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Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
NÃO KAHLO!

Não Kahlo apresenta-se enquanto um espectáculo pluriartístico liderado por mulheres e parte da vida, obra e sonhos da pintora mexicana Frida Kahlo. O espectáculo é uma criação do novo projecto D. Mona, da encenadora e actriz Mónica Kahlo e da antropóloga e investigadora Sílvia Raposo, reivindicando um espaço de reflexão e experimentação artísticas.

D. Mona. Não Kahlo. Imagem promocional

Não Khalo é um projecto emergente no qual as limitações são convertidas em abordagens estéticas, porque é preciso dizer rosa em vez de dizer ideia, numa estratégia  poético-performativa de bricolage cultural, inversão de categorias histórico-sociais e nomadismo artístico. O espectáculo segue carreira entre Espanha e Portugal.

Não Kahlo é canibalista. Comeu a orelha direita de Van Gogh.

Não Kahlo é cleptomaníaca. Roubou as rosas de Santa Isabel para adornar os cabelos de Frida.

Não Kahlo é contra-hegemónica. Arrancou o bigode de Dali para fazer a peruca de Barloff.

Não Kahlo é inconformada. Abriu a vala de Shakespeare para desenterrar a caveira de Yorick.

Não Kahlo é amante. As suas criações são exercícios espirituais.

Não Kahlo é iconoclasta. Subtraiu um prego à cruz e pregou-o na lista telefónica.

Não Kahlo é a acção de se desdobrar em infinitas mulheres.

Não Kahlo está de esperanças e quer parir um tigre que devore Shakespeare, Brecht, Van Gogh, Artaud, Cicciolina, Rivera, Abu-lughod, Heiner Müller, Monet, Foucault, Fassbinder, Ed Wood, Gauguin, Pina, Stanislavski, Beckett, Frida, Cesariny, Beethoven, Fernando Pessoa e mais os planetas desertos, que também mandam coisas, para os digerir e cuspir na caixa preta. 

Locais e datas de apresentação em 2018:

23 e 27 de Junho, 18 a 21 Outubro e 3 e 4 Novembro em Lisboa, Portugal

12 e 13 de Outubro no Porto, Portugal

06 e 07 Julho em Madrid, Espanha

Entrevista a Mónica Kahlo, directora artística do projecto D. Mona

Como é que surgiu a escolha desta peça para primeira grande aposta de 2018 da Companhia D. Mona?

Nós não escolhemos a peça, porque ela não existia. A peça Não Kahlo é da nossa autoria, escrita por mim e pela Sílvia Raposo para o espectáculo. Fomos assumidamente canibais na construção desta peça, são inúmeros os autores e referências com os quais dialogamos. O resultado final faz parte da nossa identidade. A Frida dizia que era a desintegração. Nós somos de alguma forma a integração, suturámos de alguma forma as vertebras quebradas do século.

É possível definir o que é o projecto D. Mona?

Deus não está morto. E, em última instância, é comunista. Não há lugar onde a comunidade de iguais seja tão real como na arte, no teatro. O comunismo pode ter fracassado politicamente, mas há um lugar onde foi vitorioso: numa sala de espectáculos. Todas as classes se sentam ao mesmo nível, todas riem, choram e aplaudem em conjunto, todos se emancipam, todos estão ali. Os vivos e os mortos mundiais estão ali. Nada se compara ao final de um espectáculo com a sala cheia e o público a aplaudir, é transcendente e falo como espectadora. Ali convoca-se a História. Como espectadora no final de um espectáculo sinto o mistério tocar-me. Esse mistério é o quadro de Gauguin De onde viemos, quem somos e para onde vamos? Emociono-me com frequência no final dos espectáculos por esse motivo, há uma entidade que é chamada à presença ali, chamem-lhe Deus, Amor, Esperança, o homem no seu Devir, o que quiserem. O projecto D. Mona é isso, é a procura da resposta para a pergunta de Gauguin. O nosso trabalho é o do refutamento de teses, da experimentação. Trata-se de uma experimentação muito nossa, para encontrarmos as respostas que procuramos, não as respostas que os outros acham que deveríamos procurar. Se tu, tal como nós, estiveres perdido e só, então, estamos a dialogar.

Qual é a proposta de “Não Kahlo”? É um espectáculo biográfico?

O espectáculo parte da vida da Frida, dialoga com o surrealismo também, mas é autobiográfico. Autobiográfico é a palavra certa, o espectáculo é sobre nós, D. Mona. É sobre a nossa identidade artística, sendo que acredito que somos o que somos porque os outros são. Nada é novo, tudo é um conjunto de referências, influências, vozes, imagens, sensações, por isso as nossas criações são canibalistas, são Frankensteins. Eu e a Sílvia começámos por fazer trabalho de pesquisa para construir o texto do espectáculo, debruçámo-nos sobre as vanguardas porque existiam alguns pintores que nos interessavam, principalmente impressionistas e expressionistas. O objectivo era desconstruir algumas obras da pintura e construir um espectáculo, uma espécie de pós-Pollock. Já conhecíamos alguns murais, mas durante o processo de pesquisa apaixonámo-nos pela pintura do Diego Rivera, pela força que ela tinha, o que nos levou à Frida. A Frida está para a vida como os murais estão para a arte. A sua personalidade é incontornável, a vida e a arte estão entrelaçadas. Ela é autobiográfica também, D. Mona e ela tinham algo em comum.

Que estilo de teatro faz?

Eu não sei o que é fazer um estilo de teatro nem me interessa nada. O que eu faço é ser eu própria, eu sou D. Mona, está-me no sangue, na urina, no suor, no pensamento. É o meu mundo, construído por mim e pela Sílvia e pelos intérpretes com quem trabalhamos, no qual convido quem quiser a entrar.

CARTAZ NÃO KAHLO LISBOA, PORTO MADRID


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publicado por Carlos Gomes às 21:21
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