Blogue de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes de Lisboa e arredores

Sexta-feira, 31 de Agosto de 2018
AGENDA CULTURAL DE LISBOA DESTACA O TRABALHO QUE O MUSEÓLOGO JOÃO ALPUIM BOTELHO ESTÁ A DESENVOLVER COMO DIRECTOR DO MUSEU BORDALO PINHEIRO

“Estamos muito orgulhosos! O nosso excelente director, João Alpuim Botelho, está na Agenda Cultural de Lisboa a sublinhar o trabalho a que se dedica, à cabeça de uma equipa igualmente empenhada em estudar e divulgar, incansavelmente, a obra de Bordalo Pinheiro!

Porque, como nota, "acontece que o Bordalo tem relação praticamente com tudo: através da sua postura e da variedade das suas intervenções no jornalismo, na cerâmica, no desenho e no humor, é muito fácil encontrar pontes para falar de situações actuais".” – é com estas palavras que a equipa de museólogos que trabalha no Museu Bordalo Pinheiro felicita o seu director, o vianense João Alpuim Botelho.

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O Dr. João Alpuim Botelho é actualmente o director do Museu Bordalo Pinheiro, em Lisboa. Antes foi o responsável pelo Museu do Traje, em Viana do Castelo. Editada pela Câmara Municipal de Lisboa, a edição de Setembro da Agenda Cultural de Lisboa – portanto acabadinha de sair! – confere o merecido destaque ao vianense Dr. Alpuim Botelho.

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João Alpuim Botelho nasceu em 1967, em Viana do Castelo. Licenciado em História (FLL, 1989), possui o Mestrado em Museologia, tendo defendido uma tese sobre “Panorama Museológico do Alto Minho” (U.N.L., 2007).

Desde 1991, trabalha na Câmara Municipal de Viana do Castelo e, desde 1999, foi responsável pelo Museu do Traje, criado em 1997, com a gestão e direção da instalação e processo de adesão à Rede Portuguesa de Museus concluído em 2004.

No âmbito da sua atividade no Museu do Traje realizou cerca de 20 exposições de temática etnográfica, ligada à investigação e pesquisa da vida rural tradicional e da identidade alto minhota.

Publicou, entre catálogos e artigos, cerca de 50 trabalhos sobre a mesma temática. Destes trabalhos relevo a edição de Uma Imagem da Nação, O Traje à Vianesa, com Benjamim Pereira e António Medeiros (ed CMVC, 2009)

Ainda no âmbito dos Museus desenvolvi um conjunto de Núcleos Museológicos situados nas freguesias do Concelho de Viana do Castelo, que dispõe de cinco em funcionamento (Moinhos de Vento de Montedor, em Carreço; Moinhos de Água, em S.L. Montaria; do Pão, em Outeiro; do Sargaço, em Castelo de Neiva; das actividades Agro-Marítimas, em Carreço) estando esta rede em permanente alargamento.

Desde Julho de 2009 sou Chefe de Divisão de Museus da Câmara Municipal de Viana do Castelo, tendo a meu cargo dois Museus que integram a Rede Portuguesa de Museus: o Museu de Arte e Arqueologia e o Museu do Traje

Iniciou a sua vida profissional no Centro Nacional de Cultura com Helena Vaz da Silva, no Dep de Divulgação Patrimonial em 1990/91. Entre 1995 e 2002 deu aulas no Curso de Turismo da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do IPVC de História de Artes e Ofícios Tradicionais, Animação Cultural e Património e Museologia.

Entre 2002 e 2005, foi Diretor Executivo da Culturporto – associação de produção cultural privada, financiada pela Câmara Municipal do Porto, responsável pela gestão do Teatro Rivoli e pela Animação da Cidade. Durante este período, e para além da atividade normal do teatro Rivoli, organiza o projeto Bairros - projeto de criação artística com crianças de bairros desfavorecidos, a Festa na Baixa, conjunto de atividades de animação e divulgação do património da Baixa do Porto, o Capicua 2002, Ciclo de programação comissariado por Eduardo Prado Coelho, o Pontapé de Saída, ciclo de programação de encontro entre as artes e o futebol, no âmbito do Euro 2004, Colóquio Encenação do Passado, com Marc Augé, Vítor Oliveira Jorge, Jorge Freitas Branco, Nuno Carinhas, Abertura da Livraria do Rivoli, primeira livraria do Porto dedicada às Artes de Palco, Fundação da Sem Rede, Rede de Programação de Novo Circo, para a divulgação da disciplina de novo circo, integrada por 13 espaços culturais.

Integrou o Grupo de Trabalho para a Animação da Cidade durante o Euro 2004, criado pela Câmara Municipal do Porto para a coordenação da animação da cidade durante o Campeonato Europeu de Futebol e também a Comissão Executiva da exposição Homenagem a Fernando Galhano: 1904 -1994, na Biblioteca Almeida Garrett, em Novembro de 2004.

Realizou a Exposição Sala do Oriente de José Rodrigues Proposta para uma viagem, no Convento de S. Paio, Vila Nova de Cerveira, em Dezembro de 2006.

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Segunda-feira, 17 de Abril de 2017
PORTUGAL COMEMORA DIA INTERNACIONAL DOS MUSEUS

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Quinta-feira, 6 de Abril de 2017
JOÃO ALPUIM BOTELHO PROFERE EM LOURES PALESTRA SOBRE O TRAJE À LAVRADEIRA DO ALTO MINHO

A iniciativa é do Grupo de Folclore Verde Minho

“O Uso do Traje à Lavradeira: os Afectos e as Regras” é o tema da palestra que o Dr. João Alpuim Botelho vai proferir no próximo dia 7 de Maio, a partir das 15 horas, em Loures, a convite do Grupo Folclórico Verde Minho. A iniciativa é aberta ao público em geral e deverá ter lugar no auditório do Palácio dos Marqueses da Praia e Monforte, junto ao Parque da Cidade, a contar com a presença de representantes do município de Loures, entidades ligadas ao folclore e ao regionalismo minhoto, conhecidos museólogos, etnólogos e outros estudiosos do nosso folclore.

A iniciativa é aguardada com grande expectativa, tratando-se o palestrante além do mais, anterior director do Museu do Traje de Viana do Castelo e um dos autores da obra “Uma Imagem da Nação – Traje à Vianesa”, editado pela Câmara Municipal de Viana do Castelo, sendo actualmente responsável pelo Museu Bordalo Pinheiro, da Câmara Municipal de Lisboa.

João Alpuim Botelho nasceu em 1967, em Viana do Castelo. Licenciado em História (FLL, 1989), possui o Mestrado em Museologia, tendo defendido uma tese sobre “Panorama Museológico do Alto Minho” (U.N.L., 2007).

Desde 1991, trabalha na Câmara Municipal de Viana do Castelo e, desde 1999, foi responsável pelo Museu do Traje, criado em 1997, com a gestão e direção da instalação e processo de adesão à Rede Portuguesa de Museus concluído em 2004.

No âmbito da sua atividade no Museu do Traje realizou cerca de 20 exposições de temática etnográfica, ligada à investigação e pesquisa da vida rural tradicional e da identidade alto minhota.

Publicou, entre catálogos e artigos, cerca de 50 trabalhos sobre a mesma temática. Destes trabalhos relevo a edição de Uma Imagem da Nação, O Traje à Vianesa, com Benjamim Pereira e António Medeiros (ed CMVC, 2009)

Ainda no âmbito dos Museus desenvolvi um conjunto de Núcleos Museológicos situados nas freguesias do Concelho de Viana do Castelo, que dispõe de cinco em funcionamento (Moinhos de Vento de Montedor, em Carreço; Moinhos de Água, em S.L. Montaria; do Pão, em Outeiro; do Sargaço, em Castelo de Neiva; das actividades Agro-Marítimas, em Carreço) estando esta rede em permanente alargamento.

Desde Julho de 2009 sou Chefe de Divisão de Museus da Câmara Municipal de Viana do Castelo, tendo a meu cargo dois Museus que integram a Rede Portuguesa de Museus: o Museu de Arte e Arqueologia e o Museu do Traje

Iniciou a sua vida profissional no Centro Nacional de Cultura com Helena Vaz da Silva, no Dep de Divulgação Patrimonial em 1990/91. Entre 1995 e 2002 deu aulas no Curso de Turismo da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do IPVC de História de Artes e Ofícios Tradicionais, Animação Cultural e Património e Museologia.

Entre 2002 e 2005, foi Diretor Executivo da Culturporto – associação de produção cultural privada, financiada pela Câmara Municipal do Porto, responsável pela gestão do Teatro Rivoli e pela Animação da Cidade. Durante este período, e para além da atividade normal do teatro Rivoli, organiza o projeto Bairros - projeto de criação artística com crianças de bairros desfavorecidos, a Festa na Baixa, conjunto de atividades de animação e divulgação do património da Baixa do Porto, o Capicua 2002, Ciclo de programação comissariado por Eduardo Prado Coelho, o Pontapé de Saída, ciclo de programação de encontro entre as artes e o futebol, no âmbito do Euro 2004, Colóquio Encenação do Passado, com Marc Augé, Vítor Oliveira Jorge, Jorge Freitas Branco, Nuno Carinhas, Abertura da Livraria do Rivoli, primeira livraria do Porto dedicada às Artes de Palco, Fundação da Sem Rede, Rede de Programação de Novo Circo, para a divulgação da disciplina de novo circo, integrada por 13 espaços culturais.

Integrou o Grupo de Trabalho para a Animação da Cidade durante o Euro 2004, criado pela Câmara Municipal do Porto para a coordenação da animação da cidade durante o Campeonato Europeu de Futebol e também a Comissão Executiva da exposição Homenagem a Fernando Galhano: 1904 -1994, na Biblioteca Almeida Garrett, em Novembro de 2004.

Realizou a Exposição Sala do Oriente de José Rodrigues Proposta para uma viagem, no Convento de S. Paio, Vila Nova de Cerveira, em Dezembro de 2006.



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Segunda-feira, 27 de Março de 2017
A MUSEOLOGIA EM PORTUGAL

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Manuel de Azevedo Antunes

De Boletim, n.º 3, terceira série, do MINOM Portugal, pp. 10-14, março de 2017

Fez 30 anos, em 2015, que foi criado o MINOM (Movimento Internacional para uma Nova Museologia), em Lisboa, na Assembleia Geral Constituinte deste Movimento, em 10 de novembro de 1985.

Dez anos depois, por Escritura Pública de 23 de junho de 1995, na mesma cidade, era constituído também, como Associação,  o MINOM em Porugal.

O ano de 2015, foi, pois, um tempo de comemorações para a museologia. Principalmente para a Nova Museologia.

Daí esta oportunidade para analisar o percurso da museologia, em Portugal, que, graças ao MINOM, muito tem a ver com a museologia latino-americana.

Após um enquadramento geral, tenciona-se observar o aparecimento e evolução dos museus portugueses.

Seguir-se-á a tentativa de esclarecer a rutura museológica que significou a “Mesa Redonda sobre a Importância e o Desenvolvimento dos Museus no Mundo Contemporâneo”, de Santiago do Chile, em 1972, com as suas ondas de repercussão por todo o mundo, nomeadamente em Portugal.

Passando, depois, à verificação/compreensão das aplicações da Nova Museologia em Portugal, tanto a nível do pensamento teórico como da práxis museológica.

Como metodologia, além da experiência pessoal sobre estas matérias, foi-se buscar, à espuma dos tempos, alguns dos textos e autores a quem a museologia tanto deve. Aqui fica, para eles (e para muitos mais que ficaram por evocar) esta singela homenagem.

1- DA ARCA DE NOÉ À CASA DAS MUSAS

A humanidade começou com a “recoleção”. Mas passou, depois, também à “coleção”. Não é, pois, de admirar que colecionar seja, ainda hoje, uma das tarefas dos museus.

O mito bíblico da Arca de Noé (Génesis, 6-9), “plagiado” da lenda suméria do “Ciclo de Ziusudra”, representa, na tradição judaico-cristã, a ideia de salvação de pessoas (a família de Noé) e animais. Enfim, uma espécie de Jardim Zoológico ou de  Museu de “Estória” Natural, em que está presente a ideia de colecionismo. E, em termos simbólicos, é bem a expressão do que se passa com a escassa preservação do património cultural que tem acontecido ao longo da história.

Por sua vez, na antiga Gécia, de onde vem o étimo, o museu (“mouseion”) era o templo das musas, as nove filhas de Mnemosine e Zeus, divindades mitológicas, inspiradoras da criação artística ou científica.

Isso aconteceu na Grécia, no império romano e pelo oriente.

O mais famoso museu desses tempos ficava em Alexandria,  criado por Ptolomeu I, no séc. III a.C., inicialmente como uma escola de filosofia, que, mais tarde, veio a dar origem à famosa Biblioteca de Alexandria, financiada pelo Estado, para a manutenção e produção de conhecimento. 

Durante a Idade Média europeia, manteve-se a prática do colecionismo: com os acervos de preciosidades, património que podia ser convertido em moeda, para financiamentos estatais; coleções de objetos ligados ao culto, relíquias de santos, manuscritos requintadamente ilustrados e objetos litúrgicos.

No Renascimento, floresce o colecionismo privado de banqueiros e comerciantes, que financiavam a arte sagrada e profana, ou se dedicavam à busca de objetos da antiguidade clássica. A apreciação dessas coleções e o acesso ao local onde se encontrvam guardadas era privilégio dos nobres, clérigos e artistas.

Nos sécs. XVI e XVII, com a moderna globalização, surgiram, pela Europa, “Gabinetes de Curiosidades” ou “Câmaras de Maravilhas”, com coleções de peças das mais variadas naturezas e múltiplas procedências.

E aparecem, pela primeira vez, na Europa, Museus (termo resgatado pelos humanistas) com o objetivo de educar o público, ao contrário do que até então acontecia, como ocorreu em Basileia, em 1671, com o primeiro museu universitário, e, na Inglaterra, em 1683, com o Museu Ashmolean, na Universidade de Oxford.

Seguiram-se outros, como o Museu Britânico, aberto em Londres, em 1759, e o Museu do Louvre, em Paris, em 1793, já por iniciativa governamental. O mesmo aconteceu noutros países, do ocidente ao oriente, passando pela América, muito devido ao impulso colonialista.

2- OS MUSEUS EM PORTUGAL

      Portugal não ficou indiferente aos novos ventos museológicos, sob a influência do pensamento iluminista e enciclopédico.

Assim, da reforma pombalina de 1772, resultaram o Real Museu da Ajuda (com um Museu de História Natural, um Jardim Botânico e um Gabinete de Física), feito pelo Marquês de Pombal para o príncipe D. José, neto de D. José I, e os Museus da Universidade de Coimbra (também com um Museu de História Natural, um Jardim Botânico e um Gabinete de Física Experimental), destinados a estudantes.

Outros se lhes seguiram, incluindo o Museu Nacional, criado pela então jovem sociedade científica, a Academia das Ciências de Lisboa, de 1779.

      De destacar, neste contexto, a criação, cerca de meio século mais tarde, do Museu Real do Rio de Janeiro, instituído por decreto do ainda Príncipe Regente, futuro D. João VI, com data de 6 de junho de 1818.

      Com a chegada do liberalismo, ainda durante o cerco do Porto, D. Pedro deliberou, em 1833, estabelecer aí um “Museu de Pinturas, Estampas, e outros objectos de Bellas Artes” (Ramos, 1993, p. 30).

      Mas o primeiro museu aberto ao público, no Porto, em 1838, foi o Museu Allen, um museu privado, pertença de “(…) João Allen (1785-1848) um rico comerciane de origem britânica que, depois de um curto período de estadia no estrangeiro, estabeleceu os seus negócios na cidade do Porto” (Pimentel, 2005, p. 36).

      Com a vitória dos liberais, em 1834, aparece toda uma legislação, nomeadamente  com Passos Manuel (1801-1862), com vista, além do mais, a promover a formação dos portugueses, reformar a  instrução pública, criar conservatórios, academias, bibliotecas e museus, a nível naciona e regional. Além da qualidade e quantidade dos museus deste período, o grande legado do liberalismo foi a implementação da ideia de museu público (Ramos, 1993, pp. 30-35).

      O incremento do colonialismo, na segunda metade do séc. XIX, levou à criação do Museu Colonial, em 1870, e da Sociedade de Geografia de Lisboa, com o seu museu, em 1875. É por essa época que aparecem também os Museus de Belas Artes, de Arqueologia e da Indústria.

      O Museu Colonial de Lisboa, aberto ao público em 15 de maio de 1870, tinha por objetivo dar a conhecer as riquezas das colónias, para nacionais e estrangeiros.

      Esse museu, integrado no Ministério dos Negócios da Marinha e do Ultramar, foi, em 1892, anexado ao Museu da Sociedade de Geografia, do que resultou o Museu Colonial e Etnográfico da Sociedade de Geografia de Lisboa, que foi, no dizer de Ernesto Veiga de Oliveira, “(…) até à criação do Museu de Etnologia do Ultramar (…) o único verdadeiro museu de etnologia geral de Lisboa” (Oliveira, 1971, p. 27, apud  Ramos, 1993, p. 42).

      O último (grande) museu da monarquia foi o Museu dos Coches Reaes, inaugurado em 23 de maio de 1905, o qual, em 1911, após a implantação da República, se passou a designar Museu Nacional dos Coches. Foi uma iniciativa da rainha D.ª Amélia (1865-1951) e ficou instalado no Picadeiro Real do Paço de Belém, com um grande e variado acervo de viaturas, incluindo os Coches Reais. Este museu mudou de instalações em 23 de maio de 2015.

      O primeiro museu da República foi o Museu da Revolução, inaugurado logo em 29 de dezembro de 1910, aproveitando muitos dos objetos dispersos, que se encontravam na associação “O Vintém Preventivo”, recordações de alguns que haviam lutado pela causa republicana. Ficou instalado em cinco salas, nas dependências do então Colégio do Quelhas: Sala da Marinha, Sala do Exército, Sala dos Documentos, Sala do Povo e Sala Buiça e Costa (Ramos, 1993, p. 45).

      Mas o primeiro ato importante da República, quanto aos museus, foi a publicação do Decreto n.º 1, de 26 de maio de 1911. Nele se estabelecia, além do mais, uma divisão territorial em três circunscrições artísticas, sediadas em Lisboa, Coimbra e Porto, e considerava o contributo dos museus  para o ensino artístico e a educação geral, realçando também a importância dos museus regionais, do que resultaria a criação de 13 destes museus, entre 1912 e 1924 (Ramos, 1993, pp. 45-46).

      E, no aspeto legislativo, reveste-se de singular importância o “Regulamento Geral dos Museus de Arte, História e Arqueologia”, publicado com o Decreto-Lei n.º 46758, de 18 de dezembro de 1965.

      Uma referência especial merece o Museu de Etnologia do Ultramar, criado pelo Decreto n.º 46254, de 19 de março de 1965, herdeiro, por caminhos sinuosos, do velho Museu Colonial, de 1870. Durante vários anos a funcionar em instalações provisórias, no Palácio Vale Flor, no Alto de Santo Amaro, em Lisboa, passou, em 1974, a designar-se simplesmente Museu de Etnologia. Nesse mesmo ano, foi transferido, para um novo edifício construído para o efeito, na zona do Restelo, inaugurado em 1976. Em 1989, já na dependência do então IPM (Instituto Português de Museus), passou a chamar-se Museu Nacional de Etnologia.

      Foi ainda, no já longínquo ano de 1965, que foi criada a APOM (Associação Portuguesa de Museologia) e começou a funcionar, no Museu Nacional de Arte Antiga, o “Curso de Conservador de Museu”.

      Depois do 25 de Abril de 1974, muitas outras instituições e movimentos haveriam de surgir, de uma forma ou outras ligadas à defesa e valorização do património cultural, com evidentes repercussões no âmbito da museologia.

3- UMA RUTURA EPISTEMOMUSEOLÓGICA                                                                                   

      No século XX, na museologia, há um antes e um depois de Santiago do Chile de 1972. De facto, foi nesse ano que o ICOM (Conselho Internacional de Museus), a pedido da UNESCO, agência das Nações Unidas, organizou a “Mesa Redonda sobre o Desenvolvimento e o Papel dos Museus no Mundo Contemporâneo”, em Santiago do Chile, de 20 a 31 de maio de 1972, onde foi aprovada uma Declaração que marca um virar de página, no pensamento e prática da museologia, uma verdadeira rutura epistemológica.

      Na referida declaração, começa-se por estabelecer os princípios de base do Museu Integral. Aqui, depois de analisar as apresentações sobre os problemas do meio rural e urbano, bem como o desenvolvimento técnico-científico e da educação permanente, os participantes reconheceram a importância dessa problemática, para o futuro da sociedade latino‑americana, Por isso, consideraram a necessidade de os museus terem em conta a atual situação e as diferentes soluções para melhorá‑la, como condição essencial para a sua integração na vida da sociedade. Nesse sentido, acharam os participantes que os museus podem e devem desempenhar um papel na educação da comunidade.

      Na linha de pensamento e ação de Santiago do Chile, vários marcos fundadores importantes aconteceram, ainda no século passado, nomeadamente: a Declaração do Quebec, no Canadá, de 12 de outubro de 1984; a Declaração de Oaxtepec, no México, de 18 de outubro de 1984; a criação do MINOM, em 10 de outubro de 1985; a Declaração de Caracas, na Venezuela, de 5 de fevereiro de 1992; a constituição do MINOM em Portugal, por Escritura Pública de 23 de junho de 1995.

      E muitos outros encontros se realizaram e documentação foi e continua a ser produzida, já por este século adentro, que seria fastidioso enumerar.

      O mais difícil foi lançar as bases e prosseguir com esta aventura epistemomuseológica, iniciada em Santiago da Chile, vai para 45 anos.

4- A NOVA MUSEOLOGIA EM PORTUGAL

Como movimento bastante abrangente, tanto a nível teórico como metodológico, a Nova Museologia anda a par com outras designações para a renovação pretendida na museologia.

Assim, com sentido mais ou menos equivalente, há, hoje, outras expressões com significado semelhante: Museologia Crítica; Museologia Pós-Moderna; Museologia Social; Sociomuseologia; Ecomuseologia; Museologia Integral; Museologia Ativa: Museologia da Comunidade; etc.

A primeira tentativa de criar um museu, em Portugal, dentro da perspetiva do que veio a designar‑se como Nova Museologia, remonta a 1975, quando se pretendeu fazer um ecomuseu, a que se seguiram outros projetos museológicos com a utilização de tal denominação (Pimentel, 2005, pp. 155‑156).

Essa intenção ocorreu com o projeto do arquiteto paisagista Fernando Pessoa, que contou com a ajuda direta do próprio Georges-Henri Rivière, para o “Ecomuseu do Parque Natural da Serra da Estrela”, que incluiria uma unidade museológica central e vários departamentos disseminados por diversos edifícios e aldeias, à semelhança do que acontecia com os ecomuseus franceses. No entanto, tal projeto nunca se viria a concretizar (Pimentel, 2005, p. 182).

Por isso, foi preciso esperar pela inauguração do “Ecomuseu Municipal do Seixal”, em 18 de maio de 1982, para aparecer o primeiro ecomuseu em Portugal, por inicitiva de António Nabais e a sua equipa.

Outras práticas e experiências inovadoras surgiram em Portugal, tanto a nível local como municipal. Apenas para referir algumas, sem pretender ser exaustivo: Museu de Mértola; Núcleo Museológico Naval de Almada; Museu Municipal de Alcochete; Museu Rural e do Vinho do Concelho do Cartaxo; Museu Agrícola de Entre Douro e Minho; Casa Rural e Tradicional da Chamusca; Núcleo Museológico de Alverca; Museu Municipal de Vila Franca de Xira; Museu da Cidade e Museu do Trabalho, em Setúbal; Museu do Traje, em S. Brás de Alportel; Museu do Casal de Monte Redondo, a Casa Mãe da Nova Museologia em Portugal; enfim, o Museu Etnográfico de Vilarinho da Furna, surgido de uma ideia dos anos sessenta, do século passado, quando se tornou inevitável a construção da barragem que haveria de submergir a aldeia que lhe deu o nome.

Em torno do Museu de Vilarinho, inaugurado em 14 de maio de 1989, já se veio a constituir um Núcleo Museológico, no Campo do Gerês, que, além do museu original, compreende uma das Portas do Parque Nacional da Peneda-Gerês, o Museu da Geira e o Museu Subaquático de Vilarinho da Furna, além de todo um espaço museal, onde, além do mais, se faz a conservação da herança romana (com a sua via e marcos miliários), da rede dos trilhos pedestres, das cabanas dos pastores, do fojo do lobo, numa área de 2000 hectares, nas serras Amarela e Gerês, no norte de Portugal (Antunes, 1985, 2005).

A Nova Museologia, em Portugal, tem sido difundida principalmente pelo MINOM, através da organização (quase) anual das “Jornadas sobre a Função Social do Museu”, desde as primeiras, em 1988, em Vila Franca de Xira, passando por dezenas de locais dispersos por Portugal inteiro.

Os Encontros Nacionais de Museologia e Autarquias também muito têm contribuído para a divulgação da Nova Museologia.

E, talvez ainda mais importante para essa divulgação, tenha sido o incremento da formação museológica, a nível académico, desde o “Curso de Especialização em Museologia Social”, seguido do “Mestrado em Museologia Social”, no início da última década do século passado, por inicitiva de Mário Moutinho, até aos dias de hoje, já com doutoramentos em museologia, em algumas universidades portuguesas.

Nesta área, foi pioneira a Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, de Lisboa, com o primeiro doutoramento em museologia, em Portugal e no espaço lusófono, aprovado em 2007. Várias teses já aqui foram elaboradas e defendidas, sobretudo por doutorados de Portugal e do Brasil, devido a uma excelente cooperação de professores e alunos dos dois países. Como vão longe os tempos do modesto “Curso de Conservador de Museu”, de 1965!...

Nestas condições, qual o futuro da museologia?

Recorde-se, a propósito, a resposta de Hugues de Varine a Mário Chagas (1996, pp. 11‑12), nos idos de 23 de novembro de 1995:

“Penso, pessoalmente, não como museólogo, mas como actor de desenvolvimento local e militante de acção comunitária que o museu pode e deve escolher entre três formas principais:

  • o museu-espectáculo, distinado a públicos cativos: turistas, meios cultos; escolares em grupos organizados e guiados. Esses museus serão cada vez maiores, cada vez mais dispendiosos, cada vez mais visitados, quer dizer “consumidos”. Serão supermercados da cultura oficial. Ao final, serão todos parecidos.
  • o museu-colecção, destinado às pesquisas avançadas, às produções complexas, a públicos mais ou menos especializados, para os quais a colecção é a primeira justificativa. Esses museus atrairão cada vez mais públicos “inteligentes”, utilizarão métodos de comunicação sofisticados, abrir-se-ão tanto quanto possível às comunidades de geometrias diferentes. Serão todos únicos e criarão entre eles redes de cooperação análogas às redes universitárias actuais.
  • o museu-comunitário, saído da sua comunidade e cobrindo o conjunto  do seu território, com vocação global ou “integral”, processo vivo que implica a população e não se preocupa com o público que é ao mesmo tempo o centro e a periferia. A vida desses museus será curta ou longa, alguns nem se chamarão museus, mas todos seguirão os princípios da nova museologia (Santiago, Quebec, Caracas, etc.) no seu espírito, senão na sua letra”.

CONCLUSÃO

     Neste andar “Pelos Caminhos da Museologia em Portugal”, percorreram-se as tortuosas veredas que vêm da Arca de Noé até aos nossos dias.

     Voltando ao mito, sem abandonar ciência, é altura de apontar para uma museologia participativa, não restritiva, longe do nepotismo bíblico dos tempos do velho patriarca, com vocação democrática, pelos trilhos desbravados desde Santiago do Chile a esta parte.

     No caso da Nova Museologia em Portugal, reconhece-se que o MINOM, nascido em Lisboa, a 10 de novembro de 1985, tem desempenhado um papel fundamental, procurando fomentar a reflexão sobre ideias e práticas museológicas, que coloquem os museus ao serviço das comunidades em que se inserem e das suas perspetivas de desenvolvimento. Com uma Museologia Social que encoraje a consciência política, o exercício da cidadania, a participação comunitária e o espírito de inicitiva, ao serviço da realização do ser cultural, enfim, do ser humano.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Este texto é uma síntese do artigo de Antunes, Manuel de Azevedo. (2015). Pelos caminhos da        Museologia em Portugal. Revista Iberoamericana de Turismo, 5, 142-156. Acedido em 6 de março de     2017, em  http://www.seer.ufal.br/index.php/ritur/article/view/2013

Antunes, Manuel de Azevedo. (2005, outubro). Vilarinho da Furna: memórias do passado e do futuro (2.ª ed.). Lisboa: CEPAD/ULHT.

Antunes, Manuel de Azevedo. (1985). Vilarinho da Furna: uma aldeia afundada. Lisboa: A Regra do Jogo, Edições.

Bíblia Sagrada. Lisboa: Difusora Bíblica, 1964. (Original em hebraico e grego, composto entre o séc. XI a.C e o séc. I d.C.).

Chagas, Mário. (1996). Respostas de Hugues de Varine às perguntas de Mário Chagas. Cadernos de Sociomuseologia, 5(5), 5-18.

Junior, José do Nascimento; Tamp, Alan, & Santos, Paula Assunção dos (Org.). (2012a). Mesa Redonda sobre la Importancia y el Desarrollo de los Museos en el Mundo Contemporáneo: Mesa Redonda de Santiago de Chile, 1972 (Vol. 1). Brasília: IBRAM.

Junior, José do Nascimento; Tamp, Alan, & Santos, Paula Assunção dos (Org.). (2012b). Mesa Redonda sobre la Importancia y el Desarrollo de los Museos en el Mundo Contemporáneo: Revista Museum, 1973 (Vol. 2). Brasília: IBRAM.

Moutinho, Mário. (1993). Sobre o Conceito de Museologia Social. Cadernos de Sociomuseologia, 1(1), 7-9.

Nabais, António José C. Maia. (1993). Museus na Actualidade. In Maria Beatriz Rocha‑Trindade (Coord.), Iniciação à Museologia (pp. 63-76). Lisboa: Universidade Aberta.

Oliveira, Ernesto Veiga de. (1971). Apontamentos sobre Museologia. Museus Etnológicos, 6. Lisboa.

Pimentel, Cristina. (2005, janeiro). O Sistema Museológico Português (1833-1991). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação para a Ciência e Tecnologia.

Primo, Judite. (2011). Documentos Básicos de Museologia: principais conceitos. Cadernos de Sociomuseologia, 41, 31-44.

Ramos, Paulo Oliveira. (1993). Breve História do Museu em Portugal. In Maria Beatriz Rocha‑Trindade, (Coord.), Iniciação à Museologia (pp. 20-62). Lisboa: Universidade Aberta.

Tinoco, Alfredo. (2012). Une muséologie nouvelle pour des hommes nouveaux: identité et globalisation. Cadernos de Sociomuseologia, 42, 7-26.

Varine, Hugues de. (2012). Em torno da mesa-redondade Santiago: as minhas lembranças da aventura de Santiago, p. 143. In José do Nascimento Júnior; Alan Tamp, & Paula Assunção dos Santos (Org.), Mesa Redonda sobre la Importancia y el Desarrollo de los Museos en el Mundo Contemporáneo: Mesa Redonda de Santiago de Chile, 1972 (Vol. 1, p. 143). Brasília: IBRAM.

Weibel, Peter.  (2013, novembro). O museu: entre a Arca de Noé e o hedge fund. Iner|in|venção: Coleção ZKM | Karlsruhe (pp. 9-21). Évora: Forum Fundação Eugénio de Almeida.

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Quinta-feira, 14 de Abril de 2016
PORTUGAL COMEMORA DIA INTERNACIONAL DOS MUSEUS



publicado por Carlos Gomes às 18:52
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Terça-feira, 7 de Abril de 2015
MUSEU BORDALO PINHEIRO PROMOVE DEBATE SOBRE MUSEOLOGIA

O Museu Bordalo Pinheiro, EM Lisboa, promove amanhã, dia 8 de Abril, às 18 horas, uma sessão “Repensar Museus”. “Curadoria e Linguagem” é o tema da conversa, moderada por Raquel Henriques da Silva, com Pedro Lapa e Natxo Checa.

- Um tema de grande atualidade a não perder!



publicado por Carlos Gomes às 13:58
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Terça-feira, 23 de Setembro de 2014
PORQUE NÃO SE TRANSFORMA O HOSPITAL DE MARINHA NO MUSEU DE SAÚDE MILITAR?

Edifício do Hospital de Marinha: Um Destino Necessário – Museu da Saúde Militar

O Hospital Real da Marinha, criado pelo Alvará do Príncipe Regente D. João de 27 de setembro de 1797. Foi construído de raiz para o efeito no local do antigo Colégio de S. Francisco Xavier (também conhecido como Hospício dos Jesuítas ao Paraíso). Este edifício, na altura bastante moderno, foi projetado pelo arquiteto Francisco Xavier Fabri, e foi inaugurado em 1 de novembro de 1806, mantendo-se em funcionamento sem interrupção quase 206 anos. De acordo com o Artº 7º do Decreto -Lei 187/2012 é considerado extinto, e encerrou definitivamente em Dezembro de 2013.

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O Hospital da Marinha enquanto edifício mais antigo construído de raiz para Hospital, na altura do seu encerramento tem agora o digno e viável futuro que seria tornar-se o "Museu da Saúde Militar". Uma ideia que pode ganhar asas antes que outros destinos lhe reservem... Seria a melhor e necessária utilização deste edifício já que a memória histórica da saúde militar está por fazer em Portugal...

Está, assim, lançado este desafio às diferentes entidades com poder e influência para o concretizar: a começar pelo Presidente da Republica (supremo comandante das Forças Armadas), Governo, Chefias militares e Ordens e outras organizações profissionais!

Entendendo por Saúde Militar o sistema de meios e ações desenvolvidas por um conjunto de profissionais para o desenvolvimento de cuidados de saúde para uma população com as especificidades do contexto militar, mas que não se separa da Saúde em geral, antes a enriquece e qualifica pelo manancial dos contributos duma sensibilidade, acção e experiências específicas desse exercício.

Aliás, a saúde militar está intimamente ligada à própria gênese das organizações e profissões de saúde, como uma sua corrente de influência de origem muito longínqua: desde a estrutura organizada de cuidados aos feridos nas legiões romanas, nas Cruzadas e na idade Média em cuidados de hospedaria e acolhimento em lugares de peregrinação e culto, e assume relevância na expansão quatrocentista, até à memória mais recente da guerra colonial e das missões humanitárias e de paz das Forças Armadas. É ainda reconhecido o papel da saúde militar no desenvolvimento científico e técnico com as positivas implicações para a saúde em geral, na realidade, resultado do esforço de guerra e da necessidade de preservar ao máximo a integridade do combatente e o seu restabelecimento o mais rápido possível em caso de doença ou ferimento.

Também em termos académicos o tema da saúde e das instituições militares tem um amplo campo de desenvolvimento futuro, e referimos a titulo de exemplo (para alem dos trabalhos do Coronel Carlos Vieira Reis e do Almirante Rui de Abreu), a tese de doutoramento do Doutor Augusto Moutinho Borges, apresentada à Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa “Reais Hospitais Militares” (Prémio de Defesa Nacional 2007, atribuído pelo Ministério da Defesa Nacional / Comissão Portuguesa de História Militar) onde o autor cruza com a historia das instituições assistenciais militares a historia da arquitetura e da medicina, abrindo caminho a uma investigação histórica mais alargada a que um museu desta natureza, a criar, pode dar e receber fundamental contributo.

É urgente recuperar a história e a memória da ação e das instituições militares, sobretudo quando hoje muitas instituições encerram, se descaracterizam, perdem os nomes dos seus patronos, perdem o seu espírito e a sua identidade, devendo o futuro Museu da Saúde Militar participar na formação da consciência da comunidade que serve, explorando as possibilidades aparentemente infinitas da comunicação moderna, não apenas na valorização do património e acervo material já existente, mas também a participação do museu na discussão de temas militares e da saúde com as diversas interfaces com a sociedade.

Seremos capazes disso?

Rui Pereira Cavaco

(Enfermeiro, ex sargento ajudante no ativo)



publicado por Carlos Gomes às 00:00
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Segunda-feira, 30 de Junho de 2014
CORDOARIA NACIONAL É UM EXEMPLAR ÚNICO DA ARQUEOLOGIA INDUSTRIAL PORTUGUESA

Classificado desde 1996 como Monumento Nacional, o edifício da antiga Real Fábrica da Cordoaria da Junqueira remonta ao final do século XVIII e constitui um exemplar do nosso património arqueológico da era industrial a documentar o esforço feito nesse sentido ao tempo do governo do Marquês de Pombal, durante o reinado de D. José I.

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Estrategicamente situado junto ao rio Tejo, era neste local que se produziam os cabos e fazia a tecelagem das velas e bandeiras que serviam os navios e embarcações usadas à época.

Formado por duas naves com quase quatrocentos metros de comprimento que se prolongam paralelamente ao rio Tejo, o conjunto possui uma largura de apenas cerca de cinquenta metros, incluindo os torreões situados nas extremidades. Devem-se estas dimensões às caraterísticas do processo produtivo e a sua localização à necessidade de facilitar o seu fornecimento aos armadores dos navios.

A chamada nave da cocha conserva ainda intatas as máquinas com que se produziam os cabos de sisal para os navios, constituindo um elemento de elevado interesse museológico.

Atualmente, o edifício alberga a Autoridade Nacional de Segurança, o Arquivo Histórico da Marinha, o Centro de Documentação e Informação do Arquivo Central da Marinha e ainda uma extensa área onde se realizam exposições e outros eventos de índole cultural.

Junto da Cordoaria situavam-se ainda os armazéns onde outrora se guardavam as galeotas reais e viviam os “algarves” que eram os seus remadores, com as respetivas famílias, local que se encontra assinalado através de topónimos como Travessa das Galeotas.

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Quinta-feira, 26 de Junho de 2014
MUSEU DE ARTE POPULAR: AO POVO PORTUGUÊS ATÉ A ALMA LHE ROUBAM!

A coleção que pertencia ao Museu de Arte Popular foi há alguns anos transferida para o Museu Nacional de Etnologia e não está previsto o seu regresso à origem. O acerco era constituído por cerca de 15 mil peças da mais variada natureza, representando atividades artesanais do povo português, desde objetos de cerâmica a utensílios de trabalho, alfaias agrícolas, carroças, brinquedos e cestaria.

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Questionado no ano passado, no parlamento, pelos deputados da Comissão de Educação, Ciência e Cultura sobre a situação do Museu de Arte Popular, o secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier afirmou na ocasião que “o destino do museu não será um projeto museológico”, adiantando que o governo “está aberto a propostas dos agentes culturais para criar um projeto”.

Tendo o Museu de Arte Popular sido propositadamente concebido para espaço museológico, na sequência da adaptação de antigos Pavilhões da Vida Popular, integrados no conjunto construído para a Exposição do Mundo Português de 1940, complementado com a realização do Mercado da Primavera, parece-nos que esta seria a função mais adequada a ser atribuída àquele espaço cultural. Tanto mais que é reconhecido “o valor estético e material intrínseco, o génio dos respectivos criadores, o interesse como testemunho notável de vivências ou factos históricos, a sua concepção arquitectónica, urbanística e paisagista, e o que nele se reflecte do ponto de vista da memória colectiva”, razão pela qual foi pela Secretaria de Estado da Cultura, através da portaria n.º 263/2012, classificado como monumento de interesse público. Por conseguinte, seria natural a sua reabilitação, incluindo o regresso da sua coleção para usufruto cultural dos seus visitantes.

Porém, não se encontrando nos propósitos dos governantes a sua manutenção como museu, resta-nos aguardar pacientemente para saber qual a ideia bizarra que o governo tem destinada para o espaço do Museu de Arte Popular, dele não se esperando grande coisa sabendo-se de antemão que não será mais um projeto museológico como afirmou o governante e sendo sobejamente conhecida a aversão que o governo nutre pela cultura.

Tratando-se de um museu que mostrava as vivências do povo português, a sua identidade, os seus usos e costumes, não admira o abandono a que sempre foi votado pelos sucessivos governos, tendo inclusive estado prevista a sua demolição. É que, ao povo português, até a alma lhe roubam!

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publicado por Carlos Gomes às 11:30
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Quarta-feira, 7 de Maio de 2014
LITOGRAFIA EM FOLHA DE FLANDRES: UMA OFICINA QUE PODERIA VIRAR MUSEU

Durante largos anos funcionou na zona de Santos uma oficina de litografia em folha de Flandres. Atualmente encontra-se desativada e, apesar do seu interesse museológico, a mesma não foi convertida e encontra-se no estado que a imagem documenta. Nem sequer os painéis de azulejos foram preservados.

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Existem fábricas e oficinas que, pelo seu interesse patrimonial, após a sua desativação enquanto unidades de produção merecem ser reconvertidas e transformadas em museus, a complementar com o ensino e formação profissional e a promoção de atividades artesanais. È o caso da Litografia em Folha de Flandres que durante décadas existiu na zona de Santos, junto ao Conde Barão, em Lisboa.

A folha de Flandres consiste num material laminado estanhado, composto de ferro e aço, de reduzido teor de carbono com revestimento de estanho. É geralmente empregue no fabrico de materiais decorativos, embalagens de produtos alimentares em conservas e latas de tinta.

Existiram em Lisboa muitas fábricas e oficinas com interesse cultural que deveriam ser preservadas, naturalmente reconvertidas a espaços museológicos e de formação técnica.



publicado por Carlos Gomes às 00:00
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Domingo, 27 de Abril de 2014
PATRIMÓNIO E MUSEUS NOS TEMPOS DA MUDANÇA EM DEBATE NO MUSEU NACIONAL DE ARQUEOLOGIA



publicado por Carlos Gomes às 20:02
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