Blogue de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes de Lisboa e arredores

Quinta-feira, 18 de Fevereiro de 2016
PÁGINAS DA HISTÓRIA DO REGIONALISMO: CASA DO CONCELHO DE OVAR FOI EXTINTA HÁ 43 ANOS!

Constituída em 1952, a Casa do Concelho de Ovar teve curta existência, tendo sido extinta cerca de vinte anos após a sua fundação. Teve a sua sede provisória na rua de São Bernardo, nº 76, 1º esquerdo, tendo-se posteriormente sediado na avenida da Liberdade, nº. 54, 3º. Porém, era no pitoresco bairro da Madragoa que se encontrava fixada a maior parte das suas gentes que viviam em Lisboa pelo que acabaria por instalar a sua sede social na calçada de Santos, nº. 37, 1º andar, atual calçada Ribeiro dos Santos. Recordando uma das desaparecidas casas regionais que existiram em Lisboa, transcrevemos com a devida vénia o artigo do jornalista João de Oliveira Teles, publicado no Jornal “João Semana” de 1 de maio de 2010.

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Comissão Organizadora da Casa do Concelho de Ovar em Lisboa: Sentados, da esquerda para a direita: Manuel de Oliveira Ventura, José Augusto da Cunha Lima e António Pinho Branco. De pé, pela mesma ordem: Pelágio José Ramos, Afonso Pereira de Carvalho, José André Redes, Artur de Oliveira Faneco, Francisco de Oliveira Faneco e Armando de Oliveira Soares

Recordando o “Comboio da Saudade”

Não vou aqui fazer a história da Casa do Concelho de Ovar em Lisboa, porque esse trabalho já foi abordado por mim neste jornal em 15 de Dezembro de 2006. Mas não podia deixar de recordar uma feliz iniciativa desta colectividade, então ainda embrionária: a organização de um comboio-expresso com ligação directa entre Lisboa e Ovar, ao qual deram o nome de “Comboio da Saudade”.

A Estação de Ovar em 1952, ainda com a cobertura da marquise envidraçada, repleta de gente, à chegada do “Comboio da Saudade”

 

Teve lugar esse acontecimento em 21 de Setembro de 1952, por ocasião das festas centenárias da Vila e da Festa do Mar, e foi levado a cabo por um grupo de vareiros bairristas residentes em Lisboa, com amor acrisolado à terra das suas raízes, pela qual tudo faziam desinteressadamente.

Nessa altura, esses vareiros formavam a Comissão Organizadora da Casa do Concelho de Ovar em Lisboa, instituição que havia de nascer, mais tarde, com o seu primeiro presidente, Dr. Albino Borges de Pinho (1953 a 1957). Um dos objectivos da viagem era, precisamente, despertar nos outros conterrâneos um maior entusiasmo pela nova associação.

Esse objectivo foi alcançado, traduzindo-se num grande sucesso, já que se deslocaram de Lisboa a Ovar vareiros que já aqui não vinham há muitos anos, trazendo consigo vários amigos da capital que não conheciam a nossa terra.

É oportuno registar o nome desses vareiros bairristas, para não serem ignorados pelos seus conterrâneos de hoje: José Augusto da Cunha Lima, presidente da Comissão Organizadora da Casa do Concelho de Ovar em Lisboa, João André M. Boturão, Manuel de Oliveira Ventura, José André Redes, Pelágio José Ramos, Artur de Oliveira Faneco, António A. Pinho Branco, Francisco de Oliveira Faneco, Afonso Pereira de Carvalho e Armando de Oliveira Soares.

Desde a primeira hora, o semanário “Notícias de Ovar” deu bastante apoio a esta iniciativa. E como o seu proprietário, António Coentro de Pinho, era, na ocasião, Presidente da Câmara Municipal de Ovar, tudo se conjugou para que a realização dessa jornada tivesse muito êxito.

No seu número de 18 de Setembro de 1952, aquele semanário convidava o povo e as colectividades do concelho a estarem presentes na estação do caminho-de-ferro da vila para assistirem à chegada do “Comboio da Saudade”, publicando o anúncio da Câmara Municipal de Ovar aqui reproduzido.

Grupo Coral da Casa do Concelho de Ovar em Lisboa numa visita ao Estádio Nacional, onde se destacam alguns membros fundadores desta colectividade: Em baixo, o 1.º da esquerda é José André Redes. De pé, da esquerda para a direita: 1.º Francisco de Oliveira Faneco, e o antepenúltimo o seu pai, Artur de Oliveira Faneco.

 

O comboio saiu do Rossio, em Lisboa, às 7 horas do dia 21 de Setembro, chegando a Ovar por volta das 11 horas, conforme estava previsto. Disse-me o Sr. Francisco de Oliveira Faneco, um dos membros da organização, que em Aveiro pediram ao maquinista para que dali em diante fizesse accionar o apito da máquina até à sua chegada a esta vila, no que ele concordou. Isso permitiu que o povo das povoações vizinhas parasse para observar, interrogando-se sobre o que se passava.

Foi em apoteose que o “Comboio da Saudade” entrou na gare da nossa estação. (A foto ainda a retrata com a cobertura da marquise em ferro, coberta de zinco e vidro, desmantelada nos anos 60 do séc. XX devido à electrificação da Linha do Norte). Ali “se viam as entidades oficiais, colectividades com os seus estandartes e a Banda Ovarense, tendo subido ao ar uma grande salva de foguetes”, como se lia no semanário de 25/9/1952.

Seguiu-se um cortejo para a Câmara, onde estava constituída a mesa, com o Presidente, os membros da Comissão Organizadora da Casa do Concelho de Ovar em Lisboa, os vereadores e entidades oficiais e representantes das colectividades locais.

O Sr. António Coentro de Pinho, como primeiro autarca do concelho, deu as boas vindas aos visitantes, tendo-lhe respondido, a agradecer, o Sr. José Augusto da Cunha Lima, presidente da Comissão Organizadora da Casa do Concelho em Lisboa.

O “Notícias de Ovar” informava ainda: “Da Câmara, seguiram estes para o Largo dos Combatentes, onde visitaram a fonte do Hospital, o edifício do antigo Quartel de Infantaria 24 e a Capela de S. Pedro, onde se encontra o “Passo do Calvário”, indo, depois, à Matriz, que viram com particular interesse, alguns dos restantes “Passos” e, finalmente, à casa onde viveu durante algum tempo o grande escritor Júlio Dinis. No fim do almoço, foi-lhes proporcionado um passeio pela Ria até ao Torrão do Lameiro”.

A comitiva partiu de Ovar, com rumo a Lisboa, às 2 horas e 30 minutos do dia 22, como estava previsto, depois de uma despedida comovente para os que seguiam e para aqueles que cá ficavam.

Ao recordarmos este acontecimento, que há mais de 50 anos empolgou a população da nossa terra, prestamos homenagem aos nossos conterrâneos residentes, nessa época, em Lisboa, muitos deles já falecidos, os quais, embora vivendo longe, traziam Ovar no coração. Lamentamos que a Casa do Concelho de Ovar em Lisboa, extinta cerca de 20 anos depois, em 17 de Janeiro de 1973, tivesse tido uma existência tão breve.

Fonte: João de Oliveira Teles / Jornal “João Semana” de 1 de maio de 2010 / Via: http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.pt/

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A Câmara Municipal de Ovar convidava a população e as colectividades do Concelho a comparecerem na Estação à chegada do Comboio



publicado por Carlos Gomes às 20:17
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Quinta-feira, 8 de Maio de 2014
VAREIRAS E VARINAS: DO MOCAMBO Á MADRAGOA

O pitoresco bairro da Madragoa, habitado predominantemente por gentes oriundas de Ovar e da sua praia do Furadouro, às quais se juntaram os da Murtosa, Estarreja e Ílhavo foi primitivamente um pequeno aglomerado de casebres onde viviam antigos escravos negros trazidos nas naus e que sobreviviam da pesca, tirando partido da proximidade do rio, onde outrora se formava a praia que, após o aterro, deu origem à atual avenida 24 de Julho e ao Jardim de Santos. Designava-se então o bairro por Mocambo e ficava próximo dos terrenos que o casal flamengo, Cornélio Vandali e Martha de Bös haveriam de doar às religiosas da Ordem da Santíssima Trindade do Resgate dos Cativos para ali edificarem uma capela de invocação a Nossa Senhora da Soledade e, posteriormente, um edifício que as acolhesse – o Convento das Trinas do Mocambo.

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Da foz do rio Douro às lagunas do Vouga e dunas de São Jacinto, na Costa Nova e no Furadouro, na Murtosa, as gentes vareiras distinguem-se pela sua peculiar forma de ser e de trajar, o seu falar característico e o seu modo de vida geralmente associado às lides do mar. Desde há séculos que estas gentes laboriosas partiram para outras paragens em busca do sustento que nem sempre logravam alcançar na sua terra ou, melhor dizendo, no mar que o banha. E, vai daí, os ilhavenses aventuraram-se por esse mundo fora, enfiados nos velhos bacalhoeiros que demandavam à Terra Nova ou em qualquer actividade de embarcadiço. Ainda hoje é difícil não encontrar um natural de Ílhavo num qualquer navio a navegar em mar alto sob qualquer pavilhão, fazendo juz à fama que conquistaram os portugueses de quinhentos.

De Ovar e da Murtosa formaram as suas gentes novas colónias de pescadores que se estenderam ao longo da costa até às praias do Algarve, fixando-se muitas delas nos mais antigos bairros lisboetas, constituindo talvez a Madragoa o núcleo populacional mais homogéneo constituído por gente vareira. Quem não se lembra ainda das graciosas varinas que, de canastra à cabeça, saracoteando as ancas e apregoando com o seu jeito característico, percorriam a cidade da ribeira às colinas, vendendo o peixe que arrematavam na lota ou iam buscar ao cais à chegada das velhas faluas.

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Com efeito, a expressão varino ou varina tornou-se usual sobretudo em Lisboa para designar as gentes oriundas daquela região à beira-mar, entre Aveiro e o Porto, provavelmente pela sua maioria ser oriunda da área do concelho de Ovar e, por esse facto, talvez aquela designação constitua uma corruptela dos gentílicos ovarino e ovarina. Em todo o caso, quaisquer das expressões está associada às características geomorfológicas daquela zona do rio Vouga e das formas que os seus naturais tiveram para se adaptar ao meio. Antes de mais, convém lembrar que o topónimo Ovar possuí a sua origem na raiz Var em acoplação com o artigo definido resultou na sua designação actual: Ovar, de O Var.

Var e vau são designações que significam laguna ou estuário, tornando-se por conseguinte lugares de varadouro ou seja, sítio propício para as embarcações poderem varar. Precisamente ao invés de fundeadouro que se refere a um local fundo onde apenas é permitido fundear. Ora, para as pessoas menos familiarizadas com as lides do mar, também se designam por varadouros as pequenas rampas de acesso a terra que existem junto de muitas lotas e portos de pesca no nosso país, onde frequentemente são deixadas as embarcações em terra firme.

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Por seu turno, vareiro é também designado o barco caraterístico deste região, pequeno e estreito, de fundo chato como convém e que geralmente é conduzido à vara. Aliás, tal como sucede com os barcos saleiros e moliceiros que na realidade são sucedâneos dos velhos barcos vareiros. Ora, este género de embarcações muito usual nesta zona do rio Vouga contrasta profundamente com os barcos saveiros que se aventuram na costa e enfrentam a forte ondulação. Precisamente, o seu fundo chato permite a varação e também navegar... à vara !

Mas, a designação vareiro e varino acaba associado a muitos outros aspectos da vida destas gentes. Assim, por vareiros são também designadas as varas que os homens levavam às costas com um cesto em cada ponta, geralmente para neles transportarem o peixe. Neste caso, o vareiro consiste numa vara comprida e delgada. E, por vareiros eram também designadas as varas com que outrora formavam as latadas antes de serem substituídas pelo esticadores de arame. Por vareiro ou varino era também designado o gabão que as gentes desta região vestiam, uma espécie de capa que as agasalhava do frio cortante e da brisa marítima nas longas manhãs à espera que os barcos regressassem da faina. Finalmente, a vareira é juntamente com o vira uma das danças tradicionais mais características das gentes varinas.

Com o seu chapéu de copa alta e aba curta forrada a veludo como usam os de Ílhavo e de Ovar ou de copa baixa e aba larga como agrada aos da Murtosa, as gentes vareiras constituem um tipo étnico que se distingue facilmente de outras regiões. Com o decorrer do tempo, os usos foram alterando-se e as varinas da Madragoa já não trajam como antigamente. Mas o bairro não perdeu as suas caraterísticas e Lisboa não esquece as suas origens!

Carlos Gomes (Adapt.) / http://www.folclore-online.com/

Fotos: Arquivo Municipal de Lisboa

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publicado por Carlos Gomes às 00:00
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Segunda-feira, 5 de Maio de 2014
DO MOCAMBO À MADRAGOA: A LISBOA DE OUTRAS ERAS…

Desde há muito mencionada como “terra de muitas e variadas gentes”, Lisboa constituiu desde sempre um mosaico de culturas e tradições, sendo provavelmente a primeira cidade cosmopolita da Europa. Na sequência das viagens dos Descobrimentos, numerosos negros foram trazidos para Portugal, muitos dos quais para servir como criados nas casas fidalgas da capital.

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Fora das muralhas da cidade, para quem seguia das Portas de Santa Catarina em direção a Belém, surgia no século XVI, em plena dominação filipina, um bairro de negros que tomou a designação de Mocambo que remete para as suas origens africanas. Em redor, situavam-se entre outros os palácios dos duques de Aveiro e dos marqueses de Abrantes, o Paço Real de Santos onde atualmente se encontra a embaixada de França, os conventos das Bernardas, das Inglesinhas e das Trinas do Mocambo e a modesta e antiquíssima capela dos Santos Mártires – Máximo, Veríssimo e Júlia – que vieram dar origem à designação da Freguesia de Santos-O-Velho. O rio Tejo banhava então a praia onde, no início do século passado, foi construído o aterro e posteriormente transformado num dos mais importantes eixos viários da cidade. Ao longe, a meio do rio, permaneciam fundeados e impedidos de atracar os navios sob os quais recaía a suspeita de epidemia, permanecendo de quarentena. O posto de desinfeção haveria de ser criado no cais da Rocha Conde de Óbidos nos finais do século XIX.

Ainda escassamente urbanizada, o terramoto de 1755 não atingiu particularmente a localidade para além de algumas derrocadas registadas no Convento das Bernardas e no Palácio dos Duques de Aveiro. Mas, foi sobretudo a catástrofe então vivida que veio a determinar o crescimento urbano da área ocidental de Lisboa. As classes mais abastadas abandonavam o centro da cidade então em ruínas e transferiam-se para Santos-O-Velho e faziam nascer um novo bairro na chamada Lapa aristocrática, enquanto o Convento das Trinas loteava os terrenos, vendendo-os a preço mais reduzido e dando assim origem ao bairro popular da Lapa, desde o Mocambo ao sítio da Bela Vista.

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A partir dessa altura, à semelhança do que sucedia noutros pontos da costa portuguesa onde surgiram povoas de pescadores, começou a afluir para aquele local gentes oriundas sobretudo de Ovar a que vieram juntar-se mais tarde naturais da Murtosa, Pardilhó e Estarreja, acabando por ali formar uma importante colónia de gente vareira constituída por pescadores e vendedeiras de peixe que inundavam o cais da Ribeira Nova, nas descargas do peixe ou do carvão. A essa gente ovarina haveria de com o decorrer do tempo se associar a designação de varina, nascida por corruptela do respetivo gentílico. Esta foi, seguramente, uma das mais importantes migrações internas verificadas antes da era industrial pois, o grande êxodo das zonas rurais do interior para a cidade apenas se regista a partir de meados do século XIX.

À medida que a colónia ovarina foi crescendo em número, os negros que habitavam o bairro foram desaparecendo até que, no século XIX, o antigo topónimo foi abandonado e substituído pela sua atual designação, tomada da antiga rua da Madragoa, atualmente denominada por rua do Vicente Borga. Quanto à origem do topónimo Madragoa persistem várias interpretações, não sendo ainda ponto assente o seu significado.

E, a gente vareira que passou a dominar por completo aquele típico bairro lisboeta, conferiu-lhe uma forma peculiar de vivência marcada pelos jeitos graciosos das suas varinas de canastra de peixe à cabeça e os pregões que característicos. A vizinhança mantém a proximidade que caracteriza os bairros piscatórios e, bem no centro do bairro, na taberna que foi da Maria Barbuda e onde nasceu Maria Honofriana Severa, a fadista que se tornou uma lenda do fado, um velho fogueteiro minhoto preserva quadros de antigos grupos excursionistas, alguns dos quais deram origem a coletividades de cultura e recreio, enquanto na rua os galináceos passeiam em completa liberdade.

Nas proximidades do bairro, a Casa do Concelho de Ovar manteve-se em atividade até meados da década de setenta, altura em que foi extinta. As gerações mais novas já nasceram no bairro e passaram a identificar-se mais com Lisboa do que com as raízes dos seus ancestrais. Entretanto, o cais da Ribeira Nova foi perdendo a azáfama de outrora. O mercado da Ribeira foi transferido para novas instalações construídas no concelho de Loures, nos arredores de Lisboa. O antigo Convento das Bernardas que chegou a alojar mais de meio milhar de pessoas em condições deploráveis foi submetido a obras de recuperação e muitos dos seus antigos moradores transferiram-se para os bairros da periferia. A população encontra-se atualmente bastante reduzida e o bairro perdeu em grande medida a alegria e vivacidade de outrora. Porém, o seu traço castiço e típico persiste nomeadamente quando a sua juventude á chamada a representá-lo nos desfiles das “marchas populares”, criação fantasiosa que não se confunde com folclore e etnografia, mas que não deixa de aludir às tradições mais peculiares de cada bairro com recurso a coreografias e adereços ao jeito do teatro de revista à portuguesa.

Muito provavelmente, ninguém como Cesário Verde conseguiu captar em verso a ruralidade de Lisboa, as formas de vida, encontrando nela a província e os seus costumes nos modos das suas gentes. São deles, aliás, estes versos que retratam precisamente as suas varinas: 

Nas nossas ruas, ao anoitecer,

Há tal soturnidade, há tal melancolia,

Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia

Despertam-me um desejo absurdo de sofrer

(…)

Vazam-se os arsenais e as oficinas;

Reluz, viscoso, o rio, apressam-se as obreiras;

E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras,

Correndo com firmeza, assomam as varinas.

 

Vêm sacudindo as ancas opulentas!

Seus troncos varonis recordam-me pilastras;

E algumas, à cabeça, embalam nas canastras

Os filhos que depois naufragam nas tormentas

 

Descalças! Nas descargas de carvão,

Desde manhã à noite, a bordo das fragatas;

E apinham-se num bairro aonde miam gatas,

E o peixe podre gera os focos de infecção!

Carlos Gomes / http://www.folclore-online.com/

Fotos: Arquivo Municipal de Lisboa

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