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Quarta-feira, 25 de Abril de 2018
DEPUTADO DO PAN, ANDRÉ SILVA, DISCURSA NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA, NA SESSÃO COMEMORATIVA DO 44º ANIVERSÁRIO DO 25 DE ABRIL

Sessão Comemorativa do 44º Aniversário do 25 de Abril

Intervenção PAN

Sr. Presidente da República, Sr. Presidente da Assembleia da República, Sr. Primeiro Ministro, ilustres entidades, altas autoridades, distintas e distintos convidados, Sras. e Srs. Deputados

Peço que imaginem a seguinte situação:

Alguém que vai de férias, compra um bilhete de comboio de Lisboa para Faro. Por qualquer motivo essa pessoa engana-se na linha e apanha um comboio com direcção a Braga. Só se apercebe quando a carruagem já se encontra em andamento. O que irá esta pessoa fazer? Parar na próxima paragem, tentar corrigir o erro, e apanhar o quanto antes um comboio na direcção contrária para chegar ao Algarve e começar as suas férias.

E se estivermos enganados em relação ao percurso que estamos a fazer enquanto sociedade, enquanto civilização?

Na data em que celebramos 44 anos de um momento histórico de transformação e de valor inestimável para os portugueses, acreditamos que estamos num novo período de transição. Agora é novamente o momento de mudar de direcção e de alterar as prioridades da agenda política. Mas o que é tão imperativo que nos faça compreender que temos urgentemente de mudar de direcção? O profundo impacto das Alterações Climáticas no equilíbrio dos ecossistemas. A única coisa que aumenta mais depressa do que as nossas emissões é a produção de palavras que se comprometem a baixá-las.

Precisamos lembrar-nos de que a tarefa do nosso tempo ultrapassa em muito as Alterações Climáticas. Temos de ir mais longe e mais fundo. Para sermos honestos connosco próprios, trata-se, na realidade, de transformar tudo relativamente à forma como vivemos neste planeta. Trata-se de uma questão de sobrevivência da nossa espécie, que exige uma alteração consistente e consciente do comportamento individual e social, acompanhada, a jusante e a montante, de melhor apoio do Estado.

O paradigma da civilização actual baseia-se no mito da separação entre o eu e o outro: o ser humano, os outros seres vivos e a natureza como um todo. A narrativa colectiva assenta agora num novo dogma, o do “desenvolvimento” enquanto metáfora para o crescimento económico ilimitado sem o qual, supostamente, ninguém pode ser feliz. Esta quimera, impossível de realizar num planeta com recursos finitos, gera uma crescente devastação dos recursos naturais, perda massiva de biodiversidade, contaminação das reservas de água, poluição sem fronteiras, alterações climáticas irreversíveis, o extermínio de sociedades ancestrais e uma industrialização de toda a vida animal e vegetal, que associada ao crescente fosso entre Norte e Sul, cria um enorme e desnecessário sofrimento. E esta pressão ameaça todos com um colapso ecológico-social sem precedentes.

Estamos a viver acima das capacidades do Planeta e o Antropoceno pode mesmo ser a última idade do Ser Humano.

Mas, caras companheiras e companheiros de viagem, o mundo e o futuro não têm que ser monocromáticos. Existe todo um arco íris de opções para além dos modelos socioeconómicos implementados e das possibilidades que conhecemos e perpetuamos desde sempre. Nem a Esquerda extrativista nem a Direita produtivista nos têm apontado soluções de bem-estar que não envolvam enormes custos ecológicos e humanos. Continuar a repetir erros esperando resultados diferentes, apenas demonstra o quão irracionais ainda somos.

É tempo de mudar de linha. E não temos muito tempo, pois o ponto de não retorno está a um apeadeiro de distância.

Compete-nos garantir, com a urgência que esta crise ecológica merece, uma transição para um modelo económico baseado em energias 100% limpas e renováveis, e que promova a independência energética de todos os Portugueses. Que proteja o bem comum e não subjugue o ambiente a interesses económicos e empresariais, e equilibre a despesa pública com investimentos ecologicamente sustentáveis e de longo prazo. Este modelo deverá também garantir mais tempo para a família e para o lazer, mais respeito inter-geracional e uma melhor coesão territorial. Em Bruxelas devemos reforçar a fraternidade e equidade no seio da União Europeia e rejeitar todos e quaisquer actos que promovam agressões ou fomentem guerras. A transição faz-se apostando e investindo na Cultura da não violência.

Apostar nas pessoas, para além dos discursos gastos de cariz puramente ideológico, é mostrar-lhes alternativas, é dar-lhes informação e formação para que possam fazer apreciações críticas da realidade, e acima de tudo dar-lhes exemplos sobre como é possível harmonizar o equilíbrio entre a sua satisfação pessoal, a sustentabilidade ambiental, o bem-estar e a dignidade dos outros povos, e a protecção de todas as outras formas de vida.

Termino com uma palavra de gratidão: aos capitães de Abril por, naquela madrugada, terem sido o nosso cais e nos terem feito mudar de linha. Muito obrigado!



publicado por Carlos Gomes às 09:59
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