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Segunda-feira, 19 de Maio de 2014
QUANDO VAI LISBOA PRESTAR A DEVIDA HOMENAGEM A D. NUNO ÁLVARES PEREIRA?

O pedestal que, em Lisboa, estava destinado à estátua do Santo Condestável, foi destruído e transformado num amontoado de calhaus. Trata-se agora de uma alegada obra escultórica que dizem em homenagem ao 25 de abril, existente ao cimo do Parque Eduardo VII e em relação à qual os lisboetas batizaram de “pirilau”. Entretanto, D. Nuno Álvares Pereira continua sem que a capital do país se lembre de prestar-lhe a devida homenagem, erguendo-lhe uma estátua numa das suas praças apesar da sua canonização recente e ainda de, ao que tudo indica, a referida estátua se encontrar construída desde 1946.

A este propósito, em 17 de dezembro de 1946, o deputado Salvador Teixeira proferiu na Assembleia Nacional a seguinte intervenção:

“Sr. Presidente: li, com sincero júbilo, no Diário da Manhã que estavam em execução as estátuas dos navegadores portugueses Gonçalves/arco, Gil Enes, Nuno Tristão, Pedro da Sintra, João de Santarém, Diogo Cio, Pêro de Alenquer. Nicolau Coelho, Gaspar Corte-Real, António de Abreu e Pedro Escobar, destinadas ao futuro plano urbanístico da zona da Torre de Belém, e outras estátuas, como as de D. Dinis e D. João III para a cidade de Coimbra e de D. Nuno Alvares Pereira, D. João I e D. João II para a cidade de Lisboa, estas em locais a estudar com a Câmara Municipal.

Confesso o meu contentamento por esta iniciativa, que é expressão da política de espírito, e que vem dar-nos unia grande lição, lição que é o reconhecimento da dívida que temos para com todos os construtores do Império; e digo simplesmente reconhecimento porque o pagamento dessa dívida impende sobre a nossa geração o sobre as futuras, que têm sobre si o imperativo dever de trabalhar afincadamente pelo engrandecimento espiritual da Nação e assegurar a sua eternidade.

E porque é assim, e porque tive a honra, de já nesta sala por duas vezes me dirigir ao Governo solicitando que a estátua a Nuno Alvares Pereira fosse erigida na capital do Império, deixo aqui o testemunho do meu reconhecimento a S. Exª. o Ministro das Obras Públicas e Comunicações, engenheiro Cancela de Abreu, que foi ilustre membro desta Câmara e, de uma maneira geral, ao Governo, reconhecimento que é muito vivo como manifestação de aplauso à política de espírito.

Porém, à semelhança do que sucedeu com o próprio Parque Eduardo VII cujos planos nunca chegaram a ficar concluídos, também o monumento a erigir ao foi envolvido em polémica, a saber se o Santo Condestável deveria ser representado a pé ou a cavalo... e assim permaneceu o pedestal durante muitos anosa aguardar a colocação da estátua!

Decorrida meia dúzia de anos, o deputado Salvador Teixeira volta a intervir na Assembleia Nacional, proferindo na sessão de 18 de abril de 1952 as seguintes palavras:

“Sr. Presidente: terminado há muito o fragor da rija peleja travada nesta lídima representação nacional, na imprensa e na opinião pública, entre os partidários da representação equestre e da pedestre, para a estátua a erigir na capital do Império ao Santo Condestável, esbateram-se já mesmo os ecos desse vivíssimo prélio, de que não perdura mais do que o sentido alto da divida - ou, melhor, do seu reconhecimento- que permanece aberta para com aquele que, à parte raros topónimos em muito raros agregados populacionais, apenas, possui, do meu conhecimento, um modesto, mas notável, monumento, cuja fotografia tenho aqui presente e à disposição dos Srs. Deputados, lá para as bandas do planalto geresiano, em Salto, e um pequenino obelisco, a sul do Reboludo, na cerca do Colégio das Missões Ultramarinas em Cernache do Bonjardim, com a seguinte legenda:

«Local em que existiam os Paços do Bomjardim Solar da Família de Nuno Alvares Pereira que aqui nasceu em 24 de Junho de 1360»

Em Lisboa há muito tempo que, no alto do Parque de Eduardo VII, em frente ao local destinado ao Palácio da Cidade, se encontra, triste e esquecido, guardado à vista por duas altas colunas, o pedestal destinado à estátua do Herói.

Dar-se-á o caso de ir repetir-se a demora havida para a conclusão dos monumentos que foram acabados de erigir pelo Estado Novo nos topos das Avenidas da Liberdade e da República?

Ou, como dizia há bastantes meses ao microfone da Rádio Renascença, o intemerato lutador Zusarte de Mendonça: «foi abandonada a ideia dessa homenagem, que todos os bons e sinceros nacionalistas reclamam como imperioso dever da Pátria a uma das suas mais gloriosas figuras»?

Não quero acreditar que possa ser afirmativa a resposta a qualquer destas perguntas.

Porque assim é, e porque várias vezes e desde há bastantes anos, venho tratando deste assunto nesta Assembleia, apelo para o Governo, mais uma vez e sempre confiante, no sentido de que este, por si ou pela Câmara Municipal de Lisboa, rapidamente efetive a conclusão e a inauguração do monumento e que nessa ocasião se faça uma romagem patriótica ao local onde nasceu o Herói e Santo, local que deve ficar assinalado por forma adequada.”

- É altura de Portugal prestar a homenagem que é devida a São Nuno Álvares Pereira erguendo-lhe um monumento condigno numa das praças mais emblemáticas da capital, porventura no local que lhe estava originalmente destinado ao cimo do Parque Eduardo VII, virado para o rio Tejo e o Convento do Carmo onde passou os seus últimos dias e foi sepultado!



publicado por Carlos Gomes às 00:00
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