Classificado desde 1996 como Monumento Nacional, o edifício da antiga Real Fábrica da Cordoaria da Junqueira remonta ao final do século XVIII e constitui um exemplar do nosso património arqueológico da era industrial a documentar o esforço feito nesse sentido ao tempo do governo do Marquês de Pombal, durante o reinado de D. José I.

Estrategicamente situado junto ao rio Tejo, era neste local que se produziam os cabos e fazia a tecelagem das velas e bandeiras que serviam os navios e embarcações usadas à época.
Formado por duas naves com quase quatrocentos metros de comprimento que se prolongam paralelamente ao rio Tejo, o conjunto possui uma largura de apenas cerca de cinquenta metros, incluindo os torreões situados nas extremidades. Devem-se estas dimensões às caraterísticas do processo produtivo e a sua localização à necessidade de facilitar o seu fornecimento aos armadores dos navios.

A chamada nave da cocha conserva ainda intatas as máquinas com que se produziam os cabos de sisal para os navios, constituindo um elemento de elevado interesse museológico.
Atualmente, o edifício alberga a Autoridade Nacional de Segurança, o Arquivo Histórico da Marinha, o Centro de Documentação e Informação do Arquivo Central da Marinha e ainda uma extensa área onde se realizam exposições e outros eventos de índole cultural.
Junto da Cordoaria situavam-se ainda os armazéns onde outrora se guardavam as galeotas reais e viviam os “algarves” que eram os seus remadores, com as respetivas famílias, local que se encontra assinalado através de topónimos como Travessa das Galeotas.







Milhares de pessoas afluíram este fim-de-semana à Feira Internacional de Artesanato que foi ontem inaugurada e decorre até ao próximo dia 6 de julho, nas instalações da FIL, no Parque das Nações, em Lisboa.

Artesãos de todo o país e do estrangeiro instalaram-se nos pavilhões da FIL, emprestando ao local um ambiente alegre e colorido, bastante animado com a atuação de grupos de música tradicional das suas respetivas regiões, desde a sonoridade da música e cantos melodiosos da Argélia ao rufar dos bombos de Pampilhosa da Serra e às danças de Oliveira de Azeméis.
Do Minho aos Açores, passando pelo Alentejo e as Beiras, o artesanato português marcou a sua presença. A região de Lisboa esteve medianamente representada, destacando-se os barristas do Sobreiro, no concelho de Mafra. Porém, o Minho é a região do nosso país melhor representada, salientando-se os concelhos de Barcelos, Viana do Castelo, Ponte de Lima, Vila Verde, Guimarães e Cabeceiras de Basto.



Barcelos, terra de grandes tradições na área do artesanato, levou à capital a olaria, o figurado, os bordados de crivo, os bordados e tecelagem, os trabalhos em madeira, os trabalhos em ferro e latoaria e, ainda, outras artes como o trabalho em couro e artesanato contemporâneo.
Viana do Castelo destacou-se pelo traje, os vinhos, a doçaria e os licores. Vila Verde levou a joalharia e os lenços de namorados que constituem a sua imagem de marca, apresentando seis linhas de produtos da amrca “Namorar Portugal”, concretamente os sapatos ‘Mensagem de Amor’, da R.Stivali, as carteiras e pastas feitas em câmara-de-ar de pneus recicladas, da Footnote, as peças de mobiliário e utilitários de madeira pintadas à mão, da artesã Milinha, as Bonecas Namoradeiras da Pó de Arroz, as receitas de Amor e amizade bordadas, da loja DecorVerde e as joias exclusivas de Marco Cruz Joalheiro.
Cabeceiras de Basto licores e doces. Guimarães os bordados tradicionais. Ponte de Lima apresenta o linho, as mantas e as esculturas em pedra.
A nível internacional, salienta-se a participação de Moçambique, África do Sul, Índia, Nepal, Vietname, Cuba e Jamaica, trazendo até nós uma profusão de artesanato do mais variado que despertou grande interesse nos visitantes.
A Feira Internacional de Artesanato é considerada a maior mostra de artesanato da Península Ibérica e a segunda a nível europeu, registando as suas edições uma afluência que ultrapassa os 100 mil visitantes. A última incluiu 526 expositores dos quais 158 estrangeiros; correspondentes a 27 países, abrangendo uma área de 30 000 m2.




















Termina hoje em Lisboa a exposição comemorativa do 62º Aniversário da Força Aérea e do Centenário da Aviação Militar.

Durante nove dias consecutivos, esteve patente ao público, na Cordoaria Nacional e no espaço à frente da mesma, junto ao Rio Tejo, uma exposição que visou apresentar as capacidades deste ramo das Forças Armadas Portuguesas e dos serviços que presta à comunidade.
A exposição contemplou a divulgação das diversas atividades do quotidiano da Força Aérea Portuguesa, contando sempre com a presença dos militares para explicarem tudo aos visitantes. Estiveram também expostas as aeronaves F-16, Alpha-Jet e Alouette III.
A demonstração da atividade cinotécnica constituiu a principal atração do agrado sobretudo das crianças.










A coleção que pertencia ao Museu de Arte Popular foi há alguns anos transferida para o Museu Nacional de Etnologia e não está previsto o seu regresso à origem. O acerco era constituído por cerca de 15 mil peças da mais variada natureza, representando atividades artesanais do povo português, desde objetos de cerâmica a utensílios de trabalho, alfaias agrícolas, carroças, brinquedos e cestaria.

Questionado no ano passado, no parlamento, pelos deputados da Comissão de Educação, Ciência e Cultura sobre a situação do Museu de Arte Popular, o secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier afirmou na ocasião que “o destino do museu não será um projeto museológico”, adiantando que o governo “está aberto a propostas dos agentes culturais para criar um projeto”.
Tendo o Museu de Arte Popular sido propositadamente concebido para espaço museológico, na sequência da adaptação de antigos Pavilhões da Vida Popular, integrados no conjunto construído para a Exposição do Mundo Português de 1940, complementado com a realização do Mercado da Primavera, parece-nos que esta seria a função mais adequada a ser atribuída àquele espaço cultural. Tanto mais que é reconhecido “o valor estético e material intrínseco, o génio dos respectivos criadores, o interesse como testemunho notável de vivências ou factos históricos, a sua concepção arquitectónica, urbanística e paisagista, e o que nele se reflecte do ponto de vista da memória colectiva”, razão pela qual foi pela Secretaria de Estado da Cultura, através da portaria n.º 263/2012, classificado como monumento de interesse público. Por conseguinte, seria natural a sua reabilitação, incluindo o regresso da sua coleção para usufruto cultural dos seus visitantes.
Porém, não se encontrando nos propósitos dos governantes a sua manutenção como museu, resta-nos aguardar pacientemente para saber qual a ideia bizarra que o governo tem destinada para o espaço do Museu de Arte Popular, dele não se esperando grande coisa sabendo-se de antemão que não será mais um projeto museológico como afirmou o governante e sendo sobejamente conhecida a aversão que o governo nutre pela cultura.
Tratando-se de um museu que mostrava as vivências do povo português, a sua identidade, os seus usos e costumes, não admira o abandono a que sempre foi votado pelos sucessivos governos, tendo inclusive estado prevista a sua demolição. É que, ao povo português, até a alma lhe roubam!


Decorre em Lisboa uma exposição comemorativa do 62º Aniversário da Força Aérea e do Centenário da Aviação Militar.
A entrada nesta exposição é livre e está patente ao público até ao próximo dia 29 de junho, na Cordoaria Nacional e no espaço à frente da mesma, junto ao Rio Tejo.
A exposição contempla a divulgação das diversas atividades do quotidiano da Força Aérea Portuguesa, contando sempre com a presença dos militares para explicarem tudo aos visitantes. Encontram-se também expostas as aeronaves F-16, Alpha-Jet e Alouette III.

A imagem data de 1912 e mostra o descarregamento de melancias no cais da Ribeira, de Lisboa, a partir de uma fragata. A foto foi produzida por Joshua Benoliel e pertence ao Arquivo Municipal de Lisboa
Até outubro, a Câmara Municipal da Moita desafia munícipes e visitantes a experimentar os passeios fluviais, no varino “O Boa Viagem”, para conhecer, de forma diferente, o concelho da Moita, os concelhos limítrofes e a própria embarcação típica do Tejo.

Em junho, os passeios estão agendados para os dias 28, sábado, entre as 15:00h e as 18:00h, e 29, domingo, das 14:30h às 18:30h. O embarque e desembarque será efetuado no Cais da Moita.
Os bilhetes podem ser adquiridos no Posto de Turismo Municipal, na Rua Machado dos Santos, nº35, na Moita, de segunda a sexta-feira, durante o horário de funcionamento: 9:30h/12:30h – 14:00h/18:00h.
As reservas deverão ser efetuadas através do telefone (21 085 23 40) e os bilhetes têm de ser levantados no prazo de oito dias antes da realização do passeio.
Consulte o calendário dos passeios fluviais no Varino “O Boa Viagem”.
Preço dos bilhetes:
Passeio de 3 horas
Crianças até 6 anos – gratuito
Crianças até aos 12 anos – 2,00€
Adultos – 3,99€
Passeio de um dia|12 Horas
Crianças até 6 anos – gratuito
Crianças até aos 12 anos – 3,32€
Adultos – 6,63€





Fotos: Câmara Municipal da Moita
Até meados da década de sessenta do século passado, altura em que foi construída a ponte sobre o rio Tejo, a praia de Algés era uma das mais concorridas dos lisboetas. A sua proximidade em relação a Lisboa, beneficiando do acesso a meios de transporte público como o comboio e o elétrico da Carris, Algés recebia a partir do começo do Verão milhares de banhistas.

O comércio local desenvolveu-se graças em grande medida aos banhistas, sobrevivendo na localidade ainda algumas lojas que vendem artigos de praia, desde toalhas a brinquedos de crianças, agora mais dirigido a um público que utiliza o acesso ao comboio para se dirigir a outras praias da linha de Cascais.
Com a construção da Ponte Salazar – atual Ponte 25 de Abril – as pessoas passaram a frequentar outras praias mais distantes, com especial preferência para a Costa da Caparica e outras praias na margem sul do rio Tejo.
A praia de Algés era formada por um extenso areal que se prolongava até á Cruz Quebrada e era atravessada pela ribeira de Algés que ali desaguava, a qual foi entretanto encanada. Da antiga praia resta atualmente uma nesga de areia próximo do acesso ao viaduto, possuindo ainda alguns escassos frequentadores.

O costume de ir a banhos surgiu a partir de meados do século XIX, muito do agrado das famílias burguesas que construíram nas suas proximidades os seus palacetes e residências de veraneio, contribuindo desse modo para o incremento turístico de muitas localidades. Não admira, pois, tratarem-se de sítios desde sempre muito fotografados e objeto de propaganda, mormente através da edição de postais ilustrados.
Entretanto, as praias foram também conquistando novos adeptos entre as classes populares que podiam assim usufruir de uma forma de lazer a custo reduzido. Para isso também contribuíram as colónias de férias que então se realizavam, destinadas a crianças pobres, organizadas por associações de benemerência.

A praia de Algés já desapareceu e, apesar da enorme extensão de magníficas praias que Lisboa dispõe à sua volta, o que torna o nosso país um caso único na Europa, muitos portugueses procuram estâncias balneares em paragens cada vez mais longínquas. E, não cuidando da fortuna com que a natureza nos presenteou, desbaratamos as potencialidades turísticas das nossas praias, o brilho do sol, a extraordinária beleza da paisagem e a riqueza cultural da região. A Península de Setúbal é um exemplo paradigmático de tal desperdício!
As imagens que reproduzimos são de postais dos finais do século XIX e fotografias de Joshua Benoliel e Eduardo Portugal, pertencentes ao Arquivo Municipal de Lisboa, as quais retratam a estação ferroviária após 1890, a praia de Algés e os banhistas por volta de 1912 e a ribeira de Algés na década de 30 do século passado.




A fonte luminosa da Alameda D. Afonso Henriques encontra-se aberta ao público e constitui um local para a realização de exposições. A Câmara Municipal de Lisboa procedeu recentemente à sua reabilitação, colocando de novo em funcionamento os “jogos de água”.

A intervenção efetuada visou reparar os sistemas eletromecânicos e repor o equipamento danificado e ainda dotar o espaço de meio mecânico para garantir a acessibilidade, possibilitando o acesso à área central do complexo que é uma zona de especial interesse para os visitantes. Foi ainda prevista a instalação de iluminação decorativa da área dos visitantes, em particular a galeria, uma vez que foi prevista a sua ocupação por exposições permanentes ou temporárias.
Concebido segundo o projeto dos irmãos Carlos Rebello de Andrade e Guilherme Rebello de Andrade, a Fonte Monumental é decorada com esculturas são da autoria de Maximiano Alves e de Diogo de Macedo e os baixos-relevos (painéis laterais) de Jorge Barradas.
Sobre a porta da entrada, uma placa descreve o seguinte: “No dia 28 de maio de 1948, vigésimo segundo aniversário da Revolução Nacional, aberta a primeira exposição de obras públicas, foi inaugurada esta fonte monumental e entregue à Câmara Municipal de Lisboa”. Não obstante, a cerimónia deverá ter ocorrido dois dias após aquela data, visando celebrar o abastecimento regular de água à zona oriental da cidade.








A ginjinha, atualmente considerada a bebida mais típica de Lisboa, foi ao que consta, criação de um galego de nome Espinheira que, a conselho de um frade da Igreja de Santo António, fez a experiência de deixar fermentar ginjas dentro de aguardente, juntando-lhe açúcar, água e canela. E o êxito foi tal que a bebida se tornou num dos ex-líbris da capital e o seu estabelecimento, ao Largo de São Domingos, ponto de passagem obrigatório de todos quantos visitam a cidade, inclusive os turistas estrangeiros. Na realidade, já em meados do século XIIII existiam em Lisboa estabelecimentos que vendiam ginjas mergulhadas em aguardente, porventura ainda sem a receita que o Espinheira viria a criar.

Não obstante, o sucesso do galego Espinheira levou ainda à abertura em Lisboa de outros estabelecimentos a vender este licor. Além da referida “A Ginjinha Espinheira”, temos ainda a Ginjinha Sem Rival e a Ginjinha Popular, ambas na rua das Portas de Santo Antão; a Ginjinha Rubi, na rua Barros Queirós; a Licorista, na rua dos Sapateiros; a Casa das Limonadas, na rua Nova d Almada; a Tendinha do Rossio que foi célebre pela voz de Hermínia Silva e O Pirata, no largo dos Restauradores, que se tornou famoso pelos seus cocktails “pirata” e “perna-de-pau” produzidos à base de vinho generoso gaseificado.
À semelhança do capilé e outras bebidas e refrescos típicos dos finais do século XIX e começos do século XX, o licor de ginja ou ginjinha, começou por ser uma bebida da classe burguesa em virtude do seu elevado preço. Porém, foi aos poucos aparecendo nalgumas tabernas lisboetas passando a ser consumida pelas classes populares.
Com sabor aromático e de graduação alcoólica equilibrada, a ginjinha deve ser bebida á temperatura ambiente. Antes de se servir, deve a garrafa ser fortemente agitada. Pedida ao balcão, é servida “com elas” ou “sem elas”, o mesmo é dizer com ou sem o fruto no fundo do copo.
Originária da Ásia Menor, a cultura da ginja é conhecida em Portugal pelo menos desde o século XV. As de Óbidos e de Ourém contam-se entre as mais afamadas ginjinhas do nosso país.

RECEITA
1 kg açúcar
1 kg ginja
2,5 l aguardente
1 pau canela
Lave as ginjas, seque-as e retire os pés (mas não os caroços). Coloque as ginjas numa garrafa de licor com a boca um pouco larga, cubra com o açúcar, o pau de canela e no fim a aguardente. Tape a garrafa hermeticamente.
Guarde a garrafa num lugar escuro e agite diariamente durante a primeira semana. Deixe descansar durante três meses até que os sabores estejam totalmente incorporados no álcool. Agora a ginjinha está pronta a ser bebida, mas é muito melhor após um ano. Sirva com algumas ginjas em cada copo.


Entrámos em Junho com ele no solstício do Verão. Salta-se a fogueira pelo S. João, brinca-se com alcachofras e martelinhos, tréculas e zaquelitraques, canta-se e dança-se. Pela calada da noite, invadem-se os quinteiros, assaltam-se as eiras e roubam-se vasos com plantas, carroças e carros de bois para seguidamente os levar para o centro da povoação. São as festas sãojoaninas, assim designadas em virtude da Igreja Católica ter atribuído a esta data o nascimento de S. João Baptista, uma reminiscência de antiquíssimos rituais pagãos relacionados com o Solstício de Verão e ainda com a adoração do fogo. De resto, o fogo adquiriu desde sempre um carácter sagrado ao ponto de ter sido deificado.

No Porto e em Braga, as suas gentes vivem as festas sãojoaninas com particular intensidade. O Barredo e a Ribeira no Porto enchem-se de povo e a alegria e animação dura até tantas da madrugada. Em Lisboa, as festas solsticiais abrangem todo o mês de Junho, associando S. Pedro e S. António aos festejos de S.João. O nascimento de S. António em Lisboa deve ter contribuído para que os festejos lhe tenham sido dedicados, popularizado ao ponto de muitas pessoas pensarem erradamente ser ele o patrono desta cidade.
Desde tempos remotos, o homem celebrava a chegada do Verão acendendo enormes fogueiras, cantando e dançando em seu redor. É a chegada do lume novo, um rito cuja sacralidade original se foi perdendo e que chegou até nós, transmitido de geração em geração, assegurada pela própria tradição.
Entre os gregos e os romanos, competia às Vestais - sacerdotisas dos templos dedicados a Vesta - a tarefa de preservar aceso o fogo sagrado. Entre nós, persiste o costume de acender o lenho na noite de Natal ou na passagem do ano e o círio pela Páscoa. Manda a tradição católica que, à beira da pia batismal, os padrinhos transportam a vela acesa quando o batizado não o pode fazer se ainda for demasiado jovem. Mas, falo-a quando chegar a altura de confirmar o seu batismo cristão. É que o fogo é a luz que nos ilumina e mostra a Verdade e a Vida. É ainda o fogo que nos aquece e afaga a nossa rude existência, elemento purificador que constitui um dos quatro elementos - os outros são a Terra, o Ar e a Água.
Mas o fogo é também festa. Desde a sua descoberta, aprendeu o Homem aprendeu a produzi-lo e manipular ao ponto de conseguir iluminar os céus e a terra com uma verdadeira constelação de alegria, salpicando-o de lágrimas e girândolas de cores e formas variadas, compondo na abóboda celestial um autêntico hino ao Criador. Afinal de contas, foi Ele quem pela primeira vez nos enviou o fogo sob a forma de um raio ou cuspiu das entranhas de um vulcão - eis o gesto primordial da criação que é ritualizado pelo homem desde os tempos em que Adão e Eva foram expulsos do paraíso por um anjo que empunhava uma espada de fogo.
É tempo de proceder à ceifa do trigo, do centeio e da cevada, de sachar o milho, sulfatar a vinha e crestar o mel das colmeias. Mas também é altura de festejar o S. João e saltar a fogueira. Desde o solstício de Verão até ao equinócio do Outono, é tempo de festa, de estúrdia e de arraial. E, a fazer jus à fama da pirotecnia, não há verdadeiramente festa sem o luminoso colorido do fogo-de-artifício e o estardalhaço dos foguetes. O folclore do nosso povo conserva raízes que nos transportam à origem da própria civilização humana.
Carlos Gomes / http://www.folclore-online.com/

Linda-a-Velha recebe a sétima edição da Feira Medieval, nos dias 21 e 22 de junho, no Jardim das Amendoeiras do Palácio dos Aciprestes. Este evento, que consiste numa recriação histórica em volta de 1385 e do triunfo dos arqueiros abre, no dia 21, sábado, às 16H00, com um com o Grande Cortejo Medieval, saindo do antigo quartel de Linda-a-Velha, passando pelas ruas do burgo e chegando ao recinto da Feira – Palácio dos Aciprestes. No desfile os personagens, devidamente trajados a rigor, anunciam e convidam o povo a participar na festa.

A Feira Medieval é inaugurada às 17H00.
Ao longo dos dois dias desta atividade há demonstrações de mestres e profissões medievais, jogos, rábulas, tiro com arco, danças tradicionais e petiscos e bebidas, entre outras actividades enquadradas no espírito da época.
Esta iniciativa, organizada pelos Escuteiros do Agrupamento 626 de Linda-a-Velha em parceria com a União das Freguesias de Algés, Linda-a-Velha e Cruz Quebrada – Dafundo e da Companhia Livre, conta com o apoio da Câmara Municipal de Oeiras e da Fundação Marquês de Pombal.
Horário:
Dia 21: 16H00 (Cortejo Medieval)
Das 17H00 (Abertura da Feira) às 24H00
Dia 22: das 11H00 às 20H00
Programa Completo da VII Edição da Feira Medieval – Linda-a-Velha 2014
Sábado, dia 21 de Junho:
16h00:
Grande Cortejo Medieval, saindo do quartel de Linda-a-Velha, passando pelas ruas do burgo e chegando ao recinto da Feira – Palácio dos Aciprestes
17:00 às 17:15:
Hastear da bandeira da Companhia Livre
Abertura das bancas de mester e mesas pedagógicas
Início das carreiras de tiro
17:15 às 20:00:
Funcionamento dos mesteres, mesas pedagógicas e carreiras de tiro
Rábulas/Animação
Animação de malabarismo
20:00 às 20:30:
Espetáculo principal
20:30 às 21:30:
Recriação de jantar medieval
21.00:
Dança Oriental
21:30 às 23:30:
Mesa Pedagógica Arco, Flecheiro e Besteiro
Rábulas/Animação
22:45:
Rixa de bar
23:30 às 24:00:
Rábula de palco
24:00: Encerramento da feira
Domingo – 22 Junho
11:00:
Missa Campal
12:00:
Abertura
Hora do Conto
Almoço séc. XIV – Recriação de refeição medieval
13:30:
Abertura das bancas de mester, mesas pedagógicas e carreiras de tiro
14:00 às 20:00:
Linha de tiro, mesas pedagógicas e mesteres
15:00:
Animação de malabarismo
16:00:
Mesa pedagógica de Besta
17:00:
Oficina de mester civil moleira/padeira
18:00:
Mesa pedagógica Arco e Flecheiro
18:30:
Danças Tradicionais
19:00:
Dança Oriental
19:30:
Espetáculo principal e fogo de encerramento.
20:00:Encerramento da feira


O Centro Cultural e Recreativo União Jovem de A-dos-Cãos, de Loures, está a promover diversas iniciativas com vista angariar fundos para custear as obras de conservação e restauro da Igreja Matriz de Loures.

Trata-se de um monumento nacional, classificado por decreto de 16 de junho de 1910, e desde 1958 integrada numa Zona Especial de Proteção (ZEP). A igreja começou a ser construída em meados do século XV, tendo sido sujeita a numerosas intervenções, datando a torre sineira do período filipino e o seu recheio do século XVIII.
Dispõe de três naves, encontrando-se os arcos que as sustentam em colunas de ordem toscana, de base circular, fuste liso e capitel simples.

O pai de Rúben Alves é natural de Guimarães e a mãe da Amadora
Depois de um período em Portugal, a promover o seu filme de estreia, visto já por mais de milhão e meio de europeus, Ruben Alves, o ator e realizador lusodescendente de 33 anos, está de volta a Paris. Num intervalo entre gravações, falou ao telefone com a VISÃO, a quem disse conhecer a nova vaga de emigração, que está a levar ex-emigrantes, e filhos destes, de volta ao país para onde partiram nos anos 60/70.

"Tenho uma antiga colega de colégio que, aos 18 anos, depois de terminarmos o 12º ano, cumpriu a vontade de voltar a Portugal", conta. Entretanto perderam o contacto, mas ela escreveu-lhe agora a dar os parabéns pelo filme.
Ruben imaginava-a ainda em Portugal, mas a amiga está de novo em Paris: "Ela foi em 1998, no El Dorado portugês. Mas agora disse-me que a situação do país estava complicadíssima e que, por isso, tinha regressado a França, com o marido português e os dois filhos".
A história da antiga colega de Ruben passa por um verdadeiro regresso à "gaiola dourada". Filha de uma porteira portuguesa, cresceu numa casa de rés-do-chão com grades, como as características casas das concierges, em Paris. Foi a essa mesma casa que regressou recentemente para ocupar o lugar de porteira, revela o jovem realizador: "A mãe reformou-se e ela foi substituí-la".
Para Ruben, o fenómeno de "reemigração" (a expressão é do sociólogo José Madureira Pinto, ver edição impressa) vem ilustrar esse "caráter típico português, do desenrasca, do fazer-se à vida". Hoje, julga, a situação é ainda mais grave: "Dantes as pessoas partilhavam a sopa e o pão, hoje em dia quando há pobreza já não é assim. A mundialização individualizou-nos, tornou-nos egoístas", observa.
Com casa em Lisboa, onde volta sempre que pode de férias, para desfrutar da luz da cidade, do clima e da gastronomia do país onde os pais nasceram (o pai é natural de Guimarães, a mãe da Amadora), Ruben vê com tristeza a crise: "Portugal tem tudo para ser um país fantástico", julga e aumenta o tom de voz para o sublinhar. Mesmo à distância, tem u ma posição crítica face às medidas tomadas pelo Governo: "Um Estado forte é o mais importante. Quando se começa a privatizar tudo está a perder a força. Esse enfraquecimento não deveria acontecer, mesmo quando se atravessa um momento de crise".
Tem recebido inúmeras mensagens de portugueses e, nomeadamente, de emigrantes e ex-emigrantes. Uma delas marcou-o especialmente: "Uma senhora portuguesa, emigrante cá, veio ter comigo em lágrimas e disse-me: 'É lindo o que fez. A gente estava desde os anos 80 com a imagem da mala de cartão da Linda de Susa. O Ruben traz a Gaiola e, de cartão passámos a ouro'".
Joana Fillol / http://visao.sapo.pt/


«10 Anos de Rota da Arquitetura Korrodi – Como educar o “Olhar para o Património Construído » - Conferência
O CEPAE – Centro de Património da Estremadura irá organizar no dia 21 de junho, sábado, pelas 15h30, no Palácio dos Ataídes, Fundação Caixa de Crédito Agrícola em Leiria, a Conferência «10 anos de Rota da Arquitetura Korrodi – Como educar o “Olhar para o Património Construído».

A Rota de Arquitectura Korrodi celebra dez anos. Um projecto independente que assenta na investigação, formação e divulgação do património construído, que parte da cidade de Leiria e tem criado “pontes” com outras áreas do país, através da parceria com diversas instituições públicas e privadas. A homenagem a Ernesto Korrodi tem também contribuído para valorizar o trabalho de outros artistas, mestres e arquitectos como Narciso Costa, Camilo Korrodi, Lino António ou Augusto Romão.
Neste momento de celebração, Genoveva Oliveira, Saul Gomes e Vitorino Guerra irão apresentar três momentos de reflexão sobre questões que reflectem a importância de investigar e de educar para o património. Qual a cidade que queremos para este momento presente e para o futuro? Como educadores, investigadores e cidadãos, será que fazemos o suficiente?
Após a conferência realizar-se-á o percurso pedestre – Rota da Arquitetura Korrodi. A participação é livre se sem inscrição prévia.

Este ano, o concelho da Amadora celebra o Primeiro Centenário dos Recreios Desportivos da Amadora, espaço municipal que acolhe variadas expressões artísticas e que ano após ano, traz à Cidade da Amadora diversos artistas e muitos visitantes e espetadores.

Para comemorar da melhor forma esta efeméride, a Câmara Municipal da Amadora vai promover uma Exposição documental retrospetiva dos Recreios da Amadora, a inaugurar em setembro deste ano.
Para tal, o município solicita a colaboração de todos, para que esta mostra represente da melhor forma os últimos cem anos deste edifício singular.
Se tem programas, bilhetes, fotografias ou outros objetos relativos aos Recreios da Amadora, sejam antigos ou mais recentes, a Autarquia solicita a cedência temporária dos mesmos, para que possam integrar a Exposição.
Até final de julho, todos os objetos e documentos sobre os Recreios da Amadora podem ser entregues no Núcleo Museográfico do Casal da Falagueira, Beco do Poço - Falagueira-Venda Nova, no seguinte horário: 2.ª feira a sábado, das 9.00h às 13.00h e das 14.00h às 17.00h.
Para mais informações: Telefone 214 369 090
![Recreios da Amadora.1[14]](https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/N9402c52e/17101237_ZWUVq.jpeg)
MANGUITO… UM GESTO BEM PORTUGUÊS. Tertúlia. 18 de junho. 21h30. Entrada Gratuita
Para assinalar o aniversário da criação do Zé Povinho (que apareceu pela primeira vez num desenho do número 5 do jornal A Lanterna Mágica, em Junho de 1875), o Museu Bordalo Pinheiro apresenta no próximo dia 18 de junho, pelas 21h30, a Tertúlia Manguito... um gesto bem português.
Contamos com a participação de João Medina, historiador, Isabel Galhano, linguista, e António Costa Santos, jornalista, na que promete ser uma animada conversa com bolinha vermelha ao redor deste gesto tão típico!
A tertúlia será antecedida do lançamento da disponibilização em linha do jornal A Lanterna Mágica na Hemeroteca Digital, por Álvaro Costa de Matos, da Hemeroteca Municipal de Lisboa.
No final do evento a Thyro Wines convida-nos a continuar este estimulante serão com uma prova dos seus vinhos.


Deverá ascender a mais de um milhar a quantidade de coretos espalhados pelas mais diversas cidades, vilas e aldeias do nosso país. Durante muitas décadas, eles constituíram um dos principais locais de atração popular nas praças e jardins públicos, juntando à sua volta o público em tardes amenas de domingo para ouvir e apreciar a atuação das bandas de música.

Com o aparecimento das bandas filarmónicas, sentiu-se a necessidade de se erguer em local público um palanque propositadamente destinado à sua atuação a fim de levarem ao povo o seu reportório, executando magistrais peças musicais e, desse modo, sensibilizando-o para a cultura musical.
O termo coreto provém do grego “khoros”, vertido para o latim “choru” e que significa uma espécie de coro, edificado ao ar livre, propositadamente construído para a realização de concertos musicais. Quais templos dedicados a Apolo, deus romano das artes e da poesia, muitos dos coretos existentes em Portugal constituem autênticas obras de arte que merecem ser preservadas e de novo servir de palco para a atuação das bandas filarmónicas, constituindo aliás essa a razão da sua existência.

Procurando reproduzir o sucesso alcançado pelas marchas populares que Lisboa leva a efeito por ocasião das festas da cidade, celebradas na noite de Santo António – apesar de ser S. Vicente o padroeiro de Lisboa! – muitas são as localidades do país que vêm nos últimos anos a organizar marchas populares que, em muitos casos, começam a obter um êxito assinalável.

Para a organização das referidas marchas concorre a participação da bandas filarmónicas através da atuação do “cavalinho” sem o qual a marcha não dispunha de melodia e ritmo que permitisse os marchantes executar as suas coreografias e entoar as respetivas letras. Mas, afinal, o que é o “cavalinho”?
De acordo com o artigo 11º do Regulamento do Concurso das Marchas Populares de Lisboa, o “Cavalinho” é “um grupo de músicos obrigatoriamente composto por oito elementos, tendo como instrumentos obrigatórios um clarinete, um saxofone alto, dois trompetes, um trombone, um bombardino, um contrabaixo ou tuba e uma caixa”.
Por conseguinte, sem o “cavalinho” ou, melhor dizendo sem as bandas filarmónicas, jamais se realizariam marchas populares no nosso país!

A Marcha de Alfama foi a vencedora da edição deste ano do concurso das marchas populares. As marchas de Alcântara e Bairro Alto ficaram respetivamente em segundo e terceiro lugar.

Participaram este ano 20 marchas a concurso, avaliadas nas categorias de Coreografia, Cenografia, Figurino, Melhor Letra, Musicalidade, Melhor Composição Original e Desfile da Avenida. A comemoração dos 400 anos da publicação da “Peregrinação” de Fernão Mendes Pinto foi o tema escolhido.
A classificação geral das Marchas Populares 2014 foi a seguinte:
1º Alfama- 246 pontos
2º Alcântara- 236 pontos
3º Bairro Alto- 226 pontos
4º Alto do Pina- 218 pontos
5º Bica- 212 pontos
6º Madragoa- 206 pontos
7º Carnide-201
8º ex-aequo- Ajuda, Graça, Lumiar e Mouraria- 200 pontos
12º Marvila- 199 pontos
13º Campolide-198 pontos
14º Beato-194 pontos
15º-Castelo-192 pontos
16º São Vicente- 188 pontos
17º Santa Engrácia- 185 pontos
18º Benfica- 182 pontos
19º Bela Flor- 166 pontos
20º Belém- 162 pontos.
Desfilaram ainda extra concurso as Marchas dos Mercados, do Parque das Nações e a Marcha Infantil da Voz do Operário.
Fotos: Armindo Ribeiro / Câmara Municipal de Lisboa

















A alteração da circulação dos transportes públicos para o lado norte da avenida 24 de Julho, em Lisboa, permitiria eliminar os cruzamentos e aumentar a segurança dos peões.
A circulação dos transportes públicos, na avenida 24 de Julho, entre o Cais do Sodré e a avenida da Índia, efetua-se no lado sul, junto à linha de comboios, apresentando diversos inconvenientes como o congestionamento do tráfego nos cruzamentos, redução da fluidez da circulação automóvel e riscos de atropelamento de peões.

O acesso às estações de comboio em Santos e no Cais do Sodré implicam o atravessamento da movimentada avenida 24 de Julho por parte dos transeuntes, quase sempre de forma desordenada fora das respetivas passadeiras. Os passeios que lhes estão destinados são demasiado estreitos. E o trânsito circula com demasiados constrangimentos em virtude da excessiva quantidade de sinalização luminosa e cruzamentos numa via rodoviária que, em lugar de proporcionar a fluidez, tem vindo a ser transformada em área de parqueamento automóvel.
Por fim, o entroncamento da avenida 24 de Julho com a avenida da Índia representa um triplo cruzamento, com os transportes públicos a cruzarem-se entre si e com as viaturas particulares em simultâneo.
Não se vislumbrando qualquer justificação válida para que os carros elétricos circulem ao lado da linha férrea, a sua transferência para o lado norte da avenida, juntamente com os demais transportes públicos, permitiria eliminar de imediato os cruzamentos do Cais do Sodré e da Avenida da Índia, proporcionando ao mesmo tempo a dinamização diurna através do incremento comercial e da circulação de pessoas numa área dominada por edifícios com reduzido aproveitamento e em mau estado de conservação, como sucede junto às Tercenas do Marquês.
A construção de acessos subterrâneos às estações de comboio em Santos e no Cais do Sodré permitiriam ainda eliminar o atravessamento de peões à superfície e aumentar consideravelmente a fluidez do trânsito sem riscos de segurança para os transeuntes.
Lisboa só teria a ganhar com uma obra que iria produzir efeitos práticos na vida dos seus habitantes.

Situado no Largo do Conde-Barão, em Lisboa, o Palácio Almada-Carvalhais é um Monumento Nacional que se encontra ao abandono e a sua perda poderá em breve ser irreparável
Desde as magníficas pinturas murais do século XVIII e azulejos do século XVII às escadarias e pilastras, toda a estrutura do edifício apresenta-se num estado deplorável a ameaçar ruína.

Ao longo dos anos, aquele locais teve as mais variadas utilizações. Ali funcionou até 2005 a Biblioteca-Museu Luz Soriano, foi sede do Atlético Casa Pia que das instalações fez salão de baile e, com o abandono, tornou-se refúgio de mendigos. Apesar de vedados os acessos, o local continua a ser utilizado para fins menos próprios.
Situado no Largo do Conde Barão, o Palácio Almada-Carvalhais, Provedores da Casa da Índia, está classificado como monumento nacional desde 1920, ao abrigo do Decreto de 27-12-1919, publicado no Diário do Governo, II Série, n.º 158, de 8-07-1920.
Construído em meados do século XVI por Rui Fernandes de Almada, Cônsul de Portugal na Flandres ao tempo do Rei D. Manuel I, o edifício apresenta uma planta de forma retangular com três pisos. O acesso efetua-se através de um grandioso portão que também serve uma oficina de automóveis onde outrora foi o jardim do palácio.

A Nota Histórico-Artística do IGESPAR descreve o seguinte:
Este solar lisboeta terá sido construído em meados do século XVI por D. Rui ou Rodrigo Fernandes de Almada, tesoureiro, escrivão e cônsul de Portugal na Flandres, no reinado de D. Manuel, depois embaixador da corte em França e conselheiro de D. João III, e finalmente Provedor da Casa da Índia. A designação de Palácio Almada-Carvalhais provém de um dos herdeiros, nomeado Conde de Carvalhais em 1824.
A elegância e notabilidade do palácio renascentista não são visíveis da rua, para onde deita apenas uma estreita fachada, entalada entre as construções contíguas. O primeiro pormenor digno de nota é, ainda assim, a localização: o primeiro proprietário, homem do mundo acima de tudo, manda erguer a sua casa onde vinha dar o Tejo, tendo existido sem dúvida um cais privativo na praia então fronteira. Embora discreta, a fachada ergue-se acima dos restantes corpos do palácio em um andar, e funcionando como uma torre de reminiscências senhoriais, que inclusivamente teria tido um coroamento de ameias piramidais. Aí se exibe ainda o brasão de armas dos Almadas (com diferença no canto superior direito, indicando transmissão por via materna), sobre o janelão do primeiro piso.
O conjunto do edifício possui planta rectangular e volumetria escalonada, coberta por telhados de duas águas; as fachadas apresentam três pisos, possuindo os dois últimos janelas de sacada que deitariam, na frontaria principal, sobre o rio.
O acesso ao interior faz-se por uma porta monumental de vão recto, comunicante com um túnel coberto por abóbada de arestas sobre pilastras, cuja marcação, em arco ligeiramente apontado formado por aduelas molduradas, é notória na fachada, enquadrando a janela nobre. Vencido este acesso, em rampa calcetada de inclinação suave, encontram-se as primeiras surpresa que o conjunto reserva, com a visão do portal de acesso aos pisos altos e o enorme arco abatido de abre para o pátio interior. Este recinto interior, ou claustro, é elevado, acedendo-se-lhe através de dois lances de escadas, e o seu piso térreo constitui a zona que mais elementos renascentistas conserva. De planta rectangular, tem os lados vazados por arcos abatidos (a parede fundeira tem três arcos, as laterais quatro) assentes em colunas cujos delicados capitéis lavrados possuem decoração vegetalista e antropomórfica ainda evocativa do gosto tardo-gótico nacional, e de clara influência nórdica. Voltando ao topo da rampa encontra-se o acesso aos pisos superiores, feito por uma escadaria monumental, onde ainda se podem observar vestígios de pintura mural em trompe l'oeil da segunda metade do século XVIII. Os pisos superiores, de resto, foram profundamente alterados por intervenções tardias, sendo as mais importantes do período barroco, que lhe modificaram a original feição renascentista. Porém, as primeiras intervenções foram presumivelmente ainda seiscentistas, e incluíram a construção de um corpo de ligação entre o prédio e o palácio vizinho, bem como o fechamento do piso alto do claustro. As alterações setecentistas feitas após os danos causados pelo terramoto de 1755 conduziram à reconstrução das fachadas voltadas para a rua, a algumas alterações estruturais do interior, e à decoração de todas as dependências com silhares de azulejos e tectos de madeira pintados, muitos dos quais ainda são visíveis, e constituem por si só uma boa parte da riqueza e valor artístico do conjunto.
É essencialmente a partir de finais do século XIX que principia a impiedosa degradação do monumento. O antigo jardim, com acesso pela rampa principal e por uma passagem forrada a azulejos seiscentistas, e que terá possuído alguma estatuária e azulejos quinhentistas, foi transformado em garagem. No pátio interior, uma das arcarias laterais está entaipada com um barracão arruinado, e outra foi ocupada por uma gráfica. O piso nobre é sede do Atlético Casa Pia, e a Biblioteca-Museu Luz Soriano funcionou no palácio de 1939 a 2005.
Sílvia Leite/2008/DIDA/IGESPAR, I.P.
Fotos: http://www.normapa.pt/



“Á Memória de Herculano” é o título de um poema de cariz patriótico da autoria do escritor e poeta Delfim Guimarães, publicado em 1910, por ocasião da “celebração do centenário do nascimento do egrégio historiador português” ocorrida em 28 de março daquele ano, e editado pela Livraria Editora Guimarães & Cª, editora fundada pelo próprio autor.

Com vasta obra literária, o escritor Delfim Guimarães nasceu no Porto em 4 de agosto de 1872, encontrando-se também ligado a Ponte de Lima, terra à qual dedicou a maioria dos seus versos e ainda á cidade da Amadora onde viveu e veio a falecer em 6 de julho de 1933.
O livro cuja imagem reproduz foi pelo autor oferecido a Henrique Marques, na dedicatória tratado como “bom amigo e camarada”.

O miradouro do Jardim da Estrela, em Lisboa, há 5 anos a aguardar obras de recuperação, ameaça derrocada a todo o instante.
O acesso ao miradouro do jardim da Estrela encontra-se interditado ao público desde 2009. Na origem da decisão encontra-se o risco de desmoronamento das terras e dos blocos de pedra que constituem os guarda-corpos do percurso.

As obras de recuperação do local tardam a realizar-se e os caminhos que conduzem ao miradouro apenas se encontram barrados com uma simples corda.
Depois de, há alguns anos, a autarquia ter autorizado a construção de um edifício de vários pisos na rua de São Bernardo que veio a eliminar por completo a vista panorâmica que se usufruía daquele miradouro, agora o local permanece em estado de completo abandono à espera que uma derrocada destrua de vez o local que foi outrora um dos mais frequentados do jardim. Refira-se que existiu no local uma biblioteca pública com esplanada.
Na entrada principal do jardim da Estrela, uma placa informa os visitantes da existência do miradouro que, aliás, constitui uma das referências turísticas da cidade de Lisboa. Resta saber quanto mais tempo será necessário para se proceder à sua recuperação.



“No S. João, a sardinha pinga no pão” – diz o povo imbuído na sua sabedoria empírica. Com efeito, é por esta altura que a sardinha é mais gorda, devendo-se tal facto a circunstâncias de ordem climática e geofísica únicas na costa portuguesa que fazem desta espécie um exemplar único em toda a Península Ibérica.

De origens remotas, a sardinha era tradicionalmente pescada por meio da arte xávega, método que consistia numa forma de pesca por cerco. Deixando uma extremidade em terra, as redes são levadas a bordo de uma embarcação que as vai largando e, uma vez terminada esta tarefa, a outra extremidade é trazida para terra. Então, o saco é puxado a partir da praia, outrora recorrendo ao auxílio de juntas de bois, atualmente por meio de tração do guincho ou de tratores. Entretanto, as modernas embarcações de arrasto vieram a ditar a morte da arte xávega e, simultaneamente, a ameaçar a sobrevivência das próprias espécies piscícolas, colocando em causa o rendimento familiar dos próprios pescadores.
A sardinha constitui um das suas principais fontes de rendimento, representando quase metade do peixe, calculado em peso, que passa nas lotas portuguesas. Matosinhos, Sesimbra e Peniche são os principais portos pesqueiros de sardinha em todo o país.
Quando, no início da Primavera, o vento sopra insistentemente de norte durante vários dias, os pescadores adivinham um verão farto na pesca da sardinha, do carapau, da cavala e outras espécies que são pescadas na costa portuguesa. A razão é simples e explica-se de forma científica: esta época do ano é caracterizada por um sistema de altas pressões sobre o oceano Atlântico, vulgo anticiclone dos Açores, o qual se reflete na observância de elevadas temperaturas atmosféricas, humidade reduzida e céu limpo. Verifica-se então uma acentuada descida das massas de ar que resultam no aumento da pressão atmosférica junto à superfície e a origem de ventos anticiclónicos que circulam no sentido dos ponteiros do relógio em torno do centro de alta pressão, afastando os sistemas depressionários. Em virtude da situação geográfica de Portugal continental relativamente ao anticiclone, estes ventos adquirem uma orientação a partir de norte ou noroeste, habitualmente designado por “nortada”.
Sucede que, por ação do vento norte sobre a superfície do mar e ainda do efeito de rotação da Terra, as massas de água superficiais afastam-se para o largo, levando a que simultaneamente se registe um afloramento de águas de camadas mais profundas, mais frias e ricas em nutrientes que, graças à penetração dos raios solares, permite a realização da fotossíntese pelo fito plâncton que constitui a base da cadeia alimentar no meio marinho. Em resultado deste fenómeno, aumentam os cardumes de sardinha e outras espécies levando a um maior número de capturas. E, claro está, o peixe torna-se mais robusto e apetecível.
O mês de Junho, altura em que outrora se celebrava o solstício de Verão e agora se festejam os chamados "Santos Populares" – Santo António, São João e São Pedro – é, por assim dizer, a altura em que a sardinha é mais apreciada e faz as delícias do povo nas animações de rua. Estendida sobre um naco de pão, a sardinha adquire um paladar mais característico, genuinamente à maneira portuguesa.
Por esta altura, muitos são os estrangeiros que nos visitam e, entre eles, os ingleses que possuem a particularidade de a fazerem acompanhar com batata frita, causando frequente estranheza entre nós. Sucede que, o “fish and chips” ou seja, peixe frito com batatas fritas, atualmente bastante popular na Grã-Bretanha, teve a sua origem na culinária portuguesa, tendo sido levado para a Inglaterra e a Holanda pelos judeus portugueses, dando mais tarde origem à tempura que constitui uma das especialidades gastronómicas mais afamadas do Japão.
Carlos Gomes / http://www.folclore-online.com/

Ao descrédito da monarquia em Espanha corresponde a degradação da república em Portugal
A questão da forma do regime – monarquia ou república – deve sempre ser colocada em função do interesse nacional sempre estabelecido num plano superior e tendo em consideração o respetivo contexto histórico. Desse modo, a inegável vantagem que a instituição real apresenta relativamente à eleição de um presidente da república, nomeadamente no que respeita à sua independência em relação aos partidos políticos, pode, noutra latitude constituir um entrave à liberdade dos povos.

Numa altura em que a sucessão no trono de Espanha é anunciada na sequência da abdicação do atual rei, eis que um clamor republicano se ergue desde a Galiza até Euskadi e Catalunha, reclamando a realização de um referendo para que os cidadãos possam decidir democraticamente a forma de regime.
Pese embora o crescente descrédito da instituição real em Espanha, a vontade de mudança de regime tem sobretudo a ver com a aspiração de soberania das diferentes nacionalidades, visto que a mesma jamais será alcançada sob a atual forma de regime. E, a não ser que o rei venha a tornar-se o soberano de diferentes países independentes, um tanto à semelhança da rainha de Inglaterra, a monarquia em Espanha terá os dias contados.
Ironicamente, a realização do referendo constitui uma exigência que é partilhada pelos monárquicos portugueses e que, à semelhança dos argumentos que em Espanha impedem a consulta popular com base na alegada aprovação da Constituição de 1978 que estabeleceu a monarquia parlamentar, veem em Portugal idêntico impedimento à sua realização em virtude do artigo 288º da Constituição da República Portuguesa impor como limite material da revisão constitucional a “forma republicana de governo”. Mais ainda, a monarquia em Espanha tem vindo ao desacreditar-se ao mesmo ritmo que a república em Portugal, com a única diferença de que no nosso país, os monárquicos portugueses não têm conseguido afirmar-se como intérpretes do descontentamento popular, eventualmente porque muitos dos seus partidários encontram-se mais ligados às esferas do poder que, curiosamente, têm sido responsáveis pela perda da identidade nacional.
Tal como sucedeu em Portugal quando em 1640 os conjurados ameaçaram D. João IV com a possibilidade de implantarem uma república caso este não os apoiasse na sua decisão de colocar termo ao domínio dos filipes, também os galegos, bascos e catalães veem atualmente na república um meio de alcançarem a soberania que constitui uma legítima aspiração nacional. E procuram fazê-lo de forma pacífica e democrática, desafiando os partidos políticos a proceder a uma revisão constitucional que permita a consulta popular por meio de referendo.
Muito provavelmente, a Espanha evoluirá para uma comunidade de estados independentes ou mesmo uma república federativa na qual a Galiza encontrará o seu espaço político. Não obstante, existe ainda um longo caminho a percorrer para que, Galiza e Portugal, constituindo uma só nação, venham construir um futuro comum!
Carlos Gomes / http://bloguedominho.blogs.sapo.pt/

Espanha viu então uma oportunidade de anexar o nosso país
Numa altura em que os países aliados da Segunda Guerra Mundial comemoram o 70º aniversário da Batalha da Normandia, não deixa de ser oportuno lembrar os planos então congeminados entre a Alemanha nazi e a Espanha franquista com vista à invasão militar de Portugal e sua consequente supressão enquanto país soberano. Tratava-se da chamada “Operação Isabella” e constituía um complemento à “Operação Félix” que tinha por objetivo a ocupação do território britânico de Gibraltar.

Apesar de geralmente aceitar-se o princípio segundo o qual a História não se repete, não podemos deixar de alguma forma fazer um paralelismo com as invasões francesas, incluindo o Bloqueio Continental e o Tratado de Fontainebleau.
Com efeito, à semelhança das pretensões de Napoleão, também a Alemanha pretendia isolar o Reino Unido impedindo o seu acesso ao continente. E a Espanha, mau grado o Tratado de Amizade e Não Agressão Luso Espanhol celebrado em 1939, com Portugal, via nisso uma oportunidade de anexar o nosso país e, dessa forma, concretizar o velho anseio sintetizado no programa falangista da “Espanha Una” a englobar todo o espaço peninsular. E, foi com esse propósito que, em 23 de outubro de 1940, o generalíssimo Franco avistou-se com Adolf Hitler em Hendaye, no sul da França ocupada.
A invasão militar do nosso país seria executada por 3 divisões alemãs: uma blindada, que partindo de Cáceres, atacaria os portos de Lisboa e Setúbal; uma de infantaria motorizada, que partindo de Valhadolid, atacaria o Norte de Portugal e virando para Sul, ameaçaria a retaguarda das forças portuguesas que defenderiam Lisboa e a margem Norte do rio Tejo; e outra de infantaria ligeira, que partindo de Sevilha, avançaria pelo Algarve, com ou sem apoio do exército espanhol.
Com forças militares insuficientes para oferecer uma resistência capaz ao exército alemão, o governo português retiraria sob escolta da Marinha Britânica para a cidade de Ponta Delgada, nos Açores, onde estabeleceria a capital e, desse modo, não assinaria a capitulação militar. Uma estratégia, aliás, em muitos aspetos semelhante à que levou a corte portuguesa ao tempo de D. João VI para o Brasil.
Entretanto, as capacidades de defesa alteraram-se com a cedência, em 1943, da Base das Lages ao Reino Unido ao abrigo do Tratado de Aliança Luso-Britânico a fim de ser utilizada pela Royal Air Force e a chegada de grande quantidade de de material de guerra moderno como viaturas blindadas, artilharia antiaérea e anticarro, sistemas antissubmarino, e esquadrilhas de aviões de caça modernos como Spitfires e Hurricanes.
Contudo, foram os falhanços militares alemães na frente oriental, na sequência da invasão da União Soviética iniciada em 22 de junho de 1941, na chamada “Operação Barbarossa”, mais concretamente a resistência russa no cerco à cidade de Leninegrado, que determinaram o adiamento da invasão militar de Portugal, o qual, aliás, não se chegou a concretizar.
Decorridas que são mais de sete décadas sobre os fatos mencionados, importa questionar se os interesses geoestratégicos não continuarão a determinar novas “Operações Isabella”, ainda que com recurso a outros métodos porventura mais eficazes do que a intervenção militar.


“Asas de Portugal” é o título de um poema de cariz patriótico da autoria do escritor e poeta Delfim Guimarães, publicado em 1922, por ocasião da primeira travessia aérea do Atlântico Sul levada a cabo por Gago Coutinho e Sacadura Cabral, no contexto das comemorações do primeiro centenário da independência do Brasil.

O poema foi escrito na Amadora, terra com grandes tradições aeronáuticas, e editado pela Livraria Editora Guimarães & Cª, editora fundada pelo próprio autor.
Com vasta obra literária, o escritor Delfim Guimarães nasceu no Porto em 4 de agosto de 1872, encontrando-se também ligado a Ponte de Lima, terra à qual dedicou a maioria dos seus versos e ainda á cidade da Amadora onde viveu e veio a falecer em 6 de julho de 1933.
O livro cuja imagem reproduz foi pelo autor oferecido à Redação do jornal Diário de Notícias.

O CEPAE – Centro de Património da Estremadura irá organizar no dia 21 de junho, sábado, pelas 15h30, no Palácio dos Ataídes, Fundação Caixa de Crédito Agrícola em Leiria, a Conferência «10 anos de Rota da Arquitetura Korrodi – Como educar o “Olhar para o Património Construído".

A Rota de Arquitetura Korrodi celebra dez anos. Um projeto independente que assenta na investigação, formação e divulgação do património construído, que parte da cidade de Leiria e tem criado “pontes” com outras áreas do país, através da parceria com diversas instituições públicas e privadas.
A homenagem a Ernesto Korrodi tem também contribuído para valorizar o trabalho de outros artistas, mestres e arquitetos como Narciso Costa, Camilo Korrodi, Lino António ou Augusto Romão.
Neste momento de celebração, Genoveva Oliveira, Saul Gomes e Vitorino Guerra irão apresentar três momentos de reflexão sobre questões que refletem a importância de investigar e de educar para o património. Qual a cidade que queremos para este momento presente e para o futuro? Como educadores, investigadores e cidadãos, será que fazemos o suficiente.
Após a conferência realizar-se-á o percurso pedestre – Rota da Arquitetura Korrodi. A participação é livre se sem inscrição prévia.


De foice em punho, a deusa romana Ceres procede à colheita dos cereais enquanto o lavrador abastece o celeiro. É Agosto, o mês das colheitas mas também das alegres romarias. É preciso sachar e regar o milho e arrancar-lhe os pondões para os dar de alimento ao gado bovino. Mas também é tempo de cumprir promessas e partir em romaria ao S. João d'Arga ou à Senhora das Neves, em Caminha ou à Senhora da Peneda que fica na Gavieira, nos confins de Arcos de Valdevez; à Senhora do Pranto em Vila de Rei, à Senhora da Piedade em Montalegre ou a São João do Deserto em Aljustrel. Por esta ocasião, Viana do Castelo enche-se de moças que envergam os lindos trajes garridos das lavradeiras ou os elegantes fatos de mordomas para receber os visitantes que não dispensam os festejos em honra da Senhora da Agonia.

Costume antiquíssimo que também tinha lugar durante o mês de Agosto e que quase desapareceu, em grande medida em consequência de fanatismos políticos que tiveram o seu tempo, consistia na organização dos círios à Senhora do Cabo que se encontra num templo situado no Cabo Espichel, à Senhora da Nazaré e à Senhora da Atalaia, sempre muito concorridos de gente nomeadamente das localidades ao redor de Lisboa. O círio à Senhora do Cabo que se realizava desde 1430 era organizado por uma confraria que chegou a reunir trinta paróquias, incumbindo a cada uma delas organizar anualmente o respetivo círio. No ano passado, coube tal incumbência à paróquia de Rio de Mouro que a realizou após cinquenta anos em relação à última que levou a efeito em virtude do círio não ter sido organizado nos anos que se seguiram ao 25 de Abril de 1974. Aliás, devido ao clima antirreligioso vivido durante a vigência da Primeira República que levou inclusive a uma tentativa de destruição verificada na igreja de Carnaxide onde a imagem se guardava, também este círio não se realizou desde 1911 até 1926, ano em que foi instaurada a ditadura militar.
Levando consigo a imagem da Senhora do cabo e o respetivo pendão, o povo de Lisboa e de numerosas paróquias dos atuais concelhos de Oeiras, Sintra, Amadora, Cascais e Loures lá ia em cortejo processional de barco, atravessando o rio Tejo até à outra banda.
Desembarcavam em Porto Brandão e de lá seguiam até ao santuário do Cabo Espichel onde se lhes ajuntava muita gente da margem sul.
A tradição dos círios começou aparentemente entre nós como simples peregrinações organizadas por grupos de romeiros que de uma determinada localidade se deslocavam a um santuário, transportando consigo um círio que depunham no altar do santo da sua devoção. Um costume, aliás, que se origina dos cultos praticados às divindades locais durante a era pré-cristã e que certamente se encontra na génese das atuais romarias e festas que o nosso povo realiza aos santos padroeiros das suas localidades e ainda àqueles que habitam em pequenas ermidas às quais o povo sempre acorre em alegre peregrinação. É ainda relativo a tais tradições que se conserva o hábito de acender velas nos altares dos santos, embora as mesmas sejam em geral apenas acesas no local ou durante as cerimónias religiosas, costume este que também se encontra ameaçado como as novas técnicas de "velas eletrónicas" cada vez mais empregue nos templos.
É aos etruscos geralmente atribuída a invenção das velas ou círios, devendo-se tal facto estar associado aos seus cultos funerários e outros rituais religiosos que marcaram a sua civilização. Também na Roma antiga eram muito utilizados em cerimónias pagãs. Os gregos usavam para o efeito pequenas candeias de azeite, costume aliás ainda praticado entre nós.
Contudo, os círios já eram conhecidos desde os povos da antiguidade que utilizavam para o efeito tochas formadas por paus de madeira resinosa para se alumiarem e prestarem os seus cultos. A designação de círios para identificar as romarias que se realizavam à Senhora da Nazaré, à Senhora da Atalaia e à Senhora do Cabo Espichel apenas se justifica por transportarem consigo o respetivo círio que, tal como os povos da antiguidade, iam depositar aos pés da santa como sinal de devoção. Os círios constituem uma das tradições que melhor caracterizam a identidade religiosa e cultural do povo português, razão pela qual se deveria desenvolver um esforço com vista à recuperação da sua grandeza de outros tempos.

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