Blogue de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes de Lisboa e arredores

Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2017
RIO DE MOURO FAZ ENTERRO DO BACALHAU

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publicado por Carlos Gomes às 02:16
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Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2017
CONCELHO DA MOITA BRINCA O CARNAVAL

Carnaval no concelho da Moita

O concelho da Moita veste-se de cor e animação entre os dias 24 e 28 de fevereiro, para receber o Carnaval, acolhendo um conjunto de iniciativas para foliões de todas as idades. No dia 24 de fevereiro, a partir das 10:00h, as principais ruas das freguesias de Alhos Vedros, Baixa da Banheira e Moita vão ser palco para os desfiles carnavalescos dos alunos do Ensino Pré-escolar e do 1º ciclo do Ensino Básico do concelho.

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A 26 e 28 de fevereiro, a partir das 15:00h, sai à rua o Corso de Carnaval de Alhos Vedros, este ano com o tema “A Velhinha no Parque de Diversões”. Quatro carros alegóricos, acompanhados por cerca de 450 foliões, vão encher as principais ruas da vila de Alhos Vedros de cor, alegria e fantasia. Passe por lá e deixe-se contagiar pela animação própria do Carnaval. A entrada é gratuita.

Ateliês nas bibliotecas municipais

Também as bibliotecas municipais acolhem iniciativas especialmente dedicadas ao Carnaval. No dia 24 de fevereiro, a Câmara Municipal vai dinamizar, a partir das 15:00h, na Biblioteca Municipal do Vale da Amoreira, um ateliê para que as crianças e jovens, entre os 6 e os 12 anos, façam as suas máscaras. Nesta tarde, que se prevê muito divertida, cada criança terá a oportunidade de explorar o seu imaginário e criar uma máscara de Carnaval, utilizando diferentes materiais, como caixas de cartão, papel, tecidos, entre outros.

Na Biblioteca Municipal da Baixa da Banheira, a Câmara Municipal convida para uma “Hora e Meia de Diversão”, no dia 25 de fevereiro, a partir das 15:30h, com uma Oficina Circense. Muita magia e alegria, com vários exercícios circenses, como cambalhotas, pinos, rodas, pontes e muitos malabarismos com bolas, lenços, fitas e muito mais é o que se propõe nesta tarde para crianças e jovens entre os 6 e os 12 anos. As inscrições, gratuitas, devem ser efetuadas através do T: 210888902 (limitadas a 20 participantes).

No dia 25 de fevereiro, a partir das 15:00h, a iniciativa “Sábados a Ler em Família”, na Biblioteca Municipal Bento de Jesus Caraça, na Moita, vai ser também dedicada ao Carnaval, com muitas brincadeiras para realizar em família, preparadas para crianças com idades entre os 3 e os 8 anos. A animar ainda mais esta tarde, vai estar a leitura do livro “Quem Soltou o Pum?”. Imagine um cachorrinho de estimação que se chama Pum! “Um Pum pode ser problemático na vida de uma pessoa. Quando ele é um cachorro, então aí é que ninguém segura. Vira e mexe, o Pum escapa, faz barulho e atrapalha os adultos!” Um livro divertido e inusitado, de arrancar várias risadas, tanto dos filhos como dos pais. Inscrições gratuitas até ao dia 24 de fevereiro, através do T: 210817040.



publicado por Carlos Gomes às 10:44
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Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2017
ALHOS VEDROS ELEGE RAÍNHA DO CARNAVAL

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publicado por Carlos Gomes às 10:52
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Domingo, 7 de Fevereiro de 2016
RIO DE MOURO REALIZA ENTERRO DO BACALHAU



publicado por Carlos Gomes às 22:32
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A MAGIA DO CARNAVAL NA CELEBRAÇÃO DA AÇÃO CRIADORA DOS DEUSES

“Muitas entidades que deveriam promover a cultura tradicional, demitiram-se dessa missão, rendendo-se às leis do mercado.”

Um pouco por todo o país, festeja-se um carnaval que na maioria dos casos nada tem a ver com a nossa cultura e costumes tradicionais. Trata-se de modelos importados, sobretudo do Brasil, apesar do ridículo da transposição, ou de acordo com os padrões que a burguesia lisboeta impôs desde os finais do século XIX, fazendo então dos próprios trajes tradicionais uma máscara de carnaval para as crianças. Sobrevive, porém, a tradição do “Pai Velho” no Lindoso ou os “caretos” em Macedo de Cavaleiros. Também neste domínio, muitas entidades que deveriam promover a cultura tradicional, demitiram-se dessa missão, rendendo-se às leis do mercado.

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O termo Carnaval provém do latim "carpem levare" que significa "adeus carne" ou "retirar a carne" ou ainda estar associado a curru navalis que consistia num carro de rodas marítimo que saía para o mar e significava o retorno à pesca com a chegada da Primavera. Trata-se com efeito de um período de licenciosidade em que, por oposição à Quaresma se come carne, constituindo por assim dizer uma época festiva que se destina simultaneamente a ritualizar a despedida do ano velho e, por conseguinte, o entrudus ou entrada da Primavera e no período quaresmal que a antecede.

Com a chegada do Inverno e a consequente morte dos vegetais e da própria natureza, o homem recorre preferencialmente ao consumo da carne como forma de assegurar meios de sobrevivência. Desde sempre, o porco representou um elemento essencial na economia familiar nos meios rurais uma vez que a sua carne pode ser conservada na salgadeira durante muito tempo, o que permite suprir a escassez de outro género de alimentos como os vegetais que geralmente desaparecem durante o Inverno. E é durante este período que ocorrem um pouco por todo o lado as tradicionais matanças do porco num ritual com um certo carácter festivo. E, continua a ser o porco o animal que entra preferencialmente na simbologia do Carnaval, não raras as vezes associando-se o respetivo focinho às máscaras carnavalescas.

Desde os tempos mais remotos, os povos sempre ritualizam a entrada do ano ou seja, a chegada da Primavera e o renascimento da natureza, acreditando que, dessa forma, esta lhes seria favorável. Com efeito, para o homem primitivo a celebração do ritual correspondia a uma forma de participação na ação criadora dos deuses, assegurando-se desse modo que o ciclo da natureza não seria interrompido, o que confere ao rito um carácter de magia imprescindível à reprodução do gesto primordial ou seja, o da própria criação do mundo e das coisas. O rito é, por assim dizer a celebração do mito da criação, assumindo sempre a sacralidade imanente ao ato da criação divina. Assim se verifica com as práticas relacionadas com o culto dos mortos que ocorre invariavelmente com a chegada do Inverno e também com as celebrações do nascimento do sol que se verifica no solstício de Dezembro, altura em que os dias cessam de diminuir e voltam a crescer, ocasião essa que dava lugar às saturnais entre os romanos e com a influência do cristianismo veio a originar a celebração do Natal de Jesus Cristo, embora não existam quaisquer documentos que indiquem ter sido essa a sua data de nascimento. Ora, é das saturnais romanas que provêm os festejos de Carnaval os quais eram consagrados à divindade egípcia Ísis, embora estes a tenham adquirido dos gregos que as realizavam em honra de Dionísios, um deus do vinho e dos prazeres da carne. Em Veneza onde as máscaras brancas ainda pontificam, o Carnaval terminava com o enterro de Baco, curiosamente, a divindade que na mitologia latina corresponde à de Dionísios na Grécia antiga.

O uso de máscaras que ocorre durante os festejos de Carnaval tem na sua origem um carácter religioso relacionado ainda com o culto dos mortos, pretendendo-se com a sua antropomorfização invocar os seus espíritos e a sua intercessão no ciclo ininterrupto de vida e morte da própria natureza e dos vegetais, razão pela qual muitos mascarados se vestem de branco, afivelam máscaras que representam esqueletos ou simplesmente a própria morte. Acendiam-se fogueiras e queimavam-se bonecos, costume aliás que de igual modo deve estar na origem da serração da velha, a qual também nos aparece sob a forma de pulhas e ainda na versão mais cristianizada da queima do Judas. É neste contexto ainda que se inserem as tradicionais máscaras transmontanas e as festas dos rapazes que ali têm lugar.

Com o decorrer dos tempos, estas festividades também adquiriram um carácter de crítica social, visando com ele corrigir os desvios verificados no ano velho de modo ao renascimento da natureza também se operar no indivíduo e no seio da própria sociedade, o que explica as pulhas e os "testamentos" que são lidos na serração da velha e na queima do judas, bem assim como as máscaras que procuram representar alguém sem ser a própria morte. Aliás, na tragédia grega a máscara que era usada significava precisamente a "pessoa" que se representava.

Resultante da combinação entre a cultura europeia predominantemente portuguesa e as culturas africanas e indígenas, o Carnaval adquiriu no Brasil alguns aspetos diferenciados a que não são alheias as condições climáticas e as diferentes influências que se verificam nas diversas regiões como sucede com o Carnaval da Baía em relação ao de São Paulo e do Rio de Janeiro. Por conseguinte, a transplantação do Carnaval brasileiro para Portugal afigura-se a todos os títulos desajustada como ridícula, apenas justificável por motivos comerciais. Aliás, da mesma forma que sucede em relação ao haloween, costume que se insere no culto dos mortos e foi levado para o continente americano pelos colonos europeus e que agora regressa sob a forma de mercadoria.

Perdida que foi a sacralidade primitiva, os festejos chegam até nós pela tradição, despojados de espiritualidade, apenas envoltos em fantasia e divertimento, mas contendo ainda em si os elementos que o determinaram. Com efeito, o Carnaval ou "festa da carne" antecede a Quaresma, para os muçulmanos o Ramadão, período de abstinência que se destina à purificação do corpo e da alma e que visa preparar-nos para o renascimento da vida e da natureza, o ano que começa com a chegada da Primavera.

E é então que tem lugar a Serração da Velha e a garotada percorre os caminhos das aldeias com zambumbas e zaquelitraques, tréculas, sarroncas e tudo quanto produza barulho e que se destina a afugentar os demónios do Inverno. Práticas, aliás, que também ocorrem consoante os casos no Carnaval e na passagem de ano, na noite de Natal ou durante os Reis. Para trás ficou a longa noite do Inverno repleta de visões e fantasmas aterrorizantes com abóboras iluminadas nas encruzilhadas dos caminhos e reuniões de bruxas sob as pontes e nos cabeços dos montes, os peditórios de "pão por Deus" e as visitas aos cemitérios, a queima do madeiro e o cantar das almas.

É então chegada a Primavera e com ela as festas equinociais. É tempo de renascimento da vida e da própria natureza, celebrado entre os cristãos como a ressurreição de Cristo e representada através do ovo da Páscoa, símbolo da fertilidade e do nascimento da vida nova. Entre muitos povos europeus mantém-se o costume de enterrar ovos nos campos que servem de divertimento ao rapazio que se entretém à procura enquanto a nossa gastronomia conserva a tradição do folar. Ao toque das sinetas e ribombar dos foguetes, os mordomos aperaltados nas suas opas vermelhas levam a cruz florida a beijar de casa em casa enquanto os caminhos se enchem de alecrim, funcho e rosmaninho - é o compasso pascal, a forma como a festa é vivida nas aldeias de Entre-o-Douro-e-Minho e também em Trás-os-Montes.

Em breve virá o Maio e, com ele, as maias feitas de giestas floridas, a celebração do Corpus Christi, das festas do Espírito Santo em Tomar e nos Açores, as fogaceiras em terras da Feira e as festas e romarias que animam as pequenas comunidades rurais, as peregrinações aos pequenos santuários e ermidas que salpicam montes e vales e que servem de pretexto para mais uma festa. As gentes do mar adornam os seus barcos e vão em colorida procissão dar graças pelo pão que o mar lhes dá e invocar a proteção que lhes vale na aflição.

A seu tempo chegarão as colheitas e as malhadas, as vindimas e as adiafas, o S. Miguel e as desfolhadas que nalgumas regiões também se dizem descamisadas. E, de novo, reiniciar-se-á o ciclo da vida e da morte que assim permanece desde a criação do mundo, como um carrossel num movimento incessante.

Na religião primitiva, o Homem unia a morte à vida como uma constante de perpétuo renascimento. Tal como na natureza ao Inverno sucede a Primavera e com ela o renascimento da vida e dos vegetais, a vida renasce da morte da mesma forma que esta resulta da própria vida. Esta forma de pensamento pode ser encontrada na filosofia platónica e em civilizações mais recentes, ainda que sob formas diferenciadas. A tradição trouxe-nos até nós tais práticas que passaram a fazer parte do nosso folclore.

Pese embora as transformações culturais e as modificações que entretanto se operaram na mentalidade dos povos, as mudanças sociais e de modos de vida cada vez mais divorciada da própria natureza, cumpre-nos manter tais costumes como forma de preservar a nossa identidade e, o que nos parece essencial, a nossa própria dimensão humana. Graças à tradição conseguiremos transmitir aos vindouros o conhecimento humano que os nossos ancestrais nos legaram.

Carlos Gomes / http://www.folclore-online.com/ (Adaptado)



publicado por Carlos Gomes às 21:45
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Quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2016
CARNAVAL JUNTA MINHOTOS EM LISBOA NA CASA DO CONCELHO DE ARCOS DE VALDEVEZ



publicado por Carlos Gomes às 14:38
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Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2016
TERCENA FESTEJA O CARNAVAL



publicado por Carlos Gomes às 22:58
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RIO DE MOURO REALIZA ENTERRO DO BACALHAU



publicado por Carlos Gomes às 19:11
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RIO DE MOURO FESTEJA O CARNAVAL



publicado por Carlos Gomes às 13:37
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Sexta-feira, 29 de Janeiro de 2016
TERCENA FESTEJA O ENTRUDO



publicado por Carlos Gomes às 19:37
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MOITA ESPERA "MARÉ CHEIA" NO CARNAVAL

Maré Cheia de fevereiro: é Carnaval no concelho da Moita

É Carnaval na Maré Cheia de fevereiro. A iniciar o mês de fevereiro, o concelho veste-se de cores e brilhos para celebrar o Carnaval. Mascarados de todas as idades animam as ruas das diferentes freguesias, exibindo os seus disfarces, em resultado de muitos dias de trabalho. A Maré Cheia dá-lhe conta de tudo o que pode ver ou fazer nestes dias de folia, no concelho.

Ao folhear esta edição, já disponível no site e nos locais habituais, pode também ficar a conhecer o projeto municipal “Está na Hora da Leitura!”, especialmente dedicado aos idosos do concelho, na rubrica “Aqui Tão Perto”.

O “Vai Acontecer” elenca, como habitualmente, todas as iniciativas previstas para o mês, nas mais várias áreas, da dança ao teatro, da música ao desporto, das exposições às atividades para crianças, do cinema a outros eventos. Nos “Sabores e Saberes”, aproveite a sugestão e apresente um pudim de Carnaval na sua mesa. Não deixe ainda de dar uma olhadela às nossas sugestões de site, filme, livro e música, nas “Cumplicidades”.

Se gostaria de receber a Maré Cheia em sua casa, todos os meses, contacte o Gabinete de Informação e Relações Públicas da Câmara Municipal da Moita, através do e-mail: informacao-rpublicas@mail.cm-moita.pt ou do telefone 212806715.



publicado por Carlos Gomes às 17:38
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Terça-feira, 26 de Janeiro de 2016
OEIRAS: TERCENA PREPARA-SE PARA FESTEJAR O CARNAVAL



publicado por Carlos Gomes às 22:18
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Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2015
A MAGIA DO CARNAVAL LISBOETA NA CELEBRAÇÃO DA AÇÃO CRIADORA DOS DEUSES

O termo Carnaval provém do latim "carpem levare" que significa "adeus carne" ou "retirar a carne" ou ainda estar associado a curru navalis que consistia num carro de rodas marítimo que saía para o mar e significava o retorno à pesca com a chegada da Primavera. Trata-se com efeito de um período de licenciosidade em que, por oposição à Quaresma se come carne, constituindo por assim dizer uma época festiva que se destina simultaneamente a ritualizar a despedida do ano velho e, por conseguinte, o entrudus ou entrada da Primavera e no período quaresmal que a antecede.

A70777

A desaparecida figura do xé-xé era a mais típica do carnaval lisboeta no século XIX.

Com a chegada do Inverno e a consequente morte dos vegetais e da própria natureza, o homem recorre preferencialmente ao consumo da carne como forma de assegurar meios de sobrevivência. Desde sempre, o porco representou um elemento essencial na economia familiar nos meios rurais uma vez que a sua carne pode ser conservada na salgadeira durante muito tempo, o que permite suprir a escassez de outro género de alimentos como os vegetais que geralmente desaparecem durante o Inverno. E é durante este período que ocorrem um pouco por todo o lado as tradicionais matanças do porco num ritual com um certo carácter festivo. E, continua a ser o porco o animal que entra preferencialmente na simbologia do Carnaval, não raras as vezes associando-se o respetivo focinho às máscaras carnavalescas.

Desde os tempos mais remotos, os povos sempre ritualizam a entrada do ano ou seja, a chegada da Primavera e o renascimento da natureza, acreditando que, dessa forma, esta lhes seria favorável. Com efeito, para o homem primitivo a celebração do ritual correspondia a uma forma de participação na ação criadora dos deuses, assegurando-se desse modo que o ciclo da natureza não seria interrompido, o que confere ao rito um carácter de magia imprescindível à reprodução do gesto primordial ou seja, o da própria criação do mundo e das coisas. O rito é, por assim dizer a celebração do mito da criação, assumindo sempre a sacralidade imanente ao ato da criação divina. Assim se verifica com as práticas relacionadas com o culto dos mortos que ocorre invariavelmente com a chegada do Inverno e também com as celebrações do nascimento do sol que se verifica no solstício de Dezembro, altura em que os dias cessam de diminuir e voltam a crescer, ocasião essa que dava lugar às saturnais entre os romanos e com a influência do cristianismo veio a originar a celebração do Natal de Jesus Cristo, embora não existam quaisquer documentos que indiquem ter sido essa a sua data de nascimento. Ora, é das saturnais romanas que provêm os festejos de Carnaval os quais eram consagrados à divindade egípcia Ísis, embora estes a tenham adquirido dos gregos que as realizavam em honra de Dionísios, um deus do vinho e dos prazeres da carne. Em Veneza onde as máscaras brancas ainda pontificam, o Carnaval terminava com o enterro de Baco, curiosamente, a divindade que na mitologia latina corresponde à de Dionísios na Grécia antiga.

O uso de máscaras que ocorre durante os festejos de Carnaval tem na sua origem um carácter religioso relacionado ainda com o culto dos mortos, pretendendo-se com a sua antropomorfização invocar os seus espíritos e a sua intercessão no ciclo ininterrupto de vida e morte da própria natureza e dos vegetais, razão pela qual muitos mascarados se vestem de branco, afivelam máscaras que representam esqueletos ou simplesmente a própria morte. Acendiam-se fogueiras e queimavam-se bonecos, costume aliás que de igual modo deve estar na origem da serração da velha, a qual também nos aparece sob a forma de pulhas e ainda na versão mais cristianizada da queima do Judas. É neste contexto ainda que se inserem as tradicionais máscaras transmontanas e as festas dos rapazes que ali têm lugar.

Com o decorrer dos tempos, estas festividades também adquiriram um carácter de crítica social, visando com ele corrigir os desvios verificados no ano velho de modo ao renascimento da natureza também se operar no indivíduo e no seio da própria sociedade, o que explica as pulhas e os "testamentos" que são lidos na serração da velha e na queima do judas, bem assim como as máscaras que procuram representar alguém sem ser a própria morte. Aliás, na tragédia grega a máscara que era usada significava precisamente a "pessoa" que se representava.

Resultante da combinação entre a cultura europeia predominantemente portuguesa e as culturas africanas e indígenas, o Carnaval adquiriu no Brasil alguns aspetos diferenciados a que não são alheias as condições climáticas e as diferentes influências que se verificam nas diversas regiões como sucede com o Carnaval da Baía em relação ao de São Paulo e do Rio de Janeiro. Por conseguinte, a transplantação do Carnaval brasileiro para Portugal afigura-se a todos os títulos desajustada como ridícula, apenas justificável por motivos comerciais. Aliás, da mesma forma que sucede em relação ao haloween, costume que se insere no culto dos mortos e foi levado para o continente americano pelos colonos europeus e que agora regressa sob a forma de mercadoria.

Perdida que foi a sacralidade primitiva, os festejos chegam até nós pela tradição, despojados de espiritualidade, apenas envoltos em fantasia e divertimento, mas contendo ainda em si os elementos que o determinaram. Com efeito, o Carnaval ou "festa da carne" antecede a Quaresma, para os muçulmanos o Ramadão, período de abstinência que se destina à purificação do corpo e da alma e que visa preparar-nos para o renascimento da vida e da natureza, o ano que começa com a chegada da Primavera.

E é então que tem lugar a Serração da Velha e a garotada percorre os caminhos das aldeias com zambumbas e zaquelitraques, tréculas, sarroncas e tudo quanto produza barulho e que se destina a afugentar os demónios do Inverno. Práticas, aliás, que também ocorrem consoante os casos no Carnaval e na passagem de ano, na noite de Natal ou durante os Reis. Para trás ficou a longa noite do Inverno repleta de visões e fantasmas aterrorizantes com abóboras iluminadas nas encruzilhadas dos caminhos e reuniões de bruxas sob as pontes e nos cabeços dos montes, os peditórios de "pão por Deus" e as visitas aos cemitérios, a queima do madeiro e o cantar das almas.

É então chegada a Primavera e com ela as festas equinociais. É tempo de renascimento da vida e da própria natureza, celebrado entre os cristãos como a ressurreição de Cristo e representada através do ovo da Páscoa, símbolo da fertilidade e do nascimento da vida nova. Entre muitos povos europeus mantém-se o costume de enterrar ovos nos campos que servem de divertimento ao rapazio que se entretém à procura enquanto a nossa gastronomia conserva a tradição do folar. Ao toque das sinetas e ribombar dos foguetes, os mordomos aperaltados nas suas opas vermelhas levam a cruz florida a beijar de casa em casa enquanto os caminhos se enchem de alecrim, funcho e rosmaninho - é o compasso pascal, a forma como a festa é vivida nas aldeias de Entre-o-Douro-e-Minho e também em Trás-os-Montes.

Em breve virá o Maio e, com ele, as maias feitas de giestas floridas, a celebração do Corpus Christi, das festas do Espírito Santo em Tomar e nos Açores, as fogaceiras em terras da Feira e as festas e romarias que animam as pequenas comunidades rurais, as peregrinações aos pequenos santuários e ermidas que salpicam montes e vales e que servem de pretexto para mais uma festa. As gentes do mar adornam os seus barcos e vão em colorida procissão dar graças pelo pão que o mar lhes dá e invocar a proteção que lhes vale na aflição.

A seu tempo chegarão as colheitas e as malhadas, as vindimas e as adiafas, o S. Miguel e as desfolhadas que nalgumas regiões também se dizem descamisadas. E, de novo, reiniciar-se-á o ciclo da vida e da morte que assim permanece desde a criação do mundo, como um carrossel num movimento incessante.

Na religião primitiva, o Homem unia a morte à vida como uma constante de perpétuo renascimento. Tal como na natureza ao Inverno sucede a Primavera e com ela o renascimento da vida e dos vegetais, a vida renasce da morte da mesma forma que esta resulta da própria vida. Esta forma de pensamento pode ser encontrada na filosofia platónica e em civilizações mais recentes, ainda que sob formas diferenciadas. A tradição trouxe-nos até nós tais práticas que passaram a fazer parte do nosso folclore.

Pese embora as transformações culturais e as modificações que entretanto se operaram na mentalidade dos povos, as mudanças sociais e de modos de vida cada vez mais divorciada da própria natureza, cumpre-nos manter tais costumes como forma de preservar a nossa identidade e, o que nos parece essencial, a nossa própria dimensão humana. Graças à tradição conseguiremos transmitir aos vindouros o conhecimento humano que os nossos ancestrais nos legaram!

Carlos Gomes / http://www.folclore-online.com/



publicado por Carlos Gomes às 20:50
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Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2015
GALEGOS EM LISBOA FESTEJAM O ENTROIDO

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publicado por Carlos Gomes às 00:35
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XUVENTUDE DE GALÍCIA EM LISBOA ENSINA CRIANÇAS A FAZER MÁSCARAS TRADICIONAIS



publicado por Carlos Gomes às 00:29
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Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2015
MOITA BRINCA AO CARNAVAL

Com o Carnaval à porta, preparam-se diferentes iniciativas para todas as idades, no concelho da Moita, para celebrar esta época de folia.

Corso de Carnaval

“A Velhinha Mergulha nas Artes da Vida” é o tema deste ano do Corso de Carnaval de Alhos Vedros que vai sair à rua, nos dias 15 e 17 de fevereiro, às 15:00h, com diferentes carros alegóricos e centenas de figurantes. Há já 26 anos que o Carnaval de Alhos Vedros é organizado pela Sociedade Filarmónica Recreio e União Alhosvedrense “A Velhinha” que conta também com o apoio logístico e financeiro da Câmara Municipal da Moita, entre outras entidades e instituições. A entrada é livre.

No dia 13 de fevereiro, a partir das 10:00h, as ruas das diferentes freguesias do concelho da Moita vão encher-se de cor, muita alegria e pequenos mascarados ao receberem os tradicionais desfiles carnavalescos das escolas, com os alunos do 1º ciclo do Ensino Básico e do Ensino Pré-Escolar a exibirem os seus fatos e mascarilhas preparados nas diferentes escolas do concelho.

Na Biblioteca Municipal da Baixa da Banheira, a tarde do dia 14 de fevereiro também vai ser diferente e divertida: às 14:30h e às 18:30h, os animadores da biblioteca vão promover “Pinturas Faciais nas Férias de Carnaval”.

Desfile de canarval das escolas

Pinturas faciais



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Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2015
MOITA PREPARA FESTEJOS DE CARNAVAL

Maré Cheia de fevereiro destaca Carnaval no concelho da Moita

Fevereiro é o mês do faz de conta, das máscaras e da folia e, por isso, a Maré Cheia deste mês é, quase na íntegra, dedicada ao Carnaval.

Ao folhear esta edição, já disponível em www.cm-moita.pt e nos locais habituais, vai ficar a saber o que o Município da Moita tem para oferecer nesta época carnavalesca. Na rubrica “À Lupa”, fique a par dos Desfiles de Carnaval das escolas do concelho, do Corso Carnavalesco de Alhos Vedros e de outras iniciativas para os mais pequenos. Conheça um pouco mais sobre a história e a atividade da Bateria de Samba da SFRUA “A Velhinha”, na rubrica “Aqui Tão Perto”.

O “Vai Acontecer” elenca, como habitualmente, todas as iniciativas previstas para o mês, nas mais várias áreas, da dança ao teatro, da música ao desporto, das exposições às atividades para crianças, do cinema a outros eventos.

Bifanas famosas há muitas, com certeza, mas na Maré Cheia apresentamos-lhe, nos “Sabores e Saberes”, a “Bifana à Moita” que pode provar no Restaurante Sabor e Conversa.

Não deixe ainda de dar uma olhadela às nossas sugestões de site, filme, livro e música, nas “Cumplicidades”.

Se gostaria de receber a Maré Cheia em sua casa, todos os meses, contacte o Gabinete de Informação e Relações Públicas da Câmara Municipal da Moita, através do e-mail: informacao-rpublicas@mail.cm-moita.pt ou do telefone 212806715.



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Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2015
LOURES JÁ ANUNCIA FESTEJOS DO CARNAVAL



publicado por Carlos Gomes às 00:35
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