“O que nos faz levitar / Vem lá de dentro do olhar / É coisa de quem bem se quer”. É com estas meigas, e profundas, palavras que Álvaro Lancellotti entra na nossa mente. Pertencem a “Balé”, primeiro single do disco “Canto de Marajó” (2016), registo que marca a sua estreia em Portugal.

O cantor e compositor carioca já viu o mais recente disco ser destacado por mais do que uma vez por David Byrne e recolheu excelentes críticas por todo o Brasil, sendo inclusivamente considerado um dos dez melhores de 2016 pelo reputado jornal “O Globo”. Liderou o projeto Fino Coletivo, alcançando reconhecimento proporcional ao talento que a sua alma alberga, avançando posteriormente para a carreira a solo.
Conta com dois discos de originais (“O Tempo Faz a Gente Ter Esses Encantos”, de 2012, e o já citado “Canto de Marajó”) e sob o selo da Music For All ruma finalmente à conquista da Europa. A estreia nos palcos europeus está prevista para Outubro, mês em que fará uma série de atuações especiais de norte a sul de Portugal.
Álvaro Lancellotti só podia virar músico. Entre as influências do pai e do irmão, Ivo e Domenico Lancellotti respetivamente, do samba, boleros e dos baile funks que frequentou desde tenra idade, era impossível não se deixar conquistar por um mundo tão denso, profundo e apaixonante quanto este.
Mais tarde, tornou-se num dos pilares do Fino Coletivo, uma banda que unia de forma surpreendente compositores alagoanos e cariocas. Álvaro foi assim o vocalista de serviço nos dois álbuns da banda, “Fino Coletivo” (2007) e “Copacabana” (2010), vendo o seu talento reconhecido e o trabalho elogiado um pouco por todo o Brasil. O Fino Coletivo foi distinguido “Banda Revelação 2007” pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e os dois discos de originais foram selecionados para os melhores dos respetivos anos pelo jornal “O Globo”.
Dois anos depois surge o desejo de caminhar a solo, mostrando ao mundo as canções que pululavam na sua mente. Da ponta dos seus dedos nasceu, assim, “O Tempo Faz a Gente Ter Esses Encantos” (2012), álbum onde se destacaram dois temas: “Sexta-feira” e “Autoajuda”. Ambas as músicas integraram a banda sonora da série “Preamar”, da reputada estação televisiva HBO, trazendo uma vez mais o reconhecimento e mérito devido a Álvaro.
Estamos já em 2014 quando Lancellotti começa a trabalhar num novo disco a solo. No entanto, por motivos diversos, o disco acabou por apenas ver a luz do dia quase dois anos depois do início dos trabalhos. “Canto de Marajó” foi gravado entre a Serra de Petrópolis, no Estúdio da Aldeia, e Copacabana, no Estúdio 707, e contou com produção do próprio Lancellotti. A restante equipa é formada por Adriano Sampaio (percussão), Daniel Medeiros (baixo), Pedro Costa (violão e guitarra) e mixagem de Mário Caldato Jr (reconhecido pelo seu trabalho com Beastie Boys, Marcelo D2, Jack Johnson, Marisa Monte, Seu Jorge, entre outros). A arte é de Alexandre Fischer que, por sua vez, utilizou o trabalho do artista uruguaio Carlos Paes Vilaró.
Assim nasceu “Canto de Marajó”, trabalho seminal que Álvaro traz agora a Portugal e que o jornal “O Globo” considerou um dos dez melhores discos de 2016. Outubro será o mês em que o cantor e compositor brasileiro embarca na maior das suas aventuras até hoje: partir rumo à conquista da Europa.
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