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Domingo, 12 de Junho de 2016
FOLCLORE E IDENTIDADE – NACIONALISMO E LIBERDADE

A preservação da identidade nacional constitui uma condição essencial da liberdade de um povo, melhor dizendo de uma nação enquanto comunidade estável, historicamente constituída por vontade própria, assente num território e fundada em valores coletivos e elementos culturais como a língua, os costumes, religião, tradições e, de uma maneira geral, todos os aspetos que enformam a consciência nacional.

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Proveniente do latim natio, derivado de natus, o termo nação refere o sentimento de pertença a uma determinada comunidade de indivíduos unidos por laços históricos, assente numa identidade que remete para as suas origens étnicas.

Enquanto o termo nação identifica aqueles que são nascidos da mesma raiz, privilegiando o fator biológico e consequentemente o jus sanguinis na verificação da nacionalidade do indivíduo, o conceito de Pátria remete para uma noção de solo legado pelos antepassados, a terra paterna – do latim patrius, de pater – diretamente associado à ideia de país em relação ao qual um conjunto de indivíduos se encontra ligado por laços afetivos e culturais, ainda que não fazendo necessariamente parte da mesma comunidade nacional.

Por conseguinte, enquanto o nacionalismo advoga a defesa da identidade nacional de um povo como condição para a preservação da sua liberdade, o patriotismo exalta os valores que a prendem ao solo sagrado legado pelos seus antepassados e a sua obrigação de o transmitir aos vindouros. Ao invés do que tem vindo a ser propalado, nenhum dos conceitos em apreço – nacionalismo e patriotismo – tem a ver com atitudes exacerbadas de desconsideração e menosprezo em relação a outros povos ou atitudes reprováveis de rejeição de pessoas com identidades diferentes.

A identidade cultural de um povo é construída como um processo de auto-descrição, procurando através da unidade de elementos essenciais destacar a diferença em relação a outras culturas.

No que à definição dos elementos que definem essa identidade e o caráter de um povo dizem respeito encontram-se naturalmente as suas tradições mais genuínas, a cultura popular ou, para utilizarmos o neologismo que se vulgarizou, o seu folclore, traduzido na descrição da sabedoria popular e abrangendo os mais diversos aspetos da sua história não escrita como os contos e lendas, os provérbios e adivinhações, a religiosidade, a culinária e a medicina, o traje e o artesanato, os cantares e as danças, os jogos e as brincadeiras infantis.

Mais do que qualquer outra forma de opressão, é a aculturação e uniformização de hábitos e maneiras de pensar que caraterizam a sociedade capitalista, ávida de obtenção dos maiores proventos a qualquer custo, a principal ameaça à identidade dos povos e, consequentemente, à sua própria liberdade. Não admira, pois, a erosão provocada nas suas tradições mais genuínas, procurando apagar da sua memória o seu próprio passado.

À semelhança do que se verificou com os nacionalismos, também o interesse pelo folclore está intimamente associado à origem do Romantismo e aspiração dos povos oprimidos à sua emancipação política. É, pois, no folclore como fator de identidade cultural de um povo que assenta o ideário nacionalista como uma das condições da preservação da sua liberdade!

Fotos: José Carlos Vieira

Texto: Carlos Gomes

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publicado por Carlos Gomes às 21:38
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