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Segunda-feira, 12 de Junho de 2017
PÁTRIA OU NAÇÃO: ONDE RADICA O RACISMO E A XENOFOBIA?

Surgido na sequência da Revolução Francesa na segunda metade do sécul XVIII, o nacionalismo constitui uma doutrina fundada nos valores de uma nação – do latim natio ou natus que significa nascido – que remetem para a existência de uma comunidade estável, com existência histórica estabelecida, numa identificação étnica definida, baseada num território, numa língua comum e com aspirações materiais e espirituais próprias.

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Por outras palavras, constitui uma comunidade geralmente pertencente ao mesmo grupo étnico, tendo como elementos de identidade o idioma, os usos e costumes, tradições e religiosidade que fazem com que um povo possua uma consciência nacional.

O nacionalismo foi, pois, uma criação do Romantismo que, entre outros aspectos, valorizou as tradições populares, o folclore, os contos tradicionais e a elevação dos sentimentos de identidade como meio de formação dos Estados-Nação que emergiram no século XIX com a desagregação dos grandes impérios, dando origem entre outros à unificação da Itália e da Alemanha e às independências políticas da Grécia face ao Império Otomano.

Por conseguinte, o nacionalismo funda-se na identidade de um povo, considerando a sua própria maneira de ser distinta, mas não tendo necessariamente a ver com preconceitos de racismo ou xenofobia mas, antes pelo contrário, atende à diversidade de culturas dos povos, às suas naturais diferenças, condição indispensável para o estabelecimento de relações de harmonia com base no respeito mútuo. O nacionalismo não tem pois, nada a ver, com ambições imperialistas que levam à subjugação de outros povos e nações, ainda que o mesmo seja indevidamente utilizado de forma exacerbada para instrumentalizar os povos nesse sentido.

Porém, sendo o Estado a organização política da nação, tende por vezes o nacionalismo a confundir-se com o patriotismo. Na realidade, este remete para os valores da Pátria ou seja, a terra paterna (Pater) à qual nos sentimos ligados por vínculos afectivos, históricos e culturais, em virtude de nos ter legada pelos nossos antepassados com a obrigação de os transmitirmos aos vindouros (Património). É, pois, essa a razão porque se estabelece o princípio segundo o qual a Pátria não se discute!

Na realidade, o patriotismo é, pois, uma espécie de religião cívica destinada a cultivar a adoração aos símbolos do Estado, os seus hinos, bandeiras e símbolos oficiais, instituições e datas celebrativas, seguindo uma liturgia assente nas suas próprias datas festivas, tal como outrora sucedia no Império Romano.

Mas baseando-se o nacionalismo no carácter específico de um povo e uma nação, com respeito pela sua História, cultura e tradições da qual fazem parte nomeadamente a sua religiosidade, idioma e folclore, em diferenciação relativamente a outros povos, não pode jamais ser entendido como uma ideologia de acordo com modelos importados de outras nações.

A nacionalismo português funda-se no reconhecimento da entidade de Portugal e da Galiza como constituindo a mesma nação, separada embora por fronteiras políticas de dois estados. Mas também na universalidade que historicamente nos une a outros povos com os quais constituímos actualmente uma enorme comunidade linguística e afectiva, espalhada pelos mais diversos continentes, desde Àfrica e Àsia até ao continente americanos e aos confns da Oceânia.

Na realidade, qualquer tentativa de confundir o nacionalismo português com manifestações de supremacia racial ou xenofobia são tão desonestas como aquelas tentativas insidiosas de o associar precisamente a estas formas de expressão imitadas de modelos ultrapassados e completamente estranhos à nossa maneira de ser como povo. É que na realidade não existem nacionalismos bons e maus consoante a ideologia política que num determinado momento lhes está associado e, sobretudo, a simpatia que determinadas forças políticas lhe dispensam.

A ganância do capitalismo está a destruir a identidade dos povos, padronizando os seus hábitos de acordo com os seus próprios interesses. A pretexto do sucesso profissional mais não tem feito do que criar no mundo ocidental uma autêntica geração de escravos que abdicam da sua própria felicidade e constitui uma das causas responsáveis pela drástica redução dos índices de natalidade, contribuindo para o despovoamento do interior e a quebra demográfica.

É ainda a gula deste sistema económico que leva à transferência das estruturas industriais da Europa para os países do chamado Terceiro Mundo onde o custo da mão-de-obra é miserável ao mesmo tempo que fomenta o ciclo das migrações através da fomentação do desemprego.

É pois, no modelo de sociedade capitalista e não no nacionalismo que reside a origem do racismo, da xenofobia e do fomento das guerras entre os povos porque é fundado num sistema de exploração cruel que não respeita a liberdade dos povos e a soberania das nações no respeito pelas suas diferenças culturais, fazendo das diferentes correntes políticas – à esquerda e à direita – seus mais submissos serventuários!

De nada valerá manter índices demográficos quando estes não são assegurados pelo nosso próprio povo que, conforme os dados estatísticos, parece condenado à extinção física e perda da sua identidade nacional.

Carlos Gomes



publicado por Carlos Gomes às 15:40
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