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Sexta-feira, 7 de Agosto de 2015
CIDADE DE NAGASAKI FOI DESTRUÍDA HÁ 70 ANOS!

Nagasaki foi fundada pelos portugueses há 445 anos, na Ilha de Kyushu, no sudoeste do Japão

No próximo dia 9 de agosto, passam precisamente 70 anos sobre a data da destruição da cidade japonesa de Nagasaki. Naquele fatídico dia, os Estados Unidos da América lançaram sobre a cidade a bomba atómica, após dias antes terem feito o mesmo em relação à cidade de Hiroshima.

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Nagasaki foi criada pelos portugueses com vista ao estabelecimento de um porto de abrigo para os navios que demandavam aquelas paragens. Após um longo processo de negociações entre os jesuítas e Ômura Sumitada, senhor de Ômura e várias tentativas falhadas de fixação noutros locais, foi finalmente decidida a sua construção na ampla e profunda baía onde até então apenas existia uma pequena povoação de pescadores.

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A construção foi iniciada em 1571 e a cidade rapidamente se transformou num importante entreposto comercial, sobretudo para os negociantes holandeses, ingleses, chineses e coreanos. De igual modo, constituiu um dos principais pontos de evangelização dos jesuítas no Extremo Oriente

Possuindo uma população maioritariamente cristã, em grande medida resultante da miscigenação entre portugueses e mulheres japonesas, Nagasaki era uma cidade carateristicamente portuguesa, com as suas catedrais, a organização paroquial e a Misericórdia fundada em 1583. Mas, ainda mais relevante, a introdução de numerosos vocábulos no dialeto local, a influência na gastronomia, no vestuário e em muitos outros hábitos japoneses.

A sua importância estratégica levou á instalação no local de uma importante base naval da Marinha Imperial do Japão, razão pela qual se tornou um dos alvos escolhidos para o lançamento da bomba atómica no final da Segunda Guerra Mundial que a destruiu quase por completo.

Mais do que qualquer outra cidade do Japão, Nagasaki permanece viva no coração dos portugueses!



publicado por Carlos Gomes às 22:30
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2 comentários:
De Inês Matos a 12 de Agosto de 2015 às 02:34
Caro Sr. Carlos, encontrei por acaso o seu blog. Não me interprete mal por favor, vou fazer um comentário sobre o artigo que escreveu a respeito de Nagasaki. Antes de mais dou-lhe os parabéns por se ter lembrado de escrever sobre o aniversário do bombardeamento. Esse é realmente um assunto muito importante na história mundial e sobretudo para a população de Nagasaki. Contudo o seu artigo tem muitos erros factuais. Calculo que as suas fontes venham de umas teorias datadas, dos tempos anteriores a 1974, quando a história da expansão portuguesa era dada com recurso a 90% mitologia e 10% investigação. Na realidade, de acordo com documentação portuguesa e também japonesa, a cidade de Nagasaki não foi fundada pelos portugueses, aliás nem sequer o porto de Nagasaki foi fundado pelos portugueses. Nagasaki já existia, bem como o porto, era um território administrado por um governador que era por sua vez vassalo de um daimyo (vulgo senhor da guerra). O porto de Nagasaki foi visitado por um emissário português quando os portugueses estavam estabelecidos em Fukuda, que é apenas a 5 km de Nagasaki. Trataram-se depois das burocracias necessárias para abrir o porto de Nagasaki ao comércio internacional. Anteriormente os estrangeiros não eram admitidos em Nagasaki, precisamente porque já era um cidade com administrador e população própria. Contudo, quando comparamos o seu crescimento, efectivamente a cidade cresceu muito rápido depois da autorização de comércio internacional, e isso não se deve apenas aos portugueses mas também aos comerciantes que vinham de várias partes da costa chinesa e das ilhas do sul (que hoje são Okinawa mas na época eram vassalos da China). Outro erro factual do seu artigo é indicar que a maioria da população de Nagasaki era cristã e que era fruto da miscigenação de portugueses com mulheres locais. Os casamentos entre cidadãos japoneses (e as mulheres eram, no Japão, cidadãos registados) era totalmente proibido. Foi assim até ao século XIX. Existia um concubinato mas não existia autorização de residência nem licença para a autorização de trabalho na cidade para quem fosse filho de tal relação. Por isso a população miscigenada, se existia, não estava recenseada e não temos efectivamente dados sobre isso. Sabemos sim que a população de Nagasaki era cosmopolita, que existiam em circulação chineses, coreanos, portugueses e outros europeus, mas não residiam de modo permanente na cidade. Ao final de cada dia tinham de se retirar para os bairros dos estrangeiros ou, no caso dos portugueses, para os portos. Apenas os missionários e padres podiam ficar no território de modo permanente, o que foi aliás um dos factores que facilitou a presença portuguesa no sul do Japão, já que os missionários - sobretudo os jesuítas - eram o interface entre o poder local e os mercadores. - Inês Matos, investigadora de estudos japoneses.


De Carlos Gomes a 12 de Agosto de 2015 às 08:53
Drª Inês Matos
Agradeço imenso as suas correcções. Com efeito, menciona aspectos que eu desconhecia e que exigirão de mim melhores leituras porque sou particularmente interessado na História dos Descobrimentos.
Muito obrigado e disponha sempre!


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