A tradicional Festa dos Tabuleiros regressa a Tomar no início do mês de Julho do próximo ano, conforme é tradição de quatro em quatro anos. Nesse sentido, não podia a organização do FolkLoures’18 deixar de conferir o devido destaque a tão importante manifestação cultural do nosso povo.

O Grupo de Tabuleiros da Festa do Divino Espírio Santo da Freguesia de Carregueiros vai representar o concelho de Tomar com um conjunto de 20 pessoas transportando 10 tabuleiros.
A Festa dos Tabuleiros é uma tradição multi-secular da cidade dos Templários que se tornou uma dos mais importantes cartazes turísticos de Portugal, constituindo a maior festividade nacional em Honra do Divino Espírito Santo.
Os tabuleiros sã constituídos por trinta pães enfiados em canas que partem de um cesto de vime ou verga, sendo encimados pela coroa do Espírito Santo e a respectiva pomba ou a cruz da Ordem de Cristo que teve Tomar como a sua sede e a quem devemos em grande medida a epopeia dos Descobrimentos Marítimos.
As moças que tamportam os tabuleiros são formosas e apresentam-se vestidas de branco, com fitas de cores vivas à cintura ou a tiracolo.
A Festa dos Tabuleiros propriamente dita é antecedida da saída das coroas e o cortejos dos rapazes, celebrações que atraem sempre à Princesa do Nabão milhares de visitantes.
A organização do FolkLoures’18 agradece a colaboração Grupo de Tabuleiros da Festa do Divino Espírio Santo da Freguesia de Carregueiros e da Casa do Concelho de Tomar.


Floresça, fale, cante, ouça-se, e viva
A Portuguesa língua, e já onde for
Senhora vá de si soberba, e altiva.
Se ’té’qui esteve baixa, e sem louvor,
Culpa é dos que a mal exercitaram:
Esquecimento nosso, e desamor.
António Ferreira (século XVI)
Haverá algum português que não entenda um galego ou algum galego que não nos perceba na conversação comum? Dificilmente, pois as nossas duas Línguas são irmãs-gémeas.

Algo as distingue, porém, no contexto linguístico mundial: enquanto o Galego permaneceu durante séculos “fechado” como Língua oral de uso particular, sem direito a entrada na esfera cartorial, o Português tornou-se independente e oficial, evoluiu mais radicalmente e acabou por ser disseminado por todos os Continentes ao acompanhar a Expansão.
Não admira que, hoje, os galegos desejem associar-se às vantagens de uma Língua franca que eles compreendem como se fosse sua e que é falada e escrita em todo o Mundo por 250 milhões de pessoas: o sexto idioma mais usado no planeta, o quinto mais corrente na Internet e o terceiro no ‘ranking’ idiomático das redes sociais Facebook e Twitter.
Foi com este quadro histórico em mente que o parlamento da Galiza aprovou em Abril passado, por unanimidade, um diploma legal que protege a introdução progressiva da Língua Portuguesa em todos os níveis de ensino oficial naquela Comunidade Autónoma espanhola.
A Lei para o Aproveitamento da Língua Portuguesa e Vínculos com a Lusofonia (é este o seu título) já está em vigor e permitirá melhorar o ensino do Português na Galiza. No presente ano lectivo, mais de 2.500 jovens galegos aprendem a nossa Língua em escolas primárias e secundárias, na rede de ensino oficial de idiomas e nas Universidades de Vigo, Santiago de Compostela e A Coruña.
O diploma legal sublinha que “o Português, nascido na velha Gallæcia, é idioma de trabalho de vinte organizações internacionais, incluída a União Europeia, assim como língua oficial de nove países e do território de Macau, na China.
Entre eles figuram potências económicas como o Brasil e outras economias emergentes. É a língua mais falada no Hemisfério Sul”.
Sendo a Língua própria da Galiza inter-compreensível com o Português, e oferendo por isso “uma valiosa vantagem competitiva em muitas vertentes, nomeadamente na cultural, mas também na económica”, o parlamento galego decidiu “fomentar o ensino e a aprendizagem do Português com o objectivo, entre outros, de que empresas e instituições aproveitem a nossa vantagem linguística, um valor que evidencia a importância mundial do idioma oficial dum país vizinho, tendo em conta também o crescente papel de blocos como a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa”.
Há muito que na Comunidade Autónoma da Galiza se ouvem vozes em defesa do Português e do seu ensino regular nas escolas oficiais.
A grande novidade deste novo diploma reside na oficialização dessa velha aspiração como “objectivo estratégico do governo galego”.
Diz o diploma: “Os poderes públicos galegos promoverão o conhecimento da Língua Portuguesa e das culturas lusófonas para aprofundar os vínculos históricos que unem a Galiza com os países e comunidades de Língua Portuguesa, e pelo carácter estratégico que as relações económicas e sociais têm para a Galiza, no quadro da Eurorregião Galiza-Norte de Portugal”.
A Lei prevê ainda o intercâmbio entre cadeias de televisão galegas e portuguesas.
O interesse da Comunidade da Galiza pela nossa Língua (mesmo que numa vincada óptica economicista, capaz de entristecer os puristas) parece infinitamente mais empenhado do que aquele que a burocracia portuguesa dedica ao assunto.
É meritório o trabalho do Instituto Camões, do Observatório de Língua Portuguesa, do Instituto Internacional da Língua Portuguesa e de várias outras instituições que trabalham pela difusão do Português, ainda que acorrentadas às grilhetas do absurdo Acordo Ortográfico.
Mas a dieta minguada que o Orçamento concede ao ensino e propagação da Língua e da Cultura é ridícula, quando comparada com as reais necessidades de uma política conjugada de “investimento” (passe a palavra) na difusão da nossa Identidade.
Em 2007, quando as vacas ainda estavam gordas e o dinheiro corria como leite e mel, o orçamento anual do Ministério da Educação para a difusão da Cultura e para o ensino do Português no estrangeiro não alcançava sequer os 40 milhões de euros – uma quantia insignificante se posta em confronto com os muitos milhares de milhões desbaratados anualmente em decisões estatais ruinosas.
E se a verba não chegava a 40 milhões em 2007, é apenas possível imaginar a que se reduzirá hoje, após sete anos de cortes médios de 10 por cento ao ano no orçamento da Educação…
Não admira que Joseph Ghanime, dirigente da Associação de Docentes de Português na Galiza, tenha lamentado há dias a falta de “medidas concretas” e de “algum interesse” de Portugal com vista a uma promoção “mais ambiciosa” do Português no sistema educativo galego.
A Galiza dá-nos assim uma bela lição, até porque não é principiante no ensino do Português. Os últimos dados disponíveis apontam para mais de 2.500 estudantes galegos matriculados em aulas oficiais de Língua Portuguesa, entre o ensino primário e o universitário, passando pelas escolas oficiais de línguas.
Essas aulas são ministradas por cerca de 90 professores, agrupados na Associação de Docentes de Português na Galiza (ADPG), que pugna por uma melhor organização da sua actividade.
Até agora, a constituição de turmas de Português no ensino secundário galego tem sido feita na base do voluntariado, não existindo um corpo permanente de docentes da Língua, ao contrário do que sucede, por exemplo, com o Inglês ou o Francês.
É esta escassa especialização que a ADPG deseja superar, propondo que o governo autonómico crie um quadro expresso de professores de Português que só a esta Língua se dediquem.
Curiosamente, apesar da proximidade geográfica e das afinidades históricas e culturais, a Galiza não é a Comunidade Autónoma do Reino de Espanha com mais alunos de Português. Enquanto a Galiza conta 2.500 alunos numa população de 2,3 milhões, a Extremadura (apenas com um milhão de habitantes) tem 20 mil alunos a aprender o Português em 140 centros do ensino oficial, enquanto o canal público extremenho de televisão emite o programa “Falamos Português”, em colaboração com o Instituto Camões.
Este aparente paradoxo explica-se facilmente: embora o interesse pela Língua Portuguesa seja mais intenso na Galiza, muitos galegos têm a convicção de que as nossas duas Línguas são tão semelhantes que não é preciso ter aulas – um equívoco que ignora o facto de o ensino de uma Língua implicar uma envolvência cultural e social que tem de ser aprofundada.
Esta consciência da necessidade de aprofundamento dos conhecimentos linguísticos e culturais é muito mais corrente no meio universitário, como está demonstrado pela existência de vários cursos de Filologia Portuguesa e Estudos Portugueses nas Universidades de A Coruña, Vigo e Santiago.
Um pouco de História
Durante a dominação romana da Península, a Província da Galécia incluía as regiões bracarense (Braga), lucense (Lugo) e asturiense (Astorga). A partir do ano 212, a sua capital foi Braga, a nobre e erudita Bracara Augusta, que estendia a sua jurisdição do Rio Douro ao Mar Cantábrico.
Reorganizada sob Fernando Magno após o colapso do Império, toda esta região manteve características próprias. Foi só no século XI que o Rei Alfonso VI, avô de D. Afonso Henriques, juntou a Galiza, Portugal e as Astúrias aos territórios de Castela e Leão, na tentativa de formar uma grande unidade peninsular.
Mas ao pedir auxílio aos barões franceses na sua guerra contra os mouros, Alfonso abriu as portas a uma nova subdivisão do território que unificara, pois foram os descendentes desses barões borgonheses que estiveram na origem das lutas pela re-autonomização do Noroeste da Península Ibérica.
Os primos Raimundo e Henrique da Borgonha vieram a casar-se com duas filhas de Alfonso VI, Urraca e Teresa, a quem o monarca ofereceu a Galiza e o Condado Portucalense, respectivamente. Afonso Henriques, filho de Teresa e Henrique, acabou por questionar o vínculo e lutou em 1128, em São Mamede (Guimarães), contra o domínio de Leão e Castela representado por sua mãe.
O facto de, em São Mamede, a Galiza ter apoiado Teresa contra Afonso Henriques deveu-se à enorme influência exercida pelos bispos na sociedade desse tempo. A rivalidade entre os prelados de Braga e Santiago de Compostela levou à formação de dois “partidos”, tendo os seguidores do arcebispo bracarense Paio Mendes apoiado o “partido” da independência e os seguidores do prelado galego Diego Gelmirez o “partido” de Leão e Castela.
De todo o modo, bispos à parte, a origem comum na Gallæcia Magna manteve a Galiza e Portugal em grande proximidade social e cultural, sobretudo depois de Afonso Henriques ter visto confirmada a autonomia portuguesa em 1143 e de os próprios galegos terem iniciado tentativas de se libertarem, eles próprios, do domínio do Rei de Castela e Leão.
O facto de a Galiza nunca ter conseguido obter essa autonomia fez com que a língua galaica não tivesse estatuto de língua escrita durante muitos séculos, condicionando a sua evolução. Pelo contrário, Portugal, Estado-Nação com um percurso próprio, viu a sua língua evoluir até um estatuto clássico. No dizer de Alexandre Herculano, “o Português não é senão o dialecto galego, civilizado e aperfeiçoado”.
Um pouco de Linguística
Tanto o Português como o Galego resultam de evoluções diferentes a partir de um mesmo idioma comum. Esse idioma original, resultante de uma evolução própria do Latim Vulgar, foi usado na Gallæcia Magna (isto é, num território que hoje corresponde à Galiza, ao Norte de Portugal e à zona Oeste das Astúrias).
Segundo o linguista Ivo Castro, da Universidade de Lisboa, a existência autonóma de uma língua romance galaico-portuguesa começou a ser patente no século VII, quando se verificaram dois fenómenos: a palatalização dos grupos iniciais latinos pl-, kl-, fl- na africada palatal surda tš; e a lenição das soantes intervocálicas latinas -n- e -l-.
Quando se iniciou a Reconquista cristã, a partir do século IX, o romance galego-português era a língua do Noroeste da Península Ibérica. Os distintos caminhos políticos seguidos posteriormente nas várias regiões onde era falada determinaram as progressivas transformações paralelas do galaico-português.
No território de Portugal (Reino independente a partir do século XII), a antiga língua comum evoluiu independentemente e a partir do século XIII já existia claramente aquilo que designamos por Português Antigo. “A abundante produção escrita em Português torna possível, desde então, observar com mais pormenor as mudanças que a língua vai sofrer entre os séculos XIII e XV e que, por graduais transições, a levarão a transformar-se de língua medieval em língua clássica”, como salienta Ivo Castro, agravando-se “o distanciamento em relação ao Galego, entretanto impedido pelo domínio castelhano de existir como língua de cultura”.
Fonte: https://jornaldiabo.com/

Para além do castelhano, vulgo espanhol, os autocarros de turismo em Lisboa também indicam que nos seus circuitos a comunicação também é assegurada por guias que dominam a língua catalã e o euskera ou seja, o basco.
Esta iniciativa reconhece a importância social e cultural das línguas referidas, para além da natural exigência de um público que nas suas visitas a Portugal pretende ser correspondido no seu próprio idioma.



Sem que muitos portugueses desconfiem, há um movimento galego que luta pelo reconhecimento público de que o galego e o português são uma só língua. Falo dos reintegracionistas.

Perguntarão algumas pessoas: por que razão não insistir na autonomia da língua galega quer em relação ao espanhol quer em relação ao português?
Muitos reintegracionistas dirão que é simples respeito pela verdade dos factos: o galego e o português funcionam, em muitos aspectos, como um sistema linguístico comum, principalmente se usarmos uma perspectiva histórica.
Pessoalmente, juntaria a este argumento factual (sempre perigoso nestas coisas das línguas e das identidades) um argumento prático: o galego está ameaçado pelo espanhol, não pelo português. Uma perspectiva que junte o galego ao português dá-lhe uma força que não teria sozinho. Como mera língua regional, o galego está ameaçado. Como um dos três ramos principais do português (galego, português de Portugal e português do Brasil) há uma comunidade internacional a dar força à língua.
Ou seja, os galegos vêem-se na posição de poder dizer que a sua língua é falada por 200 milhões de pessoas, ao mesmo tempo que resistem à erosão do seu uso, por substituição pelo espanhol.
Assim se explica que alguns dos mais entusiásticos defensores da lusofonia sejam galegos.
Como complemento, republico aqui (sem qualquer alteração) este comentário de um leitor galego a um post anterior:
“A mim pessoalmente, o galego serve-me para perceber sem dificuldade o que o senhor escreve sem ter estudado nunca a língua de Camões.
Acho que o senhor também não há ter demasiados problemas para perceber o conteúdo destas linhas nem para identificar o código como português , embora seja um português esquisito. E, insisto, eu nunca estudei a língua portuguesa!
Em resumo, o galego serve-me para comunicar-me com mais de 200 milhões de pessoas espalhadas ao longo de quatro continentes.
Se a isso somamos o castelhano, já temos mais de 500 milhões (sem contar os utentes que tenham o espanhol como segunda língua). Isso sem muito esforço. O potencial linguístico da Galiza é enorme. Ou será, o dia que acheguemos o galego um bocadinho do português.”
Fonte: Marco Neves / http://www.certaspalavras.net/
A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), acaba de celebrar os 21 anos da sua criação com algumas decisões que, não implicando uma mudança essencial, podem gerar novas dinâmicas e expectativas.

A última reunião do Conselho de Ministros, realizada o passado 20 de julho em Brasília, produziu duas novidades de interesse em relação aos “observadores associados”, países que não entram no grupo restrito dos membros de pleno direito, e os “observadores consultivos”, categoria reservada às entidades da sociedade civil.
No primeiro caso, o Conselho de Ministros adotou uma «Resolução sobre o reforço da cooperação com os observadores associados» que pretende dar um papel mais claro a estes países membros, até ao presente num papel limitado. Com esta decisão promove o acesso dos seus representantes aos expedientes internos, e a sua implicação nas políticas comuns, por meio da participação em reuniões do Comité de Concertação Permanente e o Conselho de Ministros, em fórmulas que ainda terão de ser estabelecidas. Desse modo os associados, como a Turquia, Senegal, Uruguai, Japão ou a Maurícia, adquirem maior margem de manobra em termos políticos e diplomáticos, o que acarreta simultaneamente o alargamento da CPLP em termos de capacidade de atuação em cenários que vão além do espaço de língua oficial portuguesa.
As discussões sobre o alargamento da CPLP e as dúvidas que suscita a entrada de novos países “não lusófonos”, são temas que têm vindo a ser comentados na comunicação social de Portugal com relativa frequência. O assunto vai muito além da questão da Guiné Equatorial e do seu processo de admissão, primeiro como país associado, depois como membro de pleno direito. Equaciona-se entre manter a organização estritamente no território de língua portuguesa, como oficial ou de herança, ou o estabelecimento de fórmulas de integração e colaboração de países que, sem ter uma relação direta com a nossa língua, mostram interesse em fazer parte do conjunto lusófono, por diversos motivos. Por outras palavras, a escolha situa-se entre manter a CPLP no atual espaço, ou promover um alargamento que a converta num ator com peso a larga escala.
Quanto aos observadores consultivos, a CPLP adotou uma resolução em que foi aceite a Academia Galega da Língua Portuguesa, com o patrocínio do Governo da República de Angola. A decisão fecha o périplo desta candidatura galega, apresentada em 2011, e vem reconhecer o papel da sociedade civil neste processo, dispondo agora de um interlocutor direto nesse organismo internacional.
É possível entrar na CPLP?
Isso não significa a entrada formal da Galiza na CPLP. Poderia ser admitida, em determinadas condições. Os galegos fomos consultados, através das Irmandades da Fala da Galiza e Portugal, em 1989, por iniciativa do Governo do Brasil, sobre o processo de criação do Instituto Internacional da Língua Portuguesa. E novamente em março de 1993, na ronda de consultas sobre a criação da CPLP, por iniciativa do Embaixador José Aparecido de Oliveira, como pode ser observado na documentação da Comissão Galega do Acordo Ortográfico, de que a Academia Galega da Língua Portuguesa é depositária.
Em segundo lugar, diversos governos galegos tiveram atuações em direção à CPLP. Isso aconteceu durante as presidências de Manuel Fraga e Emílio Pérez Touriño. Como sabemos, com resultados insatisfatórios. Em 1989, porque a redação inicial do projeto, concebido como comunidade de povos, se converteu em comunidade de estados, o que impossibilitou formalmente a admissão da Galiza. Contudo, os estatutos incluíram um parágrafo para a entrada como observadores associados de «entidades territoriais dotadas de órgãos de administração autónoma». Posteriormente, durante a presidência de Touriño, falhou a negociação com o Ministerio de Asuntos Exteriores da Espanha, provavelmente porque não fora preparada adequadamente.
Lei Paz-Andrade
A lição dessas experiências apontava para a necessidade de procurar um grande acordo político e social, reunindo apoios para retomar essa iniciativa. Isso implicava que os principais motores das políticas antilusófonas nas décadas de 1980 e 1990, instauradoras do modelo isolacionista para o galego, deveriam chegar, de alguma forma, a algum entendimento com o reintegracionismo. Isto aconteceu, parcialmente, com a Iniciativa Legislativa Popular Paz-Andrade, convertida em lei do Parlamento da Galiza em março de 2014.
A lei fornece um instrumento valioso para desenvolver as políticas tendentes a essa integração na Lusofonia. Porém, aos três anos da sua aprovação, há vários riscos que ameaçam gravemente o processo, como o facto de não ter-se criado uma só vaga para professores de português no ensino público, o que é um claro incumprimento dos acordos e produz frustração nos milhares de pessoas assinantes da ILP. Outro risco não menos importante é a inexistência de uma comissão oficial de trabalho sobre a aproximação da Lusofonia, como se sugeriu no Parecer sobre o Desenvolvimento da Lei Paz-Andrade, documento imprescindível que deveria servir como roteiro.
Contrariamente ao declarado por representantes do Governo, a política linguística é observada com atenção no Palácio dos Condes de Penafiel. Apresentar o galego como língua “intercompreensível”, mas “independente do português” coloca a Galiza, simbolicamente, da parte de fora. E quem se põe de fora dificilmente pode sentar-se à mesma mesa. Paralelamente, não pode pedir-se a entrada na CPLP e, ao mesmo tempo, manter a tradicional política de exclusão das pessoas e entidades da sociedade galega que publicam em português. Na ausência de movimentos do Governo e instituições involucradas, a participação direta da sociedade civil galega na CPLP só poderia deixar em evidência a deterioração das expectativas geradas com a própria Lei Paz-Andrade.
Ângelo Cristovão
Vice-Presidente da Academia Galega da Língua Portuguesa e Correspondente da Academia das Ciências de Lisboa.
Publicado no ‘Novas da Galiza’, Setembro 2017, p. 16-17
José Ângelo Cristóvão Angueira (Santiago de Compostela, 1965), licenciado em Psicologia pela Universidade de Santiago, especializou-se em Psicologia Social. Empresário. Vice-Presidente da Academia Galega da Língua Portuguesa e membro da sua Comissão de Relações Internacionais. Sócio Correspondente da Academia das Ciências de Lisboa; Sócio da AGAL desde 1983 e Sócio fundador da Associação Internacional dos Colóquios da Lusofonia.
Situado na Estrada de Benfica, o Palácio Baldaya passou a partir do início deste mês a ficar aberto ao público. Pensado inicialmente para servir de Biblioteca, o Palácio Baldaya passou a ficar ao serviço da população como pólo cultural e de inovação, dotado de ludoteca, salas para exposições e concertos e locais para associações e projetos educativos. O equipamento é gerido pela Junta de Freguesia de Benfica.

Segundo as mais remotas fontes históricas escritas, o edifício foi construído no final século XVIII como parte da Quinta do Desembargador, que viria a ser a Quinta da Baldaia. Era então residência de Maria Joana Baldaya, reconhecida como a sua primeira proprietária. No imóvel instalou-se também o Hotel Mafra e, mais tarde, o Laboratório Nacional de Patologia Veterinária e Bacteriologia, após a sua venda ao Estado por ocasião da Primeira República.
Desde há várias décadas que existia a intenção de criar uma biblioteca naquela zona da cidade. E a oportunidade surgiu precisamente com a possibilidade de utilização do Palácio Baldaya para usufruto dos munícipes nas mais diversas vertentes culturais, numa freguesia com cerca de 37 mil habitantes, frequentada por 12 mil estudantes, dispondo de 3 estabelecimentos de ensino superior.
Fotos: Manuel Santos





























Programa Qualifica ainda não responde a mais de meio milhão de analfabetos !
8 de Setembro de 2017
COMEMORA-SE, HOJE, O DIA INTERNACIONAL DA ALFABETIZAÇÃO e a APEFA assinala, este dia, em parceria com a Câmara Municipal de Aljustrel, com a realização do Fórum “ALFABETIZAR NO SEC XXI, o novo paradigma de alfabetização solidária”, em Aljustrel, um concelho do interior Alentejano.
Celebra-se, hoje, o Dia Internacional da Alfabetização, instituído em 1967, pela ONU e UNESCO, com o objetivo de alertar para este flagelo que, em pleno sec. XXI, atinge milhões de pessoas, em todo o mundo.
Em Portugal, mais de meio milhão de pessoas são analfabetas. São cidadãos sem qualquer nível de escolaridade, que não sabem ler nem escrever.
Portugal apresenta uma das mais elevadas taxa de analfabetismo, de 5.2 %, ocupando um dos últimos lugares da tabela dos países europeus.
A ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO DE ADULTOS solidariza-se com estas pessoas e repudia, profundamente, a ausência de uma estratégia nacional, política e solidária, no combate ao analfabetismo em Portugal.
Neste sentido, a APEFA apresenta, amanhã durante o fórum, o Projeto-piloto “PERCURSOS DE CIDADANIA ALFABETIZAÇÃO SOLIDÁRIA” que visa uma resposta da cidadania ativa.
Segundo os Censos 2011, Portugal tem sem qualquer nível de escolaridade, na faixa etária dos 15-24, 6.434 adultos; dos 25-44 anos, 42.945 adultos; dos 45-64 anos, 75.659 adultos;
E, dos mais de dois milhões de portugueses maiores de 65 anos, 412.710 mil também não tem qualquer nível de escolaridade.
Estes portugueses, são, completamente esquecidos e ignorados pelas últimas políticas de Educação de Adultos que, na lógica da empregabilidade, reforça a subordinação funcional das políticas e práticas de Educação de Adultos às exigências do mercado. Este grupo de portugueses está impedido de um direito inalienável do acesso à formação, por constrangimentos e puro vazio legal, que teima em persistir, situação já denunciada junto das estruturas do Ministério da Educação.
APEFA lança um desafio aos políticos e à comunicação social: erradicar o analfabetismo em Portugal com a implementação de Plano Integrado de Erradicação do Analfabetismo. Gestos simples! criar uma opinião pública sensível e favorável e retomar, legalmente, as chamadas “modalidades perdidas” – o extra-escolar, a alfabetização, para possibilitar a criação de dinâmicas territoriais locais, promovendo a oferta formativa ajustada, diferenciada e flexível, identificada com os territórios, favorecidos e desfavorecidos.
A APEFA defende políticas de Educação de Adultos, coerentes, promotoras de coesão social e atentas a toda a sociedade portuguesa, integradas e solidárias com os territórios vulneráveis e de baixa densidade.
O PRESIDENTE DA DIREÇÃO DA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO DE ADULTOS
Armando Gomes Loureiro
I - O TEXTO E AS TRADUÇÕES
Para findar a descrição geral da profunda influência portuguesa no povo canarino, com um exemplo mais aprofundado dos que foram expostos no artigo anterior intitulado: CANÁRIAS: UMA PROFUNDA INFLUÊNCIA PORTUGESA, publicado a terça-feira dia 28 de fevereiro de 2017, temos escolhido a linguagem, pois sem dúvida, é onde se pode ver com mais clareza o efeito luso. O falar dos canarinos é um dialeto do espanhol de base andaluza e portuguesa, no que se refere à fonologia é muito influenciado pelo dialeto andaluz e, no que toca ao vocabulário, tem um grande aporte lexical da língua portuguesa. Neste artigo publicamos uma estória escrita primeiramente em dialeto canarino, a seguir a tradução em português com regionalismos e, finalmente, a tradução em espanhol estandardizado da Península Ibérica, com o objeto de conseguir com a comparação do texto dialetal com as traduções, uma melhor apreciação da profunda influência portuguesa na cultura do povo canarino. No próximo artigo publicaremos a análise, fonológico, morfológico, semântico e etimológico do texto da estoria da minha autoria e a bibliografia.
Diz Pedro Hernández Hernández em PSICOLOGIA E VIDA DO ATUAL HOMEM CANARINO, p. 504 da sétima edição (1999) do magnífico livro Natura y Cultura de las Islas Canarias “Natureza e Cultura das Ilhas Canárias”, que: «A pegada portuguesa perdura em muitos elementos culturais (edifícios, instrumentos, etc.), mas é no vocabulário canarino cheio de portuguesismos, onde melhor se pode compreender a influência de aquele país. São muitas as palavras referentes a instrumentos de trabalho, a questões agrícolas e pesqueiras. No aspeto humano o que mais nos chama a atenção é o conjunto de vocábulos referentes a espetos físcos: Petudo (jorobado), gago (tartamudo), cañoto (zurdo), jeito (movimento simples), engoruñarse (encogerse), escarrancharse (despatarrarse), lambuzarse (passar os lábios ou a língua por algo e também implica manchar-se), engajarse (atragantarse)... no aspeto afetivo destaca o vocábulo maguas que exprime o sentimento de amargura ante a imposibilidade de algo. Não saberíamos determinar a razão dessa influência portuguesa em tais aspetos. O que sim podemos dizer é que um povo, como o português, que chega introduzir termos de expressão corporal e afetiva em outro, como o canarino, é que a sua influência e tão importante, como para pensar que tem contribuído decisivamente na formação da essência íntima de esse povo canarino.». O autor destaca a negrito os portuguesismos do dialeto canarino e dentro de parênteses curvos põe o termo correspondente em espanhol estandardizado, assim temos: jorobado “corcunda”, cañoto “canhoto”, engoruñarse “engrunhar-se (regionalismo) encolher-se”, escarrancharse “escarranchar-se”, lambuzarse “lambuzar-se” e engajarse “engasgar-se”.
![]()
Capa do livro: Natureza e Cultura das Ilhas Canárias, obra de vários autores com a coordenação de Pedro Hernández Hernández, que essencial para conhecer as Ilhas Afortunadas e o povo que as habita.
Nós, como no blogue não é possível utilizar diferentes cores para indicar os portuguesismos, os canarismos, os guanchismos, os hispano-americanismos, os anglicismos e os galicismos, optamos por indicar os portuguesismos a negrito, sublinhar os canarismos, escrever os guanchismos em itálico, «pôr os hispano-americanismos entre aspas», (inserir os anglicimos dentro de parênteses curvos) e incluir /os galicismos dentro de barras/.
Em seguida, transcrevemos o texto da pequena estória da minha autoria, onde se corrobora as palavras de Pedro Hernández Hernandez e, os leitores comprovarão, que da profunda influência portuguesa que temos e descrevemos, não falamos com excesso, é toda uma certeza.
EM DIALETO CANARINO
El día que cogimos las «papas»
Las andoriñas volaron bajo aberruntando la semana morriñenta que tuvimos. Acabó la morriña cuando se vio el arco de la vieja y, después de cortar las ramas de las «papas», hoy peguemos a coger las (autodates), las (chineguas), las rosadas y las terrentas, yo espero que no estén aguachentas, no haigan muchas bichadas ni hallarlas desaboridas. Estaba preparando el almuerzo con mi hijo pequeño Rayco y como es desinquieto, le di /creyones/ y hojas para entretenerlo, pues cuando él está pintando no le da por reinar ni acaba amulado. Oí que me llamaban y tuve que ir para abrir la puerta del patio porque estaba cerrada con fechillo y empenada de la lluvia. Era mi prima Lala y comadre, porque es la madrina de Rayco, trajo un (táper) con beletén, una de sus cabras parió cuatro baifos, un balayo atestibado con naranjas de sus naranjeros, piñas de millo con frondosas fajinas y greñas y un bubango grande y cumplido, a su ahijado le dio un chupete, una chocolatina y un machango de los que ella hace, con la baña que tiene se escarranchó en el sillón fofo para darle a la taramela.
-¡Parece que vienes jariada!-Insinué yo.
-¡Me duelen los ñoños porque esta noche va a llover!-Manifestó ella.
-¡En las verijas de alguna!- Consideré yo y ella sonrió.
Entró mi hijo Zebenzui y mi prima como tiene el costumbre de golifiar, se expresó y preguntó como ella hace siempre.
-¡Hola mi niño!, ¡Siempre te veo de relance!, ¡Qué alto estás y flaco como un cangallo!
-¿Por qué vienes enguruñado que pareces un petudo?, ¿Qué te pasó en la pata que estás cojo?
-¡Con el pelo cortado rente parece que estás enfermo!
Zebenzui le respondió entodavía fañoso.
- Fui de fogalera pa Tacoronte, como a las tantas de la noche no hay «guagua» y no tenía (moni) pa coger un taxi, vine a pata en manga camisa sin (pulóver), chamarra ni anorak, con el chubasco que se dio me enchumbé y con el pelete me tullí y pillé un resfriado. Al día siguiente fui de tenderete a la romería de Guamasa, onde (trinqué) vino y cogí una torta, con la tontura, no me di cuenta y pisé una bosta, antes del partigazo, intenté apoyarme y me di un jeito en la barriga de la pierna, llegué con el totizo al suelo, me hice un totufo y acabé embostado. ¡Estoy como si me hubiesen dado una jarca palos!
-¡Ay, fuerte tolete estás! ¡Eso te pasa por novelero e irte de trulenque!- Opinó mi prima.
-¡Fos! ¡A alguien le jieden los zapatos a mierda!-Expresé con repugnancia y rápidamente para evitar que mi hijo repondiera a la opinión de mi prima, porque ella siempre aprovecha para fincharlo, sabe que a él no le gusta que le digan nada.
-¡Yo tengo las lonas limpias! -Afirmó mi prima.
-¡Son los míos! Es porque pisé una bosta cuando entré en el camino sin darme cuenta.-Explicó Zebenzui.
-¡Pues estrenaste los chazos que te puso el zapatero en las botas!- Le dije sonriendo a mi hijo.
Zebenzui vino a coger un fonil para llenar las garrafas de vino, en la huerta los que estaban apañando las «papas» no podían estar sin el (trinque) y ya se habían jilvanado dos garrafas, pero con el solajero les daba secura y tenían que matar la sede. Agarró el de plástico que estaba en el escanillo de la gaveta, porque el de chapa estaba ferrugiento y jurado. Le dije que no mesturara el vino que se vira y tapara bien el garrafón, que cogiera el rolón para las gallinas, la comida del cochino, pasara por el goro y vaciara el balde en la pileta hasta el fondaje, tuviera cuidado con el entullo de las obras y las liñas de la ropa, porque está tan espigado y es un espicho que igual ni las ve y se pega un chuchazo.
Cuando Lala dijo que se iba, la convidé a yantar porque estaba esmagada, pero no quiso.
-¡Échate una «papita», mujer y coge un fisco gofio de la bimba que está amasado con plátanos y «guarapo», para que no te quedes con la magua!- Le sugerí.
-¿Qué hiciste de conduto? Me preguntó mi prima.
-¡Tollos! Le respondí.
Se comió un puñito gofio y una «papa» borralla con un cachito tollo, como el mojo colorado estaba picón, soltó un espirrido porque se irritó la garganta, se quemó los bezos y empezó a resoplar y abanarse con la mano, también estaba algo engajada, pensé que se iba a quedar callada, le ofrecí un tanganazo vino y no quiso, bebió agua de la talla y después de arrotar siguió alegando. De repente, le cayó un perenquén del techo encima los senos, se levantó y pegó a correr de un lado pa otro disparatada y sacudiéndose, se trompezó con una silla y del estampido que le dio a la repisa se fue de varetas, cayó al suelo el gánigo que me regaló mi hija Guacimara por el día de las madres y se hizo gofio.
Al final, con el susto Lala salió como un foguete, vi que el chiquillo se estaba alongando por la ventana y creí que era para ver un folelé que estaba aposado en la tabaiba, pero cuando lo cogí todo rañoso y lambuciado, volvió a alongarse y abrió la cañota, del matapiojos le saltó al jurabollos y dijo dulcemente:
-¡Sarantontón, sarantontón, abre tus alitas y vete con Dios!-
Oí el barullo del rancho que venía a comer, miré pal suelo y estaba todo sorroballado de chocolate, lleno de pelujas porque Rayco le arrancó los pelos al machango y lleno de cachitos de gánigo, papeles y /creyones/ por todos los lados, un patiñero.
A seguir a tradução em português com regionalismos assinalados com asteriscos, porque nós gostamos de respeitar a imensa variedade dialetal da formosa língua portuguesa, para nós todas as variantes têm o mesmo valor que o português europeu e o português brasileiro. Diz-me como falas e dir-te-ei de onde és, a pátria do homem é a sua fala e a riqueza de uma língua é a sua diversidade. Obviamente, o canarino não é um dialeto da língua portuguesa, mas há pessoas que afirmam que é um dialeto misto, das duas línguas nacionais, oficiais ou principais da Península Ibérica, outros dizem que é um crioulo como o papiamento, nós declaramos com firmeza que é um dialeto do espanhol muito aportuguesado, porque utiliza uma grande quantidade de termos, expressões e algumas construções gramaticais da língua portuguesa, mas a sua estrutura é espanhola e vários dos empréstimos lusos incorporados no seu vocabulário foram espanholizados. Por esta razão, os lusitanismos da nossa fala que têm a sua origem em palavras portuguesas ou tomam outro significado no dialeto canarino que já nada tem a ver com as diferentes aceções de vocábulos de qualquer dialeto da língua portugesa, são substituídos na tradução pelos termos utilizados pelo dialeto padrão da língua portuguesa em Portugal. Os leitores não se devem preocupar, pois na análese do texto da estória que publicaremos no próximo artigo, cada lusismo terá o seu correspondente termo no dialeto padrão da língua portuguesa em Portugal e no espanhol estandardizado da Península Ibérica, por exemplo: talha* é um regionalismo usado em várias províncias portuguesas, mas o significado que lhe damos nas Ilhas Canárias corresponde mais com o de alcarraza no dialeto padrão do português europeu e no espanhol europeu estandardizado pelos meios de comunicação. Por último, na tradução os canarismos, guanchismos, «hipano-americanismos», (anglicismos), e /galicismos/ são traduzidos para o português quando há termo equivalente, no análese também serão analisadas estas palavras.
EM PORTUGUÊS COM REGIONALISMOS
O dia que apanhamos as «batatas»
As andorinhas voaram baixo aberruntando* a semana morrinhenta que tivemos. Acabou a morrinha quando se viu o arco da velha e, despois de cortar as ramas das «batatas», hoje pegamos a apanhar as (atualizadas), as (Rei Eduardo), as cor-de-rosa e as terrentas, eu espero que não estejam aguacentas, não hajam muitas bichadas nem achá-las insípidas. Estava a preparar o almoço com o meu filho pequeno Rayco e como é desinquieto, di-lhe /craiões/ e folhas para o entreter, pois quando ele está a pintar não lhe dá por reinar* ou acabar amuado. Ouvi que me chamavan, tive de ir para abrir a porta do pátio porque estava fechada com fechinho y empenada pela chuva. Era a minha prima Candelária e comadre, porque é a madrinha de Rayco, ela trouxe um (tupperware) com colostro, uma da suas cabras pariu quatro cabritos, um balaio repleto com laranjas das suas laranjeiras, pinhas* de milho com frondosos folhelhos e barbas e um bogango* grande y comprido, ao seu afilhado deu-lhe um chupa-chupa, una barra de chocolate e um boneco dos que ela faz, com a banha que ela tem se escarranchou na poltrona fofa para lhe dar à taramela.
-Parece que tu vens cansada!-Insinuei eu.
-Doem-me os dedos dos pés porque esta noite vai chover!-Manifestou ela.
-Nas virilhas dalguma!- Considerei eu e ela sorriu.
Entrou o meu filho Zebenzui e a minha prima como tem o costume de bisbilhotar, exprimiu-se e preguntou como ela faz sempre.
-Olá o meu menino!, Sempre te vejo por acaso!, Que alto estás e magro como un cangallo!
-Porque é que vens engrunhado* que pareces um corcunda?, O que foi o que te aconteceu na pata que estás coxo?
-Com o cabelo curtado rente parece que estás doente!
Zebenzui respondeu-lhe ainda fanhoso.
-Fui de farra para Tacoronte, como às tantas da noite não há «autocarro» e não tinha (dinheiro) para apanhar um taxi, vim à pata* em mangas de camisa sem (suéter), blusão nem anoraque, com o chubasco que caiu me enchumbei e com o frio de rachar, fiquei tolhido e apanhei um resfriado. Ao dia seguinte fui de festa à romaria de Guamasa, onde (bebi) vinho e apanhei uma torta, com a tontura, não percebi e pisei uma bosta, antes da queda de costas, tencionei apoiar-me e produzi-me um jeito na barriga da perna, cheguei com o toutiço ao chão, fiz-me um galo e acabei cheio de bosta. Estou como se me tivesem dado uma tereia!
-Oh, que grande tolo tu és! ¡Isso acontece-te por borguista e ir-te de borga!- Opinou a minha prima.
-Fó*! ¡A alguem fedem-lhe os sapatos a merda!-Exprimi com repugnância e rápidamente para evitar que o meu filho respondera à opinião da minha prima, porque ela sempre aproveita para o incomodar, sabe que ele não gosta que lhe digam nada.
-Eu tenho as alpercatas limpas! -Afirmou a minha prima.
-São os meus!, É porque pisei uma bosta quando entrei no caminho sem tomar conta.-Explicou Zebenzui.
-Pois estreas-te os remendos que te pôs o sapateiro nas botas!- Disse-lhe sorrindo ao meu filho.
Zebenzui veio apanhar um funil para encher as garrafas de vinho, na horta os que estavam a apanhar as «batatas» não podiam estar sem o (beber) e já se tinham bebido com rapidez duas garrafas, mas com a soalheira dava-lhes secura e tinham de matar a sede. Agarrou o de plástico que estava no escaninho da gaveta, porque o de folha estava ferrugento e furado. Disse-lhe que não misturara o vinho que se envinagra e tapara bem o garrafão, que apanhara o rolão para as galinhas, a comida do porco, passara pelo chiqueiro e esvaziara o balde na pia até a fundagem, tivese quidado com o entulho das obras e as linhas da roupa, porque está tão espigado e é um espicho que igual nem as ve e se dá un golpe com as linhas.
Quando Candelária disse que se ia, convidei-a para almoçar porque estava esmagada, mas não quis.
-Come-te uma «batatinha», mulher e apanha um bocadinho de gofio da bola que está amassado com bananas e «mel de palmeira canarina», para que não fiques com mágoa!- Sugeri-lhe.
-¿Que fiseste de conduto? Preguntou-me a minha prima.
-Tolhos! Respondi-lhe.
Comeu-se um punhinho de gofio e uma «batata» borrallo com um bocado de tolho, como o molho vermelho estava picante, soltou um berro porque se irritou a garganta, quemou-se os beiços e começou a bufar e abanar-se com a mão, também estava algo engasgada, achei que ia ficar calada, ofereci-lhe um trago grande de vinho e não quis, bebeu água da talha* e depois de arrotar siguiu a falar. De repente, caiu-lhe uma osga do teto acima dos seios, levantou-se e pegou a correr de um lado para otro atrapalhada e sacudindo-se, tropeçou-se com uma cadeira e do golpe forte que lhe deu à prateleira caiu de bruços, caiu ao chão o gánigo que me regalou a minha filha Guacimara pelo dia da mãe e acabou feito cacos.
Afinal, com o susto Candelária saiu como um foguete, vi que a criança estava a assomar-se à janela e achei que era para ver uma libélula que estava pousada na tabaiba, mas quando o apanhei tudo ranhoso* e lambuzado, voltou a assomar-se à janela, abriu a canhota, do mata-piolhos saltou-lhe para o fura-bolos e disse docemente:
-Joaninha, joaninha, abre as tuas asinhas e vai com Deus!-
Ouvi o barulho do rancho que vinha almoçar, olhei para o chão e estava tudo besuntado de chocolate, cheio de pelugem porque Rayco arrancou os cabelos ao boneco e de cacos do gánigo, papeis e /craiões/ por todos os lados, um patinheiro*.
Finalmente, a tradução em espanhol europeu estandardizado pelos meios de comunicação, que não é um dialeto padrão e normativo, porque no mundo hispanófono não existem, nem se corresponde com o castelhano. Espanhol e castelhano não são sinónimos, espanhol é a língua oficial dos países hispanofalantes, nos que se encontra Espanha e, castelhano é uma das suas variantes, o dialeto que se fala em Castela.
EM ESPAÑOL EUROPEU ESTANDARDIZADO
El día que cogimos las «patatas»
Las golondrinas volaron bajo barruntando la semana lloviznosa que tuvimos. Acabó la llovizna cuando se vio el arcoíris y, después de cortar los tallos de las «patatas», hoy empezamos a coger las (actualizadas), las (Rey Eduardo), las rosadas y las terrosas, yo espero que no estén aguanosas, no hayan muchas llenas de bichos ni hallarlas desaboridas. Estaba preparando el almuerzo con mi hijo pequeño Rayco y como es inquieto, le di /crayones/ y hojas para entretenerlo, pues cuando él está pintando no le da por enfurecer ni acaba enfadado. Oí que me llamaban y tuve que ir para abrir la puerta del patio porque estaba cerrada con cerrojo y alabeada de la lluvia. Era mi prima Candelaria y comadre, porque es la madrina de Rayco, trajo un (tupperware) con calostro, una de sus cabras parió cuatro cabritos, un cesto de escasa altura repleto con naranjas de sus naranjos, mazorcas de maiz con frondosas farfollas y barbas y un calabacín canario grande y alargado, a su ahijado le dio un chupachús, una chocolatina y un muñeco de los que ella hace, con la barriga que tiene se despatarró en el sillón blando para darle a la lengua.
-¡Parece que vienes cansada!-Insinué yo.
-¡Me duelen los dedos de los pies porque esta noche va a llover!-Manifestó ella.
-¡En las ingles de alguna!- Consideré yo y ella sonrió.
Entró mi hijo Zebenzui y mi prima como tiene la costumbre de curiosear, se expresó y preguntó como ella hace siempre.
-¡Hola chaval!, ¡Siempre te veo de casualidad!, ¡Qué alto estás y flaco como un enfermo!
-¿Por qué vienes encogido que pareces un jorobado?, ¿Qué te pasó en la pierna que estás cojo?
-¡Con el pelo cortado al ras parece que estás enfermo!
Zebenzui le respondió todavía gangoso.
- Fui de parranda para Tacoronte, como a las tantas de la noche no hay «autobús» y no tenía (dinero) para coger un taxi, vine a pie en mangas de camisa sin (suéter), chaqueta ni anorak, con el chaparrón que cayó me empapé y con el frío intenso me pasmé y pillé un resfriado. Al día siguiente fui de fiesta a la romería de Guamasa, donde (bebí) vino y cogí una borrachera, con el desvanecimiento, no me di cuenta y pisé una boñiga, antes del costalazo, intenté apoyarme y me hice un esguince en la pantorrilla, llegué con la nuca al suelo, me hice un chichón y acabé emboñigado. ¡Estoy como si me hubiesen dado una paliza!
-¡Ay, tremendo torpe estás! ¡Eso te pasa por juerguista e irte de jarana!- Opinó mi prima.
-¡Qué asco! ¡A alguien le hieden los zapatos a mierda!-Expresé con repugnancia y rápidamente para evitar que mi hijo respondiera a la opinión de mi prima, porque ella siempre aprovecha para molestarlo, sabe que a él no le gusta que le digan nada.
-¡Yo tengo las alpargatas limpias! -Afirmó mi prima.
-¡Son los míos! Es porque pisé una boñiga cuando entré en el camino sin darme cuenta.-Explicó Zebenzui.
-¡Pues estrenaste los parches que te puso el zapatero en las botas!- Le dije sonriendo a mi hijo.
Zebenzui vino a coger un embudo para llenar las garrafas de vino, en la huerta los que estaban recogiendo las «patatas» no podían estar sin el (beber) y ya se habían bebido con rapidez dos garrafas, pero con la soleada les daba sequedad y tenían que saciar la sed. Cogió el de plástico que estaba en la casilla del cajón, porque el metálico estaba oxidado y agujereado. Le dije que no mezclara el vino que se avinagra y tapara bien la garrafa grande, que cogiera la harina de millo para las gallinas, la comida del cerdo, pasara por el chiquero y vaciara el cubo en la pila hasta el fondo, tuviera cuidado con el escombro de las obras y las cuerdas de la ropa, porque está tan alto y es un flacucho que igual ni las ve y se pega un latigazo.
Cuando Candelaria dijo que se iba, la invité a almorzar porque estaba hambrienta, pero no quiso.
-¡Cómete una «patatita», mujer y coge un poco de gofio de la pella que está amasado con plátanos y «miel de palma», para que no te quedes con el desconsuelo!- Le sugerí.
-¿Qué hiciste de acompañamiento? Me preguntó mi prima.
-¡Tollos! Le respondí.
Se comió un puñito de gofio y una «patata» rescoldo con un trocito de tollo, como la salsa roja estaba picante, soltó un berrido porque se irritó la garganta, se quemó los labios y empezó a resoplar y abanicarse con la mano, también estaba algo atragantada, pensé que se iba a quedar callada, le ofrecí un trago grande de vino y no quiso, bebió agua de la alcarraza y después de eructar siguió hablando. De repente, le cayó una salamanquesa del techo encima de los senos, se levantó y empezó a correr de un lado para el otro trastornada y sacudiéndose, se tropezó con una silla y del golpe fuerte que le dio a la repisa cayó de bruces y tiró al suelo el gánigo que me regaló mi hija Guacimara por el día de las madres que acabó hecho añicos.
Al final, con el susto Candelaria salió como una flecha, vi que el niño se estaba asomando por la ventana y creí que era para ver una libélula que estaba posada en la tabaiba, pero cuando lo cogí todo sucio y pringado, volvió a asomarse y abrió la zurda, del pulgar le saltó al índice y dijo dulcemente:
-¡Mariquita, mariquita, abre tus alitas y vete con Dios!-
Oí el alboroto de la familia que venía a almorzar, miré para el suelo y estaba todo restregado de chocolate, lleno de pelusas porque Rayco le arrancó los pelos al muñeco y lleno de trocitos del gánigo, papeles y /crayones/ por todos los lados, un piso sucio.
Jesús Acosta
ACGEIA
Maré Cheia de novembro com propostas de outono
A edição de novembro da Agenda de Eventos no concelho da Moita – “Maré Cheia” destaca, em várias das suas rubricas, diversas atividades para fazer sozinho, com amigos ou família, neste outono, um pouco por todo o concelho, e, em especial, nos equipamentos municipais. Este é o tema da rubrica “À Lupa” desta edição que está disponível para consulta, em formato digital, em www.cm-moita.pt, ou em papel, nos postos de distribuição habituais.
![]()
Nas três páginas do “Vai Acontecer…”, encontra todas as iniciativas que a Câmara Municipal preparou para este mês, nas áreas da música, teatro, dança, cinema, livros, atividades para crianças, desporto, feiras e festas, exposições, entre outros eventos.
Não deixe de consultar as habituais sugestões das “Cumplicidades”, como “Apetecer Ler…”, “Ir em Cantigas…”, 7ª Arte…” e “À Distância de um Clique…”.
Os trabalhos que resultaram do 11º Raid Fotográfico da Moita, que a Câmara Municipal promoveu em setembro, durante as Festas em Honra de Nossa Srª da Boa Viagem, estão em exposição no Posto de Turismo Municipal, na Moita. Saiba um pouco mais sobre o olhar dos participantes no Raid Fotográfico, folheando as páginas do “Aqui Tão Perto”, e visite a exposição fotográfica, no Posto de Turismo, até 28 de novembro, de segunda a sexta-feira, das 9:30h às 12:30h e das 14:00h às 18:00h.
Nos “Sabores & Saberes”, deixamos uma sobremesa de outono, onde o Marmelo é o principal ingrediente.
Se pretende receber a Maré Cheia, todos os meses, em sua casa, contacte o Gabinete de Informação e Relações Públicas da Câmara Municipal da Moita, através do e-mail informacao-rpublicas@mail.cm-moita.pt ou do telefone 212806715.
![]()
O Presidente da República inaugurou ontem na vila de Sintra um museu com nome inglês – o NewsMuseum, numa cerimónia contou com ainda com a presença do Primeiro-ministro, Dr. António Costa e ainda do Dr. Pedro Passos Coelho.

O museu “inglês” que acaba de ser inaugurado ocupa as antigas instalações do Museu do Brinquedo, extinto em consequência da legislação que impedia o financiamento municipal à respetiva fundação, o que poderá eventualmente justificar a presença do anterior primeiro-ministro nesta cerimónia.
O NewsMuseum é constituído por 25 módulos temáticos entre os quais se incluem jornalismo de guerra, desportivo, rádio e fotojornalismo.
Para quem muito se melindra com a eliminação de meia-dúzia de consoantes mudas num acordo ortográfico, a aceitação da atribuição de uma denominação em idioma inglês a um museu que deveria constituir um veículo de promoção da Língua portuguesa por via da comunicação social é bastante surpreendente… e repudiável!
Maré Cheia: em abril atividades mil
O mês de abril será marcado pelas comemorações do 42º aniversário do 25 de Abril que decorrem um pouco por todo o concelho. Consulte o “À Lupa” e fique a conhecer as iniciativas preparadas pela Câmara Municipal, Juntas de Freguesia e Movimento Associativo para recordar e comemorar esta data histórica. Destaque para o grande espetáculo comemorativo do 25 de Abril, com a fadista Raquel Tavares, que decorre no dia 24 de abril, a partir das 22:30h, na Praça da República, na Moita.

Nas páginas da Maré Cheia, encontra ainda sugestões culturais e desportivas para toda a família e ainda propostas de leituras, música e cinema.
Gostaria de dar uma nova vida à sua varanda, terraço ou quintal? Saiba como no “Aqui Tão Perto” e coloque “Mãos à Horta”, participando no minicurso de tempos livres que a Câmara Municipal realiza entre 16 de abril e 4 de junho.
Nos “Sabores & Saberes”, a Maré Cheia dá-lhe a conhecer os Banheirinhos, criação da Pastelaria Transmontana, acarinhados como bolos típicos da Baixa da Banheira, e também as Broas de S. José.
Se pretende receber a Maré Cheia em sua casa, todos os meses, contacte o Gabinete de Informação e Relações Públicas da Câmara Municipal da Moita, através do e-mail: informacao-rpublicas@mail.cm-moita.pt ou do telefone 212806715.
(Des)Encontros galego-portugueses: Ciclo de eventos | Marzo, Abril e Maio de 2016
Organización: Centro de Estudos Galegos (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa) e Xuventude de Galicia – Centro Galego de Lisboa
O obxectivo deste ciclo é programar unha serie de conferencias, debates e outros eventos sobre as relacións históricas e actuais entre as sociedades e as culturas galega e portuguesa, atendendo a diferentes aspectos.
O ciclo constará de seis sesións, que terán lugar nos meses de marzo, abril e maio nas instalacións da Xuventude de Galicia – Centro Galego de Lisboa.



A comunidade chinesa radicada em Portugal celebrou anteontem em Lisboa a chegada do Novo Ano Chinês. De acordo com o Zodíaco Chinês, este será o ano do macaco. Com muitos séculos de existência, inúmeros mitos e tradições associadas, esta é considerada a mais importante festividade do seu calendário lunar, celebrando a Festa da Primavera.

O calendário chinês rege-se pelos ciclos lunares em conjugação com a posição do sol, iniciando-se na noite de lua nova mais próxima do dia em que o sol passa pelo décimo grau de Aquário. As representações dos doze animais do horóscopo a que correspondem os anos no calendário chinês possuem a sua origem na lenda segundo a qual, os doze animais se apresentaram a Buda, correspondendo ao seu chamamento.

Ascende a mais de vinte mil o número de chineses que vivem em Portugal, oriundos principalmente da província de Cantão em virtude da sua proximidade com Macau, constituindo uma comunidade pacífica e trabalhadora, dedicada sobretudo ao comércio e com uma presença considerável na nossa região.

A sua integração na sociedade portuguesa tem constituído um sucesso assinalável a que não é certamente alheia o conhecimento mútuo resultante de um convívio secular entre portugueses e chineses. Aliás, registe-se a forma fluente com que muitos chineses já comunicam na língua de Luís de Camões, o poeta que segundo a lenda terá escrito “Os Lusíadas” na famosa gruta de Patane, em Macau.
Fotos: Manuel Santos






























O escritor galego Ricardo Carvalho Calero deixou-no claro há bastantes anos: «O galego, ou é galego-português ou é galego-castelhano».

Para fazerem desaparecer as línguas que estorvam, os estados com vocaçom lingüicida tenhem diversas soluções ao seu alcance, que funcionam mais ou menos bem. Espanha foi avondo eficaz, ao menos na Galiza. Lá, agiu em dous tempos. Primeiro, convenceu os galego-falantes de que a sua língua já nom tinha nada a ver com o português. Umha vez isolado, o galego deixou de interagir com umha língua falada por uns douscentos e quarenta milhões de pessoas e oficial em nove estados independentes. Quer dizer, que a primeira etapa condenou a língua a viver em autarquia num território –Galiza— de dous milhões e meio de habitantes. Se os dous milhões e meio de galegos falassem todos galego, já ora, nom haveria qualquer problema. Nom é, porém, o caso, e o seu declive é constante desde a segunda metade do século XX.
A segunda etapa consiste em aproveitar a insegurança lingüística dos falantes de umha língua que, separada da norma comum, há de fazer umha de seu, para legitimar o maior número possível de castelhanismos. O símbolo desta intrusom é a aceitaçom académica do dígrafo ñ no lugar do genuíno nh —o nh, é claro, remetia demasiado para as normas portuguesas—. Imaginais os estragos que teria causado ao catalão a aceitaçom do mesmo dígrafo? Imaginais que fosse normativo que um catalão exilado escrevesse: «Cada dia, des de la lluñania, eñoro la meva Cataluña» [1]?. Por sinal, esta estratégia em dous tempos —separaçom do tronco comum e castelhanizaçom— é também a estratégia seguida polo espanholismo no País Valenciano.
O escritor galego Ricardo Carvalho Calero deixou-no claro há bastantes anos: «O galego, ou é galego-português ou é galego-castelhano». A academia oficial e o governo autónomo decidírom-se com furor pola segunda opçom. Porém, desde há uns anos, começa a fazer-se sentir umha outra voz. A dos chamados reintegracionistas. Som eles que entendem plenamente os argumentos e os objetivos dos partidários do galego-castelhano e que querem exatamente o contrário.
Som eles que, reagrupados na Associaçom Galega da Língua, querem salvar o galego da implacável residualizaçom a que está condenado. Os seus argumentos som de senso comum: isolado, o galego morrerá, unido com o português, pode aguardar prosperar, graças ao grande número de falantes de que dispom e ao seu prestígio internacional. Intentam, pois, operar umha revoluçom mental para fazer que se reconheça aquilo que já era umha evidência: o galego nom é umha língua derivada do português, mas umha das formas do português.
Este movimento de retorno requer a aceitaçom de um vocabulário hoje desterrado, o qual haveria de fusionar com as formas próprias do galego. Requer, sobretudo, eliminar as formas espanholas aceites de olhos fechados por umha academia [a RAG] de bandulho mole. E requer a recuperaçom das normas ortográficas comuns ao português como som nh em vez de ñ, mas também lh por llou ç no lugar de z. Nom o têm doado. Explica-o um dos escritores mais ativos neste combate, Séchu Sende: «Os reintegracionistas som umha minoria no interior da minoria galego-falante». O seu supervendas galego, Made in Galiza (em catalão, A vendedora de palavras, edições RBA, traduzido por Mònica Boixader) estava escrito num galego intermédio entre normativo [oficialista] e reintegracionista. Decidiu redigir o seguinte livro (A República das Palavras) empregando apenas as normas reintegracionistas, e isso significou apenas lograr ser publicado por uma pequena editora. Para ele, porém, a reintegraçom ao tronco galego-português é a única possibilidade para esperar reinjetar autoestima nos falantes de umha língua percebida geralmente como estritamente decorativa. Torna al Born o mor[2].
NOTAS:
[*] Artigo publicado originalmente por Joan-Lluís Lluís na revista catalã Presència em novembro de 2015. Traduzido do catalão para a galega com permissom do autor.
[1] Em correto catalão, «cada dia, des de la llunyania, enyoro la meva Catalunya»; isto é, «Cada dia, a partir da lonjura, sinto a falta da minha Catalunha».
[2] «Regressa ao Born ou morre». O provérbio original é «Roda el món i torna al Born» (localidade catalã), que se poderia traduzir como «vê mundo e regressa à casa».
Joan-Lluís Lluís (Perpinhã, Países Catalães, 1963), é um premiado escritor e colunista catalão. É colaborador habitual de publicações digitais como VilaWeb ou Esguard e a ainda a revista Presència (suplemento semanal do diário El Punt Avui). Nascido na Catalunha Norte, desenvolveu do início a sua trajetória literária no Principat, ao mesmo tempo que denuncia o «lingüicídio» cometido polo Estado francês na sua terra de origem.
Joan-Lluís Lluís / http://www.diarioliberdade.org/
A comunidade chinesa radicada em Portugal celebra no próximo dia 30 de Janeiro a chegada do Novo Ano Chinês. De acordo com o Zodíaco Chinês, este será o ano do macaco. Com muitos séculos de existência, inúmeros mitos e tradições associadas, esta é considerada a mais importante festividade do seu calendário lunar, celebrando a Festa da Primavera.

O ponto alto das festividades ocorrerá no Largo do Martim Moniz, entre as 11 horas e as 17 horas do dia 30 de Janeiro. Ali será montado um enorme bazar chinês onde se poderá encontrar um pouco de tudo, sendo os lisboetas convidados a assistir a um deslumbrante espetáculo onde não vão faltar as danças tradicionais, de leões e de dragões, cantares, artes e acrobacias.
A comunidade chinesa radicada em Portugal é reconhecida pelo seu espírito trabalhador e a sua enorme simpatia, pelo que esta festividade já se tornou num momento privilegiado de confraternização entre gente de diferentes culturas, num espírito de grande aceitação mútua que nos remete para o convívio de séculos entre portugueses e chineses em Macau.
A iniciativa é da Embaixada da República Popular da China e da Câmara Municipal de Lisboa.
Edição de novembro já disponível: “Maré Cheia” de atividades para desfrutar em família
A Agenda de Eventos no Concelho da Moita referente ao mês de novembro já está disponível e traz uma “Maré Cheia” de atividades para usufruir com os mais pequenos, em família, ou com amigos. Pode consultá-la, em formato digital, em www.cm-moita.pt, ou, em papel, nos postos de distribuição habituais.

Na rubrica “À Lupa”, encontram-se algumas sugestões para desfrutar nos diferentes espaços culturais ou equipamentos do concelho, passando tempo de qualidade em família.
O “Vai Acontecer…” enumera todas as iniciativas programadas para o mês de novembro, repartidas por áreas, como Atividades para Crianças, Desporto, Teatro, Cinema, Feiras e Festas, Livros, Música, Exposições e Outros Eventos.
Na página das Cumplicidades, sugerimos um livro, um álbum de música, um site e também um filme.
No concelho da Moita, todos os meses, há, pelo menos, uma quinta-feira à noite dedicada especialmente à leitura e à partilha de ideias e opiniões em torno de um determinado tema, livro ou autor. Esta oportunidade foi criada pelo projeto “Leituras às Quintas” que a Maré Cheia dá a conhecer melhor nas páginas da rubrica “Aqui Tão Perto”.
“Santos Paladares” é o restaurante no centro da vila da Moita que é retratado na rubrica “Sabores & Saberes”.
Se pretende receber a Maré Cheia em sua casa, todos os meses, contacte o Gabinete de Informação e Relações Públicas da Câmara Municipal da Moita, através do e-mail: informacao-rpublicas@mail.cm-moita.pt ou do telefone 212806715.
Consulte a edição de novembro, acedendo ao link: http://www.cm-moita.pt/pages/448.
Cerca de uma centena de cidadãos desfilaram ontem em Lisboa contra o Acordo Ortográfico de 1990. O desfile partiu do Largo do Chiado em direção à Assembleia da República. O objetivo da manifestação foi o de “dar visibilidade ao ativismo contra o referido Acordo e alertar as forças políticas de que a iniciativa existe e que deve ser viabilizada”.

A iniciativa foi promovida através das redes sociais por um grupo de “Cidadãos Contra o Acordo Ortográfico de 1990” o qual pretende que o referido Acordo seja submetido a referendo. Para atingir esse fim, procedem à recolha de assinaturas com vista à apresentação da respetiva petição na Assembleia da República.
Curiosamente, este grupo de cidadãos não contesta os anteriores acordos ortográficos celebrados em 1931, 1943, 1945, 1971 e, sobretudo, a Reforma Ortográfica de 1911 que, com vista a normalizar e simplificar a escrita da Língua Portuguesa em Portugal, veio a cavar um fosso com o português do Brasil o qual, por razões estratégicas, procura-se agora ultrapassar ainda que de uma forma algo atabalhoada.
Questionados no local alguns dos manifestantes a este respeito, pudemos registar uma flagrante perplexidade motivada pelo desconhecimento histórico das anteriores revisões ortográficas.





A Fundação INATEL prepara a realização da 3ª edição da iniciativa “Festival Inatel”, dirigida aos Centros de Cultura e Desporto associados da INATEL.
Atendendo ao já bem reconhecido trabalho que a INATEL vem desenvolvendo, no estímulo e no apoio à criação e à cultura popular, a realização da iniciativa em apreço pretende promover o interesse, o divertimento e a socialização dos beneficiários da Fundação, individuais, coletivos e de diversos pontos do país e de diferentes faixas etárias, contribuindo, simultaneamente, para a dinamização da atividade associativa dos Centros de Cultura e Desporto.
A realização irá decorrer em duas fases:
A apresentação de candidaturas e o envio da documentação solicitada é possível através do preenchimento de formulário online, disponível em https://fs6.formsite.com/inatel/FI2015/index.html.
Todos os restantes distritos já participaram na iniciativa.
A data limite para a apresentação de candidaturas é o dia 30 de setembro de 2015.
Agenda de eventos de julho e agosto; Maré Cheia “com cheiro a verão”
A Maré Cheia de verão, que engloba os meses de julho e agosto, já pode ser consultada, em formato digital, emwww.cm-moita.pt, e em papel, nos locais habituais.

No À Lupa, o destaque vai para as festas populares que acontecem no concelho nestes meses: de 8 a 12 de julho, na Baixa da Banheira, de 29 de julho a 2 de agosto, em Alhos Vedros, de 13 a 17 de agosto, no Rosário, e de 21 a 24 de agosto, em Sarilhos Pequenos. Não perca a animação e o convívio tão caraterístico destas festividades.
O Vai Acontecer… elenca diversas atividades para ver, ouvir e fazer, em todo o concelho, como música, teatro, desporto, exposições, feiras e festas, cinema, entre outras iniciativas.
Nas Cumplicidades, deixamos-lhe algumas sugestões de “Leituras de verão”. Aproveite as férias para colocar as leituras em dia. Recordamos que até 4 de julho, entre as 20:30h e as 24:00h, está a decorrer, na Praça da República, a 44ª Feira do Livro de Alhos Vedros.
Os passeios fluviais a bordo do Varino “O Boa Viagem” que, este ano, têm novidades, é o tema da rubrica Aqui Tão Perto.
Com as temperaturas a subir, nada melhor do que um sorvete geladinho para refrescar. Na rubrica “Sabores e Saberes”, conheça uma das muitas receitas de Sorvete de Limão e Hortelã.
Se pretende receber a Maré Cheia em sua casa, todos os meses, contacte o Gabinete de Informação e Relações Públicas da Câmara Municipal da Moita, através do e-mail: informacao-rpublicas@mail.cm-moita.pt ou do telefone 212806715.
“De Todo o Lugar” para o palco do Fórum Cultural – Baixa da Banheira
No dia 28 de junho, pelas 16:00h, o Fórum Cultural José Manuel Figueiredo, na Baixa da Banheira, vai ser palco para a apresentação pública do trabalho desenvolvido no âmbito do projeto “De Todo o Lugar”.

Esta tarde vai ser preenchida com música e a exibição de um vídeo, pelo Grupo de Trabalho “ O Nosso Lugar é o Mundo”, bem como pelas atuações do Grupo Coral Alentejano “O Sobreiro” e das Batucadeiras do Vale da Amoreira.
O projeto “De Todo o Lugar” surge na sequência da candidatura ao Alto Comissariado das Migrações e ao Fundo Europeu para a Integração de Nacionais de Países Terceiros.
Assista!
A entrada é gratuita.
A partir de 26 de junho e até 5 de julho, “África Mostra-se” no concelho da Moita, com mostras de cinema e outras manifestações culturais, da dança à arte urbana, passando pela narração de contos.

“África Mostra-se” teve a sua primeira edição em Lisboa, em 2011, chegando agora ao concelho da Moita, numa parceria entre a Câmara Municipal da Moita e a Cooperativa Zebra.
Este projeto tem como objetivo principal renovar as relações intercontinentais, tendo como base a criatividade, a inovação e o ponto de vista de quem vive, conhece e se interessa pelo continente africano.
Programa do “África Mostra-se”:
26 de junho / 16:00h
Kudafro – Oficina de Dança com Blaya (Buraka Som Sistema)
Centro de Experimentação Artística – Vale da Amoreira
Iniciativa dirigida a todos os interessados
27 de junho / 11:00h
Kwamagugu Yami – Histórias Africanas Contadas por Cindy Baptista e Musicadas por Bilan
Biblioteca Municipal do Vale da Amoreira
Iniciativa dirigida a maiores de 3 anos
3 de julho
21:30h – Atuação do Grupo de Batucadeiras Estrelas de Santiago
22:00h – Cinema ao Ar Livre: “Terra Terra”, de Paola Zerman
Anfiteatro junto ao Centro de Experimentação Artística – Vale da Amoreira
Iniciativa dirigida a maiores de 12 anos
4 de julho / 21:30h
Cinema ao Ar Livre: “I Love Kuduro”, de Mário Patrocínio
Anfiteatro junto ao Centro de Experimentação Artística – Vale da Amoreira
Iniciativa dirigida a maiores de 12 anos
5 de julho / 21:30h
Cinema ao Ar Livre
Anfiteatro junto ao Centro de Experimentação Artística – Vale da Amoreira
Iniciativa dirigida a todos os interessados
4 e 5 de julho / a partir das 10:30h
“Arte Urbana” – Intervenção em parede de edifício municipal,
Com a participação de Pedro Pinhal e de Ismael Sequeira e Estanislau Neto do Coletivo Cafuka
Avenida José Almada Negreiros (junto à Biblioteca do Vale da Amoreira)
Visita Guiada ao Arquivo Histórico da Marinha
Data(s): 9 de Junho de 2015
Horário(s): 10.30 às 11.30 horas e das 15.00 às 16.00 horas
Tipo de Evento: Visita guiada
Título: Visita guiada ao Arquivo Histórico da Marinha (Biblioteca Central da Marinha – Arquivo Histórico)
Descrição: O Arquivo Histórico da Marinha preserva a memória da Nação em todas as atividades ligadas à Marinha e ao Mar - pessoal, navios, organismos, etc. - em áreas geográficas diversificadas, ao longo dos últimos 300 anos, acervo que faz parte da Memória não só de Portugal, mas também de todos os povos com quem nos relacionamos. Reservas através dos telefones 21 362 76 00 e/ou e-mail arquivo.historico@marinha.pt.
Local de realização: Arquivo Histórico - Edifício da Ex-Fábrica Nacional de Cordoaria - Rua da Junqueira, s/n, Lisboa
Sítio na Internet:
http://biblioteca.marinha.pt/PT/SobreBCM/Paginas/SobreBCM.aspx
http://arquivohistorico.marinha.pt
Organização: Biblioteca Central da Marinha – Arquivo Histórico

Maré Cheia destaca 25 Anos de Leitura Pública no Concelho da Moita
A Agenda de Eventos no Concelho da Moita, “Maré Cheia”, edição de junho, já está disponível para ser consultada, em www.cm-moita.pt, e também, na versão em papel, nos locais habituais.

Neste mês de junho, a Maré Cheia destaca, nas suas páginas do À Lupa”, os 25 Anos de Leitura Pública no Concelho da Moita. Conheças as iniciativas que a Câmara Municipal da Moita preparou para assinalar este marco importante e participe.
O IV BB Blues Fest, os espetáculos de dança e teatro, as feiras “Artes e Talentos” e “Abra a Bagageira”, as atividades desportivas, os passeios no varino “O Boa Viagem”, a Biblioteca Estival e tantos outros eventos preenchem as páginas da rubrica “Vai Acontecer…”.
Nas “Cumplicidades”, a Maré Cheia deixa-lhe as habituais sugestões de um livro, um CD, um filme e também um site.
A multiculturalidade é uma das características do concelho da Moita. A riqueza da diversidade de culturas, usos e costumes, saberes e tradições mostra-se, em junho, nas freguesias do Vale da Amoreira, com as Festas Multiculturais em Honra de São João Batista, e de Alhos Vedros, com o Culturfest. Saiba mais pormenores em “Aqui Tão Perto”.
A Quinzena Gastronómica do Concelho da Moita “Sabores de Cá”, que irá decorrer entre 6 e 21 de junho, é o tema dos “Sabores & Saberes” desta Maré Cheia.
Se pretende receber a Maré Cheia em sua casa, todos os meses, contacte o Gabinete de Informação e Relações Públicas da Câmara Municipal da Moita, através do e-mail: informacao-rpublicas@mail.cm-moita.pt ou do telefone 212806715.
“Diário de Todos” é o primeiro jornal luso-chinês publicado em Portugal
A comunidade chinesa radicada em Portugal celebrou hoje em Lisboa o Ano Novo Chinês. Mais de um milhar de chineses afluiu ao largo do Martim Moniz para festejar a entrada do novo ano que, de acordo com o horóscopo chinês, decorre sob o signo da cabra. O evento contou com as presenças entre outras do embaixador da República Popular da China, o Secretário de Estado da Cultura do governo português e ainda de representantes da Câmara Municipal de Lisboa e das associações chinesas em Portugal.

As festividades incluíram a realização de um magnífico espetáculo bastante apreciado também pelos números portugueses e outros imigrantes que tiveram oportunidade de assistir, contemplando a dança, teatro música, folclore, artes marciais e circenses, não tendo faltado sequer a interpretação de um fado pela magnífica voz de uma jovem fadista chinesa.

Uma novidade constitui o aparecimento do jornal “Diário de Todos”, a primeira publicação luso-chinesa editada em Portugal. Com periodicidade quinzenal, possui excelente aspeto gráfico e boa qualidade informativa, a fazer de elo de ligação entre a comunidade chinesa e o seu país de origem mas também com bastante interesse cultural e informativo para os leitores portugueses.

O calendário chinês rege-se pelos ciclos lunares em conjugação com a posição do sol, iniciando-se na noite de lua nova mais próxima do dia em que o sol passa pelo décimo grau de Aquário. As representações dos doze animais do horóscopo a que correspondem os anos no calendário chinês possuem a sua origem na lenda segundo a qual, os doze animais se apresentaram a Buda, correspondendo ao seu chamamento.

As celebrações do novo ano chinês tiveram o seu início no passado dia 19 de fevereiro e prolongam-se por uma semana, tendo como palco privilegiado a cidade de Lisboa onde a presença chinesa é mais significativa.

Ascende a mais de vinte mil o número de chineses que vivem em Portugal, oriundos principalmente da província de Cantão em virtude da sua proximidade com Macau, constituindo uma comunidade pacífica e trabalhadora, dedicada sobretudo ao comércio e com uma presença considerável na nossa região. A sua integração na sociedade portuguesa tem constituído um sucesso assinalável a que não é certamente alheia o conhecimento mútuo resultante de um convívio secular entre portugueses e chineses. Aliás, registe-se a forma fluente com que muitos chineses já comunicam na língua de Luís de Camões, o poeta que segundo a lenda terá escrito “Os Lusíadas” na famosa gruta de Patane, em Macau.

















O Camões - Instituto da Cooperação e da Língua e a Junta da Galiza celebraram hoje o “Memorando de Entendimento para a Adoção do Português como Língua Estrangeira de Opção e Avaliação Curricular no Sistema Educativo Não Universitário da Comunidade Autónoma da Galiza”.

A cerimónia teve lugar na presença do Presidente da República, Prof. Aníbal Cavaco Silva, e do Presidente da Junta da Galiza, Alberto Núñez Feijóo, sendo os signatários o Embaixador de Portugal em Madrid, Francisco Ribeiro de Menezes, em representação da Presidente do Camões, I.P, e o Conselheiro de Cultura, Educação e Ordenação Universitária, Román Rodríguez González, em nome da Junta.
O Presidente da República deslocou-se hoje à Corunha, Espanha, para entregar as medalhas de ouro do Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular e assistir à cerimónia de assinatura do memorando sobre o ensino do português na Galiza. Na ocasião, Cavaco Silva discursou na Real Academia Galega, tendo considerado um “passo importante para o reforço das relações em todos os domínios com esta comunidade autónoma”.
O Prof. Cavaco Silva considerou que “o ensino do português como língua estrangeira em vários níveis do ensino na Galiza contribuirá certamente para um melhor conhecimento recíproco dos povos, para a intensificação do diálogo cultural mas também para o reforço das relações económicas, empresariais e de investimento que já são bastante intensas entre Portugal e a Galiza mas que queremos que se reforcem ainda mais no futuro”, acrescentando que este é um “passo importante para o reforço das relações em todos os domínios com esta comunidade autónoma”.
Na realidade, a introdução da Língua Portuguesa na Galiza não constitui o ensino de uma língua estrangeira mas tão-somente da afirmação de um idioma que é comum às gentes de Portugal e da Galiza.
A Língua portuguesa é atualmente ensinada na Galiza em 32 centros de Educação Secundária a 861 alunos e nas Escolas Oficiais de Idiomas a 1.122 alunos. A reintegração do galego no universo linguístico da Língua Portuguesa e a sua adesão à comunidade lusófona constituem importantes bandeiras de afirmação do nacionalismo galego.


A Fundação INATEL irá realizar o I CONGRESSO DE CCD – Centros de Cultura e Desporto, no âmbito do qual se pretende proporcionar momentos de debate e de reflexão envolvendo as associações filiadas na INATEL, reconhecendo o contributo destas estruturas para a afirmação das identidades locais e para o desenvolvimento cultural, social e educativo dos territórios onde se inserem, assim como o papel fundamental da organização associativa, uma das formas primordiais de coesão social e de expressão da sociedade civil, como veículo de transmissão e de afirmação dos valores de cidadania e de participação.
Como entidade estruturada a nível nacional vocacionada para valorizar as intervenções de âmbito associativo, a Fundação INATEL presta um serviço público de apoio, incentivo e estímulo às atividades dos agentes culturais, artísticos e sociais que voluntariamente desenvolvem um trabalho de proximidade com as comunidades, em estreita articulação com as diferentes realidades locais.
Nesse sentido, abaixo remetemos o programa deste Congresso que terá lugar na INATEL da Costa da Caparica nos próximos dias 21 e 22 de Novembro:
PROGRAMA
Dia 21 de Novembro
21h30 – Receção dos participantes
Momento musical: Grupo de Pauliteiros de Miranda da Associação de Cultura Mirandesa – Os Zoelas
Dia 22 de Novembro
08h30 – Abertura do secretariado
09h30 – Abertura da sessão pelo Senhor Presidente do Conselho de Administração
09h45 – Intervenção do moderador
09h50 – Inicio dos trabalhos
NOVA ABORDAGEM NO RELACIONAMENTO INATEL / CCD
1º Painel – Organização dos CCD (duração 45 minutos) (Debate – 15 minutos)
Dr. Augusto Flor – Presidente da Direcção da Confederação Portuguesa das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto
10h50 – Coffee break
Momento musical: TUIST – Tuna Universitária Instituto Superior Técnico
11h30 – Reinício dos Trabalhos
2º Painel – A Fiscalidade dos CCD (duração 45 minutos) (Debate – 15 minutos)
Dr. Vítor Almeida – Ordem dos Revisores Oficiais de Contas
12h30 – Almoço com momento de animação
Momento musical: José Carita e Rogério Pires (concerto de cordas)
15h00 – Reinício dos Trabalhos
3º Painel – Acesso dos CCD a apoios comunitários (45 minutos) (Debate - 15 minutos)
Dr. André Chambel
16h05
MOVIMENTO ASSOCIATIVO
4º Painel – História do Movimento Associativo Português (duração 25 minutos) (Debate – 5 minutos)
Dr. Rui Marques – Músico, maestro e investigador do INET- Universidade de Aveiro
5º Painel – Boas Práticas / Organização de Eventos (duração 25 minutos) (Debate 5 minutos)
d’Orfeu Associação Cultural
17h05 – Coffee break
Momento musical: South River Jazz Band (Banda Dixie)
17h35 – Reinício dos Trabalhos
Boas Práticas / Sustentabilidade (duração 25 minutos) (Debate 5 minutos)
Dr. José Carita – Presidente da Direção da Casa do Povo de Corroios
Boas Práticas / Relacionamento com a Comunidade (duração de 25 minutos) (Debate 5 minutos)
Eduardo Santos – Associação Desportiva O Mundo da Corrida
Boas Práticas / Estratégias de Rejuvenescimento (duração de 25 minutos) (Debate 5 minutos)
André Rodrigues – Presidente da Direção da Banda da Escola de Música Juventude de Mafra
19h05 – Inicio das Intervenções de encerramento dos Trabalhos
Entidades Governamentais: Secretário de Estado da Cultura e Secretário de Estado do Desporto (por confirmar)
20h00 – Jantar de encerramento com animação e entrega dos diplomas aos CCD presentes com mais de 25 e 50 anos de associados
Momento musical: CULTIVARTE – Associação Cultural Quarteto de Clarinetes Lisboa
Encerramento: Sociedade Dramática de Carnide
A Fundação INATEL poderá ter capacidade para disponibilizar autocarros localizados em pontos fixos a definir na região NORTE, CENTRO e SUL.
Oportunamente daremos detalhes quanto a esta possibilidade.
As inscrições só poderão ser efetuadas através do site http://www.inatel.pt/content.aspx?menuid=107.
Para qualquer dúvida ou informação adicional poderão contactar-nos através do 258 823 357 ou 210 072 143.

Os Meus Blogues
Siga-nos no Facebook
Blogue de Lisboa / Carlos Gomes
Arquivos
Marinha Portuguesa - Arquivo Histórico
Artes Plásticas
Autarquias
Bibliotecas
Bibliotecas Municipais de Lisboa
Coletividades
Sociedade Filarmónica Alunos de Apolo
Confederação P. Coletiididades Cultura Recreio
Sociedade de Instrução Guilheme Cossoul
Grémio Instrução Liberal Campo de Ourique
Cultura
Desporto
Clube Atlético de Campo de Ourique
Etnografia
Folclore de Portugal - O Portal do Folclore Português
Carlos Gomes - artigos sobre Etnografia
Blog do Portal do Folclore Português
Grupo Folclore Lavadeiras Ribeira da Lage - Oeiras
Rancho Etnográfico Barra Cheia - Moita
Rancho Folclórico Macanitas Tercena
Rancho Folclórico Saloios D. Maria - Sintra
Fado
História
Sociedade de Geografia de Lisboa
Sociedade Histórica da Independência de Portugal
Imprensa
Museus
Religião
Comunidade Israelita de Lisboa
Igreja Católica Ortodoxa de Portugal
Igreja Católica Ortodoxa Hispânica
Igreja Evangélica Metodista Portuguesa
Igreja Evangélica Luterana Portuguesa
Associaçao Bugei Keisha - Xintoísmo
Regionalismo
Casa Concelho de Pampilhosa da Serra
Casa Trás-os-Montes e Alto Douro
Teatro
Terras de Portugal
Atalaia - Vila Nova da Barquinha
Turismo