Blogue de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes de Lisboa e arredores

Sexta-feira, 16 de Maio de 2014
O RIO TEJO, A LENDA DE SANTA IRIA E NÁBIA, DEUSA DOS RIOS E DA ÁGUA

Qual reminiscência do período visigótico, a crença pagã em Nábia – ou Nabanus – viria a dar origem na famosa lenda de Santa Iria – ou Santa Irene – cujo corpo, após o seu martírio, ficou depositado nas areias do rio Tejo junto às quais se ergueram vários locais de culto, tendo inclusive dado origem a alguns topónimos como a Póvoa de Santa Iria e, com a introdução do Cristianismo, a atribuição do seu nome à antiga Scallabis, a atual cidade de Santarém. É, pois, no rio Tejo que desaguam as águas do rio Zêzere após as ter recebido do rio Nabão cujo nome advém da deusa Nábia, deusa dos rios e da água.

Quando ocuparam a Península Ibérica à qual deram o nome de Hispânia, os romanos que à época ainda não se haviam convertido ao Cristianismo, adotaram as divindades indígenas e ampliaram o seu panteão, apenas convertendo o nome de Nábia para Nabanus, tal como antes haviam feito com os deuses da antiga Grécia.

Conta a lenda que Iria – ou Irene – nascera em Nabância, uma villae romana próxima de Sellium, a atual cidade de Tomar. Oriunda de uma família abastada, Iria veio a receber educação esmerada num mosteiro de monjas beneditinas, o qual era governado pelo seu tio, o Abade Sélio.

Dotada de beleza e inteligência, a jovem Iria atraía as atenções sobretudo dos fidalgos que disputavam entre si as suas atenções. Contava-se entre eles o jovem Britaldo que por ela alimentou uma enorme paixão. Contudo, Iria entregava-se a Deus e recusava as suas investidas amorosas.

Roído de ciúmes pela paixão de Britaldo, o monge Remígio que era o diretor espiritual de Iria, deu a beber a Iria uma mistela que lhe provocou no corpo a aparência de gravidez, provocando desse modo a sua expulsão do convento, levando-a a procurar refúgio junto do rio Nabão. Britaldo, a que entretanto chegara os rumores do ocorrido, movido por despeito, ordenou a um servo o seu assassínio.

Atirado ao rio Nabão cujas águas correm para o rio Zêzere, o corpo da mártir Iria ficou depositado nas areias do rio Tejo, aí permanecendo incorruptível para a eternidade, tendo o seu culto sido muito popular sobretudo no período do domínio visigótico.

Do nome de Irene – Santa Iria – tomou a antiga Scallabis romana o nome passando a denominar-se de Sancta Irene, daí derivando a atual designação de Santarém. Da mesma maneira que, para além de assinalar um acidente orográfico, a designação toponímica Cova da Iria deverá ter a sua origem no referido culto a Santa Iria, porventura já sob o rito moçárabe ou seja, cristão sob o domínio muçulmano embora adotando aspetos da cultura árabe.

A lenda de Santa Iria e o relacionamento com o local onde nascera ou seja, a villae romana de Nabância, remete-nos ainda para o culto de Nabia, a deusa dos rios e da água, uma das divindades mais veneradas na antiguidade na faixa ocidental da Península Ibérica ou seja, a área que atualmente corresponde a Portugal e à Galiza.

Com efeito, durante o período que antecedeu à ocupação romana, a deusa Nábia era celebrada pelos povos autóctones, tendo o seu nome sido atribuído a diversos rios como sucede com o Navia, na Galiza e o Neiva e o Nabão em Portugal. Inscrições epigráficas como as da Fonte do Ídolo, em Braga e a de Marecos, em Penafiel, atestam-nos a antiga devoção dos nossos ancestrais à deusa Nábia.

Quando ocuparam a Península Ibérica à qual deram o nome de Hispânia, os romanos que à época não se haviam convertido ainda ao Cristianismo, adotaram as divindades indígenas e ampliaram o seu panteão, apenas convertendo o nome de Nábia para Nabanus, tal como antes haviam feito com os deuses da antiga Grécia.

Qual reminiscência de antigas crenças, o culto pagão à deusa Nábia – ou Nabanus – veio a dar origem à famosa lenda de Santa Iria – ou Santa Irene – cuja invocação é particularmente celebrada em Tomar, cidade banhada pelo rio Nabão.



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Quarta-feira, 14 de Maio de 2014
MISSIONÁRIOS DA CONSOLATA ORGANIZAM PEREGRINAÇÃO A SANTIAGO DE COMPOSTELA



publicado por Carlos Gomes às 21:09
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Terça-feira, 6 de Maio de 2014
BAIRRO ESTRELA D’OURO É UM MONUMENTO AO ESPÍRITO TRABALHADOR DA COMUNIDADE GALEGA

O Bairro Estrela D’Ouro cuja construção remonta aos começos do século XX, é um dos testemunhos exemplares da presença e do espírito empreendedor da comunidade galega em Lisboa. Trata-se de uma antiga vila operária que Agapito Serra Fernandes, um industrial de confeitaria, mandou construir para os seus trabalhadores. Ele próprio residiu no bairro juntamente com os seus familiares.

Bairro Estrella D'Ouro (2)

Situado em pleno bairro da Graça, próximo de Sapadores e do magnífico miradouro da Senhora do Monte onde se ergue a capela a S. Gens, abrange uma extensa área beneficiando de boa localização, de fácil acesso à zona oriental de Lisboa.

A estrela de cinco pontas constitui a imagem de marca do bairro Estrela d’Ouro, naturalmente um dos símbolos da Galiza em alusão a Compostela, derivando de “campo de estrelas”. Um pouco por toda a parte encontramos a estrela e grandiosos painéis de azulejos que identificam o bairro, o antigo cinema Estrela d’Ouro, a fábrica e outros equipamentos sociais.

Atualmente, este bairro particular está integrado no espaço urbano de Lisboa, fazendo parte do seu património histórico e encontrando-se classificado. Para a comunidade galega radicada na capital, constitui um dos numerosos pontos de referência que possui e que marcam a sua própria existência numa cidade que, afinal de contas, também é a sua cidade.

Bairro Estrella D'Ouro

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Bairro Estrella D'Ouro (7)

Bairro Estrella D'Ouro (15)



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Sábado, 19 de Abril de 2014
XUVENTUDE DE GALÍCIA É O ELO DE LIGAÇÃO DA COMUNIDADE GALEGA EM LISBOA

A Xuventude de Galícia – Centro Galego de Lisboa é uma das mais antigas associações existentes em Lisboa. Com mais de um século de existência, ela constitui a força aglutinadora dos galegos radicados em Lisboa, a maioria dos quais plenamente integrada na sociedade portuguesa, para tal contribuindo a identidade cultural e linguística que fazem de galegos e portugueses a mesma nação.

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A presença da comunidade galega entre nós remonta aos primórdios da fundação da própria nacionalidade. Porém, um tanto à semelhança do que se verificou no Minho e noutras regiões do interior do nosso país, também na Galiza a industrialização verificada sobretudo a partir de meados do século XIX provocou um verdadeiro êxodo de populações das zonas rurais para os grandes centros urbanos. E, muitos foram então os galegos que migraram para Lisboa, empregando-se nos mais variados ofícios e, no negrume das carvoarias, partilharam com os minhotos o pão que o diabo amassou.

O liberalismo e os republicanos dos começos do século XX incrementaram o associativismo popular como um meio de difundir os seus ideais e alargar a sua influência política. Surgiram então os centros escolares, sociedades recreativas, bandas filarmónicas e muitas outras sociedades de cultura, desporto e recreio perseguindo os mais diversos fins como as agremiações regionalistas a que o Estado Novo veio impor a denominação de “casas regionais”.

Também a comunidade galega radicada sobretudo em Lisboa adquiriu a consciência da sua identidade e expressão numérica, sentindo de igual modo a necessidade de se agrupar. E, desse modo, em 10 de novembro de 1908, fundaram em Lisboa a Xuventude de Galícia – Centro Galego de Lisboa, cuja primeira Xunta Diretiva foi constituída por José Lorenzo Covas, Manuel Alvarez Covas, Ramiro Vidal Carreira, Francisco Sanchez, Marcelino Outerelo Rocha, Casimiro Movilla e Ramiro Martin Y Mart.

Atualmente sediada na Rua Júlio de Andrade, n.º 3, num magnífico palacete dos finais do século XIX construído segundo a traça de um arquiteto italiano, com uma soberba vista sobre Lisboa, a Xuventude de Galícia é desde 1980 reconhecida como Pessoa Coletiva de Utilidade Pública. Na realidade, trata-se de uma autêntica embaixada dos interesses culturais da Galiza e o lídimo representante da comunidade galega radicada em Lisboa.

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Sexta-feira, 18 de Abril de 2014
BAIRRO ESTRELA D’OURO EM LISBOA É UM MONUMENTO AO ESPÍRITO TRABALHADOR DA COMUNIDADE GALEGA

O Bairro Estrela D’Ouro cuja construção remonta aos começos do século XX, é um dos testemunhos exemplares da presença e do espírito empreendedor da comunidade galega em Lisboa. Trata-se de uma antiga vila operária que Agapito Serra Fernandes, um industrial de confeitaria, mandou construir para os seus trabalhadores. Ele próprio residiu no bairro juntamente com os seus familiares.

Bairro Estrella D'Ouro (2)

Situado em pleno bairro da Graça, próximo de Sapadores e do magnífico miradouro da Senhora do Monte onde se ergue a capela a S. Gens, abrange uma extensa área beneficiando de boa localização, de fácil acesso à zona oriental de Lisboa.

A estrela de cinco pontas constitui a imagem de marca do bairro Estrela d’Ouro, naturalmente um dos símbolos da Galiza em alusão a Compostela, derivando de “campo de estrelas”. Um pouco por toda a parte encontramos a estrela e grandiosos painéis de azulejos que identificam o bairro, o antigo cinema Estrela d’Ouro, a fábrica e outros equipamentos sociais.

Atualmente, este bairro particular está integrado no espaço urbano de Lisboa, fazendo parte do seu património histórico e encontrando-se classificado. Para a comunidade galega radicada na capital, constitui um dos numerosos pontos de referência que possui e que marcam a sua própria existência numa cidade que, afinal de contas, também é a sua cidade.

Bairro Estrella D'Ouro

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