Blogue de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes de Lisboa e arredores

Domingo, 4 de Junho de 2017
OLIVENÇA COMEMORA DIA DE PORTUGAL

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Celebrações do Dia de Portugal, com programa cívico, cultural, de intercâmbio, musical e religioso.

PROGRAMA

SALÃO NOBRE DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL

11:30 – Receção / Identificação dos Convidados

CONVENTO DE SÃO JOÃO DE DEUS

12:00 – Apresentação da celebração do 'Dia de Portugal'

Eduardo Naharro-Macías Machado - Aula de Língua e Cultura Portuguesa/U.P. Olivença

12:05 – CERIMÓNIA DE ABERTURA

Manuel José González Andrade - Presidente da Câmara Municipal de Olivença

Hélder de Oliveira - Administrador Executivo da Fundação Portugal-África

Laura Vidal - Presidente da Conexão Lusófona 
José Ribeiro e Castro - Coord. do Movimento 2014 - 800 anos da Língua Portuguesa

Montaña Hernández Martínez - Diretora do Gabinete de Iniciativas Transfronteiriças da Junta de Extremadura

12:45 – TEATRO: Alunos de Língua e Cultura Portuguesa da Universidade Popular de Olivença

13:15 – Novos horizontes da geminação do Município de Olivença e do Município de Leiria

Manuel José González Andrade - Presidente da Câmara Municipal de Olivença

Raul Miguel de Castro - Presidente da Câmara Municipal de Leiria

Modera / Presenta: Servando Rodríguez Franco -Turismo de Olivença

13:45 – MÚSICA: Atuação dos Alunos da Escola de Música da Câmara Municipal de Olivença

14:00 – Almoço

CONVENTO DE SÃO JOÃO DE DEUS

17:00 – Concerto: 'ALMA DE COIMBRA'

18:00 – Visita guiada dos convidados à Cidade de Olivença

IGREJA DA MADALENA

19:00 – Missa em Português

[Evento organizado pela Câmara Municipal de Olivença (Ayuntamiento de Olivenza) e Universidade Popular de Olivença - Aula de Língua e Cultura Portuguesa.]

 



publicado por Carlos Gomes às 11:21
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Terça-feira, 30 de Maio de 2017
OLIVENÇA COMEMORA DIA DE PORTUGAL

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Celebrações do Dia de Portugal, com programa cívico, cultural, de intercâmbio, musical e religioso.

PROGRAMA

SALÃO NOBRE DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL

11:30 – Receção / Identificação dos Convidados

CONVENTO DE SÃO JOÃO DE DEUS

12:00 – Apresentação da celebração do 'Dia de Portugal'

Eduardo Naharro-Macías Machado - Aula de Língua e Cultura Portuguesa/U.P. Olivença

12:05 – CERIMÓNIA DE ABERTURA

Manuel José González Andrade - Presidente da Câmara Municipal de Olivença

Hélder de Oliveira - Administrador Executivo da Fundação Portugal-África

Laura Vidal - Presidente da Conexão Lusófona 
José Ribeiro e Castro - Coord. do Movimento 2014 - 800 anos da Língua Portuguesa

Montaña Hernández Martínez - Diretora do Gabinete de Iniciativas Transfronteiriças da Junta de Extremadura

12:45 – TEATRO: Alunos de Língua e Cultura Portuguesa da Universidade Popular de Olivença

13:15 – Novos horizontes da geminação do Município de Olivença e do Município de Leiria

Manuel José González Andrade - Presidente da Câmara Municipal de Olivença

Raul Miguel de Castro - Presidente da Câmara Municipal de Leiria

Modera / Presenta: Servando Rodríguez Franco -Turismo de Olivença

13:45 – MÚSICA: Atuação dos Alunos da Escola de Música da Câmara Municipal de Olivença

14:00 – Almoço

CONVENTO DE SÃO JOÃO DE DEUS

17:00 – Concerto: 'ALMA DE COIMBRA'

18:00 – Visita guiada dos convidados à Cidade de Olivença

IGREJA DA MADALENA

19:00 – Missa em Português

[Evento organizado pela Câmara Municipal de Olivença (Ayuntamiento de Olivenza) e Universidade Popular de Olivença - Aula de Língua e Cultura Portuguesa.]



publicado por Carlos Gomes às 21:58
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Sábado, 20 de Maio de 2017
COMEMORAÇÕES DO DIA DE PORTUGAL NA ALEMANHA REALIZAM-SE EM DUSSELDORF

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publicado por Carlos Gomes às 14:28
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EUA: PORTUGUESES EM NEWARK COMEMORAM DIA DE PORTUGAL

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publicado por Carlos Gomes às 14:25
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Sexta-feira, 19 de Maio de 2017
PORTUGUESES NO BRASIL FESTEJAM DIA DE PORTUGAL

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publicado por Carlos Gomes às 22:15
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Sexta-feira, 28 de Abril de 2017
PAN MANTÉM QUEIXA CONTRA ESPANHA CONTRA ARMAZENAMENTO EM PORTUGAL DOS RESÍDUOS DA CENTRAL NUCLEAR DE ALMARAZ

PAN não alinha com estratégia do Governo e mantém queixa contra Espanha relativa à Central Nuclear de Almaraz

  • APA valida estratégia espanhola para prolongar o funcionamento de Almaraz
  • Perante silêncio do Governo, PAN quer ouvir Ministros do Ambiente e dos Negócios Estrangeiros
  • Padrões de segurança internacionais invocados não evitaram uma hecatombe nuclear no Japão

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) acabou de aprovar a construção do armazém da central nuclear de Almaraz. Uma decisão que vem confirmar o que o PAN tem vindo a antecipar há muitos meses e que vem validar a estratégia de sempre do governo de Espanha. A construção do Armazenamento Temporário Individualizado (ATI) serve para prolongar a vida da central de Almaraz para além de 2020, por mais 10 anos, uma central que já ultrapassou a sua vida útil para as centrais nucleares deste tipo.

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Um assunto desta relevância devia ter sido anunciado pelo governo e não pela APA pelo que o PAN vai chamar ao parlamento os Ministros do Ambiente, dos Negócios Estrangeiros e o Presidente da APA, para obter esclarecimentos sobre esta tomada de decisão que se baseou num grupo de trabalho que excluiu a colaboração e o conhecimento das ONGAs.

“Os padrões de segurança internacionais invocados pelo Presidente da APA, para avançar com esta esta lucrativa estratégia comercial também estavam estabelecidos em países com elevados standards de evolução tecnológica nuclear como o Japão e nem por isso evitaram uma hecatombe nuclear. Com a previsão de possíveis eventos sismológicos, no curto prazo, perto da Península Ibérica esta "solução adequada" é jogar roleta russa com um revólver cheio de munições”, defende André Silva, Deputado do PAN.

Esta decisão revela uma profunda submissão de Portugal a Espanha por aceitar a ausência de estudos conjuntos de impactos transfronteiriços, consentindo os estudos realizados apenas pelo estado espanhol sem a participação de Portugal.

O governo português continua a recusar-se a adotar uma posição firme em defesa dos interesses dos portugueses, validando toda e qualquer política energética de Espanha, o que revela a ausência de um projeto de defesa coletiva que coloque o interesse do bem comum acima dos interesses económicos que tudo mercantilizam.

Ao contrário das opções do governo, o PAN mantém a sua posição junto da Comissão Económica das Nações Unidas para a Europa (UNECE). O PAN apresentou em Janeiro duas denúncias à UNECE pelo incumprimento das Convenções de Espoo e Aarhus. Denúncias que estão a ser analisadas, por uma comissária designada para o efeito, até 15 de Agosto.

Por prever uma estratégia semelhante com a Central Nuclear de Santa Maria de Garoña por parte de Espanha, o PAN fez aprovar no parlamento uma resolução que insta ao Governo que denuncie junto do Secretariado da Convenção de Espoo a violação da referida Convenção por Espanha devido a mais dois incumprimentos: a inexistência de comunicação a Portugal das intenções de prolongamento da vida útil da Central Nuclear de Santa Maria de Garoña, assim como da inexistência de um Estudo de Impacto Ambiental (EIA) transfronteiriço. Até ao momento ainda não há indicações se o Governo vai ou não respeitar o mandato que a Assembleia da República lhe concedeu.



publicado por Carlos Gomes às 20:14
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Segunda-feira, 17 de Abril de 2017
MONTALEGRE RECEBE JORNADAS GALAICO-PORTUGUESAS

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publicado por Carlos Gomes às 20:26
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Terça-feira, 4 de Abril de 2017
DEVOLUÇÃO DE OLIVENÇA A PORTUGAL ESTÁ NA ORDEM DO DIA!

A reclamação por parte de Espanha do território britânico de Gibraltar veio abrir uma janela de oportunidade que o Estado Português deve aproveitar para, de forma diplomática, exigir do país vizinho o cumprimento do seu compromisso assumido no Congresso de Viena realizado em 1815, obrigando-se a devolver a Portugal o território de Olivença e, desse modo, resolver de uma vez por todas o litígio fronteiriço que se mantém há mais de dois séculos.

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Com efeito, a decisão de saída da União Europeia por parte do Reino Unido – o nosso mais antigo aliado! – veio reavivar a Espanha a antiga esperança de obter a soberania sobre o território de Gibraltar, vulgarmente designado por “Rochedo”. Isto, apesar de em 1713, aquando da celebração do Tratado de Utrech, ter a Espanha cedido à Inglaterra “…a total propriedade da cidade e castelo de Gibraltar, junto com o porto, fortificações e fortes (…) para sempre, sem qualquer excepção ou impedimento”, como forma de parte de pagamento da Guerra da Sucessão Espanhola no âmbito de um sistema de compensações acordado como forma de Filipe de Anjou ser aceite pelos países beligerantes como rei de Espanha.

Ao contrário do que se verifica com Gibraltar que é pela Organização das Nações Unidas reconhecida como uma colónia e, como tal, é devido aos seus habitantes o direito à autodeterminação, Olivença constitui territorialmente parte integrante de Portugal, consagrado na alínea 1 do Artigo 5º da Constituição da República Portuguesa, o qual reza: “Portugal abrange o território historicamente definido no continente europeu e os arquipélagos dos Açores e da Madeira”.

O Tratado de Alcanizes celebrado em 1297 por D. Dinis. Rei de Portugal, com os soberanos dos reinos de Leão e Castela estabeleceu Olivença como parte integrante de Portugal. Em 1801, o Tratado de Badajoz que nem sequer contemplava a anexação da localidade de Vila Real por esta fazer parte do termo de Juromenha e não de Olivença, foi denunciado por Portugal por Espanha não ter cumprido a sua parte do acordo em virtude de ter invadido o nosso país, contrariando as disposições do Tratado. Por tudo isto e muito mais, a Espanha não possui a menor legitimidade para manter a ocupação do território de Olivença, município de Tálega incluído.

Com uma área de 430,1 quilómetros quadrados – correspondendo aproximadamente ao triplo das áreas dos concelhos de Lisboa e Porto no seu conjunto – Olivença é reclamada pelo Estado Português, o que justifica o facto de não ter sido até ao momento delimitada a fronteira desde a confluência da Ribeira do Caia com o rio Guadiana até à confluência da Ribeira dos Cuncos com o rio Guadiana.

À semelhança de Portugal em virtude da sua localização estratégica como porta de entrada para o continente, Gibraltar possui elevado interesse para o Reino Unido também como garantia de passagem par o Mar Mediterrâneo. Não foi em vão que em 1940, a Alemanha nazi chegou a planear a ocupação militar de Gibraltar (Operação Félix) e, com o apoio do exército espanhol, a invasão militar de Portugal (Operação Isabella) por parte de três divisões alemãs, tendo por objectivo principal o ataque aos portos de Lisboa e Setúbal a fim de impedir a sua utilização por parte das forças inglesas. Uma cumplicidade, aliás, que nos remete a memória para o Tratado de Fontainebleau de 1807, estabecido em segredo entre França e Espanha e que definiu a ocupação e partilha de Portugal.

A questão agora levantada pelo país vizinho, a pretexto da saída do Reino Unido da União Europeia, com a exigência da entrega de Gibraltar, vem desencadear um efeito de dominó relativamente ao status quo de vários territórios sob domínio de Espanha, a saber Ceuta e Melila, as Canárias e, por maioria de razão, o território de Olivença, de jure parte integrante de Portugal. A reclamação do Estado Português em relação a Olivença é legítima e, do Minho aos Açores, deve unir todos os portugueses – patriotas! – independentemente dos seus credos religiosos ou convicções partidária. Respeitemos os direitos dos seus habitantes independentemente das suas origens e a dualidade cultural que caracteriza o seu território com vista a uma transição civilizada da sua soberania, mas não abdiquemos da justiça que por direito é devida a Portugal!

Carlos Gomes

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publicado por Carlos Gomes às 23:06
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NAÇÕES UNIDAS NOMEIAM COMISSÁRIA PARA ANALISAR DENÚNCIA DO PAN SOBRE A CENTRAL NUCLEAR DE ALMARAZ
  • Comissão Económica das Nações Unidas para a Europa reage à denúncia do PAN
  • Espanha instada a esclarecer o statusda decisão sobre a construção do referido armazém
  • Análise da denúncia sobre a construção do armazém de resíduos nucleares na central de Almaraz até 17 de agosto de 2017

A Comissão Económica das Nações Unidas para a Europa (UNECE) reagiu às denúncias apresentadas pelo PAN, Pessoas-Animais-Natureza, pelo incumprimento das Convenções de Espoo e Aarhus acerca da decisão do Governo espanhol de aprovar a construção de um armazém de resíduos nucleares na central de Almaraz a cem quilómetros da fronteira portuguesa.

Sobre o repositório de resíduos de Almaraz o Relatório da 38ª sessão do Comité de Implementação da Convenção de Espoo, (pontos 49 e 50, página 12), refere que o “Comité tomou nota das informações prestadas em 27 de Janeiro de 2017 pelo partido político português, Pessoas - Animais - Natureza (PAN), sobre a construção prevista do depósito temporário individual de resíduos radioativos na Central Nuclear de Almaraz, em Espanha”.

Foi também nomeada a comissária Zdanevich para esta questão que foi convidada a apresentar, até 15 de agosto de 2017, a sua análise das informações fornecidas pelo PAN para consideração na próxima sessão do Comité, incluindo uma lista de perguntas que podem ser endereçadas a Espanha para esclarecer o status da decisão sobre a construção do referido armazém.

No dia 26 de janeiro, por não ter obtido resposta do governo à pergunta feita ao Ministério do Ambiente do dia 5 de janeiro, o PAN avançou com uma denúncia junto da UNECE na expectativa de alertar a comunidade internacional para o incumprimento das Convenções de Espoo e Aarhus por parte de Espanha e acelerar as decisões que podem impedir a construção do referido depósito e encerrar de vez a bomba relógio que é a Central Nuclear de Almaraz. O PAN tem vindo a alertar que o objetivo central do Estado espanhol com a construção do armazém de resíduos nucleares é garantir o prolongamento do funcionamento da Central de Almaraz até 2030.



publicado por Carlos Gomes às 14:10
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Terça-feira, 14 de Março de 2017
A GALIZA: A NACIONALIDADE HISTÓRICA QUE MADRID DESCONSTRÓI

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Por José Manuel Barbosa

Em 1916 nascem as Irmandades da Fala, primeira organização político-cultural da Galiza que definem e reconhecem o País como Nação e como “Célula de Universalidade”. Posteriormente o movimento galeguista com o seu árduo labor político e cultural conseguem para a Galiza o reconhecimento pela Sociedade de Nações, antecessora da ONU, da sua condição de Nação em 16-18 de setembro de 1933 em Berna. O político galego Plácido Castro achegou informação e documentação ao Congresso de Nacionalidades Europeias para que este organismo dependente da SdN considerasse a existência duma Nação no noroeste da península Ibérica manifestada num vida coletiva com umas caraterísticas distintivas e originais que a identificam historicamente e no presente como tal. O CNE reconheceu e determinou seguindo a legislação que adequação a direito era plena o que manifestava o direito a uma administração nacional própria e ao seu livre desenvolvimento como Nação com direito a ser assim reconhecida internacionalmente. Foi com isso que a Galiza é reconhecida legalmente como Nacionalidade em épocas contemporâneas por uma organização de reconhecido prestígio e autoridade internacional com o direito a dispor da sua vida e do seu futuro.

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Guerreiro Galaico

 

 

Poucos anos depois, em 1936, a Galiza vota por maioria de 99’24% de votos afirmativos contra o 0’76% de votos negativos e um 0’98 de votos nulos o seu primeiro Estatuto de Autonomia após ser-lhe negada a sua condição de Reino em 1833. O total de galegos com direito a voto em junho de 1936 foi de 1.343.135 dos quais votaram 1.000.963 e um total de 993.351 manifestaram a sua vontade de auto-governo materializado por meio dum Estatuto com competências em matérias legislativas, judiciárias, económicas com uma fazenda própria com capacidade impositiva e para arrecadar tributos, reconhecimento do seu direito histórico e dum governo com capacidade executiva. Infelizmente um mês depois, o golpe de Estado do General Franco aborta toda tentativa autonomista e de reconhecimento dum auto-governo para a Galiza. Esta “Longa Noite de Pedra” em palavras do poeta Celso Emílio Ferreiro dura até 1975, ano em que morre o ditador e se começa novamente a elaboração dum novo Estatuto. O segundo. Este foi elaborado e votado em dezembro de 1980 entrando em vigor em abril de 1981.

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Cozido

 

No segundo Estatuto acrescentam-se as competências reconhecidas em 1936 para além de lhe serem reconhecida a condição de Nacionalidade no seu artigo primeiro:

  1. Galiza, nacionalidade histórica, constitui-se em Comunidade Autónoma para aceder ao seu autogoverno, de conformidade coa Constituição Espanhola e com o presente Estatuto, que é a sua norma institucional básica.

Isto posiciona à Galiza num contexto ótimo para ser reconhecida internacionalmente com todas as dignidades. Se a isto acrescentamos que o Reino da Espanha está incluído dentro do Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos os quais fazem parte do Sistema dos Direitos Humanos da atual Organização das Nações Unidas (ONU) no qual se reconhece no seu artigo primeiro o seguinte:

PRIMEIRA PARTE

Artigo 1.º

  1. Todos os povos têm o direito a dispor deles mesmos. Em virtude deste direito, ELES DETERMINAM LIVREMENTE O SEU ESTATUTO POLÍTICO E DEDICAM-SE LIVREMENTE AO SEU DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO, SOCIAL E CULTURAL.
  2. Para atingir os seus fins, todos os povos podem dispor livremente das suas riquezas e dos seus recursos naturais, sem prejuízo de quaisquer obrigações que decorrem da cooperação económica internacional, fundada sobre o princípio do interesse mútuo e do direito internacional. Em nenhum caso pode um povo ser privado dos seus meios de subsistência.
  3. Os Estados Partes no presente Pacto, incluindo aqueles que têm a responsabilidade de administrar territórios não autónomos e territórios sob tutela, são chamados a promover a realização do direito dos povos a disporem de si mesmos e a respeitar esse direito, conforme às disposições da Carta das Nações Unidas.

Igualmente no Pacto internacional de Direitos económicos, sociais e culturais aprovados pela Assembleia Geral da ONU em 1966 no seu artigo 1.1 diz (1):

Artigo 1.1

PARTE I

Artigo 1º

  • 1. Todos os povos têm o direito à autodeterminação. Em virtude desse direito, determinam livremente seu estatuto político e asseguram livremente seu desenvolvimento económico, social e cultural
  • 3. Os Estados Membros no presente Pacto, inclusive aqueles que tenham a responsabilidade de administrar territórios não autónomos e territórios sob tutela, deverão promover o exercício do direito à autodeterminação e respeitar esse direito, em conformidade com as disposições da Carta das Nações Unidas.

Por outra parte a Constituição espanhola no seu Capítulo II: Sobre os tratados Internacionais diz (2):

CAPÍTULO III. DE LOS TRATADOS INTERNACIONALES.

Artículo 93.

Mediante Ley orgánica se podrá autorizar la celebración de Tratados por los que se atribuya a una organización o institución internacional el ejercicio de competencias derivadas de la Constitución. Corresponde a las Cortes Generales o al Gobierno, según los casos, la garantía del cumplimiento de estos Tratados y de las resoluciones emanadas de los organismos internacionales o supranacionales titulares de la cesión.

Artículo 94.

  1. La prestación del consentimiento del Estado para obligarse por medio de Tratados o convenios requerirá la previa autorización de las Cortes Generales, en los siguientes casos:
  2. Tratados de carácter político.

b.Tratados o convenios de carácter militar.

c.Tratados o convenios que afecten a la integridad territorial del Estado o a los derechos y deberes fundamentales establecidos en el Titulo primero.

d.Tratados o convenios que impliquen obligaciones financieras para la Hacienda Pública.

e.Tratados o convenios que supongan modificación o derogación de alguna Ley o exijan medidas legislativas para su ejecución.

  1. El Congreso y el Senado serán inmediatamente informados de la conclusión de los restantes Tratados o convenios.

Artículo 96.1. Los tratados internacionales válidamente celebrados, una vez publicados oficialmente en España, FORMARÁN PARTE DEL ORDENAMIENTO INTERNO. SUS DISPOSICIONES SÓLO PODRÁN SER DEROGADAS, MODIFICADAS O SUSPENDIDAS EN LA FORMA PREVISTA EN LOS PROPRIOS TRATADOS O DE ACUERDO CON LAS NORMAS GENERALES DEL DERECHO INTERNACIONAL.

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Trasno-Mitologia Galego-Portuguesa

 

Conclusão:

1- A Espanha está na ONU e aceita o ordenamento jurídico internacional.

2- A Espanha assinou o Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos incluído dentro do Sistema dos Direitos Humanos da ONU. A Espanha assinou igualmente o Pacto internacional de Direitos económicos, sociais e culturais. Ambos tratados entraram em vigor em 19 de Dezembro de 1966.

3- A Constituição espanhola garante que a legislação internacional, nomeadamente a emanada da ONU à qual pertence de pleno direito, faz parte do seu ordenamento jurídico e portanto RECONHECE INDIRETAMENTE no seu artigo 96 o direito de AUTODETERMINAÇÃO dos povos ao serem estes tratados anteriormente citados (Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos e Pacto internacional de Direitos económicos, sociais e culturais) parte da legislação internacional à qual se vincula o Reino da Espanha, só podendo renunciar a ela derrogando-a, modificando-a ou suspendendo-a nas formas previstas pelos próprios tratados ou de acordo com as normas internacionais.

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Mazzini

 

4- Se a Galiza (ou quaisquer outros territórios do Reino da Espanha) optar por exercer o seu direito de autodeterminação estaria de acordo com a legislação internacional que a Espanha aceita. Se o Estado ao que à Galiza pertence optasse por impedir, limitar ou obstaculizar esse direito, seria o Reino da Espanha o que estaria fazendo incumprimento a sua própria legislação e a legislação internacional dentro da qual se incluiu voluntariamente quando aceitou e assinou toda a legalidade emanada da ONU à qual pertence desde.

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Meia Verdade

 

5- Se quaisquer outro Estado manifestar o seu apoio ao proceder do Reino da Espanha no que diz respeito a este assunto, estaria igualmente contrariando à legalidade internacional, sobre tudo se este Estado tiver assinado igualmente os mesmos tratados dos que falamos

(1) http://www.oas.org/dil/port/1966%20Pacto%20Internacional%20sobre%20Direitos%20Civis%20e%20Pol%C3%ADticos.pdf (2) https://www.boe.es/legislacion/documentos/ConstitucionCASTELLANO.pdf

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Paisagem Granítica

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Fichte



publicado por Carlos Gomes às 16:44
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GALIZA E PORTUGAL: CABEÇA E CORAÇÃO DUM SER ÚNICO

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Por José Manuel Barbosa

A definição de Nação tem dado muitas páginas nos livros de teoria política e mesmo nos livros de antropologia. É por isso por que há duas formas de perceber a ideia de Nação: a política que nos descobre um conceito de Nação próximo a ideia de Estado, daí a noção de Estado-Nação e vinculada à vontade; e a cultural, que nos leva a Nação constituída por um conjunto de pessoas com uma língua, uma tradição, uns usos culturais e hábitos psicológicos comuns, uns costumes manifestados na forma de perceber a vida tanto no laboral como no festivo, nas crenças ou na herança e numa história que une aos seus nacionais num determinado território reconhecido como próprio. Estas duas formas de perceber o que é uma Nação podemos identificá-las como da escola francesa, a primeira, e a escola alemã a segunda. Na primeira é a vontade dos indivíduos de construir a Nação que se comprometem numas instituições comuns que regulam a sua convivência. Esta vontade surge da sua livre eleição à hora de se constituírem ou bem pela sua separação duma entidade estatal já existente enquanto a segunda é o conceito de Nação objetiva baseada numa realidade viva localizada acima dos indivíduos e das vontades cuja identidade está sustentada em traços externos herdados duns antepassados comuns. Dessa realidade não é possível evadir-se por meio da vontade.

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Delegação galega

 

Se tomamos a primeira como referência, diremos que Portugal é uma Nação porque a vontade fez que fosse independente da Galiza medieval, porque os portugueses assim o quiseram durante mais de oitocentos anos desde a sua independência levada a cabo por Afonso Henriques. Da mesma maneira, a Galiza faria parte duma entidade político-administrativa superior denominada Reino da Espanha e à qual adere por inércia histórica.

Mas se tivermos em conta o segundo conceito, a Galiza e Portugal fariam parte duma mesma Naçao segundo os critérios de Fichte. Segundo eles tanto galegos como portugueses participam de uma série de elementos identitários comuns que os unem por cima de quaisquer diferenças políticas ou individuais. Podemos dar-lhe um repasse:

* A Língua

A identidade da língua, considerada como uma única língua comum a galegos e portugueses pode vir identificada tanto do ponto de vista estritamente linguística como do ponto de vista político.

Se for a linguística a que determinasse a unidade da língua não teríamos ninguém que acreditasse na existência de duas línguas no ocidente peninsular ibérica. Tudo o que for identificado como diferença seria localizado como uma variação dialetal e/ou regional. Galegos e portugueses temos uma mesma língua sem qualquer dúvida e não há cientista que tenha a categoria para o negar. Rodrigues Lapa, Eugen Coseriu, Carolina Michäelis de Vasconcelos, Joan Coromines e todos os grandes vultos da filologia e da linguística reconheceram a realidade duma e única língua galega em origem e mas conhecida internacionalmente com o nome de português.

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Irmandades da Fala

 

Há quem pense que nas últimas décadas a vontade dos galegos e das suas instituições é a de reconhecer a sua variante como uma língua “irmá pero diferente” da portuguesa mas essa vontade surge da necessidade de Madrid de desidentificar e separar ambas as variantes para favorecer a assimilação do chamado galego dentro do castelhano como um patois ou crioulo que pela sua debilidade e falta de prestígio não possa concorrer com a língua de imposição. E como já vimos que a vontade não é uma forma de conceber a Nação cultural mas o Estado-Nação, não devemos considerá-la. Ainda assim é de reconhecer que mesmo alguns dos personagens políticos mais importantes da separação linguística galego-portuguesa como o próprio Manuel Fraga Iribarne, Presidente da Galiza entre 1990 e 2005 reconheciam e falavam duma língua comum:

“É um encontro a que nos chama a pertença geográfica a um mesmo espaço físico, a herança cultural de uma língua comum e um património cultural multissecular,….” (Fraga Iribarne: 1991)

A pesar disto ser assim, o velho político franquista dizia o mesmo pelas mesmas épocas mas para um público diferente:

“É un encontro a que nos chama a pertenza xeográfica a un mesmo espazo físico, a herdanza cultural de línguas com raices comuns e un património cultural multisecular,...” (Fraga Iribarne: 1992)

A dia de hoje, o próprio e atual Presidente da “Xunta de Galicia” Alberto Nuñez Feijóo/Alberte Nunes Feijó manifesta o mesmo critério de unidade linguística galego-portuguesa nas Tv espanholas uma vez o movimento reintegracionista tem a suficiente força social como para pôr as cousas no seu lugar (1)

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Plácido Castro

 

* Hábitos psicológicos e forma de perceber a vida

Quando de um galego se diz que numa escada não se sabe se é que sobe ou é que baixa, é um castelhano que o diz. Um galego sempre sabe se sobre ou se baixa mas um castelhano desde fora nunca é que o sabe. Isto não tem maior transcendência se não fosse que a indefinição é um elemento identificativo de galegos mas também de portugueses; a ambiguidade, a diplomacia, a forma de dizer as cousas indiretas, as meias verdades, a “retranca”, esse humor no que nunca se diz o que se quer destacar mas que sempre fica evidente para as mentes inteligentes nada abundantes no centro peninsular… É aquela história na que uma pessoa lhe faz uma pergunta comprometida ao galego e este responde:

“Por uma parte, tu já vês, por outra….que queres que che diga mas o certo é que… quem sabe?”

Falamos igualmente do acordo e do trasacordo, essas variações de rumo que aplicamos quando a necessidade o requer perante uma decisão que temos de tomar mas que não temos toda a segurança. É o um “se por acaso...”, “Se calhar...”, “Nunca se sabe...”. Os nossos refrões fazem-nos visualizar essa caraterística psicológica:

“Deus é bom e o demo não é mau”

“Porque a Deus apreces, o demo não desprezes”

Mas sobre todos os elementos do nosso carater comum está a saudade, cantada por poetas e descrita por filósofos. É uma forma de perceber a vida galega e portuguesa por excelência mas que inclui uma visao da vida romântica, lírica, poética e profundamente artística. Por isso é que a poesia lírica medieval faz parte da nossa identidade mais profunda.

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Reconhecimento de Plácido Castro da Galiza como Nação

 

* As crenças, as tradições, usos culturais e costumes

Com certeza que se falo da submissão ao sobrenatural, à religiosidade profunda manifestada num conceito do transcendente que ultrapassa os sentidos e a razao, estou a falar da forma de ser dos portugueses. Mas também falo dos galegos que na sua festa da sua virgem, da sua santa ou santo, da sua romaria ao seu santuário, da festa da sua aldeia na que celebramos que esta divindade pré-cristão transformada em tal ou qual virgem nos faz comer a todos em família ou em comunidade. É a comida na que há que comer basicamente porco ou vitela como forma de manifestar a alegria comum.

Em Castela e em Andaluzia têm por costume beber vinho e bailar mas não não bebemos nem bailamos enquanto não tenhamos a barriga cheia. Só isso, prémio ao nosso trabalho do dia-a-dia, é o que nos põe contentes perante os demais: comer, e comer comida forte, hipo-calórica, poderosa, que mantém corpos que devem ser fortes porque historicamente é a terra a quem lhe devemos o esforço para que ela nos dê frutos. Para além disso, as filhós, as rabanadas ou torradas, os roscões ou pães de ló, as sopas de cavalo cansado, os cozidos, o polvo, o caldo, todo tipo de enchidos, presuntos, broas, pães de centeio, papas, etc…são as formas dos nossos alimentos que reconhecemos em ambas as beiras da raia…

Por outra parte, a cultura histórica também vincula com as crenças de galegos e portugueses de hoje. Somos a terra do granito que suportou antas, mamoas, pedras escritas, montes sagrados onde habitam ainda hoje as divindades esquecidas que um dia estavam nas nossas vidas e hoje dormem até que decidam acordar. Mouros, princesas com pés de cabra, cobras que acabam sendo princesas, seres feéricos de todo tipo e tamanho, seres mitológicos que vivem nos contos infantis mas também nas nossas vidas quotidianas, o não varrer para fora, o arco-íris que é o arco-da-velha porque a velha é a Terra que nos deu vida e é a matriz de todo, as nossas festas que cobrem todo o panorama festivo céltico: Magusto/Samhain, festa dos mortos onde estes vêm comer à nossas mesas, Ciclo de Natal/Solstício de inverno, quando celebramos o nascimento da luz; Carnaval e Candelária/Imbolc quando casam os passarinhos mas também crítica ao poder; Máias ou Máios/Beltaine quando com lume queimamos o boneco verde e chega o verão; São João/Solstício de verão quando celebramos o triunfo da luz por meio do fogo purificador….. As bruxas e meigas, o Além, a morte, os que veem o futuro, Todo isso e muito mais somos os galegos e os portugueses e não nos reconhecemos como unidade porque desde há bem poucos anos o direito ao ensino faz que sejam os Estados-Nação os que transmitam a cultura e a educação mas essa não é natural mas artificial qual comida de lata ou hambúrguer de McDonals. Esse direito não é o mau, que é um direito, mas é o Estado que desrespeita os povos e as suas raízes o que não é o adequado para nos transmitir os conhecimentos do passado. Aos galegos dizem-nos que somos espanhóis que traduzido à linguagem madrilena é como dizer que somos castelhanos e portanto temos uma visão distorcida de nós próprios; aos portugueses diz-se que os galegos são mais uns espanhóis que falam castelhano e portanto uns maus irmãos não escolhidos mas não uns amigos que podemos escolher…. A distorção acrescenta-se aos olhos dos outros nós-próprios. E por isso chegamos à conclusão de que já não somos o mesmo povo, mas dous povos de costas viradas cujos problemas não devemos nem queremos partilhar.

Pacto Internacional dos Direitos Economicos Sociais e Culturais (2).jpg

* Um território comum

Sobre o espaço comum que partilhamos sabemos que a nossa cultura nasceu no País do granito, nas terras rochosas do noroeste, terras verdes de prados e florestas onde o chamado Maciço Galaico-Duriente se apresenta como uma continuação do Cordal Cantábrico. É na Serra do Aire onde estas terras célticas deixas lugar às terras do sul estremenho, alentejano e algarvio que por tradição humana está mais vinculada ao mundo sulista do que ao mundo galaico nortenho mas que a história quis que se cristianizassem e se galaiquizassem. É o Portugal sulista que embora conservar um ar e uma tradição meridional e andaluzi o seu espírito é plenamente português. Mas isto é uma visão que temos de hoje porque em épocas anteriores ao Islão peninsular essas terras eram as que viram nascer o Vaso Campaniforme, o que viu nascer o megalitismo que tanta identidade nos dá aos galegos. Foram aliás, as terras da expansão sueva cujo Reino foi conhecido e reconhecido como o primeiro “Gallaeciense Regnum”. Todo isto conforma essa faixa marítima ocidental que vai dar a esse mar imenso e promissor chamado Atlântico, o Mar da Atlântida, o qual lhe deu viabilidade a Portugal

como Nação e ajudou na expansão da nossa língua e da nossa cultura. Castelão, o nosso grande Daniel Castelão, disse uma vez no seu Sempre em Galiza, que Portugal encheu o mundo de nomes galegos….e assim foi, com certeza, ou pelo menos assim o vemos muitos galegos. E é esse mar o que dá tamanho de País grande a Portugal cujo espaço terrestre é um, mas o seu espaço marítimo sempre foi muito mais.

À Galiza esse mar também lhe deu expansão mas não territorial embora sim económica. É o mar das nossas riquezas e das nossas belezas, de ondas selvagens e de profundezas misteriosas que converteu à Galiza quando aqui se podia pescar, na terceira grande potência pesqueira do mundo. É o mar da Galiza marinheira, tão importante para a nossa realidade identitária como pode ser para Portugal.

* Uma História comum

Neste tema já há pouca discrepância. Desde que os galaicos entram na História, os portugueses entram como galaicos num princípio, embora os lusitanos existam como uma prolongação dos primeiros ou vice-versa. Se considerarmos que o Portugal de hoje é um Estado galaico, e não lusitano por ter sido do norte galaico donde partiu a origem do país, a língua, a estrutura e organização territorial, a legalidade e todo o demais, teremos que partilhamos historicamente tudo: a Kalláikia celtica, a Gallaecia pré-romana, o Reino da Galiza medieval mal identificado e mal chamado de Reino de Astúrias, a continuação do Reino da Galiza também mal identificado e mal chamado de Reino de Leão… tudo, até que nasceu o conceito de Nação que se diz defendeu o nacionalismo francês e também Giuseppe Mazzini mas que já no século XII Afonso Henriques se viu na obriga de exercer para defender o seu direito a governar o seu novo Reino, assim reconhecido pelo Papa. Nasceu Portugal dum retalho da Galiza e nasceu como um ato de vontade política mas não como uma diferenciação étnica. Tal é assim que Agostinho da Silva, ideólogo da Lusofonia disse que “os portugueses são uns galegos aperfeiçoados”. Se é assim é que os galegos somos uns portugueses distorcidos por Castela mas não deixamos de ser mais uns portugueses descarrilados que precisamos nos encontrarmos com o resto da nossa gente para nos vermos onde devemos estar: juntos.

Poderíamos continuar narrando e debulhando esta nossa realidade comum, mas veja o leitor que se fizermos pormenorizadamente este trabalho de identificação galaico-portuguesa não chegaria um simples artigo para falarmos do tema. Um livro completo falando de cada um dos pormenores aqui narrados seria muito interessante e muito laborioso mas completamente útil para o nosso reconhecimento e a boa fé que totalmente certeiro na nossa auto-identificação não como dous povos mas como um só.

Como pode comprovar o leitor, a nossa vontade não é tanto narrar esta realidade assumida e conhecida por toda mente bem pensante quanto comunicar a necessidade de nos implicarmos no ser comum. Nao pode haver português que ignore a Galiza, a sua realidade e a sua problemática como também não pode haver galego que ignore a de Portugal.

Bibliografia:

Fraga Iribarne, M: A Galiza e Portugal no Marco Europeu. Ed. Xunta de Galiza. 1991. Pag. 7 Tirado da Comunicao de Manuel Fraga Iribarne à Academia da História de Portugal com motivo da sua receçao como Académico de Mérito. Lisboa 25 de Janeiro de 1991

Fraga Iribarne, M: Jornal do Arco Atlântico. 23 de Outubro de 1992. nº 1 Página 3

(1) https://www.youtube.com/watch?v=XN2byTJHfV4

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publicado por Carlos Gomes às 09:26
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Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2017
A ASCENDÊNCIA PORTUGUESA DOS CANARINOS

Apesar de pouco conhecidas, são muitas as afinidades entre os portugueses e os canarinos, tal como são históricas as ligações entre Portugal e as Canárias. São precisamente tais afinidades e ligações históricas que, graças à gentileza do sr. Jesús Sebastián Acosta Pacheco, a quem desde já endereçamos os nossos agradecimentos, o BLOGUE DE LISBOA vai dar a conhecer aos seus leitores, publicando diversos artigos de sua autoria.

Texto: Jesús Acosta

Fotos: Naim Acosta

Os Arquipélagos das Ilhas Canárias, dos Açores, da Madeira, das Ilhas Selvagens e de Cabo Verde, constituem a região biogeográfica da Macaronésia, mas as “Ilhas Afortunadas”, não só estão vinculadas no que respeita à natureza e geografia, também à história, cultura e património, mas há uma diferença entre os Açores, a Madeira e Cabo Verde com as Canárias, os três primeiros arquipélagos com maior conexão a Portugal, estavam desabitados e foram descobertos e povoados pelos portugueses, as Ilhas Canárias estavam habitadas pelo povo guanche. Os guanches, eram as únicas pessoas nativas que viviam na região da Macaronésia antes da chegada dos europeus, originários do Norte da África com civilização neolítica e língua da família linguística berbere e escrita com carateres tifinagues. Por tanto, as Ilhas Canárias foram conquistadas pelos castelhanos, mas na conquista e colonização, os portugueses tomaram parte, no caso da ilha de Tenerife, a maior do arquipélago canarino e de toda a Macaronésia, foi colonizada na mesma proporção por portugueses e espanhóis (principalmente andaluzes), segundo os historiadores Elías Serra Ràfols e Leopoldo de la Rosa Olivera.

Gaspar Frutuoso, foi um historiador, sacerdote e humanista açoriano, natural da cidade de Ponta Delgada na ilha de São Miguel, destacou-se pela autoria da obra Saudades da Terra, uma detalhada descrição histórica e geográfica dos arquipélagos dos Açores, Madeira e Canárias, este grande cronista insulano, na descrição das Ilhas Canárias que faz no livro primeiro das Saudades da Terra, no capítulo décimo terceiro «De algumas cousas de ilha chamada Tenerife» diz: «[...] e daí a duas léguas está Icode dos Vinhos, que também é vila de duzentos vizinhos, quasi todos portugueses ricos de vinhos, lavouras e criações.[...]», posteriormente, Leonardo Torriani, um engenheiro militar e arquiteto italiano radicado em Portugal que foi enviado pelo rei Felipe II  de Espanha e I de Portugal em 1587, com a missão de analisar e fortalecer a fortificação das ilhas, e no valiossísimo códice que nos deixou: Descrição e história do Reino das Ilhas Canárias, antes ditas Afortunadas, com o parecer das suas fortificações, que se encontra na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, quando descreve a ilha de Tenerife expõe: «[...] A maior parte da gente é portuguesa, a qual, superando as demais nações espanholas na indústria da agricultura, tem dado a esta ilha maior fertilidade e riqueza232». Página 136 do estudo e tradução da obra de Torriani primeira versão em português da autoria de José Manuel Azevedo e Silva publicado pela Edições Cosmos em Lisboa no ano 1999 e, na nota 232 deste autor, podemos ler: «Conhecedor da realidade das Canárias, onde permaneceu durante alguns anos, Torriani constatou que a maior parte da gente da ilha de Tenerife era portuguesa, à qual atribuiu um maior desenvolvimento económico em relação às outras ilhas. A apreciação lisonjeira que faz à gente portuguesa que, segundo afirma, supera as demais nações espanholas na agricultura, deve estar relacionada com a rica produção de açúcar e de vinho de Tenerife (de longe maior que nas outras ilhas), pelo que é de supor tratar-se da presença de emigrantes madeirenses, bom conhecedores daquelas culturas.». Quando Torriani fala da cidade de Santa Cruz da Palma narra: «[...] As casas são brancas, feitas à portuguesa326, pequenas por dentro e, em geral, sem poços nem pátios, com tudo isto, são mais altas e alegres que as das outras ilhas. Esta ilha é habitada por portugueses, castelhanos, flamengos, franceses e alguns genoveses. [...]». Página 191 e na nota do estudioso e tradutor pode-se ler: «De notar a influência portuguesa no modelo de construção das casas da cidade. Se, como se vê a seguir, os portugueses compartilhavam a cidade com castelhanos, flamengos, franceses e genoveses, possivelmente os mestres construtores eram portugueses. E não será por acaso que Torriani os cita em primeiro lugar». Prova desta presença portuguesa é o livro 1º de visitas da igreja do povo de Boavista do Norte em Tenerife (até a primeira metade do século XVI) e o livro da igreja de Garafía na ilha da Palma no século XVII, escritos em português.

No repartimento das terras conquistadas, os portugueses que colaboraram com o conquistador às ordens da Coroa de Castela, receberam terras através das “datas” e, os que chegaram como colonizadores à nova terra, alguns deles judeus portugueses que optaram pelo desterro imposto pelo édito real assinado em 1496 pelo Rei Dom Manuel I e, outros judeus portugueses conversos ou cristãos-novos, na sua maioria lavradores e artesãos, vieram com o estabelecimento da indústria da cana-de-açúcar e a plantação de videiras para a produção de vinho, além disso, introduziram em princípios do século XVII o cultivo do milho. Junto dos colonos madeirenses chegados às ilhas, retornaram os guanches libertos que os portugueses capturaram e levaram como escravos para a ilha da Madeira, com a finalidade de fornecer mão-de-obra para o penoso trabalho nos canaviais, libertaram e expulsaram ou devolveram aos guanches escravizados à sua terra natal, porque os madeirenses donos das plantações de cana-de-açúcar não os conseguiram submeter. Os guanches que voltaram às suas ilhas já eram grandes mestres da elaboração do açúcar, cristianizados e tinham apelidos portugueses.

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Como referem os historiadores, em algumas cidades e vilas os portugueses eram maioritários e, até mesmo, foram os seus fundadores e construtores dos seus monumentos mais importantes. Pomos como exemplo a Cidade de Tacoronte fundada em 23 de outubro de 1497 por Dom Sebastião Machado oriundo de Guimarães, que conservou o nome aborígene do Menceyato (reino guanche) para a nova cidade que está geminada com o berço da nação portuguesa e Património da Humanidade desde o dia 26 de outubro de 1997. O ex-convento de Santo Agostinho e Igreja do Santíssimo Cristo das Dores e Agonia, mais conhecido popularmente como Cristo de Tacoronte, foi edificado em 1662 pelo Capitão Dom Diogo Pereira de Castro natural de Barcelos e o seu sobrinho Tomás Pereira de Castro-Ayala e este, foi o que trouxe a milagrosa imagem do Santíssimo Cristo, segunda advocação de Cristo mais venerada nas Ilhas Canárias trás o Santíssimo Cristo da Lagoa. Nesta muito bonita e encantadora cidade do norte de Tenerife de bons vinhos e, onde há muitos munícipes com o apelido Dorta, morou os primeiros anos da sua vida o famoso pintor surrealista Óscar Domínguez, no filme, Óscar. Una pasión surrealista inspirado na biografia deste insigne tinerfenho, o ator português Joaquim de Almeida veste a pele do pintor. É filha ilustre desta cidade a escritora Maria Rosa Alonso, estudiosa e investigadora do Mencey (Rei) guanche que os Reis Católicos entregaram como presente ao Doge de Veneza e, que este dirigente, expôs como exemplar exótico na sua corte.

PLACA 2 (1).jpg

Na primeira foto podemos ver o monumento dedicado a D. Sebastião Machado e a frontaria e torre da igreja da Santa Catarina de Alexandria padroerira da cidade de Tacoronte. Na Segunda Foto a placa do monumento que diz: A CIDADE DE TACORONTE / A / SEBASTIÃO MACHADO / NATURAL DE GUIMARÃES PORTUGAL / CRIADOR DO PRIMITIVO / NÚCLEO POPULACIONAL  / 1497 - 1997  / CINCO SÉCULOS DE HISTÓRIA e, após do texto, os brasões dos concelhos de Guimarães e Tacoronte.

IGREJA 2 (1).jpg

Na primeira foto temos a bela frontaria em cantaria, obra de Domingo Rodríguez Rivero e tem sobre da porta central e principal o brasão dos Pereira de Castro. Na segunda fotografia a imagem milagrosa do Santíssimo Cristo de Tacoronte, Padroeiro da Cidade de Tacoronte, escultura que se lhe atribui a Domingo de La Rioja.

CRISTO 2 (1).jpg

Há historiadores, estudiosos e investigadores que têm manifestado que o povo canarino é mestiço, porque descende de grupos étnicos diferentes, que é uma mistura: um 30% de guanches, um 30% de andaluzes e um 30% de portugueses, o 10% restante e formado por outros espanhóis e europeus na sua maioria flamengos, genoveses, franceses e ingleses. Os outros arquipélagos da Macaronésia não têm esta singularidade e, o caso de Cabo Verde, é diferente aos demais. É evidente a ascêndencia portuguesa dos canarinos, pelo que não é um erro, dizer que são descendentes longínquos de portugueses. O melhor testemunho da presença portuguesa nas Ilhas Canárias, na sua conquista e na sua colonização, não são somente as “datas”, também os mais de cem apelidos ou sobrenomes portugueses que existem nas Canárias, há canarinos que não têm apelidos portugueses, mas podem ter os seus pais, os seus avós ou os seus antepassados. A seguir alguns deles em português e a correspondente forma castelhanizada.

PORTUGUÊS

ESPANHOL

PORTUGUÊS

ESPANHOL

PORTUGUÊS

ESPANHOL

Aleixo

Alejo

Falção

Falcón

Medeiros

Mederos

Belchior

Melchior

Farinha

Fariña

Monteiro

Montero

Chaves

Chávez

Galvão

Galbán

Pereira

Perera

Coelho

Coello

Godinho

Godiño

Ramalho

Ramallo

Correia

Correa

Horta

Dorta

Soares

Suárez

Curvelo

Curbelo

Lemos

Lemus

Sousa

Sosa

da Costa

Acosta

Maia

Maya

Teixeira

Tejera

Eanes

nez

Marreiro

Marrero

Vieira

Viera

Alguns apelidos não mudaram: Afonso, Aguiar, Barroso, Camacho, Lemes, Machado, Pacheco, Pestana, Queirós, Rabelo, Toste, mais outros. Há alguns que têm as duas formas Ferreira /Ferrera e outros três: Vieira / Viera / Vera.

Portugal reconheceu a soberania castelhana das ilhas Canárias, quando o Rei Alfonso V de Portugal em 8 de setembro de 1479 ratificou o Tratado das Alcáçovas, também conhecido como Paz de Alcáçovas,  assinado na vila portuguesa de Alcáçovas, no Alentejo, em 4 de setembro de 1479. Com a ratificação dos Reis Católicos em 6 de março de 1480, na cidade de Toledo, pelo que também ficou denominado como Tratado das Alcáçovas-Toledo, Portugal abandonou definitivamente as suas pretenções de domínio sobre as célebres “Ilhas Afortunadas”. O arquipélago canarino ficou na posse da Coroa de Castela e não é a Galiza, que junto do Condado Portucalense, é o berço da cultura galaico-portuguesa, mas depois dos hermisendeños, alamedillenses, xalimegus, cedilleros, ferrereños, oliventinos mais outros povos arraianos é, o povo integrado no atual Reino de Espanha, que mais raizes galaico-portuguesas tem.  

Queremeos agradecer ao Exmo. Sr. D. Carlos Gomes o seu convite para escrever no seu maravilhoso blogue. Tudo começou quando contactamos con ele para lhe perguntar o nome das coleira com campaínhas que levam no pescoço os bois e vacas nas nossas romarias e benções de gado que são semelhantes às que temos visto no Minho. Uma breve explicação complementar da influência portuguesa nas Ilhas Canárias que fizemos à pergunta, despertou o seu interesse e disse: «O BLOGUE DO MINHO (e o BLOGUE DE LISBOA) encontram-se à sua disposição e será com o maior prazer que acolherá a colaboração que quiser dispensar». Como ele também tenciona partilhar o artigo nas páginas do facebook dedicadas ao folclore português, incluindo a Federação do Folclore Português, decidimos escrever acerca dos Aires de Lima, um género da música folclórica das Ilhas Canárias típico das descamisadas canarinas, esfolhas no Minho, que trouxeram os minhotos no século XVII com o cultivo do milho, mas achamos que era conveniente fazer antes uma apresentação e introdução com este artigo e o seguinte que fala da profunda influência portuguesa no povo canarino, pois será mais fácil para os leitores e seguidores deste ótimo blogue, compreenderem a razão pela que nas Canárias há uma canção tradicional que tem a sua origem no Minho. É uma dívida que temos pela ajuda recebida e a grande gentileza.

Aproveitamos este artigo, para exprimir públicamente o nosso mais muito obrigado a três grandes portugueses que amam a sua maravilhosa terra e contribuem à proteção, preservação e difusão do seu precioso património. Ao Exmo. Sr. D. Rui Barbosa, “A man and his Dream” que com o seu sonho e magnísifico blogue Carris, temos uma preciosa informação do PNPG (Parque Nacional Peneda-Gerês), agradecemos imensamente a sua ajuda para poder indicar nos planos os hidrónimos, orónimos e o património etnográgico do PNPG. Ao Exmo. Sr. D. Manuel de Azevedo Antunes, grande amigo e a maior autoridade em relação a Vilarinho da Furna, com ele a sua aldeia natal, lamentavelmente afundada, nunca morirá. Finalmente, ao Exmo. Sr. D. Paulo Lima, o homem dos portugueses na UNESCO, graças ao seu precioso trabalho e de outras pessoas o Fado, a música e canção mais bela do mundo, o cante alentejano e a arte chocalheira é Parimónio Mundial.

Este artigo foi escrito por Jesús Acosta Vice-Presidente da ACGEIA: ASSOCIAÇÃO CULTURAL: GRUPO DE ESTUDO E INVESTIGAÇÃO ACHBINICO e as fotografias realizadas por Naim Aléix Acosta Febles.

A ACGEIA, tem entre os seus fins estatutários, o estudo e investigação da língua e literatura portuguesa e outras línguas e dialetos de família linguística galaico-portuguesa, a ascendência portuguesa dos canarinos, a influência portuguesa no povo canarino, a natureza, geografia, história, cultura e patrimonio de Portugal porque é o país de onde vieram os colonizadores que juntos dos guanches, andaluzes e outros espanhóis e europeus contribuíram notavelmente à fundação do povo canarino. Finalmente, esta Associação estuda e investiga a vida e obra de São José de Anchieta, que nasceu em 19 de março de 1534 na cidade de São Cristóvão da Lagoa, foi o Apóstolo do Brasil e a maior contribuição do povo canarino ao Mundo Lusófono. A ACGEIA tem a sua sede estatutária no berço do São José de Anchieta, cidade fundada em 1497 por Alonso Fernández de Lugo, o fidalgo e conquistador castelhano-andaluz, responsável da incorporação definitiva das Ilhas Canárias à Coroa de Castela no século XV.  Esta belíssima e fascinante cidade foi classificada Património da Humanidade em 2 de dezembro de 1999 pela UNESCO, é sede da diocese de Tenerife, da Universidade da Lagoa, recebe aos turistas pelo Aeroporto de Tenerife-Norte e, como Braga, é chuvosa, húmida, monumental e tem a Semana Santa mais solene das Ilhas Canárias.



publicado por Carlos Gomes às 01:27
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Sábado, 11 de Fevereiro de 2017
FOI D. GARCIA II O PRIMEIRO REI DE PORTUGAL?

Passam 940 anos sobre a data da histórica Batalha de Pedroso, travada entre o Rei D. Garcia II e D Nuno Mendes, o último e o Conde de Portucale descendente da família de Vímara Peres. O confronto foi travado mais precisamente em 18 de Janeiro de 1071, perto de Tibães, entre Braga e o rio Cávado.

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Filho de Fernando I de Leão, coube a D. Garcia II por herança o Reino da Galiza cujos domínios se estendiam até Lisboa, tendo aos seus irmãos Sancho II e Afonso VI recaído respetivamente os territórios de Castela e de Leão.

Incorporava o Reino da Galiza o Condado da Galiza e o Condado Portucalense que, não obstante, manteve sempre um elevado grau de autonomia. A sua denominação destinava-se a diferenciar daquele, tomando o nome da cidade do Porto que foi a sua primeira capital.

Cresciam já por essa época no Condado Portucalense aspirações separatistas que, encabeçadas pelo Conde de Portucale, Nuno Mendes, viriam a culminar na Batalha de Pedroso onde foi derrotado e perdeu a vida, travando por algumas décadas a desejada independência de Portugal.

Por seu turno, passou D. Garcia II a titular-se GARCIA REX PORTUGALLIAE ET GALLECIAE ou seja, Rei da Galiza e de Portugal. A ele se deve nomeadamente a restauração das sedes de Braga e Tui.

Porém, o seu reinado teve existência efémera em virtude dor irmãos de D. Garcia terem formado uma coligação para lhe usurparem o poder, no que vieram a ter sucesso, tendo-o encarcerado até à sua morte, no castelo de Vermoim, em 22 de Março de 1090.

Cumprindo o seu desejo, D. Garcia foi sepultado acorrentado tal como vivera os últimos anos de sua vida. E, na lápide do seu sepulcro, foi de igual modo representado, ao qual se junta a seguinte inscrição em latim:

R. DOMINUS GARCIA REX PORTUGALLIAE ET GALLECIAE. FILIUS REGIS MAGNI FERDINANDI. HIC INGENIO CAPTUS A FRATRE SUO IN VINCULIS. OBIIT ERA MCXXVIII XIº KAL. APRIL.

Cujos dizeres podem ser traduzidos para o Português moderno da seguinte forma:

Aqui jaz o rei Garcia de Portugal e Galiza, filho do grande rei Fernando, que foi capturado pelo seu irmão com engano. Morreu preso a 22 de março de 1090.

Porém, a saga dos dois irmãos do Rei Garcia não se ficou por aqui e no ano seguinte, Sancho II expulsou Afonso VI, juntando os três reinos – Castela, Leão e Galiza e Portugal. Sancho II acabou assassinado e Afonso VI tomou a coroa de Leão, a qual abrangia os três reinos. A História prossegue a sua marcha imparável e foi necessário esperar cerca de setenta anos para que Portugal se tornasse um reino independente.



publicado por Carlos Gomes às 19:54
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Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2017
DEPUTADO DO PAN PARTICIPA NA CONFERÊNCIA DO MOVIMENTO IBÉRICO ANTINUCLEAR “FECHAR ALMARAZ”

No próximo sábado, dia 04 de fevereiro, pelas 10h00, em Lisboa, na Fábrica de Braço de Prata, o deputado do PAN – Pessoas – Animais – Natureza, André Silva, participa na Conferência do Movimento Ibérico Antinuclear “Fechar Almaraz”, que reúne especialistas franceses e espanhóis com ativistas nacionais e institucionais para debater um problema ambiental com forte risco para a saúde pública.

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No seguimento da decisão do Governo espanhol de aprovar a construção de um armazém de resíduos nucleares na central nuclear de Almaraz, a cem quilómetros da fronteira portuguesa, e por considerar que é necessária uma intervenção de Portugal que vá para além de queixas à Comissão Europeia, o PAN – Pessoas-Animais-Natureza apresentou a semana passada duas denúncias/exposições à Comissão Económica das Nações Unidas para a Europa (UNECE) pelo incumprimento das Convenções de Espoo e Aarhus.

Atendendo a que não houve a realização de uma Avaliação Transfronteiriça de Impacte Ambiental de acordo com os critérios da Convenção de Espoo e da Diretiva Comunitária 2011/92/UE de 13 de Dezembro de 2011, alterada pela Diretiva 2014/52/UE de 16 de Abril de 2014 e, uma vez que Portugal não foi consultado nem notificado como está previsto nas diretivas da Convenção de Aarhus, o partido defende que estamos perante o incumprimento destes acordos internacionais por parte de Espanha.



publicado por Carlos Gomes às 19:36
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Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2016
PORTUGAL É NOTÍCIA EM TODO O MUNDO GRAÇAS À PARTICIPAÇÃO EM INGLATERRA NO OLYMPIA – THE LONDON INTERNATIONAL HORSE SHOW

Cavaleiros portugueses considerados as "estrelas" do The London International Horse Show, as palavras são de Simon BrooksWard, o Show Director que classifica o "Orgulho de Portugal" como um espetáculo inteligente e encantador, elogiando o requinte e a subtileza dos movimentos da performance portuguesa. Acrescenta ainda que nos últimos 21 anos este foi um dos espetáculos equestres com maior impacto e afluência de público, sublinhando assim o sucesso Lusitano.

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O "Orgulho de Portugal", que tem como ex-libris o cavalo Puro Sangue Lusitano, produto de excelência do mundo rural, foi um enorme sucesso na capital de Inglaterra. Todos os dias, o Cavalo Lusitano arrebata emoções fortes e milhares de espectadores aplaudiram entusiásticos a excelência e qualidade portuguesa.

Também um sucesso foi o espaço no Olympia Shopping Village, onde Portugal esteve representado por quatro importantes destinos equestres, Ponte de Lima, Golegã, Beja e Alter do Chão. Ao longo de vários dias Portugal apresentou uma mostra de produtos endógenos de cada uma destas regiões, desde vinhos, azeite, queijos, enchidos e fumados.

O cavalo Lusitano, ex-líbris de Portugal, encerra 2016 despertando emoções.

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publicado por Carlos Gomes às 19:29
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Terça-feira, 11 de Outubro de 2016
FIRA D’ANDORRA LA VELLA VAI TER “SABOR” LUSITANO

“A capital do Principado de Andorra, Andorra la Vella, vai acolher nos próximos dias 21, 22 e 23 de Outubro a 38ª edição da “Fira d’Andorra la Vella”, uma feira multissectorial de Andorra e Pirineus, evento que no ano passado recebeu cerca de 70.000 visitantes.

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Este ano a portugalidade estará representada pelo Grupo de Folclore ‘Casa de Portugal’ integrada na 6ª Feira de Associações formada por 55 stands de entidades culturais, escolares, de solidariedade e desportivas, entre outras.

O Grupo de Folclore vai dispor, juntamente com as comunidades de Filipinas, Russia, Equador, Perú, entre outros, dum espaço para a promoção e venda de produtos de artesanato e de produtos alimentares destinados ao imenso publico que visita a amostra.
Além do artesanato regional português tem sido um êxito, ano após ano, os tradicionais petiscos portugueses como: bolinhos e pataniscas de bacalhau, rissóis, moelas e fêveras, tudo bem regado com vinho branco ou tinto e que os andorranos e outros apreciam e não arredam pé até acabar com o stock.
No sábado 22 o Grupo de Folclore ‘Casa de Portugal’ apresenta em palco a partir das 19 horas, o folclore tradicional do seu repertório como os viras, rusgas e gótas, momento que, como vem sendo tradição, atrai o imenso publico que não quer perder as danças, as cantigas e a riqueza do trajar do Minho.
Este ano 2016 tem sido especial para os elementos do Grupo que celebram no Principado duas décadas de cultura e amizade e tem tido uma intensa atividade cultural e lúdica para celebrar a efemérida destacando o concerto do artista Mike da Gaita, a primeira edição do festival de folclore “Danças do Mundo”, a terceira edição do mercado tradicional “O Feirão” que contou com a presença do Cante Alentejano de Serpa e a digressão a Maiorca no passado mês de Setembro.”

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Domingo, 10 de Julho de 2016
PORTUGAL É CAMPEÃO DA EUROPA!

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publicado por Carlos Gomes às 22:53
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Sexta-feira, 10 de Junho de 2016
YOLANDA SOARES: VIDEOCLIP “O NOSSO POVO” TEM ESTREIA NO DIA DE PORTUGAL

“O Nosso Povo”, tema de Carlos Paião é o videoclip do single de avanço do novo álbum de Yolanda Soares que estreia a 10 de Junho - Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas

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Depois de 3 anos de inspiração, trabalho e muita convicção, e após 5 anos sem lançar um novo álbum, eis que estreia agora a "obra" que a cantora crossover Yolanda Soares considera a mais lusitana, madura, sedutora e romântica das suas produções. Com artistas convidados, nacionais e internacionais, de grande nível, o novo álbum “Royal Fado” promete "coroar" Portugal .

O primeiro single “O Nosso Povo”, juntamente com o videoclip, pode ser visto  e estreia no Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, por todas as características inerentes ao mesmo.

“O Nosso Povo” de Carlos Paião é o single do novo CD “Royal Fado” da cantora Yolanda Soares cuja edição está agendada para Setembro, e cujo videoclip é agora apresentado.

O single deste CD “O Nosso Povo, um Fado que Carlos Paião compôs para Amália, e que Amália chegou a gravar, não teve no entanto a visibilidade de outros temas/fados, mas é na opinião de Yolanda Soares um dos Fados mais bonitos, com uma letra romântica e de grande carga lusitana. Razão pela qual a cantora crossover Yolanda Soares se sentiu imediatamente impelida a gravá-lo considerando-o o tema ideal para o conceito que quer transmitir deste CD “Royal Fado” e por expressar um sentimento tão actual face ao panorama nacional e europeu. Neste tema sente-se exactamente a alma de um povo em que a letra espelha, quase que, o ser português  na sua plenitude, que inclui o lirismo de Camões, o romantismo dos poetas, a bravura, a tradição, e a esperança de uma personalidade lusitana única.

O videoclip deste single é uma autêntica surpresa, e Yolanda Soares queria que fosse  muito especial por todo o conceito e por ser o seu primeiro videoclip, apesar de já ter no seu historial dois CDs editados. Foi gravado numa das mais bonitas bibliotecas do mundo, a  Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra. Uma autêntica obra de arte arquitectónica e referencial  que Yolanda considerou ideal para retratar este trabalho. Quando num só espaço se reúnem um tesouro literário de valor incalculável e a opulência da arquitectura e das artes do início do século XVIII, o resultado é uma das mais espectaculares e originais bibliotecas barrocas europeias. No cofre da Biblioteca Joanina encontram-se exemplares de extrema raridade, como uma primeira edição dos Lusíadas.

Com isto, Yolanda quer enfatizar a escrita, a poesia, e toda a riqueza e sabedoria de um povo com inclinação natural, e um poder quase único de conseguir colocar em palavras sentimentos tão difíceis de caracterizar. A sabedoria e “idoneidade” da cultura lusa distingue-nos como povo e, embora amordaçado em determinada altura, e sempre, de alguma forma privado da sua verdadeira liberdade, nunca deixa de ser distinto e quase que “abençoado” por um talento natural de ser brilhante em inúmeros feitos. Um deles, na palavra escrita.

Este single é o inicio de uma descoberta e obra única que o público poderá ter acesso já a partir de Setembro do ano de 2016.

Por tudo o que foi referido, Yolanda Soares escolheu o dia 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, para partilhar o video “O Nosso Povo”, e o single com o mesmo nome, do próximo álbum intitulado ”Royal Fado”.

https://www.youtube.com/watch?v=B3-EZpZ3EYQ

FICHA TÉCNICA DO VIDEOCLIP " O NOSSO POVO" DO ÁLBUM “ROYAL FADO” DE YOLANDA SOARES

Produção: By the Music produções

Produção executiva : Yolanda Soares

Argumento e realização: Yolanda Soares

Guitarra Portuguesa : Custódio Castelo

Bailarino : Pedro Borralho

Maquilhagem: Tatiana Cruz

Hairstylist : Tânia Di Sousa

Assistente de produção: Ademar Alves

Tuna: Francisca Maria da Cruz, Ana Margarida Santos, José Alves, Eulalia Patricia , Fábio Maia,Beatriz Ribeiro, Raianne Dias, Tiago Miguel Soares, Domingos Lopes, João Pedro Coelho, Maria Inês Dias, Nuno Duarte, Samantha Mangieri.

Técnica Superior da Reitoria  da Universidade de Coimbra  - Cultura e Comunicação : Maria Teresa A.  Baptista

Técnico Superior da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra : Carlos Alberto Gonçalves

Produção de Vídeo:

Câmeras: André Gomes e Jaime Gonçalves

Operação de Grua: André Gomes

Edição e pós produção: Rui Portela e Jaime Gonçalves

Coordenação: Jaime Gonçalves

Making of:

Câmeras: Victor Gomes e Tiago Gomes

Edição e Pós Produção: Tiago Gomes

Guarda roupa do bailarino: Maria Gonzaga

Yolanda Soares vestida por Susana Agostinho

Agradecimentos:

À Universidade de Coimbra

Clara Almeida Santos  -  Vice reitora da Cultura e Comunicação da Universidade de Coimbra

José Augusto Bernardes – Director da  Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra

Ao Dr. Diogo Cabrita



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Quinta-feira, 9 de Junho de 2016
PRESIDENTE DA REPÚBLICA VISITA EXPOSIÇÃO DE MEIOS MILITARES DAS FORÇAS ARMADAS NA RIBEIRA DAS NAUS E PRAÇA DO COMÉRCIO

O Presidente da República, Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, visitou hoje a exposição que se encontra patente até amanhã no Terreiro do Paço e na Ribeira das Naus, e que se destina a mostrar ao público as capacidades e meios militares dos três ramos das Forças Armadas Portuguesas.

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 Esta iniciativa inclui nomeadamente tendas de campanha, carros de combate, aeronaves, lanchas, robôs para inativação de explosivos, demonstrações com a participação de “cães de guerra” e ainda “batismos de mergulho” e a atuação da Orquestra Ligeira do Exército e de várias bandas militares.

Estas atividades são parte integrante das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas que se assinala amanhã no Terreiro do Paço com uma cerimónia militar, após a qual o Chefe de estado partirá para França a fim de presidir em Paris às comemorações oficiais do dia 10 de Junho.

A demonstração de capacidades e meios foi oficialmente inaugurada pelo chefe de Estado-Maior-General das Forças Armadas, acompanhado pelos chefes do Estado-Maior dos três ramos das Forças Armadas, e pelo presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina.

Fotos: Manuel Santos

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Terça-feira, 7 de Junho de 2016
OLIVENÇA COMEMORA DIA DE PORTUGAL

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Terça-feira, 31 de Maio de 2016
PORTUGUESES NO BRASIL FESTEJAM PORTUGAL



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Sábado, 21 de Maio de 2016
OLIVENÇA É TERRITÓRIO PORTUGUÊS ILEGALMENTE OCUPADO POR ESPANHA

Em 20 de Maio de 1801 Olivença foi tomada pelas tropas do exército espanhol. Desde lá, A NOBRE, LEAL E NOTÁVEL VILA DE OLIVENÇA encontra-se, sequestrada pelo país vizinho.

Ocupação contestada desde que regressou a paz à Europa após a tempestade napoleónica, e que, como recordava recentemente um jornal britânico, constitui um dos últimos litígios fronteiriços pendentes na actual Europa Comunitária.

Percebendo a delicadeza que a Questão de Olivença apresenta no relacionamento peninsular, o Grupo dos Amigos de Olivença entende que só a assunção frontal, pública e desinibida do diferendo pelo Estado português, colocando-a na ordem do dia e inserindo-a na agenda diplomática luso-espanhola, permitirá ultrapassa-la a contento dos interesses nacionais.

Esta é uma data de contradições na Histórica de Portugal. Também hoje se assinala a data em que se formou o Estado independente de Timor-Leste. Tal como Timor Lorosae afastou o ocupante estrangeiro e iniciou a construção do seu próprio Estado, reservando à língua portuguesa uma particular importância, também Olivença há-de obter Justiça, resgatando a sua Identidade, a sua História e a sua Liberdade, reencontrando-se com a Cultura e a Língua de Camões!

Por estas razões, e confiando que as Autoridades nacionais saibam tomar as medidas necessárias à defesa do Direito, da dignidade e dos interesses nacionais, o Grupo dos Amigos de Olivença exorta os portugueses, detentores da Soberania, a sustentarem com veemência a devolução do território oliventino.

Contra o silêncio e a indignidade, um passo por Olivença

Lisboa, 20 de Maio de 2015.

A Direcção do Grupo dos Amigos de Olivença

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publicado por Carlos Gomes às 21:27
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Sexta-feira, 29 de Janeiro de 2016
VAI PORTUGAL SUBSTITUIR OS SEUS SÍMBOLOS NACIONAIS?

Esta é a ditosa Pátria Minha Amada! – Luís de Camões

As Armas nacionais de Portugal são “de prata, com cinco escudetes de azul, postos em cruz de Cristo, cada um carregado por cinco besantes de prata, postos em cruz de Santo André (ou quincunce); bordadura de vermelho, carregada de sete castelos de ouro; o escudo sobreposto a uma esfera armilar, rodeada por dois ramos de oliveira (ou loureiro) de ouro, atados por uma fita verde e vermelha

As Armas Nacionais que desde há muitos séculos figuram nas bandeiras nacionais de Portugal identificam um passado glorioso cujos elementos heráldicos testemunham a matriz Cristã de Portugal e o seu papel histórico na Reconquista Cristã.

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Entre tais símbolos, realce-se os escudetes azuis besantados de prata dispostos sob a forma de Cruz de Santo André e que, de acordo com explicação lendária, teriam origem no milagre da Batalha de Ourique segundo a qual, Jesus Cristo terá aparecido a D. Afonso Henriques garantindo-lhe a vitória, caso adotasse por armas as suas chagas. Com efeito, segundo algumas teorias, os escudetes referem-se às cinco chagas de Cristo ou às cinco feridas de D. Afonso Henriques na batalha de Ourique.

A bordadura de vermelho, carregada de sete castelos de ouro representa, segundo a tradição, o antigo reino do Algarve, conquistado por D. Afonso III aos mouros.

Por conseguinte, qualquer que seja o significado dos seus símbolos, é evidente que o Cristianismo constitui a matriz da Cultura e da Civilização portuguesa, da identidade do povo português, com raízes tão profundas que nenhuma ideologia defensora de um pretenso laicisismo será capaz de arrancar…

Numa altura em que outros povos da Europa parecem envergonhar-se da sua própria identidade, cobrem com um manto de ignomínia as suas obras de arte e vergam perante os ditames dos arautos de outras culturas a pretexto de uma falsa tolerância, importa saber se também Portugal renegará os seus valores e a sua identidade, porventura ao ponto de substituir os seus próprios símbolos nacionais?



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Quinta-feira, 28 de Janeiro de 2016
CHINESES FESTEJAM EM LISBOA ANO NOVO CHINÊS

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Terça-feira, 19 de Janeiro de 2016
CHINESES FESTEJAM EM LISBOA ANO NOVO CHINÊS

A comunidade chinesa radicada em Portugal celebra no próximo dia 30 de Janeiro a chegada do Novo Ano Chinês. De acordo com o Zodíaco Chinês, este será o ano do macaco. Com muitos séculos de existência, inúmeros mitos e tradições associadas, esta é considerada a mais importante festividade do seu calendário lunar, celebrando a Festa da Primavera.

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O ponto alto das festividades ocorrerá no Largo do Martim Moniz, entre as 11 horas e as 17 horas do dia 30 de Janeiro. Ali será montado um enorme bazar chinês onde se poderá encontrar um pouco de tudo, sendo os lisboetas convidados a assistir a um deslumbrante espetáculo onde não vão faltar as danças tradicionais, de leões e de dragões, cantares, artes e acrobacias.

A comunidade chinesa radicada em Portugal é reconhecida pelo seu espírito trabalhador e a sua enorme simpatia, pelo que esta festividade já se tornou num momento privilegiado de confraternização entre gente de diferentes culturas, num espírito de grande aceitação mútua que nos remete para o convívio de séculos entre portugueses e chineses em Macau.

A iniciativa é da Embaixada da República Popular da China e da Câmara Municipal de Lisboa.



publicado por Carlos Gomes às 15:36
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Sábado, 16 de Janeiro de 2016
SANTO AMARO É O PADROEIRO DOS GALEGOS EM PORTUGAL

É bastante antiga a devoção dos galegos radicados em Portugal a Santo Amaro. Reza a história que, em 1549, numa colina outrora sobranceira ao rio Tejo, ergueram os galegos uma pequena ermida em cumprimento de uma promessa feita por frades da Ordem de Cristo que, numa viagem de regresso de Roma, a nau em que vinham foi acometida de temporal no mar e, perante o receio de naufrágio à entrada da barra, prometeram construir uma capela no local onde aportassem sãos e salvos.

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A esta invocação certamente não foi alheio o sucesso do frade beneditino, nascido em Roma no século VI, segundo o qual certa vez, obedecendo às ordens de São Bento que teve a visão de que São Plácido corria o risco de afogamento no açude de Subiaco, conseguiu salvar o irmão religioso caminhando sobre as águas sem se afogar, agarrando-o pelos cabelos e puxando-o para a margem.

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A devoção dos galegos a Santo Amaro, cuja festa litúrgica se celebra a 15 de janeiro, deu origem à Capela de Santo Amaro, situada no cimo de uma colina no sítio de Alcântara, tornando-se local de festas e romaria, onde se cantava e dançava a noite inteira xotas e muiñeiras, ao som de gaita-de-foles, castanholas e pandeiretas, à boa maneira das festas tradicionais da Galiza.

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Conta-nos o historiador olisiponense Augusto Vieira da Silva que “Nela se faziam antigamente grandes festas ao seu patrono, que começavam em 15 de Janeiro e se prolongavam ordinariamente até 2 de Fevereiro. No seu adro organizavam os galegos das companhias de aguadeiros de Lisboa, um arraial e danças ao som de gaitas de foles, e nele apareciam, além dos vendedores dos artigos que era uso negociarem-se em todas as festanças populares portuguesas, mulheres vendendo rosários de pinhões de Leiria”.

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Na sequência do ambiente religioso que se seguiu à implantação do regime republicano em Portugal deixou esta feira de se realizar em 1911. Seguiu-se um longo período de abandono no qual a capela chegou a ser saqueada e a ser utilizada como carvoaria. Em 1927, foi entregue à Irmandade do Santíssimo Sacramento, e no ano seguinte o espaço foi reabilitado para o culto.

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A Capela de Santo Amaro encontra-se atualmente aberta ao culto no primeiro domingo de cada mês, às 10 horas, para a celebração da Eucaristia dominical.

Situada ao cimo da calçada de Santo Amaro, trata-se de um templo de estilo Renascentista, de planta centralizada em redor de um átrio semicircular, construído segundo o projeto de Diogo de Torralva, considerado um dos melhores arquitetos do século XVI. O edifício encontra-se desde 16 de julho de 1910 classificado como Monumento Nacional.

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São notáveis os painéis de azulejos polícromos tardo-maneiristas alusivos a Santo Amaro que revestem as paredes do átrio, as pinturas a óleo que revestem o teto da sacristia, os três magníficos portões de ferro forjado do século XVII e o conjunto formado pelo adro e o escadório que, na parte superior, sugere a proa de um barco virado ao Tejo.

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Em meados do século passado, os galegos passaram a realizar conjuntamente com os minhotos uma pequena festa em honra de São Tiago, em torno de uma pequena capelinha situada no Alto da Boa Viagem, junto ao farol do Esteiro, na localidade de Caxias. Mas, lamentavelmente, essa fraternidade foi sol de pouca dura. E também Santo Amaro deixou de reunir junto á sua ermida os seus devotos galegos!

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publicado por Carlos Gomes às 16:22
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Sábado, 12 de Dezembro de 2015
QUAL É O TERRITÓRIO DE PORTUGAL NO CONTINENTE EUROPEU?
  1. Portugal abrange o território historicamente definido no continente europeu e os arquipélagos dos Açores e da Madeira.
  2. (…)
  3. O Estado não aliena qualquer parte do território português ou dos direitos de soberania que sobre ele exerce, sem prejuízo da rectificação de fronteiras.

- artigo 5.º da Constituição da República Portuguesa

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Foto: http://pt.wikiloc.com/wikiloc/home.do

Traité de délimitation de la frontière entre l'Espagne et le Portugal à partir de l'embouchure du Minho jusqu'au confluent du rio Caya et du Guadiana. Signé à Lisbonne le 29 septembre 1864

Acte final approuvant les annexes au Traité susmentionné.

Signé à Lisbonne le 4 novembre 1866

Textes authentiques : espagnol et portugais.

Classés et inscrits au répertoire à la demande de l'Espagne le 21 septembre 1982.

TRATADO DE LIMITES DESDE LA DESEMBOCADURA DEL MINO HASTA LA UNION DEL RIO CAYA CON EL GUADIANA ENTRE ESPANA Y PORTUGAL

Sua Magestade A Rainha das Hespanhas e Sua Magestade El Rei de Portugal e dos Algarves, tomando em consideraçâo o estado de desassocego em que se encontram muitos povos situados nos confins de ambos os Reinos por nâo existir uma demarcaçâo bem defïnida do territorio, nem Tratado algum internacional que a désigne; e desejando pôr termo de uma vez para sempre, aos desagradáveis conflictos que por tal motivo se suscitam en varios pontos de raia, estabelecer e consolidar a paz e harmonia entre os povos limitrophes, e finalmente, reconhecendo a necessidade de fazer dessapparecer a situaçâo anomala em que, à sombra de antigas tradiçôes feudaes tem permanecido até hoje alguns povos immédiates à linha divisoria de ambos os Estados com reconhecido e commun prejuizo destes, convieram en celebrar um Tratado especial que détermine clara e positivamente, tanto os direitos respectives dos povos confinantes, como os limites territoriaes de ambas as Soberanias na linha de fronteira que se estende desde a foz do rio Minho até à confluencia do Caya com o Guadiana.

Para este effeito nomearam seus Plenipotenciarios a saber:

Sua Magestade A Rainha das Hespanhas ao Senhor Dom Joào Jimenez de Sandoval, Marquez de la Rivera, Commendador de numéro da Real e distincta ordem de Carlos III, Commendador da de Izavel a Catholica, Caballeiro da de Sâo Joào de Jérusalem, Commendador da do Leâo Neerlandez, Officiai da Legiào d'Honra de França, Caballeiro de primeira classe da Aguila Vermelha da Prussia, Secretario com exercicio de Décrètes, Seu Enviado Extraordinario e Ministre Plenipotenciario na Côrte de Sua Magestade Fidelissima, etcetera, etc.; e ao Senhor Dom Facundo Goni, seu Ministre Résidente, Deputado que foi as Certes, etc., etc.

E Sua Magestade El Rei de Portugal e dos Algarves ao Senhor Nuno José Severo de Mendoça Rolim de Moura Barretto, Duque e Marquez de Loulé, Conde de Valle de Reis, Estribeiro Môr, Par do Reino, Conselheiro d'Estado, Grào Cruz da antiga e muito nobre ordem da Torre e Espada do Valor, Lealdade e Merito, Commendador da Ordem de Christo, condecorado com a Medalha numéro nove de Dom Pedro e Dona Maria, Caballeiro da Ordem Suprema da Santissima Annunciada e Grâo Cruz da Ordem de Sâo Mauricio e Sâo Lazaro de Italia, de Carlos III de Hespanha, da Coroa Verde e de Ernesto o Pio de Saxonia, de Leopoldo da Belgica, do Leâo Neerlandez, da Aguila Vermelha e da Aguila Negra da Prussia, do Danebrog de Dinamarca, de Pio IX, da Legiào d'Honra da França e de Santo Olavo de Suecia, Présidente do Conselho de Ministres, Ministre e Secretario de Estado dos Négocies Estrangeiros e interinamente dos do Reine, etc., etcetera, e o Senhor Jacinto da Selva Mengo, do seu Conselho, Caballeiro das Ordems de Christo, de Nossa Senhora de Conceiçâo de Villa Viçosa e da antiga e muito nobre Ordem da Torre e espada de Valor, Lealdade e Merito, condecorado com a medalha numéro nove de Don Pedro e Dona Maria, Commendador de numéro extraordinario da Real e distincta Ordem de Carlos III, e da de Izavel a Catholica de Espanha, das de Sâo Mauricio e Sâo Lazaro de Italia, de Leopoldo da Belgica, do Danebrog de Dinamarca e da Coroa de Carbalho dos Paises Baixos, Cavalleiro de segona classe da Ordem Impérial de Santa Anna de Russia, condecorado com o Nichani Iftijar em brilhantes de Turquïa, Officiai e Chefe da primeira repartiçâo da Secretaria d'Estade des Négocies Estrangeiros; os quaes, depois de haberem communicado os seus plenos poderes achados em boa e debida forma, tendo examinado minuciosa e detidamente varios e numerosos documentos, assim antigos como modernes, adducidos por ambas as partes em apoio de seus direitos e pretençôes, e tendo alem disto présentes os estudos e trabalhos da Comissào mista de limites que nos ultimos annos percorrera a linha de fronteira convieram nos artigos seguintes:

Artigo I. A linha de separaçào entre a Soberania do Reino de Hespanha e a de Portugal começarâ na foz do rio Minho entre a provincia hespanhola de Pontevedra e o distrito portugez de Vianna do Castello e se diiïgirâ pela principal veia fluida do dito rio até à confluencia de rio Barjas ou Troncoso.

A ilha Canosa situada perto da foz do Minho, a denominada Cancella, a Insua Grande que se encontra no grupo das ilhas de Verdoejo entre o povo hespanhol Caldelas e o portuguez Verdoejo, e o ilhote Filha Boa, situado perto da Salvatierra, pertençerâo a Hespanha.

As ilhas chamadas Canguedo e Ranha Gallega que forman parte do mesmo grupo de Verdoejo, pertençerâo a Portugal.

Artigo IL Desde a confluencia do rio Minho com o Troncoso a linha internacional subira pelo curso deste ultimo rio até ao Porto dos Caballeiros e d'aqui continuarâ pela serra do Lavoreiro, passando successivamente pelos altos Guntin e de Lavoreirâo; pelo marco das Rossadas e pela Portella do Pao.

O terreno comprehendido entre huma linha recta desde o marco das Rossadas à Portella de Pao e outra linha que passe pelo Châo das Passaras e alto da Basteira questionado por Gorgoa e Adufeira, sera dividido en duas partes eguaes.

Artigo III. Desde a Portella de Pao seguirâ a raia pela serra de Laboreiro, tocando no cerro chamado Outeiro de Ferro e Cabeço da Meda, e pasando em seguida pelo marco d'Antella, alto denominado Coto dos Cravos, Penedo de Homem e Penedo Redondo, descerâ a tomar o curso das aguas do rio de Castro, tresentos métros mais abaixo do ponto que no dito rio se conhece pelo nome de Porto de Pontes.

0 terreno questionado por Pereira e Meijoeiia, situado entre o Penedo Redondo e o rio de Castro, pertencerâ a Portugal.

Artigo IV. A linha divisoria partindo do ponto designado no rio de Castro continuarâ pela veia fluida deste rio e depois pela do Barcias ou Tibô até à sua junçào com o Lima, pela corrente do cual subira até à un ponto equidistante entre a confluencia do rio Cabril e a Pedra de Bousellos. Do referido ponto subira ao elevado rochedo da Serra de Gérez, chamado Cruz dos Touros.

O terreno questionado entre os (povos) hespanhoes da freguezia de Manin e os portuguezes de Lindoso sera dividido pela linha de fronteira em duas partes eguaes.

Artigo V. Da Cruz dos Touros o limite internacional, voltando a sua

direcçâo gérai para Nordeste, correrâ pelos eûmes das serras do Gérez e do Pisco, passando succesivamente pela Portella do Hommen, alto da Amoreira, Pico de, Nevosa, Portella da Cerdeirinha, Alto da Ourella do Cabalhinho, Coto de Fonte Pria, Pedra do Pisco na Portella de Pitoens, e marco do Pisco.

O terreno situado entre os dous ultimos pontos pretendido por Guntemil e Pitoens, sera dividido pela raia em duas partes eguaes.

Artigo VI. A partir do marco do Pisco seguirâ a linha de fronteira pela demarcaçâo actual, tocando na Buraca do Foxo; e atravesando o rio Sallas continuarâ pelo marco da Fonte-Fria até ao marco chamado Lage da Ovelha. Daqui ira pelo marco da Calveira até a capella portugueza de Sâo Lourenzo; e cortande segunda vez o rio Sallas, no sitio chamado a Fraga, seguirâ pelas penhas da Raposeira e Fonte da Devesa, e depois pelo ribeiro de Barjas que corre proximo a dita fonte até ao marco do Sapateiro na cumeada da serra do Pisco. Daqui se encaminharâ em direcçào Este e por aguas vertentes da serra da Penha até as pedras de Malrandin, passando pelo Cabeço do Româo, Outeiro do Borracho, Cabeço do Sabugueiro e Portella do Grito.

O terreno situado à direita do ribeiro de Barjas ja mencionado, e que pretendem Vilarinho e Tourem, pertencerâ a Hespahha. O terreno de dominio duvidoso entre Vilar e Sabuzedo ficarâ demarcado por aguas vertentes.

Artigo VU. Desde as pedras de Malrandin se dirigirâ a raia em direcçào Norte pela actual linha de separaçào entre o Couto misto e o termo de Vilar até ao ponto em que a corte un alinhamento recto tirado do Castello da Piconha ao Pico de Monte Agudo e deste ponto de encontre, voltando em direcçào Este continuarâ por outro alinhamento recto até ao Porto de Bancellos.

Portugal renuncia a favor de Hespanha todos os direitos que possa ter sobre o terreno do Couto misto e sobre os povos nelle situados, os quaes em virtude da direcçào determinada pela linha acima descripta ficam em territorio hespanhol.

Artigo VIII. Desde o Porto de Bancellos a linha de fronteira entre ambas as Naçôes dirigirse-ha pelo Penedo das Cruzes, Cabeço da Escusa, sitio denominado Capella de Sâo Fitorio, Penedo dos Bastos, ruinas do Castello portuguez de Portello ou de Sendim, Pedra Laça e marco da Roussiâ; depois subira a Serra do Larouco que atravessarâ pelas penhas da Cascalheira, Penedo Airoso ou Fraga da Eiroca, Vidoeiro do Extremo e continuarâ a meia distancia entre os ribeiros do Inferno e Cabana até a Cruz do Grou. Daqui seguirâ pelo Regueiro da Rega até à um ponto conveniente que deve fixar-se, e deste continuarâ em linha recta até ao Outeiro de Maria Sacra.

Os terrenos existentes entre Vidoeiro do Extremo e a Cruz de Grou e entre a Cruz de Grou e o Outeiro de Maria Sacra disputadas pelos povos da Gironda e de Santo André serâo divididos em partes eguaes.

Artigo IX. Do Outeiro de Maria Sacra ira a raia pelo Madorno das Terras até à Adega dos Palomares, e daqui em linha recta ao Penedo Grande de Modorno.

Depois continuarâ pela fonte de Codeceira, Pedras da Estiveira, Porto Cobil ou das Bestas, e entrando no rio Porto de Rei descerâ por este até um ponto que se ache proximamente a 150 métros do Pontào de Porto de Rei. Do dito ponto ira em linha recta as Cruzes do Marco de Porto de Rei, entrando no rio Assureira e subindo por elle até à ponte de Assureira.

En consequencia da demarcaçâo consignada neste artigo, a estrada directa de Sâo Milâo a Videfferre ficarâ toda em territorio hespanhol.

Artigo X. Da ponte d'Assureira a linha de separaçào entre as duas Monarchias se encaminharâ pelos marcos ora existentes até as inmediaçôes do povo promiscuo de Soutelinho, e passando pelos pontos que se demarcarâo perto do dito povo, que ficarâ em territorio portuguez, tornarâ a encontrar o limite actual da fronteira e continuarâ por elle, tocando na Cruz da Fonte do Asno, Porto-Caballo de Cima e de Baixo, Penedo dos Machados e marco da Fecha, seguindo pelo ribeiro de Cambedo até à sua confluencia com o de Valle de Ladera, O povo promiscuo de Soutelinho pertenecerâ a Portugal, demarcandose-lhe em territorio de Hespanha uma zona de 90 a 100 métros de largo, contigua à povoaçào.

Artigo XL A raia partindo do ribeiro de Valle de Ladera seguirâ o leito deste e continuarâ pelo limite do terme municipal hespanhol de Cambedo até Portella de Vamba para dirigirse à Penha ou Fraga da Raia. Deste ponto ira atravessando o valle do rio Tamega pelos marcos que hoje determinan a fronteira, tocarâ no Pontâo de Lama, e logo passando proxima dos povos portuguezes de Villarelho e Villarinho, entrarâ no rio Tamega pela Fraga de Bigode ou Porto de Villarinho. Daqui seguirâ pela veia principal do Tamega até à confluência do rio Pequenho ou de Fezes, por onde subira até à Fraga de Maria Aloes, prosseguindo depois pelo limite do termo municipal hespanhol de Lama d'Arcos até ao Outeiro de Castello Ancho.

Os dous povos promiscuos Cambedo e Lama d'Arcos com sens actuâes termes municipaes ficam pertendo a Portugal.

Artigo XII. Desde o Outeiro de Castello Ancho ira a raia atravessando a serra de Mairos ou Penhas livres pelo Outeiro da Teixogueira; Pedra Lastra e Fonte Pria, e descerâ pelo ribeiro de Palheiros até à Fraga da Maceira e Laga do Frade. Continuarâ depois pela demarcaçào practicada en 1857 até à Fonte de Gamoal ou de Talhavalles, da quai ira ao marco de Valle de Gargalo, e dirigiendose por um ribeiro que tem sua origen perto do dito marco até à sua uniào com o rio Valle de Madeiros, descerâ por este até um ponto proximo do primeiro regato que se Ihe junta pela esquerda e continuarâ daqui en linhas rectas inmediatas ao caminho de Sào Vicente a Sigirey, o quai deverâ ficar todo em território portuguez, até ao marco do caminho de Soutechao.

Desde este marco seguirâ a raia invariavelmente a demarcaçào feita en 1857 até à Pedra Negra, d'onde se encaminharâ a um ponto equidistante entre o marco de Cabeça de Peixe e o sitio designado pelos portuguezes com egual nome.

Artigo Xlll. Desde o ponto de Cabeça do Peixe a linha divisoria ira pela demarcaçào existente, passando pela Igrejinha de Mosteirô à confluencia dos rios Arçoâ e Mente, e subindo pelo curso deste até ao ribeiro dos Cabrées, seguirâ pelo dito ribeiro até perto de sua origem, dexando-o para ir passar entre os dous sitios que os hespanhoes e os portuguezes chaman Cruz de Carapainho e chegar à confluencia do ribeiro Valle de Souto com o rio Diabredo ou Moâs. Daqui seguirâ pelo dito rio um curto espace, subindo logo pelo Covanco do Diabredo: depois dirigirse-ha ao Penedo de Pé de Meda, e, atravessando as Antas de Pinheiro, correrâ por aguas vertentes até ao Portello do Cerro de Esqulqueira.

Os terrenos de dominio duvidoso entre Barja é Cisterna a entre Esqulqueira e Pinheiro Novo e Pinheiro Velho serâo divididos segundo o determinha a linha de fronteira descripta no présente artigo.

Artigo XIV. Do Portello do Cerro da Esqulqueira ira a raia pela cumeada deste até ao penedo mais elevado dos do dito cerro, situado quasi a meia distancia da descida domesmo, de fronte do Monte do Castro, d'onde se dirigirâ, seguindo un alinhamento recto, a tocar no primeiro ribeiro que conflue com o rio Assureira, mais abaixo do Porto do Vinho, e em um ponto distante 450 métros do dito rio. D'aqui ira a raia seguindo em linha recta até terminar no ponto em que o rio Assureira muda de direcçào de Sul para Oeste, pouco mais acima do Pontào de Cerdedo. Desde o dito ponto, ou antes, desde a volta do Assureira, subira a raia por este rio até à um ponto equidistante entra a uniâo do ribeiro das Carvalhas e o sitio chamado Cova d'Assureira, indo d'aqui em linha recta a terminar na Cavanca dos Ferreiros junto do caminho de Manzalvos a Tioselo. Continuar pelo marco das Carvalhas ou Pedra da Vista e pela vereda chamada Verea Velha até ao Penedo dos très Reinos, donde termina a provincia de Orense.

Os terrenos questionados respectivamente entre Chaguazoso e Pinheiro Velho, Villarinho das Touças e Cerdedo e entre Manzalvos e Casares e Carvalhas ficarâo divididos segundo détermina a linha de fronteira descripta no presente artigo.

Artigo XV. Desde o Penedo dos très Reinos ira a raia a Pedra Carbalhosa, atravessarâ depois o rio Tuella no porto da Barreira, e subindo até proximo ao Forno de Cal, voltarâ em direcçào Este, passando pelos sitios chamados. Escusenha, Valle de Carvalhas, marco de Roi e Pedra Estante ou Pedra dos Très Rispos na serra de Gamoneda e continuarâ pela Fonte Grande, Pedra Negra e Penha da Formiga.

O terreno questionado por Castromil e Moimenta situado entre o Penedo dos très Reinos, Penedo do Moço e Fraga ou Pedra Carvalhosa sera dividido en duas partes eguaes.

Artigo XVI. Da Penha da Formiga continuarâ a linha internacional pelo Valle das Porfias até atravessar o rio de Calabor. D'aqui seguirâ pelo marco da Campiça e em alinhamentos rectos pelo Cabeço ou Cerro da Pedra Pousadeira, marco da Trapilha ou de Ervancede e marco de Rio d'Honor, subindo pelo ribeiro que corre entre Rio d'Honor de Cima e Rio d'Honor de Baixo. Passarâ depois pelos marcos de Leixo e de Ripas na serra de Barreiras Brancas, e ira encontrar proximo do povo hespanhol de Santa Cruz o rio Maçans, cujo curso seguirâ até ao marco situado mais abaixo do moinho da Ribeira grande. D'aqui se encaminharâ ao marco de Candena ou de Picào, e voltando para Este ira encontrar outra vez o rio Maçans na Penha Furada, a corrente do quai marcarâ a fronteira até à Pedra ou Poço da Olha.

Artigo XVII. Desde o Poço da Olha subira a linha de fronteira para o Castello do Mao-Visinho, e correndo pelo cume da serra de Rompe Barcas seguirâ tocando successivamente no alto da Manchona, Alto da Urrieta del Cerro ou da Lameira, marco de Valle de Frades, marco de Valle de Madeiros e marco da Cazica na serra desde nome, e moinho da Raya no ribeiro d'Avelanoso, serra de Cerdeira até ao sitio das Très Marras.

Artigo XVIII. Do sitio das Très Marras ira a raia por aguas vertentes da serra de Bouzas ao moinho da raia no rio d'Alcanhiças subira d'aqui ao alto do Canhiço na serra de Sâo Adriào; e passando depois pela pyramide geodesica, marcos de Nossa Senhora da Luz, da Appariçao, de Prado Pegado ou da ponte de Pâo, da Prateira e da Nogueira, entrarâ no rio Douro proximo da confluência do ribeiro do Castro. Deste ponto a linha internacional ira pelo centro da corrente principal do Douro até à sua confluencia com o Agueda, subindo por este até à sua juncçào com o Ribeiro dos Toirôes, que a seu turno demarcarâ a fronteira até um ponto proximo do moinho de Nave Cerdeira.

Artigo XIX. Do ponto indicado perto do moinho de Nave Cerdeira continuarâ a raia pelo valle das Meias para subir ao Alto das Vinhas da Alameda, d'onde se dirigirâ pela direita do caminho hespanhol que da Aldea do Bispo conduz a Fuentes d'Onor, a encontrar o Valle de Golpina ou de Provejo passando depois perto da Cruz da Raia, e mais adiante pela parede da Tapada de la Huerta de la Calzada. ira pela Hermida do Espiritu Santo ao Alto ou Teso da Polida, atravessarâ o ribeiro del Campo, e voltando ao Sul se encaminharâ pelo monte de Cabeça de Caballo ao Alto dos Campanarios. Daqui ira entrar no caminho que conduz de Nave de Aver a Alamedilla, pelo quai continuarâ até Alto Redondo, seguindo depois pelo Cabeço da Atalaia, Cruz da Raia, Monte Guardado e Barrocal das Andorinhas.

O terreno de dominio duvidoso situado entre o Monte Guardado e o Barrocal das Andorinhas sera dividido em duas partes eguaes entre ambas as Naçôes.

Artigo XX. Do Barrocal das Andorinhas a linha divisoria, passando pela parede Este da Tapada do Manso, e voltando pela do Sul seguirâ pelos penedos marcados com cruzes antigas até ao ponto chamado pelos portuguezes Canchal da Raia. Daqui pasarâ junto da Tapada do Piâo d'Ouro, e atravessando o Ribeiro da Lagiosa e Canchal do Freixo seguirâ pelo ribeiro de Codeçal, tocando no Cabeço das Barreras ou Vermelho, d'onde se encaminharâ a Penha de Navas Molhadas, situada na serra das Mesas. Continuarâ pelo cume desta serra, que aqui sépara as aguas dos rios Douro e Tejo, e passando pelo Cabeço de Clerigo, correrâ tambien por aguas vertentes da serra da Marvana, e descerâ a encontrar o rio Torto ou Ribeira Grande no sitio da Ginjeira ou Curral das Colmeas.

Artigo XXI. Desde o sitio da Ginjeira a linha internacional seguirâ pelo riu Torto até à sua juncçâo com o Basabiga, o quai formarâ a fronteira até à sua confluencia com o Erjas, que a seo turno a demarcarâ até desembocar no Tejo.

Depois seguirâ a raia principal veia fluida do Tejo abandonando-lo no ponto em que recebe as aguas do Sever, pelo quai subira até à presa do moinho da Negra, no sitio chamado Pego da Negra.

Artigo XXII. Desde o Pego da Negra ira à raia ao Canchal de Crença e por aguas vertentes ao da Cova do Ouro, encaminhandose pelas Penhas da Limpa e recorrendo a cumeada da Serra Pria, seguirâ logo pela Serra da Palha, passando pelo Cerro Mallon e Portello da Xola, descendu depois a cortar o rio Xebora no Pego da Raia, continuando pelo Cabeço de Valdemouros e o dos Très Termos até entrar no ribeiro Abrilongo. Depois de seguir certo espaço o leito do dito ribeiro, abandona-lo-ha para atravesar a Referta de Arronches, cuyo terreno dividirâ, deixando a terça parte deste em Portugal, e continuarâ pelo limite que separa de Hespanha a primeira Referta de Onguella, até ao moinho de Rozinha sobre o rio Xebora. D'aqui seguirâ pelo alto da Dessezinha e pelos marcos existentes até ao da Garrota, e passando logo pelo limite que sépara de Portugal a segunda Referta de Onguella ou de Baixo, ira tocar no primeiro rrtarco de terme de

Badajoz.

O terreno que comprehendem as Refertas, e que disfructam em comum o povo hespanhol de Alburquerque e os portuguezes de Arronches e Onguella sera dividido em partes eguaes entre ambos os Estados do seguinte modo: a segunda Referta de Onguella ou de Baixo pertenecerâ integralmente à Hespanha; a primera Referta de Onguella ou de Cima pertenecerâ integralmente a Portugal; a Referta de Arronches sera dividida ficando para Portugal a terça parte do terreno contiguo à primeira Referta de Onguella e para Hespanha as duas terças partes restantes.

Artigo XXIII. Desde o primeiro marco de Badajoz seguirâ a raia a demarcação existente, cortando o _Xebora e proseguindo ira entrar no rio Caia, pela corrente do quai continuarâ até à sua juncçào com o Guadiana, entre a provincia hespanhola de Badajoz e o distrito portuguez de Portalegre. Na confluencia do Caia com o Guadiana termina a fronteira internacional, cuya demarcaçâo tem sido objecte do présente Tratado.

Artigo XXIV. Para fixar com exactidào e de modo que nào dé logar a duvidas a linha divisoria internacional cujos pontos principaes ficam mencionados nos artigos précédentes, convieram as duas Partes contractantes em que se pro céda com a brevidade possivel à collocaçâo dos marcos necessaries e a sua descripçào geometrica; para levar a efeito estas operaçôes, os dous Gobernos nomerâo os Commissaries compétentes.

A collocaçâo dos marcos assistirào delegados das respectivas Municipalidades hespanholas e portuguezas interessadas em cada porçâo de fronteira. A fim de que a mesma collocaçâo nos pontos da referida linha divisoria, nâo ïndicados neste Tratado, se faça justa e dividamente, serào consultadas em casos de divergencia as actas da Comissào mixta de limites. A acta da collocaçâo dos marcos e a sua descripçào geometrica. feita em duplicado e devidamente legalizada se juntarâ ao présente Tratado e as suas disposiçôes terào a mesma força e vigor como se n'elle se houvessem literalmente inserido.

Artigo XXV. A fim de assegurar a permanencia dos marcos que designam a linha internacional conveio-se-em que as Municipalidades limitrophes dos dous Reinos empreguem na parte que Ihes respeite, e de accorde com as Autoridades compétentes as providencias que julguem necessarias para a conservaçào dos marcos collocados, reposiçào dos destruidos e castigo dos delinquentes. Para este effeito no mez de agosto de cada anno se farâ un reconhecimiento da raia por delegados das Municipalidades confinantes com assistencia dos Alcaides hespanhoes e dos Administradores dos concelhos portuguezes. Desse reconhecimento se lavrarâ auto, do quai se remetterâ uma copia as Autoridades superiores administrativas para que estas possam conhecer o estado da demarcaçâo da fronteira, e procéder segundo exigam as circumstancias.

Artigo XXVI. Os povos de ambos os Paizes que desde muito tempo gozam o direito de colher en commun as herbagens na ilha Canosa, situada no rio Minho, continuarâo como até agora e em conformidade dos seus regulamentos municipaes no gozo commun d'aquelle aproveitamento.

Considerando os perjuicios que soffren varies povos situados nas margens de alguns rios limitrophes e designadamente nos do Minho, assim como os embaraços para a navegaçâo, em consecuencia de construcçôes nas margens dos ditos rios e d'alteraçâo résultante no curso de suas aguas, e desejando obstar aos abuses e regular o exercicio dos legitimos dereitos, convem ambas as Partes contractantes em que depois de feitos os estudos previos se forme um regulamento especial, que tendo em dévida conta os damnos produzidos anteriormente estabeleça e fixe para o future as regras convenientes con respeito à construcçào d'obras de cualquier classe nas margens dos rios confinantes e particularmente nas do Minho e suas ilhas.

Artigo XXVII. Havendo passade integralmente ao dominio e soberania de Portugal em virtude dos artigos decimo e undecimo os très povos promíscuos denominados Soutelinho, Cambedo e Lamadarcos, e ficando egualmente sob o dominio e soberania de Hespanha en virtude do artigo septimo, os très povos do Couto misto chamados Santa Maria de Rubiâs, San Thiago e Meaus, convem ambas as Partes contractantes em que tanto os habitantes dos povos promíscuos que sejam realmente subditos hespanhoes, como os habitantes do Couto misto que sejan realmente subditos portuguezes, possam, si assim Ihes convier, conservar a sua respect!va nacionalidade. Para este fin tanto ums como outros declararão a sua decisào ante as Autoridades locaes no termo de un anno, contado desde o dia en que se ponha em execuçào o présente Tratado.

Artigo XXVIII. Attendendo a que a linha internacional segue em varias partes cursos d'agua, a direçâo dos caminhos e toca em algumas fontes, conveiose-em que caminhos, cursos d'agua e fontes que se achen no caso indicado sejam de uso commum para os povos d'ambos os Reines.

As pontes construidas sobre os rios que limitam a fronteira pertençerâo por metade aos duos Estados, salva a justa indemnizaçâo entre os duos Governos, proveniente das despesas feitas na construcçào das mesmas pontes.

Artigo XXIX. A fim de evitar, quanto possivel, os damnos que possam provir aos povos arraianos por causa de apprehensôes de gados e para manter a melhor harmonia entre aquelles conveio-se:

1.° Que pelo facto de emtrarem gados a pastar indevidamente no territorio de outra Naçâo, se imponham tào sômente penas pecuniarias.

Que para responder pelas penas e gastos occasionados com as ditas apre hensôes nào possa reter-se mais do que uma rez de cada dez das apprehendidas.

3.° Que se se considerem legaes as apprehensôes verificadas pelos guardas dos povos ou pela força pûblica, devendo-se entregar os gados apprehendidos à Autoridade no termo jurisdiccional da quai se tenham encontrado. Para por em practica as bases que ficam establecidas adoptarâo de com mum accorde ambos os Governos as disposiçôes que julguem necessarias.

Artigo XXX. Todos os contractes, sentenças arbitraes e quaesquer outros accordes que existam relatives à demarcaçâo da fronteira desde a desembocadura do Minho no mar até à do Caia no Guadiana se declaram nulos de facto e de direito em quanto se opponham ao que se estipula nos artigos do presente Tratado desde o dia em que se achem em execuçào.

Artigo XXXI. O présente Tratado sera ratificado o mais brève possivel por Sua Magestade A Rainha das Hespanhas e por Sua Magestade El Rey de Portugal, e as ratificaçôes serâo trocadas en Lisboa um mez depois.

EN FE DE LO CUAL los infrascrïtos Plenipotenciarios respectives han firmado el présente Tratado por duplicado, y lo han sellado con el sello de sus armas en Lisboa a veinte y nueve de setiembre de mil ochocientos sessenta y cuatro.

El Marqués DE LA RIBERA

FACUNDO GONI

EM FE DO QUE os abaixo assignados Plenipotenciarios respectives assignaram o présente Tratado em duplicado e o sellaram com o sello de suas armas em Lisboa aos vinte e nove dias do mez de setembro de mil oitocentos sessenta e cuatro.

Duque DE LOULÉ

JACINTO DA SILVA MENGO



publicado por Carlos Gomes às 11:26
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Terça-feira, 3 de Novembro de 2015
RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA DE PORTUGAL FOI HÁ 375 ANOS!

Portugal e a Catalunha estão nações unidas por laços históricos!

Passam 375 anos desde a data histórica da Restauração da Independência de Portugal em relação ao domínio dos reis de Espanha. Um punhado de portugueses tomou de assalto o Paço da Ribeira, aprisionaram a Duquesa de Mântua e defenestraram o traidor Miguel de Vasconcelos. Estava proclamada a restauração da independência.

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Seguiu-se a aclamação de D. João IV, Duque de Bragança, como rei de Portugal e dava-se início a uma sucessão de batalhas militares que duraram 28 anos, com vista a consolidar a independência, as quais culminaram com a assinatura do Tratado de Lisboa de 1668. Este tratado, celebrado entre Afonso VI, de Portugal e Carlos II, de Espanha, pôs fim à Guerra da Restauração, dando lugar nomeadamente à devolução de Olivença que esteve durante 11 anos sob ocupação espanhola. Apenas a praça de Ceuta ficou na posse de Espanha.

Para o sucesso do golpe palaciano contribuíram diversos fatores internos como o descontentamento dos nobres que haviam perdido os seus privilégios e eram preteridos relativamente à nobreza castelhana; a burguesia que via o seu negócio prejudicado pela concorrência dos comerciantes ingleses, holandeses e franceses e também os constantes ataques aos navios que transportavam os seus produtos e, finalmente, o povo sobre quem recaíam cada vez mais pesados impostos.

Mas, puderam os conjurados de 1640 também contar com diversos fatores externos que se revelaram favoráveis, de entre os quais se salienta a revolta que eclodira na Catalunha em 7 de junho daquele ano, contra o centralismo imposto pelo Conde-Duque de Olivares e a presença de tropas castelhanas em território catalão. Tratou-se da “Guerra dos Segadores”, assim denominada por ter tido origem imediata na morte de um ceifeiro, a qual teve lugar entre 1640 e 1652.

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Os catalães proclamam a República Catalã em 26 de janeiro de 1641. Porém, o falecimento do seu principal chefe Pau Claris, leva a um desenvolvimento do conflito do qual resulta na incorporação de parte da Catalunha no território da França.

Tanto a revolta da Catalunha como a Restauração da Independência de Portugal contaram com o apoio do Cardeal Richelieu, o que aliás explica a defenestração – termo originado de fenêtre – de Miguel de Vasconcelos, prática muito em voga à época em todas as revoltas que ocorreram noutros países europeus. Deste modo, conseguia a França alargar as suas fronteiras políticas, fazendo-as coincidir com acidentes naturais como os Pirinéus a ocidente, o rio Reno e os Alpes a oriente, de maneira a melhor defender-se do poderio da Casa de Áustria de onde descendiam os reis de Espanha cujos domínios, no continente europeu, incluía Portugal, Nápoles, Sicília, Milão, Sardenha, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Ilhas Canárias, Maiorca, Rossilhão, Franco-Condado, para além dos reinos de Castela, Leão, Valência, Aragão e a Catalunha propriamente dita.

Com o casamento em 1469, do rei Fernando II de Aragão com Isabel I de Castela, a Catalunha vinha perdendo as suas liberdades enquanto nação soberana e jogava agora a sua oportunidade de recuperar a independência política.

Dando prioridade ao esmagamento da revolta catalã, o rei Filipe IV, de Espanha, ordena ao Duque de Bragança e a muitos nobres portugueses que o acompanhem na repressão à Catalunha, tendo-se a maior parte deles recusado a obedecer.

Enquanto a Catalunha sucumbiu perante o poderio castelhano, Portugal conseguiu sair vitorioso da guerra travada contra a Espanha que durou 28 anos e veio a confirmar a nossa independência como nação soberana, em grande medida graças à revolta catalã. Por conseguinte, possuem os portugueses uma dívida histórica aos catalães na medida em que a sua sublevação foi bem-sucedida em grande medida devido à revolta dos segadores da Catalunha.

É a privação da liberdade nacional que nos leva a atribuir-lhe maior valor, parecendo por vezes que a desprezamos sempre que a damos como garantida!

Decorridos que são 375 anos sobre tais acontecimentos históricos, eis que a Catalunha volta a aspirar à sua própria independência política. Em coerência, não podemos nós, portugueses, deixarmos de reconhecer à Catalunha e ao povo catalão o direito à liberdade que em 1 de dezembro de 1640 lográmos alcançar. Portugal e a Catalunha estão unidas por laços históricos!

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publicado por Carlos Gomes às 13:49
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Sábado, 31 de Outubro de 2015
GALIZA E PORTUGAL: UM SÓ POVO E UMA SÓ NAÇÃO!

Por um compreensível desconhecimento, grande parte dos folcloristas portugueses possui um entendimento errado em relação ao folclore das gentes galegas, classificando-o de "espanhol" e confundindo-o com os usos e costumes dos demais povos peninsulares. Aliás, tal como sucede em relação à língua portuguesa que é o idioma da Galiza e que também é erradamente confundida com o castelhano que é a língua oficial de Espanha, também ela impropriamente por vezes designada por "espanhol".

Guimarães (24)

Na realidade e para além dos portugueses, a Península Ibérica é habitada por gentes de culturas e idiomas tão distintos como os vascos, os catalães, os asturianos e finalmente, os galegos e portugueses que possuem uma língua e uma identidade cultural comum, apenas separados em consequência das vicissitudes da História. A Espanha, afinal de contas, não representa mais do que uma realidade supranacional, cada vez mais ameaçada pelas aspirações independentistas dos povos que a integram.

Com as suas quatro províncias - Corunha, Lugo, Ourense e Pontevedra - e ainda alguns concelhos integrados na vizinha Astúrias, a Galiza constitui com Portugal a mesma unidade geográfica, cultural e linguística, o que as tornam numa única nação, embora ainda por concretizar a sua unidade política. Entre ambas existe uma homogeneidade que vai desde a cultura megalítica e da tradição céltica à vetusta Gallaécia e ao conventus bracarensis, passando pelo reino suevo, a lírica galaico-portuguesa, o condado portucalense e as sucessivas alianças com os reis portugueses, as raízes étnicas e, sobretudo, o idioma que nos é comum - a língua portuguesa. Ramon Otero Pedrayo, considerado um dos maiores escritores do reintegracionismo galego, afirmou um dia na sua qualidade de deputado do parlamento espanhol que "a Galiza, tanto etnográfica como geograficamente e desde o aspeto linguístico, é um prolongamento de Portugal; ou Portugal um prolongamento da Galiza, tanto faz". Teixeira de Pascoaes foi ainda mais longe quando disse que "...a Galiza é um bocado de Portugal sob as patas do leão de Castela". Não nos esqueçamos que foi precisamente na altura em que as naus portuguesas partiam à descoberta do mundo que a Galiza viveu a sua maior repressão, tendo-lhe inclusivamente sido negada o uso da língua galaico-portuguesa em toda a sua vida social, incluindo na liturgia, naturalmente pelo receio de Castela em perder o seu domínio e poder assistir à sua aproximação a Portugal.

No que respeita à sua caracterização geográfica e parafraseando o historiador Oliveira Martins, "A Galiza d'Aquém e d'além Minho" possui a mesma morfologia, o que naturalmente determinou uma espiritualidade e modos de vida social diferenciados em relação ao resto da Península, bem assim como uma diferenciação linguística evidente. Desse modo, a faixa atlântica e a meseta ibérica deram lugar a duas civilizações diferentes, dando a primeira origem ao galaico-português de onde derivou o português moderno e a segunda ao leonês de onde proveio o castelhano, atualmente designado por "espanhol" por ter sido imposta como língua oficial de Espanha, mas consignado na constituição espanhola como "castelhano". Não foi naturalmente por acaso que Luís Vaz de Camões, justamente considerado o nosso maior poeta possuía as suas raízes na Galiza. Também não é sem sentido que também o poeta Fernando Pessoa que defendeu abertamente a "anexação da Galiza", afirmou que "A minha Pátria é a Língua Portuguesa".

De igual modo, também do ponto de vista étnico as raízes são comuns a todo o território que compreende a Galiza e o nosso país, com as naturais variantes regionais que criam os seus particularismos, obviamente mais próximas do Minho, do Douro Litoral e em parte de Trás-os-Montes do que em relação ao Alentejo e ao Algarve, mas infinitamente mais distanciados relativamente a Castela e outras regiões de Espanha.

No seu livro "A Galiza, o galego e Portugal", Manuel Rodrigues Lapa afirma que "Portugal não pára nas margens do Minho: estende-se naturalmente, nos domínios da língua e da cultura, até às costas do Cantábrico. O mesmo se pode dizer da Galiza: que não acaba no Minho, mas se prolonga, suavemente, até às margens do Mondego". Torna-se, pois, incompreensível que continuemos a tratar o folclore e a etnografia galega como se de "espanhola" se tratasse, conferindo-lhe estatuto de representação estrangeira em festivais de folclore que se pretendem de âmbito internacional, quando na realidade deveria constituir uma participação assídua nos denominados festivais nacionais. Mais ainda, vai sendo tempo das estruturas representativas do folclore português e galego se entenderem, contribuindo para um melhor conhecimento mútuo e uma maior aproximação entre as gentes irmãs da Galiza e de Portugal. O mesmo princípio aliás, deve ser seguido pelos nossos compatriotas radicados no estrangeiro, nomeadamente nos países da América do Sul onde as comunidades portuguesas e galegas possuem uma considerável representatividade numérica. Uma aproximação e um entendimento que passa inclusivamente pelo cyberespaço e para a qual a comunidade folclórica na internet pode e deve prestar um inestimável contributo.

Afirmou o escritor galego Vilar Ponte na revista literária "A Nossa Terra" que "os galegos que não amarem Portugal tão pouco amarão a Galiza". Amemos, pois, também nós, portugueses, como um pedaço do nosso sagrado solo pátrio, essa ridente terra que se exprime na Língua de Camões – a Galiza!

Carlos Gomes / www.folclore-online.com



publicado por Carlos Gomes às 16:55
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Terça-feira, 20 de Outubro de 2015
PORTUGUESES DIVULGAM GASTRONOMIA E TRADIÇÕES EM ANDORRA

Gastronomia e cultura tradicional portuguesas presentes na 37ª Fira de Andorra

Nos próximos dias 23, 24 e 25 de Outubro os elementos do Grupo de Folclore “Casa de Portugal” apresentam um espaço destinado à mostra de artesanato e degustação de petiscos portugueses, destacando os elaborados à base de bacalhau muito apreciados pelos assistentes à mostra.

Edicao Fira 2014

Durante três dias a cultura tradicional e produtos típicos portugueses vão marcar presença na Feira das Associações integrada na 37ª edição da Feira multissectorial de Andorra la Vella, capital do Principado.

No sábado, a partir das 19 horas, os trajes regionais e a música tradicional portuguesa serão apresentadas em palco pelos elementos do Grupo que proporcionarão momentos de folclore minhoto aos assistentes da “Fira” que no ano passado contou com mais de 65.000 visitantes.

Nos 11.000 m2 destinados à mostra, a Feira de Andorra la Vella, situada no Parque Central da capital do Principado, conta com espaços destinados a produtos artesanais, sector turístico, de ócio e empresarial, e a Feira de Associações integrada por 53 coletividades de diferente âmbito na qual o Grupo de Folclore “Casa de Portugal” participa por quinto ano consecutivo aportando a portugalidade ao evento.

EdicaoFira 2014



publicado por Carlos Gomes às 23:06
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Quarta-feira, 10 de Junho de 2015
POETA LUÍS VAZ DE CAMÕES TINHA ORIGENS GALEGAS

Considerado um dos maiores poetas universais e da Língua Portuguesa, Luís Vaz de Camões representa Portugal na sua grandeza e universalidade, tendo a língua como traço de união de todos os povos que a partilham e fazem dela a sua Pátria.

Desde Portugal e a Galiza que foi berço dos seus ancestrais até aos confins da Ásia onde compôs o seu poema épico “Os Lusíadas”, sem esquecer o Brasil e as nações africanas, Timor e a Índia, Indonésia e Malaca, Tailândia e o Sacramento, a nossa Língua constitui uma das marcas mais relevantes da cultura e civilização portuguesas.

A Língua Portuguesa não possui uma data fundacional – ela é o resultado de todo um prolongado processo histórico para o qual concorrem entre outros a presença visigótica e a Reconquista Cristã, as peregrinações a Santiago de Compostela e a influência do cancioneiro provençal no surgimento da tradição galaico-minhota das cantigas de amor, de amigo e de escárnio e maldizer. E, porque ela constitui de igual modo um dos principais elementos identitários que fazem de Portugal e da Galiza uma só nação, separada embora em consequência de vicissitudes históricas, é ocasião para lembrar as origens galegas do poeta cuja data de falecimento foi escolhida para Portugal celebrar o seu dia – Luís Vaz de Camões!

O poeta Luís de Camões descendia por via paterna de Vasco Pires de Camões, fidalgo e trovador galego que em 1370, ao tempo do reinado de D. Fernando, mudou-se para Portugal, tendo aqui recebido numerosas honrarias. A casa ancestral dos Camões situa-se na Galiza, próximo do Cabo Finisterra.

Vasco Pires de Camões teve como filho Antão Vaz de Camões que serviu a Coroa portuguesa no Mar Vermelho, tendo casado com D. Guiomar da Gama, da família de Vasco da Gama, tendo deste casamento nascido Simão Vaz de Camões e Bento Vaz de Camões.

Simão Vaz de Camões que serviu na Marinha Real e fez comércio na Guiné e na Índia, casou com D. Ana de Sá Macedo, proveniente de família fidalga oriunda de Santarém. Deste casamento se originou o nosso maior poeta – Luís Vaz de Camões – que, apesar de vários genealogistas atribuírem Lisboa e o ano de 1524 como o local e data de seu nascimento, estas referências permanecem incertas.

Não obstante, o que permanece inquestionável são as suas origens galegas a comprovar uma vez mais a irmandade que nos une à Galiza e, através da língua que celebramos e a todos os povos do mundo com os quais partilhamos o idioma no qual Luís de Camões escreveu “Os Lusíadas” e, para sempre imortalizou o feito universal dos portugueses!



publicado por Carlos Gomes às 15:20
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Sábado, 2 de Maio de 2015
NACIONALISTAS MARCHAM EM LISBOA NO DIA DE PORTUGAL

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publicado por Carlos Gomes às 18:36
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FESTIVAL APROXIMA GALIZA E PORTUGAL

V Português perto. Aquelas nossas músicas

Organizado pela Vicerreitoria do Campus de Ourense- Universidade de Vigo com a colaboração da Pró- Academia Galega da Língua Portuguesa (Pró- AGLP) e Associaçom Galega da Língua (AGAL).

As atividades são abertas a todo o público.

Pessoas e realidades que falam a nossa língua com diferentes musicalidades, cores, sabores e formas.

Vamos fazer uma viagem pela língua portuguesa e a sua música.

Vem com nós! Redescobre a Galiza através do Brasil, Ángola, Portugal..

Programa:

- 4 de maio,

10.30h : “OPS! O Português Simples" com Kike Martins

Na sala 1.1 da Faculdade de Empresariais e Turismo

20.00h.: Contos com XURXO SOUTO

Na Sala Emilia Pardo Bazán do edifício de Faculdades do Campus de Ourense

-6 de maio, às 20 h00: Concerto de Alonso Caxade

Na Sala Emilia Pardo Bazán do edifício de Faculdades do Campus de Ourense ou no exterior

-7 de maio às 20h00 Concerto de Xoán Curiel e Sérgio Tannus

Na Sala Emilia Pardo Bazán do edifício de Faculdades do Campus de Ourense



publicado por Carlos Gomes às 10:30
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Terça-feira, 19 de Agosto de 2014
ENQUANTO A LÍNGUA PORTUGUESA VIVER O GALEGO NÃO MORRERÁ!

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publicado por Carlos Gomes às 00:07
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Domingo, 15 de Junho de 2014
CASA DE PORTUGAL EM CAMPINAS (BRASIL) JUNTA PORTUGUESES PARA APOIAR A SELEÇÃO NACIONAL



publicado por Carlos Gomes às 21:05
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Domingo, 8 de Junho de 2014
SOBERANIA DA GALIZA PASSA PELA REPÚBLICA?

Ao descrédito da monarquia em Espanha corresponde a degradação da república em Portugal

A questão da forma do regime – monarquia ou república – deve sempre ser colocada em função do interesse nacional sempre estabelecido num plano superior e tendo em consideração o respetivo contexto histórico. Desse modo, a inegável vantagem que a instituição real apresenta relativamente à eleição de um presidente da república, nomeadamente no que respeita à sua independência em relação aos partidos políticos, pode, noutra latitude constituir um entrave à liberdade dos povos.

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Numa altura em que a sucessão no trono de Espanha é anunciada na sequência da abdicação do atual rei, eis que um clamor republicano se ergue desde a Galiza até Euskadi e Catalunha, reclamando a realização de um referendo para que os cidadãos possam decidir democraticamente a forma de regime.

Pese embora o crescente descrédito da instituição real em Espanha, a vontade de mudança de regime tem sobretudo a ver com a aspiração de soberania das diferentes nacionalidades, visto que a mesma jamais será alcançada sob a atual forma de regime. E, a não ser que o rei venha a tornar-se o soberano de diferentes países independentes, um tanto à semelhança da rainha de Inglaterra, a monarquia em Espanha terá os dias contados.

Ironicamente, a realização do referendo constitui uma exigência que é partilhada pelos monárquicos portugueses e que, à semelhança dos argumentos que em Espanha impedem a consulta popular com base na alegada aprovação da Constituição de 1978 que estabeleceu a monarquia parlamentar, veem em Portugal idêntico impedimento à sua realização em virtude do artigo 288º da Constituição da República Portuguesa impor como limite material da revisão constitucional a “forma republicana de governo”. Mais ainda, a monarquia em Espanha tem vindo ao desacreditar-se ao mesmo ritmo que a república em Portugal, com a única diferença de que no nosso país, os monárquicos portugueses não têm conseguido afirmar-se como intérpretes do descontentamento popular, eventualmente porque muitos dos seus partidários encontram-se mais ligados às esferas do poder que, curiosamente, têm sido responsáveis pela perda da identidade nacional.

Tal como sucedeu em Portugal quando em 1640 os conjurados ameaçaram D. João IV com a possibilidade de implantarem uma república caso este não os apoiasse na sua decisão de colocar termo ao domínio dos filipes, também os galegos, bascos e catalães veem atualmente na república um meio de alcançarem a soberania que constitui uma legítima aspiração nacional. E procuram fazê-lo de forma pacífica e democrática, desafiando os partidos políticos a proceder a uma revisão constitucional que permita a consulta popular por meio de referendo.

Muito provavelmente, a Espanha evoluirá para uma comunidade de estados independentes ou mesmo uma república federativa na qual a Galiza encontrará o seu espaço político. Não obstante, existe ainda um longo caminho a percorrer para que, Galiza e Portugal, constituindo uma só nação, venham construir um futuro comum!

Carlos Gomes / http://bloguedominho.blogs.sapo.pt/



publicado por Carlos Gomes às 21:25
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Sábado, 7 de Junho de 2014
HÁ 74 ANOS, ALEMANHA PLANEOU INVADIR PORTUGAL

Espanha viu então uma oportunidade de anexar o nosso país

Numa altura em que os países aliados da Segunda Guerra Mundial comemoram o 70º aniversário da Batalha da Normandia, não deixa de ser oportuno lembrar os planos então congeminados entre a Alemanha nazi e a Espanha franquista com vista à invasão militar de Portugal e sua consequente supressão enquanto país soberano. Tratava-se da chamada “Operação Isabella” e constituía um complemento à “Operação Félix” que tinha por objetivo a ocupação do território britânico de Gibraltar.

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Apesar de geralmente aceitar-se o princípio segundo o qual a História não se repete, não podemos deixar de alguma forma fazer um paralelismo com as invasões francesas, incluindo o Bloqueio Continental e o Tratado de Fontainebleau.

Com efeito, à semelhança das pretensões de Napoleão, também a Alemanha pretendia isolar o Reino Unido impedindo o seu acesso ao continente. E a Espanha, mau grado o Tratado de Amizade e Não Agressão Luso Espanhol celebrado em 1939, com Portugal, via nisso uma oportunidade de anexar o nosso país e, dessa forma, concretizar o velho anseio sintetizado no programa falangista da “Espanha Una” a englobar todo o espaço peninsular. E, foi com esse propósito que, em 23 de outubro de 1940, o generalíssimo Franco avistou-se com Adolf Hitler em Hendaye, no sul da França ocupada.

A invasão militar do nosso país seria executada por 3 divisões alemãs: uma blindada, que partindo de Cáceres, atacaria os portos de Lisboa e Setúbal; uma de infantaria motorizada, que partindo de Valhadolid, atacaria o Norte de Portugal e virando para Sul, ameaçaria a retaguarda das forças portuguesas que defenderiam Lisboa e a margem Norte do rio Tejo; e outra de infantaria ligeira, que partindo de Sevilha, avançaria pelo Algarve, com ou sem apoio do exército espanhol.

Com forças militares insuficientes para oferecer uma resistência capaz ao exército alemão, o governo português retiraria sob escolta da Marinha Britânica para a cidade de Ponta Delgada, nos Açores, onde estabeleceria a capital e, desse modo, não assinaria a capitulação militar. Uma estratégia, aliás, em muitos aspetos semelhante à que levou a corte portuguesa ao tempo de D. João VI para o Brasil.

Entretanto, as capacidades de defesa alteraram-se com a cedência, em 1943, da Base das Lages ao Reino Unido ao abrigo do Tratado de Aliança Luso-Britânico a fim de ser utilizada pela Royal Air Force e a chegada de grande quantidade de de material de guerra moderno como viaturas blindadas, artilharia antiaérea e anticarro, sistemas antissubmarino, e esquadrilhas de aviões de caça modernos como Spitfires e Hurricanes.

Contudo, foram os falhanços militares alemães na frente oriental, na sequência da invasão da União Soviética iniciada em 22 de junho de 1941, na chamada “Operação Barbarossa”, mais concretamente a resistência russa no cerco à cidade de Leninegrado, que determinaram o adiamento da invasão militar de Portugal, o qual, aliás, não se chegou a concretizar.

Decorridas que são mais de sete décadas sobre os fatos mencionados, importa questionar se os interesses geoestratégicos não continuarão a determinar novas “Operações Isabella”, ainda que com recurso a outros métodos porventura mais eficazes do que a intervenção militar.



publicado por Carlos Gomes às 23:30
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Domingo, 18 de Maio de 2014
PORTUGUESES CELEBRAM PORTUGAL NA ALEMANHA

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publicado por Carlos Gomes às 00:28
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