Blogue de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes de Lisboa e arredores

Domingo, 19 de Março de 2017
LOURES VIRA CAPITAL INTERNACIONAL DO FOLCLORE NA REGIÃO SALOIA

O Folclore contribui para o conhecimento mútuo, paz e amizade entre os povos

A edição deste ano do FolkLoures’17 – Encontro de Culturas, vai ter o seu início no dia 24 de Junho com a realização de uma exposição e de uma palestra, prolongando-se durante toda a semana até ao dia 1 de Julho, altura em que tem lugar o espectáculo de culturas tradicionais.

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Trata-se de uma grandiosa iniciativa de cariz tradicional organizada pelo Grupo Folclórico Verde Minho em colaboração com a Câmara Municipal de Loures, a ter lugar por ocasião das festas do concelho de Loures. Este evento privilegia o folclore da região saloia e ainda de todo o país e das comunidades que constituem actualmente o mosaico social e cultural da região, contribuindo para a inclusão e a promoção da paz entre os povos através do encontro das suas culturas tradicionais.

Mais do que qualquer outra manifestação de índole cultural e desportiva, é o Folclore a forma de expressão cultural que melhor contribui para a paz entre os povos, no respeito das suas diferenças e identidade.

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O programa do FolkLoures’17 é o seguinte:

FOLKLOURES'17 - Encontro de Culturas

PROGRAMA

Dia 24 de Junho

- 16 horas. Inauguração da Exposição "Carroças da Região Saloia". Museu Municipal de Loures.

A exposição está patente ao público, até ao dia 1 de Julho, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00 (Excepto à Segunda-feira)

Entrada gratuita

- 16h30 horas. Palestra sobre "Usos e Costumes tradicionais da Região Saloia", pela Dr.ª Ana Paula de Sousa Assunção, a ter lugar no Auditório do Museu do Museu Municipal de Loures, com passagem pela exposição das Carroças.

Dia 1 de Julho

- 16 horas. Feira de artesanato. Abertura de tasquinhas

- 20 horas. Espetáculo de folclore e recriações da cultura tradicional

- 24 horas. Sessão de encerramento com fogo-de-artifício

GRUPOS PARTICIPANTES

Associação Tira-me da Rua (ATR) – Brasil

Grupo Coral Os Ceifeiros de Cuba - Baixo Alentejo

Gupo Folclórico e Etnográfico Verde Minho – Minho

Grupo Folclórico “O Cancioneiro de Ovar” – Beira Litoral

Grupo Etnográfico Danças e Cantares da Nazaré – Estremadura

Associatia Miorita Portugalia – Moldávia

Rancho da União Cultural e Folclórica da Bobadela – Estremadura / Região Saloia

Grupo de Danças e Cantares da Madeira – Madeira

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MUSEU MUNICIPAL DE LOURES EXPÕE “CARROÇAS DA REGIÃO SALOIA”

O Museu Municipal de Loures participa no FolkLoures’17 com a realização de uma exposição subordinada ao tema “Carroças da Região Saloia”, a ter lugar nas instalações do próprio museu, com inauguração prevista no dia 24 de Junho, pelas 16 horas. A exposição tem entrada gratuita e ficará patente ao público, até ao dia 1 de Julho, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00 (Excepto à Segunda-feira).

O Museu Municipal de Loures encontra-se instalado na Quinta do Conventinho, sita na Estrada Nacional, 8, em Santo António dos Cavaleiros, a escassos 4 quilómetros de Loures, um edifício conventual contruído na segunda metade do século XVI.

Constituído em 26 de julho de 1998, o Museu encontra-se instalado no 13.º convento dos frades franciscanos da Província de Santa Maria da Arrábida, apresentaposições de  exposições de temática arqueológica e etnográfica, com o intuito de dar a conhecer a realidade e a vivência das populações rurais do município de Loures, assim como a sua história. Possui duas salas de exposições, oficinas, reservas visitáveis, um centro de documentação especializado em história local, loja, cafetaria com esplanada, parque de estacionamento e acesso para pessoas com mobilidade reduzida.

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HISTORIADORA ANA PAULA ASSUNÇÃO PROFERE PALESTRA SOBRE “USOS E COSTUMES DA REGIÃO SALOIA”

A Historiadora e Museóloga Prof. Doutora Ana Paula de Sousa Assunção subordinada ao tema “Usos e Costumes Tradicionais da Região Saloia”, a ter lugar no Auditório do Museu do Museu Municipal de Loures, no dia 24 de Junho, pelas 16h30. A iniciativa insere-se no programa do FolkLoures’17 – Encontro de Culturas que se prolonga até ao dia 1 de Julho, altura em que tem lugar um grandioso festival de cultura tradicional no Parque da Cidade, em Loures.

A Prof. Doutora Ana Paula de Sousa Assunção é historiadora e museóloga, Mestre em História Regional e Local pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. É autora de programas museológicos, reformulações de programas e criação de serviços inovadores. Conceção científica do Centro UNESCO A casa da terra. Comissária de exposições de vária índole com museografia de inclusão e género.

Tem como áreas científicas preferenciais a História Local, Saúde, Património industrial (com destaque para Fábrica de Loiça de Sacavém, Oliveira Rocha/Oliveira do Bairro), Património Cultural Imaterial, Património Religioso /obra de arte total – Cripto -história. Exerceu voluntariado na Igreja Matriz de Bucelas com descobertas de cariz científico sobre entalhador, Francisco Lopes. (Artigo no prelo). Musealização da Igreja e interpretação dos espaços em visitas.

Pelo seu trabalho, tem recebido várias distinções de Mérito Cultural e Prémios no campo da Museologia a nível nacional e internacional.

O FolkLoures apresenta um programa cultural rico e diversificado que, sob o impulso e capacidade organizativa do Rancho Folclórico Verde Minho, catapulta o concelho de Loures para a ribalta da cultura tradicional portuguesa.

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publicado por Carlos Gomes às 22:12
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Segunda-feira, 7 de Março de 2016
PÁGINAS DA HISTÓRIA DO REGIONALISMO: CASA DO CONCELHO DE OVAR FOI FUNDADA EM 1952

Recordando a “Casa do Concelho de Ovar em Lisboa”

Lisboa, como todas as grandes cidades cosmopolitas, acolhe dentro dos seus muros pessoas oriundas de localidades nacionais e estrangeiras que, para poderem confraternizar mais assiduamente com os seus conterrâneos, fundam colectividades.

Na capital existiam, em 1950, entre outras, as “Casas de Arganil”, das “Beiras”, do “Alentejo”. Talvez por isso, José Augusto da Cunha Lima insistiu, desde então, numa campanha, a que o extinto semanário “Notícias de Ovar” deu cobertura, para que fosse fundada a “Casa do Concelho de Ovar em Lisboa”.

Teve lugar em 19 de Junho de 1952 uma primeira reunião de ilustres ovarenses que aderiram a esta causa, tendo sido ali constituída uma comissão organizadora, formada pelos seguintes bairristas vareiros: Afonso Pereira de Carvalho, António Pinho Branco, Armando Oliveira Soares, Artur de Oliveira Faneco, Francisco de Oliveira Faneco, José André Redes, José Augusto da Cunha Lima, Manuel de Oliveira Ventura e Pelágio José Ramos.

Assim se fundava, em Junho de 1952, a “Casa do Concelho de Ovar em Lisboa”. As primeiras reuniões foram realizadas ao ar livre, beneficiando do arvoredo amigo de uma esplanada da Avenida da Liberdade. Posteriormente, realizaram-se na federação da Sociedade de Recreio, à Rua da Palma, onde reuniu a primeira Assembleia Geral, para aprovar os seus Estatutos. A Secretaria ficou instalada na casa de João André Boturão e, depois, na de Artur de Oliveira Faneco.

Num dos passeios fluviais a Vila Franca de Xira

A primeira sede situou-se no 3.º andar do prédio n.º 54 da Avenida da Liberdade. Mais tarde, a 15 de Março de 1959, em sessão solene presidida pelo Presidente da Câmara Municipal de Ovar dessa época, foi inaugurada uma nova sede na Calçada dos Santos, nº 37, 1º andar, junto à Igreja de Santos-o-Velho e aos jardins da embaixada de França, no coração da Madragoa, onde residiram e ainda residem tantos conterrâneos nossos, muitos deles lá registados pelos baptismo ou matrimónio naquele vetusto templo, em diversas gerações.

Em Dezembro de 1953 a Casa tinha 526 sócios. Em 18 de Junho de 1955 cantou-se pela 1.ª vez o hino da colectividade, com música do Dr. Elísio de Matos e letra do Dr. António Rasgado Rodrigues: ‘Nos quatro cantos do mundo, / Gente de Ovar se perdeu; / e o seu amor vagabundo, / Jamais a Pátria esqueceu’. Foi ensaiado pelo Dr. Elísio de Matos, na sua própria casa, a um grupo coral de homens e senhoras membros da Agremiação, grupo esse que viria a actuar na sede própria, na Avenida da Liberdade, então sob regência do Sr. Covas.

Exercerem a presidência da direcção da “Casa do Concelho de Ovar em Lisboa”:

1 - Dr. Albino Borges de Pinho (1953-1957)

2 - Mário André Boturão (1959-1962)

3 - José Augusto da Cunha Lima (1963-1966)

4 - Salviano Zagalo de Lima (1967-1970)

5 - José Augusto da Cunha Lima (1971-1972, pela 2.ª vez)

Nos primeiros anos após a sua fundação, tendo como presidente o Dr. Albino Borges de Pinho, a Casa atingiu o período mais brilhante da sua existência, organizando grandes eventos, entre os quais as visitas a Ovar da Imprensa Diária (em 27 e 28 de Junho de 1953), do Núncio Apostólico D. Fernando Cento (6 de Junho de 1954), dos conferencistas Dr. António Luís Gomes (20 de Março de 1954), do escritor do jornal “O Século” Adelino Mendes (12 de Maio 1956), o Encontro (Setembro de 1953), e o Comboio da Saudade…

Visita do Cardeal Cento a Ovar (Chegada à Igreja Matriz)

Pela Páscoa, a Direcção comprava à Sr.ª Teresa da Olaria, fabricante de roscas doces, grande quantidade dessa especialidade vareira para ser distribuída pelos vareirinhos mais necessitados da capital, e nas festas natalícias fornecia géneros alimentícios aos ovarenses lisboetas mais carenciados. Anualmente, no Verão, organizava um passeio fluvial pelo rio Tejo, até Vila Franca de Xira, para sócios e seus familiares, juntando dessa maneira muita gente de Ovar, que dançava e cantava as cantigas da sua terra, numa alegre confraternização que durava enquanto o sol não se escondia.

Na Páscoa, distribuindo as roscas da Sr.ª Teresa da Olaria

A sede, na Avenida da Liberdade, foi algumas vezes visitada pela nossa conterrânea Maria Albertina, grande nome do fado e do teatro, que gostava de conversar com as pessoas mais idosas, recordando, com elas, os tempos antigos da sua infância…

grupo coral da casa do concelho de ovar em lisboa

Grupo Coral da Casa da Comarca de Ovar em visita ao Estádio Nacional

Quando o Orfeão de Ovar se deslocou a Lisboa para apresentar, no Parque Mayer, em 16, 17 e 18 de Junho de 1956, a Revista “Aqui Ovar!”, a Casa do Concelho alugou um coche puxado por cavalos, que percorreu as ruas mais importantes da capital com uma tripulação de quatro jovens vestidas à varina, fazendo reclamo ao espectáculo. Ao apreciarem as nossas beldades vareiras, as pessoas de Lisboa dirigiam-lhes piropos, como este: – Se a Revista for tão bonita como as varinas do coche, vale a pena ir vê-la ao Teatro Variedades!...

Em 1955, por iniciativa de Elias Rodrigues Abade, funcionou nas instalações do Centro Vidreiro (antiga fábrica da Varina), ao sul da Praia do Furadouro, uma Colónia Balnear Infantil da Casa do Concelho de Ovar em Lisboa. Mais tarde, em 21 de Junho de 1958, nas comemorações do 6.º aniversário da colectividade, o Dr. João de Araújo Correia proferiu na sede da Casa do Concelho, na Avenida da Liberdade, uma brilhante conferência intitulada “Há Sal na Régua”, que encantou a todos presentes, e cujo texto está totalmente transcrito no “Boletim da Casa do Concelho de Ovar” de Julho de 1958, sendo publicado em separata, merecendo que se faça uma nova edição, para ser mais divulgado na nossa terra!...

A 27 de Janeiro de 1973, a Assembleia Geral da “Casa do Concelho de Ovar em Lisboa”, na sequência duma crise de dirigentes e do desinteresse da maior parte dos sócios, decidiu dissolver aquela Associação, que durou pouco mais de 20 anos.

Foram presidentes da Assembleia Geral da Casa do Concelho de Ovar em Lisboa:

1 - Major Manuel Gomes Duarte Pereira Coentro (1953-1954)

2 - Dr. Luís Valente da Silva (1955-1956), que faleceu Juiz Desembargador.

3 - António Coentro de Pinho (1957-1973)

A Casa acabou, como dizia o Sr. António Coentro de Pinho no “Notícias de Ovar” de 18/02/1988, “por terem falecido ou desistido muitas das suas dedicações, por falta de saúde de uns e cansaço de outros, e o desinteresse acentuou-se e a Casa do Concelho extinguiu-se, quase sem se saber como e porquê!...”

Eu diria que o principal porquê da extinção da Casa foi, precisamente, o falecimento das dedicações vareiras, daqueles que emigraram para Lisboa na primeira metade do século XX, porque actualmente já quase só existem na capital vareiros de 2.ª, 3.ª e 4.ª geração, os quais, embora tenham raízes ovarenses, já não manifestam por Ovar aquele acrisolado amor que os seus progenitores profundamente sentiram…Jornal “João Semana”, de 15 de Dezembro de 2006 / Texto: João de Oliveira Neves



publicado por Carlos Gomes às 21:53
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Quinta-feira, 18 de Fevereiro de 2016
PÁGINAS DA HISTÓRIA DO REGIONALISMO: CASA DO CONCELHO DE OVAR FOI EXTINTA HÁ 43 ANOS!

Constituída em 1952, a Casa do Concelho de Ovar teve curta existência, tendo sido extinta cerca de vinte anos após a sua fundação. Teve a sua sede provisória na rua de São Bernardo, nº 76, 1º esquerdo, tendo-se posteriormente sediado na avenida da Liberdade, nº. 54, 3º. Porém, era no pitoresco bairro da Madragoa que se encontrava fixada a maior parte das suas gentes que viviam em Lisboa pelo que acabaria por instalar a sua sede social na calçada de Santos, nº. 37, 1º andar, atual calçada Ribeiro dos Santos. Recordando uma das desaparecidas casas regionais que existiram em Lisboa, transcrevemos com a devida vénia o artigo do jornalista João de Oliveira Teles, publicado no Jornal “João Semana” de 1 de maio de 2010.

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Comissão Organizadora da Casa do Concelho de Ovar em Lisboa: Sentados, da esquerda para a direita: Manuel de Oliveira Ventura, José Augusto da Cunha Lima e António Pinho Branco. De pé, pela mesma ordem: Pelágio José Ramos, Afonso Pereira de Carvalho, José André Redes, Artur de Oliveira Faneco, Francisco de Oliveira Faneco e Armando de Oliveira Soares

Recordando o “Comboio da Saudade”

Não vou aqui fazer a história da Casa do Concelho de Ovar em Lisboa, porque esse trabalho já foi abordado por mim neste jornal em 15 de Dezembro de 2006. Mas não podia deixar de recordar uma feliz iniciativa desta colectividade, então ainda embrionária: a organização de um comboio-expresso com ligação directa entre Lisboa e Ovar, ao qual deram o nome de “Comboio da Saudade”.

A Estação de Ovar em 1952, ainda com a cobertura da marquise envidraçada, repleta de gente, à chegada do “Comboio da Saudade”

 

Teve lugar esse acontecimento em 21 de Setembro de 1952, por ocasião das festas centenárias da Vila e da Festa do Mar, e foi levado a cabo por um grupo de vareiros bairristas residentes em Lisboa, com amor acrisolado à terra das suas raízes, pela qual tudo faziam desinteressadamente.

Nessa altura, esses vareiros formavam a Comissão Organizadora da Casa do Concelho de Ovar em Lisboa, instituição que havia de nascer, mais tarde, com o seu primeiro presidente, Dr. Albino Borges de Pinho (1953 a 1957). Um dos objectivos da viagem era, precisamente, despertar nos outros conterrâneos um maior entusiasmo pela nova associação.

Esse objectivo foi alcançado, traduzindo-se num grande sucesso, já que se deslocaram de Lisboa a Ovar vareiros que já aqui não vinham há muitos anos, trazendo consigo vários amigos da capital que não conheciam a nossa terra.

É oportuno registar o nome desses vareiros bairristas, para não serem ignorados pelos seus conterrâneos de hoje: José Augusto da Cunha Lima, presidente da Comissão Organizadora da Casa do Concelho de Ovar em Lisboa, João André M. Boturão, Manuel de Oliveira Ventura, José André Redes, Pelágio José Ramos, Artur de Oliveira Faneco, António A. Pinho Branco, Francisco de Oliveira Faneco, Afonso Pereira de Carvalho e Armando de Oliveira Soares.

Desde a primeira hora, o semanário “Notícias de Ovar” deu bastante apoio a esta iniciativa. E como o seu proprietário, António Coentro de Pinho, era, na ocasião, Presidente da Câmara Municipal de Ovar, tudo se conjugou para que a realização dessa jornada tivesse muito êxito.

No seu número de 18 de Setembro de 1952, aquele semanário convidava o povo e as colectividades do concelho a estarem presentes na estação do caminho-de-ferro da vila para assistirem à chegada do “Comboio da Saudade”, publicando o anúncio da Câmara Municipal de Ovar aqui reproduzido.

Grupo Coral da Casa do Concelho de Ovar em Lisboa numa visita ao Estádio Nacional, onde se destacam alguns membros fundadores desta colectividade: Em baixo, o 1.º da esquerda é José André Redes. De pé, da esquerda para a direita: 1.º Francisco de Oliveira Faneco, e o antepenúltimo o seu pai, Artur de Oliveira Faneco.

 

O comboio saiu do Rossio, em Lisboa, às 7 horas do dia 21 de Setembro, chegando a Ovar por volta das 11 horas, conforme estava previsto. Disse-me o Sr. Francisco de Oliveira Faneco, um dos membros da organização, que em Aveiro pediram ao maquinista para que dali em diante fizesse accionar o apito da máquina até à sua chegada a esta vila, no que ele concordou. Isso permitiu que o povo das povoações vizinhas parasse para observar, interrogando-se sobre o que se passava.

Foi em apoteose que o “Comboio da Saudade” entrou na gare da nossa estação. (A foto ainda a retrata com a cobertura da marquise em ferro, coberta de zinco e vidro, desmantelada nos anos 60 do séc. XX devido à electrificação da Linha do Norte). Ali “se viam as entidades oficiais, colectividades com os seus estandartes e a Banda Ovarense, tendo subido ao ar uma grande salva de foguetes”, como se lia no semanário de 25/9/1952.

Seguiu-se um cortejo para a Câmara, onde estava constituída a mesa, com o Presidente, os membros da Comissão Organizadora da Casa do Concelho de Ovar em Lisboa, os vereadores e entidades oficiais e representantes das colectividades locais.

O Sr. António Coentro de Pinho, como primeiro autarca do concelho, deu as boas vindas aos visitantes, tendo-lhe respondido, a agradecer, o Sr. José Augusto da Cunha Lima, presidente da Comissão Organizadora da Casa do Concelho em Lisboa.

O “Notícias de Ovar” informava ainda: “Da Câmara, seguiram estes para o Largo dos Combatentes, onde visitaram a fonte do Hospital, o edifício do antigo Quartel de Infantaria 24 e a Capela de S. Pedro, onde se encontra o “Passo do Calvário”, indo, depois, à Matriz, que viram com particular interesse, alguns dos restantes “Passos” e, finalmente, à casa onde viveu durante algum tempo o grande escritor Júlio Dinis. No fim do almoço, foi-lhes proporcionado um passeio pela Ria até ao Torrão do Lameiro”.

A comitiva partiu de Ovar, com rumo a Lisboa, às 2 horas e 30 minutos do dia 22, como estava previsto, depois de uma despedida comovente para os que seguiam e para aqueles que cá ficavam.

Ao recordarmos este acontecimento, que há mais de 50 anos empolgou a população da nossa terra, prestamos homenagem aos nossos conterrâneos residentes, nessa época, em Lisboa, muitos deles já falecidos, os quais, embora vivendo longe, traziam Ovar no coração. Lamentamos que a Casa do Concelho de Ovar em Lisboa, extinta cerca de 20 anos depois, em 17 de Janeiro de 1973, tivesse tido uma existência tão breve.

Fonte: João de Oliveira Teles / Jornal “João Semana” de 1 de maio de 2010 / Via: http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.pt/

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A Câmara Municipal de Ovar convidava a população e as colectividades do Concelho a comparecerem na Estação à chegada do Comboio



publicado por Carlos Gomes às 20:17
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