Blogue de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes de Lisboa e arredores
Terça-feira, 17 de Outubro de 2017
A IDENTIDADE DE UM POVO ESTÁ NA SUA CULTURA

 “Todos têm direito à fruição e criação cultural, bem como o dever de preservar, defender e valorizar o património cultural.”

In Artigo 78º/1 da Constituição da

República Portuguesa

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A identidade de um povo está na sua cultura. Podemos entender como tudo aquilo que é construído pelo ser humano. Inclui os mitos, símbolos, ritos, todas as crenças, todo o conjunto de conhecimentos e todo o comportamento etc. Portanto, conhecer e valorizar a nossa cultura são auto-afirmações do que somos. De contrário, poderemos ser conduzidos por qualquer maré que chega. Por exemplo, ser conduzidos pelo fenómeno da globalização (Não considerado seus valores) que busca homogeneizar as culturas locais a fim de controlar as nações do mundo com as doutrinas capitalistas. Este processo chama-se aculturação. Quer dizer, a infusão de uma cultura sobre outra a fim de matar uma.

Já a inculturação, por sua vez, pode ser considerada um factor positivo ou negativo, pois alude a incorporação de elementos de uma na outra. Falo negativo e positivo, porque o processo pode dar-se de modo imposto ou partilhado. Contudo, as gestões públicas não se preocupam muito com os movimentos que mantém a chama acesa da identidade do povo… Talvez por achar desnecessário manter viva essa identidade, cujo nascimento vem das classes mais desfavorecidas. Diante dessa premissa, é certo valorizar a cultura popular, haja vista que ela e tão importante quanto a literatura, a arte plástica, a arquitectónica etc. Foi através da cultura popular que pesquisas antropológicas e sociológicas chegaram a diversas características dos nossos antepassados. Uma das estratégias do capitalismo é apresentar lixos culturais através dos meios de comunicação de massa e outros meios. Chega até nós através da música, das propagandas comerciais auditivas e visuais, através da internet, principalmente através da TV, responsável por criar modismos incoerentes à vida de sofrimento do povo; criar deuses falsos a fim de ludibriar através da estética. Também, difundindo o estrangeirismo da língua e outros costumes. A cultura de massa não pergunta se o povo quer, ela impõe. Por isso, não poderia deixar de parabenizar Património Cultural Popular de Portugal, valorizando os Grupos Folclóricos. O Património Cultural pode ser definido como um bem (ou bens) de natureza material e imaterial considerado importante para a identidade de uma sociedade.

Como demonstra o artigo 78º/1 da Constituição da República Portuguesa (doravante denominada pela sigla CRP), o património cultural deve ser, além de preservado e protegido, valorizado e dinamizado. Ou seja:uma visão dinâmica do património leva-nos a adoptar esta terminologia para o definir. Ao longo desta dissertação vamos mostrar (sobretudo no capítulo 3)essa dinâmica que deve ser empreendida no património cultural. É evidente que não discordamos de o mesmo ser um legado, uma herança deixada pelas gerações que nos antecederam, até porque essa mesma herança é um assunto de todos, que nos identifica e qualifica mas que não deve ser apenas mirada ou admirada. Devemos retirar do património todos os ensinamentos que o mesmo contém mas também investir e promovê-lo de forma  a perpetuá-lo no futuro.

Outra questão que surge quanto à terminologia tem a ver com a cisão das expressões “património cultural” e “bens culturais”. Devem ser consideradas como distintas? Normalmente são vistas Como sinónimas ou até consideradas com o mesmo significado. Excepciona-se esse entendimento na nossa Lei do Património Cultural (doravante denominada pela sigla LPC) que distingue estes dois termos no artigo 2º (conceito e âmbito do património cultural) e no artigo 14º (bens culturais). O património na LPC é integrado pelos bens culturais materiais, pelos bens culturais imateriais, por outros bens considerados como fazendo parte do património cultura por convenções internacionais que vinculem o Estado português e pelos contextos dos bens culturais, ou seja, os bens culturais são apenas constituídos pelos bens móveis e imóveis que, de harmonia com o disposto nos n.º 1, 3 e 5 do artigo 2º, representem testemunho material com valor de civilização ou de cultura. Podemos, assim e de alguma forma, concluir que esta é uma visão bastante ampla de património cultural. Uma visão perfilhada pela Convenção da UNESCO.

Os bens culturais imateriais estão relacionados aos saberes, às habilidades, às crenças, às práticas, ao modo de ser das pessoas. Desta forma podem ser considerados bens imateriais: conhecimentos enraizados no quotidiano das comunidades; manifestações literárias, musicais, plásticas, cénicas e lúdicas; rituais e festas que marcam a vivência colectiva da religiosidade, do entretenimento e de outras práticas da vida social; além de mercados, feiras, festas e romarias santuários, praças e demais espaços onde se concentram e se reproduzem práticas culturais.

Viva a verdadeira identidade de um povo… A sua cultura popular!

Sérgio da Fonseca



publicado por Carlos Gomes às 23:38
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