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Terça-feira, 11 de Julho de 2017
MUNICÍPIO DE LISBOA EVOCA ARQUITECTO VENTURA TERRA

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publicado por Carlos Gomes às 10:31
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Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2017
CANÁRIAS: UMA PROFUNDA INFLUÊNCIA PORTUGUESA

No seguimento do artigo intitulado A ascendência portuguesa dos canarinos, como já dissemos, antes de publicar o artigo: “Ares de Lima” género da música tradicional das Ilhas Canárias de origem minhoto, queremos especialmente, descrever um pouco aos leitores e seguidores deste ótimo blogue, a profunda influência portuguesa na cultura do povo canarino que é o resultado determinante da participação dos portugueses na conquista e posterior colonização das Ilhas Canárias.

DIALETO    

Como descrevemos no nosso primeiro artigo, a pesar de os portugueses serem numerosos e maioritários em muitos povos, vilas e cidades das Ilhas Canárias, após da conquista e posterior colonização, nunca alcaçaram o poder e junto dos guanches e outros colonizadores, foram castelhanizados. Como terrível consequência da imposição do castelhano, a língua dos que tinham o poder, o português e o guanche não se arraigaram nas Ilhas Canárias, nem surgiu um crioulo de base ibérica como o papiamento das Antilhas Neerlandesas ou de base portuguesa como o cabo-verdiano de Cabo Verde e outros de outras ilhas do Atlántico. Foi lamentável, pois hoje o guanche não seria uma língua morta e os canarinos tivessem sido triglotas. Contudo, a formosa língua de Camões, José Saramago mais outros grandes escritores lusos, deixou muitas palavras e expressões no espanhol falado nas Ilhas Canárias. Da mesma forma, influiu em algumas estruturas gramaticais, tal vez, os canarinos não usam o pronome pessoal reto da segunda pessoa do plural vós e, a sua correspondente forma verbal, por influência do português, onde acontece a mesma situação. No que toca à fonologia é menor o contributo, porque neste ramo da linguística o dialeto canarino foi mais influenciado pelo andaluz e, a influência andaluza é quase a mesma que a recebida pelo barranquenho, mas no dialeto canarino puro, o que se fala nos povos do interior das ilhas maiores e em muitos povos das ilhas menores pelas pessoas mais idosas, ainda é possível escutar a elevação da vogal átona o, conforme às regras do processo do vocalismo átono próprio do português europeu: /o,ɔ/ fonológicos realizam-se como [u] fonético, e dizer, em uma linguagem menos técnica, os o átonos (não acentuados), são pronunciados como u, exemplos: andoriña “andorinha” folelé “libélula”, camino “caminho” = anduriña, fulelé e caminu, e algumas vezes com a evolução do português para o canarino, os termos portugueses são escritos conforme à pronúncia: papas turradas de la fogalera “batatas torradas da fogueira”. Igualmente sucede nos lusitanismos a perda de silabicidade das vogais átonas altas [i] e [u] em hiato, quando ocorrem antes de outra vogal qualquer, são substituídas pelas semivogais correspondentes [j] e [w] e o dialeto canarino toma em conta este fenómeno fonológico na escrita: mágoa = magua, Eanes = Yanes, Soares= Suárez, é o que seria uma semivocalização das vogais átonas que geram uma ditongação, um ditongo crescente: ea = ia ou ya e oa= ua, há linguistas que afirmam que no português europeu não existem tais ditongos, mas no espanhol sim. Finalmente, segundo o professor palmense D. Pedro Nolasco Leal Cruz, autor do livro intitulado: El español tradicional de La Palma, La modalidad hispánica en la que el castellano y el portugués se cruzan y se complementan, em 20 de fevereiro de 2017 no site: www.eldiario.es/lapalmaahora/.../espanol-tradicional-profesor-Nolasco_0_603690508... ressalta que «a única e grande diferença que tem o espanhol de La Palma com referência ao de outras ilhas é que em aquele o português tem feito muita mais mossa que nas demais, até o ponto que pudo ser considerado uma língua crioula como o foi o papiamento de Curaçao”. “ A Ilha conserva quase o 100% dos portuguesismos canarinos. É sem lugar a dúvidas o lugar idóneo para estudar melhor a influência do português a nível insular». Certas são as palavras do professor, pois nalguns povos da ilha de La Palma, ainda é possível ouvir o infinitivo pessoal que não existe no espanhol e outras estruturas da língua portuguesa, grande foi a impressão na ilha bonita, que na linguagem coloquial, os habitantes da sua capital Santa Cruz de La Palma, são conhecidos popularmente como portugueses e, uma das razões é, porque dizem que falam como eles. 

PSICOLOGIA 

A profunda influência portuguesa é em todos os aspetos da cultura do povo canarino, mas é a impregnação guanche e lusa a que faz dos canarinos serem diferentes do resto dos espanhóis. Como em Portugal, a família é o centro da vida nas Ilhas Canárias, apesar de os velhos costumes estarem a mudar, em particular nas cidades, é normal verem-se três e quatro gerações sob um mesmo teto, onde a mãe exerce um papel fundamental pela sua excessiva maternidade e, quiçá por esta razão, os canarinos têm um carinho especial pelas crianças, ¡Mi niño! “O meu menino!” ou ¡Mi niña! “A minha menina!” é uma expressão quotidiana das Ilhas que se emprega carinhosamente com os meninos e algumas pessoas adultas. Os canarinos são sérios e em muitos casos melancólicos, mas a relação social está baseada no bom humor. Um humor socarrón, “socarrão” com o significado na língua espanhola de pessoa que se exprime de maneira dissimulada e com aparência de ingenuidade e não com o signifacado de velhaco ou intrujão em português.  Um Humor irónico e indireto quase sempre encaminhado aos órgãos e relações sexuais, outras partes do corpo e certas ações engraçadas. O canarino utiliza esse humor como válvula de escape para evitar um conflito. Uma vez estávamos a esperar na charcutaria de um supermercado e uma das charcuteiras disse um número e, como ninguém respondeu, passou ao seguinte e antão, um senhor empertigado com muita arrogância exclamou: -Eu tinha o número anterior, não me viu que estava a olhar para si!-, a charcuteira imediatamente contestou:  -O Senhor tem razão, exatamente, eu vi que o senhor estava a olhar para mim!-. Apanhou o fiambre da fiambreira, para o levar à vitrina refrigerada e com um ligeiro e irónico sorriso disse: -Mas eu não sei se esse estranho e intenso olhar tinha outras intenções!- Todos os que esperávamos pelo nosso turno, começamos a rir às gargalhadas, até o teso senhor, foi a fórmula perfeita para findar a disputa. Alguns estudiosos e investigadores já declararam que é um humor de origem galaico-português. No entanto, por detrás dos sorrisos e muitas vezes as risadas ruidosas e prolongadas, há um muito enraizado aspeto da psique canarina que os próprios canarinos denominan magua, em português mágoa, o vocábulo do dialeto canarino mais querido que tem os mesmos significados que em português e, em todo o arquipélago canarino, é a nossa saudade, essa espécie de melancolia etérea que parece ansiar algo perdido ou inatingível caraterística dos portugueses, a morriña dos galegos, a nostalgia ou añoranza dos espanhóis, mas nas Ilhas Canárias tem outros significados. Ficar com magua, algumas vezes é ficar com ganas de comer algo, nas Ilhas Canárias os meninos não podem passar fome nem é correto comer na frente de uma criança sem convidá-la porque é desaprovado. Uma vez, na central de camionetas de São Cristóvão da Lagoa estava com os meus filhos ao meio-dia e um senhor tinha um cacho de bananas e estava a comer, acho que os meus filhos estavam a olhar para ele e o homem veio e deu-lhe uma banana e disse: -¡Cómanse el platanito mis niños que están esmayaditos!- “Comam-se as bananas os meus meninos que estão com fome!”, e logo olha para mim e disse: -¡No los podía dejar con la magua!.- “Não os podia deixar com a mágoa!”. Só na ilha de La Palma magua também é utilado com o significado de nódoa ou marca produzida por contusão e, na ilha de Lanzarote, o verbo maguarse “magoar-se” além do sigificado que tem em todas as ilhas, é aplicado para dizer que uma rês fica sem leite em uma teta. Ao longo da história, as Canárias foi a ponte entre a Península Ibérica e América. Muitos canarinos emigraram desde o século XVI e contribuíram à colonização da América, o destino foi sobretudo Cuba, Porto Rico, Venezuela, República Dominicana, Uruguai e os estados de Luisiana e Texas nos Estados Unidos da América, o povo canarino como os outros povos galaico-portugueses, é um povo emigrante. 

GASTRONOMIA 

A gastronomia canarina tem muito da portuguesa, o gofio “farinha obtida de trigo, milho e outros ceriais torrados” é o alimento principal herança do povo guanche, mas depois são as batatas e, o segundo símbolo cultural da cozinha canarina, são as papas arrugadas “batatas enrugadas” cozidas com casca em água com muito sal, que possívelmete têm a sua origem no gosto dos portugueses de cozinhar as batatas com sal no forno, como são as batatas a murro. Quase todos os canarinos acham que o puchero ou zancudo “cozido canarino” é descendente do cozido madrilenho, mas é mais semelhante ao cozido de grão à moda do Alentejo ou à algarvia, a diferença é que no puchero ou zancudo canarino, nos seus ingredientes há mais vegetais: cove, batata, batata-doce, feijão-verde, chuchu, bogango ou curguete, cenoura, abóbora, pera e espiga de milho tenro). Sem dúvida alguma, o rancho canarino é herdeiro do português e o gosto pelo peixe seco e salgado que nas Canárias é jareado, não há mil e uma maneiras de fazer o bacalhau, mas temos o sanchocho de cherne, cozido em água e outros condimentos e acompanhado com papas arrugadas e molho verde ou vermelho ou o pescado salado en encebollado, peixe salgado, geralmente: bacalhau, cherne ou corvina, com cebolada canarina que é a base de quase todos os pratos: cebola, alho, pimento verde, pimeto vermelho e tomate frito em óleo e temperado com sal, pimenta, orégão, tomilho, loureiro e colorau, o peixe é fervido com a cebolada e um bocadinho de água e vinho branco ou antes as postas do bacalhau são passadas por farinha de trigo e douradas no azeite, neste caso, o azeite é usado para fritar a ceboladaporque assim dá mais sabor, este prato com as papas arrugadas é muito saboroso. São as duas formas mais típicas e é um evidente legado português, como também é o molho de coentros, o gosto e uso do milho na culinária, os cominhos e outros condimentos. O molho de coentros pode ser à moda antiga: alhos, coentros, pimenta, óleo e vinagre feito à mão com os ingredente picados com faca em bocados muito pequenos ou triturados em almofariz; o atual molho é feito com varinha mágica com mais outros ingredientes: pimento verde, limão, cominhos, água e abacate que o deixam cremoso, as papas arrugadas com este molho são deliciosas. É possível dizer que os pratos mais representativos da gastonomia canarina são portugueses. A entrada pode ser o queijo palmense (da ilha de La Palma) ou majorero (da ilha de Fuerteventura) grelhado e servido com molho de coentros ou molho vermelho, o almogrote gomero da ilha de La Gomera com pão no forno a lenha ou as rodelas de tomate canarino temperadas com alho, óleo vinagre e oregão. O primeiro plato é o Puchero ou Zancudo, o segundo prato o Sancocho ou Pescado Salado com papas arrugadas e o frangollo de sobremesa, uma espécie de aletria feita com rolão de milho com leite, ovos, açucar, manteiga, um pedaço de casca de limão, um pau de canela, amêndoas e passas, de consistência compacta como nas Beiras que se pode cortar em fatias ou cremosa como no Minho, na travessa polvilha-se com canela e no prato pode ser servido juntamente com mel ou guarapo “mel da palmeira canarina” e acompanhado com uma mistela. Além da sobremesa típica há outras: o leite assado e queijinho, que se parece ao pudim abade de Priscos, ovos moles, flan, natillas, arroz-doce, mais outros muito gostosos e uma doçaria importantíssima: bienmesabe de Gran Canaria, rapaduras equeijo de amêndoas de La Palma, quesadillas de El Hierro, tortas de La Gomera (são como bolachas) mais outros; também os das Festas de Natal, Carnaval, Semana Santa: Trutas (são como empadas) com recheio de batata-doce com amêndoas ou doce de chila, rosquilhas, filhó de abóbora ou banana, torrijas, biscoitos, bolos, merengue assado e muitos mais. Nesta reifeição tradicional dos três pratos típicos mais entrada, não pode faltar a pella (bola) de gofio e o vinho do país ou da terra. Atualmente, com a regulação do colesterol para seguir uma dieta saudável, com o Puchero ou Zancudo sem entrada e tal vez com sobremesa é suficiente, como dizem alguns minhotos: -¡Já chega!-. A atriz canarina Lili Quintana, no programa de humor da televisão autonómica das Ilhas Canárias En Clave de Ja com a sua personagem de Chona, disse que um dia foi almoçar a um reataurante canarino, comeu queijo, gofio e um pão inteiro com almogrote gomero de entrada, um prato encolmado como dizemos nas Canárias “repleto” de puchero e outro de sancocho com muitas papas arrugadas e molho colorado “vermelho, tomou vários copos de vinho, um prato de frangollo com mistela de banana de sobremesa e, após de se tomar o café, quando ela chegou à sua casa se comeu um iogurte activia para compensar a embostada “o empanturramento”. 

 ARQUITETURA 

A arquitectura tradicional canarina é uma variante da arquitetura tradicional da Macaronésia de base alentejana e algarvia em relação ao âmbito rural, no arquipélago canarino nas casas terréas rurais é possível ver as cercaduras das janelas, os frixos das esquinas chamados faixas, barras ou riscas e os rodapés a cor azul das casas alentejanas e as chaminés do Alentejo e do Algarve. As casas da ilha de Lanzarote, escolhida pelo Nobel de Literatura português como última morada, têm umas chaminés que relembram muito às algarvias.

Nas duas fotografias a seguir mostramos o aporte cultural alentejano, na primeira foto uma casa tradicional de Pedro Álvarez, freguesia do concelho de Tegueste no nordeste da Ilha de Tenerife. É a casa camponesa de dois andares em estado ruinoso do mais puro estilo arquitetónico tradicional canarino, variante do estilo colonial macaronésio. Nesta casa ainda é possível ver um vestígio da faixa azul, janela de guilhotina e a frontaria está rematada na sua parte superior com um beiral, prolongação do telhado, formado por uma fileira de telhas. Foto de Tegueste Guía Turística publicada pela Ilustre Câmara Municipal da Vila de Tegueste em fevereiro de 2002. Na segunda fotografia realizada por Naim Acosta, pode-se ver uma casa tradicional de Valle de Guerra, freguesia do concelho de São Cristóvão da Lagoa situada na comarca nordeste da ilha de Tenerife. Esta casa térrea é do estilo chamado de transição, em finais do século XIX e princípios do século XX. Tem uma frontaria com janelas de tipo abatíveis e postigos interiores, parapeito cego que oculta o telhado de telha marselhesa, rematado por cordão de alvenaria e uma cornija do mesmo material ou de tijolo maciço de argila avermelhado pintado a azul como as faixas e rodapé, as janelas e portas não têm cercadura a azul, porque são de madeira.

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Nas vilas e cidades há influência de outras regiões ou províncias de Portugal, calçada empedrada, janelas, portas e varandas, ornamentos de arte manuelina e outras caraterísticas que trouxeram os portugueses, um belo exemplo de decoração manuelina é a frontaria da igreja da Nossa Senhora da Asunção da cidade de São Sebastião da Gomera, capital da ilha de La Gomera e a torre da basílica da Nossa Senhora do Pinheiro em Teror, padroeira da Ilha de Gran Canaria. Já o disse Torriani, o melhor exemplo de uma cidade que representa à arquitetura tradicional urbana à portuguesa em todo o seu esplendor, é a cidade de Santa Cruz de La Palma, capital da ilha de La Palma, mas também temos o bairro de Vegueta no casco histórico da cidade de Las Palmas de Gran Canaria capital da Ilha de Gran Canaria e da província (distrito) que administra as ilhas orientais. Em Tenerife temos no norte, a cidade de San Cristóbal de La Laguna “São Cristóvão da Lagoa”, berço de São José de Anchieta, Apóstolo do Brasil e cidade classificada Património da Humanidade pela UNESCO, o maravilhoso e encantador entorno do ex-convento e igreja do Santíssimo Cristo de Tacoronte, em sobrecanarias.com/2010/04/05/tacoronte-mar-y-montana-en-tenerife/, há uma foto muito bonita realizada em um dia cinzento, a Villa de la Orotava, joia arquitetónica de Tenerife que este ano solicitará à UNESCO a declaração de Património Mundial, casco histórico do Puerto de La Cruz, Los Realejos, San Juan de La Rambla, o entorno da praça de São Marcos junto do drago milenário da cidade de Icod de Los Vinos, Garachico e Los Silos, no sul temos Arafo, Vilaflor, mais outros cascos históricos de grande beleza e pequenos casarios como Masca em Boavista do Norte ou Ifonche no concelho de Adeje no sul de Tenerife.

A fotografia a seguir realizada por Naim Acosta, mostra La Casona situada no entorno da igreja de Santa Catarina de Alexandria, padroeira da cidade de Tacoronte. É uma das casas mais antigas que se conservam nesta cidade. Foi construida por Dom Juan Pérez, clérigo da Igerja de Santa Catarina, no século XVIII, com o objeto de fundar a capellania da paróquia “sede do capelão”, morada e escritório do padre ou pároco. Na sua frontaria salienta-se a formosa varanda canarina envernizada igual que as portas e janelas de guilhotina e, entre a casa de dois andares dos senhores e a casa térrea da criadagem, está a porta com ameias típica da arquitetura tradicional canarina. Junto da casa térrea com portas e janelas pintadas a castanho-escuro sem alternância, há também uma casa de dois andares com a frontaria pintada a amarelo-canarino, as portas e ventanas de guilhotina a verde-inglês e branco e os grandes blocos de pedra das esquinas à vista, finalmente, a rua é pedonal com calçada empedrada.

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Em seguida uma fotografia realizada por Naim Acosta ilustra a casa térrea que está noutro lado de La Casona, nesta casa pode-se ver o estilo mais representativo da arquitetura tradicional das Ilhas Canárias, portada com ameias e cruz, ventanas de guilhotina, paredes pintadas a branco e portas e janelas a verde-inglês com alternância. O telhado quatro águas com telha mourisca ou árabe rematado com beirais, formado por dupla fileira de telhas e todo o madeiramento de tea, uma madeira resinosa e muito duradoura que se extrai dos pinheiros canarinos anosos.

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A fotografia que se segue também realizada por Naim Acosta, expor à vista mais perto, as casas mais próximas do ex-convento e igreja do Santíssimo Cristo de Tacoronte que como já indicamos acima, no site sobrecanarias.com/2010/04/05/tacoronte-mar-y-montana-en-tenerife/, é possível ver quase todo o conjunto arquitetónico. Nestas duas casas vemos outra modalidade, a casa pintada a branco com janelas e portas a castanho-escuro e a casa pintada a vermelho-canarino. A cor mais típica nas paredes e a branca e depois nesta ordem: amarela, vermelha, azul e verde, as duas últimas não são muito vistas e, no que concerne à madeira de portas e janelas, se a madeira não é envernizada, é pintada a verde-inglês e a castanho-escuro, no caso das janelas quase sempre há alternâcia, as duas cores principais com a cor branca. Finalmente, pode-se admirar outro tipo de calçada empedrada e janelas na casa pintada a vermelho, que tem os blocos de pedra das esquinas á vista.

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AGRICULTURA 

Agricultiura, pecuária, pesca, artesanato têm muito de Portugal. O principal promotor da primeira expansão vitícola canarina foi o colonato de origem português, que chegou à nova terra procedente do Norte de Portugal e da Madeira e as primeiras castas que cultivaram foram a malvasia e o terrentês. A viticultura é portuguesa, muitos portugueses que têm visitado as Canárias dizem que os vinhos são muito parecidos aos portugueses, enólogos portugueses dão por certo que a elaboração artesanal dos vinhos em Tenerife é postuguesa, podemos ver a herança deixada pelos portugueses nos lagares tradicionais canarinos que são como os madirenses, nos antigos palheiros ou casas de telhados de palha de Tenerife e La Palma que são como palheiras dos Açores e em vários instrumentos agrícolas.  Onde mais se pode apreciar o efeito português relativamente ao artesanato, é nas cestas e trançados, nos bordados e rendas e na tecelagem. 

MEDICINA POPULAR 

Na medicina popular existe a figura do Santiguador “benzedor” e a do Curandero “Curandeiro” e as benzeduras e remédios (infuções, tizanas, beberagens, unguentos, cataplasmas e mais) são de base galaico-portuguesa, mas o curandeirismo recebeu o complemento que introduziram os indianos, como eram chamados os emigrantes canarinos que foram para a ilha de Cuba em finais do século XIX e princípios do século XX, muitos deles voltaram ricos, hoje os curandeiros mesturam com técnicas do curandeirismo caribenho. A medicina popular está estreitamente vinculada à bruxaria canarina, pois benzedores e curandeiros têm que curar el daño “malefício” feito pelos bruxos, os feitiços, beberagens e outras questões da bruxaria no começo tinham base galaico-portuguesa e depois ficaram mesturados com técnicas africanas e americanas: santeria, vodu, candomblé e outras.

 

            Exemplo de reza

 

Oração da noite

 

Ó Anjo da minha guarda, doce companhia,

não me desampares, nem de noite nem de dia.

Jesusinho da minha vida, tu es menino como eu,

por eso eu te quero tanto e dou-te o meu coração.

Quatro esquininhas tem a minha cama,

quatro anjinhos que me acompanham,

com Deus me deito e com Deu me levanto,

com a Virgem Maria e o Espírito Santo.

Amem

 

            Exemplo de Benzedura

 

Ensalmo para cortar o mau-olhado, quebranto, susto, empacho e ar

 

Eu te benzo em nome do Pai, do filho e do Espírito Santo

(o benzedor faz o sinal da cruz quando começa mencionar a Santíssima Trindade)

e no nome que te puseram na pia (nome da pessoa).

Eu te corto mau-olhado, opilação, alimento mal comido, água mal bebida, susto, quebranto.

Eu levo-o para o mais alto dos montes de Arménia e tiro-o para o mais profundo do mar,

onde não permaneça, nem perdure nem dano possa fazer a esta criatura.

Se entrou pela tua cabeça, Santa Teresa.

Se entrou pela tua frente, São Vicente.

Se entrou pelos teus olhos, Santa Lúcia.

Se entrou pela tua nariz, São Luís.

Se entrou pela tua boca, Santa Rosa.

Se  entrou pela tua barba, Santa Bárbara.

Se entrou pela tua garganta, Santa Clara.

Se entrou pelo teu peito, são Eulógio.

Se entrou pela tua barriga, Santa Maria.

Se entrou pelas tuas conjunturas, São Ventura.

E se entrou pelos teus braços e pelos teus pés Santo André.

(No fim, reza-se a Oração do Credo e a Salve Rainha)

Esta versão de ensalmo é villera da Villa de La Orotava em Tenerife

 

Muitos benzedores quando chegam a uma avançada idade deixam de curar porque quando rezam o doente transmite o dano: gritam, choram, arrotam, bocejam e até têm contorções de dor.

 

INDUMENTÁRIA TRADICIONAL

 

            No que se refere ao trajar, o melhor exemplo de comparação é o traje típico da mulher da Villa de La Orotava com o traje da mulher da Madeira e o traje típico do homem da ilha de El Hierro com o campino ribatejano. Também há semelhanças nos trajes tradicionais da ilha de La Palma com os trajes dos Açores. 

JOGOS E DESPORTOS 

            Nos jogos e desportos tradicionais temos o Calabazo “Cabaço”, que em Portugal é um regador de cabo longo e o recipiente utilizado para tirar, de poços e tanques, água para rega. Esta técnica da agricultura tradicional que se tornou em desporto na década de 80 do século XX para evitar a sua desaparição, somente é praticada no Vale de Aridane na ilha de São Miguel da Palma. A diferença com Portugal é que o cabaço na ilha de La Palma se utiliza para tirar agua dos canais que estão nos bananais, que não são acéquias nem regueiros. A referência mais antiga de rega com o cabaço que se conhece está em una carta registada no ano 1868 e, a construção do canal de águas onde se utiliza, da mão de colonos portugueses, començou no ano 1555. 

FESTAS E TRADIÇÕES POPULARES 

            Há parecença nas romarias canarinas com os cortejos etnográficos do Minho e benção de gado, as juntas de bois levam no pescoço umas bonitas coleiras com pequenas campainhas que no Minho são mais ostentosas,  mas nos Açores são quase iguais. Há festas populares com tradição muito antiga que possivelmente tem a sua procedência em terras portuguesas, há tejineros “habitantes de Tejina” estudiosos e investigadores que acham que a Festa dos Corações de Tejina, declarada BIC (Bem de Interesse Cultural) em 2003 pelo governo das Canárias, deriva da Festa dos Tabuleiros de Tomar, pois Ansejo Gomes, o fundador de Tejina, era natural da antiga sede da Ordem dos Templários. Tejina é um pequeno povo (freguesia) do nordeste de Tenerife que pertence ao concelho de São Cristóvão da Lagoa, separado da cidade de Tacoronte pelo povo de Valle de Guerra e poucos quilómetros separam este povo da Vila de Tegueste e o povo turístico de Bajamar. Temos de lhes dizer que o fundador de Tejina era concunhado de Sebastião Machado, fundador da cidade de Tacoronte, porque Asenjo Gomes era o esposo de Guiomar Gonçalves e Sebastião Machado de Isabel Gonçalves, duas irmãs filhas de Gonçalo Gonçalves Teixeira natural de Braga. Este bracarense sogro dos dois fundadores antes mencionados, participou na conquista das Ilhas Canárias, pelo que foi beneficiado com terras no repartimento através das datas. O Antonio Miguel Rodríguez, farmacéutico da Câmara Municipal de São Cristóvão da Lagoa iniciará em breve em representação da Associação de Vizinhos As Três Ruas de Tejina o contacto com a Câmara Municipal de Tomar para estudar e investigar as possíveis relações dos Corações com os Tabuleiros e fazer uma geminação do povo de Tejina com Tomar. Bravo! Antonio, terás toda a nossa ajuda. O Antonio publica artigos no blogue: pastillerodesalud.blogspot.com, onde há alguns muito interessantes como: Portugueses en Tejina, en el origen de nuestra cultura del vino publicado em 6 de dezembro de 2015, piedra y madera em 25 de setembro de 2015 e El origen divino de las plantas, Ceralias em 20 de julho de 2016, neste artigo há fotos antigas muito bonitas e uma foro de uma eira canarina lajeada. 

De seguida uma foto com o Corazón de Tejina: Calle Abajo, “Coração de Tejina: Rua Abaixo” fotografia que está na p. 50 da 2ª edição revista e amplada do livro intitulado: Fiestas de San Bartolomé de Tejina da autoria de María José Ruiz e Guadalberto Hernández, publicado pela Câmara Municipal de São Cristóvão da Lagoa em 2002.

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MÚSICA TRADICIONAL OU FOLCLÓRICA 

Finalmente, falamos um pouco da música tradional ou folclórica.

 

Não quero mais sinfonias

paro o hino das Canárias,

tenho com umas folias

e um povo atrás que as canta.

 

Quadra número 56 que está na p. 24 do livro intitulado: Año canario 365 coplas y algunos versos más acerca de El Condumio da autoria de Luis Carrasco publicado pelo CCPC em 1991 e, é toda uma certeza. A Folia, é por excelência a canção tradicional mais representativa do folclore musical canarino, propalada por toda o nossa  terra e além fronteiras pela diáspora canarina no mundo. Conforme à opinião dalguns musicólogos, este canto da etapa setecentista profundo, pois com ele o canarino exprime todos os seus sentimentos, pode proceder de Portugal e, temos de lhe dizer, que igual que muitos fados, quando o cantor começa o canto, os instrumentos tocados com plectro (bandolins, bandurras e alaúdes) fazem o que na linguajem da música tradicional canarina chama-se contracanto, um contrapunto à melodia interpretada pelo cantor. A Malagueña é a canção mais triste do nosso floclore musical com estrofes que falam da morte de uma mãe, de um filho e outras perdas e desgraças:

 

Eu vi a uma mãe morta

sobre uma tumba de mármore,

com a sangue corrompida

e o coração feito troços,

pelo filho que queria.

 

Não há coisa como uma mãe

encuanto no mundo existe,

porque uma mãe consola

a um filho quando está triste.

 

São as herdeiras diretas do fandango andaluz, mas a sua música tem muita simulitude com a charamba açoriana, há fragmentos musicais das duas canções que são iguais. Também pode descender do cavaquinho português igual que o ukulele havaiano, o Timple, que para os canarinos é o instrumento nacional, da nação canarina. Com exatidão, são os Aires de Lima “Ares de Lima” o género musical totalmente português, investigados pelo musicólogo Lothar Siemens provêm do Minho, das freguesias perto do Rio Lima e é um canto com lindas melodias típico das descamisadas canarinas, esfolhadas no Minho. Deste assunto, escreveremos um artigo mais aprofundado e ilustrado com letras e partituras, porque é uma dívida que temos com Carlos Gomes, mas queríamos escrever primeiro o artigo anterior e este, porque assim os leitores e seguidores deste excelente blogue, compreenderão melhor a razão pela que na música tradicional das Ilhas Canárias, há um género musical importado do Minho.

Os leitores e seguidores deste magnífico blogue podem fazer pesquisas na Internet para ter mais informação, ver fotos e poder comparar ou fazer um passeio virtual pelos lugares dos que falámos. Para aprofundar mais e conhecer alguns dos portugueses conquistadores e cofundadores do nosso povo, aconselhamos a leitura do artigo intiulado: ABUELOS PORTUGUESES. UNA ASCENDENCIA FAMILIAR EN CANARIAS, SIGLOS XV y XVI I e II  no site geneacanaria.blogspot.com/2015/02/abuelos-portugueses-una-ascendencia.html.

O nosso próximo artigo será um exemplo desta profunda influência portuguesa no povo canarino e, como melhor se pode exemplificar, é com o dialeto canarino. Uma breve estória escrita em dialeto canarino com a tradução em português mais um análise, demonstrará com clareza, que quando falamos de profunda influência, não é com excesso.

Este artigo é dedicado com muito orgulho e grande respeito à memória dos pais cofundadores do nosso povo, os portugueses que deixaram a sua maravilhosa terra natal para vir às nossas ilhas e legaram-nos uma formosa herança que constitui o nosso precioso património histórico, artístico e cultural, e eu, especialmente, desde o mais profundo do meu coração, dedico este artigo a minha mãe, que desde o berço me transmitiu a cultura tradicional da minha terra. Para ti a minha querida mãe.

 

Jesús Acosta

ACGEIA

São Cristóvao da Lagoa

Tenerife



publicado por Carlos Gomes às 23:36
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Sábado, 18 de Julho de 2015
SINTRA: URBANIZAÇÃO DAS MERCÊS TEM CARATERÍSTICAS DE BAIRRO OPERÁRIO

Na localidade das Mercês, concelho de Sintra, um conjunto de grandes prédios geminados de varanda comum a servir simultaneamente de corredor apresenta todas as caraterísticas arquitetónicas da construção tipo do bairro operário dos finais do século XIX.

BL-Merces 021

Com condições de habitabilidade bastante reduzidas, este género de habitação surgiu em toda a Europa na sequência da Revolução Industrial, destinada a alojar as classes trabalhadoras que, oriundas dos meios rurais, ingressavam nas fábricas. Muitos desses bairros, também conhecidos por vilas – no Porto chamam-lhes “ilhas” – foram construídos pelos empresários para os seus trabalhadores e respetivas famílias, estabelecendo-se frequentemente junto das fábricas ou nas traseiras das residências dos seus proprietários, quase sempre distantes do centro das grandes cidades. Porém, à medida que esta foi alargando o seu perímetro, as referidas vilas passaram a integrar o espaço urbano.

Com o crescimento das periferias urbanas, sobretudo a partir da década de sessenta do século passado, as áreas rurais em torno de Lisboa cedem espaço à construção de novas urbanizações para acolher a população transferida da cidade, oriunda de outras regiões do país ou proveniente de outros países.

Em virtude das leis do mercado da habitação, algumas localidades registam a fixação sobretudo de população imigrante das mais diversas origens e os mais variados costumes. É o caso da localidade das Mercês, porventura o mais multiétnico e multicultural de todo o concelho de Sintra.

A acompanhar este fluxo migratório, a localidade viu crescer edifícios de grandes dimensões capazes de alojar centenas de pessoas, muitos dos quais geminados como as imagens documentam e nos trazem á lembrança as antigas habitações proletárias, caraterizados por uma vivência quase comunitária e dispondo de pouca privacidade. Este é o retrato social e urbanístico de uma das localidades de um concelho cuja sede – a vila de Sintra – está classificada como Património da Humanidade!

BL-Merces 023



publicado por Carlos Gomes às 22:33
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Terça-feira, 12 de Maio de 2015
NOVO MUSEU DOS COCHES É INAUGURADO NO PRÓXIMO DIA 23 DE MAIO

O novo Museu dos Coches abre ao público no próximo dia 23 de maio, acontecimento que assinalará os 110 anos da sua existência. No fim-de-semana da abertura, dias 23 e 24 de maio, as entradas são gratuitas.

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Uma das principais novidades que o Museu dos Coches passará a mostrar ao público constitui os quarenta coches do século XIX, provenientes do núcleo instalado no Palácio Ducal de Vila Viçosa, incluindo o landau do regicídio.

O novo edifício cuja traça é da autoria do arquiteto brasileiro Paulo Mendes da Rocha, premiado com o Pritzker, é já considerado uma referência em termos arquitetónicos da cidade de Lisboa.

A legendagem das peças e demais informação prestada ao público será feita em português, francês, inglês e castelhano, prevendo-se que posteriormente venha a ser incluído o mandarim.

Por construir fica a passagem pedonal sobre a avenida da Índia e a linha férrea cuja conclusão está prevista para o próximo ano.

O Museu Nacional dos Coches foi criado em 1905, pela Rainha D. Amélia, esposa do Rei D. Carlos, com a denominação de Museu dos Coches Reais, no Picadeiro Real do Palácio de Belém.

Fotos: Agência LUSA

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publicado por Carlos Gomes às 01:28
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Quinta-feira, 25 de Setembro de 2014
GREENFEST DEBATE NO ESTORIL ARQUITETURA SUSTENTÁVEL

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Utopia da Plako no maior evento de sustentabilidade do país Moisés Campos, diretor geral da Plako e principal responsável pelo projeto Utopia - o sonho da empresa de TI que ambiciona estar sediada num espaço com o mínimo de impacto ambiental, na Póvoa de Lanhoso - integrará a 7.ª edição do GREENFEST, enquanto orador, na CONFERÊNCIA ARQUITETURA SUSTENTÁVEL E SOCIAL 'VÁRIOS MEIOS, O MESMO FIM’, no próximo dia 9 de Outubro.

Esta iniciativa, inspirada no formato americano e trazida para Portugal por Pedro Norton de Matos, dá anualmente palco ao que de melhor se faz no nosso país ao nível da sustentabilidade nas suas vertentes ambiental, social e económica.

Em 2014, o ‘Green Festival’ realiza-se em torno do tema “Educação para a sustentabilidade”, celebrando o culminar da Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável, decretada pela UNESCO, cujo objectivo consiste em estimular as pessoas a alterarem as suas atitudes e comportamentos perante o meio ambiente e em relação à utilização dos recursos naturais.

Decorrerá, tal como nas 6 edições anteriores, no Centro de Congressos do Estoril. De 9 a 12 de Outubro, o Greenfest conta com um programa variado, do qual fazem parte: workshops, debates e palestras, conferências, oficinas e ateliers, teatro, cinema, concertos, exposições, actividades lúdicas e de lazer. Uma multiplicidade de opções para que possa chegar ao máximo de pessoas possível.

 



publicado por Carlos Gomes às 18:55
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Quinta-feira, 17 de Julho de 2014
RESERVATÓRIO DA PATRIARCAL É UMA OBRA DE ARQUITETURA QUE MERECE SER VISITADA

No subsolo do Jardim do Príncipe Real, o Reservatório do Príncipe Real é uma magnífica obra de arquitetura que integra o sistema de distribuição de água a Lisboa do Aqueduto das Águas Livres.

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Com capacidade para armazenar 880 metros cúbicos de água, o reservatório é uma cisterna construída em alvenaria, com planta octogonal. Sobre 31 pilares, com 9,25 metros de altura, assentam as abóbodas sobre o qual existe um lago com repuxo, situado a meio do jardim.

O Reservatório da Patriarcal foi projetado pelo engenheiro francês Mary, em 1856, e construído entre 1860 e 1864. A partir daqui seguem três galerias, uma em direção à rua da Alegria onde se encontra o chafariz, a partir de onde se ligava por sifão ao sistema de Alviela; outra em direção à Galeria do Loreto onde se encontra o jardim de São Pedro de Alcântara e, outra ainda para a rua de São Marçal para abastecimento da zona ocidental da cidade, incluindo o mosteiro de São Bento onde atualmente se encontra a Assembleia da República.

O Reservatório da Patriarcal funcionou até à década de quarenta do século passado. Em 1994, o local foi adaptado a espaço cultural segundo um projeto da autoria do arquiteto Varandas Monteiro.



publicado por Carlos Gomes às 00:00
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Quarta-feira, 9 de Julho de 2014
SINAGOGA DA COMUNIDADE ISRAELITA DE LISBOA FOI INAUGURADA HÁ 110 ANOS E PROJETADA PELO ARQUITETO CAMINHENSE MIGUEL VENTURA TERRA

Passam precisamente 110 anos desde a data da inauguração em Lisboa da Sinagoga Shaaré-Tikvá, cuja primeira pedra havia sido lançada dois anos antes. O projeto é da autoria do caminhense Miguel Ventura Terra, considerado um dos maiores arquitetos da sua época, tendo-lhe valido o Prémio Valmor de Arquitetura.

O templo encontra-se situado na rua Alexandre Herculano, nº 59, edificado dentro de um quintal muralhado visto que não era então permitida a outras denominações religiosas para além da Igreja Católica, a construção com fachada para a via pública. O terreno para a construção da sinagoga foi adquirido pela comunidade judaica, em nome de particulares, dadas as dificuldades com que então se debatia para obter o reconhecimento oficial. Até então, o culto era exercido em diversas casas de orações que, no entanto, não reuniam as condições necessárias para o efeito.

Miguel Ventura Terra nasceu em Seixas, no concelho de Caminha, em 14 de julho de 1866, tendo falecido em Lisboa em 1919. Entre as suas inúmeras obras, contam-se a renovação do Palácio de São Bento, a Maternidade Alfredo da Costa, o Teatro Club de Esposende, o Hotel e o Santuário de Santa Luzia em Viana do Castelo, o Hospital de Esposende e o edifício do banco de Portugal, no Porto.

Fonte: http://bloguedominho.blogs.sapo.pt/

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publicado por Carlos Gomes às 15:24
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