Blogue de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes de Lisboa e arredores

Quinta-feira, 2 de Novembro de 2017
A MULHER QUE FOI A MODELO PARA O BUSTO DA REPÚBLICA PORTUGUESA

* Crónica de Paulo Freitas do Amaral

Ilda Pulga é o nome que consta da mulher que serviu de modelo ao primeiro busto da República Portuguesa. Ainda com descendentes vivos, a família faz questão de afirmar que deveria ter sido uma mulher lindíssima e simultaneamente “atrevida” para servir de modelo naquele tempo.

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Ilda pulga faleceu em 1993 com 101 anos. O seu sobrinho bisneto Joaquim Pulga só desconfiou ser familiar de Ilda após à sua morte por ter lido uma notícia no jornal. Joaquim afirma que uma pessoa como Ilda que serviu de modelo aos 18 anos deve ter evoluído culturalmente de uma forma muito peculiar e intensa.

Ilda era natural de Arraiolos e não foi fácil encontrar o fio à meada das suas ligações familiares embora só haja uma família “Pulga” em Portugal. Foi através de moradores de Arraiolos que Joaquim veio a saber que Ilda era irmã do seu bisavô.

O sobrinho bisneto investigou sobre a sua familiar e ficou a saber que Ilda foi muito jovem para Lisboa, com os seus 13 anos e que as dificuldades económicas que se faziam sentir na altura no Alentejo terão  motivado a sua mudança para a capital levando o resto da sua vida como costureira.

O busto da república portuguesa continua inalterado.Os bustos da República variam de país para país e até encontramos casos onde houve mudanças de modelos que serviram de bustos ao simbolismo republicano.

Como Republicano que sempre fui, não posso deixar de ter uma visão interessada sobre este assunto. O modelo mais icónico da República, tem a sua origem em França e foi sem dúvida “Mariana” ou “Marianne” representada, iconograficamente, por uma mulher, ostentando um barrete frígio, tendo como inspiração a imagem da Liberdade na obra A Liberdade guiando o Povo, pintada em 1830 por Eugène Delacroix.

No entanto a Associação dos Autarcas Franceses decidiu mudar periodicamente o busto de "Mariana", adoptando como modelos artistas de cinema e da música francesas contemporâneas, sendo a manequim e actriz Laetitia Casta o modelo actual da escultura.

A estátua da Liberdade nos EUA é também inspirada em Marianne e foi oferecida pelos franceses aos americanos.

No caso português atribui-se a autoria do busto a João da Silva que usava como peseudónimo João da Nova talvez porque também escrevia para a revista Seara Nova…

A comissão republicana que instituiu o busto em 1911 inspirado em Ilda teve muito bom gosto e a sua imagem fará companhia aos portugueses por muito mais tempo.

Ilda Pulga

Ilda Pulga, de pé, ao centro, na oficina de costura onde trabalhava



publicado por Carlos Gomes às 11:15
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Domingo, 3 de Setembro de 2017
LISBOA COLOCOU ESTÁTUA DE NUNO ÁLVARES EM BAIRRO DEDICADO AOS DESCOBRIDORES PORTUGUESES

Após décadas de polémica em torno do pedestal que, ao cimo do Parque Eduardo VII deveria servir para colocar uma estátua a D. Nuno Álvares Pereira, a cidade de Lisboa resolveu finalmente em Novembro do ano passado erguer na zona do Restelo um monumento àquela figura histórica que entretanto foi canonizado como São Nuno de Santa Maria.

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Não obstante a importância da homenagem prestada e o valor artístico da obra escultórica, parece-nos que a zona escolhida não foi a mais indicada em virtude do local por razões históricas se encontrar mais associado com a epopeia dos Descobrimentos Portugueses. Toda a toponímia e monumentos ali existentes remetem para uma época que não está relacionada com a vida e os feitos praticados pelo Santo Condestável.

A escolha do local onde ergueram o monumento encontra-se tão desajustado como estaria o Convento do Carmo se aí resolvessem erguer um monumento ao grande navegador Vasco da Gama, que da praia do Restelo partiu para descobrir o caminho marítimo para a Índia.

Apesar da formação do Reino de Espanha remontar a 1469 – portanto 38 anos após o falecimento do Santo Condestável – o site oficial da Câmara Municipal de Lisboa assegura quie Dom Nuno Álvares Pereira “venceu os espanhóis em duas batalhas, Atoleiros e Aljubarrota”. Talvez isso explique a escolha do local onde o monumento foi erigido…

Reza assim o site da autarquia lisboeta: “Dom Nuno Álvares Pereira, (1360-1431), também designado por Santo Condestável, considerado pelos historiadores como um dos maiores estrategas e génios militares portugueses, quando abandonou a vida militar, abraçou a religiosa, tendo sido canonizado pelo Papa Bento XVI, em 26 de Abril de 2009. Durante a crise de 1383-1385, resultante da morte sem descendentes diretos de D. Fernando, encontrando-se à frente do exército português, venceu os espanhóis em duas batalhas, Atoleiros e Aljubarrota, assegurando a independência de Portugal e a coroa para D. João I. A construção de um monumento escultórico em homenagem a esta figura ilustre da História de Portugal, foi um dos projetos vencedores do Orçamento Participativo de 2013, um sonho ambicionado há muito pelos lisboetas. Esta estátua de homenagem a Dom Nuno Álvares Pereira, da autoria do escultor Augusto Cid, foi inaugurada, a 6 de Novembro, no Jardim Ducla Soares, sito no topo da Avenida da Torre de Belém, orientada no eixo entre a Capela de São Jerónimo e a referida Torre, sobre o muro de contenção de terras da margem sul do jardim, que remata o largo semicircular empedrado e o espelho de água adossado ao talude. Trata-se de uma estátua figurativa, em bronze e outro material alternativo, com 4 metros de altura total e cerca de 2,5 metros de frente, instalada sobre laje de betão, com um mural comemorativo. O mote da estátua ¿entre a oração e a expansão¿ está patente na representação da figura de Dom Nuno Álvares Pereira como guerreiro, segurando uma espada em forma de cruz, numa dupla alusão ao soldado e ao santo.”

Foto: Agência Ecclesia



publicado por Carlos Gomes às 17:35
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Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2017
APESAR DO NEVOEIRO… D. SEBASTIÃO NÃO REGRESSOU!

Hoje foi dia de nevoeiro. Apesar disso, a estátua do rei D. Sebastião ainda não regressou à fachada da estação ferroviária do Rossio.

Destruída por um primata que escalou o local para fazer uma selfie, os lisboetas continuam pacientemente a aguardar que seja feita uma réplica para ali ser colocada. Até lá, o nicho continua vazio a aguardar o regresso de D. Sebastião.

A forma como se consente que indivíduos trepem aos edifícios e monumentos públicos ou façam indiscriminadamente selfies em espaços museológicos tem estado na origem de acidentes irreparáveis, como este e o que sucedeu há algum tempo com a destruição de uma estátua no Museu Nacional de Arte Antiga.

Já vai sendo tempo de acabar com esta indisciplina e falta de sentido cívico que apenas contribui para a destruição do nosso património: não existem receita turística que compense a perda irreparável de obras de arte!

Foto: Manuel Santos



publicado por Carlos Gomes às 22:45
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Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2016
RTP2 DÁ A CONHECER A OBRA DOS MAIORES VULTOS DA ARTE NACIONAL

“Estou nas Tintas”: O homem à frente da obra

O “Estou nas Tintas” estreia a 6 de Janeiro de 2017, às 21h00, e as expectativas são imensas. Durante 13 semanas, o programa produzido pela RTP2 vai dar a conhecer a vida e a obra de cerca de 80 dos mais importantes nomes da arte nacional.

EstouNasTintas_FotoPress (1).jpg

Dar voz à obra e ao criador foi o principal objectivo deste projecto, que tenta abordar as mais variadas formas de expressão artística e divulgar métodos, pensamentos e singularidades dos artistas plásticos portugueses.

Além de nomes incontornáveis – Júlio Pomar, Cruzeiro Seixas, José Costa Reis, Odeith e o Mestre José Rodrigues (que infelizmente partiu aos 79 anos em setembro passado, deixando-nos uma última recordação sua e da sua obra) são alguns dos convidados do programa –, o “Estou nas Tintas” pretende também dar destaque a novos nomes do panorama artístico português. António de Almeida Lopes, realizador de programas como “Saúde com Sabor”, “Praia Limpa, Praia Segura” ou “Riscos e Rabiscos”, foi o autor da ideia e quem realizou o projecto e Joaquim Feijão o responsável pela Provetouch, a produtora que abraçou e embarcou nesta viagem durante sete meses.

Um ano depois do início do projeto chega finalmente a hora de o partilhar com o público, que tem desta forma a oportunidade de entrar dentro das casas e dos ateliers de múltiplos artistas nacionais. A ambição dos autores é que esta série se torne um documento incontornável da história da arte nacional, uma fonte de informação basilar para quem no futuro tiver interesse em conhecer uma parte significativa da herança artística portuguesa.

Voz aos artistas

“Essa frase ‘estou nas tintas’ é um exemplo de como o sentido que se pode dar às coisas pode ser muito diferente. Ninguém pense que tem a verdade absoluta.” – Júlio Pomar

“Pintar, para mim, é uma forma de estar vivo, é como respirar, comer…” – Diogo Navarro

“Picasso dizia que a arte limpa, do quotidiano, a poeira dos dias.” – Ana Mesquita

“Se a função do artista é a procura do belo, eu encontrei essa procura no corpo da mulher.” – Francisco Simões

“Nessa altura, comemorava-se a venda de um quadro, fosse de quem fosse.” – Gracinda Candeias

“Eu estou sempre apaixonada. Tento-me apaixonar nem que seja por um livro, por uma frase, pelo amanhecer…” – Tamara Alves

“Eu penso que a actividade artística se define, quer em pintura, quer no cinema, quer na literatura, seja onde for… é exactamente o repensar constantemente métodos, definições, objectivos, trajectórias…” – Jaime Silva

“Eu tenho pavor do óbvio e tento sempre fazer coisas inesperadas.” – José Costa Reis

“A técnica, no meu ponto de vista, é apenas um suporte ou um apoio para a concretização de um trabalho.” – Carlos Nogueira

“A pintura acaba por ser a nossa forma de nos expressarmos e acaba por ser o alfabeto da pessoa.” – Jorge Almeida

“Não temos um grande museu de arte portuguesa, por exemplo. Nós se quisermos ver a evolução da arte portuguesa, desde o princípio do século até hoje, onde é que vamos?” – Manuel Baptista

“O amor, a cultura, a poesia são realmente a coisa mais importante que nós temos, para agarrar com ambas as mãos com toda a força.” – Cruzeiro Seixas

“Qualquer fotógrafo é um contador de histórias.” – Joel Santos

“Os artistas portugueses, para mim, são mais uma dessas facetas que nós temos que ser capazes de valorizar, que fazem parte do nosso património.” – Manuel Botelho

“A arte é a zona mais criativa da natureza humana.” – Eurico Gonçalves

Lista de artistas convidados do programa

Pintores

Alexandre Alonso

Clo Bourgard

Cruzeiro Seixas

David Levy Lima

Diogo Navarro

Eleutério Sanches

Eurico Gonçalves

Gabriela Carrascalão

Gracinda Candeias

Gustavo Fernandes

Jaime Silva

Jorge Almeida

Júlio Pomar

Luís Noronha da Costa

Madalena Raimundo

Manuel Baptista

Manuel Botelho

Maria de Lurdes Oliveira

Mário Rita

Pedro Guimarães

Escultores

Carlos Nogueira

Francisco Simões

Frederico Elias

Isabel Garcia

Manuela Madureira

Mestre José Rodrigues

Rogério Timóteo

Rui Matos

Susana Piteira

Writers

Adalberto Brito (Youth One)

Artur Silva (Bordalo II)

Gustavo Teixeira (Mesk)

João SAMINA

Miguel Caeiro (RAM)

Nuno Palhas (Third)

Nuno Reis (Nomen)

Oliveiros Júnior (Utopia)

Sérgio Odeith

Ilustradores

Ana Mesquita

João Saramago

José Pereira

Marco Mendes

Rita Ravasco

Sara Osório (Sara-a-Dias)

Tamara Alves

Artistas plásticos

Ana Isabel Miranda Rodrigues

António Canau

Bernardete Moreira

Cristiano Neves

Dalila D’Alte

Joel Santos

José Costa Reis

José Pedro Alves

Paula Bernardes

Sérgio Santos

Outros especialistas

Ágata Rodrigues (Fundação José Rodrigues)

Ana Roque

António Soares

Celine de Azevedo

Fernando Catarino

Inês Almeida

Professora Joana de Oliveira (Agrupamento de Escolas D. Carlos I – Sintra)

José Esteves

Maria Hortense Canelas

Mizette Nielsen

Mouralinda Serralha

Nisha Narotomo

Nuno Lima de Carvalho (Galeria de Arte – Casino Estoril)

Sara António Matos (Atelier-Museu Júlio Pomar)

Sérgio Pinheiro

Telma Araújo

Wilson Galvão

Colaboração especial

Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa

Prof. Dalila D’Alte

Prof. Eurico Gonçalves

Prof. Jaime Silva

Prof. Manuel Botelho Carlos Sanches (Músico)

João Gil (Músico)

José Cid (Músico)



publicado por Carlos Gomes às 15:46
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Quarta-feira, 2 de Novembro de 2016
LISBOETAS AGUARDAM REGRESSO DE D. SEBASTIÃO À ESTAÇÃO DO ROSSIO

Mais de meio ano decorrido desde que um idiota resolveu escalar a fachada da estação de comboios do Rossio para fazer uma selfie, provocando a destruição da estátua do rei D. Sebastião, os lisboetas continuam a aguardar que ali seja colocada uma réplica da referida escultura.

À falta de um habitat adequado à sua sobrevivência, os monumentos nacionais continuam a ser alvos apetecíveis de alguns primatas que frequentemente decidem trepá-los e neles fazer toda a espécie de porcarias, desde a feitura de pichagens e a satisfação das necessidades mais básicas do mundo animal até à pura vandalização.

Os serviços públicos bem se esforçam por afastar os pombos cujas sujidades provocam a corrosão do calcário mas ainda não providenciaram as medidas consideradas necessárias para os proteger dos símios. Até lá, os lisboetas aguardam o regresso de D. Sebastião, porventura numa manhã de nevoeiro!

Foto: Manuel Santos



publicado por Carlos Gomes às 20:36
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Quinta-feira, 14 de Abril de 2016
ALDEIA TÍPICA DE JOSÉ FRANCO É UMA DAS MAIORES ATRAÇÕES DO CONCELHO DE MAFRA A DIVULGAR OS USOS E COSTUMES DA REGIÃO SALOIA

Situada entre Mafra e a Ericeira, a Aldeia Típica de José Franco é um museu vivo das tradições das gentes da região saloia. Nela se encontram recriados espaços que falam da vivência do povo em tempos antigos, como a mercearia, as lojas do barbeiro e do dentista, a casa do lavrador, a ferraria e a oficina de carpintaria, a azenha e o moinho de vento e a escola primária que trás à lembrança as memórias de infância de muitos dos que a visitam e aproveitam para dar a conhecer aos mais novos.

Moldado pelas mãos do escultor e oleiro José Franco, a “Aldeia Saloia” como também é conhecida ocupa atualmente uma área de 2.500 metros quadrados, dispondo de um magnífico parque de estacionamento para os milhares de visitantes, incluindo as numerosas excursões que a incluem no seu roteiro.

A ideia de recriar uma aldeia típica da região saloia deverá ter surgido a José Franco por volta de meados do século passado, tendo então começado nas horas vagas a construir junto de sua casa uma aldeia em miniatura ao jeito de presépio saloio.

Mafra - Sobreiro (67)

O Sobreiro é terra com profundas tradições de olaria. José Franco nasceu em 1920 e, ainda muito jovem, aprendeu o ofício antes de trabalhar por conta própria com dezassete anos de idade. Recuperou a olaria que fora de seu avô e se encontrava desativada, sobretudo a partir da década de sessenta, deu forma ao seu sonho e, na roda do oleiro, fez crescer ano após ano uma aldeia à escala humana, qual museu etnográfico que é também uma das mais bem-sucedidas empresas da região.

Mafra - Sobreiro (35)

A entrada é gratuita. Mas, poucos são os que resistem a provar o afamado pão com chouriço e a visitar a adega típica com vinho da região. Para as crianças, além das recriações, dispõem também de dois parques infantis, incorporando alguns engenhos agrícolas que podem movimentar livremente e jogos tradicionais como o “jogo da macaca”.

A Aldeia Típica de José Franco constitui um exemplo daquilo que bem poderia ser reproduzido noutras regiões do país com vista à divulgação das respetivas tradições locais.

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Segunda-feira, 22 de Fevereiro de 2016
EXPOSIÇÃO COLETIVA APRESENTA EM LISBOA FOTOGRAFIA, PINTURA E ESCULTURA

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publicado por Carlos Gomes às 10:22
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Terça-feira, 26 de Janeiro de 2016
ESCULTOR RICARDO TOMÁS EXPÕE "FEMINILIDADES" EM LISBOA



publicado por Carlos Gomes às 11:17
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Terça-feira, 19 de Maio de 2015
PORQUE NÃO EXISTE EM LISBOA UM MONUMENTO AO NAVEGADOR VASCO DA GAMA?

Passam amanhã precisamente 517 anos desde que as naus capitaneadas por Vasco da Gama chegaram a Calecute, assegurando para Portugal a Rota do Cabo ou seja, o Caminho Marítimo para a Índia, ligando o Oriente e o Ocidente.

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Tratou-se de um feito que representou ainda um inestimável contributo para o Renascimento através do desenvolvimento que do conhecimento científico nomeadamente nos domínios da astronomia, matemática, navegação, geografia, cartografia e botânica, proporcionando uma nova visão do mundo e do homem.

Foi da praia do Restelo que, um ano antes, partiu a Armada a caminho da Índia, acontecimento que o poeta Luís Vaz de Camões celebrizou n’Os Lusíadas através da figura do “Velho do Restelo” argumentando contra a empresa.

Eis que, mais de meio milénio decorrido desde o descobrimento do Caminho Marítimo para a Índia, Lisboa não prestou ainda o devido tributo ao navegador que protagonizou um dos maiores feitos da nossa História e, simbolizado nele, às gerações de portugueses que à época fizeram a grandeza de Portugal – Vasco da Gama não dispõe de uma estátua em Lisboa! Será, porventura, vingança do Velho do Restelo



publicado por Carlos Gomes às 10:59
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Terça-feira, 24 de Março de 2015
ESCULTOR SINTRENSE ROGÉRIO TIMÓTEO EXPÕE EM BARCELOS

Ruínas do Paço dos Condes de Barcelos recebem a exposição “Dois tempos, o mesmo lugar”

Obras do escultor Rogério Timóteo expostas a 28 de março, Dia Nacional dos Centros Históricos As ruínas dos Paço dos Condes de Barcelos e a Sala Gótica dos Paços do Concelho são os locais escolhidos para a exposição de escultura "Dois tempos, o mesmo lugar", de Rogério Timóteo. São esculturas de grande escala, onde corpos suspensos desafiam a gravidade. A inauguração será no próximo sábado, 28 de março, às 18h00, data em que se comemora o Dia Nacional dos Centros Históricos.

No ano em que Barcelos comemora os 500 Anos da atribuição do Foral Manuelino, e tendo como pano de fundo um dos bilhetes postais da cidades de Barcelos, as ruínas dos Paço do Conde, a exposição pretende valorizar a envolvente patrimonial, histórica e cultural da cidade, cruzando tempos e lugares.

Rogério Timóteo privilegia a figura humana como base do seu trabalho, esculpindo-a com linhas simples e livres, com um ar inacabado, de forma a permitir a quem a admira o remate mental das mesmas. Além disso, imprime um leque de emoções a cada figura que deixa transparecer os seus esfíngicos pensamentos, conferindo-lhe vida. Nas palavras de Luís Vieira-Baptista, "estes dois tempos que dão nome à mostra fundem-se num só, o agora, palco de todos os cenários possíveis, passados e futuros. Desvenda-se nesta exposição a cristalina ampulheta em que um tempo é o reflexo do outro (...) ".

Rogério Timóteo nasceu em Anços, Sintra, em 1967. De 1985 a 1989 é aluno do Mestre Anjos Teixeira.

A partir de 1989 desenvolve trabalho individual. Em 1991 frequenta o curso de Novas Tecnologias em Mármore em Vila Viçosa. Posteriormente, frequentou o curso de Desenho na Sociedade Nacional de Belas Artes em Lisboa. Atualmente vive e trabalha no concelho de Sintra.

Conta já com 26 exposições individuais e mais de 200 exposições coletivas. Encontra-se representado em coleções particulares em Portugal, Suíça, Alemanha, Estados Unidos da América, Inglaterra, França, Polónia, Canadá, Espanha, Austrália, Áustria, Escócia, Holanda, Irlanda, Uruguai e Luxemburgo.

A exposição poderá ser visitada diariamente no Paço dos Condes de Barcelos até 31 de agosto e na Sala Gótica dos Paços do Concelho até 31 de maio.



publicado por Carlos Gomes às 15:38
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Domingo, 7 de Setembro de 2014
ESTATUÁRIA DO JARDIM DA ESTRELA ENCONTRA-SE VANDALIZADA

À semelhança do que sucede um pouco por todos os jardins e parques de Lisboa, a estatuária que se encontra no jardim da Estrela encontra-se vandalizada como as imagens documentam.

O jardim da Estrela beneficia de policiamento e dispõe de funcionários e horário de abertura e encerramento. Não obstante, o vandalismo neste local é uma constante.



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Segunda-feira, 19 de Maio de 2014
QUANDO VAI LISBOA PRESTAR A DEVIDA HOMENAGEM A D. NUNO ÁLVARES PEREIRA?

O pedestal que, em Lisboa, estava destinado à estátua do Santo Condestável, foi destruído e transformado num amontoado de calhaus. Trata-se agora de uma alegada obra escultórica que dizem em homenagem ao 25 de abril, existente ao cimo do Parque Eduardo VII e em relação à qual os lisboetas batizaram de “pirilau”. Entretanto, D. Nuno Álvares Pereira continua sem que a capital do país se lembre de prestar-lhe a devida homenagem, erguendo-lhe uma estátua numa das suas praças apesar da sua canonização recente e ainda de, ao que tudo indica, a referida estátua se encontrar construída desde 1946.

A este propósito, em 17 de dezembro de 1946, o deputado Salvador Teixeira proferiu na Assembleia Nacional a seguinte intervenção:

“Sr. Presidente: li, com sincero júbilo, no Diário da Manhã que estavam em execução as estátuas dos navegadores portugueses Gonçalves/arco, Gil Enes, Nuno Tristão, Pedro da Sintra, João de Santarém, Diogo Cio, Pêro de Alenquer. Nicolau Coelho, Gaspar Corte-Real, António de Abreu e Pedro Escobar, destinadas ao futuro plano urbanístico da zona da Torre de Belém, e outras estátuas, como as de D. Dinis e D. João III para a cidade de Coimbra e de D. Nuno Alvares Pereira, D. João I e D. João II para a cidade de Lisboa, estas em locais a estudar com a Câmara Municipal.

Confesso o meu contentamento por esta iniciativa, que é expressão da política de espírito, e que vem dar-nos unia grande lição, lição que é o reconhecimento da dívida que temos para com todos os construtores do Império; e digo simplesmente reconhecimento porque o pagamento dessa dívida impende sobre a nossa geração o sobre as futuras, que têm sobre si o imperativo dever de trabalhar afincadamente pelo engrandecimento espiritual da Nação e assegurar a sua eternidade.

E porque é assim, e porque tive a honra, de já nesta sala por duas vezes me dirigir ao Governo solicitando que a estátua a Nuno Alvares Pereira fosse erigida na capital do Império, deixo aqui o testemunho do meu reconhecimento a S. Exª. o Ministro das Obras Públicas e Comunicações, engenheiro Cancela de Abreu, que foi ilustre membro desta Câmara e, de uma maneira geral, ao Governo, reconhecimento que é muito vivo como manifestação de aplauso à política de espírito.

Porém, à semelhança do que sucedeu com o próprio Parque Eduardo VII cujos planos nunca chegaram a ficar concluídos, também o monumento a erigir ao foi envolvido em polémica, a saber se o Santo Condestável deveria ser representado a pé ou a cavalo... e assim permaneceu o pedestal durante muitos anosa aguardar a colocação da estátua!

Decorrida meia dúzia de anos, o deputado Salvador Teixeira volta a intervir na Assembleia Nacional, proferindo na sessão de 18 de abril de 1952 as seguintes palavras:

“Sr. Presidente: terminado há muito o fragor da rija peleja travada nesta lídima representação nacional, na imprensa e na opinião pública, entre os partidários da representação equestre e da pedestre, para a estátua a erigir na capital do Império ao Santo Condestável, esbateram-se já mesmo os ecos desse vivíssimo prélio, de que não perdura mais do que o sentido alto da divida - ou, melhor, do seu reconhecimento- que permanece aberta para com aquele que, à parte raros topónimos em muito raros agregados populacionais, apenas, possui, do meu conhecimento, um modesto, mas notável, monumento, cuja fotografia tenho aqui presente e à disposição dos Srs. Deputados, lá para as bandas do planalto geresiano, em Salto, e um pequenino obelisco, a sul do Reboludo, na cerca do Colégio das Missões Ultramarinas em Cernache do Bonjardim, com a seguinte legenda:

«Local em que existiam os Paços do Bomjardim Solar da Família de Nuno Alvares Pereira que aqui nasceu em 24 de Junho de 1360»

Em Lisboa há muito tempo que, no alto do Parque de Eduardo VII, em frente ao local destinado ao Palácio da Cidade, se encontra, triste e esquecido, guardado à vista por duas altas colunas, o pedestal destinado à estátua do Herói.

Dar-se-á o caso de ir repetir-se a demora havida para a conclusão dos monumentos que foram acabados de erigir pelo Estado Novo nos topos das Avenidas da Liberdade e da República?

Ou, como dizia há bastantes meses ao microfone da Rádio Renascença, o intemerato lutador Zusarte de Mendonça: «foi abandonada a ideia dessa homenagem, que todos os bons e sinceros nacionalistas reclamam como imperioso dever da Pátria a uma das suas mais gloriosas figuras»?

Não quero acreditar que possa ser afirmativa a resposta a qualquer destas perguntas.

Porque assim é, e porque várias vezes e desde há bastantes anos, venho tratando deste assunto nesta Assembleia, apelo para o Governo, mais uma vez e sempre confiante, no sentido de que este, por si ou pela Câmara Municipal de Lisboa, rapidamente efetive a conclusão e a inauguração do monumento e que nessa ocasião se faça uma romagem patriótica ao local onde nasceu o Herói e Santo, local que deve ficar assinalado por forma adequada.”

- É altura de Portugal prestar a homenagem que é devida a São Nuno Álvares Pereira erguendo-lhe um monumento condigno numa das praças mais emblemáticas da capital, porventura no local que lhe estava originalmente destinado ao cimo do Parque Eduardo VII, virado para o rio Tejo e o Convento do Carmo onde passou os seus últimos dias e foi sepultado!



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Segunda-feira, 21 de Abril de 2014
VIVA A MARIA DA FONTE COM A PISTOLA NA MÃO PARA MATAR OS CABRAIS QUE SÃO FALSOS À NAÇÃO!

No bairro lisboeta de Campo de Ourique ergue-se uma estátua que, constituindo uma homenagem à heroica mulher que no Minho dirigiu o levantamento popular contra a ditadura de Costa Cabral, constitui paradoxalmente uma alegoria à instauração do regime liberal.

A estátua é da autoria de Costa Motta (tio) e representa uma mulher jovem e robusta, descalça, no seu trajar minhoto, levando ao ombro o chuço e erguendo na mão direita um pistolão, incitando à revolta.

O monumento encontra-se no jardim Teófilo Braga e foi inaugurado em 15 de setembro de 1920, por ocasião das comemorações do primeiro centenário da proclamação do regime liberal.

Em 1846, as heroicas mulheres do Minho deram início a uma revolta popular contra a ditadura de Costa Cabral, tomaram de assalto as repartições de finanças onde destruíram as “papeletas da roubalheira” e expulsaram a soldadesca enviada para reprimir a revolta.

O levantamento popular começou na Póvoa de Lanhoso e depressa se alastrou a todo o Minho. A exumação de um cadáver que havia sido sepultado na igreja constituiu o rastilho que ateou a revolta. Os sinos tocaram a rebate e, de rebelião em rebelião, a revolta foi adquirindo um caráter de guerrilhas populares até que a Rainha D. Maria II se viu forçada a demitir o governo.

A opressão fiscal e a prepotência do governo cartista de Costa Cabral tiveram na revolta da Maria da Fonte uma resposta à altura que deveria constituir uma lição da História, sobretudo por parte daqueles que, recriando os modelos do passado sob a denominação ideológica do neoliberalismo, insistem em oprimir o povo com medidas semelhantes às do governo de Costa Cabral.



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