Blogue de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes de Lisboa e arredores

Quinta-feira, 2 de Novembro de 2017
A MULHER QUE FOI A MODELO PARA O BUSTO DA REPÚBLICA PORTUGUESA

* Crónica de Paulo Freitas do Amaral

Ilda Pulga é o nome que consta da mulher que serviu de modelo ao primeiro busto da República Portuguesa. Ainda com descendentes vivos, a família faz questão de afirmar que deveria ter sido uma mulher lindíssima e simultaneamente “atrevida” para servir de modelo naquele tempo.

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Ilda pulga faleceu em 1993 com 101 anos. O seu sobrinho bisneto Joaquim Pulga só desconfiou ser familiar de Ilda após à sua morte por ter lido uma notícia no jornal. Joaquim afirma que uma pessoa como Ilda que serviu de modelo aos 18 anos deve ter evoluído culturalmente de uma forma muito peculiar e intensa.

Ilda era natural de Arraiolos e não foi fácil encontrar o fio à meada das suas ligações familiares embora só haja uma família “Pulga” em Portugal. Foi através de moradores de Arraiolos que Joaquim veio a saber que Ilda era irmã do seu bisavô.

O sobrinho bisneto investigou sobre a sua familiar e ficou a saber que Ilda foi muito jovem para Lisboa, com os seus 13 anos e que as dificuldades económicas que se faziam sentir na altura no Alentejo terão  motivado a sua mudança para a capital levando o resto da sua vida como costureira.

O busto da república portuguesa continua inalterado.Os bustos da República variam de país para país e até encontramos casos onde houve mudanças de modelos que serviram de bustos ao simbolismo republicano.

Como Republicano que sempre fui, não posso deixar de ter uma visão interessada sobre este assunto. O modelo mais icónico da República, tem a sua origem em França e foi sem dúvida “Mariana” ou “Marianne” representada, iconograficamente, por uma mulher, ostentando um barrete frígio, tendo como inspiração a imagem da Liberdade na obra A Liberdade guiando o Povo, pintada em 1830 por Eugène Delacroix.

No entanto a Associação dos Autarcas Franceses decidiu mudar periodicamente o busto de "Mariana", adoptando como modelos artistas de cinema e da música francesas contemporâneas, sendo a manequim e actriz Laetitia Casta o modelo actual da escultura.

A estátua da Liberdade nos EUA é também inspirada em Marianne e foi oferecida pelos franceses aos americanos.

No caso português atribui-se a autoria do busto a João da Silva que usava como peseudónimo João da Nova talvez porque também escrevia para a revista Seara Nova…

A comissão republicana que instituiu o busto em 1911 inspirado em Ilda teve muito bom gosto e a sua imagem fará companhia aos portugueses por muito mais tempo.

Ilda Pulga

Ilda Pulga, de pé, ao centro, na oficina de costura onde trabalhava



publicado por Carlos Gomes às 11:15
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Quarta-feira, 5 de Outubro de 2016
REVOLUCIONÁRIOS DA REPÚBLICA DERAM FESTIM NA ROTUNDA

Passam hoje precisamente 106 anos desde a implantação da República em Portugal. Após uma série de escaramuças em diversos pontos da cidade e alguns tiros travados entre um punhado de soldados e meia centena de carbonários entrincheirados na Rotunda e as tropas monárquicas estacionadas no Rossio, o novo regime foi aclamado da varanda dos Paços do Concelho, em Lisboa.

A25800.jpg

 

A imagem mostra o reduzido número de militares e civis que permaneceram no acampamento da Rotunda nos dias da Revolução.

 

Pelo meio, registaram-se numerosos incidentes e equívocos, de entre os quais se salienta a tentativa do embaixador alemão negociar com ambas as forças em confronto, a retirada em segurança do pessoal diplomático, atitude que ao ser avistada uma bandeira branca subindo o que é agora a avenida da Liberdade, foi confundida como uma rendição, o que acabaria precipitando o desfecho dos acontecimentos.

Já em 1640, perante a hesitação do Duque de Bragança em deixar-se aclamar rei pelos conspiradores que restauraram a independência de Portugal face ao domínio espanhol, colocara-se a hipótese de se implantar o regime republicano no nosso país. Porém, foi no Porto, em 31 de Janeiro de 1891, que ocorreu o primeiro movimento revolucionário destinado a implantar o regime republicano, tentativa que resultou em fracasso. O mesmo veio a verificar-se com nova tentativa ocorrida em 28 de Janeiro de 1908, do qual resultou o assassinato do rei do Rei D. Carlos, quatro dias após falhado o golpe.

Nas vésperas do dia aprazado para o desencadear da revolução, afluíram a Lisboa “primos” provenientes dos mais diversos pontos do país para participarem no levantamento. Cortaram as comunicações e as linhas férreas para impedir que as unidades militares na província fossem em socorro das forças leiais à monarquia. No dia 4 de Outubro, algumas localidades como Loures e Aldeia Galega, actual Montijo, proclamaram a República como manobra de diversão. Ainda assim, a revolta republicana foi dada como perdida, tendo inclusive levado ao suicídio de um dos seus principais chefes, o Almirante Cândido dos Reis.

Valeu à República um punhado de soldados e meia centena de carbonários que se entrincheiraram às ordens do Comissário Naval Machado dos Santos. Os políticos aguardavam nos Banhos de São Paulo o sucesso dos acontecimentos para então dirigirem-se aos Paços do Concelho e aí proclamarem a implantação do novo regime que os haveria de alcandorar ao poder.

Uma vez alcançado cessadas as hostilidades, os mais ardorosos combatentes travaram-se de novas e mais suculentas batalhas, atacando alvos mais comestíveis e nutritivos. O acampamento da Rotunda manteve-se por mais cinco dias que foram preenchidos com a realização de um autêntico festim que, a avaliar pelas quantidades de alimentos digeridos, reuniu largas centenas de comensais que, não tendo embora participado directamente nos combates, não quiseram deixar os seus créditos de bravura por mãos alheias.

Desse extraordinário sucesso dá-nos conta a insuspeita revista “Ilustração Portugueza”, na sua edição de 7 de novembro de 1910, sob o curioso título “Subsídios photographicos para a História da Revolução”:

O reducto da Avenida, que foi o verdadeiro baluarte da republica, offereceu aspectos deveras curiosos, mesmo depois de passados os combates. Durante os dias que os soldados e os civis ali se encontraram foi montado um serviço regular de subsistências, confeccionando-se em improvisadas cosinhas, rancho de que partilharam todos os que lá se tinham juntado nos dias da revolta. Na manhã do dia seis foram cozinhadas no acampamento duas mil pescadas em nove fogões de campanha e desde que se estabeleceu o serviço regular até ao dia 10, em que se retiraram os militares e paisanos, consumiu-se dez mil kilos de carne de vacca e quarenta mil kilos de pão, não sendo possível averiguar o numero de pessoas que foram alimentadas durante esse tempo na rotunda que se tornou um logar histórico”.- Não mencionou o cronista quantos litros de vinho regaram tão lauto repasto!

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A confecção do rancho no acampamento da Rotunda. O corneteiro, ao centro, aguardando ordens para tocar para o rancho…

capture2

Os cestos com as duas mil pescadas. Um aspecto da confraternização. À esquerda vê-se um militar agarrado à sua namorada.



publicado por Carlos Gomes às 09:48
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Segunda-feira, 5 de Outubro de 2015
O BANQUETE DA REPÚBLICA NO ACAMPAMENTO DA ROTUNDA ACONTECEU HÁ 105 ANOS!

Passam precisamente 104 anos desde a realização do grande banquete que, após os confrontos que levaram à implantação do regime republicano, teve lugar no acampamento da Rotunda onde um punhado de soldados e meia centena de carbonários se entrincheiraram às ordens do Comissário Naval Machado dos Santos.

A25800.jpg

A imagem mostra o reduzido número de militares e civis que permaneceram no acampamento da Rotunda nos dias da Revolução

Uma vez alcançado o cessar-fogo na manhã do dia 5 de outubro, as hostilidades republicanas dirigiram-se para alvos mais comestíveis e nutritivos. O acampamento manteve-se por mais cinco dias que foram preenchidos com a realização de um autêntico festim que, a avaliar pelas quantidades de alimentos digeridos, reuniu largas centenas de comensais que, não tendo embora participado nos combates, não quiseram deixar os seus créditos de bravura por mãos alheias.

Desse extraordinário sucesso que não deveria ser omitido nas páginas da nossa História contemporânea onde se inscrevem tão gloriosos feitos revolucionários, dá-nos conta a insuspeita revista “Ilustração Portugueza”, na sua edição de 7 de novembro de 1910, sob o curioso título “Subsídios photographicos para a História da Revolução”:

O reducto da Avenida, que foi o verdadeiro baluarte da republica, offereceu aspectos deveras curiosos, mesmo depois de passados os combates. Durante os dias que os soldados e os civis ali se encontraram foi montado um serviço regular de subsistências, confeccionando-se em improvisadas cosinhas, rancho de que partilharam todos os que lá se tinham juntado nos dias da revolta. Na manhã do dia seis foram cozinhadas no acampamento duas mil pescadas em nove fogões de campanha e desde que se estabeleceu o serviço regular até ao dia 10, em que se retiraram os militares e paisanos, consumiu-se dez mil kilos de carne de vacca e quarenta mil kilos de pão, não sendo possível averiguar o numero de pessoas que foram alimentadas durante esse tempo na rotunda que se tornou um logar histórico”.

- Não mencionou o cronista com quantos litros de vinho regaram tão lauto repasto !

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A confeção do rancho no acampamento da Rotunda. O corneteiro, ao centro, aguardando ordens para tocar para o rancho...

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Os cestos com as duas mil pescadas. Um aspeto da confraternização. À esquerda vê-se um militar agarrado à sua namorada.

 



publicado por Carlos Gomes às 16:15
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Domingo, 5 de Outubro de 2014
O BANQUETE DA REPÚBLICA NO ACAMPAMENTO DA ROTUNDA ACONTECEU HÁ 104 ANOS!

Passam precisamente 104 anos desde a realização do grande banquete que, após os confrontos que levaram à implantação do regime republicano, teve lugar no acampamento da Rotunda onde um punhado de soldados e meia centena de carbonários se entrincheiraram às ordens do Comissário Naval Machado dos Santos.

A25800.jpg

A imagem mostra o reduzido número de militares e civis que permaneceram no acampamento da Rotunda nos dias da Revolução

Uma vez alcançado o cessar-fogo na manhã do dia 5 de outubro, as hostilidades republicanas dirigiram-se para alvos mais comestíveis e nutritivos. O acampamento manteve-se por mais cinco dias que foram preenchidos com a realização de um autêntico festim que, a avaliar pelas quantidades de alimentos digeridos, reuniu largas centenas de comensais que, não tendo embora participado nos combates, não quiseram deixar os seus créditos de bravura por mãos alheias.

Desse extraordinário sucesso que não deveria ser omitido nas páginas da nossa História contemporânea onde se inscrevem tão gloriosos feitos revolucionários, dá-nos conta a insuspeita revista “Ilustração Portugueza”, na sua edição de 7 de novembro de 1910, sob o curioso título “Subsídios photographicos para a História da Revolução”:

O reducto da Avenida, que foi o verdadeiro baluarte da republica, offereceu aspectos deveras curiosos, mesmo depois de passados os combates. Durante os dias que os soldados e os civis ali se encontraram foi montado um serviço regular de subsistências, confeccionando-se em improvisadas cosinhas, rancho de que partilharam todos os que lá se tinham juntado nos dias da revolta. Na manhã do dia seis foram cozinhadas no acampamento duas mil pescadas em nove fogões de campanha e desde que se estabeleceu o serviço regular até ao dia 10, em que se retiraram os militares e paisanos, consumiu-se dez mil kilos de carne de vacca e quarenta mil kilos de pão, não sendo possível averiguar o numero de pessoas que foram alimentadas durante esse tempo na rotunda que se tornou um logar histórico”.

- Não mencionou o cronista com quantos litros de vinho regaram tão lauto repasto !

capture1

A confeção do rancho no acampamento da Rotunda. O corneteiro, ao centro, aguardando ordens para tocar para o rancho...

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Os cestos com as duas mil pescadas. Um aspeto da confraternização. À esquerda vê-se um militar agarrado à sua namorada.



publicado por Carlos Gomes às 13:53
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REPÚBLICA FOI IMPLANTADA HÁ 104 ANOS!

Passam precisamente 104 anos sobre a data da implantação do regime republicano em Portugal, acontecimento político que teve grande repercussão nomeadamente na Rússia onde, alguns anos mais tarde, viria a suceder uma revolução de alguma forma inspirada nos sucessos que tiveram lugar em Lisboa. Sem outras considerações de natureza política, publicamos algumas imagens dos acontecimentos então ocorridos. As fotos são do Arquivo Municipal de Lisboa.

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A imagem mostra o acampamento na Rotunda onde se entricheiram militares e civis armados.

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Militares e civis do acampamento da Rotunda.

rotunda

Outro aspecto da barricada na Rotunda.

carbonários

Um grupo de carbonários passando junto ao Largo do Chiado, em Lisboa.

 

eléctrico

Revolucionários civis procurando imobilizar um carro eléctrico.

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Estragos causados pela explosão de uma bomba na fachada do Palácio das Necessidades.

manif

Manifestação de apoio aos republicanos

desfile

Soldados e civis desfilando.

josé relvas

José Relvas proclama a República da varanda dos Paços do Concelho, em Lisboa. 

apoiando a republica

A revolução republicana, a multidão em frente à Câmara Municipal aclama a proclamação da República

carbonários

Militares e civis junto à Câmara Municipal de Lisboa.

proclamação

Um aspecto da Praça do Município, em Lisboa, na ocasião da proclamação da República.



publicado por Carlos Gomes às 13:08
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Quinta-feira, 2 de Outubro de 2014
GRÉMIO LUSITANO COMEMORA 5 DE OUTUBRO

O Grémio Lusitano vai celebrar a sua tradicional Homenagem Comemorativa da Implantação da República, no próximo dia 5 de Outubro.

► Em Lisboa:

10.00 Horas - Deposição de uma coroa de flores na estátua António José de Almeida;

15.00 Horas – Inauguração da Biblioteca “Oliveira Marques”, do Grande Oriente Lusitano, nas instalações da Escola- Oficina nº1 ao Largo da Graça, nº58;

17.00 Horas – COLÓQUIO: “República, Democracia, Educação”;

 ORADORES/TEMAS:

- Prof. António Sampaio da Nóvoa: “A Escola Oficina nº1 – Educar de Outra Maneira

- Prof. Maria Fernanda Rollo: “A República – Desafios do Progresso e Organização da Ciência

- Prof. António Reis fará os Comentários finais

Foto via António Ventura, com a devida vénia 

Fonte: http://arepublicano.blogspot.pt/



publicado por Carlos Gomes às 14:02
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