Blogue de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes de Lisboa e arredores

Sábado, 3 de Dezembro de 2016
SERÁ QUE O FOLCLORE EVOLUI NA ACTUALIDADE?

Desde que surgiu o boletim meteorológico e a televisão o levou a casa de todas as pessoas, incluindo às dos mais humildes camponeses, estes deixaram progressivamente de olhar o céu e observar a direção do vento para, através do conhecimento empírico que lhe foi transmitido ao longo de gerações através de axiomas, efetuar a sua própria previsão e, como ela, orientar-se nos trabalhos da lavoura, desde a sementeira até às colheitas.

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Sucede que tais costumes deixaram de fazer parte da vivência das populações. Eles remetem-nos para um passado já longínquo, o qual se esgotou com o advento da era industrial. E, foi precisamente o receio de que tais conhecimentos se viessem irremediavelmente a perder na memória dos povos que muitos investigadores das mais diversas áreas procuraram recolher os contos e lendas populares, a forma de trajar, as danças e os cantares tradicionais, encontrando na formação de grupos especificamente dedicados à defesa e divulgação de tais tradições – os ranchos folclóricos – um meio de preservar a memória cultural do povo, aquilo que mais recentemente se convencionou designar por “património imaterial”.

Entretanto, a ascensão da burguesia ou seja, das classes sociais que habitavam as vilas e cidades dedicando-se inicialmente ao comércio e, progressivamente, à atividade industrial, impôs o seu modo de vida à sociedade em geral. Após ter imposto novas regras a costumes populares que se manifestavam no espaço urbano, incluindo no domínio das práticas religiosas, ela foi difundindo a sua ideologia nomeadamente através dos órgãos de comunicação social e promovendo formas de convivência até então estranhas na sociedade rural.

A própria televisão, invariavelmente avessa à divulgação do nosso folclore apesar de dizer que presta “serviço público”, encarrega-se de levar aos mais recônditos lugarejos do país os mais sórdidos programas, naquilo que se pode considerar uma verdadeira agressão e silenciamento da cultura popular que constitui a verdadeira identidade do povo português.

Paralelamente, as zonas rurais do interior vão sendo despovoadas, os processos de trabalho foram alterados com a introdução de novos meios técnicos e as vivências de outrora não correspondem mais ao nosso tempo. Pretender que determinadas manifestações da nossa cultura popular e do saber que apenas são preservadas através da tradição, sejam tidas como vivências da atualidade, como sucede com os critérios que presidem ao reconhecimento pela UNESCO de “Património Imaterial da Humanidade”, representa um grave equívoco.

Tais costumes populares são preservados de uma forma musealizada, cabendo aos museus etnográficos e aos ranchos folclóricos a missão de pesquisarem e conservarem da sociedade antiga, das maneiras de viver de outrora para que a memória e a identidade não se perca – mas jamais para regressarmos a um tempo que já não é o nosso!

O folclore, assim entendido, não evolui porque a sociedade em que estava assente já não existe, a indústria substituiu o trabalho artesanal, o trator dispensou os numerosos ranchos de jornaleiros que labutavam nas searas.

Carlos Gomes



publicado por Carlos Gomes às 20:36
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Segunda-feira, 8 de Agosto de 2016
O PAÍS ESTÁ A ARDER – FOGOS FLORESTAIS TÊM DE ACABAR!

Todos os anos por esta época, o país transforma-se num autêntico inferno. De norte a sul, o fogo destrói a floresta, casas de habitação e coloca em risco a segurança de pessoas e bens, incluindo aqueles que arriscam a sua própria vida para darem combate às chamas. E a sua ocorrência tem sido tão persistente ao longo de décadas que a maior parte dos portugueses já encara o fenómeno como uma fatalidade.

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Ponte de Lima apresentava ontem este cenário

O constante despovoamento do interior e a falta de limpeza da floresta, o desaparecimento dos cantoneiros e o abandono da exploração da resina em consequência do surgimento das colas e tintas sintéticas constituem alguns dos fatores que contribuem para a propagação de incêndios na medida em que não previnem a sua ocorrência.

Por seu turno, certos descuidos como a realização pequenas fogueiras ou o lançamento inadvertido de beatas acesas, embora feito de forma não-intencionada, poderão estar na origem de muitos dos sinistros. Mas, o que já não convence a esmagadora maioria dos portugueses é que a maior parte dos fogos não tenha origem criminosa, quaisquer que sejam as motivações que estejam por detrás dos mesmos.

Um pouco por toda a parte, são desde há muitos anos frequentes os testemunhos de populares referindo a localização de artefactos incendiários e até o ateamento de fogos a partir de aeronaves. Todos os anos são detidos em flagrante alguns indivíduos que depois são presentes a julgamento. Mas, no ano seguinte, eis que o fogo regressa com tanta ou mais intensidade, parecendo contrariar todos os procedimentos com vista à sua prevenção. E, tirando partido das elevadas temperaturas que se estão a registar, tudo leva a crer que o país vai este ano ficar reduzido a cinzas!

Não nos cabe dizer o que será necessário fazer para de uma vez por todas acabar com a ocorrência sistemática de incêndios florestais, mais uma coisa é certa: isto tem de acabar!

Texto: Carlos Gomes / Foto: Amândio Sousa Vieira.



publicado por Carlos Gomes às 16:08
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Quarta-feira, 20 de Abril de 2016
FINANCIAMENTO PÚBLICO DA TAUROMAQUIA E A SINUOSA ARTE DA OCULTAÇÃO

O artigo de opinião que a seguir se publica aborda o problema do alegado financiamento público da tauromaquia, é da autoria do Engº André Silva, deputado do PAN à Assembleia da república que correspondeu amavelmente ao pedido feito pelo BLOGUE DE LISBOA, o que agradecemos. Contamos, entretanto, poder dar a conhecer a versão das entidades defensoras da tauromaquia a este respeito.

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Para os que ainda têm dúvidas sobre se o financiamento público é, ou não, directo à indústria tauromáquica, ou para os que ainda acreditam que este financiamento serve apenas para a criação de raças autóctones, proponho-me uma breve reflexão sobre os benefícios atribuídos.

Do ponto de vista de Iniciativas legislativas no parlamento começámos precisamente, no Orçamento de Estado, com a proposta de alteração dos benefícios em sede de IVA aos espetáculos tauromáquicos, seja pela alteração da lei que isenta os toureiros do pagamento de IVA seja pelo fim da atribuição da taxa intermédia de IVA, 13%, para todos os bilhetes e entradas em espetáculos tauromáquicos. Propostas não aprovadas pela grande maioria parlamentar.

Os exemplos mais recentes que apresento de seguida demonstram que, mesmo em situações financeiras difíceis, algumas autarquias não olham a meios para tentar manter viva esta atividade, investindo milhões de euros do erário público na sua promoção.

A Câmara Municipal de Estremoz é uma das autarquias sujeitas a resgate financeiro por parte do Estado (ao abrigo do Programa de Apoio à Economia Local - PAEL) por dívidas que remontam a 3.011.925 €. A autarquia aprovou uma proposta para a contratação de um empréstimo a longo prazo no âmbito do PAEL até um máximo de 90% do valor da dívida. Simultaneamente, a Câmara de Estremoz está a investir cerca de 2.500.000 € na reabertura da velha praça de touros que se encontrava encerrada há vários anos e que é propriedade privada. Foi cedida por 25 anos à autarquia. A obra é financiada em 80% por fundos comunitários (QREN – InAlentejo) e os restantes 20% pelos cofres da Câmara Municipal.

A Câmara Municipal de Monforte também recorreu ao apoio do Estado no âmbito do PAEL por se encontrar em “situação financeira grave”. O Município solicitou um financiamento de cerca de 680.000 euros correspondentes a 67% da totalidade das dívidas. No entanto isso não impediu o presidente da Câmara de anunciar a 14 de fevereiro de 2013 o Investimento de 165.000 euros na construção de um Centro Interpretativo Tauromáquico no concelho, obra comparticipada em 60% pelo PRODER.

As duas autarquias declararam recentemente a tauromaquia como “Património Cultural e Imaterial de Interesse Municipal”, à semelhança de outros municípios. Esta classificação constitui uma forma da indústria tauromáquica ver aumentados os apoios públicos, numa altura em que o país pretende iniciar a recuperação de uma grave crise financeira.

Foi o que aconteceu no Sabugal, um dos primeiros municípios a aprovar a classificação da tauromaquia e da capeia (tourada com forcão) e a utilizá-la como justificação para atribuir, em novembro de 2012, um total de 110.000,00 euros à promoção de atividades tauromáquicas no concelho.

Não pretendendo fazer uma apresentação exaustiva das contas das autarquias, proponho passar à descrição de algumas das formas sinuosas de que se reveste habitualmente o financiamento público da tauromaquia. Há várias empresas que, de norte a sul do país, recebem verbas avultadas na categoria genérica de “publicidade”, para financiamento de exposições de núcleos tauromáquicos, pagamento de stands em feiras equestres para promoção da tauromaquia. Outra prática comum é a compra de bilhetes para espetáculos tauromáquicos por parte das autarquias.

Fica claro o papel das autarquias como aparelho ideológico ao serviço da tauromaquia. A pertença a estes grupos de cariz ideológico como a União dos Municípios com Actividade Taurina, a UNICIVITAS, a ASIMTAP não se limita ao pagamento de quotas e inscrições, mas obriga à participação activa em iniciativas promotoras da actividade tauromáquica, como sejam organização rotativa de colóquios, representação oficial em todas as iniciativas onde quer que se realizem, deslocações, estadias, oferta de jantares e almoços, cofinanciamento de publicações e publicidade, etc.

Termino propondo a seguinte reflexão: Em Portugal, em 2011, a violência doméstica, com quase vinte e nove mil ocorrências participadas, constituiu-se, tal como no ano anterior, como a tipologia criminal mais reportada aos órgãos de polícia criminal, entre os crimes contra as pessoas, (e como a terceira mais registada em termos globais - Gabinete do Secretário-Geral do Sistema de Segurança Interna [GSGSSI], 2012; e DGPJ, 2012). Das 43 autarquias que integram a secção dos Municípios com actividade tauromáquica, apenas 5 têm um gabinete de apoio à vítima. Vila Franca de Xira não é um deles, embora só em 2013 o Ministério Público do Tribunal da Comarca tenha aberto mais de duas centenas de inquéritos de queixas de violência doméstica. As vítimas de Vila Franca têm de deslocar-se a Santarém ou Lisboa para receberem apoio. No entanto a autarquia paga 6.400€ por ano para um museu privado do ex-toureiro Mário Coelho

Esta é apenas uma das muitas reflexões que podemos fazer sobre a aplicação do dinheiro público. Para nós o caminho, é continuar a trabalhar com todos os coletivos para ver esta meta alcançada sabendo à priori que não é uma questão de “se” mas “quando” estes eventos terminarão.

Nota: Texto escrito pré acordo ortográfico

Fontes:

- C. M. de Estremoz, Ata nº 19/2012 da Reunião extraordinária de 27 de setembro de 2012.

- “Presidente do Município apelou à solidariedade dos funcionários para atenuar efeitos da austeridade”, 16 de outubro de 2012:

http://www2.cmmonforte.pt/noticias/noticiasdet.asp?news=468

- Câmara Municipal do Sabugal, Ata nº 28/2012, Reunião ordinária de 21 de novembro de 2012.

André Silva – Porta-voz e Deputado do PAN (Pessoas – Animais – Natureza)



publicado por Carlos Gomes às 20:37
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Sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2016
SOBERANIA ALIMENTAR: UMA MERA QUESTÃO DE SOBREVIVÊNCIA

O BLOGUE DE LISBOA agradece a colaboração dispensada pelo Partido PAN (Pessoas-Animais-Natureza), traduzido na oferta do artigo de opinião da Drª Bebiana Cunha, psicóloga na Câmara Municipal de Matosinhos e Comissária Política Nacional do PAN.

Por Bebiana Cunha, Comissária Política Nacional do PAN (Pessoas – Animais – Natureza)

Tenho assistido a acesas discussões sobre a aceitação dos organismos geneticamente modificados. Considero que tal como devemos ser capaz de decidir se aquilo que comemos implica a morte de um animal, ou se traz sangue e crueldade nas mãos, devemos ter o direito a ser informados sobre as consequências reais do consumo de organismos geneticamente modificados, nos animais, no ambiente, nos agricultores, nas pessoas em geral. Aliás, sempre defendi um rótulo sobre a história de cada produto, isento e neutro que nos permitisse decidir quais as empresas que queremos suportar, apoiar, através do consumo, um rótulo que nos ajudasse a sermos consumidores conscientes, sem termos que andar a investigar cada empresa ao pormenor.

Quando se fala de soberania alimentar recordo-me sempre do documentário “sementes da liberdade”, resultado de uma colaboração da Fundação Gaia e a Rede Africana de Biodiversidade (narrado pelo actor Jeremy Irons – o então embaixador da Boa Vontade das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura), que nos mostra como apenas cinco empresas (Monsanto, DuPont, Syngenta, Bayer e BASF) estão a tentar controlar o mercado mundial de sementes, com consequências dramáticas na biodiversidade e qualidade dos alimentos. Ficou muito conhecida a história do agricultor Schmeiser que perdeu tudo o que tinha quando, após mais de 50 anos a reproduzir e selecionar as próprias sementes de colza, os seus campos foram contaminados por sementes geneticamente modificadas patenteadas, provenientes de colheitas adjacentes. Nesta situação, sob a lei de patentes, a colheita torna-se propriedade da empresa produtora da semente geneticamente modificada, tendo o agricultor perdido tudo por violação da patente, quando as suas culturas é que haviam sido objecto de contaminação.

Como podemos aceitar que se patenteie a vida de plantas e de animais (cf. Vacas “leiteiras” geneticamente modificadas)? Como se pode aceitar que a sobrevivência de pessoas – animais fique na mão de meia dúzia de empresas? Como se pode aceitar que sejam DDT (vulgo donas disto tudo)? A substituição das sementes naturais por sementes geneticamente modificadas envolve vários aspectos perversos, como o surgimento de super-pragas que obrigam os agricultores a recorrer aos pesticidas que os organismos geneticamente modificados prometiam dispensar, e daí a consequente poluição dos lençóis freáticos e a morte dos ecossistemas.Não esquecer também o empobrecimento dos solos devido aos consequentes usos dos agro-químicos e o endividamento dos agricultores, que todos os anos têm de comprar sementes novas, por estas serem estéreis.

No final da Segunda Guerra Mundial, quando as empresas dearmas químicas precisaram encontrar novas funções paraos seus produtos, desenvolveramfertilizantes e pesticidas. Entretanto, com a ajuda da Organização Mundial do Comércio, sob pressão de poderosas empresas, determinou-se que microorganismos e processos microbiológicos pudessem ser patenteados. Estava aberto caminho para as sementes geneticamente modificadas controlarem o mercado. Aquilo que é real, concreto e criador de vida dá lugar a mediações financeiras artificiais, leva ao desaparecimento da democracia e a fortes desigualdades económicas, sem qualquer controlo dos agricultores sob aquilo que produzem, sem qualquer controlo de cada um de nós sobre aquilo que cultiva na sua horta de subsistência.

Torna-se urgente uma união de forças entre agricultores e consumidores, premente pressionar todas as forças políticas para estarem do nosso lado nesta batalha de sobrevivência, para que possamos usufruir e deixar às gerações vindouras, aos nossos filhos e netos, um sistema alimentar diverso e rico. Guardar e trocar as nossas sementes sem ogm e sem patentes tem que ser um direito, ao mesmo tempo que o planeta precisa ser protegido do domínio das multinacionais, do uso de agro-químicos e os comércios justo e local devem ser incentivados. Não podemos permitir a imposição de leis baseadas no uniformismo, que criminalizam a diversidade e a liberdade das sementes, da natureza e consequentemente a nossa liberdade. É a altura de, em profunda solidariedade, defendermos juntos a liberdade alimentar e construirmos um presente e um futuro em que a nossa comida protege a vida e o bem-estardos ecossistemas, nos quais nos inserimos.



publicado por Carlos Gomes às 15:18
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Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2016
FIDELIZAÇÃO DE CLIENTES: SOLUÇÕES FÁCEIS MARCAM PONTOS NO FUTURO

Por: Benedita Miranda, diretora-geral da Sitel Portugal

Tendo em conta o atual intercâmbio de produtos e serviços, em todos e quaisquer setores de atividade, o serviço de apoio ao cliente é cada vez mais um fator diferenciador. Por vezes é o único ponto de contacto com o cliente e pode, inclusive, gerar vantagens competitivas para o negócio. O peso do serviço de apoio ao cliente é tão elevado que pode determinar a fidelidade dos clientes, levando-os mesmo a que se tornem embaixadores da marca.

Até agora acreditava-se que a satisfação dos clientes era uma garantia da sua fidelização e de um consequente bom desempenho em termos de facturação. Com esta ideia em mente, surgiu a tendência de promover diferentes programas de fidelização e “ofertas extra”, que supostamente contribuiriam para aumentar e manter a fidelização do cliente. O problema surge quando alguma coisa corre mal com um produto ou serviço, ou quando um problema precisa de resolução. Atualmente, os clientes procuram aconselhamento em websites ou fóruns, pegam no telefone ou enviam e-mails e é desta forma que têm a sua primeira experiência com o serviço de apoio ao cliente. São estas experiências que geralmente determinam se os clientes mudam de fornecedor, ou se recomendam o produto ou serviço.

Neste sentido, os fornecedores do serviço de apoio ao cliente e os seus clientes têm grandes expetativas e objetivos em termos de KPIs (Key Performance Indicator), no que diz respeito à qualidade deste tipo de serviços. O grau de satisfação do cliente é medido através do valor NPS – Net Promoter Score – que mede a disposição do cliente para recomendar um produto ou serviço numa escala de 1 a 10. Este ranking cria uma diferenciação consoante as respostas obtidas, que pode variar entre: os defensores (10-9), os passivos (8-7) e os críticos (6-0). Estudos recentes sugerem que o esforço para satisfazer os clientes muitas vezes não tem qualquer relação com os custos envolvidos. Um artigo de Harvard Business Review (HBR)* faz referência a este tema e leva as empresas repensar as suas estratégias atuais. Os autores levantam a questão: De que serviços necessitam realmente os clientes? Em que é que os fornecedores devem investir para o conseguir? A resposta dos experts é clara: “Parem de querer satisfazer os clientes”. Pesquisas posteriores realizadas pela Dixon fornecem os principais factos e números. Um inquérito a mais de 125.000 clientes, mais de 5.000 funcionários e mais de 100 empresas mostra-nos que a “satisfação” do cliente apenas é conseguida em 16% dos casos. Tentar fazer parte desta percentagem, raramente alcançada, aumenta os custos de operação até 20%. Reduzir o esforço do cliente (Customer Effort Score) é a maneira mais eficaz para vencer a batalha competitiva pela fidelização do cliente, sem por em causa as margens do negócio.

Optar por não querer estar continuamente a satisfazer o cliente, parece contradizer a ideia de que é fundamental prestar um excelente serviço de apoio ao cliente, no entanto estes novos conceitos abrem as portas a algo novo que é do interesse de todas as empresas. A nova estratégia de medir a qualidade, muda radicalmente a nossa indústria e é um fator chave no que toca à melhoraria das experiências com o serviço de apoio ao cliente, que é frequentemente visto como maçador. O que aconteceu exatamente para gerar este sentimento?

O CES não mede a disposição para recomendar como indicador da Satisfação do Cliente (NPS), mas sim o esforço real (ou percebido) dos clientes para alcançarem a solução para o problema. Por conseguinte, este valor mostra que quanto maior for a facilidade na resolução de problemas do cliente, maior é a sua fidelização e disposição para recomendar o produto ou serviço.

O mais interessante é que a capacidade de previsão de fidelização (em termos de comportamento de nova compra e aumento de vendas) é reportada como substancialmente mais elevada no CES, comparativamente com os valores de medição como o NPS ou CSAT (Customer Satisfaction).

Compreender o Customer Effort

O Customer Effort é a quantidade de trabalho (ou esforço) percebido que o cliente tem de exercer para receber o serviço ou a resolução desejada. Isto pode incluir o tempo do atendimento e o número de vezes que o cliente é transferido. Este esforço não é só um incómodo para o cliente, mas também potencia a perda da fidelização. Alguns dos fatores que contribuem para aumentar o esforço do cliente incluem:

Contactos Múltiplos: os clientes pretendem uma interação “one and done” relativamente ao apoio técnico ou atendimento. Se o cliente necessitar de o consultar novamente, o seu esforço sobe.

Problema nos canais: clientes que interagem através de self-service, muitas vezes não querem ser transferidos para o telefone. Os que ligam para o centro muitas vezes preferem um serviço de voz, por isso não se deve responder com um e-mail. Sempre que se força um cliente a trocar de canais, a sua experiência aumenta o Customer Effort.

Repetição de Informação: interações pelo telefone começam geralmente com os clientes a fornecer informação a um IVR – e não esperam ser questionados de novo por uma máquina ou pessoa. Quando isto acontece mais do que uma vez, o esforço do cliente aumenta e a fidelização diminui.

Ausência de compreensão: os clientes esperam ser levados a sério. Consequentemente, o tom de voz dos funcionários, a escolha do idioma, assim como a compreensão emocional e técnica de que o cliente necessita devem ser adequados.

Olhando para estes fatores, verifica-se rapidamente que os incentivos aos clientes, por exemplo, ofertas adicionais não solicitadas como compensação pelos atrasos, etc., não satisfazem as suas necessidades porque o que procuram é uma solução rápida e fácil e não uma compensação por longos tempos de espera. Tendo em conta que o CES mede o tempo da resolução dos problemas dos clientes, uma pontuação baixa do Customer Effort mostra que os clientes tiveram que fazer apenas um pequeno esforço para conseguir a solução ao seu problema. No geral, este segue o lema arquitetónico de que “menos é mais”.

*Matthew Dixon, Karen Freeman, Nicolas Toman, Harvard Business Review (HBR)



publicado por Carlos Gomes às 18:54
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Segunda-feira, 4 de Janeiro de 2016
PRESIDENTE DO INSTITUTO CAMÕES DEFENDE UMA EUROPA ATENTA AOS PROBLEMAS GLOBAIS

“Precisamos de uma Europa atenta, preocupada e consciente do seu dever e papel na resolução dos problemas globais.” – defende Ana Paula Laborinho, Presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua

Este é um artigo de balanço do que foi o Ano Europeu para o Desenvolvimento (AED), uma iniciativa que decorreu durante 2015 em todos os países da União Europeia, com o mote “O nosso mundo, a nossa dignidade, o nosso futuro”.

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No início deste Ano Europeu para o Desenvolvimento, ao lembrarmos as palavras de Sophia de Mello Breyner Andresen e de Agustina Bessa-Luís, perguntávamos “Que Europa e que Mundo temos?”, “Que Europa e que Mundo ambicionamos?”. Tínhamos então a expectativa e ambição de que este Ano Europeu, a decorrer em simultâneo em 28 países, com todos os seus objetivos, mensagens, iniciativas e parcerias, contribuísse para informar e sensibilizar os cidadãos relativamente às questões do desenvolvimento global, promovendo o debate público e levando a uma reflexão conjunta que incentivasse a participação direta.

Na prossecução dos objetivos delineados realizaram-se inúmeras atividades, difundiram-se as mensagens por diferentes canais, desenvolveram-se e consolidaram-se múltiplas parcerias, sempre com a certeza de que este era um Ano Europeu de todos e de cada um de nós. Foi um Ano assente em parcerias, onde duas centenas de organizações trabalharam juntas para cumprir os objetivos do Programa de Trabalho Nacional, a debater, a informar, a sensibilizar e refletir sobre os temas do desenvolvimento.

Temas tão distintos como a água, a saúde ou a segurança alimentar; a educação; a igualdade de género e as liberdades políticas; ou ainda o crescimento económico; o desenvolvimento sustentável e as migrações. Todos temas relevantes eatuais, que contribuíram para que hoje acreditemos que o objetivo de promover o interesse, a participação, o pensamento crítico, informando e sensibilizando os cidadãos relativamente às politicas do desenvolvimento, tenha sido alcançado.

Podemos ver que as questões do desenvolvimento estiveram mais presentes nos meios de comunicação social e que se considera ter havido uma maior sensibilização das pessoas. Que, nas redes sociais, algumas das nossas publicações alcançaram mais de 100 000 pessoas, com centenas de comentários e partilhas. Nunca, como agora, os temas do desenvolvimento foram tão debatidos e despertaram tanto o interesse nos cidadãos europeus.

Ao respondermos às nossas interrogações do início do Ano, temos que acreditar que precisamos de uma Europa atenta ao Mundo que a rodeia, uma Europa preocupada com os seus problemas locais (internos), mas também consciente do seu dever e papel na resolução dos problemas globais.

Uma Europa que, com base na nova Agenda do Desenvolvimento, defina o Desenvolvimento Global como um objetivo partilhado por todos, passando por uma atuação interligada das dimensões económica, social e ambiental, a par com uma abordagem politica e de Direitos Humanos.

Importa relembrar as palavras do Dr. Jorge Sampaio na sessão de abertura do Ano Europeu, «a cooperação não é uma questão de solidariedade mas de responsabilidade». A Europa do Ano Europeu para o Desenvolvimento, onde cada um de nós é um agente de transformação, um agente do desenvolvimento, na consolidação do sentimento de responsabilidade, de solidariedade, da oportunidade para em conjunto, em parceria trabalharmos para o “O nosso mundo, a nossa dignidade, o nosso futuro”.

Ana Paula Laborinho

Presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua



publicado por Carlos Gomes às 10:55
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Terça-feira, 8 de Dezembro de 2015
EUROPA CONSTRÓI TORRE DE BABEL

De todas as bandeiras dos mais diversos países europeus, é porventura a bandeira portuguesa que integra o escudo nacional, aquela que mais elementos simbólicos incorpora relacionados com o Cristianismo e as batalhas travadas aos mouros durante a Reconquista Cristã. São eles as cinco quinas dispostas em cruz, os trinta besantes e os sete castelos. Não obstante, à sua sombra conviveram pacificamente durante muitos séculos, povos de diferentes culturas e credos, incluindo muçulmanos.

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Salvo períodos excecionais da nossa História essencialmente motivados por razões políticas, o predomínio da Igreja Católica nunca representou, portanto, qualquer impedimento à prática de outras crenças, fossem elas animistas, hinduístas, budistas, islâmicas ou judaicas entre outras. Ao invés, foi o próprio Cristianismo por diversas vezes, alvo de perseguição, apesar do catolicismo constituir a confissão religiosa maioritária dos portugueses.

Vem isto a propósito das recomendações dadas por ilustres figuras políticas dadas à adivinhação, segundo os quais, o mundo caminha para uma sociedade inter-religiosa, devendo a Europa promover a inclusão como única garantia de paz. Após o falhanço da política de “tolerância” e “multiculturalidade”, eis que tais profetas descobriram na “inclusão” a verdadeira receita para todos os males… tais adivinhos são, geralmente, confessos ateus, ou agnósticos como agora é mais usual dizer-se!

Segundo eles, não interessa pois a nossa matriz cultural judaico-cristã, devendo os povos europeus abdicar dos seus valores em prol de uma sociedade mais “laica”, pelo menos no que se refere ao Cristianismo…

Mas a História ensina-nos que não é construindo uma Babel de religiões que se consegue a paz entre os povos, tal como se pode comprovar com os inúmeros conflitos de origem religiosa existentes nos mais diversos recantos do planeta. E muito menos permitindo a alteração do equilíbrio demográfico, a não ser que o que realmente se pretenda seja a supressão da nossa civilização. Nesse caso, seriamos forçados a retirar o escudo nacional da bandeira portuguesa, substituindo-o eventualmente pelo crescente ou outro qualquer símbolo religioso.

O Estado é laico, ou secular como diria Afonso Costa e os demais políticos da Primeira República – mas os portugueses são cristãos na sua maioria!

O ambiente de paz em que vivemos não se deve aos sonhos utópicos para que tais adivinhos nos querem arrastar mas sobretudo à forma cordial e sensata que carateriza o povo português. E é precisamente esse bom senso que nos deve levar a rejeitar a ideia insensata de transformar Portugal numa espécie de Torre de Babel!



publicado por Carlos Gomes às 11:25
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Quarta-feira, 2 de Dezembro de 2015
O MUNDO DO TRABALHO TEM MOTIVOS PARA PREOCUPAÇÃO

Peter Poschen, Diretor do departamento de Empresas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), tem a gentileza de nos oferecer um artigo de opinião para publicação, o qual se insere no âmbito do Ano Europeu para o Desenvolvimento (AED), uma iniciativa que está a decorrer durante o ano de 2015 em todos os países da União Europeia, com o mote “O nosso mundo, a nossa dignidade, o nosso futuro”.

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“O mundo do trabalho tem motivos para preocupação”

Esta frase, do Diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT) poderia referir-se à situação do emprego no mundo e na Europa. Na UE o desemprego atingiu 10,2% em 2014, 3 p.p. acima do nível verificado em 2007.

Contudo, Guy Ryder referia-se à deterioração do meio ambiente e às alterações climáticas. Na última década, a desregulação do clima tem provocado sérias rupturas na atividade económica ao destruir empregos e bases de sustento das comunidades numa escala nunca antes vista.

Os dois desafios – do trabalho digno e da inclusão social para todos e da proteção do clima e do meio ambiente - são urgentes e estão estreitamente ligados. Uma transformação decisiva com vista à sustentabilidade ambiental pode ser fonte de mais e melhores empregos. A OIT e a União Europeia estabeleceram uma parceria para gerar trabalho digno e empregos verdes numa economia sustentável que está a dar frutos na Europa, em Portugal e no mundo.

A Europa duplicou os seus esforços em 2014 através da “Iniciativa Emprego Verde”. Segundo um relatório do Parlamento Europeu de julho de 2015, as políticas atuais da União para proteger o clima e o meio ambiente poderão criar 2 milhões de empregos adicionais no ano 2030.

Portugal tem participado nesta transformação sendo um dos cinco países da União com uma política coerente para fomentar a geração de empregos através de crescimento verde. Um dos êxitos do país prende-se com o crescimento expressivo das energias renováveis já que 36% do consumo final de energia é satisfeito com recurso às mesmas. Em Portugal a economia verde resistiu muito bem à crise. Entre 2007 e 2010 o mercado de tecnologia verde cresceu 11,8% por ano. A manutenção das políticas que permitiram o desenvolvimento deste sector, mesmo durante o processo de ajustamento orçamental, foi uma decisão acertada. Estima-se que a procura de bens e serviços verdes mais que duplique até 2025 chegando a 4.400 mil milhões de euros.

Uma das fontes mais interessantes para mais empregos na Europa é o aumento da eficiência no uso de recursos. As empresas e as economias europeias poderão economizar 630 mil milhões de euros até 2030 se aumentarem a eficiência no uso de recursos em 2% por ano. O resultado seria um PIB superior em 1% e mais 2 milhões de empregos.

Um novo acordo global e ambicioso sobre o clima é urgente. Rumo à cimeira de Paris em dezembro, a mensagem é clara: investir no clima pode gerar emprego e a UE deveria liderar este processo e apoiar outros países a beneficiarem de boas políticas ambientais.

Peter Poschen

Diretor do Departamento de Empresas da OIT



publicado por Carlos Gomes às 18:50
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Sábado, 21 de Novembro de 2015
PANDORA ABRIU A CAIXA… E AGORA?

“Sem Deus tudo seria permitido” – Fiódor Dostoiévski

Reza a mitologia grega que quando Pandora, a primeira mulher criada por Zeus, abriu a famosa caixa que lhe tinha sido oferecida, deixou dela escapar todos os males do mundo menos a esperança que representa uma ideia indefinida em relação ao futuro. Com efeito, Pandora abriu a caixa… e agora?

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As ideologias modernas, a confrontação política e os interesses económicos têm produzido profundas transformações culturais que por vezes vão ao ponto de bulirem com pilares fundamentais de uma civilização, colocando em causa valores que estão muito acima dos direitos individuais.

O reconhecimento da união entre duas pessoas do mesmo sexo como se de um matrimónio se tratasse e, consequentemente, o direito de adoção homoparental, subverte os nossos valores civilizacionais. E, nesta apreciação, nada tem a ver com eventuais preconceitos ou ideias de discriminação ou homofobia.

Uma vez que o casamento é reconhecido independentemente do género, também nada justifica que o mesmo não seja de igual forma admitido indiferente ao número, devendo por consequência ser legalmente reconhecida a poligamia, poliandria e outras formas de união sob pena de discriminação de minorias culturais, étnicas e religiosas. O mesmo princípio se aplica à adoção de crianças uma vez que, prosseguindo na mesma linha de raciocínio, podendo ser adotada por duas pessoas do mesmo género, nada deve impedir que a mesma não possa ser adotada simultaneamente por mais pessoas ou mesmo uma coletividade…

Se todas estas questões poderão ser encaradas com naturalidade no contexto de outras culturas distintas da civilização judaico-cristã em que nos inserimos, entre nós apenas são justificáveis à luz do individualismo burguês que procura remover todos os obstáculos ao estabelecimento de uma sociedade liberal que possui o mercado livre como o primado do seu funcionamento. Não admira, pois, que no terreno da disputa política, entrem frequentemente em convergência neste domínio os partidos da pequena-burguesia identificados à esquerda do espectro partidário com os partidos da direita neoliberal.

Mas, Pandora abriu a caixa… e, qual civilização decadente, o Ocidente não tem mais superioridade moral para condenar práticas abomináveis como o casamento forçado de crianças promovido pelo Hamas em território palestiniano e muitos outros exemplos que apenas o pudor nos inibe de aqui mencionar.

A indiferença perante os valores religiosos e espirituais, aliada à decadência moral levará mais tarde ou mais cedo ao desaparecimento da nossa civilização – e do próprio Cristianismo na Europa! – arrastando os povos que dela fazem parte para uma escravatura cultural e social, sob dominação de outros povos com diferentes modos de vida. Seremos de novo, porventura, uma espécie de moçárabes. Resta-nos a esperança que ficou na caixa de Pandora!

Carlos Gomes

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publicado por Carlos Gomes às 17:36
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Segunda-feira, 5 de Outubro de 2015
O QUE SÃO E PARA QUE SERVEM OS FERIADOS?

Os feriados são os dias em que, por prescrição civil ou religiosa, se suspende o trabalho a fim de comemorar algo que se pretende seja preservado na memória de uma comunidade. A sua manutenção apenas faz sentido na medida em que os mesmos são celebrados.

Desde os tempos mais remotos, o homem celebrava através do rito a ação criadora dos deuses, assegurando assim a sua continuidade. Integram-se nesse conceito os festejos dos ciclos da Natureza, mormente o solstício do inverno e da primavera, o entrudo e a serração da velha. Uma vez cristianizadas muitas das celebrações outrora pagãs e instituídos os feriados religiosos, destinam-se eles a celebrar os principais acontecimentos da vida de Jesus como marcos fundamentais da Fé cristã.

Por seu turno, a sociedade passou de igual modo a assinalar efemérides consideradas importantes na vida das respetivas comunidades, as quais se destinam a preservar a sua memória coletiva ou seja, a comemorar os acontecimentos mais marcantes da História, a exaltar os seus feitos e a venerar os seus heróis e poetas.

Trata-se de uma espécie de religião cívica que possui o seu panteão, os seus símbolos, as suas datas de celebração e uma liturgia própria. Desse modo, os feriados cívicos destinam-se a serem celebrados pela comunidade com vista à preservação da memória e, por conseguinte, da respetiva identidade, seja ela de um município ou da Nação no seu todo!

A necessidade de preservação da memória pressupõe de igual modo o esquecimento. A título de exemplo, a comemoração da implantação da República apenas faz sentido no contexto do regime republicano como forma de garantir a identificação do povo com o significado e os símbolos que lhe estão subjacentes. Por seu turno, a supressão dos feriados cívicos, seja a que pretexto for, visa sempre promover o esquecimento em relação àquilo que os mesmos representam.

A supressão do feriado do dia 1 de dezembro que evoca a data da Restauração da Independência de Portugal em 1640, mais não representa do que a tentativa de fazer os portugueses esquecerem a sua condição de povo livre e soberano, criando as condições com vista a submetê-lo a novos jugos do estrangeiro. É por essa razão que os cidadãos jamais devem deixar de celebrar a sua liberdade, impondo o restabelecimento dos feriados religiosos e civis que foram suprimidos e comemorando o feito heroico dos seus antepassados que nos legaram uma Pátria livre e soberana!



publicado por Carlos Gomes às 22:34
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Quinta-feira, 24 de Setembro de 2015
MOVIMENTOS MIGRATÓRIOS SÃO POSITIVOS SE FOREM BEM GERIDOS

- Afirma Marta Bronzin, Chefe de Missão em Portugal da OIM - Organização Internacional das Migrações, em artigo de opinião gentilmente cedido ao BLOGUE DE LISBOA.

Este artigo enquadra-se na temática de Setembro do Ano Europeu para o Desenvolvimento (AED), Migrações e Demografia. O AED é uma iniciativa que vai decorrer durante o ano de 2015 em todos os países da União Europeia, com o mote “O nosso mundo, a nossa dignidade, o nosso futuro”.

Assistimos nestes dias a manifestações que juntam espontaneamente dezenas de milhares de pessoas na Europa em apoio ao acolhimento de refugiados, numa demonstração que é ao mesmo tempo de solidariedade para com estas pessoas e de frustação pela incapacidade dos seus Governos darem uma resposta à altura das circunstâncias.

A crise migratória no Mediterrâneo não é uma situação isolada. Acresce que o número de migrantes atingiu máximos históricos – uma em cada sete pessoas no mundo é um migrante hoje em dia. 60 milhões de pessoas estão a ser deslocadas e procuram refugio em várias partes do mundo devido a múltiplas crises humanitárias, a  instabilidade política e situações de perseguição. Estes factores obrigam-nas a sairem das suas casas em busca de segurança e melhores condições de vida, gerando forte pressão migratória sobre os países de trânsito e de acolhimento. O desespero e a falta de canais legais alimentam a migração irregular, agravando os riscos ao longo das rotas migratórias e favorecendo o mercado dos traficantes.

Também confrontada com esta realidade, a União Europeia não tem conseguido encontrar um consenso político para receber e gerir os fluxos de pessoas que chegam às suas portas. Estas são consideradas como um peso ou até como uma ameaça. Há muito tempo que se assiste a uma instrumentalização política do tema das migrações. Ao mesmo tempo opta-se por soluções securitárias e de contenção que dificilmente serão eficazes e sustentáveis.

A Europa enfrenta também outra realidade com a qual tem que lidar. Está a envelhecer, e a população em idade activa está destinada a perder 7.5 milhões pessoas até 2020, de acordo com os dados da OCDE, com um consequente desencontro entre necessidades laborais e competências e qualificações disponíveis. Estas projeções pioram se excluirmos os migrantes deste cenário.

Então o que está a faltar ou a falhar neste momento? Falta olhar para além da dimensão humanitária e das respostas de curto prazo. Falta reconhecer que a mobilidade humana nas suas várias formas e causas sempre existiu e continuará a existir. Falta uma visão objectiva e uma reflexão honesta sobre as nossas necessidades e o contributo que as migrações, se bem geridas, podem dar às sociedades e às economias dos países de acolhimento.

Apesar dos imigrantes não poderem por si só resolver os problemas demográficos e as assimetrias do mercado de trabalho, deverão fazer parte da solução. Em determinados países da Europa, inteiros sectores da económica como a saúde, as tecnologias, o trabalho doméstico, dependem de mão de obra estrangeira mais ou menos qualificada para o seu funcionamento. Quem procura os nossos países pode dar um contributo importante para a economia e o sistema de protecção social. Mas isso não acontecerá se não houver políticas transparentes e realistas que conduzam à criação de canais legais e seguros de migração, ao respeito dos direitos humanos básicos dos migrantes, num espírito de responsabilidade partilhada entre países de origem, trânsito e destino.

Na nova Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, adoptada pelas Nações Unidas no fim deste setembro, as migrações finalmente ocupam o lugar que merecem enquanto fator incontornável para um desenvolvimento global inclusivo. Fica só reconhecer que as migrações são relevantes para a prosperidade e o crescimento de todos os países, tanto do Sul como do Norte do mundo. 

Marta Bronzin

Chefe de missão em Portugal da OIM - Organização Internacional das Migrações



publicado por Carlos Gomes às 22:14
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Quinta-feira, 17 de Setembro de 2015
PENÍNSULA IBÉRICA VÊ NASCER UMA NOVA NAÇÃO INDEPENDENTE: A CATALUNHA!

Dentro em breve, a Europa poderá assistir ao nascimento de uma nova nação soberana e independente na Península Ibérica: a Catalunha!

Os catalães vão no próximo dia 27 de setembro ser chamados a votar para as eleições autonómicas da região, as quais vão constituir na prática um plebiscito à independência.

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Apesar do decreto que convoca as referidas eleições não incluir qualquer referência ao carácter plebiscitário das mesmas, as forças políticas nacionalistas formaram a frente independentista “Juntos Pelo Sim” – “Junts pel sí”, em catalão – congregando a Convergência Democrática de Artur Mas, a Esquerda Republicana da Catalunha de Oriol Junqueras e os comunistas das Candidaturas de Unidade Popular.

Porém, o projeto de independência da Catalunha conta com a oposição do PSC (Partido Socialista da Catalunha), o PPC (Partido Popular da Catalunha), a ICV-EUiA (partido comunista) e o Catalunya Sí que es Pot (Podemos catalão) e do Ciudadanos.

Perante a manifesta dificuldade da Espanha vir a adotar um modelo federal, quer sob o regime monárquico ou republicano, o caminho iniciado pela Catalunha rumo à independência parece irreversível.

Uma eventual declaração unilateral da independência por parte da Catalunha trará profundas alterações políticas na Península Ibérica e a nível europeu. O independentismo catalão preconiza a construção de um Estado Federado do qual farão ainda parte a Comunidade Valenciana, Aragão, Ilhas Baleares, El Carxe (Comarca de Múrcia), Andorra, o território francês do Rossilhão (Catalunha Norte) e L’Alguer, na Sardenha, em Itália.

Entretanto, o exemplo da Catalunha pode ainda vir a ser seguido pelo País Basco (Euskadi) com evidentes consequências no mapa político de França, a Galiza e as Canárias, despertando os nacionalismos adormecidos nos mais variados pontos da Europa, à semelhança do que ocorreu no século XIX.

À semelhança do que sucedeu com o Sacro Império Romano-Germânico de Carlos Magno que em grande medida inspirou os construtores da atual União Europeia, a crise económica e financeira e o encerramento das fronteiras pode ditar o seu fim e abrir o caminho à reconfiguração da Europa com o aparecimento de novas nações.

De uma coisa temos a certeza: os catalães estão a fazer História. Nós, portugueses, recuperámos a independência face a Espanha em 1640 – nessa altura, a revolta da Catalunha foi esmagada!



publicado por Carlos Gomes às 15:50
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Terça-feira, 1 de Setembro de 2015
O FIM DA “TAUROPATIA”

O BLOGUE DE LISBOA agradece a colaboração do Partido PAN (Pessoas-Animais-Natureza), traduzido na oferta do artigo de opinião da Drª Bebiana Cunha, psicóloga na Câmara Municipal de Matosinhos e candidata por aquele partido às próximas eleições legislativas.

Perante actuações de violência gratuita é uma obrigação cívica manifestarmo-nos, seja quando se apedrejam mulheres adúlteras, se abandonam ou recusam pessoas à sua sorte no mar mediterrâneo, se constatam modelos de escravatura e/ou quando se usa violência sobre outros seres, sob a capa de uma terminologia de espectáculo, arte ou cultura. Assim, utilizam-se conceitos como espectáculo ou arte para designar o aprisionar de um touro e/ou outros animais numa arena, onde o condenam à tortura e ao sofrimento. Em boa verdade, independentemente de ser considerado arte ou espectáculo, uma injustiça é sempre uma injustiça, independentemente dos adornos estéticos que lhe sejam dados. De uma vez por todas há que colocar um juízo moral sobre aquilo que se considera tradição e construir uma sociedade mais justa, onde a forma como tratamos os animais, nos possa orgulhar do elevado grau ético da nossa sociedade. Nenhuma tradição pode encobrir a maldade e a crueldade.

Muitas vezes procura-se desvirtuar os motivos do protesto, colocando o enfoque em quem protesta, em vez de ser colocado nos actos de tortura: dispostos a sacrificar a vida, a destruir a integridade física e psicológica de seres sencientes/conscientes, sem o menor arrependimento moral, compaixão ou empatia. Como sabemos, os estudos psicológicos e sociológicos têm indicado efeitos bastante nefastos da tauromaquia, concluindo que a pedagogia da violência é altamente prejudicial ao desenvolvimento humano. Não obstante, a educação tem sido descurada.

Numa perspetiva histórica encontramos momentos de culto, respeito, eventualmente admiração ou medo por estes animais, tendo-se transitado para momentos de crueldade e subjugação, onde o ser humano faz o pior de si: perde a sua humanidade.

É de esperar que a mudança gradual de mentalidades causada pelo Movimento (Inter)nacional de defesa dos animais proporcione uma mudança neste espaço de agressão psicossocial chamado tourada, uma vez que se trata de algo completamente inútil para os nossos interesses vitais, causa sofrimento gratuito a seres sencientes/conscientes, e é de uma violência cénica brutal. É dever do governo de um país dar este salto civilizacional contribuindo para a evolução da sociedade, protegendo e educando os seus filhos para o respeito, a dignidade, a compaixão e a empatia.

Bebiana Cunha

Cabeça-de-lista pelo PAN, no distrito do Porto, nas Legislativas de 2015, a 04 de Outubro, dia internacional do animal.



publicado por Carlos Gomes às 18:42
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Segunda-feira, 24 de Agosto de 2015
PORTUGAL COMEMORA ANO EUROPEU PARA O DESENVOLVIMENTO

“ Se eu tivesse um mundo só meu, nada faria sentido. Nada seria o que é, porque tudo seria o que não é. E contrariamente o que é, não seria… e o que não fosse seria. Compreendes?” 

Lewis Carol – Alice no País das Maravilhas”

O Ano Europeu para o Desenvolvimento convoca-nos a pensar e a celebrar ganhos, mas sobretudo a garantir o futuro pleno de dignidade e direitos para todos - o primeiro passo para o desenvolvimento.

“A verdadeira alma de uma sociedade conhece-se pela forma como trata as suas crianças”, afirmou Nelson Mandela. Esta ideia, que reflete o princípio basilar de garantir direitos iguais para todas as pessoas, tem de ser concretizada e ganha hoje um significado acrescido. Quando foi assinada a Convenção dos Direitos da Criança, sabíamos que não se tratava apenas de um enunciado de Direitos, mas que lhe correspondia a obrigação passiva universal a respeitar.

Ao escrever este texto recordo realidades com que fui confrontada ao longo desta legislatura, por exemplo nas viagens de parlamentares a Moçambique e Timor Leste, para além de informação rigorosa que nos mostra injustiças gritantes.

A Exposição Novas Demais para Casar, o Relatório de 2015 sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio e o último Relatório sobre o Acesso à Saúde em Portugal confirmam que subsistem desigualdades graves, o que não é admissível! Portugal e a Europa têm de responder e de ter capacidade de compromisso sério com o futuro.

A igualdade de oportunidades é o segredo da reintegração dos excluídos, cujo número cresce na proporção da competição económica. O combate à divinização do lucro e dos desníveis na repartição da riqueza é, a par com a efetivação da educação universal, o melhor caminho para a igualdade. De igual modo, os direitos e a saúde sexual e reprodutiva são a garantia mais segura da natalidade e felicidade. É uma questão de consciência cívica, sentido de responsabilidade e vontade de agir. Temos ou não essa vontade, eis a questão?

Princípios como a igualdade, a generalização do direito à saúde, à educação e a um nível de vida de qualidade, podem fazer mais pelo futuro do que os modelos políticos, sociais e económicos pelos quais a Europa do presente se rege. Os números constantemente repetidos das mortes evitáveis exigem que sejamos, enquanto país, capazes de colocar as pessoas e o seu inalienável e universal direito à Saúde como central nas decisões políticas.

Não basta distribuir medicamentos, formar profissionais, construir novos hospitais, a investigação laboratorial, os equipamentos de última geração tecnológica ou missões técnicas e de voluntariado. É urgente pensar em simultâneo e em articulação a prestação de cuidados de saúde em função das realidades locais e das pessoas a que se destinam. O agir local exige pensar global e vice-versa.

Uma das virtudes da República é a sobreposição do coletivo ao individual e do público ao privado. E as “virtudes” da República grega foram exaltadas a propósito da Revolução Francesa, da Americana, e nas correspondentes Constituições e das Declarações de Direitos em que foram arrolados os correspondentes princípios cívicos e éticos. É pois tempo de assumir nas opções políticas, em matéria de Saúde e de Desenvolvimento, as “virtudes” da República.

Por Maria Antónia Almeida Santos, Presidente da Comissão Parlamentar de Saúde, Deputada PS e membro do GPPsPD.



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Sábado, 8 de Agosto de 2015
A SAÚDE EM ALGUEIRÃO MEM-MARTINS

Dos profissionais, aos utentes, dos que estão doentes aos que tratam quem precisa, todos merecem ter condições dignas.

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Aos homens e mulheres que com as mãos mergulhadas na dimensão maior da sua existência, tratando, reparando e cuidando dos doentes, muitas vezes, trabalham sem as condições mínimas.

A Eles que tudo fazem por nós, nunca lhes agradecemos tudo aquilo que merecem.

Anunciado em Abril de 2014, pelo Sr Presidente da Câmara Municipal de Sintra, será criada uma “cidade da saúde” no terreno das antigas instalações da fábrica da Messa, projeto esse que, segundo o Presidente da autarquia, é já reconhecido pelo Ministério da Saúde.

Em Janeiro do presente ano foi celebrado e assinado o protocolo para a instalação de quatro unidades de saúde no Concelho de Sintra.

Uma delas contempla a freguesia de Algueirão Mem-Martins, que segundo a clausula 1ª do protocolo assinado pela C.M.S e Ministério da Saúde será a “ instalação de uma Unidade de Saúde em Algueirão Mem-Martins, nos terrenos da antiga fábrica da Messa, em substituição da Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados Algueirão, da Unidade de Saúde Familiar Natividade (Ouressa), da Unidade de Saúde Pública Sintra, da Unidade de Cuidados na Comunidade Cruzeiro e do Espaço Jovem”.

Assim sendo, segundo o Presidente da Câmara, esta “cidade da saúde” iria centrar diversos polos de interesse na área da saúde, como um centro tecnológico para a indústria farmacêutica e um centro de saúde com 30 médicos para servir 62 mil utentes.

Também é público que, para esta obra, a autarquia diz ter disponível cerca de 2 milhões de euros.

Depois de tanta poupança feita nestes dois anos de mandato, e do anúncio desta “cidade da saúde” ter sido tornado público, através dos órgãos de comunicação social, fica a questão no ar.

O protocolo foi assinado pela C.M.S e M.S e os dois milhões de euros estão disponíveis, a população de Algueirão Mem-Martins anseia por um Centro de Saúde novo e com condições para quem lá trabalha e o utiliza.

Uma população envelhecida, e com muitas carências, onde todos os dias dezenas de utentes esperam horas seguidas, ao frio, ao vento, com crianças ao colo, por uma consulta, onde por vezes depois de tanto esperar, são informados que as vagas do dia estão preenchidas e terão de voltar a tentar no dia seguinte.

Uma situação, que se torna insustentável, e que não se pode arrastar por mais tempo. Está na hora de dizer basta e exigir que seja cumprido o que foi anunciado e assinado.

O que espera o Executivo camarário PS/PSD/CDU para avançar com a construção da “cidade da saúde”?

Luis Carlos Parreira

Autarca eleito na Assembleia de Freguesia

Algueirão Mem Martins, pelo Movimento Sintrenses com Marco Almeida.

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publicado por Carlos Gomes às 18:55
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Quinta-feira, 23 de Julho de 2015
NÓS, JOVENS, TAMBÉM SOMOS AGENTES DE DESENVOLVIMENTO!

O Parlamento Europeu e o Conselho da União Europeia proclamaram 2015 o Ano Europeu para o Desenvolvimento, sob o mote “O nosso mundo, a nossa dignidade, o nosso futuro”. No horizonte está 2030 e os novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que sucedem aos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio.

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O termo “Desenvolvimento” pode ser usado nos mais diversos contextos e é alvo das mais variadíssimas interpretações, mas encontra-se eminentemente associado a uma ideia de futuro! A construção de um futuro mais próspero não é um exclusivo da juventude, mas os jovens serão, sem dúvida, os principais beneficiários do futuro que se pretende construir. É por este motivo que vemos como fundamental o reconhecimento dos jovens, enquanto importantes agentes deste processo de desenvolvimento.

A ONU já reconhece os jovens enquanto agentes de mudança social desde há várias décadas. Porém, são ainda muitos os obstáculos com que os jovens se deparam no que concerne a uma participação plena, efetiva e construtiva na sociedade. É neste sentido que o empoderamento dos jovens constitui uma das principais linhas de atuação do Conselho Nacional de Juventude, a plataforma que representa a voz da juventude em Portugal e que celebra 30 anos de existência em 2015.

Cremos que o empoderamento dos jovens é uma aposta que trará benefícios a longo prazo. No entanto, a ideia de que o empoderamento dos jovens consiste, apenas, em envolvê-los nos processos de discussão e tomada de decisão de políticas de juventude é redutora. Temas como a educação ou o acesso ao emprego digno surgem frequentemente como temas do interesse dos jovens. Contudo, negligenciar o papel dos jovens na discussão de outros temas, como por exemplo, a saúde ou a justiça, é negligenciar contributos que podem ser tão igualmente válidos e relevantes quanto os de outros atores sociais.

Por conseguinte, no âmbito da construção de um futuro que se pretende mais próspero, acreditamos que os jovens devem ser encarados como participantes plenos do processo de desenvolvimento e os objetivos estabelecidos para 2030 devem, assim, ser alvo de uma abordagem holística e transversal.

A participação dos jovens deve, contudo, ser encarada ela própria como um processo que necessita ser pensado e devidamente estruturado. São várias as iniciativas que têm vindo a ser desenvolvidas neste sentido e o empoderamento dos jovens tem sido um tema constante na agenda europeia. Ainda assim, como base deste processo de empoderamento, é crucial o aumento do investimento na educação formal, assim como o reconhecimento e a validação da educação não-formal.

Independentemente dos diferentes contextos socioeconómicos em que se encontrem inseridos, os jovens aspiram a uma participação plena, efetiva e construtiva na sociedade. Porém, para que tal seja possível, o desenvolvimento das capacidades dos jovens, nomeadamente do seu pensamento crítico, é fundamental. Jovens educados, sensibilizados, conscientes, autónomos e saudáveis serão sempre agentes positivos de mudança.

Um novo ímpeto à delineação e implementação de políticas e programas de juventude, a todos os níveis, irá influenciar positivamente as condições sociais e económicas e o bem-estar presentes, mas também futuros. Construir um futuro mais próspero é algo que implica todos e todas e nós, jovens, fazemos questão de participar!

Samuel Caetano Vilela

Conselho Nacional de Juventude



publicado por Carlos Gomes às 13:08
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Sexta-feira, 26 de Junho de 2015
FERNANDO CIPRIANO, FUNDADOR DO RANCHO FOLCLÓRICO DO BAIRRO DA FRATERNIDADE, RESPONDE ÀS CRÍTICAS QUE SÃO DIRIGIDAS AO SEU GRUPO FOLCLÓRICO

Na sequência de uma certa polémica travada nas redes sociais em torno de imagens de atuações do Rancho Folclórico do Bairro da Fraternidade, de S. João da Talha-Loures e constatando que o mesmo segue assumidamente uma forma diferente de atuação, solicitámos ao seu responsável, sr. Fernando Cipriano, um depoimento a fim de poder expor os seus pontos de vista em relação ao folclore.

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São suas as palavras que a seguir publicamos e, através das quais, defende-se das críticas que são dirigidas ao seu grupo folclórico, esclarece que não se trata de um grupo etnográfico e que, por conseguinte, ainda não aderiu à Federação do Folclore Português por “não se encaixarmos nesse sistema”.

Aproveitamos para lembrar que, pese embora o Rancho Folclórico do Bairro da Fraternidade não se assumir como etnográfico, diversos aspetos que são frequentemente alvo de crítica nomeadamente a nível de traje e da dança, vamos encontra-los em muitos grupos folclóricos que dizem representar com autenticidade os usos e costumes de outros tempos ou seja, o genuíno folclore.

Entretanto, enquanto aguardávamos pela resposta do sr. Fernando Cipriano, o BLOGUE DE LISBOA publicou em http://bloguedelisboa.blogs.sapo.pt/rancho-folclorico-do-bairro-da-263303 um artigo acerca deste grupo, sob o título “Rancho Folclórico do Bairro da Fraternidade: O que é bom é para se ver!”, cuja leitura sugerimos.

O BLOGUE DE LISBOA privilegia a cultura popular e tradicional. Porém, não é um blogue de folclore, constituindo um espaço aberto de informação e opinião, na observância do respeito pelo bom nome de pessoas e entidades.

Bom dia!

Sou Fernando Manuel Cipriano, fundador e ensaiador do Rancho Folclórico do Bairro da Fraternidade desde 1989.

Vou só explicar algumas coisas sobre o grupo, porque não tenho pachorra para aturar hipocrisias daqueles que nada sabem, mas falam muito e eu nunca gostei de alimentar polémicas, mas sou frontal e digo o que acho e penso na cara de quem me critica.

Este grupo nasceu num Bairro onde nada existia a não ser Oliveiras, agora já tem algumas casas e nasceu com o objectivo de ocupar a juventude deste Bairro que nada tinha, nem tem. O objectivo era ensinar e dar-lhes gosto pelo Folclore e retirá-los doutros caminhos como a Droga, Alcoolismo, solidão, etc.

Não somos Etnográficos, não temos que representar nada nem ninguém e estamos no século XXI, tudo evoluiu e quase tudo mudou, menos algumas mentalidades antiquadas e retrógradas.

Lembrar que os trajes são próprios e foram idealizados com o intuito de dar Alegria e frescura às nossas danças. Fazemos o que achamos melhor, nunca fomos atrás de ninguém, nem vamos, não andamos cá por ver andar os outros. Os nossos trajes não são sintéticos, as saias são todas em Terylene e as meninas usam uns culotes que fazem o mesmo efeito de calções, para que possam mostrar as pernas, assim como mostram as danças de Salão, os Zumbas, os Kizombas, etc. Mas as meninas até usam cueca e soutien branco, que é uma norma e podem assim dançar com mais destreza.

Nós aceitamos e vivemos bem com as críticas, é sinal que estamos vivos e isso dá-nos ainda mais força para continuar o nosso trabalho.

Lamentamos é alguns senhores ligados á rádio, criticarem um grupo que actuou 4 anos gratuitamente nas suas festas, com o mesmo traje, não se importando com as saias curtas e era bom, mas agora o mesmo grupo já não presta. Estas pessoas é que estão a mais, devem ter alguma doença de esquecimento, porque os tempos mudaram e o Folclore já não é o mesmo e para conseguirmos ter a juventude nesta dança que é o Folclore, temos de inovar e seguir outro caminho.

Este grupo dança todos os dias e já lá vão 4 anos, num restaurante de Fado e Folclore no Bairro Alto, chamado O Forcado, situado na Rua da Rosa e concorremos com vários grupos de várias zonas e fomos nós os escolhidos, pode lá nos ir visitar e tirar conclusões.

Todos são livres de dizerem o que pensam, mas como este Rancho não diz mal de ninguém, também não gosta que digam mal de nós.

Lembrar ainda que não somos federados, na Federação de Folclore, por não se encaixarmos nesse sistema.

Somos federados da Confederação das Colectividades e estamos legais nas Finanças e Segurança social o que talvez não aconteça com muitos. Em 2013 fomos escolhidos para participarmos no Mega Picnic do Continente, temos mais de 40 atuações por ano. Fomos convidados para atuarmos na Televisão, pelo que não somos assim tão maus.

Só queremos dançar e mostrar toda a beleza das nossas danças, porque todos dançamos com amor á arte.

Saudações Folclóricas

Fernando Cipriano



publicado por Carlos Gomes às 09:03
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Terça-feira, 16 de Junho de 2015
QUE LUGAR OCUPA PORTUGAL NOS “RANKINGS” DE DESENVOLVIMENTO DO MUNDO?

A nosso pedido, recebemos do Professor Catedrático de Física e Responsável pela área do Conhecimento da Fundação Francisco Manuel dos Santos, um artigo de opinião que temos o maior prazer em publicá-lo. Trata-se de um artigo sobre o lugar de Portugal nos rankings de desenvolvimento do mundo e enquadra-se no Ano Europeu para o Desenvolvimento, uma iniciativa que vai decorrer durante o ano de 2015 em todos os países da União Europeia, com o mote “O nosso mundo, a nossa dignidade, o nosso futuro”.

PORTUGAL NO MUNDO

Que lugar ocupa Portugal nos rankings de desenvolvimento do mundo? A Globalstat (http://www.globalstat.eu/), a base de dados sobre o desenvolvimento num mundo globalizado que a Fundação Francisco Manuel dos Santos e o Instituto Universitário Europeu lançaram recentemente, é uma poderosa ferramenta para responder a esta questão. Com o intuito de medir o desenvolvimento usando indicadores para além do Produto Interno Bruto (PIB) por cabeça, uma medida algo redutora, a Globalstat reúne um vasto conjunto de índices, que permitem comparar as cerca de duas centenas de países do mundo. A maior parte desses índices dizem respeito a factores particulares de desenvolvimento, como por exemplo nas áreas da economia, da educação e da saúde, mas outros combinam vários factores desse tipo fornecendo-nos uma imagem bastante abrangente. É o caso do Índice de Prosperidade, construído pelo Instituto Legatum, com sede em Londres, ou do mais conhecido Índice do Desenvolvimento Humano (IDH), usado pelo Programa para o Desenvolvimento das Nações Unidas. A reunião num só sítio de vários índices, simples ou compostos, permite facilmente a qualquer pessoa em qualquer sítio do mundo extrair as suas próprias conclusões a respeito da riqueza ou da pobreza das nações.

Utilizando o Globalstat consultei o PIB por cabeça, o Legatum e o IDH para conhecer a posição do nosso país no globo. Considerando o PIB, estamos em 37.º lugar, atrás de 15 outros países da União Europeia a 28 países (a Grécia está à nossa frente). Mas, usando o Legatum, que combina índices de economia, empreendedorismo, governança,  educação, saúde, segurança, liberdade pessoal e capital social (este inclui a caridade, o voluntariado, a ajuda a estrangeiros, etc.) para 142 países, a nossa situação melhora bastante: ocupamos um honroso 27.º lugar, atrás de apenas 13 países da União Europeia (bem à frente da Grécia). Portugal é um país muito seguro: Somos, segundo o Legatum, o 13.º país do mundo do ponto de vista da segurança. Só não estamos mais alto no cômputo geral porque a economia e a educação não vão tão bem como o resto: na economia estamos no 53.º lugar mundial, atendendo ao desemprego, à insatisfação geral e à falta de confiança nos bancos, e na educação estamos num também modesto 47.º lugar, atendendo ao défice de escolaridade da população activa. Por último, usando o IDH, que combina o PIB com um índice de escolaridade e com a esperança de vida ao nascer para as populações de 187 países, o nosso lugar passa a ser o 41.º, atrás de 21 países da União Europeia (mais uma vez, atrás da Grécia).  De novo, o nosso nível de educação não ajuda. A conclusão é óbvia: se melhorarmos a educação, subiremos nos rankings de desenvolvimento. Pode não dar resultados imediatos, mas é um esforço que vale decerto a pena. De facto, o lugar dado à educação nos quadros comparativos do desenvolvimento significa o reconhecimento que ela representa um extraordinário meio de obtenção de bem estar.

Tudo é relativo. O nosso lugar, podendo ser melhor, não é nada mau. Não estando no topo como a Noruega ou a Suíça, que ocupam posições cimeiras em qualquer um dos rankings considerados (tal como, na União Europeia, a Dinamarca e a Alemanha), Portugal está muito melhor do que a maior parte dos países do mundo. Por exemplo, na cauda das listas do PIB, do Legatum e do IDH, aparecem alguns países de língua portuguesa. Por exemplo, no PIB, Guiné-Bissau e Moçambique estão nos modestíssimos lugares 169 e 170. No Legatum Moçambique e Angola estão nos lugares 120 e 132. No IDH, a Guiné-Bissau e Moçambique aparecem de novo colados um ao outro em posições da retaguarda: nos lugares 177 e 178. Mais uma vez a má situação nos dois últimos índices significa não apenas pobreza material mas também défice de educação. A declaração feita pela União Europeia de 2015 como Ano Europeu do Desenvolvimento deve reforçar a consciência dos países mais ricos – é o caso dos países europeus, mesmo os menos desenvolvidos como o nosso – a respeito do seu papel na ajuda aos mais pobres. Num mundo onde persistem desigualdades gritantes, que este ano sirva para contrariar as assimetrias maiores.

Carlos Fiolhais

Responsável pela área do Conhecimento da Fundação Francisco Manuel dos Santos



publicado por Carlos Gomes às 19:20
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Sábado, 23 de Maio de 2015
VAI A ATUAL LEI DA REORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA TERRITORIAL AUTÁRQUICA MANTER-SE EM VIGOR NA PRÓXIMA LEGISLATURA?

A promulgação pela atual maioria parlamentar da lei 22/2012, de 30 de maio, que estabeleceu o regime jurídico da reorganização administrativa territorial autárquica despoletou na altura a nível nacional um verdadeiro coro de protestos que levou, inclusivamente, ao anúncio da promessa por parte de alguns dirigentes da oposição que, uma vez eleitos, revogariam a referida lei por dela discordarem.

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Entre aqueles que então garantira a sua revogação encontrava-se o então Secretário-geral do Partido Socialista, Dr António José Seguro, o qual garantiu que “o PS entende que o Poder Local faz melhor determinadas funções do que o Estado centralista que ainda existe no país. Em primeiro lugar, é preciso confiar nas pessoas que têm o mandato dos cidadãos para gerir os seus municípios ou freguesias”, confessando: “discordo da lei de reorganização administrativa das freguesias e vou mudar a lei”. Estas afirmações foram proferidas no decorrer da cerimónia de encerramento da Convenção Nacional Autárquica do seu partido.

Caso a referida lei viesse a ser revogada, a organização administrativa do poder local regressaria à sua anterior constituição ainda antes das próximas eleições autárquicas, o que provavelmente implicaria a constituição de comissões instaladoras ou até a eleição para as respetivas assembleias, uma vez que os órgãos agora eleitos não corresponderiam á nova realidade

No entanto, a liderança do Partido Socialista foi substituída e, até ao momento, o Projeto de Programa Eleitoral do Partido Socialista não refere qualquer intenção relativamente à reorganização administrativa territorial autárquica, tudo parecendo indicar que o PS não tenciona levantar o problema e, dessa forma, as freguesias ficarão como atualmente se encontram…

É certo que há muito tempo que, em consequência nomeadamente dos movimentos populacionais, impunha-se a reorganização administrativa territorial autárquica, promovendo a fusão de muitas freguesias sobretudo na grandes áreas urbanas. Porém, o novo regime jurídico apresenta demasiadas imperfeições que carecem de correção, tornando-se necessário proceder à sua revisão de modo a aperfeiçoá-lo, salvaguardando os aspetos positivos que o mesmo encerra. A revogação da lei não será certamente o melhor caminho a seguir mas, em qualquer das situações, deixar tudo como está constituirá um erro ainda mais grave!

Carlos Gomes

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publicado por Carlos Gomes às 14:03
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Quinta-feira, 19 de Março de 2015
PORTUGAL TEM “COFRES CHEIOS”… MAS OS JOVENS PORTUGUESES CONTINUAM A EMIGRAR PARA QUE À MESA NÃO LHES FALTE O PÃO!

O país tem os “cofres cheios para honrar os seus compromissos na eventualidade de surgirem perturbações no funcionamento do mercado” – afiançou em pombal Maria Luís Albuquerque, no âmbito da sessão de encerramento das jornadas da JSD “Portugal nas tuas mãos”, garantindo que “esta situação permite o pagamento de salários, de pensões ou fazer os reembolsos da dívida, "mantendo tudo a funcionar sem perturbação”.

Não obstante, os portugueses continuam a emigrar porque não conseguem emprego no seu país e, apesar dos “cofres cheios”, receiam que o pão lhes falte à mesa. A emigração de mais de meio milhão de portugueses, na sua maioria jovens qualificados, Uma realidade que dentro de poucos anos se revelará uma autêntica tragédia do ponto de vista económico como demográfico, atendendo à baixa taxa de natalidade existente a par dos elevados índices de imigração na Europa.

Apesar disso, a ministra não deixou de apelar aos jovens sociais-democratas para se reproduzirem, entenda-se em termos de natalidade: “Independentemente dos benefícios e dos estímulos e do interesse que temos em estimular isso, vocês que são jovens, multipliquem-se”.

O repto que lançou mereceu da parte dos jovens presentes no referido encontro uma verdadeira salva de palmas que, até ao momento, desconhecemos em que se traduzirá em termos de fertilidade!

A governante não deixou, porém, de reconhecer que “há pessoas que gostariam de ter mais filhos e não podem objetivamente porque não têm condições”, na certeza de que “a verdade é que havendo condições razoáveis eles criam-se e compensa”.

- Os portugueses continuam a emigrar mas consola-nos a ideia de que os cofres estão cheios!



publicado por Carlos Gomes às 13:47
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Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2014
UNIÃO EUROPEIA DÁ UM CHOURIÇO A QUEM LHE DEU O PORCO

Bruxelas concede a Portugal aumento das quotas de pesca em 7,8% na ZEE portuguesa

Os ministros das Pescas da União Europeia concederam aos pescadores portugueses a possibilidade de poder capturar mais pescada e carapau e menos lagostim, traduzido num aumento global de 7,8% em relação ao ano anterior.

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A União Europeia autoriza Portugal a aumentar as quotas individuais como na pescada em 15%, o equivalente a mais 634 toneladas, no carapau em 10% e no tamboril em6%. Em contrapartida, terá de diminui a pesca de lagostim em 10%, ou menos 18 toneladas, comparativamente ao ano ainda em curso, e de raias, também de 10%, ou menos 117 toneladas. Noutras espécies, Portugal mantém as quotas que lhe foram atribuídas em 2013, casos do biqueirão, juliana, linguado e solha.

A generosidade deste acordo que a ministra da Agricultura e do Mar classifica como “histórico” sugere-nos o dito popular segundo o qual “a União Europeia dá-nos um chouriço após lhe oferecermos o porco”. Refira-se que, aquando do Tratado de Lisboa, o governo português transferiu para a União Europeia a gestão das pescas na área da Zona Económica Exclusiva (ZEE) portuguesa.

Carlos Gomes

Fotos: Luís Eiras / http://esposendealtruista.blogspot.pt/



publicado por Carlos Gomes às 14:16
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Sexta-feira, 23 de Maio de 2014
PORTUGUESES (NÃO) VOTAM PARA O PARLAMENTO EUROPEU

Eleições para o Parlamento Europeu podem transformar-se em plebiscito à União Europeia

No próximo dia 25 de maio, os portugueses vão ser chamados a votar para eleger deputados ao parlamento europeu. À semelhança de anteriores atos eleitorais, tudo leva a crer que a maioria dos eleitores se irá abster de participar na referida eleição, revelando um claro desinteresse e até rejeição relativamente a um projeto político em relação ao qual não foi consultado na altura em que foi decidida a adesão.

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Constituindo o Parlamento Europeu a única instituição da União Europeia que resulta da eleição por sufrágio universal direto dos cidadãos dos estados membros, não deixa de ser sintomática a falta de participação que a eleição dos seus membros regista. Nas últimas eleições ocorridas em 2009, a taxa de abstenção em Portugal cifrou-se em 63,22%.

O descontentamento em relação à atual situação económica do país e o descrédito em que caíram os políticos e os partidos, as consequências nefastas da adesão à moeda única, o desmantelamento das estruturas produtivas imposto ao longo das últimas décadas desde a adesão à CEE, nomeadamente nos setores da agricultura, indústria e pescas, o desgoverno na gestão de fundos comunitários canalizados para a construção de estádios de futebol e autoestradas desnecessárias constituem, entre outros aspetos, fatores que poderão conduzir a uma abstenção esmagadora nas próximas eleições para o parlamento europeu, transformando-as num verdadeiro plebiscito relativamente à permanência de Portugal na moeda única e na própria União Europeia.

Cresce na sociedade portuguesa a convicção de que, a saída para a atual situação de crise que o país atravessa apenas será possível através do regresso à soberania monetária e também à revisão de diversos tratados estabelecidos com a União Europeia, nomeadamente o artigo do Tratado de Lisboa celebrado em 2007 que transfere para Bruxelas a competência exclusiva relativamente à “conservação dos recursos biológicos do mar”. Mais ainda, torna-se a cada passo mais claro que toda a estratégia de desenvolvimento de Portugal deve assentar em dois pilares fundamentais – o Mar e a Lusofonia – o que pressupõe o reforço dos laços históricos que nos unem não apenas aos países lusófonos como também em relação a outras nações com que no passado estabelecemos contato privilegiado e que no presente possuem o maior interesse no seu aprofundamento, nomeadamente em África e na Ásia.

Por conseguinte, a próxima eleição de deputados ao parlamento europeu pode vir a tornar decisivo o futuro dos países membros na medida em que o nível de participação dos cidadãos pode ser indicador do caminho a seguir, transformando o ato eleitoral num verdadeiro referendo à própria União Europeia.



publicado por Carlos Gomes às 22:18
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Domingo, 27 de Abril de 2014
GOVERNO QUER CONTROLAR AS NOSSAS VIDAS!

O Ministério da Saúde quer aplicar taxas especiais a produtos alimentares com excesso de sal e de açúcar já a partir do próximo ano. O anúncio foi feito pela própria ministra das Finanças que anunciou a intenção de avançar com uma tributação ministra das Finanças especial sobre produtos nocivos para a saúde, além de uma taxa sobre os lucros das empresas farmacêuticas, à semelhança da que foi aplicada no sector energético.

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A pretexto de pretender melhorar os hábitos de consumo das pessoas, o governo prepara-se para interferir na vida privada dos cidadãos e condicionar a sua liberdade individual, estipulando aquilo que devem ou não consumir ou fazer, quais os hábitos que devem adotar e aqueles de que deverão abdicar. Tal procedimento pressupõe naturalmente a existência de alguém com autoridade para decidir neste domínio e, consequentemente, um instrumento de fiscalização, vulgo polícia de costumes.

Tais propósitos do governo que até há relativamente pouco tempo pareciam inimagináveis representam o princípio de uma grave limitação das liberdades individuais e remetem-nos para as sociedades mais conservadoras, porventura mesmo de outras culturas para quem o ser humano pouco ou nada representa perante a vontade de certos ayatollahas. Pelo caminho que as coisas levam, em breve nos obrigarão a beber exclusivamente sumo de laranja… amarga!



publicado por Carlos Gomes às 14:27
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Sexta-feira, 18 de Abril de 2014
MUSEU DE ARTE POPULAR: AO POVO PORTUGUÊS ATÉ A ALMA LHE ROUBAM!

A coleção que pertencia ao Museu de Arte Popular foi há alguns anos transferida para o Museu Nacional de Etnologia e não está previsto o seu regresso à origem. O acerco era constituído por cerca de 15 mil peças da mais variada natureza, representando atividades artesanais do povo português, desde objetos de cerâmica a utensílios de trabalho, alfaias agrícolas, carroças, brinquedos e cestaria.

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Questionado no ano passado, no parlamento, pelos deputados da Comissão de Educação, Ciência e Cultura sobre a situação do Museu de Arte Popular, o secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier afirmou na ocasião que “o destino do museu não será um projeto museológico”, adiantando que o governo “está aberto a propostas dos agentes culturais para criar um projeto”.

Tendo o Museu de Arte Popular sido propositadamente concebido para espaço museológico, na sequência da adaptação de antigos Pavilhões da Vida Popular, integrados no conjunto construído para a Exposição do Mundo Português de 1940, complementado com a realização do Mercado da Primavera, parece-nos que esta seria a função mais adequada a ser atribuída àquele espaço cultural. Tanto mais que é reconhecido “o valor estético e material intrínseco, o génio dos respectivos criadores, o interesse como testemunho notável de vivências ou factos históricos, a sua concepção arquitectónica, urbanística e paisagista, e o que nele se reflecte do ponto de vista da memória colectiva”, razão pela qual foi pela Secretaria de Estado da Cultura, através da portaria n.º 263/2012, classificado como monumento de interesse público. Por conseguinte, seria natural a sua reabilitação, incluindo o regresso da sua coleção para usufruto cultural dos seus visitantes.

Porém, não se encontrando nos propósitos dos governantes a sua manutenção como museu, resta-nos aguardar pacientemente para saber qual a ideia bizarra que o governo tem destinada para o espaço do Museu de Arte Popular, dele não se esperando grande coisa sabendo-se de antemão que não será mais um projeto museológico como afirmou o governante e sendo sobejamente conhecida a aversão que o governo nutre pela cultura.

Tratando-se de um museu que mostrava as vivências do povo português, a sua identidade, os seus usos e costumes, não admira o abandono a que sempre foi votado pelos sucessivos governos, tendo inclusive estado prevista a sua demolição. É que, ao povo português, até a alma lhe roubam!

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publicado por Carlos Gomes às 20:30
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