Blogue de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes de Lisboa e arredores

Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2017
FADO JUNTA PORTUGUESES EM NEWARK

Sábado 18 de Fevereiro

A apresentação do evento está a cargo de Susana Caetano e Sandro Mouro. O artista plástico Fernando Silva é o responsável pelo cenário e os técnicos de luz e som são Márcio Santos e Nuno Calhau.

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Dito isto, é altura de fazer silêncio e deixar ouvir o fado, a primeira expressão artística classificada pela UNESCO como Património Imaterial da Humanidade.

Os prémios de melhor fadista vão ser disputados entre Andrea Miguens, Ana Paula Gouveia, António da Silva, António Amâncio, Carlos Anjos, Domingos Parreira, Jack Almeida, Mário Cunha, Noémia Romano, e como suplentes, Bibito da Silva, Glória de Melo e Luis Lourenço, acompanhados na viola clássica por Viriato Ferreira e na viola portuguesa por José Silva, o duo “Guitarras do Atlântico” que vem de Rhode Island.

Alexandra Marques, a jovem vencedora da edição de 2016, vai actuar como artista convidada assim como Emília Silva, Corina e Pedro Botas

O júri vai avaliar os concorrentes nas categorias afinação, ritmo, dicção e apresentação. O concorrente com mais pontos terá a oportunidade de participar na Gala da Proverbo em Outubro, o segundo classificado ganhará um certificado da ourivesaria Jack & Dee e o terceiro, um jantar para duas pessoas no restaurante Marisqueira.

O público escolherá o fadista mais popular que será convidado de honra numa noite de karaoke do Sport Club Português.

Todos os participantes receberão livros e CD’s.



publicado por Carlos Gomes às 20:48
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Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2017
“FILHA DE EMIGRANTES”, O NOVO SINGLE DE MK NOCIVO

Depois de “O Mesmo de Sempre” e “Se Eu Fosse Presidente”, é tempo de conhecermos “Filha de Emigrantes”, o mais recente single extraído do último álbum de MK Nocivo, “Pro Domo - Em Causa Própria”, que reflecte sobre a árdua vida de um emigrante e conta com a participação da cantora Vanessa Martins e produção de L.O.B. O vídeo oficial, lançado no final do ano passado, somou 200 mil visualizações num espaço de duas semanas apenas.

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“Pro Domo – Em Causa Própria”, o novo álbum do rapper brigantino, já se encontra disponível em formato físico e para audição nas principais plataformas de streaming.

O interesse de Jorge Rodrigues pelo Hip Hop despertou em 1998, depois de ouvir o clássico "It’s Like That" dos RUN DMC, e a sua primeira paixão foi o graffiti. Mas só em 2004 é que começou a escrever rimas e a produzir. A vontade de evoluir e aprender era enorme, assim como o sonho de possuir um registo em nome próprio. Ao longo dos anos foi criando faixas soltas, organizando uns concertos e juntando dinheiro para o seu primeiro registo a solo – o "Capítulo Obsceno", que saiu em 2007. O dinheiro obtido com esse trabalho deu para comprar algum material e montar um home studio e, a partir daí, editou várias mixtapes que disponibilizou online para download gratuito.

O projeto MK Nocivo nasceu oficialmente em maio de 2004 e o primeiro concerto aconteceu em outubro, no Dia Mundial da Música, no Teatro Municipal de Bragança. Em termos de discografia, conta já com inúmeros trabalhos e colaborações. Além disso, foi vencedor do Rock Rendez Worten 2008 e finalista do concurso de bandas Sumol Summer Fest, em 2014. No ano seguinte sagrou-se vencedor do NOS Live Act, tendo marcado presença no cartaz do festival.

“A excepção à regra, a prova que do nada nasce tudo” é como o próprio MK Nocivo se define. Isso mesmo pode ser confirmado agora com a edição do seu novo álbum, “Pro Domo – Em Causa Própria”, antecedido pelos singles “O Mesmo de Sempre” e “Se Eu Fosse Presidente”.



publicado por Carlos Gomes às 19:49
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Terça-feira, 11 de Outubro de 2016
FIRA D’ANDORRA LA VELLA VAI TER “SABOR” LUSITANO

“A capital do Principado de Andorra, Andorra la Vella, vai acolher nos próximos dias 21, 22 e 23 de Outubro a 38ª edição da “Fira d’Andorra la Vella”, uma feira multissectorial de Andorra e Pirineus, evento que no ano passado recebeu cerca de 70.000 visitantes.

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Este ano a portugalidade estará representada pelo Grupo de Folclore ‘Casa de Portugal’ integrada na 6ª Feira de Associações formada por 55 stands de entidades culturais, escolares, de solidariedade e desportivas, entre outras.

O Grupo de Folclore vai dispor, juntamente com as comunidades de Filipinas, Russia, Equador, Perú, entre outros, dum espaço para a promoção e venda de produtos de artesanato e de produtos alimentares destinados ao imenso publico que visita a amostra.
Além do artesanato regional português tem sido um êxito, ano após ano, os tradicionais petiscos portugueses como: bolinhos e pataniscas de bacalhau, rissóis, moelas e fêveras, tudo bem regado com vinho branco ou tinto e que os andorranos e outros apreciam e não arredam pé até acabar com o stock.
No sábado 22 o Grupo de Folclore ‘Casa de Portugal’ apresenta em palco a partir das 19 horas, o folclore tradicional do seu repertório como os viras, rusgas e gótas, momento que, como vem sendo tradição, atrai o imenso publico que não quer perder as danças, as cantigas e a riqueza do trajar do Minho.
Este ano 2016 tem sido especial para os elementos do Grupo que celebram no Principado duas décadas de cultura e amizade e tem tido uma intensa atividade cultural e lúdica para celebrar a efemérida destacando o concerto do artista Mike da Gaita, a primeira edição do festival de folclore “Danças do Mundo”, a terceira edição do mercado tradicional “O Feirão” que contou com a presença do Cante Alentejano de Serpa e a digressão a Maiorca no passado mês de Setembro.”

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publicado por Carlos Gomes às 16:57
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Segunda-feira, 4 de Julho de 2016
ANDORRA: CANTE ALENTEJANO ESTREMECE PIRINÉUS

O Cante Alentejano foi o protagonista da terceira edição do Mercado Tradicional em Andororra. O Feirão é uma iniciativa do Grupo de Folclore 'Casa de Portugal', coletividade que este ano celebra o seu vigésimo aniversário.

No passado sábado, 2 de Julho, a Praça Guillemó da capital do Principado de Andorra acolheu a partir das 18 horas o 'Feirão', ponto de encontro de sabores, artesanato, e folclore português que contou com o apoio do Comú(Câmara) de Andorra la Vella.

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Os elementos do Grupo de Folclore 'Casa de Portugal', trajados para a ocasião, recriaram um mercado tradicional dividido em cinco zonas temáticas - Artesanato, onde se podia encontrar roupa regional, brinquedos antigos e peças de artesanato elaboradas pelas moças do Grupo.

Horta, com os principais produtos hortícolas como alfaces, couves, feijão, assim como ovos caseiros, coelhos e galos. Sabores, onde os visitantes podiam adquirir licores e aguardente, a broa de milho, o azeite transmontano ou os melhores enchidos.

Doces, onde os pasteis de Belém se misturavam com bolos caseiros e o doce sortido. Tasca, ponto de encontro de sabores onde os visitantes podiam degustar rissóis, pataniscas de bacalhau, bifanas e feijoada, tudo regado com um bom vinho verde ou maduro. Durante a atividade do Mercado Tradicional os elementos do Grupo amenizaram a tarde com as danças tradicionais do seu reportório e convidando o publico a dançar o Vira Geral.

Da praça Guillemó o publico dirigiu-se ao Centro Cultural la Llacuna onde foi inaugurada a exposição fotográfica 'Mosaicos de uma cultura' formada por vinte painéis nos quais os elementos do Grupo de Folclore 'Casa de Portugal' representaram a atividade das gentes do norte de Portugal integrada no património paisagístico do Principado.

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O Grupo Coral e Etnografico da Casa do Povo de Serpa inaugurou o evento com Cante Alentejano e posteriormente Jose Luis Carvalho, Diretor do Grupo de Folclore 'Casa de Portugal' deu as boas-vindas às personalidades assistentes, Sr. Carlos Alves, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Serpa, Sr. Miquel Canturri, Vereador de Serviços Públicos do Comú (Câmara) de Andorra la Vella, Dr. Paulo Lima, Diretor da Casa do Cante e ao numeroso publico que assistiu aos discursos das personalidades e desfrutou do Cante.

Após a inauguração, a Praça Guillemó voltou a ser de novo ponto de encontro da cultura tradicional portuguesa desta vez com a presença do Grupo Coral e Etnografico da Casa do Povo de Serpa que com as vozes do Cante enriqueceu o mercado tradicional e emocionou muitos dos assistentes incluído um casal de noivos que pararam na praça e foram agraciados com o Cante.

Transmitido em direto pela Radio Ondas de Portugal, durante varias horas manteve-se o convívio entre o publico, o Grupo coral e os elementos do Grupo de Folclore 'Casa de Portugal', orgulhosos de ter proporcionado à sociedade andorrana o mercado tradicional, a inauguração da exposição e o Cante Alentejano, património imaterial da humanidade pela UNESCO.

José Luís Carvalho / Grupo de Folclore Casa de Portugal

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publicado por Carlos Gomes às 11:52
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Segunda-feira, 6 de Junho de 2016
PORTUGAL HOMENAGEIA GÉRALD BLONCOURT

O Presidente da República vai condecorar com o grau de comendador da Ordem do Infante D. Henrique o fotógrafo francês de origem haitiana Gérald Bloncourt. Trata-se do fotógrafo que mais retratou a situação difícil vivida pelos portugueses nos bairros de lata periféricos da cidade de Paris, entre os anos cinquenta e setenta do século passado, contribuindo dessa forma para dar visibilidade à situação miserável em que se encontravam e contribuir para a sua mudança e melhoria das condições de vida no país de acolhimento.

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A homenagem terá lugar em Champigny, símbolo da presença portuguesa, onde aliás o associativismo das nossas gentes continua a registar presença marcante e a Rádio Alfa possui os seus estúdios a emitir diariamente para toda a comunidade portuguesa.

Apesar dos progressos entretanto verificados, a emigração continua a ser um flagelo na sociedade portuguesa. Calcula-se em mais de meio milhão o número de portugueses que nos últimos anos terá emigrado em consequência da catastrófica situação do país, da falta de emprego e perspetivas.

Partem sobretudo os mais jovens e com melhores qualificações. Para trás deixam a família e os amigos e consigo levam a saudade e a esperança do regresso. Mas, tal como sucedeu com outras gerações de emigrantes que os antecederam no exílio, acabarão por se fixar nos países de acolhimento onde começam uma nova vida e virão a educar os seus filhos.

Vendo partir os seus filhos, Portugal empobrece e despovoa-se. A partida dos jovens, somada ao acentuado declínio demográfico em breve tornará os portugueses uma espécie em extinção.

Para que a memória não se apague, publicamos algumas fotos da autoria do fotógrafo francês Gérald Blonclourt, que documentam tempos difíceis da emigração portuguesa para frança, precisamente um dos países da então CEE.

Fotos: Gérald Bloncourt / http://bloncourt.over-blog.net/

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publicado por Carlos Gomes às 14:17
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Domingo, 1 de Maio de 2016
ANTÓNIO JOSÉ SEGURO APRESENTA EM LISBOA OBRA SOBRE A EMIGRAÇÃO PORTUGUESA DA AUTORIA DO ESCRITOR DANIEL BASTOS

Lisboa recebeu apresentação do livro “Gérald Bloncourt – O olhar de compromisso com os filhos dos Grandes Descobridores”

Foi ontem apresentada em Lisboa a obra Gérald Bloncourt – O olhar de compromisso com os filhos dos Grandes Descobridores”.

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O livro, concebido e realizado pelo historiador minhoto Daniel Bastos a partir do espólio do conhecido fotógrafo que imortalizou a história da emigração portuguesa para França nos anos de 1960, foi apresentado na FNAC do Chiado, numa sessão muito participada e que esteve a cargo do professor universitário e ex-secretário-geral socialista, António José Seguro.

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Com chancela da Editora Converso, o livro traduzido para português e francês pelo docente Paulo Teixeira, e prefaciado pelo multipremiado ensaísta Eduardo Lourenço, reúne memórias, testemunhos e mais de centena e meia de fotografias originais da maior importância para a história portuguesa do último meio século. 

No decurso da sessão, António José Seguro, que enalteceu as qualidades humanas e intelectuais do historiador e escritor Daniel Bastos, qualificou a obra como sendo um relevante contributo para a história e memória da emigração portuguesa da segunda metade do séc. XX.

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A sessão de apresentação em Lisboa incluiu a inauguração de uma exposição fotográfica evocativa da ligação de Gérald Bloncourt a Portugal, que estará durante os próximos três meses patente ao público no Fórum da FNAC - Chiado.

Refira-se que no dia 12 maio (quinta-feira), às 18h30, o livro será apresentado no Consulado de Portugal em Paris, numa sessão aberta à numerosa comunidade portuguesa radicada na capital francesa, e que contará com a presença do fotógrafo que seguiu durante trinta anos a vida dos portugueses em França.

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publicado por Carlos Gomes às 22:31
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Sábado, 30 de Abril de 2016
ESCRITOR FAFENSE DANIEL BASTOS APRESENTA HOJE EM LISBOA O LIVRO SOBRE GÉRALD BLONCOURT E A EMIGRAÇÃO PORTUGUESA

Apresentação do livro “Gérald Bloncourt – O olhar de compromisso com os filhos dos Grandes Descobridores” na capital portuguesa

É hoje apresentado em Lisboa a obra “Gérald Bloncourt – O olhar de compromisso com os filhos dos Grandes Descobridores”.

Gérald Bloncourt ladeado pelo historiador Daniel

O livro, concebido pelo escritor e historiador Daniel Bastos a partir do espólio do conhecido fotógrafo que imortalizou a história da emigração portuguesa para França nos anos de 1960, é apresentada às 17h00 na FNAC do Chiado.

A apresentação do livro com chancela da Editora Converso, uma edição bilingue traduzida para português e francês pelo docente Paulo Teixeira, que conta com prefácio do multipremiado pensador Eduardo Lourenço, estará a cargo do professor universitário e ex-secretário-geral socialista, António José Seguro.

Capa do Livro

Além das fotografias históricas que Gérald Bloncourt captou sobre a vida dos emigrantes portugueses nos bidonvilles dos arredores de Paris, a obra reúne igualmente memórias, testemunhos e imagens originais que o fotógrafo francês de origem haitiana realizou durante a sua primeira viagem a Portugal na década de 1960, onde retratou o quotidiano das cidades de Lisboa, Porto e Chaves, assim como as da viagem a “salto” que fez com emigrantes portugueses além Pirenéus, e as das comemorações do 1.º de Maio de 1974 em Lisboa.

Segundo Daniel Bastos, investigador da nova geração de historiadores portugueses com um percurso literário alicerçado junto das comunidades portuguesas, a edição do espólio fotográfico de Gérald Bloncourt, composto por um conjunto de centena e meia de imagens da maior importância para a história portuguesa do último meio século, é “um convite a uma viagem de redescoberta de um país e de um povo entre os povos”.

Refira-se que a obra é patrocinada por duas dezenas de empresas representativas do tecido socioeconómico luso-francês, e que a sessão de apresentação em Lisboa incluirá a abertura de uma exposição fotográfica evocativa da ligação de Gérald Bloncourt a Portugal, que está a circular pelos diversos espaços da FNAC no território nacional.

Ainda no último Festival das Migrações, das Culturas e da Cidadania, um dos eventos culturais e literários de referência no panorama europeu, que decorre anualmente em Março no Luxemburgo, o livro foi uma das obras em destaque e alvo dos mais rasgados elogios das comunidades portuguesas.

Contra-capa do Livro



publicado por Carlos Gomes às 00:00
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Sábado, 23 de Abril de 2016
ESCRITOR DANIEL BASTOS APRESENTA EM LISBOA LIVRO SOBRE GÉRALD BLONCOURT E A EMIGRAÇÃO PORTUGUESA

Apresentação do livro “Gérald Bloncourt – O olhar de compromisso com os filhos dos Grandes Descobridores” na capital portuguesa

No próximo dia 30 de abril (sábado), é apresentada em Lisboa a obra Gérald Bloncourt – O olhar de compromisso com os filhos dos Grandes Descobridores”.

Gérald Bloncourt ladeado pelo historiador Daniel

O livro, concebido pelo escritor e historiador Daniel Bastos a partir do espólio do conhecido fotógrafo que imortalizou a história da emigração portuguesa para França nos anos de 1960, é apresentada às 17h00 na FNAC do Chiado.

A apresentação do livro com chancela da Editora Converso, uma edição bilingue traduzida para português e francês pelo docente Paulo Teixeira, que conta com prefácio do multipremiado pensador Eduardo Lourenço, estará a cargo do professor universitário e ex-secretário-geral socialista, António José Seguro.

Capa do Livro

Além das fotografias históricas que Gérald Bloncourt captou sobre a vida dos emigrantes portugueses nos bidonvilles dos arredores de Paris, a obra reúne igualmente memórias, testemunhos e imagens originais que o fotógrafo francês de origem haitiana realizou durante a sua primeira viagem a Portugal na década de 1960, onde retratou o quotidiano das cidades de Lisboa, Porto e Chaves, assim como as da viagem a “salto” que fez com emigrantes portugueses além Pirenéus, e as das comemorações do 1.º de Maio de 1974 em Lisboa.

Segundo Daniel Bastos, investigador da nova geração de historiadores portugueses com um percurso literário alicerçado junto das comunidades portuguesas, a edição do espólio fotográfico de Gérald Bloncourt, composto por um conjunto de centena e meia de imagens da maior importância para a história portuguesa do último meio século, é “um convite a uma viagem de redescoberta de um país e de um povo entre os povos”.

Refira-se que a obra é patrocinada por duas dezenas de empresas representativas do tecido socioeconómico luso-francês, e que a sessão de apresentação em Lisboa incluirá a abertura de uma exposição fotográfica evocativa da ligação de Gérald Bloncourt a Portugal, que está a circular pelos diversos espaços da FNAC no território nacional.

Ainda no último Festival das Migrações, das Culturas e da Cidadania, um dos eventos culturais e literários de referência no panorama europeu, que decorre anualmente em Março no Luxemburgo, o livro foi uma das obras em destaque e alvo dos mais rasgados elogios das comunidades portuguesas.

Contra-capa do Livro



publicado por Carlos Gomes às 16:11
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Sábado, 23 de Janeiro de 2016
PARIS HOMENAGEIA PORTEIROS PORTUGUESES

A Mairie de Paris vai hoje condecorar com a medalha de bronze do município, 7 porteiros que se distinguiram no auxílio prestado às vítimas por ocasião dos recentes atentados terroristas que tiveram lugar sobretudo na sala de espetáculos Le Bataclan.

A cerimónia decorre no salão nobre da Mairie e as condecorações serão entregues pessoalmente pela presidente da edilidade, a franco-espanhola, Anne Hidalgo, que será acompanhada na ocasião pelo seu adjunto para o alojamento, Ian Brossat, e pelo franco-português Hermano Sanches Ruivo, seu conselheiro delegado para os assuntos europeus.

A maior parte dos agraciados são portugueses ou luso-descendentes. Na ocasião, vão também ser homenageados pelo município parisiense 600 porteiros com o diploma “Porteiro da Cidade de Paris”.

A região de Paris constitui, desde há muito tempo, uma das ocupações escolhidas pelos emigrantes portugueses que vivem na região parisiense. O realizador Rúben Alves, também ele de ascendência portuguesa, transmitiu-nos recentemente a propósito um excelente retrato através do seu filme “A Gaiola Dourada”.

As porteiras existem em Paris desde os finais da Idade Média, tendo sido celebrizadas nas obras de grandes escritores como Emile Zola, Eugène Sue e Robert Doisneau. Após o término da Segunda Guerra Mundial, existiam em Paris cerca de quarenta mil concierges.

Entretanto, com o aparecimento dos códigos digitais e dos videofones, a maior parte dos proprietários de imóveis em Paris têm vindo a prescindir dos seus serviços, não existindo atualmente mais do que dez mil. Porém, além dos inúmeros serviços que prestam aos locatários, as concierges são frequentemente uma espécie de “anjo-da-guarda” de pessoas idosas que vivem por vezes em situação de isolamento, fenómeno cada vez vais comum nas grandes cidades. E, uma vez mais, revelou-se que as tecnologias não substituem os seus préstimos, incluindo a coragem e o auxílio humanitário às vítimas de um atentado terrorista.



publicado por Carlos Gomes às 12:58
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Sábado, 5 de Dezembro de 2015
LIVRO “GÉRALD BLONCOURT – O OLHAR DE COMPROMISSO COM OS FILHOS DOS GRANDES DESCOBRIDORES” LANÇADO EM PORTUGAL

Teve ontem lançamento em Fafe o livro Gérald Bloncourt – O olhar de compromisso com os filhos dos Grandes Descobridores”.

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A obra, concebida e realizada pelo historiador português Daniel Bastos a partir do espólio do conhecido fotógrafo que imortalizou a história da emigração portuguesa para França nos anos 60, foi apresentada em Fafe, cidade que alberga o Museu das Migrações e das Comunidades, numa sessão que encheu por completo o auditório da Biblioteca Municipal e que esteve a cargo da conhecida socióloga das migrações Maria Beatriz Rocha – Trindade.

Além das imagens históricas que o fotógrafo de 89 anos captou sobre a vida dos emigrantes portugueses nos bidonvilles de Paris, que já integraram várias exposições em Portugal e França, a obra traduzida para português e francês pelo docente Paulo Teixeira, e prefaciada pelo consagrado ensaísta e pensador Eduardo Lourenço, reúne memórias, testemunhos e mais de centena e meia de fotografias originais da maior importância para a história portuguesa do último meio século.

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Impossibilitado de estar presente na sessão de lançamento, o fotógrafo francês, cavaleiro da Ordem Nacional da Legião de Honra francesa, a mais alta distinção civil de França, enviou uma mensagem afirmando: “as fotografias do livro do meu amigo Daniel Bastos são testemunho da aventura extraordinária que passei ao lado dos emigrantes portugueses que partiram para França entre 1954 e 1974. Agradeço ao Daniel Bastos, ao Paulo Teixeira, ao Eduardo Lourenço, à Conceição Tina, à Maria Beatriz Rocha-Trindade, e a todos que apoiaram este livro de registo de momentos inesquecíveis de dignidade e fraternidade com os filhos dos grandes descobridores”.

No decurso da sessão, Maria Beatriz Rocha – Trindade, autora de uma vasta bibliografia internacional sobre matérias relacionadas com as migrações, afirmou que embora sendo um olhar retrospetivo sobre o fenómeno da emigração portuguesa, a obra mantém plena atualidade e pertinência perante o drama dos migrantes e refugiados que comove a Europa.

Refira-se que a obra é patrocinada por duas dezenas de empresas representativas do tecido socioeconómico luso-francês. Como o Hipermercado E.Leclerc, rede de hipermercados de origem francesa que irá comercializar a obra em várias superfícies comerciais em Portugal, estando agendado para 12 de dezembro (sábado) a apresentação do livro no E.Leclerc de Chaves, distrito de Vila Real.

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O livro será também comercializado pela cadeia de lojas FNAC, estando agendado para 19 dezembro (sábado) às 21h00 a apresentação da obra na FNAC em Guimarães, e no dia 22 de janeiro (sábado) às 21h30 na FNAC em Braga, sessão que assinalará a inauguração de uma exposição fotográfica evocativa da ligação de Gérald Bloncourt a Portugal e que circulará de três em três por todos os espaços culturais da FNAC no território nacional.

No início de 2016 estão agendadas várias sessões de apresentação da obra junto das comunidades portuguesas residentes no estrangeiro, em particular da numerosa comunidade portuguesa radicada em Paris, uma sessão carregada de grande simbolismo que contará com a presença do fotógrafo que durante mais de vinte anos escreveu com luz a vida dos portugueses em França e em Portugal.

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publicado por Carlos Gomes às 22:10
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Segunda-feira, 16 de Março de 2015
A VIDA DOS EMIGRANTES PORTUGUESES NA ARGENTINA DEU UM LIVRO

Algarvios, muitos, minhotos e serranos cons-truíram, na primeira metade do século XX, uma nova vida num país que estava, também ele, a ser ainda construído. De Buenos Aires à Patagónia. Em Portugal Querido, podemos ler histórias como a de Yudith, que atravessou o oceano sem saber como era o pai que a esperava no outro lado do Atlântico.

O livro foi uma empreitada familiar

Vivíamos em São Brás de Alportel… e o meu pai levava-me a passear todos os dias quando chegava do trabalho. Eu era a filha mais velha de três irmãos e de um ainda por nascer… De um dia para o outro, deixei de ver o meu pai e com quatro anos — e ele apenas com 23 — não podia entender o que tinha acontecido, nem para onde tinha ido. Ao ficarmos sozinhos, fomos viver para o campo, no sítio Dos Machados, com a minha mãe Gertrudes, grávida de oito meses. Ela teve de ir trabalhar, pelo que eu e os meus irmãos ficávamos sozinhos, quase todo o dia. Começaram a chegar as primeiras cartas. O meu pai pedia que o filho, se fosse varão, se chamasse Abel. Os dias passavam e eu só via cartas. Numa delas, ele dizia: ‘Yudith, neste momento, olhando as estrelas, vejo nelas o brilho dos teus olhos’, palavras que me ficaram gravadas na memória, apesar da minha tenra idade.”

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Os irmãos Victor, Andrea e Mário Lopes

Yudith Rosa Viegas recorda, assim, a partida do pai para a Argentina, em 1926. O reencontro só aconteceria “13 longos anos” mais tarde, quando, em vésperas do início da II Guerra Mundial, embarcou com a mãe e os dois irmãos (o bebé mais novo, uma menina que não pôde chamar-se Abel, morreu com apenas oito meses) “num barco inglês” a caminho de Buenos Aires.

O destino desta família algarvia e de muitas outras famílias portuguesas foi recolhido por Mário dos Santos Lopes, jornalista e professor, também ele filho de algarvios que emigraram para a Argentina, e que lançou, naquele país, o livro Portugal Querido. A edição de autor, de cinco mil exemplares, já está a ser revista e ampliada, com novas histórias de uma emigração muito particular.

Mário dos Santos Lopes, 55 anos, recusa arcar sozinho com a responsabilidade do livro. Até porque, explica à Revista 2, quem insistiu para que ele avançasse com o projecto foi o irmão, Victor, que abriu uma pousada portuguesa, a Pousada São Brás, em Córdoba. “Estava de férias em Villa General Belgrano, Córdoba, e, durante uma conversa, o meu irmão Victor disse que gostaria de publicar um livro em homenagem aos imigrantes. Disse-lhe que sim, que o faria, mas na realidade não sabia como nem em quanto tempo. Nessa mesma noite, comecei a procurar contactos de luso-descendentes no Facebook e na Internet, sem saber onde chegaríamos. A ideia original era termos um livro de cem páginas, algo muito pequeno”, explica, através de email, o jornalista que vive em Puerto Deseado, Santa Cruz, na Patagónia argentina.

A tarefa assemelhou-se “às obras de Santa Engrácia”, lê-se na introdução de Portugal Querido, e só ficaria pronta ao fim de cinco anos de busca e escrita, tornando-se uma verdadeira empreitada familiar. Victor foi “o criador e impulsionador da ideia”, Andrea, a irmã mais nova, “traduziu, corrigiu e deu bons conselhos”. Juan Benjamín Lopes, filho de Mário, “desgravou os áudios”. Pablo Molina e Ana Laura Lopes, genro e filha, “puseram o coração e o profissionalismo na artística capa do livro”. O resultado foi uma obra de 254 páginas com muitas histórias de emigrantes, algumas referências históricas da passagem portuguesa pela Argentina, umas curtas histórias e participações de emigrantes lusos noutros países, vários textos sobre os clubes e associações dedicadas à cultura nacional e relatos de cantoras argentinas que se apaixonaram pelo fado. O fio condutor do livro é, contudo, a compilação das memórias das famílias que, deixando Portugal, encontraram um novo lar na Argentina.

Docas de Buenos Aires em Outubro de 1921 — a emigração portuguesa ajudou na construção do país

Yudith e a família saíram de Lisboa 16 de Agosto de 1939. Quando terminou a travessia de 18 dias, rebentava a guerra na Europa. Do outro lado do Atlântico, estava o pai. “Eu tinha 17 anos e encontrei-me com um pai de apenas 36, que quase já não conhecia.”

Dois anos antes de o pai de Yudith deixar São Brás de Alportel, o avô de Lídia Dias Sancho empreendia a mesma viagem. Em 1924, “já casado e com uma filha”, Francisco Viegas Valaga, deixava a terra e a família para trás e rumava à Argentina. “Esteve por aqui, andou pelo Brasil, Uruguai e ao fim de alguns anos regressou a Portugal. Voltou à Argentina, deixando a minha avó grávida da minha mãe”, conta a neta em Portugal Querido.

Francisco haveria de regressar a São Brás de Alportel, engravidando de novo a mulher, e passariam muitos anos antes que ele enviasse a carta de chamada para a família. Por essa altura, a filha mais velha já estava casada, a do meio (mãe de Lídia) e a mais nova estavam noivas. “[Só] A minha mãe, que era muito chegada à minha avó, veio com ela. Vieram de barco num mês de Junho dos anos 50, sem conhecer ninguém, nem sequer o meu avô. A minha mãe só o vira em pequena e a minha avó dizia que não imaginava como poderia estar. Chegaram a Buenos Aires e pensaram que ele estaria lá, mas esperava-as um senhor português que tinha uma agência de viagens e se encarregava de receber os imigrantes. Partiram para o Sul num autocarro. Convido-os a imaginar o tempo nesta época do ano, no Sul: frio, gelo, vento, etc… Ao fim de três dias, chegaram a Comodoro Rivadavia, de noite, e novamente sem conhecer ninguém. Ali estava o avô Francisco, esperando-as. Levou-as para uma casa que tinha alugado no quilómetro 8, que se chama Restinga. Era de noite e não conseguiram ver nada. No dia seguinte, a minha mãe levantou-se, foi à janela e, quando viu onde estava, queria morrer. Era horrível, chorou muito. A minha avó não se levantou durante três dias e desde essa altura foi sempre uma mulher doente.”

A família acabava de se instalar na Patagónia, uma das regiões do país que receberam muitos algarvios, nas primeiras décadas do século XX e também durante os anos 1950. Patagónia, Buenos Aires e a região agrícola e de criação de gado à volta da capital argentina são, aliás, os três grandes pontos de fixação de portugueses, como refere o investigador Marcelo Borges (também ele um argentino filho de portugueses), no artigo “Portuguese Migration in Argentina: Transatlantic Networks and Local Experiences”, publicado em 2006, na revista académica Portuguese Studies Review, editada pela Trent University (Canadá). Além de vários artigos sobre a emigração portuguesa para a Argentina, o professor de História da Universidade de Dickinson, na Pensilvânia (EUA), que trabalha esta área há cerca de 20 anos, também escreveu um livro sobre o tema, Chains of Gold. “É pena que o livro Chains of Gold ainda não tenha sido traduzido para o português (e o espanhol!), mas não perco as esperanças”, disse, por email, à Revista 2.

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Patagónia em 1916

A emigração para a Argentina que Marcelo Borges descobriu ao longo dos anos de estudo mostra um fluxo de pessoas oriundas de espaços muito localizados, que partem para os mesmos sítios onde já estão os pais, tios ou primos, pelo que a fixação dos portugueses acaba também por ficar concentrada em locais muito específicos. O Algarve, zona em que as migrações temporárias para destinos como Marrocos ou o Sul de Espanha já eram um hábito enraizado nos habitantes, torna-se, no início do século XX, um dos principais fornecedores de emigrantes para a Argentina. Em Chains of Gold, o investigador explica: “Os algarvios começaram a participar nas migrações através do Atlântico mais tarde do que os migrantes do norte de Portugal [...] e com características distintas destes. Desde o final do século XIX até aos anos de 1950, enquanto o resto dos Portugueses emigrava sobretudo para o Brasil, a maior parte dos algarvios escolhia a Argentina”, escreve. Porquê? Um dos factores destacados por Marcelo Borges é a rede de informação “muito detalhada” que existia no Algarve sobre as possibilidades de trabalho “nas Américas”. “Havia uma visão em geral optimista sobre a Argentina como um país de imigração e mercado de trabalho entre os migrantes algarvios e uma imagem não tão positiva dos outros destinos. Nos jornais algarvios, podia-se encontrar, com regularidade, relatórios sobre a sólida situação económica da Argentina, as suas colheitas que batiam recordes, o crescimento das suas cidades, e notícias sobre as actividades da comunidade Portuguesa, na qual os algarvios tinham preponderância. Por outro lado, as notícias do Brasil falavam, geralmente, da falta de trabalho, das condições difíceis e do desapontamento dos migrantes que para lá se aventuravam.”

O investigador, que está, actualmente, envolvido num projecto relacionado com a recolha e análise das cartas de chamada destes emigrantes, distingue duas grandes fases da partida portuguesa para a Argentina — a primeira estendendo-se do século XVII até meados do século XIX e a segunda “coincidente com as migrações em massa do final do século XIX e o início do século XX”. É nesta emigração, que atingiu “o seu ponto mais alto durante as décadas de 10 e 20”, que se encontram muitos dos casos recolhidos e relatados por Mário dos Santos Lopes. Como a história que conta Fernando Rocca.

“A minha avó chamava-se Generosa Madeira. Nasceu no Algarve, em São Brás de Alportel, em 1910. Dos três irmãos (Maria e José Manuel), era a do meio. A sua mãe morreu de febre amarela quando ela tinha oito anos e os três irmãos ficaram ao cuidado do pai, que pouco depois veio para a Argentina e de quem não souberam mais nada durante muito, muito tempo”, relata, em Portugal Querido, Fernando Rocca.

Entregues aos cuidados de uma tia “surda e desconfiada”, os três irmãos crescem sem pais. Maria casa-se, tem uma filha e decide partir com o marido para a Argentina. Fernando conta que ainda guarda a última foto que os três irmãos tiraram em Portugal, antes da partida. “A expressão de pena da minha avó é notável; não era uma mulher teatral e não tinha filtros, nem para rir, nem para chorar”, descreve. Na Argentina, o marido de Maria torna-se amigo de um português, a quem ela confessa ter deixado uma irmã em Portugal. “O meu avô veste um fato meio sem jeito, tira uma fotografia e envia-a, jurando amor. Generosa, sem mais exigências, embarca com o seu irmão mais novo, apresenta-se a este senhor Manuel de Brito e encara a vida com ele. Lava roupa para os companheiros de trabalho do meu avô na refinaria de Restinga.”

As histórias de famílias oriundas do Algarve repetem-se ao longo do livro, sustentando, empiricamente, o que Marcelo Borges escrevera no artigo da Portuguese Studies Review: “Os migrantes algarvios permaneceram o maior grupo entre os portugueses na Argentina do final do século XIX até ao declínio da segunda fase da migração portuguesa no final dos anos 50, seguidos dos migrantes do interior norte, do distrito da Guarda, na região da Beira Alta.” Pequenas bolsas de oriundos de Leiria e do Minho juntaram-se, também, a estes grupos maiores.

No Algarve, além da informação detalhada que já foi referida, instalaram-se verdadeiras “redes” que facilitavam a emigração para a Argentina e que contavam com angariadores de trabalhadores, agências com informação muito precisa sobre o tipo de trabalho que era preciso em determinada região, em determinada altura (e que também informavam os algarvios de que, por exemplo, “os pescadores não eram bem vistos pelas autoridades brasileiras”, afastando-os deste destino, nos finais dos anos 20), e o nada negligenciável factor familiar. As experiências anteriores de familiares ou amigos da terra que tinham partido alguns anos antes tiveram também grande influência na escolha daqueles que partiriam mais tarde. Marcelo Borges fala mesmo de uma “migração com padrões microrregionais”, que lhe permite dizer, por exemplo, “a maioria dos migrantes da paróquia de São Brás de Alportel partiu para Buenos Aires e mais tarde para a cidade de Comodoro Rivadavia, na Patagónia [...]. A distribuição das migrações por destino a um nível de paróquia mostra a importância das redes sociais na formação destes fluxos. As redes assentavam na cooperação de membros da família e de amigos da aldeia, e eram influenciadas por outros factores, como as actividades a que se dedicavam”, explica em Chains of Gold.

Tudo isto fez com que, “longe de se espalharem pelo país, a maioria dos migrantes portugueses concentraram-se em vilas e cidades específicas”, explica Marcelo Borges, no artigo já referido. E exemplifica: “Há muitos casos de concentração regional e a formação de comunidades imigrantes distintas entre os portugueses na Argentina. Por exemplo, os provenientes da Guarda eram produtores de vegetais nas imediações de Buenos Aires, bem como trabalhadores braçais e agricultores nas zonas rurais de Salliqueló e Casbas (em Buenos Aires oeste); os de Leiria trabalhavam nas indústrias mineiras e de cimento, em Olavarría (nas colinas centrais de Buenos Aires); os de Viana do Castelo e Braga tornaram-se fabricantes de tijolos nos subúrbios da capital; os do Algarve trabalhavam como produtores de flores e vegetais em torno de Buenos Aires e na capital provincial de La Plata, e como trabalhadores na indústria do petróleo na Patagónia Central.”

A história que Alejandra Inés Marques conta no livro, sobre o avô, é o exemplo de como funcionavam as redes familiares. Viriato Marques nasceu a 20 de Junho de 1903 em Vale de Igreja, freguesia de Paranhos, Seia. O bebé nasce em Seia porque a mãe, que emigrara para o Brasil com o marido, decide voltar a casa, “para que o seu primogénito nasça em Portugal”, conta Alejandra.

Viriato perde os pais e depois de uma infância e adolescência duras, sem ir à escola e trabalhando como pastor, chega a Buenos Aires a 10 de Fevereiro de 1923. “Não chega ali por acaso, mas porque dois dos seus primos, Manuel e António, filhos de Bernardo Marques, já haviam emigrado para a Argentina e estavam instalados em Comodoro Rivadavia, província de Chubut. Manuel foi quem o reclamou a Portugal”, conta.

Em busca de uma vida melhor, os portugueses partiam para a Argentina com a intenção de ganhar dinheiro e regressar a casa. Alguns voltaram a Portugal, mais do que uma vez, mas, no Portugal Querido de Mário dos Santos Lopes, são poucos os que ficam na terra onde nasceram. A maioria acaba por regressar à Argentina, chamando, mais tarde, a família e fixando-se definitivamente do outro lado do Atlântico. Foi assim com José Correia da Silva, também de Paranhos, em Seia.

Com 17 anos, “corria o ano de 1922”, José recebe uma carta de chamada do pai, que já emigrara para a Argentina e arranjara trabalho para o filho “levando verduras para o mercado Abasto, em Buenos Aires”. O neto, José António de Albuquerque, explica o que aconteceu depois: “Anos mais tarde, em 1937, José, com 32 anos, regressa a Portugal. Tinha saudades dos costumes, das pessoas, dos afectos — saudades… — e nesse regresso conheceu uma bonita mulher. Maria, de 22 anos, órfã, trabalhava como criada de uma família.”

Ao fim de apenas 18 dias de namoro, José e Maria casaram-se e, meses depois, ele regressava à Argentina, deixando a mulher grávida. “José trabalhou e trabalhou até poder mandar uma carta de chamada para a sua Maria, que veio com a filha de dois, que José só conheceu quando chegou a Buenos Aires.”

O regresso a Portugal para casar era normal, mas mais normal ainda eram os casamentos por procuração, como aconteceu com os pais de Cecília Madeira (ele deixou a noiva em Portugal e só a veria sete anos depois, já casados por procuração) ou com os avós de Gisele Sousa Dias, a quem o pai, Fernando Sousa Dias, contou: “A minha mãe tinha 29 anos quando se casou e o meu pai 17 anos mais do que ela. O meu pai recebeu uma mulher que não conhecia porque ela era portuguesa e a sua cultura dizia que esse era um requisito indispensável.” E, depois, também havia os casos em que os homens que partiam à frente acabavam por constituir novas famílias. E aqueles para quem a Argentina foi um gosto adquirido a custo, a quem as saudades de Portugal atormentavam. Ana Maria Borges Diniz conta o quanto custou ao pai nacionalizar-se argentino, para poder exercer um emprego no Estado. “Para ele, foi muito traumático renunciar à cidadania portuguesa, porque, apesar de ter emigrado muito jovem, nunca perdera o sotaque e os costumes da sua terra [Vila Franca da Beira, em Oliveira do Hospital]. Ele foi um daqueles portugueses que deixaram a alma na sua aldeia natal… Falava de Portugal e acendia-se-lhe o coração. Todas as histórias que ouvíamos na infância decorriam ali e, na nossa imaginação, Portugal era o país das maravilhas”, descreve no livro de Mário dos Santos 

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Vista aérea de Buenos Aires em 1930

Mário diz que a construção desta obra o ajudou a perceber melhor os homens e mulheres que deixaram Portugal para criar uma nova vida na Argentina. “Quando se começa um livro, como autor ou como leitor, nunca sabemos exactamente quem seremos ao terminá-lo. É como quem comete um delito: deixa-se algo e leva-se algo. Eu ganhei uma enorme riqueza ao conhecer experiências muito diversas, a dor suprema do desenraizamento somado à falta de comunicação com a família que ficava para trás, tão longe, e a sensação de que não regressariam mais a casa. Valorizei, e sei que o mesmo aconteceu com os leitores, o sacrifício e a resignação do imigrante que vive nos piores lugares, aceita os piores empregos, a tentar passar despercebido para não ser marginalizado ou maltratado, apesar de a Argentina ter sido um país de portas abertas para todo o mundo”, refere.

A mãe, Maria Luiza, foi a primeira leitora de Portugal Querido. “Ela emocionou-se, riu-se e voltou a lê-lo. Se ela o aprovou, metade do que queríamos alcançar está cumprido. Agora temos de esperar que os pais, avós, filhos e netos de outros imigrantes o leiam. Eles serão os nossos melhores juízes.” O jornalista, que dirige o semanário El Orden e conduz o programa de rádio Deseado Revista, diz que gostaria de ver a obra traduzida para português, mas que isso só se tornará realidade se alguém o quiser editar, já que não pode arcar com os custos de uma edição de autor além-fronteiras.

Nessa caso, também em português se poderia conhecer a história do homem que escalou, em 1936, o monte Tronador, e foi recebido, no regresso, com uma banda de música e uma bandeira argentina, apesar de ser português; do sapateiro Joaquim, agraciado pelo município de Comodoro, como homem “admirado” pelos seus pares; do português do Tigre, que tinha um barco onde nunca navegou e que serviu de inspiração a um fado; de Amândio, “o titã português”, estrela dos espectáculos de luta livre, nos anos 70; ou do próprio Mário e dos seus pais e irmãos.

O autor conta que a sua infância “teve aromas a ‘feijão careto’, filhós e rabanadas, saborosas e irrepetíveis rabanadas que não apareciam à mesa muitas vezes, e que seguramente por isso eram duplamente saborosas”. Mário recorda-se de ouvir o pai cantar Lisboa não sejas francesa, tu és portuguesa, tu és só para nós, misturada com músicas argentinas, e de a mãe lhe ensinar o Pai Nosso em português, enquanto ele crescia aprendendo os nomes das coisas em duas línguas. Na família Lopes, repetiu-se a história de outros portugueses. António, o pai de Mário, Victor e Andrea, regressou a Portugal depois de uma incursão na Argentina, com o sonho de permanecer na sua terra natal, mas acabaria por emigrar de novo, por não conseguir cá condições suficientes para viver como queria. Mas o regresso temporário a casa permitiu-lhe conhecer Maria Luiza e casar-se. Os dois estiveram separados um ano, antes de a mãe de Mário se juntar ao marido, em Buenos Aires.

Na Argentina, os pratos tradicionais, os clubes onde se reproduziam (e reproduzem) “corridinhos” e “viras minhotos” e os programas de rádio dedicados ao fado ajudam ainda a matar saudades de casa aos cerca de 17 mil cidadãos portugueses que estão inscritos na Embaixada Portuguesa, em Buenos Aires. O livro Português Querido é mais um passo nessa ponte entre os dois países. Para que não se percam as histórias de todos os que, um dia, escolheram a distante Argentina para começar uma nova vida. Uma e outra vez.

Fonte: http://www.publico.pt/

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A prospeção de petróleo em Comodoro Rivadavia, na Patagónia, atraiu muitos emigrantes



publicado por Carlos Gomes às 09:07
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Sexta-feira, 13 de Março de 2015
A EMIGRAÇÃO É UMA PERDA PARA A NAÇÃO!

Calcula-se em mais de meio milhão, o número de portugueses que, desde 2011, foram forçados a emigrar à procura de melhores condições de vida. Partiram sobretudo os mais jovens e com melhores qualificações. Para trás deixaram a família e os amigos e consigo levam a saudade e a esperança do regresso. Mas, tal como sucedeu com outras gerações de emigrantes que os antecederam no exílio, estão a fixar-se nos países de acolhimento onde começam uma nova vida, educarão e verão crescer os seus filhos. E não regressarão definitivamente!

Pediram os governantes aos portugueses que, uma vez mais, abandonassem a sua Pátria e deixassem a “zona de conforto” e emigrassem. Mas eles, incapazes de resolver os problemas com que o país se debate, não emigraram nem abandonam a sua “zona de conforto” – a governação!

Entretanto, o país despovoa-se de gente jovem, em idade fértil. Em breve, Portugal registará um trágico declínio demográfico que apenas será compensado com o povoamento de cidadãos estrangeiros. E empobrece.

A emigração é uma perda terrível para o país que vê partir os seus filhos – e um problema social para o país que os acolhe!

Aproximam-se as eleições legislativas e, com elas, o anúncio de medidas a apelar ao regresso daqueles que emigraram. Mas, ninguém acredita na eficácia nem na sinceridade de tais medidas: a esmagadora maioria daqueles que partiram não regressarão jamais a não ser no gozo de férias ocasionais, para rever familiares e amigos. Como qualquer emigrante, não estarão dispostos a recomeçar tudo de novo, sobretudo quando a incerteza do futuro continua a pairar no país que foram obrigados a deixar para trás.

Resta aos governantes criar condições para estancar a emigração, criando condições para os que ainda cá vivem não sejam forçados a seguir o mesmo caminho. Mas, receia-se que não seja essa a opção de quem governa!



publicado por Carlos Gomes às 01:02
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Quinta-feira, 19 de Junho de 2014
RÚBEN ALVES, REALIZADOR DO FILME “A GAIOLA DOURADA” É DESCENDENTE DE AMADORENSES

O pai de Rúben Alves é natural de Guimarães e a mãe da Amadora

Depois de um período em Portugal, a promover o seu filme de estreia, visto já por mais de milhão e meio de europeus, Ruben Alves, o ator e realizador lusodescendente de 33 anos, está de volta a Paris. Num intervalo entre gravações, falou ao telefone com a VISÃO, a quem disse conhecer a nova vaga de emigração, que está a levar ex-emigrantes, e filhos destes, de volta ao país para onde partiram nos anos 60/70.

"Tenho uma antiga colega de colégio que, aos 18 anos, depois de terminarmos o 12º ano, cumpriu a vontade de voltar a Portugal", conta. Entretanto perderam o contacto, mas ela escreveu-lhe agora a dar os parabéns pelo filme.

Ruben imaginava-a ainda em Portugal, mas a amiga está de novo em Paris: "Ela foi em 1998, no El Dorado portugês. Mas agora disse-me que a situação do país estava complicadíssima e que, por isso, tinha regressado a França, com o marido português e os dois filhos".

A história da antiga colega de Ruben passa por um verdadeiro regresso à "gaiola dourada". Filha de uma porteira portuguesa, cresceu numa casa de rés-do-chão com grades, como as características casas das concierges, em Paris. Foi a essa mesma casa que regressou recentemente para ocupar o lugar de porteira, revela o jovem realizador: "A mãe reformou-se e ela foi substituí-la".

Para Ruben, o fenómeno de "reemigração" (a expressão é do sociólogo José Madureira Pinto, ver edição impressa) vem ilustrar esse "caráter típico português, do desenrasca, do fazer-se à vida". Hoje, julga, a situação é ainda mais grave: "Dantes as pessoas partilhavam a sopa e o pão, hoje em dia quando há pobreza já não é assim. A mundialização individualizou-nos, tornou-nos egoístas", observa.

Com casa em Lisboa, onde volta sempre que pode de férias, para desfrutar da luz da cidade, do clima e da gastronomia do país onde os pais nasceram (o pai é natural de Guimarães, a mãe da Amadora), Ruben vê com tristeza a crise: "Portugal tem tudo para ser um país fantástico", julga e aumenta o tom de voz para o sublinhar. Mesmo à distância, tem u ma posição crítica face às medidas tomadas pelo Governo: "Um Estado forte é o mais importante. Quando se começa a privatizar tudo está a perder a força. Esse enfraquecimento não deveria acontecer, mesmo quando se atravessa um momento de crise".

Tem recebido inúmeras mensagens de portugueses e, nomeadamente, de emigrantes e ex-emigrantes. Uma delas marcou-o especialmente: "Uma senhora portuguesa, emigrante cá, veio ter comigo em lágrimas e disse-me: 'É lindo o que fez. A gente estava desde os anos 80 com a imagem da mala de cartão da Linda de Susa. O Ruben traz a Gaiola e, de cartão passámos a ouro'". 

Joana Fillol / http://visao.sapo.pt/

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publicado por Carlos Gomes às 00:43
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