafaria, apreciar as suas caldeiradas nos restaurantes que se apinham junto à praia.

Aninhada junto à praia, a Trafaria encontra-se abrigada pela encosta onde subsiste o pinhal e na Alpena e Raposeira alinhavam as fortificações defensivas da linha de costa entretanto desativadas. Nas imediações, também banhadas pelo rio, vamos ainda encontrar o Porto Brandão e o Portinho da Costa com o seu cais militar que serve de apoio aos navios da OTAN. Uma pequena lota de peixe funciona sem grandes condições junto à praia e os navios atracam junto aos silos que ensombram a pequena vila que já foi um dos mais pitorescos aglomerados piscatórios do rio Tejo.

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ALCOCHETE REALIZA FESTIVAL DE FOLCLORE EM FONTE DA SENHORA



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Quarta-feira, 14 de Maio de 2014
MISSIONÁRIOS DA CONSOLATA ORGANIZAM PEREGRINAÇÃO A SANTIAGO DE COMPOSTELA



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CONCELHO DA MOITA VAI AOS FADOS


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Terça-feira, 13 de Maio de 2014
HÁ 88 ANOS, TROPAS VINDAS DO NORTE ACAMPARAM ÀS PORTAS DE LISBOA

A imagem mostra as forças militares lideradas pelo General Gomes da Costa, sublevadas em Braga em 28 de maio de 1926, acampadas junto ao rio Trancão, em Sacavém, antes do seu avanço sobre Lisboa.

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Este golpe militar, também designado por “Revolução Nacional”, instaurou uma ditadura militar que acabou por colocar termo á Primeira República e abrir caminho à construção do Estado Novo que haveria de perdurar até ao 25 de abril de 1974. Na sua origem encontrava-se a profunda crise económica e financeira em que o país se encontrava, a desordem social, a corrupção e a permanente instabilidade política causada pelas disputas partidárias.

Qualquer semelhança com a atualidade é mera coincidência!

A foto pertence à Fundação Mário Soares.



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AS TERCENAS DO MARQUÊS E O PALÁCIO POMBAL

No sítio onde atualmente existe a avenida 24 de julho foram, até aos finais do século XIX, as chamadas “Tercenas de José António Pereira” ou “Tercenas do Marquês”, assim designadas por se tratar de um local onde se cuidavam das embarcações e havia armazéns para guardar aprestos. Após a construção do aterro, esta área passou a compreender a Travessa José António Pereira e o Beco da Galheta, constituindo provavelmente este último topónimo uma corruptela de calheta que constitui um sítio propício para encalhar os barcos. Este local era portanto, outrora banhado pelas águas do rio Tejo.

A Travessa de José António Pereira recorda-nos um abastado comerciante que foi um grande armador e proprietário de roças em S. Tomé, importador de café e outros géneros, tendo vivido no Palacete Pombal, na rua das Janelas Verdes, onde em meados do século passado funcionou o Colégio Infante Santo.

José António Pereira veio a falecer em 1817 e, por volta de 1950, o palácio foi vendido ao comerciante Joaquim José Fernandes. Este tinha uma filha de nome D. Maria do Carmo Fernandes que era dama honorária da Rainha D. Amélia e casou em 1873 com António de Carvalho Melo e Daun de Albuquerque e Lorena, que veio a ser o 6º Marquês de Pombal, derivando daí a identificação do palácio e do próprio local como “Tercena do Marquês”.

Curiosamente, o brasão que o palácio ostenta está mal produzido uma vez que apresenta uma estrela de cinco pontas quando a heráldica correspondente aos Carvalhos apresenta uma estrela de oito pontas.

Os terraços do palácio foram construídos sobre o aterro e ligados entre si por passagens apoiadas em arcaria sobre as ruelas ali existentes. Num desses arcos existe uma lápide com a inscrição “Joze Antonio Pereira. Abril de 1805”. Na fachada de um armazém existente na avenida 24 de julho, outra lápide menciona” Caes de Joze Antonio Pereira de 1801”.

No âmbito do projeto “AfricaCont” que resulta de uma parceria entre o extinto Ministério da Cultura, a Câmara Municipal de Lisboa e a Fundação Calouste Gulbenkian, está prevista a reabilitação, reconversão e adaptação a equipamento cultural de um conjunto de edifícios existentes neste local.

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