Blogue de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes de Lisboa e arredores

Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2019
PORTUGAL DIZ NÃO AO ÓDIO RACIAL E ÉTNICO: SOMOS TODOS JUDEUS!

Pese embora os esforços daqueles que a todo o custo procuram semear o ódio étnico e racial, não raras as vezes a pretexto de alegadas “justas causas”, a sociedade portuguesa é por natureza pacífica e resultado da convivência, ao longo de muitos séculos, com inúmeros povos de todos os continentes.

Sinagoga Portuguesa de Amesterão

A imagem mostra o local reservado ao culto na Sinagoga Portuguesa de Amesterdão.

 

Não existe família em Portugal que não possua no seu seio pessoas oriundas do Brasil, Angola, Cabo Verde, Moçambique… ou não tenha deixado algures um dos seus filhos misturados com uma família nos lugares mais recônditos do planeta!

Entre os portugueses contam-se inúmeros cidadãos de origem judaica e, durante a Segunda Guerra Mundial, serviu Portugal de abrigo – e de entreposto! – a milhares de famílias que escaparam ao holocausto, graças ao empenho de diplomatas e funcionários consulares como Aristides de Sousa Mendes, Teixeira Branquinho e Sampaio Garrido, de forma concertada com o regime que inclusivamente possibilitou a travessia da fronteira e a boa vontade da ditadura franquista.

De novo, está a ressuscitar nalguns países europeus o mesmo ódio que no passado levou ao extermínio milhões de pessoas – judeus, comunistas, ciganos, Testemunhas de Jeová e muitos outros! – algo que desde já rejeitamos liminarmente.

Somos portugueses e temos orgulho da nossa identidade e passado glorioso. Rejeitamos o ódio racial e étnico da mesma maneira que repudiamos os seus fomentadores. Perante a ascensão do antisemitismo, somos todos judeus!



publicado por Carlos Gomes às 23:43
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Quinta-feira, 19 de Julho de 2018
FOI A ATITUDE DO CÔNSUL ARISTIDES DE SOUSA MENDES UM CASO ISOLADO DE REBELDIA AO ESTADO NOVO?

Muito se tem falado acerca da iniciativa do Cônsul português em Bordéus, Aristides de Sousa Mendes, mas sem o rigor histórico que o estudo do caso exige.

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A atitude do Cônsul é positiva e humana. Colocar isso em causa está fora de questão.

Porém, existe uma apreciação histórica que creio propositadamente errada acerca do caso porque motivada por preocupações de natureza política do que propriamente pelo interesse em compreender os factos.

À época, era ainda incerto o desfecho da guerra, nada garantindo a derrota alemã. Apesar da neutralidade portuguesa, a Alemanha e a Itália com o conluio da Espanha planearam a operação Félix para tomar Gibraltar e, como complemento, a Operação Isabela para invadir Portugal e tomar Lisboa, impondo aos nossos aliados ingleses o “bloqueio continental”. E, apenas com a ajuda e financiamento destes foi possível demover a Espanha do seu intento de anexar Portugal com a ajuda dos nazis.

Apesar das simpatias mais germanófilas da Espanha – lembremo-nos a propósito a participação da Divisão Azul da Falange na invasão à URSS – puderam milhares de judeus atravessar a Espanha sem serem incomodados e passar a fronteira portuguesa fortemente vigiada pela PIDE.

Esses milhares de judeus fixaram-se -se em Lisboa, Mafra, Ericeira e Torres Vedras. E, ainda inseguros do desfecho da guerra, foi a partir do porto de Lisboa que embarcaram para os EUA. E, à luz das crónicas situacionistas, tudo isto ocorre como se o regime de nada soubesse e o próprio Presidente do Conselho de Ministros, Prof. Doutor Oliveira Salazar – o ditador! – Ignorasse o que se passava debaixo dos seus próprios olhos… que raio de ditador que era ludibriado da forma mais ignóbil!

Mas vejamos: O que aconteceria a Portugal caso a Alemanha saísse vitoriosa?

E, que dizer da acção semelhante de diplomatas como Teixeira Branquinho e Sampaio Garrido?

Foi a acção de Aristides realmente um caso isolado?

Qual era verdadeiramente a origem da maior parte dos judeus que vieram para Portugal? Não eram eles descendentes dos judeus portugueses que, por pressão espanhola, foram forçados no século XVI a abandonar Portugal, fixando-se muitos deles na Flandres, precisamente os mesmos a quem Portugal concede agora a nacionalidade aos seus descendentes? E porque razão veio há cerca de vinte anos a Rainha da Holanda agradecer a Portugal o acolhimento dispensado aos judeus que viviam na Holanda?

Como se explica que, ao contrário de outras nações como a França, Portugal ao tempo do Estado Novo não criou campos de concentração para os judeus nem os entregou à morte, às mãos dos nazis?

E, uma vez que se teima em julgar a História aos olhos da actualidade, porque será que, antes do início da guerra, não aceitaram as “democracias ocidentais” receber os judeus que os alemães pretendiam expulsar do seu país? E, finalmente, porque não foram então os árabes e muçulmanos, agora tão idolatrados pelos países da União Europeia, perseguidos pelos nazis, não se registando a sua presença nos campos de concentração e de extermínio nem as suas mesquitas destruídas e incendiadas como se verificou com as sinagogas judaicas? E, entre tais minorias que, para além dos judeus, também foram sacrificadas nos campos de extermínio nazis, continuam os historiadores de serviço a apagar da História o sacrifício dos russelistas, actualmente mais conhecidas por Testemunhas de Jeová?

Conclui-se que a História continua ao serviço da política e, tal como no passado, os cronistas escrevem o que aos seus amos convém!



publicado por Carlos Gomes às 14:22
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Domingo, 20 de Maio de 2018
COMUNIDADE JUDAICA PRESTA TRIBUTO A SAMUEL SCHWARZ

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Quem foi Samuel Schwarz?

Samuel Schwarz (Zgierz12 de Fevereiro de 1880 - Lisboa10 de Junho de 1953) foi um engenheiro de minas polaco, investigador e historiador dos marranos portugueses.

Nasceu em Zgierz (Polónia-Russia) 12 de Fevereiro de 1880 e morreu em Lisboa 10 de Junho de 1953. Era o mais velho de uma família de dez irmãos. O pai Issucher Schwarz era um homem extremamente erudito que serviu durante anos a comunidade judaica de Zgierz na Polónia. Sionista convicto, participou em vários congressos sionistas mundiais na altura da publicação por Theodore Herzl dos ”Estado dos Judeus”. Formou-se em Engenharia de Minas na Escola Nacional Superior de Minas de Paris, em 1904. Entre 1904 e 1914, trabalhou como engenheiro de minas num campo de petróleo em Baku (Cáucaso) e Azerbaijão, nas minas de carvão Sosnowice (Polónia), em minas de estanho de Arnoya Mining Company em Ourense (Espanha) entre 1907-1910, e numa mina de ouro, Monte Rosa Gold Mining Comp em Aldagna-Seia (Itália) em 1911. Poliglota notável, Samuel Schwarz falava Russo, Polaco, Alemão, Inglês, Francês, Italiano, Espanhol, Português, Hebraico e "Iídiche."

Casou-se em Abril 1914 em Odessa com Agatha Barbasch filha de Samuel Barbasch, um banqueiro. Após o início da Primeira Guerra Mundial e na impossibilidade de trabalhar na Europa do Leste, decide ir até Portugal, país sobre o qual tinha ouvido excelentes informações durante a estadia em Ourense. Chega a Portugal em Novembro de 1914 e começa a trabalhar como engenheiro nas minas em 1915 nas minas de volfrâmio e estanho em Vilar Formoso e em Belmonte.

Muito rapidamente, e na sequência do que já tinha feito em Espanha onde tinha publicado alguns artigos sobre os marranos no Boletim da Real Academia Galega e na revista Espana-Nueva, começa uma carreira de arqueólogo e de etnógrafo com a publicação de um trabalho “Inscrições hebraicas em Portugal" (publicado na revista Arqueologia e História em 1923).

Segue-se muito rapidamente em 1925 a publicação do livro “Os cristãos-novos em Portugal no século XX”, livro que dá a conhecer ao mundo a existência de uma comunidade de marranos no norte de Portugal.  Ciente da importância que a sua descoberta tem para o mundo judeu, Samuel Schwarz publica um conjunto de artigos em revistas e jornais ingleses, espanhóis, franceses, polacos, e italianos  nos quais revela informações sobre os marranos de Portugal. Já depois da morte de Samuel Schwarz este livro terá duas edições em Portugal (Instituto de Sociologia e Etnologia das Religiões da Universidade Nova de Lisboa e Livros Cotovia), uma em Hebraico em Israel (2005) e recentemente uma última versão em Francês em Paris (Découverte des Marranes, Editions Chandeigne 2015).

Em 1923 decide comprar um edifício em Tomar]] que se revela ser a mais antiga sinagoga de Portugal (Séc. XV) e depois de ter empreendido uma série de trabalhos de reabilitação, Samuel Schwarz redige uma proposta sobre a criação do Museu Luso-Hebraico de Tomar. Em 1939 a Sinagoga de Tomar é objecto de uma doação de Samuel Schwarz ao Estado Português. E também nesse ano que Samuel Schwarz é naturalizado cidadão português.

A carreira de escritor, historiador e arqueólogo continua com a publicação do “Cântico dos Cânticos” (1942), “Anti-semitismo” (com Leon Litwinski) em 1944, "Arqueologia Mineira" (brochura publicada pela Direcção-Geral de Minas, em 1936), “A Tomada de Lisboa segundo um documento coevo da Biblioteca Nacional" (1953), “A Sinagoga de Alfama” (1953), “História da Moderna Comunidade Israelita de Lisboa” (1959). Samuel Schwarz escreveu também vários artigos sobre temas relacionados com o judaísmo, nomeadamente na revista “Ver e Crer”, “O Sionismo no reinado de D. João III”, “Origem do nome e da lenda do Preste João da Índia”, “Quem eram os emissários que D. João II mandou em busca do Preste João” (1946).

Foi presidente da Câmara de Comércio Polaca em Portugal, desde a sua fundação em 1930 até à invasão da Polónia pela URSS. Era membro da Ordem dos Engenheiros e da Associação dos Arqueólogos Portugueses.

Depois da morte de Samuel Schwarz em 1953, a extensa biblioteca que incluía 32 incunábulos e cerca de 10.000 livros raros, todos eles com uma temática judaica, foi vendida ao Estado e, em vez de seguir para Tomar como previsto, foi parar ao Arquivo Histórico do Ministério das Finanças onde permaneceu durante dezenas de anos.  Hoje o espólio encontra-se na Biblioteca Mário Sottomayor Cardia da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde finalmente e praticamente 70 anos depois de ter sido vendida ao Estado, vai ser objecto de um inventário e catalogação.

Em Janeiro de 2008, o Museu Judaico de Belmonte abriu uma sala em sua honra.

Da sua vasta obra, refira-se as seguintes publicações:

  • Inscrições hebraicas em Portugal(1923);
  • Os cristãos novos em Portugal no século XX(1925);
  • Arqueologia mineira: extrato dum relatório acerca de pesquisas de ouro(1936);
  • Projecto de organização de um Museu Luso-Hebraico na antiga sinagoga de Tomar(1939);
  • Cântico dos cânticos / Salomão(1942);
  • Anti semitismo(1944), com Leon Litwinski;
  • A tomada de Lisboa : conforme documento coevo de um códice hebraico da Biblioteca Nacional(1953);
  • A sinagoga de Alfama: in memoriam do eminente olisipógrafo engenheiro Augusto Vieira da Silva(1953);
  • Histórias da moderna Comunidade Israelita de Lisboa(1959, póstumo).

Fonte: Wikipédia



publicado por Carlos Gomes às 13:38
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Quarta-feira, 31 de Agosto de 2016
O ZOROASTRISMO E A SUA INFLUÊNCIA NO JUDAÍSMO E NO CRISTIANISMO

O zoroastrismo é a religião monoteísta viva mais antiga (apareceu entre 1550 AEC e 1200 AEC, numa altura em que o judaísmo tinha um caráter muito politeísta) e influenciou muito o islamismo (em especial o xiita), o judaísmo e o cristianismo.

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Dele provém por exemplo o conceito de paraíso (pairidaeza) e influenciou muito a religião judaica, durante o exílio na Mesopotâmia como por exemplo a proibição da adoração de imagens sagradas (todo o texto de Isaías na Bíblia é de raiz zoroastriana),o monoteísmo rigoroso (até então o judaísmo era confusamente politeísta) e o puritanismo austero (a purificação dos judeus apregoada por Esdras ter-se-á dado a partir da Pérsia) uma vez que o zoroastrismo era a religião oficial do império persa, sendo o imperador persa Ciro II visto como o “Messias de Jeová” ou o “ungido de Jeová”. O paradoxo é que o título é concedido a um soberano estrangeiro, que não conhece Jeová (“Embora não me conheças, eu te cinjo”, no Deuteronómio de Isaías).

Adotaram então a crença zoaroastrista da vida após a morte, os conceitos de céu e inferno e do julgamento final e do apocalipse muito diferentes do judaísmo de antes da invasão persa. O princípio dualista do zoroastrismo manifesta-se na doutrina das duas eras, uma era presente (de impiedade) que se opõe a uma era futura (de justiça). Com a invasão alexandrina e o helenismo, o judaísmo absorve novos conceitos: o conceito grego da imortalidade da alma e a ideia da ressurreição corporal do zoroastrismo.

Hoje em dia há duas seitas, geograficamente delimitadas (sem contar com os zoroastristas na diáspora, que devem ser tantos como o total dos que existem no Irão e na Índia, um dos quais era o vocalista dos Queen, Freddie Mercury, um zoroastrista parsi, cujo nome verdadeiro era Farrokh Bulsara. No Irão há 35.000 zoroastristas – segundo o governo iraniano – ou 60.000 segundo as autoridades religiosas zoroástricas.

Os zoroastristas iranianos, (cuja cidade sagrada é Yazd, se bem que haja muitos também em Teerão e Kerman) são mais abertos, aceitam casamentos com não-zoroastristas e tentam ativamente converter outras pessoas. Os zoroastristas indianos, concentrados no no Estado do Gujarate, chamados Parsis (de Persa), são mais fechados, só aceitam casamentos endógenos, porque se consideram uma raça “pura” e desencorajam o proselitismo e a conversão de estranhos. Isto é curioso: o ramo que procura conversões está num país onde 99% da população é muçulmana, na maioria xiitas duodecimanos, religião que não permite a saída para outra religião; o ramo parsi, que não admite a conversão de outros, está na Índia, país onde a conversão para outras religiões é livre, exceto para os muçulmano. Dá Ahura Mazda nozes a quem não tem dentes…

No Irão, além dos muçulmanos de várias confissões (incluindo os bahá’is, ramo divergente do xiismo, considerado herético e proibido mas que mesmo assim tem cerca de 350.000 fiéis), são reconhecidas pelo Estado e protegidas (com direito a um assento no parlamento cada uma, as religiões judaica (com 25.000 praticantes, a maior comunidade judaica num país muçulmanos), cristã (300.000, sendo 200.000 da igreja apostólica arménia, sendo os restantes protestantes e da igreja assíria; também são considerados cristãos, e como tal protegidos pela lei, os gnósticos mandeístas que porém não se reconhecem a si próprios como cristãos e por isso se consideram discriminados pelo governo – que não liga nenhuma às suas queixas e continua a classifica-los como cristãos; note-se uma coisa interessante: considera-se que o conceito de diabo nas igrejas cristãs provém do islamismo iraniano e não do judaísmo) e os zoroastristas.

Nuno Miranda

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publicado por Carlos Gomes às 11:43
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Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2015
DESCENDIA ESTALINE DE JUDEUS PORTUGUESES?

Existe uma tese segundo a qual o ditador soviético Iosif Vissaniorovich Djugachvili (Estaline) teria ascendência judaica portuguesa ou seja, judeu sefardita.

Em 1496, D. Manuel I assinou o decreto de expulsão do reino de todos os hereges, categoria na qual se incluíam mouros e judeus. Contrariado na sua vontade, o rei limitava-se a cumprir o contrato de casamento com Isabel de Aragão e Castela. Procurou, no entanto, a conversão forçada dos judeus ao catolicismo, concedendo-lhes a possibilidade de permanecerem no reino sob essa condição. Contudo, a desconfiança dos cristãos-velhos em relação á sua sinceridade deu origem a perseguições violentas.

Em consequência de tais perseguições, alguns judeus de origem portuguesa ter-se-ão fixado no Estado Português da Índia.

Com o estabelecimento da Inquisição naquele território, essas famílias terão deixado aquele território e rumado para outras paragens mais a norte, acabando por se fixarem na Geórgia, terra natal de Iosif Vissaniorovich Djugachvili.

Como é sabido, em cirílico o j corresponde ao i das línguas latinas. Por conseguinte, o apelido Djugachvili significará “filho de Diu” segundo uns e, “filho de judeu” segundo outros. Quanto à sua origem judaica, parece não restarem grandes dúvidas, até porque o seu nome próprio – Iosif – é claramente de origem judaica, não sendo utilizados pela população ortodoxa. Recorde-se que Estaline era também conhecido por Kochba ou Koba em evocação do chefe judeu que comandou a terceira revolta judaica contra o Império Romano ao tempo do imperador Adriano.

Finalmente, refira-se como curiosidade que José Estaline terá na sua juventude composto um poema intitulado “Ivéria”, aludindo muito provavelmente à região da Abecasia, na Geórgia, onde existiu um reino independente com esse nome e que na geografia greco-romana era identificado como Península Ibérica, sendo os seus habitantes conhecidos por “caucasianos ibéricos”. Ou terá pretendido evocar a terra de origem dos seus ancestrais e a sua identidade sefardita?



publicado por Carlos Gomes às 23:52
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PARLAMENTO APROVA ATRIBUIÇÃO DA NACIONALIDADE AOS JUDEUS SEFARDITAS DE ORIGEM PORTUGUESA

Parlamento Português acaba de aprovar a atribuição de nacionalidade portuguesa a descendentes dos judeus sefarditas expulsos de Portugal a partir do século XV.

O projeto aprovado prevê a atribuição da nacionalidade portuguesa por naturalização aos descendentes de judeus sefarditas portugueses que demonstrem “tradição de pertença a uma comunidade sefardita de origem portuguesa, com base em requisitos objetivos comprovados de ligação a Portugal, designadamente apelidos, idioma familiar, descendência direta ou colateral”.

Designam-se de judeus sefarditas os judeus descendentes das tradicionais comunidades judaicas da Península Ibérica (Sefarad).

A lei 43/2013 terá ainda um período de regulamentação antes de poder ser aplicada.

Sinagoga Portuguesa de Amesterão

A imagem mostra o local reservado ao culto na Sinagoga Portuguesa de Amesterdão. 



publicado por Carlos Gomes às 21:45
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JUDEUS SEFARDITAS RECUPERAM NACIONALIDADE PORTUGUESA



publicado por Carlos Gomes às 16:58
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Sexta-feira, 29 de Agosto de 2014
COMUNIDADE ISRAELITA DE LISBOA ENSINA MÚSICA JUDAICA



publicado por Carlos Gomes às 00:18
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Quarta-feira, 9 de Julho de 2014
SINAGOGA DA COMUNIDADE ISRAELITA DE LISBOA FOI INAUGURADA HÁ 110 ANOS E PROJETADA PELO ARQUITETO CAMINHENSE MIGUEL VENTURA TERRA

Passam precisamente 110 anos desde a data da inauguração em Lisboa da Sinagoga Shaaré-Tikvá, cuja primeira pedra havia sido lançada dois anos antes. O projeto é da autoria do caminhense Miguel Ventura Terra, considerado um dos maiores arquitetos da sua época, tendo-lhe valido o Prémio Valmor de Arquitetura.

O templo encontra-se situado na rua Alexandre Herculano, nº 59, edificado dentro de um quintal muralhado visto que não era então permitida a outras denominações religiosas para além da Igreja Católica, a construção com fachada para a via pública. O terreno para a construção da sinagoga foi adquirido pela comunidade judaica, em nome de particulares, dadas as dificuldades com que então se debatia para obter o reconhecimento oficial. Até então, o culto era exercido em diversas casas de orações que, no entanto, não reuniam as condições necessárias para o efeito.

Miguel Ventura Terra nasceu em Seixas, no concelho de Caminha, em 14 de julho de 1866, tendo falecido em Lisboa em 1919. Entre as suas inúmeras obras, contam-se a renovação do Palácio de São Bento, a Maternidade Alfredo da Costa, o Teatro Club de Esposende, o Hotel e o Santuário de Santa Luzia em Viana do Castelo, o Hospital de Esposende e o edifício do banco de Portugal, no Porto.

Fonte: http://bloguedominho.blogs.sapo.pt/

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publicado por Carlos Gomes às 15:24
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A COMUNIDADE ISRAELITA DE LISBOA E A SINAGOGA SHAARÉ-TIKVÁ

A actual comunidade judaica de Lisboa tem a sua origem nos grupos de judeus sefarditas que se instalaram em Portugal no início do séc. XIX. Eram na sua maioria negociantes, provenientes de Gibraltar e Marrocos (Tânger, Tetuão e Mogador) e alguns dos nomes ainda exprimiam uma ligação às suas terras de origem ibérica, antes do período da expulsão. É o caso de CONQUI (de Cuenca, província de Cuenca) ou CARDOSO (de Cardoso, Distrito de Viseu).

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 Eram pessoas com nível cultural acima da média, sabendo ler e escrever e falando, para além do hebraico litúrgico, o árabe ou o inglês e o Haquitia, dialecto judeu-hispano-marroquino. Tinham numerosos contactos internacionais, devido não só às actividades comerciais mas também aos laços familiares espalhados pelo mundo. Estes factores explicam o rápido florescimento económico e cultural não só, aliás, dos judeus de Lisboa mas também dos grupos que se foram instalando nessa primeira metade do séc. XIX, nos Açores e em Faro.

Paralelamente à sua integração rápida e bem-sucedida na vida portuguesa, os primeiros grupos de judeus procuraram logo organizar-se como tal, criando salas de oração e adquirindo terrenos para enterrar os mortos segundo o ritual judaico. A primeira sepultura é a de José Amzalak, falecido a 26 de Fevereiro de 1804 e enterrado num terreno pertencente ao Cemitério Inglês da Estrela, sem dúvida devido à nacionalidade inglesa dos primeiros judeus de Lisboa, originários, como vimos, de Gibraltar.

Nessa altura os judeus ainda eram considerados como uma colónia estrangeira e a comunidade ainda não tinha existência legal. A Carta Constitucional de 1826 reconhecia apenas o catolicismo como a única religião permitida aos cidadãos portugueses, remetendo os outros cultos para os estrangeiros. Daí que nessa altura se fale de “colónia” israelita, tal como se falava de colónia inglesa ou alemã.

Não podendo obter a legalização da comunidade, os judeus de Lisboa foram criando, sobretudo na segunda metade do séc. XIX, instituições de beneficência sob a forma de associações autónomas, cujos estatutos eram submetidos á aprovação do Governo Civil ou sob a forma de fundações privadas, geralmente dirigidas por senhoras. Estas instituições desempenharam um papel decisivo na união e organização do judaísmo português. Citaremos apenas três:

SOMEJ-NOPHLIM (Amparo dos Pobres): criada em 1865 por Simão Anahory, com o objectivo de socorrer os pobres. Mais tarde, em 1916, esta associação abrirá o Hospital Israelita que tão importante papel veio a desempenhar no apoio aos refugiados israelitas durante a 2ª Guerra Mundial.

GUEMILUT HASSADIM: fundada em 1892 por Moses Anahory para ministrar os socorros espirituais e tratar dos enterros judaicos.

COZINHA ECONÓMICA: fundada em 1899 e que, tal como o Hospital Israelita, desempenhou um papel fundamental durante a IIª Guerra.

Outro passo decisivo para a constituição da actual comunidade judaica de Lisboa é dado em 1894 com a realização de uma Assembleia Geral dos judeus de Lisboa com o fim de unificar os serviços de Shehitá (abate ritual e aprovisionamento de carne cacher). Sob o impulso de Isaac Levy e Simão Anahory, inicia-se um processo que culmina na criação, em 1897, de uma comissão para a edificação de uma sinagoga única e com a eleição do Iº Comité da Comunidade Israelita de Lisboa, cujo Presidente Honorário é Abraham Bensaúde e o Presidente Efectivo Simão Anahory.

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A construção da Sinagoga Shaaré Tikvá

Existiam em Lisboa, desde 1810, várias casas de orações, mas dificilmente reuniam as condições necessárias ao culto, pois situavam-se em modestos andares. Assim apesar das dificuldades ocasionadas pela falta de reconhecimento oficial, a comunidade consegue comprar, em nome de particulares, um terreno para a construção de um edifício de raíz, próprio e condigno.

O projecto da sinagoga foi da autoria de um dos maiores arquitectos da época, Miguel Ventura Terra. Situada no nº 59 da Rua Alexandre Herculano, teve de ser construída dentro de um quintal muralhado, dado que não era permitida a construção com fachada para a via pública de um templo que não fosse de religião católica, então religião oficial do estado.

Lançada a Primeira Pedra em 1902, a Sinagoga Shaaré-Tikvá é finalmente inaugurada em 1904, culminando um esforço de mais de 50 anos dos judeus de Lisboa.

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Reconhecimento oficial da Comunidade

O primeiro passo para o reconhecimento oficial da Comunidade Israelita de Lisboa data de 1868, altura em que é concedida pelo governo uma licença, através de um alvará de D. Luís dando “aos judeus de Lisboa a permissão de instalar um cemitério para a inumação dos seus correligionários”. Trata-se do cemitério da antiga Calçada das Lajes, hoje Afonso III, ainda em funcionamento.

Este diploma régio tem uma importância histórica real dado que constitui um reconhecimento implícito, embora ainda não formal, da Comunidade Israelita de Lisboa. Na realidade, esta só será oficialmente reconhecida pelo Governo Republicano, em 1912, precisamente 416 anos depois do Édito de Expulsão e quase um século depois da extinção da Inquisição.

O reconhecimento oficial da comunidade e a construção da sinagoga vieram dar um novo impulso á vida comunitária em Lisboa. Assim, logo em 1912 é criada a Associação de Estudos hebraicos “Ubá le Zion”, cujo grande dinamizador é Adolfo Benarus, professor da Faculdade de Letras de Lisboa, escritor e pedagogo, também fundador em 1929 da Escola Israelita, que chegou a ter perto de uma centena de alunos. A criação de um boletim, dirigido por Joseph Benoliel, elo de ligação entre os membros da comunidade, a organização de uma biblioteca em 1915 e a fundação da Associação da juventude israelita Hehaver, em 1925, são outras tantas pedras da consolidação da Comunidade Israelita de Lisboa.

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O apoio aos refugiados da IIª Guerra

Mas a partir dessa altura, a comunidade vai conhecer, por força dos acontecimentos europeus, uma alteração profunda quer na sua acção quer na sua composição. As perseguições anti-semitas no Leste, a rápida ascensão do nazismo na Alemanha, começam a fazer chegar a Portugal os primeiros judeus asquenazim que rapidamente se integram na sociedade portuguesa e na comunidade. O desencadear da IIª Guerra, a política de neutralidade a que Portugal se remeteu no quadro da aliança com a Inglaterra e a concessão de vistos de trânsito a perto de cem mil refugiados, levam a um afluxo de dezenas de milhares de judeus a Portugal. Os poucos que ficaram alteraram as proporções maioritariamente sefarditas da comunidade de Lisboa.

Os judeus portugueses tiveram neste período um papel importante no apoio aos refugiados, primeiro através da criação da “Comissão Portuguesa de Assistência aos Judeus Refugiados em Portugal” (COMASSIS) dirigida por Augusto Esaguy, e mais tarde directamente através da secção de apoio aos refugiados da própria Comunidade, presidida por Moisés Amzalak e cujo grande animador foi Elias Baruel. Financiada pela Joint e outras instituições judaicas internacionais, a comunidade manteve a Cozinha Económica e o Hospital Israelita, fornecendo diariamente alimentação, vestuário e cuidados de saúde aos refugiados.

Até aos anos 60 a comunidade manteve-se demograficamente estável, mas a criação do Estado de Israel e a eclosão da Guerra Colonial levaram á partida de algumas famílias. Hoje, embora mais reduzida em número e com tendência para uma assimilação progressiva, a comunidade mantém os seus serviços essenciais a funcionar: Sinagoga, Cemitério, Centro Social, Associação de Beneficência Somej Nophlim.

A abertura política do pós-revolução de Abril e das fronteiras, com a entrada de Portugal na União Europeia, tem feito chegar ao nosso país cidadãos judeus originários de diversos países, da Europa e do Brasil. Esta vinda, a acelerar-se, poderá dar uma nova configuração à comunidade judaica em Portugal.

Escrito por Esther Mucznik

Fonte: http://www.redejudiariasportugal.com/

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publicado por Carlos Gomes às 10:57
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