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Terça-feira, 23 de Junho de 2015
RANCHO FOLCLÓRICO DO BAIRRO DA FRATERNIDADE: O QUE É BOM É PARA SE VER!

Usam fibras sintéticas nos trajes, vestem saias curtas e “mostram quase tudo” quando dançam. O Rancho Folclórico do Bairro da Fraternidade é um dos mais polémicos grupos de folclore

Constituído em 7 de julho de 1989 – já lá vão 26 anos! – o Rancho Folclórico do Bairro da Fraternidade, de São João da Talha, no concelho de Loures, vem suscitando alguma controvérsia no seio do associativismo folclórico, sendo frequentemente acusado de não representar condignamente os usos e costumes de outras épocas. Uma das críticas que frequentemente lhe são dirigidas tem a ver com a forma despudorada como, durante as suas atuações, as moças exibem a sua intimidade, atitude que não correspondia à mentalidade das gerações mais antigas. “O que é bom é para se ver!” – parece ser a sua divisa, frase que constitui aliás a resposta que alguns dos seus componentes dirigem àqueles que os criticam nas redes sociais.

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Não obstante as críticas que são dirigidas a este grupo, vários dos aspetos que são frequentemente referidos nomeadamente a nível do traje e da dança, vamos encontrá-los em numerosos ranchos folclóricos que afirmam garantir a autenticidade daquilo que representam…

De fabrico artesanal, remonta o traje tradicional a uma época em que o mesmo era confecionado em casa, com o linho cultivado ou os tecidos adquiridos na feira, sendo portanto anterior à produção industrial e consequente padronização dos costumes. O mesmo sucedeu relativamente à música com o aparecimento e popularização da música gravada. Face às mudanças operadas pelo progresso que ameaçavam fazer desaparecer da lembrança dos povos os seus usos e costumes mais genuínos, sentiu-se a necessidade de os preservar, tendo desse modo surgido os grupos folclóricos precisamente com esse propósito. Por conseguinte, é geralmente aceite a sua função museológica, uma vez que tais costumes deixaram de fazer parte do quotidiano das gentes.

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Existe, porém, quem preconize a recriação do traje, adaptando-o aos tempos atuais inclusive nos materiais com que é confecionado. E, de uma maneira geral, a modernização do folclore, alegando que este não constitui propriamente uma peça de museu mas antes algo que pode sempre ser reinventado.

O Rancho Folclórico do Bairro da Fraternidade, apesar de inserido na região saloia, optou por dançar e cantar músicas de todo o país. Os trajes são exclusivos do grupo, exibindo os rapazes camisa branca, calça e colete azul, meias brancas, lenço vermelho ao pescoço e cinta vermelha na cintura. As raparigas vestem camisa branca com folhos em cambraia, saia vermelha ou amarela feita em poliéster do tipo terylene, bordada com flores, saiote branco, culote curto com bordado inglês, meias brancas abaixo do joelho, utilizam uma bolsa no punho, um avental preto e um lenço vermelho com flores, na cabeça.

O rancho é composto por 50 elementos, incluindo 2 acordeonistas, 3 cantadeiras, 1 cantador, tocadores de bilha, ferrinhos, reco-reco, cana, castanholas e pandeireta, sendo ensaiados por Fernando Cipriano, na região mais conhecido por “Moedas”. Dançam viras, corridinhos, sapateados, fandango, modinhas saloias e fado.

Este rancho, formado com o propósito de ocupar os tempos livres dos jovens, participou no programa “Portugal do Coração” da RTP1, tem atuado em vários festivais de folclore e deslocou-se recentemente à Galiza para atuar num espetáculo em Afonsagrada.

Fotos: RFBF



publicado por Carlos Gomes às 12:17
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3 comentários:
De Agostinho Lopes a 27 de Junho de 2016 às 23:10
A culpa do rancho da Fraternidade usar estes trajes não é de quem os usa. mas da direcção do próprio rancho. Faço minhas todas as palavras que o amigo Manuel Abreu aqui deixou, porque este grupo está mesmo um escândalo e uma vergonha a representar folclore que desconheço que alguém tenha visto os antigos a danças desta forma. Este grupoo já tem uns anos e eu já escrevi há anos algo de um historial deles e vou ter de o rever e ter talvez de fazer emendas no que lá tiver. porque o que aqui está é mesmo vergonhoso. Agostinho Lopes, Administrador do FORUM DO FOLCLORE PORTUGUÊS


De Carlos Gomes a 27 de Junho de 2016 às 23:18
Aproveito para sugerir-lhe a leitura do depoimento publicado em http://bloguedelisboa.blogs.sapo.pt/fernando-cipriano-fundador-do-rancho-267600


De Nuno Dias a 19 de Dezembro de 2016 às 13:04
O sr. Antonio descreve o traje usado pelas mossas como vergonhoso! assim sendo quer nos dizer que na época não haviam raparigas que envergavam tais roupas!! eram todas umas santinhas proso pomos então... Com certeza alem de você não viver na época também desconhece toda a indumentaria vestida pelo Minho do nosso pais... Este Racho alem de muito especial e autentico tanto na suas danças como nas suas musicas tradicionais, também revela autenticidade na diferenciação de suas roupas e juventude á mistura.


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