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Segunda-feira, 20 de Julho de 2015
COMISSÃO PORTUGUESA DE HISTÓRIA MILITAR EVOCA 600 ANOS DA CONQUISTA DE CEUTA

XXIV Colóquio de história militar

NOS 600 ANOS DA CONQUISTA DE CEUTA: PORTUGAL E A CRIAÇÃO DO PRIMEIRO SISTEMA MUNDIAL

1415 marca o início da expansão marítima portuguesa.

Pela primeira vez uma nação europeia rompe a fronteira mais difícil, a marítima, e de forma sistemática e científica vai explorar o mundo, até então mal conhecido da civilização ocidental, e reconfigurar a geografia estabelecendo as bases do primeiro sistema mundial.

Portugal, país de escassos recursos lança-se na aventura da construção do seu próprio império.

A conquista de Ceuta é normalmente tomada como o ponto de partida desta aventura, do ciclo do império, ou se calhar mais apropriadamente dos impérios. Ciclo que durou cerca de seis séculos e que se encerra definitivamente com a entrega de Macau à soberania da República Popular da China, em 20 de Dezembro de 1999.

O tema, o seu significado histórico e a dimensão das suas consequências, continuam sendo, ainda hoje, um vasto campo de investigação que continua a prender o interesse e a atenção de inúmeros investigadores de diversas áreas que de modo concorrente procura trazer, cada vez mais, luz sobre este fascinante período da História Nacional.

É com este enquadramento e a propósito da passagem do 6º centenário da tomada de Ceuta, tomado apenas como referencial temporal e portanto não nos circunscrevendo apenas a ele, que a Comissão Portuguesa de História Militar se propõe neste ano levar a efeito o XXIV Colóquio de História Militar subordinado ao tema geral: «Nos 600 anos da conquista de Ceuta: Portugal e a criação do primeiro sistema mundial».

Estabelecida a Paz com Castela em 1411, Portugal, país de reduzido poderio à escala europeia, fracos recursos financeiros e pouco significativa capacidade militar, desencadeia uma expansão ultramarina assente na guerra e no comércio, suportada por uma nobreza ávida de proventos e mercês e legitimada pela igreja. Num ciclo que se inicia com o desenvolvimento da capacidade de navegação oceânica, Portugal saberá encontrar os entendimentos necessários à implementação da primeira rede comercial intercontinental.

O Colóquio vai realizar-se no período de 17 a 20 de Novembro de 2015, nas instalações da Sociedade Histórica da Independência de Portugal (SHIP), ao Largo de São Domingos.

Pretende-se, assim, com esta iniciativa abrir mais uma oportunidade de debate, onde tanto investigadores experimentados, como jovens interessados, possam apresentar os seus estudos e contribuir para um melhor conhecimento deste fenómeno, precursor da mundialização, que marcou a Europa e o Mundo do seu tempo e dos tempos seguintes.

Não excluindo à partida abordagens mais globais das questões relacionadas com a expansão e o império português, pretende-se sobretudo privilegiar uma análise mais detalhada dos momentos mais significativos do Século que se segue às primeiras conquistas no Norte de África, marcado por uma indiscutível necessidade de afirmação da nobreza por via do serviço aos soberanos e, particularmente, pela guerra. Assim, a título meramente indicativo, apresentam-se alguns subtemas com especial interesse para o estudo e debate da história militar deste período:

  • Motivações geopolíticas e geoestratégicas
  • Acção diplomática
  • Estratégia e tácticas militares
  • Organização e formação militares
  • Armamento (terrestre e naval)
  • Logística
  • Arquitectura naval e terrestre
  • Campanhas e batalhas (navais e terrestres)
  • Iconografia
  • Navegação / Cartografia


publicado por Carlos Gomes às 13:57
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Sexta-feira, 18 de Abril de 2014
PORTUGUESES CONQUISTARAM CEUTA HÁ 600 ANOS

Ceuta mantém os símbolos portugueses, incluindo a bandeiragironada de oito peças de negro e prata que representa a cidade de Lisboa de onde partiu a esquadra

No passado dia 21 de agosto, passaram precisamente 600 anos sobre a data da tomada de Ceuta. A expedição foi comandada pessoalmente pelo próprio rei D. João I que se fez acompanhar dos seus filhos, os príncipes D. Duarte, D. Pedro e D. Henrique.

O cargo de governador da praça de Ceuta foi então atribuído a D. Pedro de Meneses, neto de D. João Afonso Telo de Meneses que foi o primeiro Conde de Ourém. Conta-se que, tendo-se apresentado ao soberano com um pau a que chamavam de “aleo” que era então usado no “jogo da choca”, um jogo bastante popular semelhante ao hóquei no qual uma pedra fazia as vezes da bola. E, tendo D. João I lhe perguntado se era suficientemente forte para tomar o cargo de governador de Ceuta assegurando a sua defesa, lhe terá respondido: “Senhor, este pau basta-me para defender Ceuta de todos os seus inimigos”.

A título de curiosidade, a cidade de Vila Real de que D. Pedro de Meneses veio a ser feito Conde, ostenta no seu brasão a palavra “Aleu”, tendo a mesma origem numa lenda que descreve uma situação algo semelhante à descrita, também ocorrida com o rei D. João I.

Em 1640, Ceuta não aclamou o rei D. João IV, tendo a partir de 1645 ficado sob soberania espanhola, a qual foi em 1668 reconhecida através do Tratado de Lisboa que colocou fim à guerra da Restauração. Não obstante, decidiu manter os símbolos portugueses, concretamente a bandeira gironada de oito peças de negro e prata, semelhante à da cidade de Lisboa de onde partiu a esquadra que tomou Ceuta e, ao centro, as armas do Reino de Portugal usadas à época.

750px-Flag_Ceuta.svg



publicado por Carlos Gomes às 18:43
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